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Golden Globes Tribute Gala: 1ª edição do evento reúne 350 convidados e homenagens a brasileiros no Copacabana Palace


Fernanda Montenegro, Antonio Pitanga, Valentina Herszage e Adolpho Veloso serão homenageados em evento do Globo de Ouro no Rop
Bob Wolfenson/Divulgação
Os atores Fernanda Montenegro, Antonio Pitanga, Valentina Herszage e o diretor de fotografia Adolpho Veloso serão os homenageados no primeiro Golden Globes Tribute Gala Brazil, que acontecerá nesta quarta-feira (18), no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro (saiba tudo sobre a transmissão).
Esse é o primeiro evento do Golden Globes desse tipo no Brasil e tem o objetivo de reforçar o compromisso da organização em reconhecer a excelência criativa em um palco global.
A festa terá 350 convidados, entre atores, diretores, produtores, executivos da indústria, líderes de grandes marcas investidoras do cinema, além de artistas e personalidades culturais de relevância no cenário nacional e internacional.
Os atores Bruna Marquezine e Lázaro Ramos serão os apresentadores.
Os homenageados
Fernanda Montenegro será homenageada com a maior honraria da cerimônia, o Golden Globes Apogeu Award, que é dado anualmente a um(a) artista cujos trabalhos tenham gerado um impacto duradouro no cinema e na televisão.
Indicada ao Globo de Ouro de 1999, por sua atuação em Central do Brasil, que ganhou o prêmio de Melhor Filme em Língua Estrangeira, Fernanda também foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz no mesmo ano.
O reconhecimento internacional de Fernanda Montenegro após “Central do Brasil”
O prêmio foi dado a Gwynneth Paltrow por sua atuação em “Shakespeare Apaixonado”. Fernanda também se destacou em “Ainda Estou Aqui”, primeiro filme brasileiro a ganhar um Oscar de Melhor Filme Internacional, em 2025.
O ator e diretor Antonio Pitanga também será premiado com o Golden Globes Apogeu Award. Figura central do movimento do Cinema Novo brasileiro, Pitanga participou de mais de 50 filmes, incluindo “Barravento” e “Ganga Zumba”, ele também de destacou no teatro e na TV.
Ao longo de sua carreira, o artista se destacou como uma das figuras mais respeitadas e influentes da história do cinema brasileiro.
Valentina Herszage receberá o Golden Globes Ascensão Award, em reconhecimento à sua ascensão no cinema e na televisão.
Após receber aclamação da crítica por seu papel em “Mate-me, por favor” (2015), ela consolidou ainda mais sua trajetória interpretando uma das filhas de Eunice Paiva (Fernanda Torres), em “Ainda estou aqui”.
Além do Oscar, o filme de Walter Salles venceu o Globo de Ouro de Melhor Atriz de Drama de 2025 para Torres, além de ter sido indicado na categoria de Melhor Filme em Língua Não-Inglesa.
Adolpho Veloso, diretor de fotografia indicado por ‘Sonhos de trem’, chega ao Oscar 2026
Daniel Cole/Reuters
Adolpho Veloso também será contemplado com o Golden Globes Ascensão Award. Indicado ao 98º Oscar de Melhor Fotografia por “Sonhos de Trem”, Adolpho fez história como o primeiro brasileiro a ser indicado na categoria.
O Golden Globes Tribute Awards marca o início de uma nova etapa da presença internacional do Golden Globes e acontece por meio da parceria entre o Golden Globes, a Urland Ventures e a Prefeitura do Rio de Janeiro.
Fernanda Montenegro no Globo de Ouro de 1999 e Fernanda Torres na premiação de 2025
Reprodução/Youtube
O Rio de Janeiro foi escolhido pela organização do Globo de Ouro como sede estratégica na América Latina. Após criteriosa análise de possíveis cidades-sede internacionais, o Golden Globes escolheu o Rio por sua força cultural, patrimônio artístico e papel central no ecossistema criativo da região, reforçando a vocação da cidade como capital cultural e porta de entrada do audiovisual latino-americano.
O evento acontece em um momento especialmente simbólico para o cinema nacional, que volta a ocupar o centro das atenções internacionais com produções como “Ainda Estou Aqui”, e “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho.
As duas produções se destacaram pelas vitórias de Fernanda Torres na categoria de Melhor Atriz em Filme – Drama, em 2025, e de Wagner Moura a Melhor Ator em Filme – Drama, em 2026.
A cerimônia vai oficializar o Brasil como um dos países que farão parte do circuito internacional da premiação, ampliando o diálogo entre o audiovisual brasileiro e os principais centros globais da indústria, ao mesmo tempo em que projeta o Rio de Janeiro como um dos polos estratégicos dessa nova fase do Golden Globes.
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Fonte: G1 Entretenimento

