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China comemora chegada de 4721, o ano do coelho; entenda o Ano Novo Lunar


Chineses e outros povos asiáticos celebram a virada e feriadão faz milhões de pessoas viajarem. Covid é preocupação. Comemoração do Ano Novo Lunar na Indonésia, em 19 de janeiro de 2023
Willy Kurniawan/Reuters
O Ano Novo Lunar, que é comemorado especialmente pelos chineses, vietnamitas e outros países do Leste Asiático, começará no domingo (dia 22, pela fuso local, ainda sábado no Brasil). Este será o ano 4721, ano do coelho, que é um símbolo da paz, do intelecto e de cautela.
Segundo a mitologia, o coelho foi um dos 12 animais que disputaram uma competição cósmica de natação que acabou determinando a ordem dos signos do zodíaco chinês. Apesar de coelho não nadar bem, o animal usou seu intelecto e cruzou o rio em uma jangada.
Nessa época, milhões de pessoas aproveitam a oportunidade para viajar e celebrar o também chamado Ano Novo Chinês com a família.
Geralmente os dias que antecedem o Ano Novo são os mais movimentados nas estradas e aeroportos.
China se preocupa com propagação de Covid durante viagens do Ano Novo Lunar
Viagens e Covid
Pessoas em toda a China começaram a viajar nesta semana, alimentando temores de novos surtos de Covid-19.
Segundo a mídia estatal, o vice-primeiro-ministro Sun Chunlan disse que o vírus estava em um nível “relativamente baixo”. As autoridades de saúde disseram que o número de pacientes com Covid no hospital e em condições críticas estava diminuindo. “O número de pacientes críticos nos hospitais está diminuindo constantemente”, disse ele.
Mas há dúvidas sobre os números oficiais da China sobre um surto que sobrecarregou hospitais e funerárias desde que Pequim abandonou, no mês passado, a política de “Covid zero”, que impunha rígidos controles de Covid e testes em massa.
Alguns especialistas em saúde esperam que mais de um milhão de pessoas morram da doença na China este ano. A empresa de dados de saúde britânica Airfinity prevê que as mortes por Covid podem atingir 36 mil por dia na próxima semana.
Imagem de templo em Singapura, onde também há comemorações do Ano Novo Lunar
Edgar Su/Reuters
Veja abaixo perguntas e respostas sobre o Ano Novo Chinês:
O que marca o ciclo de um ano para os chineses?
O calendário chinês tem a Lua como parâmetro — há quem se refira ao feriado como Ano Novo Lunar, inclusive. O ano é o fim de 12 ciclos completos da Lua.
O que marca o Ano Novo é a primeira Lua Nova após o solstício de inverno. Geralmente, fica entre os dias 20 de janeiro e 18 de fevereiro.
Chineses preparam refeição em família para as comemorações do Ano Novo em 31 de janeiro de 2022
AP Photo/Andy Wong
A data do Ano Novo é móvel, ela não acontece sempre depois de um ciclo fixo de dias, como no caso do calendário Gregoriano, que se repete a cada 365 dias.
Outros calendários também são lunares, como o dos muçulmanos, que tem o Ramadã, e o judeu.
Chineses começam a viajar para feriado de Ano Novo Lunar
Quais as diferenças do ano solar e lunar?
Um ano no calendário gregoriano, usado no Ocidente, é o tempo que a Terra leva para dar uma volta completa ao redor do sol –cerca de 365 dias.
O ano lunar tem cerca de 354 dias, que é o tempo para que a Lua atravesse 12 ciclos completos. (veja mais abaixo).
No entanto, como as fases da Lua não estão em sincronia com as estações do ano (verão, inverno, outono, primavera), muitas pessoas que seguem o calendário chinês também usam as datas do calendário gregoriano para atividades rurais, como pesca e agricultura.
Por que o Ano Novo chinês não é fixo?
O calendário chinês tem 12 meses lunares de 29 ou 30 dias, e os anos têm 354 ou 355 dias.
“A rigor, o calendário gregoriano varia também”, disse em entrevista ao g1 Rubens Machado, astrônomo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná.
A Terra demora demora 365 dias e quase seis horas para dar uma volta em torno do sol e, por isso, há anos bissextos, com um dia a mais para compensar essas horas a mais.
As fases da Lua também não obedecem precisamente a múltiplos do tempo que a Terra demora para dar uma volta em torno do próprio eixo (o que conhecemos como dia), explicou Cássio Barbosa, doutor e pós-doutor em astronomia.
“Para que a Lua volte a uma fase, por exemplo, de uma lua cheia para uma nova lua cheia, leva-se 27,55 dias. Essas frações vão se acumulando ao longo do ano”, disse Barbosa.
O número de repetições de fases durante um ano não é exatamente 12 – mas, sim, 12,37. Essas frações também fazem com que seja preciso alterar o número de dias do ano no calendário chinês.
Há, no entanto, um problema, explicou Machado. As estações do ano (verão, outono, inverno e primavera) são marcadas pela posição da Terra em relação ao sol.
Assim, de tempos em tempos, os calendários lunares precisam de um ajuste, e isso é feito com a adição de uma espécie de “mês bissexto”.
Por que os chineses relacionam os anos a animais?
Os anos são dedicados a animais no calendário chinês. São doze, que se intercalam: Rato, Boi, Tigre, Coelho, Dragão, Serpente, Cavalo, Carneiro, Macaco, Galo, Cão e Porco (ou Javali).
Coelhos de lembrança do Ano Novo Lunar em Singapura
Edgar Su/Reuters
Essa relação com os animais vem do budismo. Na mitologia dessa religião, ao decidir como seria o calendário, Buda convocou uma reunião com os bichos. Mas só 12 apareceram para o encontro. Por isso, eles foram homenageados de acordo com sua ordem de chegada.
Os anos têm outras características definidoras: eles recebem o nome de um elemento (água, metal, terra, fogo e madeira).
Há 60 combinações de animais com elementos distintos, e por isso há um ciclo zodíaco de 60 anos que marca o calendário chinês.
Como é a comemoração do Ano Novo chinês?
As festas geralmente começam uma semana antes da data.
Na antevéspera, há faixas festivas e começam as feiras de flores. Há também pratos simbólicos que representam sorte e melhoras. As comemorações começam com bolos e doces.
Feira das flores em Hong Kong em foto de 31 de janeiro de 2022
AP Photo/Vincent Yu
Em mandarim e em cantonês, a palavra para doce é parecida com a expressão para designar uma pessoa alta, e doces representam crescimento para o ano vindouro.
É um dia em que as famílias ficam acordadas até tarde. A tradição é que haja uma grande reunião familiar no dia da virada de ano.
Em países onde há comemorações do Ano Novo lunar, há feriados que variam de três a sete dias.
O fim da comemoração é geralmente no 15º dia do mês lunar. É um dia em que os membros das famílias dão suas bênçãos uns aos outros, visitam parentes e amigos, e ocorre o chamado festival das lanternas.
Tradicionalmente, era um único dia em que as garotas podiam sair de casa para ver as lanternas enfeitando as ruas e, assim, conhecer os rapazes. Mas no presente, as cidades fazem painéis com lanternas que viram atrações.

