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Pupillo vai do Recife para o mundo nas ricas texturas sonoras que compõem a trilha do primeiro álbum solo do artista


Pupillo apresenta 12 músicas autorais sem letras (mas gravadas com vocais) no primeiro álbum solo
Fred Siewerdt / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Pupillo
Artista: Pupillo
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ A trilha sonora da vida de Romário Menezes de Oliveira Jr. – o baterista, compositor e produtor musical pernambucano conhecido pelo nome artístico de Pupillo – parece conter a música do mundo. Um recorte dessa trilha foi apresentado há seis anos no álbum em que o baterista adotou o codinome de Sonorado e reprocessou temas de novelas, à frente da banda que formou com virtuoses como Thomas Harres (baterista arregimentado para a percussão). Ali, naquele álbum intitulado “Sonorado apresenta novelas” (2020), foi fundada a base do que pode ser considerada a discografia solo de Pupillo.
No entender do baterista, contudo, e há certa razão nessa visão, a discografia solo do artista começa efetivamente em 2026 com o lançamento do álbum “Pupillo”, em rotação desde ontem, 6 de março, com 12 músicas sem letras, mas algumas gravadas com vozes como a de Agnes Nunes, cantora que faz os vocalizes de “Forró no asfalto”, parceria de Pupillo com Alberto Continentino.
Gravado em estúdio de Los Angeles (EUA) e editado pela gravadora norte-americana Amor in Sound, “Pupillo” é álbum de produtor, essencialmente instrumental e repleto de convidados, com temas em que o artista nascido no Recife (PE) fala e toca de Pernambuco para o mundo.
Outra parceria de Pupillo com Continentino, “Tropical exótica” abre o álbum e se impõe como a grande música da safra autoral do compositor no disco pela beleza da música em si e pelo grande poder de sedução da textura sonora dessa faixa meio psicodélica que parece evocar algum lugar do passado na trilha sonora da vida de Pupillo. Trilha cinematográfica, diga-se.
Pilotando bateria, percussões, MPC e synth, entre outros instrumentos, o músico faz uma música do mundo de tom contemporâneo, partindo do Recife (PE) natal. Às vezes, o sotaque do álbum é mais universal, como exemplifica o suingue funky que conduz “Bem bom”, parceria de Pupillo com Hervé Salters, tecladista do grupo francês de rock-funk eletrônico General Elektriks, convidado da faixa.
Em outras vezes, o som de Pernambuco está enraizado na gênese da música, caso de “Pifando”. Os pífanos tocados por Alexandre Rodrigues – creditado como coautor do tema em parceria com Pupillo e o recorrente Alberto Continentino – explicitam a referência da célebre banda de Caruaru (PE).
E assim caminha o álbum solo de Pupillo, entre a tradição e a contemporaneidade, representada, por exemplo, pelo boom bap que embasa “Fealhá”, faixa com vocais de Céu, creditada como parceira de Pupillo na composição.
Capa do primeiro álbum ‘Pupillo’, lançado pelo selo norte-americano Amor in Sound, do produtor Mario Caldato Jr.
Fred Siewerdt com arte de MZK
Em texto publicado nas redes sociais do artista, Pupillo explicou a rota existencial e sonora do álbum. “O meu disco reverencia os símbolos e paisagens do Nordeste brasileiro, principalmente do meu estado, Pernambuco. Lugar que me deu a oportunidade de vivenciar e celebrar a riqueza da nossa cultura desde o litoral até o sertão. O álbum é apenas um pequeno recorte das minhas memórias e de algumas experiências vividas ao longo da caminhada. Faço parte de uma geração que encontrou nas adversidades o combustível para reacender a chama da autoestima e transformar essa riqueza em novas formas de expressão, sempre respeitando a tradição, mas sobretudo, entendendo a necessidade de renovação na construção de nossa identidade através de uma movimentação que resultou no Manguebit”, contextualiza Pupillo, citando o movimento musical pernambucano que irrompeu no Brasil em 1994 a reboque de nomes como a Nação Zumbi, banda que projetou o baterista em escala nacional a partir de 1995.
Foi em Pernambuco que, duas décadas depois do Manguebeat, surgiu um dos mais renovadores pianistas brasileiros dos últimos anos, Amaro Freitas, cujo piano jazzístico se harmoniza com a base percussiva tocada por Pupillo em “Fervendo o chão com Amaro!”.
Com scratches do DJ e produtor musical norte-americano The Gaslamp Killer, “O sopro de Naná” referencia o som sobrenatural do percussionista Naná Vasconcelos (1944 – 2016), um dos gênios musicais da cidade natal de Pupillo, em faixa em que o baterista toca berimbau (instrumento inserido por Naná no mundo do jazz) e Rodrigo Amarante pilota minimoog.
Na costura percussiva do álbum, “O sopro de Naná” se afina com “Navegando os novos tempos” (Pupillo, Carminho, Adrian Younge e Roberto Schilling), faixa em que saltam aos ouvidos os vocais da cantora portuguesa Carminho, no caso distantes do universo do fado. E por falar em música lusitana, Davi Moraes toca viola portuguesa em meio ao batuque de “Que é isso, bicho?”, faixa de sotaque nordestino, puxado pelo toque da sanfona de Felipe Costa.
Em que pese a profusão de convidados ao longo das 12 faixas autorais, Pupillo jamais perde o protagonismo do álbum no posto de baterista e percussionista. Se “Mica sonic groove” se assenta sobre baticum eletrônico, com o toque da guitarra de Pedro Martins, “Entrée” cai em suingue jazzy em tema de tom cinematográfico feito com as adesões de músicos como Jota Moraes (no proeminente vibrafone) e Rodrigo Amarante (vocais, mellotron, escaleta e baixo).
Gravado com produção musical orquestrada por Mario Caldato Jr. (também responsável pela apropriada mixagem) com Pupillo, o álbum fecha a rota sonora intercontinental com o tema “De chegada”, parceria de Pupillo com Pedro Martins (na guitarra, no órgão Hammond e no piano Rhodes).
Com cerca de 37 minutos, a viagem do álbum “Pupillo” resulta agradável. O real primeiro disco solo de Pupillo Oliveira termina com a sensação de que cumpriu as expectativas e de que, talvez, possa ganhar ainda mais relevência com o passar dos anos, soando como vivaz retrato da pluralidade da música de Pernambuco no século XXI.
Pupillo costura referências pernambucanas, como a Banda de Pífanos de Caruaru e a percussão de Naná Vasconcelos (1944 – 2016), ao longo das 12 faixas do álbum
Fred Siewerdt / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Banda com filho e dois netos de Djavan, Trivia já se rende ao cancioneiro do patriarca da família no terceiro single


