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Bolsa de Nova York fecha em queda de 4,15%, em dia de alta volatilidade

As bolsas dos EUA voltaram a cair forte nesta quinta-feira (8), com investidores ainda nervosos diante da persistência da volatilidade nos mercados financeiros após as piores quedas em mais de dois anos e meio no início da semana. Os três principais índices de ações do mercado americano fecharam com alta superior a 3%.

Dow Jones, o principal índice da bolsa de Nova York, fechou em queda de 4,15%;
Nasdaq, que reúne as principais ações da bolsa de tecnologia dos EUA, caiu 3,9%;
S&P 500, que reúne as 500 ações mais importantes da bolsa de NY e da Nasdaq, recuou 3,75%.

O nervosismo no mercado acionário americano contaminou outras bolsas de valores. No Brasil, a bolsa brasileira fechou em queda superior a 1% nesta quinta-feira (8).

O efeito também foi sentido no mercado de câmbio e levou a uma valorização do dólar em relação a outras moedas. Em relação ao real, o dólar subiu 0,22% e alcançou R$ 3,28 nesta quinta-feira.

“A poeira ainda não baixou, e eu acho que tanto compradores quanto vendedores estão tentando descobrir o que o mercado realmente quer fazer”, disse à Reuters Jonathan Corpina, gerente sênior da consultoria Meridian Equity Partners em New York.

Desde a última sexta-feira, o mercado financeiro americano opera em alta volatilidade. Depois de sucessivas altas, o índice Dow Jones despencou no fim da semana passada, voltou a subir na segunda-feira e teve nova queda nesta quinta-feira (veja gráfico abaixo).

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Sobrevivente de queda de ônibus no Peru se jogou pela janela; 48 pessoas morreram

Um dos seis sobreviventes do acidente que deixou ao menos 48 mortos depois que um ônibus caiu da estrada em um precipício na costa central do Peru nesta terça-feira (2), Máximo Jimenez Vilcayaure, 24, se salvou graças a uma fuga que pode ser chamada de milagrosa.

Ao perceber que o ônibus ia cair, Vilcayaure se atirou pela janela do ônibus, caindo no chão antes que o coletivo despencasse, segundo informações do site peruano RPP Notícias.

“Por isso ele só tem alguns machucados sem gravidade e está em observação no hospital”, contou Victor Viru, diretor do hospital de Chancay em que Vilcayaure foi atendido. O sobrevivente teve apenas o braço quebrado.

Após se salvar da queda do veículo, o jovem ainda teria parado um carro que passava pela estrada e pediu carona até o hospital, contou Viru ao “Canal N”.

Outros cinco sobreviventes foram levados de helicóptero ao hospital Daniel Alcides Carrión, na província de Callao, e seguem em estado grave.

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Trump provoca árabes e decide reconhecer Jerusalém como capital de Israel

Donald Trump abriu os braços para a discórdia. Num gesto destinado a enfurecer grande parte do Oriente Médio, o presidente dos Estados Unidos deverá reconhecer nesta quarta-feira Jerusalém como capital de Israel e anunciar um plano para transferir a embaixada norte-americana de Tel Aviv para a cidade sagrada, embora a mudança efetiva, por “motivos logísticos, de segurança e construtivos”, ainda levará anos. De nada serviram as advertências da União Europeia e do presidente francês, Emmanuel Macron, nem as súplicas e ameaças dos países muçulmanos. O presidente Trump, longe de qualquer consenso, tornou a demonstrar que só é fiel aos seus interesses.

Jerusalém é uma ferida aberta. Um labirinto cuja saída ninguém até hoje encontrou. Há 70 anos, o acordo de partição da Palestina situava provisoriamente a cidade sob administração internacional. Mas logo a parte ocidental foi ocupada por Israel, e depois da Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, também o lado oriental – justamente a área que os palestinos consideram como sua capital.