Fonte: G1 Mundo

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Prisão de Daniel Alves: o que se sabe e o que falta saber


O jogador brasileiro foi acusado de ter estupro uma mulher em uma boate na Espanha, o que ele nega. Alves foi preso na sexta-feira (20) após prestar depoimento. Entenda prisão de Daniel Alves por suposta agressão sexual na Espanha
A Justiça espanhola determinou a prisão preventiva e sem fiança do jogador brasileiro Daniel Alves nesta sexta-feira (20), por conta de um processo que o acusa de ter estuprado uma mulher em uma boate de Barcelona.
Nessa matéria você vai ver:
O depoimento da vítima para a polícia relatando a agressão sexual
Porque o jogador brasileiro foi preso sem um mandato prévio de prisão
Como funciona a investigação do crime na Espanha
Que ainda não está determinado até quando Daniel Alves ficará preso
Que a identidade da vítima não foi revelada
O jogador brasileiro Daniel Alves foi detido após prestar depoimento em Barcelona, na Espanha, no dia 20 de janeiro de 2023
Lucas Figueiredo/CBF e Reuters
Veja o que se sabe e o que falta saber sobre a denúncia de agressão sexual envolvendo o jogador Daniel Alves:
O que aconteceu?
Na madrugada do dia 30 de dezembro, a suposta vítima alegou que foi estuprada por Daniel Alves no banheiro da boate “Sutton”, em Barcelona.
Detalhes do depoimento dado à polícia foram revelados pelos jornais da Espanha. Nele, segundo a imprensa, ela conta que o jogador a impediu de sair do banheiro, agarrou e colocou a mão dela sobre o seu pênis, a jogou no chão, ordenou que ela fizesse sexo oral – o que ela recusou e resistiu, – bateu nela e a penetrou com força até ejacular.
Até o momento, só se sabe essa versão dada no depoimento e obtida pela imprensa. O depoimento não foi divulgado oficialmente. Não havia câmeras no local onde aconteceu a agressão. Daniel Alves nega que isso tenha acontecido e disse que não conhece a mulher.
Testemunhas viram indo ao banheiro e depois chorando após sair de lá. Quando a polícia chegou no local, o jogador já havia ido embora. Segundo o jornal “El Periódico”, a polícia disse que encontrou traços de sêmen no banheiro.
Relatórios médicos apontam que a vítima tinha sinais de agressão compatíveis com estupro.
Imprensa espanhola revela detalhes da acusação de estupro contra Daniel Alves
Por que Daniel Alves foi preso?
Daniel Alves atendeu a um pedido dos investigadores e foi voluntariamente até a delegacia em Barcelona. Depois de prestar depoimento sobre o caso, ele foi detido.
Posteriormente, foi levado até uma juíza da Catalunha, onde prestou um depoimento de 45 minutos. Após ouvi-lo, a juíza acatou o pedido de prisão preventiva sem fiança feito pela promotoria e pelos advogados da vítima.
Na decisão pela prisão, a juíza citou quatro motivos:
Daniel Alves não tem endereço fixo na Espanha
O denunciado tem plenas condições financeiras de fugir
Não há acordo de extradição entre a Espanha e o Brasil
Há risco de obstrução de justiça por parte do jogador
Daniel Alves é detido em Barcelona durante depoimento e levado para custódia judicial
Por que Daniel Alves estava Espanha?
No final de dezembro, quando aconteceu o suposto crime, Daniel Alves estava em Barcelona tirando alguns dias de férias após disputar a Copa do Mundo do Catar.
O jogador mora atualmente no México, mas foi semana passada à Espanha para o velório de sua sogra, que morreu no dia 13 de janeiro.
Antes de voltar ao México, ele foi até a delegacia prestar depoimento.
Onde Daniel Alves está preso?
O jogador está preso na Penitenciária Brians 1, que fica a cerca de 30 km do centro de Barcelona.
Até quando Daniel Alves ficará na cadeia?
Daniel Alves está preso, mas ainda não foi julgado. A Justiça espanhola decretou a prisão preventiva, mas não determinou um prazo para ele ser solto ou julgado.
Para crimes de agressão sexual, que incluem o estupro, o Código Penal espanhol prevê pena de um a 15 anos, dependendo da gravidade do caso, que pode ser reduzida a multas.
Como funciona a investigação na Espanha?
Pela legislação da Espanha, uma pessoa investigada pode ser presa durante o depoimento, caso os interrogantes entendam que há elementos que justifiquem a detenção.
No sistema espanhol, a Justiça também faz sua própria investigação sobre um caso, ainda que haja um inquérito policial.
Em paralelo, o Ministério Público pode fazer uma denúncia, como ocorreu nesta situação.
Quando a denúncia chega à Justiça, um tribunal designa um magistrado chamado juiz de instrução, que fica encarregado de reunir provas de um caso para determinar se se trata ou não de crime ou delito. Caso determine que sim, esse magistrado encaminha então o caso para julgamento
Quem é a suposta vítima de estupro?
A identidade da denunciante não foi revelada. O que se sabe sobre ela é que tem 23 anos e foi para a boate com amigas. Um grupo de mexicanos as convidou para entrar na área VIP, onde estava o jogador, mas não se sabe qual é a relação dela com esse grupo.
O que Daniel Alves disse sobre o caso?
Na quinta-feira (5), durante entrevista a um programa de TV na Espanha, Alves alegou que estava apenas dançando, sem invadir o espaço de ninguém. Ele alegou ainda não conhecer a mulher e disse não ter “que perguntar quem está no banheiro” quando quer usá-lo.
“Eu estive nesse lugar, e quem me conhece sabe que eu adoro dançar, mas sem invadir o espaço de ninguém, respeitando os espaços. E quando você vai ao banheiro não tem que perguntar quem está lá para usar o banheiro. Não sei quem é essa senhorita, nunca a vi. Nestes anos todos nunca invadi o espaço de ninguém sem autorização”, declarou o jogador, que se queixou também dos danos da denúncia à sua família.
O jornal “El País” disse que, no depoimento a juíza que determinou sua prisão, Daniel Alves mudou sua versão e assumiu que teve uma relação sexual com a mulher, mas negou ter sido violento ou cometido agressão sexual.
Daniel Alves teve seu contrato rescindido?
O jogador, que recentemente fez parte da Seleção Brasileira na Copa do Mundo do Catar em 2022, no auge da sua carreira passou por dois grandes times da Espanha: Sevilla e Barcelona.
Seu contrato mais recente era com o Los Pumas, um time mexicano, que já declarou que ele está automaticamente fora do time após a acusação de agressão sexual.
Daniel Alves em imagem de dezembro de 2022, durante a Copa do Mundo do Catar
Andre Penner/AP