Capa do single ‘Açaí’, do grupo Trivia
Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Trio carioca que entrou em cena em novembro com o single autoral “Cartas na mesa” (2025), Trivia já se rende à obra do patriarca da família, Djavan, no terceiro single.
Lançado hoje, 6 de março, esse terceiro single do Trivia apresenta gravação de “Açaí”, uma das músicas mais conhecidas do compositor alagoano desde que a canção foi apresentada em 1981 na voz de Gal Costa (1945 – 2022) em gravação feita para o álbum “Fantasia”.
Ao regravar “Açaí”, o Trivia está em casa. É que o trio é formado por um filho de Djavan, Inas (Inácio Brunini Viana), com dois netos do artista, B (Bernardo Carrilho Asfora Viana) e Gabriel Viana. Sem falar que a gestão artística da carreira do Trivia é feita por Max Viana – filho mais conhecido de Djavan – através do selo Vilarejo Records, criado por Max para dar suporte empresarial ao grupo.
Após dois singles autorais, o supracitado “Cartas na mesa” e “Meio discreto” (2025), ambos com músicas de autoria creditada aos três integrantes do grupo em parceria com Max Viana, o Trivia tenta pegar atalho no mercado com a abordagem de “Açaí” em single em que prevalece o D.N.A. musical de Djavan, sem delinear uma assinatura própria para o som do Trivia.
Gabriel Viana está creditado com produtor musical do fonograma arranjado por Max Viana, mixado por João Milliet e masterizado por Felipe Tichauer.

Fonte: G1 Entretenimento

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Fabiana Cozza e Gilson Peranzzetta dão outras cores e tons ao cancioneiro de Dorival Caymmi em show requintado


