Categorias
MUNDO

‘Caixão esgotado’: os relatos de chineses em meio a alta de mortes por Covid


Mortes por Covid-19 seguem altas na China, sobretudo no interior do país, onde muitas vezes não são contabilizadas. A demanda por caixões em algumas áreas rurais explodiu
BBC
Os fabricantes de caixões da província de Shanxi, no norte da China, andam muito ocupados. Nós observamos os habilidosos artesãos enquanto eles trabalham esculpindo detalhes refinados na madeira recém-cortada. Nos últimos meses, eles dizem que não tiveram tempo nem mesmo para descansar.
Um morador local que é cliente dos artesãos contou que às vezes os caixões esgotam. Com uma dose de humor mórbido, ele diz que quem trabalha na indústria funerária está “ganhando uma pequena fortuna”.
Tem havido muito debate sobre o verdadeiro número de mortes por Covid-19 na China, depois que o vírus se espalhou pelas megacidades.
Cerca de 80% da população — mais de um bilhão de pessoas — foi infectada desde que a China suspendeu as restrições à Covid-19 em dezembro, segundo o epidemiologista Wu Zunyou. No fim de semana passado, a China registrou 13 mil mortes relacionadas à Covid-19 em menos de uma semana, somando-se às 60 mil mortes contabilizadas desde dezembro.
Mas essas mortes ocorreram em hospitais. Nas áreas rurais, há apenas instalações médicas esporádicas. Quem morre de Covid-19 em casa não é contabilizado nas estatísticas oficiais.
Não há sequer uma estimativa oficial do número de mortes nas aldeias e vilas. Mas a BBC encontrou sinais de que o número de mortos é considerável e está crescendo.
Nós visitamos um crematório e eles também estão ocupados, com diversos funerais por dia.
Em outra vila, vimos um homem e uma mulher carregando pássaros de papel de seda na traseira de um caminhão. “Eles são grous. Você viaja em cima de um grou após a morte”, disse a mulher.
Enquanto carregavam o caminhão com detalhadas obras budistas recém-feitas em papel de seda, eles nos contaram que a demanda por decorações funerárias explodiu nos últimos dias — e está duas ou três vezes acima do normal.
Todas as pessoas com quem conversamos nesta parte de Shanxi que estão ligados à indústria funerária nos contaram alguma história parecida sobre o aumento de mortes. Todos atribuíram isso ao coronavírus.
Wang Peiwei está determinado a fazer um bom funeral para sua cunhada
BBC
“Algumas pessoas doentes já estavam muito fracas antes”, disse um homem enquanto continuava carregando o caminhão. “Quando elas pegam Covid, seus corpos idosos não conseguem lidar com a doença.”
Seguimos o caminhão até seu destino e encontramos Wang Peiwei, cuja cunhada havia acabado de falecer. A falecida tinha dois filhos e cerca de 50 anos. Ela sofria de diabetes há muito tempo, quando adoeceu de Covid-19.
“Depois que ela pegou Covid, teve febre alta e seus órgãos começaram a falhar. Seu sistema imunológico não era forte o suficiente para sobreviver”, conta Wang.
O pátio da casa da família estava todo enfeitado para a cerimônia. O marido de Wang nos disse que ainda haveria mais obras e flores por vir.
Em uma tenda no pátio onde o corpo foi velado, ele explicou que, no dia do funeral, 16 pessoas carregariam seu caixão e a enterrariam de acordo com a tradição local.
Ele disse que, embora o custo dos preparativos para o funeral tenha disparado por causa do número de mortes por Covid-19, eles não hesitariam em pagar mais para homenagear a parente.
“Ela era uma ótima pessoa. Precisamos fazer um grande evento para nos despedirmos dela, o melhor que pudermos pagar”, disse ele.
Todos os anos, centenas de milhões de jovens voltam para suas cidades natais nesta época para celebrar o Ano Novo Lunar. É o festival mais importante da China.
As aldeias para as quais muitos estão voltando têm populações mais envelhecidas — pessoas que são mais vulneráveis à Covid-19.
Milhões de pessoas viajaram de volta para suas cidades de grandes cidades
BBC
Autoridades estão preocupadas que a migração em massa deste ano possa espalhar rapidamente o coronavírus para áreas mais remotas, o que teria um efeito devastador.
O governo alertou as pessoas nas cidades para não voltarem para casa este ano se seus parentes idosos ainda não tivessem sido infectados.
O doutor Dong Yongming, dono de uma clínica em um vilarejo pequeno, acredita que pelo menos 80% dos moradores locais já haviam contraído Covid-19.
“Todos nos procuram quando estão doentes”, disse ele. “Nós somos a única clínica aqui.”
A maioria dos que morreram tinha doenças prévias, conta o médico.
Ele gerencia os remédios da vila e conta que só vende medicamentos para as pessoas de acordo com a necessidade de cada um.
“Por exemplo, eu dou apenas quatro comprimidos de ibuprofeno por pessoa”, disse ele. “Eles não precisam de duas caixas. Isso é desperdício.”
Ele disse acreditar que o pior da onda de Covid-19 já ficou para trás: “Não tivemos nenhum paciente nos últimos dias”.
Os que morrem nesta região são enterrados nos campos. Os agricultores então continuam a plantar e criar gado em torno das sepulturas de seus ancestrais.
Dirigindo pela estrada, nós avistamos montes de terra com bandeiras vermelhas no topo. Muitos montes. Um fazendeiro pastor de cabras confirmou que eram novas sepulturas.
“As famílias têm enterrado os idosos aqui depois que eles morrem. Há mortos demais”, disse ele.
Campos no interior estão cheios de sepulturas recentes
BBC
Em sua aldeia, que tem milhares de habitantes, ele disse que mais de 40 residentes morreram durante a onda mais recente de Covid-19.
“Um dia alguém morria, no dia seguinte outra pessoa. Tem sido ininterrupto ao longo do último mês”, disse ele.
Aqui no interior da China, as pessoas têm uma postura filosófica diante da vida e da morte. Um fazendeiro disse que as pessoas ainda comemorariam o Ano Novo Lunar como sempre fizeram.
“Meu filho e minha nora chegarão em breve”, disse ele.
Eu perguntei se os moradores locais estavam preocupados com o fato de que o retorno de parentes poderia significar um aumento no número de infecções.
“As pessoas não devem se preocupar. Sem medo!” ele disse. “Você ainda será infectado, mesmo que se esconda. A maioria de nós já pegou e está bem.”
Ele e muitos outros esperam que o pior da onda de Covid-19 já tenha passado. E que, pelo menos por enquanto, sua energia possa ser gasta em passar tempo com os vivos, em vez de enterrar os mortos.
– Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-64397214