Fonte: G1 Mundo

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Esposa de Daniel Alves faz apelo à imprensa após prisão de marido


Em postagem nas redes sociais, a modelo Joana Sanz pede que respeitem a privacidade dela. A modelo Joana Sanz, esposa de Daniel Alves, pede respeito a sua privacidade após prisão do marido e morte da mãe
Reprodução/Instagram
A modelo Joana Sanz, esposa de Daniel Alves, pediu nesta sexta-feira (20), em uma postagem no Instagram, que a imprensa respeite sua privacidade após a morte da mãe e prisão do marido.
A Justiça espanhola determinou a prisão preventiva e sem fiança do jogador brasileiro Daniel Alves nesta sexta, por conta de um processo que o acusa de ter estuprado uma mulher em uma boate de Barcelona.

Fonte: G1 Mundo

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Prisão de ‘chefão’ abalou estruturas da máfia italiana, mas organização não deve sofrer grandes danos


Antigo líder da Cosa Nostra, Matteo Messina Denaro foi preso na segunda-feira (16) após 30 anos foragido. Para polícia, histórico centenário indica resiliência da associação. Nesta imagem retirada de um vídeo divulgado pelos Carabinieri da Itália na segunda-feira, 16 de janeiro de 2023, Matteo Messina Denaro, um chefão da Máfia, sai de um quartel dos Carabinieri logo depois da sua prisão em uma clínica particular em Palermo, Sicília, após 30 anos foragido, na segunda-feira, 16 de janeiro de 2023.
Carabinieri via AP
O longo histórico de Matteo Messina Denaro como assassino consolidou sua reputação entre os pares como um dos grandes chefes da máfia siciliana. Segundo mafiosos que viraram a casaca, o “chefão” da Cosa Nostra se gabava de ter cometido assassinatos suficientes para encher um cemitério
Depois de 30 anos evitando ser capturado enquanto comandava boa parte dos negócios da máfia, ele foi preso na segunda-feira (16) em uma clínica de Palermo, onde estava recebendo quimioterapia. Embora tenha sido levado no começo de terça-feira (17) para uma prisão de segurança máxima na Itália continental, sua captura não deve trazer o fim da Cosa Nostra, graças às raízes e regras mais do que centenárias da associação.
“Não temos como saber em detalhes o que vai acontecer. Mas temos certeza de uma coisa. A Cosa Nostra é feita de regras. Ela vem se apoiando nessas regras há 150 anos, então certamente irá colocá-las em prática para reparar o dano, e assim criar uma nova estrutura de liderança necessária após a prisão”, disse a procuradora-geral de Palermo, Lia Sava, em uma entrevista à rádio estatal Rai sobre o futuro da máfia.
Embora Messina Denaro exercesse grande influência na máfia, há décadas falta um chefão na Cosa Nostra, segundo os investigadores. A figura praticamente mítica de um “capo di capi” (“chefe dos chefes”, em italiano) acabou em 1993, com a prisão, em um esconderijo em Palermo, de Salvatore “Toto” Riina, que fora o principal fugitivo italiano por 23 anos.
De acordo com um depoimento em juízo que levou à sua condenação por vários assassinatos, incluindo os atentados à bomba em 1992 que mataram os dois principais magistrados italianos antimáfia, Riina liderava uma “comissão” da Cosa Nostra que controlava negócios ilícitos e elaborava uma estratégia de retaliação letal contra o Estado pela repressão à máfia.
“Depois de Riina, nunca mais houve um chefe absoluto”, disse Francesco Lo Voi, procurador-chefe de Roma.
Lo Voi assumiu o cargo em 2022 após atuar como procurador-chefe em Palermo, ajudando a coordenar a perseguição a Messina Denaro.
Mesmo que ainda existisse a figura do “capo di capi”, Messina Denaro não se enquadraria, porque ele vinha de Castelvetrano, no limite oeste da Sicília, não de Palermo ou arredores, explicou o procurador-chefe, mencionando as regras da Cosa Nostra.
Ainda assim, Messina Denaro, filho de um chefão do crime, “era um dos chefes mais importantes e tinha vínculos com outras organizações criminosas na Itália e no exterior”, contou Lo Voi à Associated Press.
O prestígio do capo também foi impulsionado por seu histórico feroz como chefe do clã assassino que dominava uma grande faixa da região oeste da Sicília.
”É por isso que sua prisão certamente representa um terremoto para a Cosa Nostra neste momento”, disse Lo Voi.
Tráfico de drogas
Na terça-feira, um avião militar transportou Messina Denaro para uma prisão de segurança máxima em L’Aquila, nas montanhas centrais dos Apeninos, onde regras rígidas para os chefões do crime que não cooperam com as autoridades incluem grandes restrições aos privilégios de visita.
Matto Messina Denaro é preso na Sicília após 30 anos foragido
Carabinieri Military Police/via Reuters
No entanto, o procurador nacional antimáfia, Giovanni Melillo, disse que colocar Messina Denaro atrás das grades não mudará a estratégia que a Cosa Nostra vem seguindo há mais de uma década.
Essa estratégia “não é mais de violência” contra o Estado, disse Melillo na TV estatal segunda-feira à noite, em referência aos atentados de 1992, que mataram Giovanni Falcone e Paolo Borselinno, procuradores de Palermo, e aos ataques à bomba de 1993 contra as igrejas de Roma, as Galerias Uffizi em Florença, e uma galeria de arte em Milão, parte de uma tentativa da máfia de fazer o Estado reduzir sua repressão à Cosa Nostra.
Em vez disso, a Cosa Nostra está agindo na surdina, tentando “infiltrar ao mesmo tempo o tecido social e econômico” da Itália, pontuou Melillo.
Uma pequena legião de vira-casacas ajudou as autoridades italianas a colocar dezenas de membros da Cosa Nostra atrás das grades nas últimas décadas. Como consequência, isso impulsionou o sindicato do crime ‘Ndrangheta, que domina parte do sul da Itália, permitindo que a organização ameaçasse a influência da máfia italiana, se tornando um dos maiores traficantes de cocaína do mundo.
Nos anos 1980, uma operação secreta do FBI em parceria com investigadores italianos, inclusive Falcone, desmanchou uma quadrilha de heroína e uma operação multimilionária de distribuição de cocaína que envolviam a máfia siciliana e a família criminosa Gambino, em Nova York.
Mas, nos últimos tempos, a Cosa Nostra “retornou em grande escala para o tráfico de drogas”, incluindo cocaína, drogas sintéticas ilícitas e heroína, segundo Lo Voi. Com tráfico de drogas suficiente para todos, não há uma verdadeira rivalidade entre a Cosa Nostra e a ’Ndrangheta.
“[Com o tráfico de drogas], os ganhos são enormes e a atividade é menos perigosa que a extorsão”, explicou Lo Voi.
Controle do território
O controle do território local é crucial para a existência da máfia. Por isso, pressionar o comércio local para pagar ao clã criminoso um valor mensal de proteção, conhecido como “pizzo”, é há muito tempo um dos pilares das atividades da Cosa Nostra.
Cerca de 15 anos atrás, porém, grupos comunitários de jovens de Palermo se rebelaram contra a submissão de longa data dos mais velhos à prática. Eles formaram uma organização chamada “Addiopizzo”, ou “Adeus Pizzo”, e encorajaram os comerciantes a denunciar os extorsionários às autoridades em vez de pagar a eles.
Lo Voi disse que, mesmo assim, os criminosos ainda têm formas de cultivar relações com a comunidade. Por exemplo, durante a pandemia da Covid-19, os mafiosos dos bairros forneciam mantimentos aos moradores quando os chefes de família perdiam os empregos.
É justamente esta complexa relação – que combina benefícios, medo e até cumplicidade – que parece ter ajudado Messina Denaro a escapar da lei por 30 anos, a maior parte desse período na Sicília.
Desde a captura do capo italiano, a polícia vem fazendo buscas em seu mais recente esconderijo: uma casa em um beco sem saída em Campobello di Mazara, perto de Trapani. O proprietário é Andrea Bonafede — nome usado pelo fugitivo em uma carteira de identidade para receber o tratamento contra o câncer.
O verdadeiro Bonafede está sendo alvo de uma investigação, que inclui pelo menos um dos médicos que esteve envolvido no tratamento do fugitivo na clínica desde o final de 2020, segundo a imprensa italiana.
Nesta foto tirada de um vídeo divulgado pelos Carabinieri italianos de 2023, o chefe da máfia Matteo Messina Denaro chega para tratamento em uma clínica particular em Palermo, Sicília, Itália, segunda-feira, 16 de janeiro de 2023, onde foi preso após 30 anos foragido.
Carabinieri via AP
Outros pacientes com câncer contaram ao jornal “La Repubblica” que o homem, que usava cachecóis de grife e camisetas pintadas à mão, conversava livremente com eles enquanto recebia quimioterapia, e às vezes lhes dava garrafas de azeite. (Seis anos atrás, as autoridades italianas confiscaram 13 milhões de euros em olivais e instalações de envase de azeite ligadas a Messina Denaro na região rural próxima a Trapani.)
Gritos de “Bravi!” ressoaram pela rua em frente à clínica quando os dois oficiais da polícia o escoltaram para fora. Mas outros questionaram por que sua captura demorou décadas.
“Eu esperava há muito tempo que isso fosse acontecer, mas é absurdo que tenha levado 30 anos”, disse Salvatore Borsellino, irmão do procurador morto, em uma entrevista por vídeo à AP, em Palermo.
Para ele, está claro que Messina Denaro recebia proteção em âmbito loca. “Mas também deve ter havido cumplicidade institucional”, afirmou.

Fonte: G1 Mundo

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Imprensa espanhola revela detalhes da acusação de estupro contra Daniel Alves


