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Chamego eterno: pesquisadores encontram na China esqueletos abraçados há 1.500 anos


Casal abraçado dessa forma é o primeiro encontrado na China, afirma pesquisador. Imagem de esqueletos encontrados abraçados no norte da China
Qian Wang/Cortesia
Arqueólogos encontraram dois esqueletos abraçados de cerca de 1.500 anos na região norte da China, de acordo com uma publicação no periódico científico “International Journal of Osteoarchaeology”.
É o primeiro casal encontrado abraçado dessa forma na China, disse Qian Wang, o principal autor do estudo e um professor associado no departamento de Ciências Biomédicas na faculdade de Odontologia da universidade Texas A&M.
Enterros de casal não são raros na China, mas esse, especificamente, está colocado propositalmente para demonstrar afeto entre os dois.
Ilustração de Anqi Wang mostra como o casal deve ter sido enterrado
Anqi Wang/Cortesia
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Os esqueletos são de pessoas que viveram na dinastia Wey, que dominou a região entre 386 e 534.
“Nessa época, a China era bastante liberal —havia tanto casamentos livres (em que homens escolhiam mulheres ou mulheres escolhiam homens) como casamentos arranjados”, disse Wang ao G1.
Sacrifício para enterro em conjunto
Pode ser que a mulher tenha se sacrificado para ter sido enterrada com o marido, de acordo com os pesquisadores.
Os cientistas dizem que é pouco provável que o homem e a mulher tenham morrido ao mesmo tempo —não há sinais de violência, doença ou envenenamento. Talvez o homem tenha morrido antes, e a mulher tenha se sacrificado para que eles pudessem ser enterrados em conjunto. O contrário também pode ter ocorrido, mas o esqueleto dela estava em um estado melhor.
Primeiro enterro como esse descoberto na China
O homem tinha cerca de 1,61 metro de altura e tinha um braço quebrado, estava sem uma parte de um dedo da mão direita e um esporão ósseo. Estima-se que tenha morrido quando tinha uma idade entre 29 e 35 anos.
A mulher tinha 1,57 metro e não tinha problemas ósseos quando morreu. Ela devia ter uma idade entre 35 e 40 anos.
“Essa é uma sepultura excepcionalmente bem preservada. A preservação depende de muitos fatores, como o formato do jazigo e condições do ambiente. Este é o primeiro sepultamento de um casal em um abraço encontrado em qualquer lugar a qualquer momento na China, e o primeiro a ser descrito cientificamente no mundo”, afirma Wang.
Veja abaixo uma vídeo sobre dois esqueletos de 1.600 anos encontrados em Modena, na Itália, encontrados em 2011. Em 2019, descobriu-se que eram dois homens.
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Fonte: G1 Mundo

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‘Não perdoaremos e não esqueceremos’, diz Biden sobre ataque terrorista a aeroporto no Afeganistão


