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Matriarca ativista da família do samba, Tia Ciata há muito merecia ser enredo de escola do Carnaval do Rio de Janeiro


Tia Ciata (1854 – 1924) é o enredo da escola de samba Paraíso do Tuiuti no Carnaval carioca de 2027
Reprodução
♫ ANÁLISE
♬ Talvez tenha sido mera coincidência o fato de o comunicado ter sido feito em 5 de março, três dias antes do Dia Internacional da Mulher, mas o anúncio de que Tia Ciata será o enredo da escola de samba Paraíso do Tuiuti no Carnaval de 2027 se afina com a luta pela igualdade feminina, pauta fundamental deste domingo, 8 de março, e de todos os demais dias do ano.
Inspiração para o enredo “Ciata – A mãe preta do samba”, escrito por Cláudio Russo e Luiz Antônio Simas para ser desenvolvido pelo carnavalesco Renato Lage, Hilária Batista de Almeida (13 de janeiro de 1854 – 10 de abril de 1924) foi a matriarca ativista do samba carioca.
Mãe de santo nascida em Santo Amaro da Purificação (BA), cidade do Recôncavo Baiano, Ciata migrou para o Rio de Janeiro (RJ) em 1876, aos 22 anos, e na zona central dessa cidade – em espaço situado na Praça Onze e conhecido como Pequena África – essa partideira de alta estirpe atuou como líder espiritual e musical, agregando sambistas e difundindo entre os negros cariocas o samba importado da Bahia e expandido no Rio com outras cadências.
Por Ciata ter tido atuação tão decisiva no fomento do samba, é inacreditável que somente em 2026, mais de 100 anos após a morte da partideira e quase um século depois do primeiro desfile das escolas de sambas (realizado em 1932), alguém tenha levado adiante e oficializado a ideia de transformar o legado de Ciata em enredo de agremiação carnavalesca.
Quituteira, ialorixá filha d’Oxum e sambista pela própria natureza festeira e destreza rítmica, Tia Ciata foi a anfitriã de casa já lendária, localizada na supracitada Praça Onze. Nessa casa, Ciata abriu portas para sambistas – negros em grande maioria, vindos das comunidades da área central da cidade do Rio de Janeiro – e incentivou a criação e a difusão do samba quando fazer e tocar samba ainda era sinônimo de vadiagem aos olhos racistas da polícia da época.
Agitadora cultural, Ciata organizava o movimento em rodas de samba das quais nunca ficava de fora. Consta nos autos informais que a mãe preta do samba dominava a arte do partido alto e evoluía com habilidade no passo do miudinho.
Os homens passaram para a história oficial como os primeiros bambas, tanto como ritmistas quanto como compositores, mas as mulheres também tiveram papel decisivo (e muitas vezes minimizado ou mesmo apagado) nessa história, caso sobretudo do legado da pioneira Hilária Batista de Almeida.
Imortalizada como a já mítica Tia Ciata, Hilária é nome que merece reverência todo dia, mas especialmente hoje, Dia Internacional da Mulher, pelo ativismo desbravador exercido junto aos primeiros bambas do Rio de Janeiro.

Fonte: G1 Entretenimento

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Khamenei ‘colocadão’, Netanyahu ‘desce e sobe’, Pahlavi ‘arregaça’: funk brasileiro vai parar em vídeos pró e contra Irã