Depoimento da suposta vítima não foi divulgado oficialmente. Informações foram obtidas por repórteres da Espanha, citando como fontes a polícia e a juíza do caso. Daniel Alves é detido em Barcelona durante depoimento e levado para custódia judicial
Detalhes do depoimento dado à polícia de Barcelona pela mulher que acusa Daniel Alves de estupro foram revelados pela imprensa espanhola e indicam que ela afirma que houve uso de força e penetração. O relato feito à Justiça não foi divulgado oficialmente.
O jogador brasileiro Daniel Alves foi preso preventivamente nesta sexta-feira (20), após ter ido prestar depoimento sobre o caso à polícia de Barcelona.
Segundo informações divulgadas pelo jornal “El Periódico” e pelo canal Telecinco, no depoimento, a mulher conta como aconteceu a suposta agressão:
A denunciante disse que, por volta das 2h da manhã, foi com duas amigas à boate ‘Sutton’ e foi convidada por amigos para entra na área VIP;
Lá estava o jogador, que teria inicialmente paquerado de forma inconveniente a suposta vítima e outras mulheres;
Por volta de 4h da manhã, ela foi até o banheiro e o jogador foi atrás dela;
A mulher disse que ele falava coisas em português que não conseguia entender;
A vítima disse que Alves agarrou com força a mão dela e a colocou sobre seu pênis;
Após isso, ela tentou sair de lá, mas foi impedida pelo jogador;
Alves teria sentado em um vaso sanitário e a obrigado a sentar em seu colo;
Ao resistir, ele a teria jogado no chão e a forçado a fazer sexo oral nele;
Como ela reagiu novamente, Alves bateu nela, a levantou do chão e a penetrou com força até ejacular;
Depois, o jogador teria dito para ela ficar ali, que ele iria sair primeiro do banheiro.
Um repórter do jornal “El Periódico” teve acesso às imagens de câmeras de segurança e disse que elas mostram Daniel Alves saindo primeiro do banheiro, sozinho, e depois ela.
A reportagem do jornal “El País” diz que, segundo o relato, o estupro foi muito violento e durou cerca de 15 minutos.
No banheiro foram encontrados restos de sêmen, segundo o “El Periódico”. O relatório médico alega que a vítima tinha marcas de violência compatíveis com estupro.
Após o suposto crime, a mulher se queixou com funcionários da boate, que chamaram a polícia. Quando os policiais chegaram ao local, o brasileiro já havia ido embora, de acordo com a denúncia.
Leia também:
Justiça espanhola ordena prisão preventiva de Daniel Alves
Entenda crime de agressão sexual atribuído ao jogador
Daniel Alves, Robinho e Neymar; relembre casos de acusação de assédio
O que diz Daniel Alves
O jogador nega que houve qualquer tipo de crime e declarou que nem conhece a suposta vítima.
“Eu estive nesse lugar, e quem me conhece sabe que eu adoro dançar, mas sem invadir o espaço de ninguém, respeitando os espaços. E quando você vai ao banheiro não tem que perguntar quem está lá para usar o banheiro. Não sei quem é essa senhorita, nunca a vi. Nestes anos todos nunca invadi o espaço de ninguém sem autorização”, disse o jogador, que se queixou também dos danos da denúncia à sua família.
Daniel Alves em imagem de dezembro de 2022, durante a Copa do Mundo do Catar
Andre Penner/AP

Fonte: G1 Mundo

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Daniel Alves, Robinho e Neymar; relembre casos de jogadores acusados de assédio


Detido na Espanha nesta sexta-feira (20), Daniel Alves responde por suposta agressão sexual dentro de uma boate em Barcelona. Daniel Alves, Robinho e Neymar
montagem/ g1
O jogador Daniel Alves ,detido na Espanha nesta sexta-feira (20) sob a acusação de assédio sexual, não é o primeiro jogador de futebol brasileiro a ser investigado por suspeitas do mesmo crime na Europa. Neymar e Robinho já enfrentaram os tribunais por acusações semelhantes (leia mais abaixo).
Daniel Alves ainda não é considerado réu, e espera pela decisão da Justiça para saber se responderá em liberdade ou ficará em prisão preventiva.
Na Itália, o atacante Robinho foi condenado a nove anos de prisão por violência sexual em grupo. Já Neymar teve seu nome envolvido em dois casos. Em 2021, ele teve seu contrato com a Nike rompido após a empresa promover uma investigação interna envolvendo o jogador em uma suposta denúncia de assédio por parte de uma funcionária. Dois anos antes, o jogador do PSG tinha sido absolvido do inquérito em que foi acusado de estupro e agressão por uma modelo.
Relembre, abaixo, as investigações de assédio envolvendo os três jogadores:
Daniel Alves
Daniel Alves é detido em Barcelona durante depoimento e levado para custódia judicial
A Justiça espanhola determinou a prisão preventiva e sem fiança para o jogador Daniel Alves nesta sexta, num processo em que ele responde por suposta agressão sexual contra uma mulher em uma festa, em dezembro do ano passado (leia detalhes mais abaixo).