Nesse vespeiro, Trump mexeu com fogo. Sabedor de que todas as embaixadas ficam em Tel Aviv, deixou vazar sua intenção de reconhecer Jerusalém como capital e inclusive alertou as representações diplomáticas norte-americanas sobre o risco de protestos. Guardando silêncio, como já fizera ao retirar os EUA do pacto climático global, permitiu que a tensão cênica se elevasse ao máximo. O resultado foi que, no Oriente Médio e na Europa, se multiplicaram as pressões para que abandonasse a ideia, enquanto ele, com todos os holofotes voltados para si, se sentava em cima do barril de pólvora para meditar. É o seu jeito de fazer política.

A decisão oficial, que será comunicada nesta quarta-feira em um discurso, já foi transmitida por Trump ao líder palestino, Mahmoud Abas, e ao rei Abdallah II, da Jordânia, em uma rodada de diplomacia telefônica. Sua intenção é reconhecer a “realidade histórica” de Jerusalém e transferir a embaixada para lá assim que possível. A mudança de sede já foi aprovada pelo Congresso em 1995, mas, por questões de “segurança nacional”, foi adiada por todos os presidentes desde então. A Casa Branca argumenta que o movimento, embora desejado, é atualmente impossível por questões logísticas. “Não há maneira de fazer isso rapidamente. Só as autorizações e a segurança podem levar anos”, observou um porta-voz.

Em todo caso, o reconhecimento de Jerusalém, com sua enorme carga simbólica, significa adentrar um território hostil. Não só acaba com um consenso internacional mantido durante décadas pelos Estados Unidos como também arruína, ao menos em curto prazo, os esforços do genro e assessor presidencial Jared Kushner de forjar um acordo no Oriente Médio e aproximar Israel dos países de maioria sunita como Egito, Arábia Saudita e Jordânia, com a finalidade de criar um escudo contra o Irã.

Em contrapartida, Trump reafirma sua fé pró-Israel, que tão bons dividendos eleitorais já lhe rendeu. Como fez em fevereiro, lança aos palestinos o aviso de que não se sente amarrado pelo passado e que seu objetivo é abrir um novo ciclo, onde nem sequer a solução de dois Estados seria necessária.

Indignação

É uma guinada radical e de alta capacidade desestabilizadora. Um novo vendaval que foi recebido com consternação numa zona devastada por décadas de sangue e fogo. O movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, já ameaçou com uma nova Intifada, e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) qualificou a medida como o “beijo da morte” para a paz. Na Turquia, o presidente Recep Tayyip Erdogan cogitou represálias. “Elas poderiam chegar ao rompimento das nossas relações diplomáticas com Israel. É um limite intransponível para a órbita muçulmana”, sentenciou.

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Movimento de mulheres que denunciaram o assédio é escolhido ‘personalidade de 2017’ pela revista ‘Time’

O movimento das mulheres que denunciaram o assédio sexual, conhecido como #MeToo, foi escolhido “personalidade do ano 2017” pela revista norte-americana “Time”. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (6).

“The Silence Breakers” reúne um vasto grupo de pessoas, em sua maioria mulheres, que denunciou as agressões sexuais cometidas pelo megaprodutor hollywoodiano Harvey Weinstein. Outras pessoas seguiram o exemplo compartilhando histórias de abuso com a hashtag #MeToo. O objetivo do grupo é aumentar a conscientização sobre o assédio sexual e o estupro.

“Esta é a mudança social mais rápida que vimos em décadas e começou com atos individuais de coragem por centenas de mulheres – e também alguns homens – que se apresentaram para contar suas próprias histórias”, afirmou o editor-chefe da revista, Edward Felsenthal, ao “Today show”, do canal NBC.

O presidente americano, Donald Trump, que foi eleito a personalidade de 2016 pela publicação, ficou em segundo lugar neste ano. O presidente chinês, Xi Jinping, ficou em terceiro. Em 2015, a chanceler alemã, Angela Merkel, havia sido homenageada pela revista.

A “Time”, que faz uma capa especial com a escolha todos os anos desde 1927, deu destaque para as equipes de saúde envolvidas no controle do surto de ebola na África, em 2014.

Frequentemente, a publicação concede a honraria a uma entidade que não tem uma organização centralizada. Em 2011, o eleito foi o “manifestante” – em referência a diversos movimentos com pautas variadas, como os participantes da Primavera Árabe, os Indignados (Espanha) e Occupy (EUA).