Khamenei ‘colocadão’: como funk brasileiro foi parar em vídeos pró e contra Irã
Versos de funk brasileiro foram parar em vídeos que exaltam e criticam o Irã, em perfis iranianos, israelenses e de outras origens nas redes, em meio à tensão e ao conflito do país contra os EUA e Israel.
O falecido líder supremo iraniano Ali Khamenei é exaltado ao som dos versos “vai ser só colocadão / nas novinhas do xe*ecão”.
A base da música é distorcida, em um remix lento e grave, típico do chamado “brazilian phonk”, um estilo eletrônico cada vez mais popular no Leste Europeu e na Ásia, que usa bases do funk brasileiro.
O mesmo perfil, de um apoiador anônimo do regime do Irã, publicou um vídeo com fotos da família Pahlavi, que comandou a ditadura brutal derrubada pela Revolução de 1979.
“Tão patriotas, tão puros… O último está esperando que os israelenses os façam rei”, ironiza a legenda. É uma crítica a Reza Pahlavi, opositor e filho do último xá. A trilha é de “brazilian phonk”.
Imagens de vídeos no TikTok e Instagram contra e a favor do Irã com trilha de ‘brazilian phonk’, estilo com vocais e batidas de funk brasileiro
Reprodução
Batidão da oposição
No TikTok, também há exaltação dos Pahlavi ao som do batidão brasileiro. Um vídeo ao estilo “fancam” (de exaltação pessoal) celebra o último xá ao som dos versos: “Mina linda safadinha, arregaço esse popô / Soca soca soca sem caô / Ela cheia de tesão e eu arregaço esse popô.”
O dono do perfil não se identifica, e escreve apenas جاویدشاه (“viva o rei”, em farsi) no alto da página. A expressão ficou conhecida como um slogan monarquista no Irã, associada ao xá.
Não há sinal, porém, de que ele compreenda o significado sexual da letra em português. A batida agressiva do “brazilian phonk” parece bastar para dar o sentido de força e vigor atribuídos a Pahlavi.
Da mesma forma, um perfil apócrifo pró-Israel usou essa batida agressiva para exaltar os caças do exército israelense. “Vai segurando”, diz o verso ao fundo.
Autoria perdida
Em geral, os DJs de “brazilian phonk” não identificam os donos dos vocais das músicas. São pedaços de vocais de funk que circulam pela internet, cuja autoria original é difícil de ser recuperada.
Também há cenas de guerra com batidão do outro lado. O perfil “Woldwar.33” mostra uma troca de mísseis que, na conta dele, termina em vitória iraniana. O funk em português fala em “bater de frente”.
A batida embala mulheres contra o regime conhecido pela opressão feminina. A iraniana-britânica Romina dança o funk “No batidão” e escreve: “Essa sou eu em toda a festa quando o Irã for livre”.
A mesma música é usada pelo batalhão dos trolls. Um perfil anônimo de humor mostra o líder de Israel, Benjamin Netanyahu, com a legenda: “Enquanto a mídia esquerdista global 🏳️o chama de criminoso de guerra… Bibi está aí lançando o phonk brasileiro mais pesado.”
Uma montagem de Netanyahu entoa os versos: “Ela desce, ela sobe, no baile é pressão / Mina linda, perigosa, rouba meu coração/ Vai quicando, vai jogando, não perde a razão / No batidão, no batidão, só pura tentação…”

Fonte: G1 Entretenimento

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Um tributo à longevidade na dança


Em “Kontakthof”, do repertório da lendária Pina Bausch, nove dos bailarinos originais da montagem de 1978 retornam aos seus papéis
Divulgação
No próximo mês, Londres será palco de uma série de espetáculos que celebram a longevidade. Trata-se do “Elixir Festival 2026”, que acontece de 7 a 11 de abril e busca mudar a percepção de que a dança é uma expressão artística restrita a corpos jovens. Uma das principais atrações é a encenação de “Kontakthof”, peça emblemática do repertório da lendária Pina Bausch, cuja estreia, em 1978, consolidou seu reconhecimento internacional. Quase cinco décadas depois, a coreógrafa Meryl Tankard – uma das protagonistas da primeira montagem – está à frente do espetáculo, no qual nove dos bailarinos originais retornam aos seus papéis.
A produção, intitulada “Kontakthof – echoes of ‘78”, explora uma interação entre o passado e o presente, com a projeção de imagens de antigas apresentações. Bausch definia Kontakthof como “um lugar onde pessoas se encontram em busca de contato. Para se mostrar, para se negar. Com medos. Desejo. Decepções. Desespero. Primeiras experiências. Primeiras tentativas”. Charlotta Öfverholm, coreógrafa e bailarina sueca de renome internacional, também está no festival. Desde que fundou seu grupo, Jus de la Vie – o equivalente a Suco (ou sumo) da Vida – ela criou mais de 30 produções que excursionaram pelo mundo. Em 2015, lançou o Age on Stage (Idade no Palco), um movimento que defende a presença de artistas veteranos nos teatros e no cinema. Outro destaque é a Company of Elders (Companhia dos Anciãos ou Veteranos), criada em 1989 e cujos participantes têm mais de 60 anos.
Por fim, Louise Lecavalier, de 67 anos, protagoniza “Danses vagabondes” (“Danças vagabundas”). Principal bailarina da companhia canadense La La La Human Steps nas décadas de 1980 e 90, e colaboradora de David Bowie, ficou conhecida por sua atuação frenética e tecnicamente desafiadora.
Louise Lecavalier, de 67 anos, apresenta “Danses vagabondes” (“Danças vagabundas”)
Divulgação
Professora dá aulas de dança do ventre para idosas

