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Nenhum governador eleito nas eleições gerais termina mandato no TO desde 2006; relembre histórico


Semana terminou com mais uma mudança de governo turbulenta no Tocantins. Mauro Carlesse renunciou ao cargo para escapar de impeachment e Wanderlei Barbosa assumiu. Wanderlei Barbosa recebe a faixa de governador do Tocantins
Reprodução/TV Assembleia
A última vez que um governador escolhido pelo povo durante as eleições gerais completou o mandato no Tocantins foi entre 2003 e 2006, na primeira gestão de Marcelo Miranda. Nesta sexta-feira (11) o Estado passou por mais uma turbulenta mudança de comando após Mauro Carlesse (PHS) renunciar ao cargo, do qual estava afastado pelo STJ desde outubro de 2021, por suspeitas de corrupção.
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Horas após a renúncia, o vice Wanderlei Barbosa (Sem partido) assumiu o governo definitivamente.
Ele passa a ser o oitavo político a ocupar o cargo de governador ao longo da história do Tocantins, criado em 1988 – alguns governadores tiveram mais de um mandato. Durante a posse ele já sinalizou que pretende buscar a reeleição em outubro.
O Estado tem um longo histórico de líderes que assumiram o governo após renúncias ou cassações dos titulares. Dentre todos os políticos que exerceram o papel, apenas quatro chegaram ao cargo através do voto popular.
As renúncias ocorreram em 1998, 2014 e agora em 2022. As cassações foram 2009 e 2018. O último governador a completar o mandato de quatro anos Marcelo Miranda na sua primeira passagem.
O recordista de mandatos eletivos é Siqueira Campos, que foi escolhido para ocupar o Palácio Araguaia quatro vezes. Enquanto Marcelo Miranda foi cassado duas vezes do cargo.
Processo de impeachment
Mauro Carlesse foi o primeiro governador do Tocantins a ser alvo de um processo de impeachment no estado. Inicialmente ele foi afastado do cargo pelo STF em outubro de 2021, após operações da Polícia Federal. As denúncias deram início ao rito do impeachment na Assembleia Legislativa.
O tema passou pela comissão especial e seria votado em segundo turno nesta sexta-feira (11) para convocação do Tribunal Misto. Horas antes da votação Carlesse resolveu renunciar para escapar do processo. Relembre os casos:
Governadores escolhidos em eleições diretas
Siqueira Campos – Eleições de 1988 (suplementar), 1994, 1998 e 2010.
Moisés Avelino – Eleição de 1990.
Marcelo Miranda – Eleições de 2002, 2006 e 2014.
Mauro Carlesse – Eleições de 2018 (suplementar e geral).
Governadores que assumiram sem eleição direta
Raimundo Boi – Era vice-governador e assumiu em 4 de abril de 1998 após a primeira renúncia de Siqueira Campos, ficou até o fim do ano.
Carlos Gaguim – Era presidente da Assembleia Legislativa e assumiu em 9 de setembro de 2009 após a primeira cassação de Marcelo Miranda.
Sandoval Cardoso – Era presidente da Assembleia Legislativa e assumiu em 4 de maio de 2014 após a segunda renúncia de Siqueira Campos, ficou até o fim do ano.
Mauro Carlesse – Era presidente da Assembleia Legislativa. Antes de ser eleito, assumiu o cargo de forma interina em 19 de abril de 2018 após a segunda cassação de Marcelo Miranda.
Wanderlei Barbosa – Era vice-governador e assumiu, de forma definitiva, em 11 de março de 2022, após Mauro Carlesse renunciar para escapar do processo de impeachment.
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Fonte: G1 Tocantins

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Postos de combustíveis são autuados no TO por aumento irregular nos preços da gasolina, diz Procon