O jogador foi detido pela polícia de Barcelona, na Espanha, ao prestar depoimento sobre o caso. A denúncia, que corre na Justiça da região da Catalunha, foi feita pela mulher. Daniel Alves nega.
Em entrevista a um programa de TV na Espanha, o brasileiro alegou que estava apenas dançando, sem invadir o espaço de ninguém. A defesa do jogador ainda não havia se pronunciado sobre o caso até a publicação desta reportagem. Entenda aqui o que aconteceu.
A polícia da Catalunha afirma que:
o suposto crime ocorreu na noite de 30 de dezembro de 2022, em uma boate em Barcelona;
a suposta vítima alegou ter sofrido a agressão sexual por Daniel Alves no local, e se queixou com funcionários da boate;
segundo fontes policiais ouvidas pela agência de notícias Reuters, ela disse que o jogador a tocou debaixo de sua saia;
a direção da discoteca chamou a polícia, mas quando os policiais chegaram ao local, o jogador já havia ido embora, de acordo com a denúncia;
e que Daniel Alves ainda não é considerado réu.
Robinho
Ministério Público de Milão pede a extradição de Robinho e envia mandado de prisão internacional
Em outubro de 2022, o Ministério da Justiça da Itália encaminhou ao Brasil um pedido de extradição do atacante Robinho, condenado no país europeu a nove anos de prisão por violência sexual em grupo. O Brasil, no entanto, não permite a extradição de brasileiros natos.
Ainda assim, o jogador pode ser preso caso decida deixar o país. Há ainda a possibilidade de o governo italiano pedir ao governo brasileiro para que o jogador cumpra a pena no Brasil.
O caso aconteceu em janeiro de 2013, dentro de uma boate em Milão, contra uma jovem albanesa de 23 anos. De acordo com a investigação, a jovem estaria bêbada “ao ponto de ficar inconsciente” e teve relações sexuais quando não era capaz de resistir. A defesa de Robinho alegou no julgamento que houve consenso da mulher no ato sexual.
Em janeiro de 2022, o Supremo Tribunal da Itália confirmou a condenação de Robinho e de seu amigo Ricardo Falco pelo crime.
Em depoimento em 2014, o jogador admitiu que houve sexo oral, mas com permissão da garota e sem a participação de outras pessoas. Entenda o caso.
Neymar
◾ Fim de contrato com a Nike
Nike rompeu contrato com Neymar por causa de investigação de assédio sexual, diz jornal
Em maio de 2021, o jornal americano The Wall Street Journal revelou que a Nike rompeu o contrato de patrocínio com Neymar porque fez uma investigação interna de um suposto caso de assédio sexual.
O caso teria acontecido em 2016, quando Neymar e Michael Jordan, ídolo do basquete mundial, participaram juntos de uma campanha publicitária em Nova York. Nessa viagem, uma funcionária da Nike relatou que teria sido vítima de assédio em um hotel.
Dois anos depois, durante uma reunião com lideranças da empresa, a funcionária fez a denúncia e a Nike abriu uma investigação interna, sem envolver as autoridades.
De acordo com a publicação, Neymar teria se recusado a contribuir com essa investigação e, por esse motivo, a empresa resolveu romper o contrato que mantinha com o atleta desde os 13 anos de idade dele. Entenda na reportagem.
Pelas redes sociais, Neymar disse que ”afirmar que o meu contrato foi encerrado porque não contribuí de boa-fé com uma investigação é absurdo, mentiroso.”
Ressaltou que “em 2017 viajei novamente para os EUA para campanha publicitária, com as mesmas pessoas, nada me contaram, nada mudou! Em 2017, 2018, 2019 fizemos viagens, campanhas, inúmeras sessões de gravação. E nada me contaram. Um assunto com tamanha gravidade e nada fizeram. Não tive sequer oportunidade de conversar, saber os reais motivos da sua dor. Essa pessoa, uma funcionária, não foi protegida. Eu, um atleta patrocinado, não fui protegido.”
◾ Acusação de estupro e agressão em Paris
Em depoimento, Neymar diz que fez sexo consentido com Nájila Mendes de Sousa
Em julho de 2019, a Polícia Civil de São Paulo não indiciou Neymar no inquérito que apurava as acusações de estupro e agressão feitas por Najila Trindade Mendes de Souza contra o jogador. No relatório final do inquérito a delegada informou que os depoimentos e provas apresentados à polícia pela vítima apresentaram “incongruências”. O caso aconteceu em Paris, na França, mas Najila registrou ocorrência de estupro em uma delegacia de São Paulo.
No relatório final, a delegada concluiu que “diante dos elementos colhidos no curso da investigação policial, não vislumbro elementos para o indiciamento do investigado, uma vez que as versões são conflitantes, com incongruências nas declarações da vítima e, principalmente, nas provas apresentadas pela mesma”. Relembre a cronologia do caso.
Dois meses depois, em setembro de 2019, a polícia indiciou Najila por fraude processual, denúncia caluniosa e extorsão no caso.
Além disso, o ex-marido dela, Estivens Alves, foi denunciado por fraude processual e divulgação de conteúdo erótico. Em novembro de 2020, os dois foram absolvidos.