O pianista Gilson Peranzzetta e a cantora Fabiana Cozza se afinam no show ‘Cores de Caymmi’, apresentado no Espaço Cultural BNDES, no Rio de Janeiro (RJ)
Rodrigo Goffredo
♫ CRÍTICA DE SHOW
Título: Cores de Caymmi
Artistas: Fabiana Cozza e Gilson Peranzzetta
Data e local: 5 de março de 2026 no Espaço Cultural BNDES (Rio de Janeiro, RJ)
Cotação: ★ ★ ★ ★ 1/2
♬ O cancioneiro de Dorival Caymmi (30 de abril de 1914 – 16 de agosto de 2008) já foi alvo de atentados em abordagens que, em nome de suposta modernidade, descaracterizaram a obra tão sofisticada quanto aparentemente simples do compositor baiano.
Contudo, o fato de esse cancioneiro ser formalmente irretocável jamais deve anular tentativas de friccionar a obra do compositor para imprimir outros tons em músicas já consagradas nas interpretações do próprio Dorival, da filha Nana Caymmi (1941 – 2025) e de intérpretes sagazes como Gal Costa (1945 – 2022). A própria neta do compositor, Alice Caymmi, tem conseguido dessacralizar a obra do avô sem profaná-la.
Primeira atração da temporada de 2026 do Espaço Cultural BNDES, local que oferece programação gratuita para o público do Rio de Janeiro (RJ), o inédito show “Cores de Caymmi” estreou na noite de ontem, 5 de março, reunindo a cantora Fabiana Cozza e o pianista e arranjador Gilson Peranzzetta em enfoque requintado das músicas de Dorival.
O cancioneiro de Caymmi ganhou tom jazzy em algumas passagens instrumentais feitas por Peranzzetta com os músicos Alexandre Cavallo (baixo) e Ricardo Costa (bateria), a exemplo do que foi visto e ouvido no samba “Saudade da Bahia” (1957), sendo que o brilho maior do show veio do colorido do canto de Fabiana Cozza, excepcional intérprete de 50 anos festejados em janeiro.
Em total sintonia com os refinados arranjos criados para o show por Peranzzetta, que completará 80 anos em abril, Fabiana amaciou o canto em músicas como “Dora” (1945), número em que exprimiu o encantamento do eu-lírico da composição com os requebros da personagem-título em linha sabiamente distante da intensidade de Nana Caymmi, cantora que tomou “Dora” para si. Fabiana Cozza nem reproduziu o clímax “Ô Doraaaa…” das interpretações de Nana, reverenciada em cena pela artista paulistana com o canto do samba-canção “Só louco” (1955) em número denso.
Nessa linha suave, Fabiana Cozza arrebatou o público ao se aninhar ao lado do piano de Peranazzetta para, com toda ternura, entoar “Acalanto”, canção de ninar composta em 1942, lançada em disco em 1957 e, três anos depois, gravada por Dorival com Nana no nascimento da filha como cantora em 1960.
Outro momento luminoso do sofisticado show foi a reinterpretação do samba “Morena do mar” (1967), reapresentado em tom mais solene, quase como uma peça de câmara. Fabiana Cozza deu show!
Fabiana Cozza amacia o canto ao dar voz a músicas como ‘Acalanto’ e ‘Morena do mar’
Rodrigo Goffredo
O show foi aberto com suíte instrumental em que Gilson Peranzzetta, a sós no palco do Espaço Cultural BNDES, encadeou ao piano o samba “Dois de fevereiro” (1957) com “A lenda do Abaeté” (1948) – no tom escuro da mítica lagoa situada na orla de Salvador (BA), precisamente no bairro de Itapuã – e com “Canção da partida” (1957), tema da suíte “Histórias de pescadores”.
Os arranjos de Gilson Peranzzetta buscaram outros caminhos harmônicos para o cancioneiro de Dorival Caymmi sem mutilar as melodias. O único momento menos sedutor do show foi a forma como Peranzzetta pintou “Marina” (1947), tornando o samba-canção por vezes irreconhecível na execução em número instrumental feito pelo trio formado pelo pianista com o baixista Alexandre Cavallo e o baterista Ricardo Costa.
Curiosa e ironicamente, como contou Peranzzetta ao público, o arranjo foi feito para evidenciar a “maravilha de melodia” criada por Caymmi na fase em que o compositor refinou o samba-canção, se desviando do dramalhão sentimental quase sempre imposto ao gênero.
Após esse número instrumental, feito de músico para músico sem tanta conexão com o público, Peranzzetta chamou Fabiana Cozza para se juntar ao trio no palco do Espaço BNDES. E o que se viu e ouviu dali em diante foi cantora em estado de graça desde que deu voz ao samba “Você já foi à Bahia?” (1941) e, na sequência, pôs o próprio tempero em “Vatapá” (1944), outro samba em que Caymmi contribuiu decisivamente para que a Bahia fosse cristalizada como um paraíso tropical afro-brasileiro no imaginário nacional.
Fabiana Cozza caiu no samba de Caymmi com requebros suaves, como visto no canto de “A vizinha do lado” (1946) e de “Doralice” (Dorival Caymmi e Antônio Almeida, 1945), cujo balanço seduziu ninguém menos do que João Gilberto (1921 – 2019). Quando puxou a rede de “Canoeiro” (1944), a cantora fez emergir nos floreio vocais a alta carga de ancestralidade afro-brasileira embutida no cancioneiro de Caymmi em número encantador.
No fim, o canto de “Samba da minha terra” (1940) e de “Maracangalha” (1956) – este com o coro espontâneo do público e com Fabiana Cozza experimentando algumas divisões próprias – arremataram show impregnado de beleza gerada pela total afinação e interação da cantora com o pianista e maestro.
Fabiana Cozza e Gilson Peranzzetta imprimiram as próprias cores à obra de Dorival Caymmi com reverência ao magistral compositor. Você foi ao show da dupla? Não?! Então vá quando o show “Cores de Caymmi” estiver em cartaz na cidade em que você mora.
Fabiana Cozza canta Dorival Caymmi com arranjos inéditos do pianista Gilson Peranazzetta
Rodrigo Goffredo
♫ Eis o roteiro seguido por Fabiana Cozza e Gilson Peranzzetta em 5 de março de 2026 na estreia do show “Cores de Caymmi” no Espaço Cultural BNDES no Rio de Janeiro (RJ):
1. “Dois de fevereiro” (Dorival Caymmi, 1957) /
2. “A lenda do Abaeté” (Dorival Caymmi, 1948) /
3. “Canção da partida” – tema da “Suíte dos pescadores” (Dorival Caymmi, 1957)
4. “Marina” (Dorival Caymmi, 1947)
5. “Você já foi à Bahia?” (Dorival Caymmi, 1941)
6. “Vatapá” (Dorival Caymmi, 1944)
7. “Dora” (Dorival Caymmi, 1957)
8. “A vizinha do lado” (Dorival Caymmi, 1946)
7. “Morena do mar” (Dorival Caymmi, 1967)
8. “Doralice” (Dorival Caymmi e Antonio Almeida, 1945)
9. “Serenata de São Lázaro” (Gilson Peranzzetta e Paulo César Pinheiro, 2011)
10. “Saudade da Bahia” (Dorival Caymmi, 1957)
11. “Só louco” (Dorival Caymmi, 1955)
12. “Canoeiro (Pescaria)” (Dorival Caymmi, 1944)
13. “Acalanto” (Dorival Caymmi, 1957)
14. “Samba da minha terra” (Dorival Caymmi, 1940)
15. “Maracangalha” (Dorival Caymmi, 1956)
Bis:
16. “Canto de Ossanha” (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966)

Fonte: G1 Entretenimento

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‘O agente secreto’ estreia neste sábado (7) na Netflix

Assista ao trailer de ‘O Agente Secreto’
“O agente secreto”, filme brasileiro que recebeu quatro indicações ao Oscar 2026, vai estrear neste sábado (7) na plataforma de streaming Netflix.
A obra dirigida por Kleber Mendonça Filho concorre a melhor filme, ator (Wagner Moura), filme internacional e seleção de elenco. A premiação americana acontece no dia 15.
“O agente secreto” começa com o retorno do protagonista (Moura) para sua cidade-natal, nos anos 1970, e explora a relação do personagem com seu passado, um homem claramente em fuga de uma história violenta, com aliados misteriosos e uma relação tensa com autoridades.