Os lutadores húngaros da invasão soviética a Budapeste, o soldado americano e a classe média dos EUA já haviam sido eleitos pela revista nos anos 1950 e 1960.

Os outros candidatos para a capa da revista eram o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman; o chefe da investigação dos laços da campanha de Trump com a Rússia, Robert Mueller; o jogador de futebol americano Colin Kaepernick, famosos por protestos contra o racismo; Kim Jon-un, ditador da Coreia do Norte; Patty Jenkins, diretora do filme “Mulher-Maravilha”; os “Sonhadores”, crianças imigrantes que chegaram aos EUA com os pais e não têm documentos americanos; e Jeff Bezos, da Amazon.

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ISIS, Estado Islâmico ou Daesh? Um grupo extremista, muitos nomes

O grupo extremista que ocupou as manchetes nos últimos três anos – e que hoje vem perdendo suas posições na Síria e no Iraque – tem sido chamado por nomes diferentes por governos e meios de comunicação de todo o mundo. Isto fica claro em enunciados em inglês e português, por exemplo.

Para autoridades da ONU e dos Estados Unidos, o grupo é o “Isil”, um acrônimo em inglês para “Estado Islâmico do Iraque e do Levante” – que tem a versão também em português, “EIIL”.

O próprio grupo não usa esse nome desde junho de 2014, quando declarou a criação de um califado e reduziu seu nome para “Estado Islâmico” (com as siglas “IS” em inglês e “EI” em português), refletindo suas ambições expansionistas.

Desde então, a BBC adotou esse termo, mas caracterizando-o como o “grupo Estado Islâmico” ou o “autodenominado Estado Islâmico” e usando siglas em citações posteriores.

Outros veículos da imprensa continuaram a usar o termo “Isil” ou “Isis” – que se baseia em outras traduções, em inglês, do antigo nome do grupo, “Estado Islâmico do Iraque e da Síria” ou “Estado Islâmico no Iraque e al-Sham”. Neste caso, a sigla correspondente em português, ainda que não muito usada, é “EIIS”.

Mas o termo “Daesh” (ou Da’ish) também ganhou espaço, tanto no Oriente Médio como em lugares mais distantes – tem sido usada como uma forma de desafiar a legitimidade do grupo devido às conotações negativas da palavra.

“Daesh” é essencialmente uma sigla em árabe formada a partir das letras iniciais do nome anterior do grupo, também em árabe – “al-Dawla al-Islamiya fil Iraq wa al-Sham”. Embora não signifique nada como uma palavra, militantes do grupo se opõem ao seu uso.

Daesh também soa semelhante a um verbo árabe que significa pisar ou esmagar algo.

EI e Isis

A raiz das diferenças entre “Isil” e “Isis” está na palavra árabe “al-Sham”.

No começo, os meios de comunicação não tinham certeza de como traduzi-lo para o inglês, pois não estava imediatamente claro a que o grupo se referia.

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Egito abrirá fronteira com Gaza por três dias

A passagem fronteiriça entre o Egito e a Faixa de Gaza, geralmente fechada, será aberta por três dias a partir de sábado (18), mas as autoridades limitarão a passagem aos casos humanitários registrados no ministério do Interior, segundo uma autoridade palestina.

O porta-voz do ministério de Interior da Faixa de Gaza, Iyad al Bozum, enclave governado pelo movimento islamita Hamas, afirmou à AFP que a passagem de Rafah, a única que liga o enclave com o mundo exterior e que não é controlada por Israel, será aberta no sábado.

Apenas os casos humanitários, registrados no ministério de Interior, terão autorização para atravessar a fronteira, o que diz respeito a cerca de 20 mil pessoas, acrescentou.

A passagem de Rafah está há quase dois anos quase que permanentemente fechada.

A Faixa de Gaza sofre um rígido bloqueio israelense há 10 anos. Israel anunciou três guerras contra o Hamas, que governa o enclave desde 2007.