Fonte: G1 Mundo

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“Entrega de tanques à Ucrânia não é unanimidade”, diz Berlim; armamento poderia decidir a guerra


Tanque de fabricação alemã combina poder de fogo, mobilidade e proteção. Segundo especialistas, equipamento poderia ser determinante no conflito contra Rússia. Um tanque de guerra ucraniano nas proximidades da linha do fronte na região de Lugansk, na Ucrânia, em 15 de janeiro de 2023.
AP – LIBKOS
A Alemanha afirmou que nenhuma decisão foi tomada na reunião dos aliados em Ramstein, nesta sexta-feira (20), sobre a entrega de tanques ​​à Ucrânia, diminuindo as esperanças de Kiev, que solicita o armamento para repelir a invasão russa.
Se a questão da entrega dos tanques Leopard foi discutida, “nenhuma decisão foi tomada”, declarou o novo ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius, sem dizer quando haveria uma decisão sobre o assunto. 
“Ficou claro que as posições estão longe de ser tão homogêneas quanto se poderia pensar”, disse ele às margens da reunião de Ramstein, que reúne ministros da Defesa e militares de alto escalão de cinquenta países.
A Polônia e a Finlândia se ofereceram para entregar os tanques, mas qualquer remessa de material de guerra alemão deve receber luz verde de Berlim.
Pistorius, no cargo apenas desde quinta-feira (19), descartou “a impressão” de que seu país se opõe à entrega, garantindo que Berlim estava agindo e lançava um inventário de estoques de Leopard disponíveis em seu Exército e na indústria.
Na abertura da reunião, o presidente ucraniano, Volodymyr Zekensky, pediu aos aliados que acelerassem as entregas de armas pesadas.
“Está em seu poder lançar um grande abastecimento que deterá o mal”, disse ele por videoconferência. 
O Kremlin respondeu imediatamente que isso não mudaria nada no terreno. Os países ocidentais alimentam a “ilusão” de uma possível vitória ucraniana “no campo de batalha”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.
Arma com impacto significativo
O tanque de guerra Leopard 2, que a Ucrânia vem exigindo há meses da Alemanha e do Ocidente, é uma arma de renome mundial que pode ter um impacto “significativo” no campo de batalha, de acordo com especialistas.
Projetado pelo fabricante alemão Krauss-Maffei e construído em série a partir do final da década de 1970 para substituir os tanques americanos M48 Patton e depois o tanque Leopard 1, o Leopard 2 combina poder de fogo, mobilidade e proteção.
Este tanque de combate de cerca de sessenta toneladas, dos quais cerca de 3.500 exemplares foram fabricados, está equipado com um canhão de cano liso de calibre 120 mm que lhe permite combater o inimigo em movimento, graças aos seus 1.500 cavalos de potência, até 70 km/h , com um alcance de 450 km.
Também é equipado, segundo o fabricante, com “proteção passiva integral” eficaz contra minas e lançadores de foguetes. Sua tripulação de quatro membros ainda se beneficia de ferramentas tecnológicas para localizar e direcionar o inimigo à longa distância.
Outra grande vantagem: o Leopard é amplamente difundido no continente, facilitando o acesso a munições e peças de reposição e simplificando a manutenção, que é exigente para este tipo de equipamento.
Os últimos quatro modelos ainda estão em uso, desde o 2A4, oferecido pela Polônia que pode entregar 14 exemplares a Kiev, até o 2A7, do qual Berlim não está disposta a se desfazer, preferindo mantê-lo – como a França com seu tanque Leclerc – para assegurar a sua própria defesa.
A Finlândia, equipada com mais de 200 exemplares, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), também está disposta a equipar o exército ucraniano.
Segundo a imprensa alemã, outros países europeus, não mencionados, e a Otan também estariam de acordo para participar desse esforço dentro de uma coalizão de operadores.
A Grécia, com 350 tanques, e a Turquia, que os utilizou contra as forças curdas no norte da Síria, são os países com mais exemplares do modelo 2A4.
Solução
A melhor solução seria que os países dispostos a contribuir enviassem tanques 2A4. Dispor do “mesmo modelo é muito importante por questões de formação e logística”, facilitando, por exemplo, o envio de peças sobressalentes, explica na rádio alemã RND o ex-inspetor do Exército, general Bruno Kasdorf.
Na Alemanha, o fabricante de armas Rheinemetall, que fornece o canhão do tanque e seus sistemas eletrônicos e tem várias dezenas de modelos antigos, já alertou que uma atualização de suas unidades levaria meses, para uma provisão em 2024, segundo seu líder, Armin Papperger.
A Alemanha, no entanto, poderia entregar, de acordo com o General Kasdorf, o Leopard 1s, que não está mais em serviço desde o início dos anos 2000, mas “disponível para entrega em um prazo relativamente curto”.
Se Kiev pudesse receber cem tanques no total, o efeito seria “significativo” no campo de batalha contra os russos, estima o IISS.
Equipado com o Leopard 2, “um exército pode romper as linhas inimigas e pôr fim a uma longa guerra de trincheiras”, confirma Papperger no jornal Bild. “Com o Leopard, os soldados podem avançar várias dezenas de quilômetros de uma só vez”.