Fonte: G1 Entretenimento

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Marina Lima tem vozes de Mano Brown e Fernanda Montenegro em faixa colaborativa do álbum ‘Ópera Grunkie’


Marina Lima reproduz trecho de conversa com Fernanda Montenegro no WhatsApp na faixa ‘Collab Grunkie’
André Hawk / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Com repertório dividido em três atos, o vindouro 18º álbum de Marina Lima, “Ópera Grunkie”, conta com a colaboração da atriz Fernanda Montenegro na música que abre o terceiro ato e que se chama justamente “Collab Grunkie”. Na faixa, Marina reproduz trecho de conversa que teve com Fernanda no aplicativo de mensagens WhatsApp.
Além da atriz, o cantor Mano Brown também tem a voz reproduzida em “Collab Grunkie”, faixa formatada com feat da cantora Laura Diaz com Marina. A música tem autoria creditada a Marina, Laura, Eraldo Palmero e Renato Gonçalves.
Marina Lima explica a gênese da faixa: “Fiz uma chamada aberta online para as pessoas enviarem sons ou ideias que pudessem soar interessantes para uma intervenção minha. Entre mais de 800 e-mails recebidos, escolhi a base do Eraldo para criar em cima. Resolvi fazer uma homenagem carinhosa aos grunkies e, a partir disso, chamei Laura Diaz para embelezar, sensualizar e abrasileirar a faixa. Renato e eu escolhemos os samples, e termino com um trecho de uma conversa minha no WhatsApp com Fernanda Montenegro, a maior de todas. A tribo dos grunkies é imensa”.
Gravado entre setembro e dezembro de 2025, o álbum “Ópera Grunkie” tem lançamento programado para 24 de março. Marina Lima assina a produção musical do disco, orquestrada pela artista com as colaborações de Arthur Kunz, Edu Martins e Thiago Vivas.

Fonte: G1 Entretenimento

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Guitarrista Lúcio Maia lança em abril álbum solo com músicas autorais que dialogam com a estética futurista


Guitarrista projetado como integrante fundador da Nação Zumbi, Lúcio Maia programa para 16 de abril o segundo álbum solo, com músicas como ‘Tábua das horas’
João Liberato / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Enquanto o baterista Pupillo promove o primeiro álbum solo, o guitarrista Lúcio Maia – outro ex-integrante da banda Nação Zumbi – programa para 16 de abril o lançamento do segundo álbum solo do artista pernambucano.
Com músicas como “Fetiche motel” (faixa de atmosfera dark funk) e “Tábua das horas”, o próximo álbum autoral de Lúcio Maia é atravessado pela estética do futurismo.
O guitarrista já lançou em 2019 um álbum, “Lúcio Maia”, que pode ser considerado o marco zero da discografia solo assinada pelo artista com o próprio nome.
Contudo, cabe lembrar que, anos antes, paralelamente ao trabalho com a Nação Zumbi, Lúcio Maia lançou dois álbuns de projeto individual intitulado Maquinado. Estes álbuns são “Homem binário” (2007) e “Mundialmente anônimo – O magnético sangramento da existência” (2010).

Fonte: G1 Entretenimento

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Pupillo vai do Recife para o mundo nas ricas texturas sonoras que compõem a trilha do primeiro álbum solo do artista