Porém, em outubro, as faixas rivais palestinas, o islamita Hamas e o laico moderado Fatah, chegaram a um acordo de reconciliação que estipulou que o movimento islamita entregasse o poder relativo ao enclave à Autoridade Palestina, no dia 1º de dezembro.

A Autoridade Palestina retomou o controle no dia 1º de novembro, do lado palestino, nas passagens fronteiriças com Israel e Egito.

O acordo interpalestino foi estimulado pelo Egito e tem como objetivo concreto a abertura de maneira mais regular da fronteira.

O Egito receberá uma reunião interpalestina no Cairo, no dia 21 de novembro, para discutir as próximas etapas da reconciliação palestina.

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O bunker ultrassecreto construído por líder iugoslavo para sobreviver a ataque nuclear

Um bunker ultrassecreto construído para garantir a sobrevivência de autoridades iugoslavas durante a Guerra Fria virou uma galeria de arte próxima a Sarajevo, capital da Bósnia e Herzegovina.

Construído como uma cidade subterrânea para abrigar o ex-presidente iugoslavo Josip Broz Tito (1892-1980), sua mulher e outras autoridades importantes em caso de uma guerra nuclear, ele foi chamado de “D-0 ARK”, o bunker nuclear de Tito.

“É óbvio que ele foi construído por causa da paranoia ou do medo da Guerra Fria”, diz Mirnes Bajic, guia da galeria.

“Dentro deste bunker, temos 137 obras de arte – 106 artistas participaram até agora e 76 deles estavam representando seu país na Bienal de Veneza”, conta.

A antiga Iugoslávia manteve a neutralidade durante a Guerra Fria, apesar de ser um país socialista na época – sobre o qual a União Soviética queria manter sua influência.

Com o fim da Segunda Guerra Mundial, duas potências surgiram em oposição uma à outra: Estados Unidos e União Soviética.

A Guerra Fria, um duelo baseado na ameaça constante de um conflito atômico, só terminou com o colapso da União Soviética, em 1991.

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Veículo atropela ciclistas em Manhattan e deixa ao menos seis mortos

Ao menos seis pessoas morreram e 11 ficaram feridas após uma caminhonete atingir ciclistas percorrendo quarteirões de uma ciclovia de Manhattan na tarde desta terça-feira (31). O incidente ocorreu a alguns quarteirões do prédio do World Trade Center, próximo ao rio Hudson. O incidente está sendo tratado como atentado terrorista pelo FBI, segundo a imprensa americana.

Após deixar a ciclovia, o motorista teria batido em um outro veículo –um ônibus escolar com crianças dentro –e descido do carro com uma arma de brinquedo, segundo a polícia de Nova York. O suspeito foi baleado pela polícia e preso. Ainda não há informações sobre a identidade do suspeito.

Os primeiros relatos de testemunhas e da imprensa falavam em tiros disparados na região. A área da ocorrência foi isolada pelas forças de segurança, segundo imagens de redes de televisão locais.

Uma testemunha disse ao ABC Channel 7 que viu uma caminhonete branca se dirigir para o sul pela pista de bicicleta ao longo da West Side Highway a toda velocidade e atingir várias pessoas. A testemunha, um homem identificado com o nome de “Eugene”, afirmou que havia corpos do lado de fora da Stuyvesant High School, uma das escolas públicas de elite da cidade.

A West Side Highway fica no lado ocidental de Manhattan, ao lado do rio Hudson.

Fonte: UOL

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Líder da Catalunha descarta antecipar eleições e insiste em solução dialogada 3

O presidente da região da Catalunha, Carles Puigdemont, descartou a possibilidade de convocar eleições autônomas antecipadas e insistiu em uma solução dialogada em pronunciamento realizado nesta quinta-feira (26). A antecipação das eleições locais seria uma tentativa de evitar a aplicação da intervenção à região catalã, que está em tramitação no Senado espanhol. Agora, o parlamento catalão deve decidir sobre a possibilidade de independência e as medidas a serem tomadas.

“Não há nenhuma garantia que justifique a convocação de eleições. Não aceito as medidas do artigo 155 por serem injustas. Meu dever é esgotar todas as vias para encontrar uma solução dialogada e pactuada para evitar a aplicação do artigo 155”, disse.