Fonte: G1 Entretenimento

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Falta a Fagner o balanço da bossa, mas álbum arranjado por Roberto Menescal é correto e apaga o vexame de show


Raimundo Fagner lança hoje, 6 de março, o álbum ‘Bossa nova’, com produção musical e arranjos de Roberto Menescal
Isabela Espíndola / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Bossa nova
Artista: Raimundo Fagner
Cotação: ★ ★ ★
♬ Raimundo Fagner lança hoje, 6 de março, um álbum intitulado “Bossa nova” – com regravações de 10 músicas mais ou menos associadas ao movimento nascido oficialmente em 1958 – e é inevitável a comparação com o álbum “Bossa sempre nova” (2026), apresentado por Luísa Sonza em 13 de janeiro. Até porque Roberto Menescal, papa remanescente da bossa, é nome fundamental como produtor musical e arranjador dos dois discos.
Justiça seja feita: o álbum da cantora tem mais charme e brilho do que o mergulho de Fagner nessa onda de revalorização da bossa nova em escala mundial. Por mais que os tradicionalistas tenham tapado os ouvidos, o disco de Luísa flui lindamente, com a apropriada leveza da bossa.
Falta a Fagner o balanço da bossa nova, embora, justiça seja feita novamente, o cantor procurou ajustar o canto (habitualmente rascante) à suavidade pedida pelo cancioneiro da linha sal, céu, sol, sul. Fagner amaciou a emissão, refreou os vibratos e enfatizou os graves para se aproximar do universo das canções a que dá voz.
Como mostra o canto de “Chega de saudade” (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958) na abertura de “Bossa nova”, o álbum resulta correto e apaga o vexame do show apresentado pelo cantor no Rio de Janeiro (RJ), com certa irritação, em setembro de 2025, como uma prévia do disco.
Se falta a Fagner o ímpeto pedido pelo “Canto de Ossanha” (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1966), afrossamba distanciado já na gênese da leveza da bossa, o feat com Zeca Baleiro em “Tereza da praia” (Antonio Carlos Jobim e Billy Blanco, 1954) reedita com certa graça o dueto dos rivais Dick Farney (1921 – 1987) e Lúcio Alves (1927 – 1993) na gravação original do samba, com a diferença de incluir o toque de uma sanfona, tocada por Marcos Nimrichter, no arranjo excepcionalmente assinado pelo pianista Antonio Adolfo (consta que Menescal foi contra a inclusão de sanfona em dois arranjos do disco).
Já o feat de Fagner com Wanda Sá em “Samba em prelúdio” (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963) é chama sem luz, até porque esse samba triste pede intensidade, interiorizada mais no canto suave de Wanda do que na voz de Fagner.
Fagner canta músicas como ‘Rio’ e ‘Wave’ no álbum ‘Bossa nova’
Isabela Espíndola / Divulgação
Assim como fez para Luísa Sonza, Roberto Menescal armou a cama para Fagner deitar com conforto, exercendo com louvor as funções de produtor musical e arranjador do álbum “Bossa nova”. Além de tocar violão em oito das dez faixas, Menescal arregimentou banda formada por músicos como Adriano Gifoni (baixo), Adriano Souza (piano) e João Cortez (bateria). Afinada com o universo da bossa nova, a banda valoriza o disco.
Parceria póstuma de Carlos Lyra (1933 – 2023) com Dolores Duran (1930 – 1959), “O negócio é amar” (1984) exemplifica a acertada contenção do canto do intérprete. Ainda assim, “Bossa nova” é daquele tipo de álbum que pode até não agredir os ouvidos, mas tampouco provoca alguma sensação de encantamento. Talvez porque, como mostra a abordagem de “Samba de verão” (Marcos Valle e Paulo César Valle, 1964), feita ao lado do autor Marcos Valle, Fagner parece cantor de outra estação, em que pesem todos os louváveis esforços do intérprete para se afinar com o padrão vocal da bossa nova.
A mesma sensação paira sobre a onda de “Wave” (Antonio Carlos Jobim, 1967) em arranjo pontuado pela gaita de Rildo Hora. A propósito, “Águas de março” (Antonio Carlos Jobim, 1972) também evolui com o toque da gaita virtuosa de Rildo Hora na gravação incrementada, a partir do segundo minuto, com breve passagem instrumental de ambiência jazzy. É a tal influência do jazz entranhado na bossa.
O suingue do samba “Rio” (Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli, 1963) reforça a boa vontade do artista de entrar no clima da bossa nova. De toda forma, a banda arregimentada por Roberto Menescal é sempre mais bossa nova do que o canto dosado de Fagner, como atesta o registro de “Por causa de você” (Antonio Carlos Jobim e Dolores Duran, 1957), samba-canção que fecha o álbum outonal do artista.
Enfim, Raimundo Fagner canta bossa nova com correção quase asséptica, como se estivesse tolhendo a própria alma de intérprete, mas, ao menos, o disco editado pela gravadora Biscoito Fino apaga a péssima impressão deixada pelo show de setembro.
Capa do álbum ‘Bossa nova’, de Raimundo Fagner
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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De Recife a Oslo, passando por Gaza, Irã e Marrocos: o ‘mapa’ do Oscar de Filme Internacional