Foram quatro autuações em Araguaína, quatro em Gurupi e uma em Colinas. Fiscalizações foram intensificadas após denúncias de motoristas. Postos de combustíveis foram autuados no Tocantins
Procon/Governo do Tocantins
Nove postos de combustíveis foram autuados nesta sexta-feira (11) em Araguaína, Gurupi e Colinas do Tocantins. Segundo o Órgão de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), os estabelecimentos aumentaram os preços da gasolina e diesel sem justificativa. As fiscalizações foram intensificadas após denúncias de motoristas.
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Os postos aumentaram os preços após a Petrobras anunciar alta de 18,8% do preço da gasolina e 24,9% no diesel, nas refinarias. O Procon explica que os estabelecimentos só podem repassar o reajuste após a compra de combustíveis novos.
Em Araguaína e Gurupi foram oito autuações ao longo do dia, sendo quatro em cada cidade. Nos dois municípios a irregularidade identificada foi a mesma: elevação indevida nos valores da gasolina. Já em Colinas do Tocantins a autuação foi ocasionada pelo aumento do preço do diesel.
Na última quinta-feira (10), quando houve corrida aos postos de Palmas e os condutores formaram filas quilométricas, a gerência de fiscalização do órgão autuou dois postos de combustíveis também por causa das elevações indevidas de preços.
Conforme o Procon, nenhum dos estabelecimentos tinham justificativas para fazer o reajuste. “Os fiscais estão nas ruas apurando as denúncias para garantir os direitos dos consumidores”, disse Walter Viana, superintendente do órgão no Tocantins.
Ele explica que consumidores que flagrarem irregularidades podem fazer denúncias por meio do Disque 151 ou Whats Denúncia (63) 99216-6840. A reclamação também pode ser formalizada, com comprovações, pelo site do Procon.
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Fonte: G1 Tocantins

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Vacinas contra a Covid-19 serão aplicadas em shopping e escola de Gurupi neste sábado (11)


Ação itinerante começa às 8h e só termina às 21h. Vacina contra a Covid são aplicadas em Gurupi
Divulgação/Prefeitura de Gurupi
Vacinas que protegem contra o coronavírus e gripe serão aplicadas, neste sábado (12), em uma escola e um shopping de Gurupi, no sul do estado. Segundo a Prefeitura, a ação itinerante começa às 8h e só termina às 21h.
Os imunizantes começam a ser aplicados na Escola Estadual Dr. Joaquim Pereira da Costa, no setor Sol Nascente. Os profissionais da saúde estarão na unidade entre 8h e 12h para vacinar crianças e adultos.
No período da tarde, a partir das 14h até as 21h, a equipe de vacinação vai atender moradores no Shopping Araguaia. Nos dois locais serão aplicadas doses dos imunizantes CoronaVac AstraZeneca, Janssen e Pfizer.
Para vacinar, basta comparecer aos pontos de vacina com os documentos pessoais, cartão de vacina e cartão do SUS. No caso de adolescentes, será necessário um responsável para assinar o termo de consentimento.
Crianças que tenham entre 6 e 11 anos deverão estar acompanhadas dos pais ou de um responsável maior de 18 anos. Também será necessário apresentar um documento de identificação da criança, CPF ou cartão SUS e cartão de vacina.
“Caso o acompanhamento da criança seja feito por terceiros, é necessário apresentar um documento que outorga a representação, dos pais ou responsáveis, devidamente preenchido e assinado”, informou a prefeitura.
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Fonte: G1 Tocantins

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Palmas terá vacinação contra Covid-19 durante o fim de semana; veja locais