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Capital Inicial celebra Renato Russo no Rock in Rio 2026, 30 anos após a morte do cantor, durante turnê ‘Música urbana’


Com Dado Villa-Lobos como convidado, Capital Inicial presta tributo a Renato Russo (1960 – 1996) no 11º show do grupo no Rock in Rio
Divulgação
♫ ANÁLISE
♬ Renato Russo (27 de março de 1960 – 11 de outubro de 1996) continua tão presente no universo pop brasileiro que, por vezes, parece incrível que a morte do artista completa 30 anos em 2026. Mas já faz três décadas que Renato saiu de cena.
Grupo brasiliense formado a partir do fim da primeira banda do cantor e compositor, Aborto Elétrico, Capital Inicial celebrará o legado de Renato Russo em show programado para 4 de setembro no Palco Sunset do Rock in Rio 2026.
O tributo do quarteto a Renato no festival juntará Dinho Ouro Preto (voz), Fê Lemos (bateria), Flávio Lemos (baixo) e Yves Passarell (guitarra) com o convidado Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana, banda que deu projeção nacional a Renato Russo a partir de 1985.
O show do Capital Inicial no Rock in Rio 2026 acontecerá em meio à turnê “Música urbana”, que começa em 25 de abril pela cidade natal do grupo, Brasília (DF), e tem datas até novembro.
Cabe lembrar que Renato Russo é nome recorrente nos créditos do repertório do Capital. Músicas como “Fátima” (1986), “Música urbana” (1986), “Veraneio vascaína” (1986), “Ficção científica” (1988) e “Belos e malditos” (1990) chegaram ao disco na voz de Dinho Ouro Preto.
O Capital Inicial sempre seguiu por trilho mais pop, mas nunca renegou a origem do grupo formado no universo punk de Brasília (DF), tendo inclusive feito em 2005 um registro audiovisual de show com o repertório da banda Aborto Elétrico. Daí que o set em tributo a Renato Russo no show do grupo no Rock in Rio 2026 fará sentido para quem conhece a trajetória do Capital Inicial.

Fonte: G1 Entretenimento

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Luísa Sonza usa sample de MC que foi criticado por apologia ao estupro em letra; entenda


Luisa Sonza se apresenta no Bloco dos Gêmeos Beagá
Divulgação / Luísa Sonza
Luísa Sonza lançou nesta terça-feira (17) “Telefone”, o primeiro single do seu novo álbum, “Brutal Paraíso”.
A música utiliza o sample de “Desbloqueia A Tela”, canção de MC Denny. O trecho usado por Sonza também ficou conhecido por viralizar com a canção, “Oh Novinha”, de MC Don Juan.
No final de 2017, o mesmo MC Denny foi criticado pela letra da música “Vai Faz a Fila”, apontada como apologia ao estupro.
Parte da letra diz: Vou socar na sua b* sem parar / E se você pedir pra eu parar, não vou parar / Porque você quem escolhe vir pra base transar.
O cantor MC Denny
Reprodução/Deezer
Após críticas, a música foi deletada das plataformas de steraming, junto com o videoclipe no YouTube.
À época, “Vai Faz a Fila” foi uma das músicas de funk criticadas por apologia ao estupro. Outra canção que levantou o debate público foi “Surubinha de Leve”, do MC Diguinho.
O novo álbum de Sonza tem lançamento previsto para o dia 7 de abril. Nas últimas semanas, viralizaram nas redes sociais vídeos da cantora divulgando seu futuro trabalho nas ruas de São Paulo.

