Mulher tinha sofrido abordo e precisou passar por procedimento de urgência. Ela relata que deixou aliança de casamento, anel e relógio dentro de bolsa, mas não encontrou objetos no dia seguinte. Foto mostra que mulher estava com objetos quando chegou ao hospital
Arquivo pessoal
A manicure Keldynna Pereira Sobrinho, de 32 anos, procurou a Polícia Civil para denunciar que foi alvo de um furto enquanto estava internada no Hospital Regional de Guaraí, na região central do estado. Além da perda sentimental ela conta que teve um prejuízo de aproximadamente R$ 4 mil após ter a aliança de casamento, um anel e um relógio furtados da bolsa, enquanto passava por um procedimento cirúrgico.
O furto aconteceu no dia 19 de agosto, quando ela sofreu um aborto espontâneo e precisou ser internada no hospital para fazer um procedimento chamado curetagem. Ela relata que primeiro fez uma consulta no posto de saúde de Brasilândia do Tocantins, onde vive, e foi encaminhada para o Regional de Guaraí.
“Não sabia que ia ter que ir para o centro cirúrgico. Como eu não sabia eu fui, achei que era uma consulta de rotina, que ia tomar um medicamento, mas quando chegou lá fiz outro ultrassom e disseram que precisaria fazer uma curetagem. Se soubesse não tinha levado minhas joias”, relatou.
Os objetos tinham sido deixados dentro da bolsa, envolvidos por uma luva cirúrgica. A manicure acredita que o furto tenha ocorrido enquanto ela passava pelo procedimento, mas só foi perceber no dia seguinte, quando teve condições de levantar por conta própria para tomar banho e resolveu olhar a bolsa.
“Prejuízo sentimental é grande, assim como o financeiro. Além de eu ter perdido o filho, eu tive que passar por esse constrangimento dentro do hospital”, lamentou.
Hospital Regional de Guaraí
Divulgação
A Polícia Militar foi chamada para registrar o fato e um escrivão da Polícia Civil foi ao hospital para colher o depoimento e buscar as imagens da câmera de segurança da unidade.
A Secretaria de Segurança Pública afirmou, em nota, que o caso “foi registrado na Polícia Civil e está sendo investigado pela 47ª DP de Guaraí. No momento não temos mais informações sobre o caso”.
O G1 pediu um posicionamento da Secretaria de Estado da Saúde (SES) sobre o caso e aguarda uma resposta. O estado também foi questionado sobre a contratação de seguranças para os hospitais públicos.
Insegurança nos hospitais
A falta de segurança nos hospitais estaduais é uma demanda antiga no Tocantins. Em 2014 já existiam reclamações quanto à insegurança no Hospital Regional de Gurupi, no sul do estado. Desde então, furtos, assaltos e até fugas de pacientes têm sido frequentes em diversas unidades.
A falta de segurança também ameaça a vida dos servidores. Em setembro de 2020, uma funcionária do Hospital Materno Infantil Tia Dedé, em Porto Nacional, teve o celular roubado e foi agredida por um criminoso durante a madrugada. A mulher estava grávida
Também em Porto Nacional, uma enfermeira foi agredida com golpe de capacete na cabeça pela irmã de uma paciente e precisou ser hospitalizada. No mesmo mês, um paciente foi executado a tiros dentro da unidade.
Em 2020 o governo do Tocantins tentou contratar uma empresa para prestar o serviço de segurança nas unidades hospitalares dispensando a licitação. O Tribunal de Contas Estadual barrou a contratação e afirmou que a gestão teve tempo suficiente para realizar o processo licitatório.
Em janeiro deste ano o estado voltou a prometer contração de seguranças, mas a licitação foi suspensa em fevereiro sem um novo prazo.
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Fonte: G1 Tocantins