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Lula diz que está ‘totalmente de acordo’ com proposta uruguaia de renovação do Mercosul

Presidente brasileiro falou ao lado do presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou, que defende mudanças no acordo de comércio que envolve ainda Argentina e Paraguai. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira (25) que está “totalmente de acordo” com a proposta do governo do Uruguai, que defende mudanças no Mercosul.
O presidente uruguaio, Luis Alberto Lacalle Pau, defende a possibilidade de o país negociar, inclusive de forma unilateral, acordos comerciais com países de fora do Mercosul, bloco comercial que, além de Uruguai e Brasil, reúne também Paraguai e Argentina.
Lacalle Pau negocia com a China um tratado de livre comércio, que está em fase avançada.
“Quero dizer para o presidente que as ideias de discutir a chamada inovação ou renovação do Mercosul estamos totalmente de acordo”, disse Lula ao lado do colega uruguaio Luis Alberto Lacalle Pou.
Lula está em Montevidéu, no Uruguai, segundo trecho da primeira viagem internacional desde que assumiu o novo mandato.
Antes, Lula esteve na Argentina, onde se encontrou com o presidente Alberto Fernández e participou, junto com dezenas de chefes de Estado da América Latina e do Cariba, da reunião de cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Navio que saiu de Santos foi interceptado com 4,5 toneladas de cocaína nas Ilhas Canárias


Droga estava declarada oficialmente como café. Toda a tripulação, composta por albaneses e paquistaneses, foi presa pela guarda civil da Espanha. Guarda civil da Espanha mostra as 4,5 toneladas de cocaína que foram interceptadas em navio que saiu do Brasil
Guardia Civil/Divulgação
A Guarda Civil da Espanha interceptou um navio cargueiro contendo 4,5 toneladas de cocaína próximo as Ilhas Canárias e prendeu os 15 tripulantes da embarcação. Apreensão ocorreu no dia 18 de janeiro.
O cargueiro chamado “Blume” opera sob a bandeira de Togo. O navio saiu do Porto de Santos, em São Paulo, no dia 20 de dezembro, segundo o site Marine Traffic. O destino era Riga, na Lituânia.
A guarda civil espanhola não informou se o navio foi abastecido com a droga no Brasil.
Initial plugin text
Interceptação nas Ilhas Canárias
A operação, que contou com ajuda de diversas entidades internacionais, começou com o alerta do possível envolvimento da embarcação com o tráfico de drogas na América do Sul.
Como resultado, a vigilância aduaneira espanhola identificou qual seria o navio e fez a abordagem na madrugada do dia 18.
A mercadoria oficialmente declarada era de 200 toneladas de café, bem abaixo da capacidade real de carga do navio, o que chamou a atenção dos funcionários encarregados da operação.
Ao inspecionarem o cargueiro, encontraram a droga escondida.
Dos 15 tripulantes do navio, dois eram albaneses e 13 paquistaneses. Todos foram detidos e encaminhados para o porto de Santa Cruz de Tenerife, na Espanha.
Transbordo de carga
A guarda civil informou que as condições do embarque foram muito complicadas devido à situação do mar e às grandes dimensões do barco. Apesar disso, a rápida atuação impediu um eventual transbordo de drogas para outras embarcações, o que teria comprometido a apreensão.
Esta operação atuou na região que é conhecida como “Rota do Atlântico da Cocaína”, uma região no meio do Oceano Atlântico utilizada por barcos de pesca, mercadores e cargueiros para passar a carga de drogas de uma embarcação para outra e posteriormente levar a substância para o continente europeu.
Guarda civil da Espanha apreende navio com 4,5 toneladas de cocaína que saiu do Brasil
Guardia Civil/Divulgação

