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Protestos em Cuba: as centenas de pessoas ainda detidas após um mês


A mãe de um bebê que teve amamentação interrompida, um jovem de 14 anos, um homem com sérios problemas de saúde. Esses são alguns dos que permanecem presos em Cuba por terem participado de uma manifestação no dia 11 de julho. Manifestantes favoráveis ao governo de Cuba durante ato em 11 de julho
Yamil Lage/AFP
No dia 11 de julho, Cuba viveu um dos maiores protestos de sua história recente.
Milhares de pessoas por toda a ilha foram às ruas aos gritos de “liberdade” e “abaixo à ditadura”, num país onde manifestações contrárias ao governo estão proibidas.
O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, deu uma “ordem de combate” para calar os manifestantes, muitos dos quais, segundo grande número de testemunhos e fotografias, foram presos e duramente reprimidos.
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Um mês depois, centenas deles continuam nas cadeias do país.
Segundo dados da Cubalex, uma agência de representação legal independente que documentou as detenções após os protestos, mais de 800 pessoas foram presas em 11 de julho e em cercos organizados nos dias que se seguiram às manifestações.
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Deste total, a organização acredita que, no mínimo, 371 pessoas ainda permaneçam presas, ainda que a BBC não tenha conseguido verificar essa cifra e que o governo não dê informações sobre o tema.
“Nós estimamos que é muito maior o número de pessoas presas, levando em que conta que, em muitos casos, a polícia e os advogados de defesa têm exigido ou recomendado que as famílias não venham a público. Inclusive, recebemos pedidos de familiares para que retirássemos pessoas da lista”, disse à BBC News Mundo Laritza Diversent, diretora da Cubalex.
De acordo com a advogada, a libertação da cadeia não significou o fim dos processos para os que foram soltos: alguns enfrentam de multas à prisão domiciliar até a data do julgamento e o resultado dos recursos.
A situação, no entanto, é mais crítica para os que seguem presos num país que vive o seu pior momento na pandemia do coronavírus, com milhares de casos positivos, dezenas de mortos por dia, hospitais em colapso, carência de medicamentos essenciais, falta de ambulâncias e insuficiência de profissionais da área sanitária.
A BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC, traz os rostos e as histórias de algumas dessas pessoas que continuam na prisão. A reportagem contatou o Centro de Imprensa Internacional de Cuba para pedir uma entrevista com autoridades cubanas e conhecer a posição do governo sobre os protestos e denúncias de encarceramentos, mas ainda não obteve resposta.
Rocío Brito Torres, 22 anos. Matanzas
Karoline Pereira Brito, uma bebê de um ano da província de Matanzas, no oeste de Cuba, não pode mamar há um mês. Sua mãe, Rocío Brito Torres, de 22 anos, foi presa enquanto visitava uma vizinha em 20 de julho, nove dias depois dos protestos, como parte das operações policiais que ocorreram algumas semanas após as manifestações.
“A bebê está sem mamar porque levaram a sua mãe. Ela está muito impactada porque era muito apegada à mãe, nunca tinham se separado. E a amamentação era parte fundamental da alimentação dela, porque ainda não está muito acostumada com papinha”, disse à BBC Elizabeth Álvarez, sogra de Brito Torres.
Rocío foi presa por participar de protestos em Cuba
Elizabeth Álvarez/Arquivo Pessoal/BBC
“Rocío também está muito mal. Nas vezes em que pude falar com ela da prisão, ela me disse que está com os seios explodindo e com dor, porque acumulou leite”, disse.
Segundo o relato da sogra, que a BBC confirmou com outra pessoa próxima da família, Rocío foi presa por participar de trocas de mensagens nas quais manifestantes se convocavam para sair às ruas.