Wagner Moura e Kleber Mendonça Filho durante as gravações de ‘O agente secreto’, no Ginásio Pernambucano
Victor Jucá/Divulgação
O Oscar de Filme Internacional em 2026 conta histórias vividas em territórios que sufocam, libertam ou denunciam. Da simetria modernista do Recife em “O Agente Secreto” às casas de madeira na Noruega, a lista traz um cinema que usa o asfalto de Teerã e a poeira de Marrocos para transformar o espectador em testemunha de tensões.
A disputa equilibra a paranoia política brasileira com o realismo clandestino iraniano, provando que o melhor do cinema global ainda nasce da relação entre a câmera e o lugar onde a história é filmada.
Abaixo, veja detalhes das locações dos indicados a Melhor Filme Internacional do Oscar. A premiação acontece em 15 de março, em Los Angeles.
RECIFE (BRASIL): ‘O Agente Secreto’
Assista ao trailer de ‘O Agente Secreto’
“O Agente Secreto” ocupa o Centro do Recife e o bairro da Boa Vista, usando a arquitetura modernista como peça-chave do suspense. Locações como o Edifício Ofir e o Cinema São Luiz reforçam a sensação de confinamento. Janelas, marquises e corredores são como postos de observação. E de um refúgio nem sempre seguro.
MAPA: As locações de ‘O Agente Secreto’ no Recife
A câmera do diretor Kleber Mendonça Filho foca no concreto aparente e no Rio Capibaribe, transformando a geografia urbana recifense em um tabuleiro de vigilância onde o protagonista vivido por Wagner Moura tenta se esconder. Filmar em locais que preservam a estética de 1977 permite que a cidade dite a paranoia do roteiro.
TEERÃ (IRÃ): ‘Foi Apenas um Acidente’
Assista ao trailer de ‘Foi apenas um acidente’
O filme ocupa as ruas de Teerã de forma clandestina, transformando a capital iraniana em um cenário de tensão real. O diretor Jafar Panahi registra a cidade de dentro de carros e em locações discretas, utilizando a arquitetura urbana e o fluxo de pessoas como elementos de uma vigilância que ultrapassa a ficção. Teerã dita o ritmo do suspense com seus engarrafamentos, calçadas vigiadas e uma luz crua que segue o conflito.
G1 JÁ VIU: ‘Foi apenas…’ estica corda da tensão com leveza
A escala reduzida da produção, que cabia em apenas dois veículos, permitiu que a cidade se revelasse em sua forma mais autêntica e opressora: havia um risco real de interrupção policial das filmagens. A equipe enxuta não é só uma escolha estética, mas uma estratégia para driblar a fiscalização do regime.
GAZA (PALESTINA): ‘A Voz de Hind Rajab’
‘A Voz de Hind Rajab’: assista ao trailer
O filme utiliza ambientes urbanos devastados para dar corpo ao relato da tragédia real de uma menina de seis anos presa em um carro sob fogo cruzado. As ruas esburacadas e os prédios em ruínas de Gaza servem para humanizar um espaço de confinamento extremo onde a urgência vital é ditada por telefonemas de socorro. As imagens da cidade deixam o rastro do que um dia foi um centro de convivência, agora reduzido a um cenário de isolamento.
Detalhes íntimos e sons ambientes aterrorizantes amplificam o medo da protagonista. A ambientação é crucial para estabelecer a autenticidade do relato, forçando o público a encarar a realidade da guerra sem os filtros do jornalismo tradicional.
DESERTOS (MARROCOS): ‘Sirāt’
Assista ao trailer do filme “Sirât”
Os desertos marroquinos de Errachidia, Erfoud e Bouarfa emprestam suas paisagens áridas e horizontes infinitos para criar um cenário de isolamento em “Sirāt”, na metade final do filme. O diretor Oliver Laxe utiliza a poeira e o silêncio para amplificar a experiência sensorial da jornada de um grupo que atravessa montanhas rumo a uma rave. Os desfiladeiros estreitos e um território marcado por cicatrizes de conflitos passados se tornam desafios de sobrevivência.
G1 JÁ VIU: ‘Sirât’ oferece experiência inesperada e explosiva
Nesta locação, a natureza dita o comportamento de quem tenta se deslocar ali. O deserto deixa de ser um pano de fundo para se tornar a força que testa a sanidade e o destino dos personagens, equilibrando o sentimento de perda com a paixão pela música.
OSLO (NORUEGA): ‘Valor Sentimental’
Assista ao trailer de ‘Valor sentimental’
O filme abre com uma casa imponente, já visivelmente torta pelo passar do tempo, em Oslo, na Noruega. A construção de madeira carrega o peso de gerações da família Borg e se torna o centro de uma família envolta em memórias mal resolvidas. É dentro dessas paredes que duas irmãs são forçadas a lidar com o retorno do pai, transformando cômodos em espaços de tensão.
G1 JÁ VIU: ‘Valor Sentimental’ encontra beleza na humanidade
A arquitetura peculiar da casa, em uma vila arborizada no bairro de Frogner, é marcada por ecos da mitologia nórdica e do nacionalismo romântico. É essa casa típica do final do século 19 que dita a dinâmica da trama: as personagens tentam decidir o destino do imóvel, da própria relação familiar e de um filme que é gravado na própria casa (e sobre traumas vividos nela).