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Além da Alemanha, veja outros países que enviarão tanques para a Ucrânia


A decisão do governo alemão abre as portas para que outros façam o mesmo. Como o tanque Leopard 2 é fabricado na Alemanha, é preciso autorização do país para enviá-los à Ucrânia. Tanque de batalha Leopard 2 durante treinamento em Munster, na Alemanha, em 28 de setembro de 2011
Michael Sohn/AP
A Alemanha disse nesta quarta-feira (25) que fornecerá seus tanques Leopard 2 à Ucrânia, resolvendo as dúvidas sobre o envio de armamento pesado que Kiev considera crucial para derrotar a invasão russa, mas que Moscou diz ser uma provocação desnecessária.
A decisão da Alemanha abre caminho para que outros países, como Polônia, Espanha, Finlândia, Holanda e Noruega, forneçam alguns de seus tanques Leopard, de fabricação alemã. Há semanas o governo do chanceler alemão Olaf Scholz vem sendo pressionado a enviar os tanques e permitir que outros aliados da Otan façam o mesmo.
Como o tanque Leopard 2 é de fabricação alemã, é preciso autorização da Alemanha para que os veículos que estão em outros países sejam reexportados para a Ucrânia.
Inicialmente, fontes do governo americano deram a entender que a Alemanha só enviaria seus tanques se os Estados Unidos fizessem o mesmo, mas um porta-voz alemão negou que a decisão estivesse vinculada de alguma forma à disponibilização de tanques americanos.
O governo de Scholz estava estagnado em relação à decisão por receio de uma escalada na guerra por parte da Rússia.
“Precisamos evitar que a guerra se transforme numa guerra entre a Rússia e a Otan”, disse Scholz.
Leia também:
Alemanha decide enviar tanques à Ucrânia
Embaixador russo diz que é uma ‘provocação’
Tanques podem fazer a Ucrânia sair da defensiva
Veja abaixo quais países pretendem enviar tanques de batalha para a Ucrânia:
ALEMANHA
A Alemanha disse que forneceria tanques de batalha Leopard 2, um veículo construído na Alemanha com um canhão de cano liso de 120 mm que é um dos mais amplamente utilizados no Ocidente. Ele disse que enviaria uma companhia inicial de 14 tanques.
ESTADOS UNIDOS
Autoridades dos EUA dizem que Washington está pronto para enviar dezenas de seu tanque de batalha M1 Abrams. O tanque tem um canhão de furo liso de 120 mm.
REINO UNIDO
O governo britânico anunciou em janeiro que enviaria um esquadrão, ou 14, de seus tanques de batalha Challenger 2, que tem um canhão de 120 mm.
POLÔNIA
Varsóvia disse que está pronta para enviar até 14 de seus tanques Leopard 2 e apresentou um pedido de aprovação a Berlim. A Polônia saudou a recente decisão da Alemanha de aprovar as reexportações dos tanques.
NORUEGA
O governo norueguês está considerando enviar alguns de seus tanques Leopard, segundo veículos da imprensa.
FINLÂNDIA
O ministro da Defesa da Finlândia, Mikko Savola, disse que o país se juntará ao grupo de países que enviarão tanques Leopard 2 para a Ucrânia, mas a contribuição será limitada porque Helsinque ainda não faz parte da Otan e não pode comprometer sua própria defesa.
HOLANDA
O primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, disse que a Holanda está preparada para entregar tanques de batalha à Ucrânia, se necessário.
ESPANHA
A ministra da Defesa espanhola, Margarita Robles, disse que a Espanha está aberta a fornecer tanques Leopard 2 à Ucrânia.
FRANÇA
O governo francês está considerando enviar seu tanque Leclerc, que tem um canhão de cano liso de 120 mm, dizendo que todas as opções estão sobre a mesa. O país havia resistido anteriormente às demandas, dizendo que as missões francesas no exterior limitavam o número de veículos disponível para enviar e manutenção pesada do tanque significava que seu uso não era ideal.
Alemanha autoriza envio de tanques à Ucrânia

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Tanques da Alemanha podem fazer a Ucrânia sair da defensiva e ir para a ofensiva, dizem especialistas