Vacinação do público infantil também ocorrerá por demanda espontânea em USFs. Equipe vai vacinar público a partir dos 12 anos em shopping. Vacinas contra a Covid-19 são aplicadas em escolas públicas de Palmas
Raiza Milhomem/Prefeitura de Palmas
Palmas terá cronograma de vacinação durante este fim de semana. Haverá Unidades Básicas de Saúde (USF) abertas para atender exclusivamente as crianças e outras para o público a partir dos 12 anos. Neste sábado (12) a equipe do projeto Mais Saúde também estará em um shopping.
A Secretaria Municipal da Saúde (Semus) informou que a vacinação do público infantil também ocorrerá por demanda espontânea, ou seja, sem a necessidade de agendamento. Para todos os públicos, é necessário comparecer ao local com documentos pessoais (RG e CPF), cartão SUS e cartão de vacina.
No caso das crianças, na ausência do pai ou da mãe, é preciso levar ainda o termo de consentimento (disponível no site Vacina Já ou nas Unidades de Saúde). Se houver comorbidade é preciso apresentar laudo médico.
A Semus informa que as vacinas utilizadas para crianças são a Pfizer Pediátrica (tampa laranja) e a Coronavac, que é a mesma vacina para adultos e crianças.
Esquemas de vacinação
Os imunizantes da Covid-19 para primeira e segunda doses podem ser aplicados em adolescentes acima de 12 anos, com e sem comorbidade.
A dose de reforço está disponível para a população acima de 18 anos, ou adolescentes com mais de 12 anos que sejam imunossuprimidos. O reforço deve ser aplicado a partir do quarto mês de aplicação da segunda dose.
Para imunossuprimidos, o esquema vacinal é o seguinte: após 28 dias da aplicação da segunda dose, a pessoa recebe a adicional e, posteriormente, no intervalo de quatro meses, a dose de reforço.
Programação final de semana:
Sábado (11)
Público de 5 a 11 anos (13h às 17h)
USF 1.004 Sul
USF 405 Norte
USF José Hermes
Público com mais de 12 anos
USF Walterly Wagner (8h às 15h)
Centro de Referência de Assistência Social (Cras) Morada do Sol (8 às 13h)
Residencial Araras II (14h às 17h)
A equipe do ‘Mais Saúde’ vacina a população com mais de 12 anos no Capim Dourado Shopping, das 13h às 19h.
Domingo (12)
Feira do Jardim Aureny I, das 8h às 12h (público com mais de 12 anos)
Feira da 307 Norte, das 8h às 12h (público com mais de 12 anos)
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Fonte: G1 Tocantins

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Situação de Carlesse continua incerta mesmo após a renúncia; entenda


Governador ainda enfrenta processo na Justiça e pode ter que enfrentar batalha judicial se quiser se candidatar nas eleições de outubro. Mauro Carlesse, ex-governador do Tocantins, continua respondendo processos na Justiça
Divulgação/Governo do Tocantins
A renúncia de Mauro Carlesse (PSL) do cargo de governador do Tocantins fez com que ele se livrasse do processo de impeachment que estava em andamento na Assembleia Legislativa. Como não ocupa mais a função que poderia perder no processo, houve o que é chamado no mundo jurídico de ‘perda do objeto’: o impeachment deixou de ter razão para existir. Apesar disso, os problemas do agora ex-governador ainda estão longe de terminar.
A investigação da Polícia Federal
A questão mais imediata é o que vai acontecer com o processo contra ele no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A ação em que ele é acusado de receber propina e interferir politicamente na Polícia Civil estava no STJ porque a Corte Especial deste tribunal é responsável por julgar governadores. Com Carlesse fora deste cargo, ele deixa de ter a prerrogativa de foro e o processo deve mudar de mãos.
Em nota, o STJ disse que “a análise quando ao deslocamento de foro, se for o caso, será feita no momento processual próprio, pelo relator, que poderá ainda levar a questão ao colegiado”.
O inquérito relacionado às investigações é da Polícia Federal e continua em andamento. Para investigações da PF, a primeira instância do Poder Judiciário é a Justiça Federal de cada estado. A segunda são os Tribunais Regionais Federais (TRFs). No caso do Tocantins, o TRF responsável é o da 1ª Região, que tem sede em Brasília (DF).
O STJ é apenas a terceira instância e os casos ainda podem subir ao Supremo Tribunal Federal (STF) antes das decisões definitivas.
Se o caso realmente mudar de mãos, o novo magistrado responsável poderá rever as decisões já tomadas e determinar medidas que considerar mais adequadas. Até lá, a investigação continua normalmente.
Ele pode se candidatar para outubro?
Uma das grandes perguntas sobre a renúncia do governador é como fica a situação eleitoral dele. Carlesse renunciou antes do prazo para que candidatos que estão em cargos no Poder Executivo deixem as funções caso queiram disputar cadeiras no legislativo. Antes de ser afastado em outubro de 2021, o nome de Mauro Carlesse era citado como um possível candidato ao Senado para as eleições de outubro deste ano.
Além do cargo de senador, Carlesse poderia ainda disputar nas eleições um cargo de deputado federal ou estadual. O problema é que a renúncia em meio a um processo de impeachment pode significar inelegibilidade.
A lei federal que regula casos de inelegibilidade diz o seguinte:
“O Presidente da República, o Governador de Estado e do Distrito Federal, o Prefeito, os membros do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas, da Câmara Legislativa, das Câmaras Municipais, que renunciarem a seus mandatos desde o oferecimento de representação ou petição capaz de autorizar a abertura de processo por infringência a dispositivo da Constituição Federal, da Constituição Estadual, da Lei Orgânica do Distrito Federal ou da Lei Orgânica do Município, para as eleições que se realizarem durante o período remanescente do mandato para o qual foram eleitos e nos 8 (oito) anos subsequentes ao término da legislatura”.
Na interpretação do jurista Leandro Manzano, que é membro da Academia Brasileira de Direito Eleitoral e da Comissão de Direito Eleitoral da OAB/TO, este trecho se aplica ao caso de Carlesse. “Basta a renúncia do cargo eletivo em momento posterior ao oferecimento de qualquer petição apta a gerar abertura de processo político-administrativo de perda de mandato”.
O advogado de Carlesse, Juvenal Klayber, foi procurado para comentar, mas disse não achar o momento oportuno para discutir o tema. Ele afirmou que esta questão será definida pela Justiça Eleitoral se o ex-governador decidir se candidatar e caso haja qualquer questionamento.
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Fonte: G1 Tocantins