Fonte: G1 Entretenimento

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Rock in Rio 2026 anuncia Machine Gun Kelly, Rise Against, The Hives e outras atrações


Machine Gun Kelly se apresenta no Lollapalooza 2022
Marcelo Brandt/g1
Machine Gun Kelly, Sepultura, Rise Against e The Hives são algumas das novas atrações anunciadas pela organização do Rock in Rio 2026, nesta terça-feira (17).
A edição deste ano acontece nos dias 4, 5, 6, 7 e 11, 12 e 13 de setembro deste ano, no Parque Olímpico, no Rio de Janeiro (RJ). O lineup completo do festival ainda não foi revelado.
Rise Against, The Hives, Nova Twins, Detonautas, Capital Inicial e Hot Milk se apresentam no dia 4, que tem Foo Fighters como headliners.
Já Machine Gun Kelly (também conhecido como mgk), Sepultura, Bad Omens, Black Pantera, Poppy e Malvada fazem shows no dia 5, antes do Avenged Sevenfold.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Veja a seguir todas as atrações já anunciadas:
Dia 4
Foo Fighters (Palco Mundo) – headliner
Rise Against
The Hives
Nova Twins
Detonautas convidam Biquini e Di Ferrero
Capital Inicial convida Dado Villa-Lobos
Hot Milk
Dia 5
Avenged Sevenfold (Palco Mundo) – headliner
Bring Me The Horizon (Palco Mundo)
Machine Gun Kelly
Sepultura
Bad Omens
Black Pantera convida Nervosa
Poppy
Malvada convida Day Limns
Dia 7
Elton John (Palco Mundo) – headliner
Gilberto Gil (Palco Mundo)
Jon Batiste (Palco Mundo)
Fatboy Slim (New Dance Order)
Laufey (Palco Sunset)
Luísa Sonza convida Roberto Menescal (Palco Mundo)
Péricles canta Motown (Palco Sunset)
Roupa Nova convida Guilherme Arantes (Palco Sunset)
Dia 11
Stray Kids (Palco Mundo) – headliner
Jamiroquai (Sunset)
Dia 12
Maroon 5 (Palco Mundo) – headliner
Demi Lovato (Palco Mundo)
Mumford & Sons (Palco Sunset)
João Gomes ao lado da Orquestra Brasileira (Palco Sunset)

Fonte: G1 Entretenimento

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Oscar 2026 tem a menor audiência desde 2022 nos EUA


Oscar 2026: ‘Uma batalha após a outra’ domina e Brasil sai sem prêmios
A cerimônia do Oscar 2026 teve a menor audiência desde nos Estados Unidos desde 2022, segundo a revista “Variety”. A festa, que premiou “Uma batalha após a outra” como melhor filme, foi vista por cerca de 17,9 milhões de pessoas — uma queda de 9% em relação a 2025.
Elenco de “Uma batalha após a outra” celebra conquista de Melhor Filme no Oscar 2026
REUTERS/Mike Blake

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Corrida dos Bichos’, filme com Anitta e Rodrigo Santoro, ganha trailer; assista


Grazi Massafera e Rodrigo Santor no filme ‘Corrida dos Bc
Divulgação/Amazon Prime
Foi divulgado nesta terça-feira (17) o trailer de “Corrida dos Bichos”, filme que conta com estrelas como Anitta, Ísis Valverde, Bruno Gagliasso e Rodrigo Santoro no elenco.
A direção é dividida entre Fernando Meirelles (“Cidade de Deus”), Ernesto Solis (“Perdido”) e Rodrigo Pesavento (“Pico da Neblina”).
Ainda não há previsão de estreia ou se o filme será exibido nos cinemas ou irá direto para a plataforma de streaming Amazon Prime.
Segundo a sinopse, o filme é ambientado num Rio de Janeiro distópico. “Um evento ambiental catastrófico remodelou a região: a maré subiu e destruiu tudo em seu caminho. No rastro da devastação, o mar recuou, os bairros de classe média tornaram-se zonas ocupadas e a Mata Atlântica retomou vastas porções do território urbano”.
Assista ao trailer de ‘Corrida dos bichos’
Na história distópica, Anitta interpreta uma celebridade que ficou famosa por narrar e apresentar as corridas do título. Nelas, pessoas ricas apostam em competidores pobres que disputam um prêmio milionário.
O filme foi exibido nesta terça-feira no festival South by Southwest, nos EUA. Estiveram no evento Rodrigo Santoro e Ísis Valverde.