Pupillo apresenta 12 músicas autorais sem letras (mas gravadas com vocais) no primeiro álbum solo
Fred Siewerdt / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Pupillo
Artista: Pupillo
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ A trilha sonora da vida de Romário Menezes de Oliveira Jr. – o baterista, compositor e produtor musical pernambucano conhecido pelo nome artístico de Pupillo – parece conter a música do mundo. Um recorte dessa trilha foi apresentado há seis anos no álbum em que o baterista adotou o codinome de Sonorado e reprocessou temas de novelas, à frente da banda que formou com virtuoses como Thomas Harres (baterista arregimentado para a percussão). Ali, naquele álbum intitulado “Sonorado apresenta novelas” (2020), foi fundada a base do que pode ser considerada a discografia solo de Pupillo.
No entender do baterista, contudo, e há certa razão nessa visão, a discografia solo do artista começa efetivamente em 2026 com o lançamento do álbum “Pupillo”, em rotação desde ontem, 6 de março, com 12 músicas sem letras, mas algumas gravadas com vozes como a de Agnes Nunes, cantora que faz os vocalizes de “Forró no asfalto”, parceria de Pupillo com Alberto Continentino.
Gravado em estúdio de Los Angeles (EUA) e editado pela gravadora norte-americana Amor in Sound, “Pupillo” é álbum de produtor, essencialmente instrumental e repleto de convidados, com temas em que o artista nascido no Recife (PE) fala e toca de Pernambuco para o mundo.
Outra parceria de Pupillo com Continentino, “Tropical exótica” abre o álbum e se impõe como a grande música da safra autoral do compositor no disco pela beleza da música em si e pelo grande poder de sedução da textura sonora dessa faixa meio psicodélica que parece evocar algum lugar do passado na trilha sonora da vida de Pupillo. Trilha cinematográfica, diga-se.
Pilotando bateria, percussões, MPC e synth, entre outros instrumentos, o músico faz uma música do mundo de tom contemporâneo, partindo do Recife (PE) natal. Às vezes, o sotaque do álbum é mais universal, como exemplifica o suingue funky que conduz “Bem bom”, parceria de Pupillo com Hervé Salters, tecladista do grupo francês de rock-funk eletrônico General Elektriks, convidado da faixa.
Em outras vezes, o som de Pernambuco está enraizado na gênese da música, caso de “Pifando”. Os pífanos tocados por Alexandre Rodrigues – creditado como coautor do tema em parceria com Pupillo e o recorrente Alberto Continentino – explicitam a referência da célebre banda de Caruaru (PE).
E assim caminha o álbum solo de Pupillo, entre a tradição e a contemporaneidade, representada, por exemplo, pelo boom bap que embasa “Fealhá”, faixa com vocais de Céu, creditada como parceira de Pupillo na composição.
Capa do primeiro álbum ‘Pupillo’, lançado pelo selo norte-americano Amor in Sound, do produtor Mario Caldato Jr.
Fred Siewerdt com arte de MZK
Em texto publicado nas redes sociais do artista, Pupillo explicou a rota existencial e sonora do álbum. “O meu disco reverencia os símbolos e paisagens do Nordeste brasileiro, principalmente do meu estado, Pernambuco. Lugar que me deu a oportunidade de vivenciar e celebrar a riqueza da nossa cultura desde o litoral até o sertão. O álbum é apenas um pequeno recorte das minhas memórias e de algumas experiências vividas ao longo da caminhada. Faço parte de uma geração que encontrou nas adversidades o combustível para reacender a chama da autoestima e transformar essa riqueza em novas formas de expressão, sempre respeitando a tradição, mas sobretudo, entendendo a necessidade de renovação na construção de nossa identidade através de uma movimentação que resultou no Manguebit”, contextualiza Pupillo, citando o movimento musical pernambucano que irrompeu no Brasil em 1994 a reboque de nomes como a Nação Zumbi, banda que projetou o baterista em escala nacional a partir de 1995.
Foi em Pernambuco que, duas décadas depois do Manguebeat, surgiu um dos mais renovadores pianistas brasileiros dos últimos anos, Amaro Freitas, cujo piano jazzístico se harmoniza com a base percussiva tocada por Pupillo em “Fervendo o chão com Amaro!”.
Com scratches do DJ e produtor musical norte-americano The Gaslamp Killer, “O sopro de Naná” referencia o som sobrenatural do percussionista Naná Vasconcelos (1944 – 2016), um dos gênios musicais da cidade natal de Pupillo, em faixa em que o baterista toca berimbau (instrumento inserido por Naná no mundo do jazz) e Rodrigo Amarante pilota minimoog.
Na costura percussiva do álbum, “O sopro de Naná” se afina com “Navegando os novos tempos” (Pupillo, Carminho, Adrian Younge e Roberto Schilling), faixa em que saltam aos ouvidos os vocais da cantora portuguesa Carminho, no caso distantes do universo do fado. E por falar em música lusitana, Davi Moraes toca viola portuguesa em meio ao batuque de “Que é isso, bicho?”, faixa de sotaque nordestino, puxado pelo toque da sanfona de Felipe Costa.
Em que pese a profusão de convidados ao longo das 12 faixas autorais, Pupillo jamais perde o protagonismo do álbum no posto de baterista e percussionista. Se “Mica sonic groove” se assenta sobre baticum eletrônico, com o toque da guitarra de Pedro Martins, “Entrée” cai em suingue jazzy em tema de tom cinematográfico feito com as adesões de músicos como Jota Moraes (no proeminente vibrafone) e Rodrigo Amarante (vocais, mellotron, escaleta e baixo).
Gravado com produção musical orquestrada por Mario Caldato Jr. (também responsável pela apropriada mixagem) com Pupillo, o álbum fecha a rota sonora intercontinental com o tema “De chegada”, parceria de Pupillo com Pedro Martins (na guitarra, no órgão Hammond e no piano Rhodes).
Com cerca de 37 minutos, a viagem do álbum “Pupillo” resulta agradável. O real primeiro disco solo de Pupillo Oliveira termina com a sensação de que cumpriu as expectativas e de que, talvez, possa ganhar ainda mais relevência com o passar dos anos, soando como vivaz retrato da pluralidade da música de Pernambuco no século XXI.
Pupillo costura referências pernambucanas, como a Banda de Pífanos de Caruaru e a percussão de Naná Vasconcelos (1944 – 2016), ao longo das 12 faixas do álbum
Fred Siewerdt / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Banda com filho e dois netos de Djavan, Trivia já se rende ao cancioneiro do patriarca da família no terceiro single