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Iury Italu é condenado a dez anos de prisão pela morte de Patrícia e pena será cumprida no semiaberto


Jurados desconsideraram quatro qualificadoras e acusação de feminicídio. Ele estava preso desde 2018 e esse tempo foi descontado da pena estabelecida pelo juiz da 1ª Vara Criminal. Iury Italu Mendanha foi condenador por matar Patrícia Aline dos Santos
Divulgação/Polícia Civil
O Tribunal do Júri condenou Iury Italu Mendanha a dez anos de prisão pelo assassinato qualificado da ex-namorada Patrícia Aline dos Santos. Como ele está preso desde 2018, quando o crime aconteceu, poderá cumprir o restante da pena no regime semiaberto. O Ministério Público informou que vai recorrer da sentença.
Iury Italu tinha sido denunciado pelo MPE por cinco qualificadoras, além de feminicídio, mas acabou sendo condenado por apenas uma delas: uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Até mesmo a acusação de feminicídio foi desconsiderada pelos jurados.
O júri também entendeu que ele se enquadra no chamado “homicídio privilegiado”, que conforme a lei penal ocorre quando o crime é praticado por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima.
O advogado de defesa Paulo Roberto viu o resultado como satisfatório.
“Nós pedimos a condenação dele em uma pena menor e fomos atendidos. A tese do Ministério Público era que ele fosse condenado com as cinco qualificadoras e mais o feminicídio. O júri não entendeu assim, reconheceu que ele cometeu o crime por homicídio privilegiado e diminuiu a pena. Reconheceu que ele não cometeu feminicídio. A defesa não pretende recorrer”, disse.
Após a decisão dos jurados, o juiz Cledson José Dias Nunes, titular da 1ª Vara Criminal, calculou a pena em dez anos de prisão, mas como Iury Italu estava preso desde 2018 também foi beneficiado pela chamada ‘detração da pena’. Isso significa que o tempo que ele já cumpriu é abatido e desta forma restam menos de oito anos de prisão, tempo que pode ser cumprido no semiaberto.
O crime
Patrícia Aline dos Santos foi encontrada morta em matagal na zona norte de Palmas (TO)
Arquivo Pessoal
O assassinato de Patrícia Aline aconteceu em agosto de 2018. O corpo da jovem foi localizado em um terreno baldio perto de um shopping na região norte da capital. O caso ganhou repercussão em todo o país. Na época, o delegado Israel Andrade disse que a jovem Patrícia Aline dos Santos relatou por meio de mensagens que estava com mau pressentimento, um dia antes de ser assassinada.
“Inclusive, um dia antes de morrer, em uma das mensagens, ela diz: ‘Amiga, eu estou com um mau pressentimento, eu acho que o Iury vai me matar’. A amiga falou para ela procurar a polícia, ela não quis, falou que não queria que chegasse a esse ponto, que iria deixar”, relatou o delegado.
Iury Italu confessou o crime, tanto em um vídeo divulgado pela Polícia Civil do Tocantins como durante o interrogatório perante o juiz na audiência de instrução.
Após o crime, ele ficou escondido durante algum tempo no Maranhão, mas que mudou de ideia e decidiu se entregar. Na época, ele disse que quando foi preso pela Polícia Civil em Campos Lindos, no interior do estado, estava retornando a Palmas para se apresentar.
Durante o interrogatório na audiência de instrução, Iury Italu disse que não tinha planejado o crime, mas que se descontrolou após Patrícia mostrar uma foto que comprovava uma traição.
Adiamentos em sequência
O julgamento de Iury foi adiado por cinco vezes. O Júri Popular chegou a ser marcado para novembro de 2020, mas acabou sendo adiado devido à pandemia de coronavírus. Meses depois, o processo foi suspenso e a defesa pediu anulação, alegando suposta falta de acesso a trechos do inquérito policial. O pedido não foi aceito pela Justiça.
Em 2021, o julgamento seria realizado em agosto, mas foi remarcado outra vez para o dia 16 de novembro. Só que acabou sendo adiado novamente porque no mesmo dia foi realizada a eleição para presidência da Ordem dos Advogados do Brasil.
No dia 29 de novembro, houve outro adiamento porque o advogado de defesa apresentou atestado médico justificando a impossibilidade de comparecer à sessão do Tribunal do Júri.
No começo de fevereiro deste ano, um novo adiamento. Desta vez, porque o promotor do caso foi diagnosticado com Covid-19 e não poderia participar.
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Fonte: G1 Tocantins