Moderno e mais efetivo, tanques Leopard 2 podem ser considerados diferenciais para Kiev reconquistar territórios hoje dominados pela Rússia. Tanque de batalha Leopard 2 durante treinamento em Munster, na Alemanha, no dia 25 de setembro de 2017
Philipp Schulze/dpa via AP
A Alemanha aprovou nesta quarta-feira (25) o envio de tanques de guerra do modelo Leopard 2 para a Ucrânia. A data para a chegada da remessa de armas ainda não foi divulgada, mas é esperado que o veículo blindado possa ser um diferencial para o sucesso de Kiev na reconquista de territórios hoje dominados pela Rússia.
Considerado “o principal tanque de batalha do mundo”, o Leopard 2 pesa 55 toneladas e atinge 68 km/h.
Apesar de moderno ele precisa de treinamento para usar, o que pode prejudicar os ucranianos a curto prazo
Modelos Leopard 2 devem substituir tanques da época soviética na Ucrânia.
Ucrânia pede 300 tanques. Alemanha ainda não definiu quantidade de veículos que enviará.
O que é o Leopard 2?
Tanque de batalha Leopard 2 durante treinamento em Munster, na Alemanha, em 28 de setembro de 2011
Michael Sohn/AP
O alemão Krauss-Maffei Wegmann, fabricante do Leopard 2, o apresenta como “o principal tanque de batalha do mundo” que por quase meio século combinou aspectos de poder de fogo, proteção, velocidade e manobrabilidade, tornando-o adaptável a muitos tipos de combate e situações.
O tanque de 55 toneladas tem uma tripulação de quatro pessoas e um alcance de cerca de 500 quilômetros e velocidades máximas de cerca de 68 km/h. Agora com quatro variantes principais, sua versão mais antiga entrou em serviço pela primeira vez em 1979. Sua arma principal é um canhão de cano liso de 120 mm e possui um sistema de controle de tiro totalmente digital.
Quais seriam as dificuldades para utilizar esses tanques?
Tanque de batalha Leopard 2 durante treinamento em Munster, na Alemanha em 25 de setembro de 2023
Philipp Schulze/dpa via AP
Colocar os leopardos nas mãos dos ucranianos não é tão fácil quanto rolá-los através da fronteira de amigos mais a oeste da Europa. O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos estima que seriam necessárias de três a seis semanas de treinamento para que as equipes operacionais e o pessoal de apoio atingissem a proficiência básica.
Ralf Raths, diretor do Panzer Museum em Munster, na Alemanha, disse que tripulações de tanques ucranianos experientes provavelmente aprenderiam a usar o Leopard 2 rapidamente, e o treinamento poderia ser encurtado para se concentrar no conhecimento essencial.
“É preciso mesmo explorar 100% do potencial ou basta utilizar 80% na metade do tempo? Os ucranianos certamente votarão na opção B”, disse ele.
O que isso vai mudar na guerra?
Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky durante reunião virtual com ministros da defesa de outros países em 20 de janeiro de 2023
Ukrainian Presidential Press Service/Handout via REUTERS
Yohann Michel, analista de pesquisa para assuntos militares e de defesa no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, disse que esses tanques podem permitir que a Ucrânia parta para a ofensiva no conflito de 11 meses que está parado há meses após duas contra-ofensivas ucranianas importantes que recapturaram áreas ocupadas por forças russas por meses no nordeste e no sul.
“Neste tipo de conflito, simplesmente não é possível realizar ofensivas em larga escala sem toda a variedade de equipamentos blindados de combate e veículos blindados, e os tanques fazem parte disso”, disse ele. Além dos tanques principais de batalha, ou MBTs, como o Leopard 2, outros incluem veículos de combate de infantaria e veículos blindados.
As entregas ocidentais de Leopard 2 podem ajudar a equipar a Ucrânia com munições de alto calibre necessárias para substituir seus próprios estoques da era soviética, abrindo um novo caminho para o fornecimento de poder de fogo ocidental para chegar à Ucrânia, disse ele.
Raths observou que o Leopard 2 e tanques ocidentais semelhantes são mais ágeis do que os “modelos T” usados pela Rússia, que não podem reverter em velocidade, por exemplo.
“Imagine um boxeador que não pode se mover livremente no ringue, mas apenas em uma direção”, disse ele. “O outro boxeador, que pode se mover em todas as direções, tem uma grande vantagem e é o caso dos Leopardos.”
Niklas Masuhr, pesquisador do Centro de Estudos de Segurança da universidade politécnica federal da Suíça ETHZ, com sede em Zurique, alertou que a adição de Leopards ao campo de batalha por si só não seria “uma virada de jogo ou uma tecnologia vencedora de guerra, nada disso .”
“Você não pode simplesmente implantar um monte de tanques de batalha principais e presumir que eles vencerão”, disse ele. “Eles são muito valiosos, mas você ainda precisa usá-los da maneira correta e integrá-los a todas as outras ferramentas militares que você tem à sua disposição”, como infantaria, artilharia, defesa aérea, engenheiros de combate e helicópteros.
Quantos deles podem ser enviados para a Ucrânia?
Fila de tanques Leopard 2 são vistos em navio que deixou a Dinamarca rumo à Estônia
REUTERS
Um grande apelo dos tanques de fabricação alemã é seu grande número: mais de 2.000 foram implantados em mais de uma dúzia de países europeus e no Canadá. No geral, Krauss-Maffei Wegmann diz que mais de 3.500 unidades foram fornecidas para 19 países.
A Rheinmetall AG, uma empreiteira de defesa alemã que fabrica o canhão de cano liso de 120 mm no Leopard 2, diz que o tanque foi implantado por “mais nações do que qualquer outra”.
Para a guerra da Ucrânia contra a Rússia, “acredita-se que, para os tanques Leopard 2 terem algum efeito significativo nos combates, seriam necessários cerca de 100 tanques”, escreveram os analistas do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos.
O ministro da Defesa da Ucrânia quer 300 tanques, e alguns líderes da União Européia o apoiam nisso.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Papa Francisco: ‘Estou bem de saúde’