Fonte: G1 Entretenimento

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Alice Caymmi expande a roda do avô Dorival ao ir além do samba em álbum somente com músicas do compositor


Alice Caymmi lança o álbum ‘Caymmi’ no início de abril com músicas como ‘Acalanto’ e o bolero ‘Adeus’
Luqdias / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ “Caymmi” – álbum que Alice Caymmi lançará em abril somente com composições do avô, um certo Dorival Caymmi (30 de abril de 1914 – 16 de agosto de 2008) – extrapola o samba que norteia a cantora no show “Roda Caymmi” (2025).
Gravado em estúdio, o álbum “Caymmi” inclui no repertório “Acalanto” (1957) e o bolero “Adeus” (1948), duas músicas que Alice já vinha cantando paralelamente no show “Para minha tia Nana” (2025), feito em tributo a Nana Caymmi (1941 – 2025). Parte da “Suíte dos pescadores” (1957), “Canção da partida” também está na seleção do disco.
Contudo, o samba domina o repertório, estando representado na seleção do álbum por músicas como “O que é que a baiana tem?” (1939), “Maracangalha” (1956) e “Dois de fevereiro” (1957).
Alice abriu os trabalhos promocionais do álbum “Caymmi” na última sexta-feira, 13 de março, com a edição do single “Modinha para Gabriela” (1975).

Fonte: G1 Entretenimento

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A macabra lenda soviética que inspirou o 1º sucesso internacional do diretor de ‘O Agente Secreto’