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Como Carlesse foi de governador ‘por acaso’ ao político que renunciou em meio a um processo de impeachment


Governador assumiu o Palácio Araguaia após antecessor, Marcelo Miranda, ser cassado pela Justiça Eleitoral. Gestão foi marcada por polêmicas com a Polícia Civil e por operações em série que abalaram a estrutura do governo. Mauro Carlesse renunciou ao cargo de governador do Tocantins
Divulgação/Governo do Tocantins
Mauro Carlesse (PSL) é o primeiro governador da história do Tocantins a renunciar em meio a um processo de impeachment. A decisão é o reflexo mais recente do terremoto político gerado pela decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de afastá-lo temporariamente do governo no ano passado por causa de investigações da Polícia Federal.
Este episódio representa nova reviravolta dentro de uma trajetória política meteórica e que desde o começo foi cercada de polêmicas. Carlesse assumiu o Poder Executivo do Tocantins de forma inesperada em 2018, sem nunca ter sequer sido cogitado como pré-candidato ao Palácio Araguaia.
Ele era presidente da Assembleia Legislativa e acabou na cadeira de governador porque Marcelo Miranda (MDB) e Cláudia Lelis (PV), então governador e vice, foram cassados por decisão do Tribunal Superior Eleitoral. Os dois foram condenados por uso de caixa dois na campanha de 2014.
Nesta reportagem você vai ver:
Quem é Mauro Carlesse
Como ele chegou ao governo
Como foi a gestão dele
Qual foi a reação de Carlesse ao afastamento e ao impeachment
Mauro Carlesse comemora vitória eleitoral em Gurupi
Divulgação/Márcio Vieira
Após a cassação, Carlesse assumiu o mandato de forma interina e conseguiu se manter no cargo vencendo a eleição suplementar. Ele teve apoio de políticos conhecidos como o ex-governador Siqueira Campos.
Enquanto esteve no comando do Executivo, construiu uma base ampla na Assembleia Legislativa e conseguiu aprovar com facilidade quase todos os projetos que considerou prioritários.
Essa situação mudou radicalmente no dia 20 de outubro de 2021. Foi quando a Polícia Federal bateu na porta do apartamento de Carlesse, na orla da Praia da Graciosa, e o informou que por ordem do STJ não poderia sequer entrar no Palácio Araguaia pelos próximos seis meses. Quase instantaneamente, a lista de aliados do governador evaporou.
Quem é Mauro Carlesse?
Carlesse nasceu em Terra Boa (PR) e no Tocantins atuou como empresário e agropecuarista antes de entrar na política. Em 2021 se filiou ao Partido Verde (PV) e foi candidato a prefeito em Gurupi nas eleições de 2012, mas acabou derrotado. No ano seguinte, filiou-se ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e venceu as eleições de 2014 para deputado estadual.
Mauro Carlesse mostrando o gabinete onde ficou preso enquanto era deputado
Reprodução/TV Anhanguera
Enquanto exercia o mandato mudou de partido novamente para o PHS. Logo no ano seguinte, em 2015, a primeira grande polêmica. Carlesse ficou preso no departamento de assessoria militar da Assembleia Legislativa. A prisão foi decretada por causa de um processo de pagamento de pensão alimentícia contra o parlamentar. Na época, o advogado dele disse que houve uma divergência nos valores defendidos pelas partes.
Como ele chegou ao governo?
Mesmo com a confusão da prisão, em julho de 2016 Carlesse foi eleito presidente da AL pelos demais deputados. Pela constituição do Tocantins, quem comanda o poder legislativo fica em terceiro na linha de sucessão do governo, após o governador e o vice. Ele acabou assumindo o Palácio Araguaia com a cassação de Miranda e Lelis em 2018.