Ataque assumido por braço afegão do Estado Islâmico Pentágono deixou ao menos 12 militares americanos entre os mortos. ‘Vamos caçá-los para fazer vocês pagarem’, disse presidente dos EUA, que pediu momento de silêncio para homenagear ‘heróis que deram vidas’ para salvar outros. Presidente Joe Biden dos EUA em um pronunciamento após ataque terrorista no aeroporto de Cabul em 26 de agosto de 2021
Reprodução/Casa Branca
“Não vamos perdoar. Não vamos esquecer. Vamos caçá-los para fazer vocês pagarem”, afirmou o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ao falar nesta sexta-feira (26) sobre as explosões que deixaram várias vítimas no aeroporto internacional de Cabul, capital do Afeganistão.
Ele reafirmou a continuidade da missão de retirada e disse que “esses terroristas do Estado Islâmico não irão ganhar”.
Biden ainda chamou de heróis os militares que “deram suas vidas” para salvar pessoas em uma operação que já retirou mais de 100 mil pessoas do Afeganistão nos últimos 11 dias, e disse que eles são o que há de melhor nos EUA.
“Heróis que se envolveram em uma missão perigosa e altruísta para salvar a vida de outras pessoas”, disse o presidente.
A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) confirmou que foi um atentado terrorista e o Talibã condenou o ataque (veja mais abaixo).
O braço afegão do Estado Islâmico (EI-K) assumiu a responsabilidade do ataque, segundo a agência vinculada ao grupo extremista, Amaq News. O EI-K é mais radical do que o Talibã e criticou o acordo de paz responsável pela retirada estrangeira do Afeganistão.
Imagens feitas por jornalistas afegãos mostram dezenas de corpos enfileirados e cobertos próximos ao local da explosão.
O Pentágono fala em “ataque complexo” e diz que há 12 militares americanos entre os mortos e ao menos 15 agentes feridos. Fontes do governo afegão dizem que ao menos 60 civis morreram e 140 ficaram feridos.
Vídeo: Veja imagens de feridos após explosão do lado de fora do aeroporto
O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd J. Austin III, lamentou as mortes dos militares que atuavam no controle do aeroporto em um comunicado, mas confirmou que a retirada continua.
“Terroristas tiraram suas vidas no exato momento em que as tropas tentavam salvar a vida de outras pessoas”, escreveu Austin. “Não seremos dissuadidos da tarefa que temos em mãos.”
O aeroporto internacional Hamid Karzai é a única porta de saída do país para milhares de estrangeiros e afegãos que tentam, desesperados, embarcar nos voos de retirada organizados pelos países ocidentais (veja mais abaixo).
“Podemos confirmar que a explosão no portão da Abadia foi o resultado de um ataque complexo que resultou em várias vítimas americanas e civis”, afirmou o porta-voz do Pentágono, John Kirby.
“Podemos confirmar pelo menos uma outra explosão no hotel Baron ou próximo a ele, a uma curta distância do portão da Abadia”.
O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse que “condena veementemente o horrível ataque terrorista fora do aeroporto de Cabul”. “Nossa prioridade continua sendo evacuar o máximo de pessoas para um local seguro o mais rápido possível”.
Mapa identifica área das explosões próximas ao aeroporto de Cabul em 26 de agosto de 2021
Arte G1
Duas fontes do governo americano disseram à agência de notícias Reuters que ao menos uma das explosões parece ter sido um ataque suicida causado por uma bomba.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que “o Emirado Islâmico [do Afeganistão] condena veementemente o bombardeio de civis no aeroporto de Cabul, ocorrido em uma área onde as forças dos EUA são responsáveis pela segurança”.
Homem ferido é transportado em maca após duas fortes explosões no aeroporto de Cabul, no Afeganistão, em 26 de agosto de 2021
Wakil Kohsar/AFP
VÍDEO: Vítimas de explosão no aeroporto de Cabul chegam a hospital
Risco ‘iminente’ de atentado
O presidente dos EUA, Joe Biden, foi informado sobre ataque durante uma reunião com autoridades de segurança sobre a situação no Afeganistão, segundo a Reuters.
Mais cedo, EUA, Reino Unido e Austrália alertaram para o risco de um atentado “iminente” no local e pediram a seus cidadãos que abandonassem imediatamente a área do aeroporto devido a uma ameaça terrorista.
“As informações obtidas ao longo da semana são cada vez mais sérias e fazem referência a uma ameaça iminente e grave”, afirmou mais cedo o secretário de Estado britânico das Forças Armadas, James Heappey. “É uma ameaça muito séria, muito iminente”.
Entre as ameaças estavam um possível ataque do Estado Islâmico (veja mais no fim do texto).
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Única porta de saída
O aeroporto internacional Hamid Karzai é a única porta de saída do país para estrangeiros e afegãos. Quase 90 mil pessoas já foram retiradas desde que o Talibã retomou o poder, em 15 de agosto, mas uma multidão ainda se aglomera dentro e ao redor do local, inclusive em valas (veja no vídeo abaixo).
Segundo o jornal “The New York Times”, ao menos 250 mil afegãos que trabalharam para os EUA ainda não foram retirados do país — e o atual ritmo de evacuação não é suficiente para retirar todo mundo até terça-feira (31).
A data limite foi estipulada pelo presidente americano, Joe Biden, no começo de julho, que recusou os pedidos de aliados para adiar a saída definitiva do Afeganistão. O Talibã disse, reiteradas vezes, que não aceitaria a prorrogação do prazo.
A Alemanha anunciou nesta quinta, após as explosões no aeroporto de Cabul, que concluiu a retirada de seus soldados e equipe diplomática do Afeganistão.
VÍDEO: Pessoas em vala tentam embarcar em um dos aviões que saem de Cabul, no Afeganistão
Ameaça do Estado Islâmico
Entre os motivos apontados por Biden para negar o pedido estava a “aguda” ameaça terrorista do braço regional do grupo terrorista Estado Islâmico, responsável por alguns dos ataques mais violentos no Afeganistão e no Paquistão nos últimos anos.
O grupo terrorista fez atentados em mesquitas, santuários, praças e até hospitais nos dois países, além de ataques contra muçulmanos de alas que considera hereges, como os xiitas.
“A cada dia, as operações suscitam um risco suplementar para nossas tropas”, disse o presidente americano, citando a probabilidade de um atentado do Estado Islâmico em Cabul. “O inimigo número 1 dos talibãs visa o aeroporto para atacar as forças americanas e aliadas, bem como civis inocentes”.
Embora o Estado Islâmico e o Talibã sejam sunitas radicais, os dois grupos extremistas são rivais.
O Estado Islâmico criticou o acordo de paz entre EUA e Talibã assinado em 2020, que estabeleceu as diretrizes para a retirada das tropas estrangeiras, e acusou os talibãs de abandonar a causa jihadista.
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Fonte: G1 Mundo