Fonte: G1 Mundo

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Rússia proíbe uso de celulares, tablets e barba a seus soldados


Novas regras impostas pelo ministério da Defesa russo não agradaram e até aliados do presidente Vladimir Putin criticaram medidas. Outdoor em São Petersburgo, na Rússia, exibe a foto de um soldado russo recrutado para a guerra na Ucrânia. 3 de janeiro de 2023.
AP – Dmitri Lovetsky
A nomeação de Valeri Guerassimov ao posto de comandante das tropas russas na Ucrânia coincidiu com a chegada de uma série de novas ordens aos soldados. As regras não foram nem um pouco bem recebidas: além do uso de celulares e tablets, os militares estão proibidos de usar seus carros particulares e devem obrigatoriamente se barbear. 
Essa não é a primeira vez que os soldados russos são privados de tecnologia. A proibição ocorre depois do ataque ucraniano em Makiïvka, na região de Donetsk, que custou ao menos 89 mortos ao Exército da Rússia na madrugada do último 1° de janeiro.
Segundo o ministério da Defesa russo, não há dúvidas de que o comportamento dos soldados russos permitiu aos drones ucranianos localizarem suas posições. “Na noite do Ano-Novo, vários militares usaram seus celulares para telefonar para suas famílias”, reconheceu o general russo Sergueï Sevrioukov. 
Se a proibição do uso de celulares e tablets ocupou os canais do Telegram Z, outra medida irritou os combatentes russos: a obrigação de se barbear. Até mesmo Denis Pushilin, dirigente pró-russo da região de Donetsk, ele próprio adepto ao uso barba, se indignou.
“É uma ideia absurda, não acrescenta nada de bom e nada mais traz em termos de disciplina militar”, afirmou em uma mensagem de vídeo.
“Entrei em contato com o escritório do nosso comandante e esclareci isso. Ninguém virá inspecionar as tropas com ideias tão brilhantes”, ironizou o dirigente. 
No entanto, a comissão de Defesa da Duma confirmou que a ausência de barba é “uma exigência elementar da disciplina militar”.
“Mesmo nos combates mais intensos, não acredito que seja impossível ter quinze minutos livres para colocar sua aparência em ordem”, afirmou o general Viktor Sobolev, um dos membros do grupo.
Exigências arcaicas
O chefe do grupo Wagner, Evgueny Prigojine, não poupou críticas à decisão, dizendo que elas obedecem a “um arcaismo dos anos 1960”.
“No lugar de submeter todos a essas regras, princípios e caprichos ridículos, é preciso desenvolver a guerra moderna, aprender a matar o inimigo de forma eficaz e tomar territórios”, declarou. 
Já o checheno Ramzan Kadyrov, fiel aliado do presidente russo, Vladimir Putin, também barbudo, ironizou a nova regra em seu canal no Telegram. “Claro, em cada trincheira há uma torneira com água quente, creme de barbear é entregue pela manhã e barbeadores são distribuídos com um mês de antecedência”, riu.
“Estou convencido de que isso é uma provocação descarada que vai prejudicar a motivação dos combatentes”, concluiu. 

Fonte: G1 Mundo

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O que é o Grupo Wagner, de mercenários ligados à Rússia