Em sua primeira entrevista desde a morte de Bento XVI, o pontífice afirma que não pensa em emitir normas que regulem renúncias e que planeja continuar como chefe da Igreja católica enquanto puder. O Papa Francisco durante a entrevista com a Associated Press na última terça-feira, 24.
AP Photo/Domenico Stinellis
O Papa Francisco afirmou nesta terça-feira (24) que não pensa em emitir normas que regulem futuras renúncias papais e que planeja continuar como bispo de Roma enquanto puder, apesar da recente onda de ataques de alguns cardeais e bispos de alto escalão.
Em sua primeira entrevista desde a morte do Papa emérito Bento XVI, o pontífice de 86 anos acrescentou ainda que, apesar do diagnóstico de estenose diverticular e dos problemas no joelho, está bem de saúde.
“Para a minha idade, estou normal”, afirmou, embora ele tenha revelado que os divertículos, os “saquinhos” na parede do tubo do intestino, tenham “retornado”.
ESTENOSE DIVERTICULAR: Entenda o problema de saúde do Papa
Em 2021, o papa Francisco passou por uma cirurgia no intestino grosso. Na ocasião, o pontífice teve 33 centímetros do órgão removido.
Na entrevista, Francisco afirmou ainda que teve uma leve fratura óssea em seu joelho devido a uma queda, mas que o problema foi resolvido sem cirurgia após laser e terapia magnética.
“Posso morrer amanhã, mas está sob controle. Estou bem de saúde”, disse ele à Associated Press com seu típico senso de humor irônico.
As especulações sobre a saúde de Francisco e o futuro de seu pontificado só aumentaram após a morte de Bento XVI, cuja renúncia em 2013 marcou uma virada para a Igreja Católica desde que ele foi o primeiro pontífice em seis séculos a se aposentar.
‘FALTA DE ÂNIMO’: Por que o Papa Bento XVI renunciou?
Alguns comentaristas acreditam que Francisco tem mais liberdade agora depois que Bento XVI morreu, tendo passado sua aposentadoria no Vaticano por mais de dez anos. Outros sugerem que qualquer tipo de paz eclesial que reinou acabou e que Francisco na verdade está mais exposto às críticas, privado da influência moderadora que Bento XVI teve para manter afastados os católicos conservadores.
O papa reconheceu que havia pontos de vista conflitantes, mas parecia quase otimista sobre isso.
“Eu não associaria isso a Bento, mas ao desgaste do governo de dez anos”, disse ele sobre seu papado. Sua eleição foi recebida com “surpresa” pela nomeação de um papa sul-americano, disse ele. Depois veio o desconforto “quando começam a ver os defeitos que eu tenho, (…) não gostam”, disse.
“A única coisa que peço é que façam na minha cara, porque é assim que todos crescemos, certo?”, acrescentou.
O Papa Francisco reflete sobre uma pergunta durante a entrevista à Associated Press no Vaticano.
AP Photo/Andrew Medichini
Francisco chamou Bento XVI de “cavalheiro” e disse que, com sua morte, “perdi um pai”.
“Para mim, ele era uma segurança. Quando estava diante de uma dúvida, eu pedia o carro e ir ao monastério fazer perguntas”, disse ele sobre suas visitas à casa de repouso de Benedito. “Perdi um bom parceiro.”
Alguns cardeais e advogados canônicos disseram que o Vaticano deveria regular as futuras aposentadorias papais para evitar alguns contratempos que aconteceram durante a aposentadoria inesperadamente longa de Bento XVI, na qual o papa emérito permaneceu um ponto de referência para alguns conservadores e tradicionalistas que se recusaram a reconhecer a legitimidade de Francisco.
Do nome escolhido por Bento XVI, papa emérito, às roupas brancas que ele usava em suas ocasionais aparições públicas, nas quais falava do celibato dos padres e dos abusos sexuais, esses especialistas disseram que as normas deveriam deixar claro que só existe um papa governante, por causa da unidade da Igreja.
Quanto a emitir normas como essas, Francisco disse que não chegou a cogitar a ideia.
“Isso não me ocorreu. Digo a verdade”, comentou, acrescentando que o Vaticano precisa de mais experiência com papas aposentados para “regular mais ou regulamentar mais”.
O Papa Francisco (dir.) cumprimenta o Papa emérito Bento XVI no monastério Mater Ecclesiae, no Vaticano. Dias antes, Francisco ligou para Bento XVI e desejou um ‘Feliz Natal’.
Reuters/Osservatore Romano
Francisco disse ainda que Bento XVI “abriu a porta” para futuras renúncias e que também consideraria isso. Na terça-feira, ele reiterou que, se renunciasse, assumiria o cargo de bispo emérito de Roma e viveria na residência para padres aposentados na diocese de Roma.
O papa descreveu a decisão de Bento XVI de fixar residência em um monastério convertido nos Jardins do Vaticano como “um bom compromisso”, mas afirmou que no futuro talvez outros papas possam querer fazer as coisas de maneira diferente.
“Ele ainda estava ‘escravizado’ como papa, não?” disse Francisco. “Da visão de um papa, de um sistema. ‘Escravo’ no bom sentido da palavra: no sentido de que não era totalmente livre, pois gostaria de ter voltado para a sua Alemanha e continuado a estudar teologia”.
A morte de Bento provavelmente remove o principal obstáculo à renúncia de Francisco, uma vez que a perspectiva de ter dois papas aposentados nunca foi uma opção. Mas Francisco disse que a morte do antecessor não mudou seus planos. “Nem me ocorreu fazer um testamento sobre mim mesmo”, disse ele.
A curto prazo, Francisco enfatizou seu papel como “bispo de Roma” em contraste com a figura do papa e disse que seus planos são “continuar a ser bispo, bispo de Roma e em comunhão com todos os bispos do mundo”. Ele indicou ainda que queria eliminar o conceito do papado como um “tribunal”.
O papa também abordou as críticas de cardeais e bispos conhecidos nas semanas desde a morte de Bento XVI, que ele descreveu como desconfortáveis, “como urticária, incomoda um pouco”, mas sobre as quais ele prefere ficar calado.
“Você prefere que não critiquem, por uma questão de tranquilidade”, disse Francisco. “Mas prefiro que façam isso porque significa que há liberdade para falar”.
“Se não fosse assim, haveria uma ditadura da distância, como eu chamo, onde o imperador está lá e ninguém pode lhe dizer nada. Não, deixa que falem porque… a crítica te ajuda a crescer e melhorar as coisas”.
O Papa Francisco responde à uma pergunta durante sua entrevista com a Associated Press na última terça, 25.
AP Photo/Domenico Stinellis
A primeira lança na enxurrada de ataques veio do antigo secretário de Bento, o arcebispo Georg Gaenswein, que expôs o ressentimento acumulado nos últimos 10 anos em um livro de memórias revelador publicado nos primeiros dias após o funeral do papa emérito.
Em uma das partes mais controversas, Gaenswein revelou que Bento XVI soube pelo diário vaticano L’Osservatore Romano que Francisco havia revogado uma das decisões litúrgicas mais marcantes do papa emérito e restabelecido as restrições à celebração da missa em latim.
Poucos dias após a publicação das memórias, o Vaticano foi abalado novamente pela morte de outro líder conservador, o cardeal George Pell, e pelas revelações de que Pell havia escrito um memorando devastador que circulou no ano passado e que ele havia descrito o pontificado de Francisco como “um desastre” e “uma catástrofe”.
O texto, que inicialmente circulou sob o pseudônimo de “Demos”, listava todos os problemas do Vaticano sob Francisco, desde suas finanças precárias até o estilo de pregação do pontífice, e incluía uma lista do que um futuro papa poderia fazer para resolvê-los.
Francisco reconheceu as críticas de Pell, mas o elogiou por ser sua “mão direita” na reforma das finanças do Vaticano e seu primeiro ministro das finanças.
“Dizem que no final ele me criticou. Bem, ele tem o direito, a crítica é um direito humano”, comentou Francisco. “Um grande cara. Excelente”.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Ganhador de R$ 10 bilhões em loteria nos EUA ainda não apareceu para retirar o dinheiro