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Austrália registra pela primeira vez mais de mil contaminações por Covid-19


Aclamada no ano passado por sua excelente gestão da pandemia, a Austrália registrou nesta quinta-feira (26) um recorde para um país onde o vírus matou menos de mil. Fachada de uma clínica de vacinação no subúrbio de Sydney, Bankstown, na quinta-feira (25)
Reuters/Loren Elliott
Aclamada no ano passado por sua excelente gestão da pandemia, a Austrália registrou nesta quinta-feira (26) mais de mil casos de Covid-19, um recorde para um país onde o vírus matou menos de mil.
Este novo foco epidêmico afeta principalmente a cidade de Sydney que, no entanto, está confinada há dois meses. Além disso, no local, as autoridades parecem ter desistido da estratégia Covid zero. Elas agora estão apostando tudo na vacinação.
Este é um limiar simbólico que acaba de ser cruzado em Sydney, onde, na manhã desta quinta-feira, 1.029 novos casos de Covid-19 foram identificados nas últimas 24 horas.
Um número inédito na Austrália, o que justifica, segundo as autoridades, a manutenção da contenção em Sydney até o final de setembro, mas também nas áreas rurais de New South Wales, onde foram registrados alguns casos nos últimos dias, principalmente nas áreas onde vive uma grande comunidade aborígine.
Com números que não baixam, apesar de dois meses de confinamento em Sydney, o governo local se resignou a abandonar a estratégia Covid zero.
A única saída agora é a vacinação, que, depois de um início muito lento, está avançando muito. Mais de 330 mil doses foram administradas na quarta-feira (25). Um recorde que, neste momento, está sendo batido a cada dia.
Um movimento que as autoridades desejam estimular. Apesar das más notícias do dia, elas também anunciaram que os vacinados poderão recuperar certas liberdades em meados de setembro.
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Fonte: G1 Mundo

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Policiais do Capitólio processam Trump por incitação a ataque em 6 de janeiro


Sete policiais alegam que ataque foi a culminação de meses de retórica de Trump, que teria conspirado com grupos de extrema-direita The Proud Boys e The Oathkeepers. Cinco pessoas morreram em consequência da invasão e quatro policiais que participaram da defesa do Capitólio se mataram mais tarde. Apoiadores de Trump ocupam a Rotunda do Capitólio, em 6 de janeiro
Saul Loeb/AFP
Sete policiais do Capitólio dos Estados Unidos processaram nesta quinta-feira (26) o ex-presidente Donald Trump, alegando que ele conspirou com grupos de extrema-direita para provocar o ataque de 6 de janeiro contra o Congresso, que deixou cinco mortos.
No processo aberto em um tribunal federal de Washington, os policiais alegam que o ataque foi a culminação de meses de retórica de Trump, que eles dizem que sabia do potencial de violência e que a incentivou ativamente na esperança de interromper a certificação da vitória eleitoral do presidente Joe Biden.
O processo alega que Trump conspirou com os grupos de extrema-direita The Proud Boys e The Oathkeepers, além de agentes políticos de extrema-direita como Roger Stone e Ali Alexander, que divulgou o discurso de Trump perto da Casa Branca logo antes do ataque ao Capitólio.
“Trump, conjuntamente com outros acusados, fez e incentivou deliberada e persistentemente afirmações falsas de fraude eleitoral para desacreditar o resultado da eleição e incitar maliciosamente a revolta entre seus apoiadores”, afirma o processo.
O caso é o mais recente de uma série de processos que tentam responsabilizar Trump pelo cerco de uma multidão de apoiadores dele ao Capitólio.
Quatro pessoas morreram no dia da invasão, uma baleada pela polícia e as outras três de causas naturais. Um policial do Capitólio que foi atacado por manifestantes faleceu no dia seguinte. Quatro policiais que participaram da defesa do Capitólio se mataram mais tarde.
Vídeos: Manifestantes pró-Trump invadem Congresso dos EUA