Kleber Mendonça Filho, cineasta brasileiro
Tibrina Hobson/Getty Images for Santa Barbara International Film Festival/ Via BBC
Hoje aclamado como um dos principais cineastas em atividade do Brasil, com seu filme O Agente Secreto indicado para quatro categorias no Oscar, o pernambucano Kleber Mendonça Filho vivia como jornalista e atuava como crítico de cinema no Jornal do Commercio, do Recife, quando resolveu transpor para o universo brasileiro uma assustadora lenda urbana soviética.
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Vinil Verde, curta-metragem realizado em 2003 e lançado no ano seguinte, possibilitou a Mendonça sua primeira participação como autor no propalado Festival de Cannes — integrou a seleção da Quinzena dos Realizadores, na edição de 2005.
“O filme ganhou dezenas de prêmios e nunca deixou de ser visto nesses 20 anos”, afirma o cineasta, em nota enviada sobre o filme para a BBC News Brasil.
Ambientada em um apartamento recifense, a macabra trama conta a história de uma menina que ganha da mãe uma caixa cheia de antigos discos de vinil com músicas infantis.
Fãs se reuniram em várias capitais para torcer por “O Agente Secreto” no Oscar®
O presente vem com uma ordem: todos podiam ser ouvidos, exceto o de cor verde. Toda vez que a garotinha desobedece a determinação, sua mãe sofre uma consequência assustadora.
O filme é elogiado não só pela história em si, mas principalmente pela construção da narrativa. Vinil Verde foi concebido e executado como uma montagem de fotos feitas por Mendonça.
No total, foram utilizados seis rolos de filme colorido de 36 poses para a produção. Ele diz que suas inspirações foram o curta-metragem francês La Jetée, lançado pelo cineasta Chris Marker (1921-2012) em 1962, e o filme Jugular”, de 1998, da brasileira Fernanda Ramos.
“O uso de fotos narrativas me atrai até hoje”, ressalta Kleber.
Ideia ucraniana
Quem aproximou o brasileiro do assustador enredo de uma lenda urbana soviética foi uma cineasta ucraniana, Bohdana Smyrnova.
Conforme o texto O Lado Cineasta do Crítico de Cinema, matéria publicada pelo Jornal do Commercio em fevereiro de 2003, Smyrnova e Mendonça haviam se conhecido no ano anterior, em festival de cinema realizado em Belo Horizonte — na qual ela participara exibindo seu curta Les Démarches des Papiers e ele, como jornalista. Dali, engataram um relacionamento.
O jornal conta que “no último fim de semana” as filmagens haviam se iniciado e que o trabalho era “codirigido por Mendonça Filho e sua namorada, a cineasta e roteirista ucraniana”.
“Eu conheço essa história desde a infância, porque é aquele tipo de história que as crianças contam umas para as outras”, conta Smyrnova, em conversa com a BBC News Brasil. Ela atualmente mora em Nova York, nos Estados Unidos.
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“O Kleber queria filmar alguma coisa [de terror], e eu comentei que tinha várias histórias assustadoras [no universo soviético]*. Apresentei este gênero para ele e escolhemos esta [trama]”, recorda ela, que guarda em seus arquivos a cópia digitalizada da edição do Jornal do Commercio em que aparece ao lado de Mendonça.
No universo soviético, havia variações para a lenda. Mas geralmente envolvendo um disco verde que jamais poderia ser ouvido. Em geral, o tom carregava fundo moralista. Algo do tipo: olha só o que acontece com quem não obedece as regras.
Terra natal da cineasta, a Ucrânia foi um dos membros fundadores da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas em 1922 e fez parte do Estado socialista até sua dissolução, em 1991.
Há uma outra camada a ser considerada na semântica de uma lenda urbana soviética de terror em que o objeto central é um disco de vinil.
No auge do regime totalitário russo, quando músicas ocidentais eram restritas, um grupo de pessoas conhecidas como stilyagi (“estilosos”, em tradução para o português) passou a usar chapas descartadas de exames de raio-X como matéria-prima para prensar discos piratas.
O acabamento circular era feito com tesourinha de manicure e um cigarro aceso produzia o furinho central. O som ficava ruim, mas dava para ouvir. Como as chapas tinham imagens de ossos de pacientes, o aspecto final tinha aparência um tanto mórbida — algumas crianças se abalavam com aquelas cenas dos pais botando na vitrola um disco esquisito assim.
Cartaz de Vinil Verde
Arquivo pessoal/Isabela Cribari/Via BBC