Fonte: G1 Entretenimento

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Roberto Carlos anuncia venda de ingressos para show de aniversário em Cachoeiro; veja valores


Roberto Carlos anuncia show em Cachoeiro para comemorar 85 anos na cidade onde nasceu, no Espírito Santo
Caio Girardi/Divulgação
Os ingressos para o show de aniversário do cantor Roberto Carlos em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo, começam a ser vendidos no dia 9 de março, ao meio-dia. A apresentação vai acontecer em 19 de abril, dia em que o cantor completa 85 anos. A informação sobre as vendas foi confirmada pela equipe do artista.
Conhecido como o ‘Rei’ da música brasileira, Roberto Carlos é capixaba e nasceu em Cachoeiro de Itapemirim. O aniversário promete reunir fãs de várias partes do país, como é tradição nas apresentações do cantor na cidade.
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O show será no Parque de Exposição Carlos Caiado Barbosa, às 20h, com abertura dos portões às 18h.
As entradas poderão ser compradas pela internet, em uma plataforma de eventos, ou presencialmente na bilheteria oficial, localizada na loja Oriento Jóias – Perim Center, na Avenida Jones dos Santos Neves, bairro Caiçara, em Cachoeiro de Itapemirim.
O ponto físico funciona de segunda a sábado, das 10h às 20h.
Valores dos ingressos
Os ingressos para o show de Roberto Carlos em Cachoeiro de Itapemirim variam de R$ 85 a R$ 900, dependendo do setor escolhido. Veja os preços:
🔵 Setor Azul Central
Inteira: R$ 900
Meia-entrada: R$ 450
🔵 Setor Azul Lateral
Inteira: R$ 760
Meia-entrada / PCD: R$ 380
🟡 Setor Amarelo Central
Inteira: R$ 620
Meia-entrada: R$ 310
🟡 Setor Amarelo Lateral
Inteira: R$ 540
Meia-entrada / PCD: R$ 270
⚪ Setor Branco
Inteira: R$ 360
Meia-entrada / PCD: R$ 180
🏟 Arquibancada (Central e Lateral)
Inteira: R$ 170
Meia-entrada: R$ 85
Roberto Carlos vai fazer show em Cachoeiro em comemoração aos seus 85 anos
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Formas de pagamento
Nas compras on-line, o pagamento pode ser feito por Pix, cartão de débito ou crédito, com possibilidade de parcelamento em até duas vezes sem juros ou em até 10 vezes com juros de 2,8% ao mês.
Já na bilheteria física, os ingressos podem ser pagos em dinheiro, cartão de débito ou crédito, com parcelamento em até duas vezes sem juros.
Classificação e estrutura
A classificação indicativa do evento é 18 anos. Menores só poderão entrar acompanhados dos pais ou responsáveis. O local também contará com estacionamento pago para o público.
Rei tem tradição de comemorar aniversário com show em Cachoeiro
A última apresentação do cantor no Espírito Santo, foi em abril de 2023, quando comemorou 82 anos. Ele desembarcou em Vitória e realizou dois shows no estado, um em Cachoeiro e outro na capital.
Na ocasião, a passagem do cantor movimentou fãs e marcou as celebrações de aniversário do artista.
Show de Aniversário – Roberto Carlos
📅 Data: 19 de abril (domingo)
⏰Horário: 20h, com abertura dos portões às 18h
📍Local: Parque de Exposição Carlos Caiado Barbosa, em Cachoeiro de Itapemirim
🎟️Ingressos: preços variam de R$ 85 a 900
ℹ️ Vendas de ingressos: 9 de março, ao meio-dia, online ou na loja Oriento Jóias – Perim Center, na Avenida Jones dos Santos Neves, bairro Caiçara, em Cachoeiro de Itapemirim.
Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo
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Fonte: G1 Entretenimento

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Como Harry Styles ganhou ‘sósias’ no pop e se distancia deles em novo disco