Os dois foram condenados por caixa dois nas eleições de 2014, o que levou o então deputado ao cargo de governador interino. Ele concorreu em duas eleições naquele mesmo ano, uma suplementar e uma geral, e venceu as duas. Na época, teve apoio de políticos conhecidos.
Como foi o governo dele?
Carlesse comandou o Tocantins numa época em que o país esteve mergulhado numa crise econômica cuja principal característica foi o desemprego em alta. Na segunda metade do mandato, ainda lidou com as consequências de uma pandemia que matou mais de quatro mil tocantinenses até agora.
Governador Mauro Carlesse e vice Wanderlei Barbosa no dia em que tomaram posse para o segundo mandato
Ezequias Araújo/Secom
A gestão dele acumulou algumas conquistas e também várias polêmicas. Entre os destaques positivos está o reenquadramento das contas na Lei de Responsabilidade Fiscal, que possibilita investimentos no longo prazo. Houve ainda a realização de concursos e ações para dar andamento a obras de grande porte, como o Hospital Geral de Gurupi e a nova ponte sobre o rio Tocantins em Porto Nacional.
Entre os episódios mais negativos está a relação do governador com a Polícia Civil. Em diversas ocasiões integrantes do alto escalão da gestão Carlesse foram alvo de investigação. Entre as suspeitas: desvio de dinheiro em obras e uso de funcionários fantasmas.
O governador mudou uma série de regras no funcionamento da polícia e são estas mudanças que geraram a acusação de que ele interferiu politicamente nas investigações que agora ajudaram a afastá-lo. O decreto conhecido como ‘lei da mordaça’ foi o episódio mais emblemático.
Polícia Civil quando cumpriu mandados no Palácio Araguaia
Ana Paula Rehbein / TV Anhanguera
Ao longo do governo, operações da própria Polícia Civil e também da PF acabaram abalando a estrutura do governo. Entre as suspeitas, uso de funcionários fantasmas, desvios em obras públicas e crimes eleitorais.
Logo antes de ser afastado o governador enfrentava ainda o desgaste de decisões impopulares e projetos controversos. A concessão do Parque Estadual do Jalapão para a iniciativa privada, uma meta prioritária de Carlesse, era o assunto do momento até ele ser afastado. O projeto acabou enterrado pelo governador em exercício, Wanderlei Barbosa, que não quis assumir o peso da polêmica logo nos primeiros dias de governo.
Reação ao afastamento
O estilo de governar de Carlesse acabou refletindo na postura dele durante o afastamento. Como candidato e também como governador, Carlesse sempre foi avesso a aparições na mídia. Nas eleições de que participou fugiu de entrevistas e debates.
Enquanto esteve no cargo, foram poucas as vezes em que respondeu diretamente a perguntas de jornalistas e quase sempre em situações em que foi questionado durante eventos públicos. As ações de governo costumavam ser divulgadas por meio de notas, comunicados ou entrevistas coletivas realizadas por integrantes da equipe dele.
Também foi em silêncio que ele reagiu ao processo no STJ e ao impeachment.
Desde que as denúncias vieram à tona, Carlesse divulgou apenas um vídeo curto, de pouco mais de um minuto, em que disse ser inocente. Também ficou calado e sem fazer aparições públicas enquanto o processo de impeachment era articulado nos corredores da Assembleia. Agora, após renunciar, novamente divulgou um vídeo gravado, desta vez afirmando que chegou ao próprio limite.
Mauro Carlesse divulga vídeo após renunciar
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Fonte: G1 Tocantins