Conforme o cineasta Mendonça contou em entrevista concedida em 2018 à jornalista e letróloga Maria de Lourdes Guimarães, para um trabalho de pós-graduação apresentado por ela na Universidade de São Paulo, ele particularmente estava interessado em histórias desse tipo.
Em 2002, havia feito um curta chamado A Menina do Algodão, a partir da lenda urbana de uma assombração que supostamente frequenta banheiros de escolas públicas — versão parecida com a lenda da “loira do banheiro”, conhecida em algumas regiões do Brasil.
Segundo Mendonça, foi por causa disso que a ucraniana acabou lhe falando sobre o conto popular soviético.
Ele comentou que havia várias versões para a lenda urbana, já que “era passada de boca em boca por crianças”.
“Acho que a história original que eu ouvi era com luvas verdes [em vez de discos verdes]. A gente terminou fazendo uma mistura: colocamos o disco verde de vinil e, na parte final, entram as luvas”, explicou.
Uma versão dessa fábula popular, com discos verdes mas ligeiramente diferente do enredo do curta-metragem, aparece no livro russo Folclore Infantil Assustador, uma coletânea de aterrorizantes histórias de domínio público reunidas pelos escritores Andrei Usachev e Eudrado Uspensky (1937-2018), publicada na Rússia em 1992.
Equipe enxuta
Na entrevista sobre o filme que Mendonça deu em 2018 ele comentou o que se lembrava do processo de produção da obra. “[…] Eu escrevi o filme com Bohdana Smyrnova e passei pelo processo de realização do filme, que foi tudo muito simples, com uma microequipe”, afirmou, citando o cineasta Daniel Bandeira e as duas atrizes, mãe e filha (na vida real e no filme), Verônica Alves e Gabriela Souza.
“Eu fotografei o filme no apartamento delas”, ressaltou.
Smyrnova ficou apenas três meses no Brasil em 2003. “Foi quando codirigimos o projeto”, enfatiza ela. Depois, voltou para Kiev, na Ucrânia, onde vivia na época.
A cineasta ucraniana entende que nunca foi corretamente creditada no curta. Oficialmente, ela é reconhecida como uma das roteiristas e tem seu nome encabeçando a lista dos agradecimentos — apenas Mendonça assina a direção. Na entrevista dada à BBC News Brasil ela recordou ter participado presencialmente de “uma ou duas” sessões de filmagem.
Para o cineasta brasileiro, isto não está em discussão e a questão, apresentada pela reportagem à sua assessoria, não foi comentada. Os demais envolvidos no projeto que foram ouvidos pela BBC News Brasil reconheceram o trabalho dela, mas como roteirista e, pelo seu conhecimento da lenda urbana original, idealizadora da trama.
O que havia sido iniciado a quatro mãos ganhou uma equipe: Mendonça então criou um pequeno time para terminar o filme. O cineasta Bandeira foi chamado para ser seu braço-direito na edição e na montagem. Eles já haviam trabalhado juntos em A Menina do Algodão.
“A ideia do roteiro era dele. Eu ficava com a parte mais técnica, de pensar como é que a ideia poderia ser executada, como a inspiração poderia ser traduzida”, relembra Bandeira, em conversa com a BBC News Brasil.
“Eu não só procurava soluções técnicas para aquilo que o Kleber concebia como também tentava dar possibilidades, soluções, alternativas para que ele pudesse incorporar em sua própria narrativa.”
Como produtora executiva, foi contratada a artista visual e psicanalista Isabela Cribari. À BBC News Brasil ela conta que “como a maioria dos filmes independentes e de baixo orçamento”, o trabalho foi feito em duas etapas. Primeiro, a produção e a filmagem. Depois, a tarefa de “transformar aquele material em filme e distribuí-lo”.
“Foi nessa segunda etapa que Kleber me convidou para compor a equipe”, diz ela. “E eu gostei muito da proposta dele de fazer um filme de 35 milímetros, na época da hipervalorização do 35 milímetros como algo superior aos outros formatos, a elite mesmo, mas com um humor muito próprio do Kleber.”
Cena do filme Vinil Verde
Arquivo pessoal/Isabela Cribari/Via BBC
Para a trilha, Mendonça encomendou um trabalho para o músico Silvério Pessoa, pedagogo e professor na Universidade Católica de Pernambuco.
“Tivemos uma longa conversa na qual ele me explicou a história. Eu criei uma música com pegada, que criasse uma atmosfera de expectativa”, afirma à BBC News Brasil. “Precisei de tempo para escrever e reescrever. Ficou uma coisa soturna.”