Harry Styles mostra lado mais ‘experimental’ e dançante em disco novo
Harry Styles está de volta. Ele lança o álbum “Kiss All The Time. Disco, Occasionally” nesta sexta (6) e dá para dizer que o disco é experimental — para os padrões dele, pelo menos.
O músico andava sumido, ausente dos holofotes desde 2023, e sua ausência foi sentida. Surgiram vários “sósias” de Styles nos últimos anos: Sombr, Role Model e Benson Boone são alguns dos artistas que parecem ter várias fotos de Harry salvas no Pinterest.
Mas até o momento, nenhum deles chegou perto do Harry Styles “original”, e não só no quesito fama. Entenda por que cantor tem tantos “sósias” e como o disco novo o distancia dos seus herdeiros:
O molde do popstar branco
Sombr, Role Model e Benson Boone são alguns dos popstars que seguem o ‘molde Harry Styles’
Reprodução
Não é que Harry Styles seja um grande pioneiro. A questão é que o músico representa um novo parâmetro para a atualidade: em uma época em que o público prefere artistas mais diversos, o cantor mostrou que ainda é possível ser idolatrado, mesmo sendo… um homem branco.
Ele segue uma fórmula bastante eficaz. Harry está confortável em expressar feminilidade (sua sexualidade é um ponto de interrogação, mas suficiente para atrair fãs hétero e LGBTQ+); não se apropria da cultura negra; tem o respeito de ídolos, de Stevie Nicks a Elton John… e, acima de tudo, não encarna a masculinidade agressiva que muitas vezes domina o rock e suas vertentes.
Harry é discípulo assumido de nomes como Bowie, Freddie Mercury e Prince, artistas que sempre dobraram as regras da expressão masculina na música. E ainda que siga dicas de seus ídolos, ele arrisca muito menos, tentando se manter no lado menos “cancelável” e problemático possível.
Nem sempre dá certo. Harry já foi acusado de queerbaiting, teve sua cota de tretas públicas…. e simbolicamente, se envolveu em uma polêmica em 2023, após levar o Grammy de Álbum do Ano e dizer que “isso não costuma acontecer” para pessoas como ele (naquela época, Beyoncé era a grande favorita e o prêmio já tinha fama de racista).
Ou seja, talvez o próprio Harry tenha dificuldade em enxergar o nível de privilégio de ser um homem branco no topo da indústria.
Depois desse infame discurso, inclusive, Harry precisou de um “sumiço” para voltar às graças do público geral. Mas é interessante ver que, em sua ausência, ninguém ocupou exatamente esse lugar. Por mais que tenham tentado.
Harry Styles no clipe de ‘Lights Up’ (esquerda) e Role Model no clipe de ‘Oh Gemini’ (direita)
Reprodução/YouTube
Os novatos Sombr e Role Model têm bombado desde 2025, principalmente no TikTok e entre fãs mais jovenzinhos. Claro, há uma ou outra diferença na parte musical. Mas no que diz respeito à estética, quem vê os dois pode ter um déjà vu.
Benson Boone, então, parece um híbrido bastante caricatural de Styles e de Freddie Mercury. Mas não chega perto nem de um, que dirá do outro.
Difícil dizer o quanto esses artistas querem ser Harry e o quanto a indústria os colocou nesse lugar. Dá pra imaginar executivos de terno, revendo os passos do ex-One Direction e obrigando os novatos a fazer parecido. Que gravadora não quer ter um Harry Styles?
Em parte, tem dado certo: os novatos têm ganhado streams, fama, indicações ao Grammy, e por aí vai. De volta à cena, Harry ganhou uma “concorrência” no mundinho pop masculino que ele mesmo ajudou a criar.
Mas ainda há algo no britânico que os sósias não alcançam, uma característica que o colocou no posto de popstar descolado dominante — e que aparece nesse disco. É que, mesmo tendo suas próprias referências, Styles busca não entrar na modinha… e ainda hoje, tenta fazer a própria.
Todo mundo quer ser aquele Harry Styles, menos ele
Harry Styles no clipe de ‘Aperture’, lead single de ‘Kiss All The Time. Disco, Occasionally.’
Divulgação/Stella Blackmon
O engraçado é que, enquanto está na moda ser Harry Styles, ele decidiu tentar ser outra coisa. “Kiss All The Time. Disco, Occasionally” é o álbum mais “experimental” da carreira de Styles. Leia crítica completa.
O disco é inspirado pelo tempo em que Harry foi mais gente como a gente (ou o mais próximo disso, já que ainda era um ricaço na Europa). Ele foi avistado fazendo maratonas, passeando pelas ruas de Roma e até acompanhando o anúncio do novo Papa em 2025.
Além disso, o cantor diz que andou indo muito em shows e baladas, vendo tudo de um lugar que ele nunca esteve: do meio da multidão.
Isso se reflete na produção e na mixagem de “Kissco” (apelido que o álbum ganhou dos fãs porque, convenhamos, que título enorme). Nesse disco, a voz de Harry aparece quase sempre processada, mergulhada em efeitos e dobras, e raramente é a protagonista das músicas. É como se ele estivesse com você no meio da galera, cantando enquanto uma batida eletrônica ecoa no fundo.
Isso já é uma dica de como esse álbum vai por um lado pouco óbvio para Harry. Afinal, ele se fez como cantor de pop rock nostálgico, uma espécie de membro do Fleetwood Mac com roupas estampadas de coração. Mas “Kissco” mostra um lado moderninho do músico, que não ganhou a fama de descolado à toa.
De modo geral, Harry abandona aquela estrutura típica de canção pop com refrão chiclete. Muitas músicas crescem e se revelam aos poucos, com loops, sintetizadores e trechos instrumentais dançantes.
O conjunto está lembra o dance pop indie, na linha de Metronomy e Bloc Party, digno do line-up do Lollapalooza nos anos 2010.
Harry Styles em foto para o disco ‘Kiss All The Time Disco Occasionally’
Divulgação
O disco não é uma obra-prima impecável, mas sem dúvidas traz um frescor à discografia dele. Harry nitidamente ganhou inspiração e fôlego ao fugir um pouco dos holofotes. Afinal, até estrelas pop precisam viver.
E sempre é animador ver um artista desse porte tentar novos caminhos, sem medo de desagradar os fãs das antigas.
No fim das contas, é isso que separa os hitmakers de hoje dos popstars que seguem relevantes ao longo do tempo. E é o que coloca Harry um pouco à frente, pelo menos por enquanto, dos sósias que têm vindo por aí.