Sorteio foi feito no início de novembro. O único bilhete premiado foi vendido em uma loja de conveniência em Los Angeles. Bilhete do Powerball, loteria que sorteou US$ 2 bilhões em novembro e ganhador não apareceu
Elise Amendola/AP
O ganhador de US$ 2,04 bilhões (cerca de R$ 10,54 bilhões na conversão atual) da loteria Powerball nos Estados Unidos ainda não apareceu para receber o dinheiro. O sorteio foi feito em novembro e este é o maior valor já oferecido pela loteria. As informações são do jornal “USA Today”.
Segundo a publicação, a porta-voz da loteria da Califórnia, Carolyn Becker, disse que o único bilhete premiado foi vendido em novembro no Joe’s Service Center, uma loja de conveniência em Los Angeles.
O dono da loja que vendeu o bilhete já recebeu seu prêmio de US$ 1 milhão pela venda. Este é o valor mais alto que o lojista pode receber na Califórnia.
Ainda de acordo com o jornal, Carolyn não revela a data da compra do bilhete porque a informação faz parte do processo de verificação da compra. Até terça-feira (24) de manhã, o vencedor não havia sido anunciado e só será feito quando este aparecer e for confirmada a veracidade do bilhete.
Becker explica que o ganhador precisa se apresentar com o bilhete premiado original. Ele pode reivindicar o valor em uma das nove agências de loteria da Califórnia ou enviar o bilhete pelo correio e reivindicar o montante.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Ativista de extrema-direita queima o Alcorão em público e dá a Erdogan o pretexto para barrar entrada de Suécia e Finlândia na Otan