Fonte: G1 Mundo

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Afegão que vive no Brasil diz que está ‘sem contato’ com família após 12 dias de domínio do Talibã


Sayed Abdul Rahman Hashimi, de 30 anos, saiu do Afeganistão em 2015 para estudar no Brasil e disse que está ‘há dias sem contato’ com a família que vive em Cabul, no Afeganistão. Sayed na época em que morava no Afeganistão
Sayed Abdul Rahman Hashimi/ Arquivo pessoal
O engenheiro civil Sayed Abdul Rahman Hashimi, de 30 anos, que mora há 6 no Brasil, ainda não conseguiu falar com a família que mora no Afeganistão, após explosões no aeroporto internacional de Cabul, na capitão afegã, nesta quinta-feira (26).
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Em conversa com o G1, as 14h31 desta quinta, o engenheiro disse que tinha ficado sabendo do ataque terrorista no aeroporto cinco minutos antes.
“Tem cinco minutos que soube do ataque no aeroporto por um amigo, ainda não consegui contato com meus familiares que moram no local. Estou sem contato há dias com eles, mas acho que está tudo bem”, disse.
Ao menos duas explosões deixaram várias vítimas no aeroporto internacional Hamid Karzai. A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) confirmou que foi um atentado terrorista e o Talibã condenou o ataque.
Em entrevista ao G1 no dia 17 de agosto, Hashimi disse na época que falou com os parentes e, até aquele momento, estavam em segurança, em casa.
“Estou chocado, tenho irmãs, sobrinhos e cunhados vivendo em Cabul”.
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Preocupado com parentes
Ele saiu de Cabul, capital do país, em 2015, para morar e estudar no Brasil. Cursou uma especialização em engenharia, em 2019, na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Sayed contou, na entrevista do dia 17, que, mesmo depois de ter conseguido conversar, nos primeiros dias de ataque, com seus parentes que moram em Cabul, estava preocupado com a segurança deles no local.
“Eles estão juntos, em casa, em segurança, mas contaram que nada funciona lá, tudo fechado, aeroporto com aglomeração e voos cancelados, não tem polícia, não tem governo, até nossa bandeira, eles tiraram e colocaram outra no lugar. Me preocupo com eles, apesar de saber que, por enquanto, estão bem”, contou.
Sayed na faculdade de engenharia no Afeganistão, em 2013
Arquivo pessoal
Sayed disse, naquele dia, que a família ainda não pensa em sair de lá para vir para o Brasil. “Ainda é muito complicado para eles saírem de lá”. Nesta quinta (26), ele não pôde falar por muito tempo com a reportagem.
Os pais, o irmão, sobrinhos e uma cunhada de Sayed moram em São Paulo desde 2009. “Meu irmão estava correndo perigo em Cabul e por isso saíram de lá”, disse o engenheiro, sem dar detalhes.
Ele se formou e se casou no Afeganistão. Devido às dificuldades em conseguir um emprego “melhor”, ele e a esposa decidiram vir para o Brasil para estudar e tentar “mudar de vida”.
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“Lá eu trabalhava na construção dos projetos que militares dos Estados Unidos estavam fazendo para militares do Afeganistão, as coisas estavam difíceis e, quando cheguei no Brasil, comecei a trabalhar até como camelô”, contou.
Sayed conseguiu a naturalização brasileira em 2019. Atualmente, ele trabalha como autônomo e mora com a esposa e o filho, que nasceu no Brasil.
“Minha vida está melhorando aqui e estou muito feliz. Desejo paz no Afeganistão, não importa quem fique no governo, queremos paz, eles sofrem há 50 anos, que a situação melhore por lá”, deseja Sayed.
Sayed e amigos em Cabul, no Afeganistão.
Arquivo pessoal
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Fonte: G1 Mundo