Fonte: G1 Entretenimento

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Simone e Francis Hime preparam show conjunto com estreia prevista para maio


Simone e Francis Hime preparam um show conjunto para reforçar conexão iniciada há quase 50 anos
Reprodução / Instagram Francis Hime
♫ NOTÍCIA
♬ Uma das melhores notícias recentes do universo da MPB apareceu esta semana em rede social de Francis Hime. O compositor, pianista e arranjador carioca prepara show inédito com a baiana da gema Simone. A estreia do show está prevista para maio, presumivelmente na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Nada mais foi informado, mas a notícia da simples existência do projeto unindo a cantora e o músico já simboliza um bálsamo para seguidores da MPB diante das relevâncias dos dois artistas.
Se efetivamente chegar à cena, o show celebra uma parceria de quase 50 anos. Foi em 1977 que Simone gravou pela primeira vez uma música de Francis Hime, “Valsa rancho”, parceria do compositor com Chico Buarque. A gravação faz parte do álbum “Face a face”, primeiro antológico título da discografia da cantora.
Cinco anos depois, em 1982, Simone gravou o samba “Embarcação”, outra parceria de Francis com Chico, para o álbum “Corpo e alma”. Em 1987, Simone regravou “Trocando em miúdos” (1977), mais uma música da obra de Francis com Chico, para o álbum “Vício”.
Em 2007, a Cigarra pôs voz em “Existe um céu”, parceria de Francis com Geraldo Carneiro, em gravação feita para a trilha sonora da novela “Paraiso tropical”.
Tudo isso sem contar as participações da cantora nos discos do compositor e maestro. Em 1984, no álbum “Essas parcerias”, Francis fez feat com Simone em “O sinal” (Francis Hime e Alberto Abreu). No “Álbum musical” (2008), Simone foi a intérprete de “Maravilha” (1977), outra música de Francis com Chico.
Por fim, no mais recente álbum do artista, “Não navego pra chegar” (2025), a cantora caiu no “Samba para Martinho” (Francis Hime, Geraldo Azevedo e Olivia Hime) em gravação feita com a maestria de Francis Hime.

Fonte: G1 Entretenimento

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Tânia Maria, a Dona Sebastiana de ‘O Agente Secreto’, diz que não vai à cerimônia do Oscar


Conheça Tânia Maria, a Sebastiana de “O Agente Secreto”
Reprodução/Fantástico
A atriz potiguar Tânia Maria, a Dona Sebastiana do filme O Agente Secreto, anunciou nesta quinta-feira (5) que não vai para a cerimônia do Oscar, em Los Angeles, no Estados Unidos, e que irá acompanhar a premiação do Brasil.
O motivo dela não ir à premiação não foi divulgado. A atriz de 79 anos chegou a parar de fumar, após 65 anos, para conseguir viajar e participar da cerimônia. Ela, inclusive, procurou ajuda médica por conta da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPCO) que desenvolveu após anos de consumo de cigarro.
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A ausência no Oscar foi divulgada por Tânia Maria em um vídeo nas redes sociais, no qual ela também convida o público brasileiro para acompanhar a cerimônia do Brasil.
“O Brasil precisa de gente para brilhar aqui também. Vamos ficar na torcida aqui no Brasil. Eu fico para brilhar com vocês”, disse no vídeo.
Conheça Tânia Maria, atriz potiguar que ganhou o mundo
O Agente Secreto, filme dirigido por Kleber Mendonça Filho e protagonizado por Wagner Moura, concorre a quatro estatuetas no Oscar, que acontece no dia 15 de março:
Melhor seleção de elenco;
Melhor filme internacional;
Melhor ator, para Wagner Moura;
Melhor filme.
Tânia Maria recebeu grande reconhecimento pela atuação no filme e chegou a ser lembrada por publicações especializadas, como Variety e The Hollywood Reporter, como uma candidata à indicação de Melhor Atriz Coadjuvante no Oscar, mas acabou ficando de fora da lista oficial.
Quem é Tânia Maria
Artesã e costureira, moradora de Santo Antônio da Cobra, povoado em Parelhas, no interior do Rio Grande do Norte, Tânia Maria se tornou atriz em 2019, aos 72 anos, depois de fazer um papel de figurante no filme “Bacurau”, de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho – este último também dirigiu “O Agente Secreto”.
Na produção, fez amizade com Kleber, com o preparador de elenco Leonardo Lacca e artistas. Desde então, já foram cinco filmes gravados. Antes, ela trabalhava como artesã – profissão que mantém mesmo após o ingresso ao cinema.
Tânia Maria interpreta ‘Sebastiana’ em ‘O agente secreto’
Reprodução/Fantástico
Carreira nas telas
Em “O Agente Secreto”, Tânia Maria vive Sebastiana, uma proprietária de apartamentos de Recife que abriga refugiados e Marcelo, o personagem de Wagner Moura.
No currículo, a atriz também participou do filme “Seu Cavalcanti” e rodou a série policial “Delegado”, com previsão de estreia em 2026.
Ela também estrela o longa “Yellow Cake”, que representou o Brasil no Festival de Roterdã, o curta-metragem “O Dilema das Rosas”, de Miguel Victor e os longas “Almeidinha”, de Gustavo Guedes e Julio Castro, e “Adoção”, de Allan Deberton.
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Fonte: G1 Entretenimento