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Mauro Carlesse se pronuncia nas redes sociais após renúncia: ‘Cheguei no limite’


Renúncia ao governo foi protocolada na Assembleia Legislativa antes da segunda sessão que votaria prosseguimento de impeachment. Ele estava afastado do cargo desde outubro de 2021. Mauro Carlesse divulga vídeo após renunciar
Mauro Carlesse publicou um vídeo nas redes sociais explicando os motivos que o levaram a renunciar ao cargo na tarde desta sexta-feira (11). O pedido foi protocolado na Assembleia Legislativa horas antes da segunda sessão que votaria o prosseguimento do processo de impeachment contra ele por crime de responsabilidade. Na mensagem o agora ex-governador afirma que chegou ao “limite do que é suportável ao ser humano” e por isso resolveu desistir do mandato para se defender nos tribunais.
Carlesse estava fora do cargo desde outubro de 2021, quando foi alvo de duas operações da Polícia Federal e afastado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). As denúncias levaram ao início do rito de impeachment na Assembleia, cujo parecer foi aprovado por unanimidade nesta quinta-feira (10).
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Sem citar nomes, Carlesse disse que vai se retirar do governo porque “cheguei no limite, no limite que é insuportável ao ser humano aguentar tanta mentira, tanta bagunça como eles estão fazendo na minha vida”. (Confira a transcrição completa do pronunciamento abaixo)
Ele agradeceu à comunidade e aos servidores do estado e afirmou que a “história vai dizer o que foi feito para o bem do estado”. Por fim, explicou que a renúncia é para que possa se defender e provar sua inocência.
“Peço a compreensão dos senhores pela decisão que tomei para poder me defender e ter oportunidade de provar que tudo isso que fizeram simplesmente foi político, política porque eles não querem o estado melhor.”
Carlesse divulgou vídeo nas redes sociais
Reprodução
Desde outubro de 2021, quando Carlesse foi afastado pelo STJ, o governo do Tocantins é exercido pelo vice-governador, Wanderlei Barbosa (Sem partido). Com a renúncia, Wanderlei deixa de ser o governador em exercício e se torna titular do cargo. A posse dele será realizada na noite desta sexta-feira (11) na Assembleia Legislativa.
Desde que assumiu, Wanderlei rompeu a relação com Carlesse e realizou uma reforma administrativa no primeiro escalão que levou à troca de praticamente todo o secretariado. Ele também herdou a base de apoio que Carlesse tinha na Assembleia Legislativa. No começo da semana, 21 dos 24 deputados estaduais assinaram um manifesto de apoio a Wanderlei.
Confira pronunciamento de Carlesse na íntegra:
Amigos e amigas vocês têm acompanhado as redes sociais, vocês têm ouvido muitas matérias de todas as formas, mas eu quero dizer aos senhores: quando eu fui eleito em 2018, eu enfrentei todos estes adversários, todos eles, essa velha guarda, essa velha política e ganhei nos votos, mas eles não se contentaram pelo trabalho que eu fiz dentro do estado em todas as áreas.
Nós melhoramos a saúde, educação, a infraestrutura, segurança pública. Melhoramos a credibilidade do Estado, a confiança do Estado perante os órgãos financeiros, mas mesmo assim, para eles, é muito ruim. Quanto mais pior o Estado é melhor para eles. De qualquer forma, para mim, cheguei no limite, no limite que é insuportável ao ser humano aguentar tanta mentira, tanta bagunça como eles estão fazendo na minha vida. Estou me retirando do governo para que eles continuem esse governo e o Estado não se prejudique mais do que está.
De qualquer maneira eu quero agradecer toda a comunidade, todos os servidores do estado. Eu fiz o meu melhor, fiz aquilo o que tinha que ser feito para poder fazer do Estado, um Estado digno, com credibilidade, um Estado com a lei de responsabilidade equilibrada, com recurso no caixa, mas infelizmente sofri uma ação indevida do qual eu vou me defender e provar que eu não devo e não fiz nada de errado. A história vai dizer o que foi feito para o bem do estado.
Ficou tão difícil, tão insuportável. Peço a compreensão dos senhores pela decisão que tomei para poder me defender e ter oportunidade de provar que tudo isso que fizeram simplesmente foi político, política porque eles não querem o estado melhor. Eles querem o estado cada vez pior porque assim é melhor para essa velha política do estado do Tocantins. Peço desculpa aos senhores, agradeço pela confiança que depositaram em mim e honrei cada voto, cada cidadão no período que eu estava à frente do governo. Mais uma vez muito obrigado e um beijo no coração de vocês.
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Fonte: G1 Tocantins