Capa do single ‘Açaí’, do grupo Trivia
Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Trio carioca que entrou em cena em novembro com o single autoral “Cartas na mesa” (2025), Trivia já se rende à obra do patriarca da família, Djavan, no terceiro single.
Lançado hoje, 6 de março, esse terceiro single do Trivia apresenta gravação de “Açaí”, uma das músicas mais conhecidas do compositor alagoano desde que a canção foi apresentada em 1981 na voz de Gal Costa (1945 – 2022) em gravação feita para o álbum “Fantasia”.
Ao regravar “Açaí”, o Trivia está em casa. É que o trio é formado por um filho de Djavan, Inas (Inácio Brunini Viana), com dois netos do artista, B (Bernardo Carrilho Asfora Viana) e Gabriel Viana. Sem falar que a gestão artística da carreira do Trivia é feita por Max Viana – filho mais conhecido de Djavan – através do selo Vilarejo Records, criado por Max para dar suporte empresarial ao grupo.
Após dois singles autorais, o supracitado “Cartas na mesa” e “Meio discreto” (2025), ambos com músicas de autoria creditada aos três integrantes do grupo em parceria com Max Viana, o Trivia tenta pegar atalho no mercado com a abordagem de “Açaí” em single em que prevalece o D.N.A. musical de Djavan, sem delinear uma assinatura própria para o som do Trivia.
Gabriel Viana está creditado com produtor musical do fonograma arranjado por Max Viana, mixado por João Milliet e masterizado por Felipe Tichauer.

Fonte: G1 Entretenimento

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Fabiana Cozza e Gilson Peranzzetta dão outras cores e tons ao cancioneiro de Dorival Caymmi em show requintado