Presidente da Turquia interrompe negociações e ameaça vetar ingresso dos dois países nórdicos na aliança atlântica Bandeira sueca queima ao lado do Alcorão em Estocolmo, na Suécia
Umit Bektas/REUTERS
O ingresso da Suécia na Otan esbarra na ameaça de veto da Turquia, depois que um ativista de extrema direita queimou um exemplar do Alcorão em frente à embaixada do país em Estocolmo. O sueco-dinamarquês Rasmus Paludan é reincidente na façanha e já foi preso por racismo, difamação e por postar vídeos com conteúdo islamofóbico na internet.
No sábado passado, munido de um isqueiro, ele ateou fogo ao livro sagrado do Islã, após discursar contra o islamismo e a imigração. O ato desatou a ira no mundo muçulmano e provocou uma reação contundente do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan: que a Suécia não espere o apoio de seu país para ingressar na Otan.
Erdogan fala para a sua base. Uma enquete realizada pela agência Anadolu pelo Twitter mostrou que mais de 90% disseram ser contra o aval da Turquia à entrada do país nórdico na Otan. Ancara convocou o embaixador sueco para condenar a queima do Alcorão e cancelou a visita do ministro da Defesa, Paul Johnson, que chegaria ao país nesta sexta-feira.
Bandeiras dos países membros da Otan hasteadas do lado de fora da sede de Bruxelas
Olivier Matthys/Associated Press
Depois que a Rússia invadiu a Ucrânia, no ano passado, Suécia e Finlândia quebraram a tradição de 73 anos de neutralidade e se candidataram a entrar na aliança atlântica, apoiadas especialmente por EUA e Reino Unido. Para que os dois países sejam aceitos, é necessário a aprovação dos 30 membros da Otan. Falta apenas o consentimento de Turquia e Hungria, que, embora relutante, já se comprometeu a aprovar as duas candidaturas no início deste ano.
Sobrou a Turquia, membro da Otan desde 1952 e ator estratégico para a aliança militar ocidental, pois assegura o controle do Estreito de Bósforo, que liga o Mediterrâneo ao Mar Negro. Dessa forma, fechando o canal, a Turquia impediu que a Rússia mandasse navios para reforçar a guerra na Ucrânia, assim como fez acordos com Moscou para obter vantagens nos preços de gás e petróleo.
Ciente da importância de seu papel, Erdogan impôs condições à Suécia e à Finlândia, entre as quais a extradição de cerca de 70 curdos acusados pela Turquia de extremismo. As negociações avançavam em ritmo lento até a manifestação de Paludan em frente à embaixada, que foi permitida pela polícia e teve a presença de pró-curdos.
Protestantes se manifestam com sinalizadores e bandeira da Turquia nas ruas de Estocolmo
Umit Bektas/REUTERS
Fundador do partido dinamarquês Hard Line, que não teve votos suficientes para conseguir cadeiras no Parlamento, o ativista de extrema direita se ancora na liberdade de expressão para atacar o islamismo e pôr fogo no livro sagrado. “Se você é contra a liberdade de expressão, tem que morar em outro lugar”, bradou.
O premiê conservador Ulf Kristersson, que desde outubro governa a Suécia, com o apoio da extrema direita, considerou o protesto de Paludan extremamente desrespeitoso e manifestou solidariedade aos muçulmanos que foram ofendidos na manifestação. “A liberdade de expressão é uma parte fundamental da democracia. Mas o que é legal não é necessariamente apropriado.”
O extremista incendiário foi banido da Bélgica por um ano por tentar queimar cópias do Alcorão num bairro muçulmano e deportado da França pelo mesmo motivo. No ano passado, seu grupo provocou vários dias de agitação na Suécia, ao promover uma espécie de turnê por vilas e cidades com comunidades de muçulmanos. Cerca de 40 pessoas foram presas nos confrontos.
Rasmus Paludan finalmente deu agora a Erdogan o pretexto que procurava para brecar a adesão de Suécia e Finlândia à Otan.

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Lula viaja ao Uruguai nesta quarta e tem reuniões com Lacalle Pou e ex-presidente Pepe Mujica

Na terça, Lula participou de cúpula da Celac em Buenos Aires; ida a Montevidéu compõe primeira viagem internacional desde a posse. Lula chega ao Uruguai para conversa difícil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) viaja nesta quarta-feira (25) para Montevidéu, capital do Uruguai. A visita oficial faz parte da primeira viagem internacional de Lula desde a posse, no último dia 1º.
Lula segue para Montevidéu diretamente de Buenos Aires, capital da Argentina, para onde viajou na noite de domingo (22).
Na terça (24), dezenas de chefes de Estado da América Latina e do Cariba participaram da reunião de cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac).
A agenda de Lula prevê os seguintes compromissos em Montevidéu:
11h: chegada à Base Aérea
12h: encontro com o presidente do Uruguai, Luis Alberto Lacalle Pou
15h: entrega da medalha “Más Verde”
16h30: visita ao ex-presidente Pepe Mujica
Lula deve voltar ao Brasil ainda nesta quarta, mas os detalhes do retorno não foram divulgados pela Presidência da República.
Em fevereiro, Lula deve ir para os Estados Unidos. Em março, o presidente deve viajar para a China.
Lula diz que países da América Latina e do Caribe precisam combater o autoritarismo

Fonte: G1 Mundo

Categorias
MUNDO

Papa Francisco: ‘Homossexualidade não é crime’