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Repercussão da renúncia de Mauro Carlesse e posse de Wanderlei Barbosa


Governador afastado decidiu renunciar em meio a um processo de impeachment e por isso vice tomará posse como novo governador Repercussão da renúncia de Mauro Carlesse e posse de Wanderlei Barbosa Governador afastado decidiu renunciar em meio a um processo de impeachment e por isso vice tomará posse como novo governador

Fonte: G1 Tocantins

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Wanderlei Barbosa tomará posse como titular do governo após renúncia de Carlesse


Mauro Carlesse renunciou horas antes da segunda sessão que votaria prosseguimento do processo de impeachment contra ele. Posse de Wanderlei está marcada para às 19h na Assembleia Legislativa. Wanderlei Barbosa (Esq.) e Mauro Carlesse eram aliados políticos antes do afastamento
Washington Luiz/Governo do Tocantins
A posse definitiva de Wanderlei Barbosa (Sem partido) como governador do Tocantins foi marcada para a noite desta sexta-feira (11), a partir das 19h, no plenário da Assembleia Legislativa. O anúncio foi feito minutos após o governador afastado, Mauro Carlesse (PSL), protocolar o pedido de renúncia na AL.
Wanderlei estava ocupando o cargo desde outubro de 2021, quando Carlesse foi afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com a renúncia, o governador interino passa se torar titular até o fim do mandato.
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Veja quais eram as acusações contra Mauro Carlesse no processo de impeachment
A renúncia de Mauro Carlesse ocorre horas antes da segunda sessão que votaria o prosseguimento do rito de impeachment. Nesta quinta-feira (10), os deputados aprovaram por unanimidade o parecer da comissão especial e o decreto legislativo que autorizava o processo por crime de responsabilidade.
Com a renúncia, o impeachment não deve continuar. Isso porque nesta situação há a chamada ‘perda de objeto’, uma vez que ele não está mais no cargo que poderia perder.
As acusações contra Mauro Carlesse na AL são baseadas na decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que o afastou do cargo. As investigações são da Polícia Federal e apontam participação dele em um esquema de recebimento de propinas e também interferência política na Polícia Civil.
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Fonte: G1 Tocantins