O pianista Gilson Peranzzetta e a cantora Fabiana Cozza se afinam no show ‘Cores de Caymmi’, apresentado no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro (RJ)
Rodrigo Goffredo
♫ CRÍTICA DE SHOW
Título: Cores de Caymmi
Artistas: Fabiana Cozza e Gilson Peranzzetta
Data e local: 5 de março de 2026 no Espaço Cultural BNDES (Rio de Janeiro, RJ)
Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2
♬ O cancioneiro de Dorival Caymmi (30 de abril de 1914 – 16 de agosto de 2008) já foi alvo de atentados em abordagens que, em nome de suposta modernidade, descaracterizaram a obra tão sofisticada quanto aparentemente simples do compositor baiano.
Contudo, o fato de esse cancioneiro ser formalmente irretocável jamais deve anular tentativas de friccionar a obra do compositor para imprimir outros tons em músicas já consagradas nas interpretações do próprio Dorival, da filha Nana Caymmi (1941 – 2025) e de intérpretes sagazes como Gal Costa (1945 – 2022). A própria neta do compositor, Alice Caymmi, tem conseguido dessacralizar a obra do avô sem profaná-la.
Primeira atração da temporada de 2026 do Espaço Cultural BNDES, local que oferece programação gratuita para o público do Rio de Janeiro (RJ), o inédito show “Cores de Caymmi” estreou na noite de ontem, 5 de março, reunindo a cantora Fabiana Cozza e o pianista e arranjador Gilson Peranzzetta em enfoque requintado das músicas de Dorival.
O cancioneiro de Caymmi ganhou tom jazzy em algumas passagens instrumentais feitas por Peranzzetta com os músicos Alexandre Cavallo (baixo) e Ricardo Costa (bateria), a exemplo do que foi visto e ouvido no samba “Saudade da Bahia” (1957), sendo que o brilho maior do show veio do colorido do canto de Fabiana Cozza, excepcional intérprete de 50 anos festejados em janeiro.
Em total sintonia com os refinados arranjos criados para o show por Peranzzetta, que completará 80 anos em abril, Fabiana amaciou o canto em músicas como “Dora” (1945), número em que exprimiu o encantamento do eu-lírico da composição com os requebros da personagem-título em linha sabiamente distante da intensidade de Nana Caymmi, cantora que tomou “Dora” para si. Fabiana Cozza nem reproduziu o clímax “Ô Doraaaa…” das interpretações de Nana, reverenciada em cena pela artista paulistana com o canto do samba-canção “Só louco” (1955) em número denso.
Nessa linha suave, Fabiana Cozza arrebatou o público ao se aninhar ao lado do piano de Peranazzetta para, com toda ternura, entoar “Acalanto”, canção de ninar composta em 1942, lançada em disco em 1957 e, três anos depois, gravada por Dorival com Nana no nascimento da filha como cantora em 1960.
Outro momento luminoso do sofisticado show foi a reinterpretação do samba “Morena do mar” (1967), reapresentado em tom mais solene, quase como uma peça de câmara. Fabiana Cozza deu show!
Fabiana Cozza amacia o canto ao dar voz a músicas como ‘Acalanto’ e ‘Morena do mar’
Rodrigo Goffredo
O show foi aberto com suíte instrumental em que Gilson Peranzzetta, a sós no palco do Espaço Cultural BNDES, encadeou ao piano o samba “Dois de fevereiro” (1957) com “A lenda do Abaeté” (1948) – no tom escuro da mítica lagoa situada na orla de Salvador (BA), precisamente no bairro de Itapuã – e com “Canção da partida” (1957), tema da suíte “Histórias de pescadores”.