A empresa paramilitar privada, cujo dono é um aliado de Putin, passou a recrutar prisioneiros para lutarem na Ucrânia. Agora combatentes estão desertando – e denunciando as irregularidades da máquina de guerra. Um homem passa por um mural repintado representando o logotipo do Grupo Wagner da Rússia em uma parede em Belgrado, Sérvia, quinta-feira, 19 de janeiro de 2023.
AP Photo/Darko Vojinovic
Um ex-comandante do Grupo Wagner – uma empresa paramilitar privada com fortes ligações com o Kremlin – pediu asilo na Noruega após abandonar a controversa organização.
Andrey Medvedev, de 26 anos, foi preso por guardas de fronteira perto do vale Pasvikdalen, depois de ingressar no país escandinavo. As autoridades de imigração norueguesas confirmaram que Medvedev buscou abrigo no país, mas se recusaram a dar mais detalhes.
Medvedev não é o único membro do Grupo Wagner a desertar. Em setembro, Yevgeny Nuzhin, um ex-assassino condenado que havia se juntado ao grupo como mercenário, se rendeu na Ucrânia.
Ele deu uma série de entrevistas criticando a liderança russa e revelando as terríveis condições nas frentes de combate que o levaram a desertar. Depois de ser trocado como prisioneiro de guerra, um vídeo macabro surgiu no aplicativo de mensagens Telegram mostrando Nuzhin sendo executado com uma marreta.
O Grupo Wagner já era conhecido por suas táticas brutais, mas o assassinato de Nuzhin intensificou o escrutínio internacional dos combatentes mercenários, assim como o fato de o grupo ter se tornado cada vez mais importante para o esforço de guerra russo na Ucrânia.
Como surgiu o Grupo Wagner?
O Grupo Wagner está sob os holofotes por seu papel na guerra na Ucrânia.
O grupo foi fundado em 2014 e uma de suas primeiras missões conhecidas foi na península ucraniana da Crimeia, naquele mesmo ano, quando mercenários com uniformes sem identificação ajudaram forças separatistas apoiadas pela Rússia a tomar a região.
Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em fevereiro de 2022, Moscou inicialmente usou os mercenários para reforçar as forças da linha de frente, mas, desde então, passou a contar cada vez mais com eles em batalhas críticas, como nas cidades de Bakhmut e Soledar.
A empresa paralimitar, seu dono e a maioria dos seus comandantes foram alvo de sanções dos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia (UE).
Um mural na Sérvia idealiza os combatentes do Grupo Wagner como “cavaleiros russos”
Darko Vojinovic/AP
Quem integra o Grupo Wagner?
A companhia militar privada Wagner já existia muito antes do início da guerra na Ucrânia e era composta por alguns milhares de mercenários.
Acreditava-se que a maioria deles eram ex-soldados de elite altamente treinados. Mas quando as perdas da Rússia durante a guerra na Ucrânia começaram a aumentar, o proprietário da empresa, o oligarca Yevgeny Prigozhin, ligado ao Kremlin, começou a expandir o grupo, recrutando prisioneiros e civis russos, assim como estrangeiros.
Em um vídeo que circula na internet desde setembro de 2022, Prigozhin é visto no pátio de uma prisão russa se dirigindo a uma multidão de condenados e prometendo que, se eles servissem na Ucrânia por seis meses, suas sentenças seriam comutadas.
Estima-se que o Grupo Wagner tenha até 20 mil soldados lutando na Ucrânia.
Apesar de sua crescente presença na guerra, a eficiência do Grupo Wagner não é clara, com analistas sugerindo que o grupo sofre um grande número de baixas sem fazer avanços significativos.
Operando em uma zona cinzenta legal
O estabelecimento de empresas militares privadas é ilegal de acordo com a Constituição russa, que estabelece que a responsabilidade pela segurança e defesa cabe exclusivamente ao Estado.
O Código Penal da Rússia proíbe que os cidadãos sirvam como mercenários, mas empresas estatais podem ter forças de segurança armadas privadas. Tais brechas na lei russa permitem que o Grupo Wagner opere em uma zona cinzenta semilegal.
O Grupo Wagner já trabalhou na África, por exemplo, fornecendo apoio e segurança para mineradoras russas e outros clientes. A Rússia tem sido acusada de usar o grupo como uma ferramenta para obter controle sobre os recursos naturais na África, bem como para influenciar a política e os conflitos em nações estrangeiras, incluindo Líbia, Sudão, Mali e Madagascar.
Yevgeny Prigozhin, chefe do Grupo Wagner, tem laços estreitos com o Kremlin
AP Photo
Também há conhecimento sobre a presença de combatentes do Grupo Wagner na Síria.
A Rússia não é o único país com empresas militares privadas. Muitas outras nações, incluindo Estados Unidos, África do Sul, Iraque e Colômbia, têm empresas militares privadas operando dentro e fora de suas próprias fronteiras. E muitos desses grupos operam discretamente.
O Tribunal Penal Internacional (TPI) e as Nações Unidas alertaram sobre o crescente número de mercenários e empresas militares e de segurança envolvidos nos atuais conflitos armados.
Patrocínio do governo
Mas o Grupo Wagner se destaca por seus laços estreitos com o governo russo, bem como por sua ampla gama de atividades. Enquanto muitas empresas privadas se concentram na prestação de serviços de segurança, o Grupo Wagner esteve envolvido em uma ampla gama de tarefas em conflitos e guerras civis.
Os mercenários do grupo – que alegaram abraçar as ideologias de extrema direita – também trouxeram descrédito para a organização. Dmitry Utkin, fundador do grupo, tem laços estreitos com uma organização supremacista branca e ultranacionalista conhecida como The Night Wolves (Lobos da noite), um clube de motociclistas que recebeu sanções de EUA, Reino Unido e UE.
Acredita-se que os Night Wolves também sejam apoiados pelo governo russo, e as mídias sociais estão cheias de imagens de membros do Grupo Wagner promovendo o mesmo tipo de retórica de extrema direita dos “lobos da noite”.

Fonte: G1 Mundo

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Sapo gigante de 2,7 kg é encontrado em parque na Austrália


Anfíbio, também conhecido como sapo-cururu, pode quebrar recorde de exemplar mais pesado já encontrado. Sapo gigante de 2,7 kg é encontrado em parque na Austrália
QUEENSLAND DEPARTMENT OF ENVIRONMENT AND SCIENCE / AFP
Guardas-florestais encontraram um sapo-cururu de 2,7 quilos enquanto dirigiam pelo Parque Nacional Conway, em Queensland, na Austrália. As autoridades locais relataram nesta sexta-feira (20) que o anfíbio, que tinha o comprimento de um braço humano, pertencia a uma espécie invasora e foi sacrificado.
“Me abaixei e agarrei o sapo-cururu. Quase não acreditei no quão grande e pesado ele era”, disse a guarda-florestal Kylee Gray, contando como encontrou o anfíbio.
Os sapos-cururu foram levados para Queensland em 1935, para ajudar a controlar uma praga de besouros. A ação teve, no entanto, consequências devastadoras para outras espécies.
“Um sapo-cururu desse tamanho come qualquer coisa que caiba em sua boca, e isso inclui insetos, répteis e pequenos mamíferos”, explicou Gray.
O sapo gigante de 2,7 kg, quase o peso de um bebê recém-nascido, pode quebrar o recorde de exemplar mais pesado já encontrado, informou o Departamento de Meio Ambiente e Ciência de Queensland, em um comunicado.
A instituição descreveu-o como um “monstro” e antecipou que seu corpo empalhado poderá ser levado para um museu da região.
Anfíbio, também conhecido como sapo-cururu, pode quebrar recorde de exemplar mais pesado já encontrado.
QUEENSLAND DEPARTMENT OF ENVIRONMENT AND SCIENCE / AFP

Fonte: G1 Mundo