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Suspeito de ataques em Cabul, Estado Islâmico afegão confronta o Talibã por considerá-lo pouco rigoroso; entenda


Disputa entre grupos extremistas rivais torna a crise do Afeganistão ainda pior. Voluntários e equipes médicas retiram corpos de uma caminhonete em frente a um hospital após duas fortes explosões fora do aeroporto de Cabul, no Afeganistão, nesta quinta (26)
Wakil Kohsar/AFP
No que diz respeito à condição atual do Afeganistão, não há nada de tão ruim que não possa piorar. A retirada das tropas americanas após 20 anos de ocupação e a rápida reconquista do Talibã representavam por si só a expressão mais fiel da catástrofe para a população.
Havia mais: a ascensão do grupo extremista acirrou também o conflito com o ramo afegão do Estado Islâmico, considerado o principal suspeito dos atentados desta quinta-feira no aeroporto de Cabul.
A disputa e o ódio mútuo entre os dois grupos jihadistas de orientação sunita transformam em velocidade aterradora o país na sucursal do inferno. O EI-K, abreviatura para Estado Islâmico-Província de Khorasan, despreza os talibãs por não aplicarem a sua versão radical da lei islâmica com rigor suficiente.
Esta tensão ficou clara no primeiro comunicado do grupo terrorista após a vitória talibã sobre as forças afegãs. Seus adversários foram tachados de apóstatas e maus muçulmanos, sobretudo por terem negociado com os EUA — atitude inconcebível para os jihadistas do Estado Islâmico.
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O EI-K (ou Isis-K na sigla em inglês) surgiu em 2015, formado também por desertores do Talibã e perpetrou pelo menos 50 atentados no último ano. Está presente na região leste do país e, de acordo com relatos de contra inteligência, ganhou a adesão de cem combatentes que fugiram de duas prisões de Cabul antes da queda da capital, há dez dias.
A ameaça aguda e persistente do Estado Islâmico no Afeganistão, nas palavras de Jake Sullivan, conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, deixou o presidente Joe Biden irredutível a não estender o prazo final para a retirada das tropas do país, apesar da pressão dos países aliados.
“Cada dia que estamos no solo é mais um dia em que sabemos que o Isis-K busca atingir o aeroporto e atacar as forças dos EUA e aliadas e civis inocentes”, conforme admitiu, na terça-feira, o presidente americano. Dois dias depois, a despeito da corrida desenfreada para retirar americanos e afegãos em situação vulnerável do país, a tragédia mais do que anunciada se concretizou.

Fonte: G1 Mundo

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Brasileira casada com afegão teme pela cunhada ativista: ‘Sentimento de desespero’

Casal mora em Portugal e diz que precisam de ajuda para tirar os parentes do Afeganistão. ‘Nunca vamos deixar de lutar e vamos tirar vocês deste inferno que se tornou o país’, diz Anne. VÍDEO: Brasileira casada com afegão chora ao relatar dificuldade para retirar parentes do marido do Afeganistão
A brasileira Anne Torres e afegão Nasir Ahmad Ahmadi, que atualmente moram em Portugal, estão correndo contra o tempo para tentar tirar a mãe e a irmã de Nasir do Afeganistão, após a tomada do poder pelo Talibã.
Em entrevista ao Bom Dia Brasil, Anne e Nasir descreveram a preocupação e a dificuldade para falar com as duas, principalmente porque a irmã, Lida Ahmad, é ativista pelo direito das mulheres no país (veja no vídeo acima). Já a mãe, Roshan Noori, tem dificuldades de locomoção.
“Minha cunhada, por ser uma ativista e por ter lutado pelo direito das mulheres, temos receio pela vida dela”, afirma Anne. “Conseguimos falar com elas às vezes por mensagem e depois conseguimos contato quatro dias depois. Ficamos com uma apreensão enorme: ‘E se acontecer alguma coisa? E se algum talibã invadiu a casa delas e as mataram?’.”
Nasir conta que a comunicação com as duas está “cada vez pior”. “Os talibãs às vezes desligam a conexão, às vezes desligam a eletricidade”.
“Elas estão escondidas dentro de casa. É um sentimento que eu quase não consigo descrever”, relata Anne. “Minhas sobrinhas não estão indo estudar nem as minhas cunhadas. Algumas ainda estavam na universidade e não estão indo mais. É um tolhimento muito grande da liberdade que já foi conquistada”.
Talibã no poder
Desde que voltou ao poder, no dia 15, o Talibã tenta convencer a população e a comunidade internacional que mudou e que seu novo governo será menos brutal do que o da primeira vez, entre 1996 e 2001.
Na época, o Talibã adotava uma visão extremamente rigorosa da lei islâmica (sharia) e impunha restrições sobretudo às mulheres, que eram impedidas de trabalhar e estudar.
As visões islâmicas ultraconservadoras incluíam apedrejamentos, amputações e execuções públicas e a proibição de músicas, filmes e até a televisão.
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Tentativa com o governo português
Anne diz que o casal está tentando levá-las para Portugal, mas reconhece a dificuldade. “Não há nada que possamos fazer para ajudar que não seja realmente implorar para o governo português”.
“Agora a nossa única saída é com que algum país se solidarize, quaisquer dessas potências”, diz a brasileira. “Nos ajudem, pelo amor de deus, a retirar essas duas pessoas de lá”.
“O sentimento agora é realmente de desespero e de corrida contra o tempo”, diz Anne, antes de se emocionar. “Se eu pudesse dizer alguma coisa para elas eu acho que a mensagem que eu passaria é justamente que estamos lutando”.
“Não vamos desistir nunca. E, mesmo que agora essa nossa tentativa não se concretize, nunca vamos deixar de lutar e vamos tirar vocês desde inferno que se tornou o Afeganistão, afirma a brasileira ao lado do marido.
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Fonte: G1 Mundo