Os arranjos de Gilson Peranzzetta buscaram outros caminhos harmônicos para o cancioneiro de Dorival Caymmi sem mutilar as melodias. O único momento menos sedutor do show foi a forma como Peranzzetta pintou “Marina” (1947), tornando o samba-canção por vezes irreconhecível na execução em número instrumental feito pelo trio formado pelo pianista com o baixista Alexandre Cavallo e o baterista Ricardo Costa.
Curiosa e ironicamente, como contou Peranzzetta ao público, o arranjo foi feito para evidenciar a “maravilha de melodia” criada por Caymmi na fase em que o compositor refinou o samba-canção, se desviando do dramalhão sentimental quase sempre imposto ao gênero.
Após esse número instrumental, feito de músico para músico sem tanta conexão com o público, Peranzzetta chamou Fabiana Cozza para se juntar ao trio no palco do Espaço BNDES. E o que se viu e ouviu dali em diante foi cantora em estado de graça desde que deu voz ao samba “Você já foi à Bahia?” (1941) e, na sequência, pôs o próprio tempero em “Vatapá” (1944), outro samba em que Caymmi contribuiu decisivamente para que a Bahia fosse cristalizada como um paraíso tropical afro-brasileiro no imaginário nacional.
Fabiana Cozza caiu no samba de Caymmi com requebros suaves, como visto no canto de “A vizinha do lado” (1946) e de “Doralice” (Dorival Caymmi e Antônio Almeida, 1945), cujo balanço seduziu ninguém menos do que João Gilberto (1921 – 2019). Quando puxou a rede de “Canoeiro” (1944), a cantora fez emergir nos floreio vocais a alta carga de ancestralidade afro-brasileira embutida no cancioneiro de Caymmi em número encantador.
No fim, o canto de “Samba da minha terra” (1940) e de “Maracangalha” (1956) – este com o coro espontâneo do público e com Fabiana Cozza experimentando algumas divisões próprias – arremataram show impregnado de beleza gerada pela total afinação e interação da cantora com o pianista e maestro.
Fabiana Cozza e Gilson Peranzzetta imprimiram as próprias cores à obra de Dorival Caymmi com reverência ao magistral compositor. Você foi ao show da dupla? Não?! Então vá quando o show “Cores de Caymmi” estiver em cartaz na cidade em que você mora.
Fabiana Cozza canta Dorival Caymmi com arranjos inéditos do pianista Gilson Peranazzetta
Rodrigo Goffredo
♫ Eis o roteiro seguido por Fabiana Cozza e Gilson Peranzzetta em 5 de março de 2026 na estreia do show “Cores de Caymmi” no Espaço Cultural BNDES no Rio de Janeiro (RJ):
1. “Dois de fevereiro” (Dorival Caymmi, 1957) /
2. “A lenda do Abaeté” (Dorival Caymmi, 1948) /
3. “Canção da partida” – tema da “Suíte dos pescadores” (Dorival Caymmi, 1957)
4. “Marina” (Dorival Caymmi, 1947)
5. “Você já foi à Bahia?” (Dorival Caymmi, 1941)
6. “Vatapá” (Dorival Caymmi, 1944)
7. “Dora” (Dorival Caymmi, 1957)
8. “A vizinha do lado” (Dorival Caymmi, 1946)
7. “Morena do mar” (Dorival Caymmi, 1967)
8. “Doralice” (Dorival Caymmi e Antonio Almeida, 1945)
9. “Serenata de São Lázaro” (Gilson Peranzzetta e Paulo César Pinheiro, 2011)
10. “Saudade da Bahia” (Dorival Caymmi, 1957)
11. “Só louco” (Dorival Caymmi, 1955)
12. “Canoeiro (Pescaria)” (Dorival Caymmi, 1944)
13. “Acalanto” (Dorival Caymmi, 1957)
14. “Samba da minha terra” (Dorival Caymmi, 1940)
15. “Maracangalha” (Dorival Caymmi, 1956)
Bis:
16. “Canto de Ossanha” (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966)