Para o pontífice, as leis que descriminam as relações entre pessoas do mesmo gênero são injustas. Papa Francisco durante entrevista exclusiva para a Associated Press de dentro do Vaticano em 24 de janeiro de 2023
Andrew Medichini/AP
O Papa Francisco criticou as leis que criminalizam a homossexualidade como “injustas”, dizendo que Deus ama todos os seus filhos assim como eles são e pediu aos bispos católicos que apoiam as leis contrárias a isso que recebam pessoas LGBTQ na igreja.
“Ser homossexual não é crime”, disse Francis durante uma entrevista nesta terça-feira (24) à Associated Press.
Francisco reconheceu que os bispos católicos em algumas partes do mundo apoiam leis que criminalizam a homossexualidade ou discriminam a comunidade LGBTQ, e ele mesmo se referiu à questão em termos de “pecado”. Mas ele atribuiu tais atitudes a origens culturais e disse que os bispos em particular precisam passar por um processo de mudança para reconhecer a dignidade de todos.
“Estes bispos têm que ter um processo de conversão”, disse, acrescentando que devem aplicar “ternura, por favor, como Deus tem por cada um de nós”.
Papa Francisco durante entrevista exclusiva para a Associated Press de dentro do Vaticano em 24 de janeiro de 2023
Domenico Stinellis/AP
Cerca de 67 países ou jurisdições em todo o mundo criminalizam a atividade sexual consensual entre pessoas do mesmo sexo, 11 dos quais podem ou impõem a pena de morte, de acordo com o The Human Dignity Trust, que trabalha para acabar com essas leis. Especialistas dizem que mesmo onde as leis não são aplicadas, elas contribuem para o assédio, estigmatização e violência contra pessoas LGBTQ.
Nos EUA, mais de uma dúzia de estados ainda têm leis anti-sodomia nos livros, apesar de uma decisão da Suprema Corte de 2003 declarando-as inconstitucionais. Os defensores dos direitos dos homossexuais dizem que as leis antiquadas são usadas para assediar os homossexuais e apontam para a nova legislação, como a lei “Não diga gay” na Flórida, que proíbe a instrução sobre orientação sexual e identidade de gênero do jardim de infância até a terceira série, como evidência de esforços contínuos para marginalizar as pessoas LGBTQ.
As Nações Unidas pediram repetidamente o fim das leis que criminalizam a homossexualidade, dizendo que elas violam os direitos à privacidade e à liberdade de discriminação e são uma violação das obrigações dos países sob o direito internacional de proteger os direitos humanos de todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual. ou identidade de gênero.
Ativistas da associação italiana de direitos gays Arcigay seguram faixas e bandeiras durante uma manifestação em frente ao Vaticano
Sandro Pace/AP
Declarando tais leis “injustas”, Francisco disse que a Igreja Católica pode e deve trabalhar para acabar com elas. “Deve fazer isso. Deve fazer isso ”, disse ele.
Francisco citou o Catecismo da Igreja Católica ao dizer que os gays devem ser bem-vindos e respeitados, e não devem ser marginalizados ou discriminados.
“Somos todos filhos de Deus, e Deus nos ama como somos e pela força que cada um de nós luta pela nossa dignidade”, disse Francisco, falando à AP no hotel do Vaticano onde mora.
Papa Francisco durante entrevista exclusiva para a Associated Press de dentro do Vaticano em 24 de janeiro de 2023
Andrew Medichini/AP
Essas leis são comuns na África e no Oriente Médio e datam da época colonial britânica ou são inspiradas na lei islâmica. Alguns bispos católicos os apoiaram fortemente como consistentes com o ensinamento do Vaticano que considera a atividade homossexual “intrinsecamente desordenada”, enquanto outros pediram que fossem anulados como uma violação da dignidade humana básica.
Em 2019, esperava-se que Francisco fizesse uma declaração se opondo à criminalização da homossexualidade durante uma reunião com grupos de direitos humanos que realizaram pesquisas sobre os efeitos de tais leis e das chamadas “terapias de conversão”.
Na terça-feira, Francisco disse que precisava haver uma distinção entre crime e pecado em relação à homossexualidade.
“Ser homossexual não é crime”, disse ele. “Não é crime. Sim, mas é pecado. Tudo bem, mas primeiro vamos distinguir entre um pecado e um crime.”
“Também é pecado faltar à caridade uns com os outros”, acrescentou.
Papa Francisco durante visita ao Canadá, no fim de julho
REUTERS/Carlos Osorio
O ensinamento católico sustenta que, embora os gays devam ser tratados com respeito, os atos homossexuais são “intrinsecamente desordenados”. Francisco não mudou esse ensinamento, mas fez do alcance da comunidade LGBTQ uma marca registrada de seu papado.
Começando com sua famosa declaração de 2013, “Quem sou eu para julgar?” quando foi questionado sobre um padre supostamente gay, Francisco passou a ministrar repetidamente e publicamente à comunidade gay e trans. Como arcebispo de Buenos Aires, ele favoreceu a concessão de proteção legal a casais do mesmo sexo como alternativa ao endosso ao casamento gay, que a doutrina católica proíbe.
Apesar de tal alcance, Francisco foi criticado pela comunidade católica LGBTQ por um decreto de 2021 do escritório de doutrina do Vaticano de que a Igreja não pode abençoar uniões do mesmo sexo “porque Deus não pode abençoar o pecado”.

Fonte: G1 Mundo