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Estado Islâmico-Khorasan: conheça o grupo extremista rival do Talibã que espalha terror no Afeganistão


Braço afegão do Estado Islâmico já atacou casamento e é acusado de mandar homens para fazer carnificina em maternidade de Cabul. Fonte americana diz acreditar que grupo tenha sido autor do ataque perto do aeroporto da capital nesta quinta (26). Mais fraco que o Talibã, trata seus rivais extremistas como infiéis por terem abandonado a jihad ao negociar com os Estados Unidos. Uma sandália é vista no local de um atentado suicida a bomba em frente à Universidade de Cabul, no Afeganistão, em 2018. Pelo menos 26 pessoas morreram e 18 ficaram feridas, a maioria adolescentes. O Estado Islâmico reivindicou responsabilidade pelo ataque
Shah Marai/AFP
Enquanto afegãos desesperados tentavam embarcar em um voo para sair do Afeganistão e fugir dos talibãs, surgiram alertas para outra ameaça: o grupo Estado Islâmico (EI).
O presidente americano, Joe Biden, afirmou que existia um “risco agudo e crescente” de ataque no aeroporto por parte do braço regional do grupo, denominado Estado Islâmico-Khorasan (EI-K).
Nesta quinta-feira (26) veio a explosão, deixando um número ainda desconhecido de mortos. O Estado Islâmico automaticamente virou suspeito da ação, mas até a última atualização desta reportagem não havia reivindicado a ação.
Uma autoridade dos EUA disse à agência AP que “definitivamente acredita” ter sido executada pelo EI.
Estados Unidos, Reino Unido e Austrália já haviam pedido a seus cidadãos que evitem o aeroporto e procurem zonas seguras.
Antes do ataque, ao ser consultado diretamente sobre a ameaça, um porta-voz talibã reconheceu o risco de “incômodos” que provoquem problemas na já caótica situação. Ele atribuiu o quadro atual à retirada liderada pelos Estados Unidos.
Veja abaixo perguntas e respostas sobre este outro grupo extremista, com informações da agência AFP:
O que é o Estado Islâmico-Khorasan?
Meses depois de o EI declarar um califado no Iraque e na Síria, em 2014, combatentes que saíram do talibã paquistanês se uniram aos militantes no Afeganistão para formar um braço regional. Juraram lealdade ao líder do EI, Abu Bakr al Baghdadi.
O grupo foi reconhecido formalmente pelo comando central do EI no ano seguinte à sua instalação no nordeste do Afeganistão, nas províncias de Kunar, de Nangarhar e do Nuristão.
Também estabeleceu células em outras áreas do Paquistão e do Afeganistão, incluindo Cabul, segundo monitores da ONU.
As últimas estimativas de sua força variam de milhares de combatentes ativos até 500, conforme relatório do Conselho de Segurança da ONU divulgado em julho passado.
“Khorasan” é um nome histórico da região que inclui partes de onde ficam atualmente Paquistão, Irã, Afeganistão e Ásia Central.
Que tipo de ataques o EI executa?
O EI-K reivindicou alguns dos ataques mais violentos dos últimos anos no Afeganistão e no Paquistão.
O grupo massacrou civis nos dois países em mesquitas, santuários, praças e até hospitais, além de ter executado ataques contra muçulmanos de alas que considera hereges – em particular os xiitas.
Em agosto de 2019, o EI-K reivindicou a autoria de um atentado contra os xiitas durante um casamento em Cabul que deixou 91 mortos.