Fonte: G1 Entretenimento

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‘O agente secreto’ estreia neste sábado (7) na Netflix

Assista ao trailer de ‘O Agente Secreto’
“O agente secreto”, filme brasileiro que recebeu quatro indicações ao Oscar 2026, vai estrear neste sábado (7) na plataforma de streaming Netflix.
A obra dirigida por Kleber Mendonça Filho concorre a melhor filme, ator (Wagner Moura), filme internacional e seleção de elenco. A premiação americana acontece no dia 15.
“O agente secreto” começa com o retorno do protagonista (Moura) para sua cidade-natal, nos anos 1970, e explora a relação do personagem com seu passado, um homem claramente em fuga de uma história violenta, com aliados misteriosos e uma relação tensa com autoridades.

Fonte: G1 Entretenimento

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Falta a Fagner o balanço da bossa, mas álbum arranjado por Roberto Menescal é correto e apaga o vexame de show


Raimundo Fagner lança hoje, 6 de março, o álbum ‘Bossa nova’, com produção musical e arranjos de Roberto Menescal
Isabela Espíndola / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Bossa nova
Artista: Raimundo Fagner
Cotação: ★ ★ ★
♬ Raimundo Fagner lança hoje, 6 de março, um álbum intitulado “Bossa nova” – com regravações de 10 músicas mais ou menos associadas ao movimento nascido oficialmente em 1958 – e é inevitável a comparação com o álbum “Bossa sempre nova” (2026), apresentado por Luísa Sonza em 13 de janeiro. Até porque Roberto Menescal, papa remanescente da bossa, é nome fundamental como produtor musical e arranjador dos dois discos.
Justiça seja feita: o álbum da cantora tem mais charme e brilho do que o mergulho de Fagner nessa onda de revalorização da bossa nova em escala mundial. Por mais que os tradicionalistas tenham tapado os ouvidos, o disco de Luísa flui lindamente, com a apropriada leveza da bossa.
Falta a Fagner o balanço da bossa nova, embora, justiça seja feita novamente, o cantor procurou ajustar o canto (habitualmente rascante) à suavidade pedida pelo cancioneiro da linha sal, céu, sol, sul. Fagner amaciou a emissão, refreou os vibratos e enfatizou os graves para se aproximar do universo das canções a que dá voz.
Como mostra o canto de “Chega de saudade” (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) na abertura de “Bossa nova”, o álbum resulta correto e apaga o vexame do show apresentado pelo cantor no Rio de Janeiro (RJ), com certa irritação, em setembro de 2025, como uma prévia do disco.
Se falta a Fagner o ímpeto pedido pelo “Canto de Ossanha” (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966), afrossamba distanciado já na gênese da leveza da bossa, o feat com Zeca Baleiro em “Tereza da praia” (Antonio Carlos Jobim e Billy Blanco, 1954) reedita com certa graça o dueto dos rivais Dick Farney (1921 – 1987) e Lúcio Alves (1927 – 1993) na gravação original do samba, com a diferença de incluir o toque de uma sanfona, tocada por Marcos Nimrichter, no arranjo excepcionalmente assinado pelo pianista Antonio Adolfo (consta que Menescal foi contra a inclusão de sanfona em dois arranjos do disco).
Já o feat de Fagner com Wanda Sá em “Samba em prelúdio” (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963) é chama sem luz, até porque esse samba triste pede intensidade, interiorizada mais no canto suave de Wanda do que na voz de Fagner.
Fagner canta músicas como ‘Rio’ e ‘Wave’ no álbum ‘Bossa nova’
Isabela Espíndola / Divulgação
Assim como fez para Luísa Sonza, Roberto Menescal armou a cama para Fagner deitar com conforto, exercendo com louvor as funções de produtor musical e arranjador do álbum “Bossa nova”. Além de tocar violão em oito das dez faixas, Menescal arregimentou banda formada por músicos como Adriano Gifoni (baixo), Adriano Souza (piano) e João Cortez (bateria). Afinada com o universo da bossa nova, a banda valoriza o disco.
Parceria póstuma de Carlos Lyra (1933 – 2023) com Dolores Duran (1930 – 1959), “O negócio é amar” (1984) exemplifica a acertada contenção do canto do intérprete. Ainda assim, “Bossa nova” é daquele tipo de álbum que pode até não agredir os ouvidos, mas tampouco provoca alguma sensação de encantamento. Talvez porque, como mostra a abordagem de “Samba de verão” (Marcos Valle e Paulo César Valle, 1964), feita ao lado do autor Marcos Valle, Fagner parece cantor de outra estação, em que pesem todos os louváveis esforços do intérprete para se afinar com o padrão vocal da bossa nova.
A mesma sensação paira sobre a onda de “Wave” (Antonio Carlos Jobim, 1967) em arranjo pontuado pela gaita de Rildo Hora. A propósito, “Águas de março” (Antonio Carlos Jobim, 1972) também evolui com o toque da gaita virtuosa de Rildo Hora na gravação incrementada, a partir do segundo minuto, com breve passagem instrumental de ambiência jazzy. É a tal influência do jazz entranhado na bossa.
O suingue do samba “Rio” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1963) reforça a boa vontade do artista de entrar no clima da bossa nova. De toda forma, a banda arregimentada por Roberto Menescal é sempre mais bossa nova do que o canto dosado de Fagner, como atesta o registro de “Por causa de você” (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957), samba-canção que fecha o álbum outonal do artista.
Enfim, Raimundo Fagner canta bossa nova com correção quase asséptica, como se estivesse tolhendo a própria alma de intérprete, mas, ao menos, o disco editado pela gravadora Biscoito Fino apaga a péssima impressão deixada pelo show de setembro.
Capa do álbum ‘Bossa nova’, de Raimundo Fagner
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Fonte: G1 Entretenimento