A canção se chama Luvas Verdes. De uns três anos para cá, Pessoa passou a incorporá-la em seu repertório autoral, executando-a em apresentações. “Ficou tenebrosa, sinistra, intensa. Tem clima, é quente”, diz o compositor.
Significados
Tudo ficou pronto em 2004, e o filme foi lançado no Festival Internacional de Curtas de São Paulo, em setembro. Faturou prêmios no festival de Brasília daquele ano e no de Recife do ano seguinte. Foi selecionado para Cannes.
Para a especialista Gisele Jordão, coordenadora do curso de cinema e audiovisual da Escola Superior de Propaganda e Marketing, nesse curta já havia elementos que apontavam para a qualidade do trabalho posterior de Mendonça.
Ela destaca a “confiança no dispositivo” — com poucos personagens, espaço delimitado e um objeto central — e a habilidade de construir atmosfera “por meio de enquadramentos, duração dos planos e desenho de som”.
“Vinil Verde insere o cotidiano como lugar de perturbação, sem recorrer a elementos externos espetaculares”, acrescenta Jordão.
O site cultural francês SensCritique classificou o filme como “bastante incomum em todos os sentidos, modesto e formidável em sua abordagem” e pontuou que a obra marcou “o início de uma relação duradoura entre o festival [de Cannes] e o diretor”.
Em reportagem do ano passado, o site francófono especializado em festivais de cinema Accréds se lembrou desse antigo curta de Mendonça ao contar a história da “perna cabeluda”, a lenda urbana retratada em O Agente Secreto.
“Uma lembrança de que um dos primeiros amores do diretor foi o cinema de terror, como visto em seu curta-metragem Vinil Verde”, pontuou.
Mais do que ambientar o universo mítico soviético no colorido e quente Recife, Mendonça criou novas possibilidades semânticas.
Se a lenda urbana original trata da dicotomia entre a obediência e a culpa por desobedecer, Vinil Verde é uma obra sobre o amadurecimento — a criança que cresce e, gradualmente, mata a presença materna.
Bandeira acredita que a universalidade do filme está justamente na percepção de que as relações entre as gerações são assim: os pais vão “sumindo um pouco” à medida que “os filhos vão crescendo”.
“É uma inquietação e um medo. Mas que também nos conecta com a experiência humana, com aquelas pessoas que vieram antes de nós e com aquelas que virão depois. A gente carrega e passa para a frente os medos e as angústias”, afirma.
Tudo isso com a cara local. “Ele adaptou para o vinil dos disquinhos coloridos que fizeram parte de uma época no Brasil e foi fácil a identificação das pessoas”, comenta a produtora Cribari.
“E também ninguém tem nome. Ser mãe, ser filha, isso leva as pessoas para o filme, que não se passa num reino distante. Somos nós, com toda a nossa ambiguidade ali. Talvez seja esse o terror do filme.”
Produção do curta foi noticiada no Jornal do Commercio, onde Kleber Mendonça trabalhava
Reprodução/Arquivo pessoal/Bohdana Smyrnova/Via BBC
Estudiosa da obra de Mendonça, a linguista Marcella Wiffler Stefanini, pesquisadora na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), analisou o curta em artigo científico.
Para ela, “a desobediência da filha pode ser interpretada como uma luta feminista por autonomia e independência, marcada pela recusa em seguir os passos da mãe e a tentativa de trilhar seu próprio caminho, sem as amarras das gerações passadas”.
A especialista Jordão vê a obra transitando entre medo, proibição e controle. “O curta transforma uma situação simples, a proibição de ouvir um disco, numa fábula sobre controle, curiosidade e transgressão”, analisa. “A proibição não só limita a ação da criança, como organiza o desejo e o medo.”
Na entrevista à pesquisadora Guimarães, Mendonça comentou que quando escrevia o texto para a narração do filme, “de próprio punho”, se deu conta de que a história era sobre a ausência da mãe. No caso, sua própria mãe, que havia morrido há pouco. “Foi aí que eu entendi, de maneira muito forte, que o filme era sobre esse processo de perda, que não é fácil”, comentou.
“É uma lenda urbana que causou uma impressão muito forte no Kleber. Porque lenda urbana é isso: é a expressão real da cultura e da alma de um povo em um certo momento”, analisa o editor e montador Bandeira.
“E ele acabou fazendo um ponte entre Recife e Kiev, contando a história por meio da cor e da temperatura recifenses.”
* Uma versão anterior deste texto atribuía a história ao universo eslavo. A reportagem foi modificada para deixar mais clara a ligação da história ao universo soviético