As autoridades suspeitam que o grupo foi o responsável por um ataque, em maio de 2020, que chocou o mundo. Homens armados abriram fogo na maternidade de um bairro de maioria xiita de Cabul. Nele, 25 pessoas morreram, entre elas 16 mães e recém-nascidos.
Nas províncias em que está presente, o EI-K deixou marcas profundas. Seus homens mataram a tiros, decapitaram, torturaram e aterrorizaram os moradores, deixando minas por todos os lados.
Além dos bombardeios e massacres, o EI-Khorasan não conseguiu controlar nenhum território na região e sofreu grandes perdas nas operações militares talibãs e americanas.
Qual a relação do EI-Khorasan com os talibãs?
Embora os dois grupos sejam militantes islâmicos sunitas de linha dura, também são rivais e divergem em temas de religião e estratégia. Cada um diz representar a verdadeira bandeira da Jihad.
As divergências provocaram confrontos sangrentos, dos quais os talibãs geralmente saíram vitoriosos desde 2019, quando o EI-Khorasan foi incapaz de controlar um território como fez seu grupo parente no Oriente Médio.
Em um sinal de inimizade entre os grupos jihadistas, os comunicados do EI se referem aos talibãs como apóstatas.
Como o EI encarou a vitória talibã no Afeganistão?
Nada bem. O Estado Islâmico critica o acordo assinado no ano passado entre Washington e o Talibã, que levou a um pacto para a retirada das tropas estrangeiras. O grupo acusa os talibãs de abandonarem a causa jihadista.
Após a rápida tomada do Afeganistão pelos talibãs, vários grupos jihadistas no mundo felicitaram o grupo, mas não o EI.
Um comentário do EI publicado após a queda de Cabul acusou os talibãs de traírem os jihadistas com o acordo com Washington e prometeu continuar sua luta, de acordo com o SITE Intelligence Group, que monitora as comunicações dos grupos extremista.
Por que o aeroporto de Cabul é alvo?
Autoridades dos Estados Unidos e de outros países ocidentais já vinham alertando que o aeroporto de Cabul, com milhares de soldados americanos cercados por uma multidão de afegão desesperados, estava sob ameaça do EI-Khorasan.
Nenhum país anunciou detalhes específicos da ameaça.
“ISIS-K é um inimigo dos talibãs, e eles têm um histórico de lutar um contra o outro”, disse Biden no domingo (22). “Todos os dias que temos soldados no local, estes soldados e civis inocentes no aeroporto enfrentam o risco de um ataque do ISIS-K “, acrescentou.

Fonte: G1 Mundo

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Explosões no aeroporto de Cabul, no Afeganistão; FOTOS


Pentágono confirma ‘várias vítimas’, sem dizer nem quantas se são mortos ou feridos. Mais cedo, EUA, Reino Unido e Austrália alertaram para risco ‘iminente’ de atentado terrorista no local. Fumaça sobe da explosão do lado de fora do aeroporto de Cabul, Afeganistão, nesta quinta-feira (26)
Wali Sabawoon/AP
Equipe médica e hospitalar trazem um homem ferido em uma maca para tratamento após duas explosões no aeroporto de Cabul, nesta quinta (26)
Wakil Kohsar/AFP
Médicos e funcionários de hospital atendem homem ferido em duas explosões do lado de fora do aeroporto de Cabul, no Afeganistão
Wakil Kohsar/AFP
Feridos chegam ao hospital de Cabul, no Afeganistão
Asvaka News/via Reuters

Fonte: G1 Mundo

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VÍDEOS: EXPLOSÕES NO AEROPORTO DE CABUL

Fonte: G1 Mundo