O pronunciamento foi feito no mesmo momento que a comissão do Senado se reunia em Madri para discutir a aplicação do artigo 155, que permite a intervenção no governo de uma região.

O Tribunal Supremo da Espanha negou nesta quinta-feira o pedido do governo da Catalunha para suspender de forma cautelar a aplicação das medidas propostas pelo Executivo central do país, que incluem uma intervenção na autonomia catalã para evitar a independência da região. O governo da Catalunha entrou com dois recursos no Tribunal Supremo que pediam a anulação da decisão do Conselho de Ministros, que no sábado determinou que o Executivo central deveria aplicar o artigo 155 da Constituição do país contra a região.

Puigdemont encerrou seu pronunciamento fazendo um chamado para a paz e ao compromisso de cidadania. “Só desta maneira poderemos acabar ganhando”.

O pronunciamento ocorre depois de Puigdemont ter adiado e mesmo cancelado sua declaração prevista para mais cedo. A suspensão do discurso foi anunciada sem maiores explicações.

Mais cedo, Puigdemont disse que a suspensão da autonomia da Catalunha criará na região uma situação “ainda mais grave”, em um documento enviado ao Senado espanhol. “Para resolver o que o Governo de Estado qualificou de grave situação extraordinária será criada uma ainda mais grave situação extraordinária, ao arrebatar da Catalunha sua autonomia política”, afirma o independentista Puigdemont em suas alegações ao Senado, nas quais assegura que tal medida seria contrária à Constituição espanhola.

Centenas de estudantes estavam reunidos em Barcelona em apoio a uma proclamação da independência da Catalunha e em rejeição a uma possível intervenção na autonomia regional pelo governo central espanhol. Com cravos vermelhos e bandeiras da independência amarradas ao pescoço, os manifestantes marchavam pelas ruas do centro da capital catalã.

A crise catalã é a mais longa da democracia espanhola e se agravou no último dia 10 de outubro. Naquele dia, Puigdemont afirmou que os resultados do polêmico referendo de 1º de outubro constituíam um “mandato popular” para fundar uma República catalã. E ao mesmo tempo, ele propôs a suspensão da declaração para negociar com Madri.

O governo de Rajoy reagiu de modo rápido: exigiu que Puigdemont esclarecesse sua declaração e ameaçou com a aplicação do artigo 155.

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Por que 20 anos não foram suficientes para que Mercosul e UE concluíssem tratado comercial

A dois meses da data estimada por Mercosul e União Europeia para concluir as negociações de um tratado de livre-comércio, o processo, iniciado há quase vinte anos, corre novamente o risco de ser paralisado.

O problema desta vez é o desejo do presidente francês, Emmanuel Macron, de atualizar o mandato concedido pelos governantes europeus à Comissão Europeia (braço Executivo do bloco) para negociar com o bloco sul-americano, uma ideia que ele defenderá nesta quinta-feira, em uma cúpula em Bruxelas.

Se os líderes europeus concordarem com a ideia, as negociações deverão ser suspensas até que o novo mandato seja emitido, um processo que poderá demorar mais de dois anos.

“Levará alguns anos só para negociar (entre os países europeus) o que será esse novo mandato e apresentar à outra parte (Mercosul), que também precisa aceitar os termos. Depois (o novo mandato) tem que ser aprovado pelos governos dos 28 (membros). E quando tudo isso for feito, teremos que recomeçar (as negociações) do zero”, explicou Edita Hrdá, diretora para América Latina no Serviço Europeu de Ação Exterior, quem lidera as negociações, à BBC Brasil.

20 anos de desencontros

Os representantes europeus não questionam a necessidade de atualizar um mandato concedido há vinte anos, quando comércio digital, transferência de dados, desenvolvimento sustentável, aquecimento global e cibercrime ainda não eram temas relevantes nas relações bilaterais.

No entanto, devido à pressão do tempo, preferem usar “maneiras criativas” para introduzi-los nas negociações sem que seja necessário mudar oficialmente o atual mandato, afirmou outro executivo que participa do processo, que pediu anonimato porque não está autorizado a se pronunciar sobre o assunto.