Fonte: G1 Entretenimento

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Musical sobre Trapalhão atiça memória afetiva com circo, humor e canções de Chico Buarque e Caetano Veloso


Rafael Aragão personifica com graça e credibilidade o personagem Didi Mocó, de Renato Aragão, no musical ‘Adorável Trapalhão’
Bianca Oliveira / Divulgação
♫ CRÍTICA DE MUSICAL DE TEATRO
Título: Adorável Trapalhão – O musical
Dramaturgia: Marília Toledo
Direção: José Possi Neto
Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2
♬ Ao narrar a saga do humorista Renato Aragão do interior do Ceará até a consagração nacional, o musical “Adorável Trapalhão” atiça a memória afetiva dos telespectadores do programa “Os Trapalhões”, campeão dominical de audiência nos anos 1970 e 1980. Até porque a trajetória de Aragão se confunde com a desse grupo que teve várias formações, mas permanece cristalizado no imaginário do Brasil como o quarteto integrado por Renato Aragão (atualmente com 91 anos) – intérprete do personagem Didi Mocó – com Dedé Santana (ator que fará 90 anos em abril), Antônio Carlos Bernardes, o Mussum (1941 – 1994) e Mauro Gonçalves, o Zacarias (1934 – 1990).
Em cartaz no Rio de Janeiro (RJ), em temporada que vai até 29 de março no teatro do Sesc Ginástico, o musical é ambientado em atmosfera circense, combinada com o humor de estilo pastelão que consagrou os Trapalhões e com a beleza plástica das encenações do diretor José Possi Neto.
Escrito por Marília Toledo, “Adorável Trapalhão” é musical encantador, gracioso, de visual colorido e estética orquestrada nos tons da alegria. Em cena, Didi, Dedé, Mussum e Zacarias são encarnados, respectivamente, por Rafael Aragão, Thales Torres. Rupa Figueira e Vicenthe Delgado.
Ator sobre o qual repousa a maior responsabilidade do elenco, Rafael Aragão construiu um Didi crível, tão terno quanto gaiato, sem cair no erro de imitar Renato. E cabe mencionar o talento luminoso de Miguel Venerabile, na pele de Renato Aragão quando criança, no início e no fim do espetáculo.
Diretor musical e arranjador do espetáculo, Marco França assina a trilha original em parceria com o letrista Fernando Suassuna. A dupla de compositores apresenta temas que evocam a origem nordestina de Renato e o início da carreira do artista no circo. Contudo, são os sucessos da música brasileira que contribuem para envolver o espectador na cena tropicalista.
Na fase áurea, o programa “Os Trapalhões” era vitrine disputada para o lançamento de músicas que geravam clipes memoráveis em que os cantores contracenavam com os humoristas. O antológico clipe-paródia de “Terezinha” (Chico Buarque, 1977), com Maria Bethânia, é reproduzido no musical de forma hilária.
Personificações de Ney Matogrosso e Roberto Carlos também são vistas em cena. Na pele de Ney, Alvinho de Pádua interpreta “Bambo de bambu” (Almirante e Valdo de Abreu, 1940).
Com as habituais tintas caricaturais, Roberto é vivido por Arízio Magalhães e tem o spiritual “Jesus Cristo” (Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 1970) cantado no espetáculo, cujo roteiro musical também rebobina composições veiculadas na série de especiais “Criança Esperança”, programa no qual Renato Aragão teve presença relevante como embaixador da Unicef, deixa para que o próprio Renato entre em cena para breve participação afetiva. São os casos de “Amigos do peito” (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1991) e do samba “O que é o que é” (Gonzaguinha, 1982).
Músicas de Caetano Veloso (a marcha “A filha da Chiquita Bacana”, de 1977) e Chico Buarque (“Piruetas”, da trilha de “Os Saltimbancos Trapalhões”, filme de 1981) também pontuam a cena bem traduzida pelo canto de “O circo” (Sidney Miller, 1967) na abertura e no arremate do espetáculo.
O único senão do musical “Adorável Trapalhão” é a abordagem demasiadamente clean do racha entre Renato Aragão e os colegas do grupo por questões de dinheiro e ego na primeira metade da década de 1980.
Contudo, é justo reconhecer que, se esse tema pesado fosse mais desenvolvido, o musical corria o risco de perder a leveza cativante que diverte e por vezes até emociona ao transportar o espectador para algum lugar do passado da memória afetiva.
Ô da poltrona virtual: não perca esse adorável musical!
Thales Torres (à esquerda), Rupa Figueira (ao centro) e Vicenthe Delgado vivem Dedé, Mussum e Zacarias, respectivamente
Bianca Oliveira / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Atriz de ‘Grey’s Anatomy’, Kiki Shepard morre aos 74 anos


Atriz e apresentadora Kiki Shepard
Reprodução: redes sociais
Morreu na última segunda-feira (16), em Los Angeles, nos Estados Unidos, a atriz e apresentadora de 74 anos Kiki Shepard.

A informação foi confirmada por sua representante, LaShirl Smith, ao portal TMZ.
Segundo a porta-voz, a artista sofreu um ataque cardíaco e sua morte foi “completamente inesperada”.
Shepard era conhecida por décadas de trabalho como co-apresentadora do programa de talentos “Showtime at the Apollo”.
Trajetória

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Kiki Shepard tornou-se um rosto familiar para milhões de espectadores americanos entre os anos de 1987 e 2002, período em que dividiu o palco do icônico teatro do Harlem com nomes como Steve Harvey.
Kiki Shepard, atriz e apresentadora
Divulgação
Antes de brilhar na televisão, Shepard consolidou sua base artística na Broadway, participando de produções como “Porgy and Bess” e “Bubbling Brown Sugar”, e iniciou sua trajetória no entretenimento ainda nos anos 70 como dançarina profissional da D.C. Repertory Dance Company.
Atriz e apresentadora Kiki Shepard
Reprodução: redes sociais
Kiki teve uma carreira consolidada como atriz, acumulando participações em séries de sucesso como “Grey’s Anatomy”, “Todo Mundo Odeia o Chris”, “NYPD Blue” e “Baywatch”.

Fonte: G1 Entretenimento