Durante os quase vinte anos em que as negociações com o Mercosul avançaram, recuaram, foram suspensas (em 2012) e relançadas (em 2016), a UE foi capaz de concluir tratados comerciais com Japão, Canadá, Colômbia, Peru, América Central e está a ponto de finalizar a modernização de seu acordo com México.

No caso do Mercosul, os europeus lidaram durante anos com um bloco internamente dividido, lembra Eleonora Catella, conselheira comercial da associação empresarial europeia Business Europe.

“No passado, o Mercosul teve problemas políticos e havia diferenças entre o nível de abertura que queria cada país. Hoje vemos que esses países, pela primeira vez, estão na mesma página com alto nível de ambição.”

Segundo o executivo europeu que participa das negociações, o bloco sul-americano “não é mais difícil que outros” países com os quais a União Europeia concluiu acordos recentemente.

O Mercosul está disposto a fazer concessões em matéria de serviços, indústria e licitação pública, os setores mais importantes para a UE, assegura a fonte.

Catella concorda: “O problema agora é o contexto interno em países europeus: a Alemanha ainda não formou governo e na França há um novo presidente”.

Estratégia

A representante dos empresários europeus não descarta que a manobra de Macron na cúpula desta semana seja uma estratégia para ganhar tempo frente à pressão dos agricultores franceses, descontentes com a oferta de abertura para carnes e etanol sul-americanos apresentada pela UE na última rodada de negociação com o Mercosul, no início do mês, em Brasília.

“A agricultura sempre foi um ponto sensível nessas negociações. Tem havido muitos protestos. Os agricultores temem o impacto de uma maior concorrência. Macron foi eleito recentemente, está tentando acalmar a situação”, afirma também Pieter Cleppe, diretor do centro de reflexão Center for Open Europe em Bruxelas.

Ele acredita que a pressão do lobby agrícola europeu, mais forte na França e na Irlanda, mas apoiado por outros nove países, é um problema recorrente nas negociações entre europeus e sul-americanos.

“Em qualquer negociação comercial, o tipo de exportação determina que tipo de lobby sairá ao ataque. No caso do Mercosul, temos o maior exportador de carne e maior produtor de etanol e de commodities (o Brasil). Não é surpresa que os agricultores peçam protecionismo”, diz Cleppe.

Agricultura como vilã

Associações europeias de agricultores, como a poderosa Copa-Cogeca, afirmam que o acordo com o Mercosul causaria perdas de até 7,8 bilhões de euros para o setor agrícola da UE.

Na França, primeiro produtor agrícola europeu e segunda potência da zona euro, o setor enfrenta uma grave crise. Sua participação na economia nacional caiu pela metade desde 1980 e representa hoje 1,5 por cento do PIB, uma porcentagem que sobe para 3,6 por cento incluindo a indústria agroalimentar.

“O lobby agrícola é muito forte em qualquer parte do mundo. É de sua natureza. A alimentação é um setor estratégico. Na Europa esse lobby é muito bem organizado e usa argumentos fortes”, observa o analista do Center for Open Europe.

Se a agricultura europeia desaparecer em consequência da concorrência do Mercosul, o bloco passaria a depender de importações, afirmam os produtores europeus.

“Mas o exemplo da Nova Zelândia mostra que a abertura do mercado agrícola pode, ao contrário, levar a um aumento na produção local”, observa Cleppe.

Os agricultores europeus também argumentam que seus competidores sul-americanos não estão submetidos às mesmas regras e padrões sanitários e de qualidade impostos na UE e mencionam fraudes como as denunciadas no Brasil pela operação Carne Fraca.

Essa tese é refutada pela Comissão Europeia, que destaca que um eventual tratado comercial harmonizará regras e sistemas de controle.

Para Cleppe, o interesse do lobby agrícola europeu prevalece porque falta organização dos lobbies dos setores mais interessados no acordo, não só industrial ou de serviços, mas também de consumidores.

“O lobby de consumidores deveria pressionar pela abertura comercial, porque o interesse dos consumidores deve estar em primeiro lugar – e para os consumidores é bom ter mais opções”, defende o analista.