“Quando a prenderam, Rocío estava com a menina na casa de uma vizinha. A levaram e deixaram a menina lá”, disse Álvarez.
O pai de Rocío morreu de covid enquanto a jovem estava na prisão e não permitiram que ela saísse para acompanhar a família na despedida.
“Soubemos que ela também teve coronavírus na prisão e não sabemos ao certo o seu estado. Ninguém conseguiu vê-la. A polícia nos diz que ela está bem, mas se não há remédios e tratamentos para os que estão nos hospitais, o que será de quem está nas cadeias?”, questiona.
Edelmer Góngora, 37 anos. Holguín
Dayamí Góngora disse que a última notícia que teve de seu irmão é a de que ele estava preso com febre e se sentindo fraco. Desde então, teme que esteja com covid.
“O policial (que cuida do caso dele) e seu advogado também estão com covid. E pelo que me disse do que estava sentindo, parece que ele também se infectou. Estou muito preocupada porque é uma pessoa muito doente”, disse à BBC.
“Não podem acusá-lo de atirar pernas, porque ele não controla bem nem as mãos nem as pernas. Já passou por várias cirurgias desde pequeno. Mas ainda assim o levaram preso por ir aos protestos”, disse a irmã.
“Só conseguimos nos falar umas duas vezes por telefone. Na cadeia, ele pegou sarna, está com as costas queimadas e agora está com febre. Negaram fiança a ele. É uma total falta de humanidade o que estão fazendo com meu irmão”, acrescenta.
Dayron Fanego, 22 anos. Mayabeque
Quando Miriela Cruz Yanis soube que seu filho Dayron Fanego, de 22 anos, havia sido preso, ela tomou uma decisão desesperada: pintou uma camiseta com frases críticas ao regime cubano. Não contou a ninguém e vestiu a camiseta sob a blusa.
“Eu estava como uma louca. Queria saber dele e pensei: se não me derem notícia do meu filho, então que me levem presa com ele”, contou à BBC.
O filho de Miriela Cruz foi preso
Miriela Cruz/Arquivo Pessoal/BBC
Fanego havia sido preso em 13 de julho. Segundo depoimento de vários vizinhos, ele estava com um grupo de amigos, também jovens, quando chegou uma brigada especial da polícia e deteve todos eles. Mas Miriela garante que seu filho não esteve nas manifestações de 11 de julho.
“Eu fui à delegacia de polícia para perguntar por ele e não queriam me dizer nada. Pedi, então, que me prendessem com ele e me disseram que não podiam fazer isso. Aí eu disse: ‘Claro que podem. E foi quando eu tirei a blusa’.”
Debaixo da blusa, ela vestia a camiseta que havia pintado com os escritos: “assassinos”, “abaixo Díaz-Canel”, “abaixo a ditadura”, “chega de fome”, “chega de repressão”.
“Aí eles rasgaram minha camiseta e me algemaram. Eles me deixaram de sutiã. Me bateram sem piedade. Me trataram como um cachorro. Eles me espancaram tanto que eu defequei. Me levaram depois, assim mesmo, para a prisão e me fizeram passar na frente de policiais toda suja e de sutiã”, detalhou.
“Eu contei a eles que tenho câncer de pulmão, mas eles não se importaram. Estive sete dias presa, quatro deles sem meus medicamentos.”
Ela foi liberada após pagar uma fiança de cerca de US$ 330, acusada de roubo com violência. Miriela disse que assinou o documento de soltura sem saber o que ele dizia, porque não enxerga bem sem os óculos.
No entanto, ela afirma que o que mais dói é a prisão do filho. “É isso que me deixa sem dormir. Meu filho me contou que foi agredido por seis pessoas. É isso que mais me dói. A mim não me importam as agressões que sofri, não me importa o câncer, mas uma mãe não suporta que esteja acontecendo isso a um filho.”

Fonte: G1 Mundo

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Militares dos EUA vão ao Afeganistão retirar funcionários da embaixada americana em Cabul, em meio ao avanço do Talibã


Grupo extremista tomou grandes cidades do país, e segurança na capital afegã preocupa. Talibã patrulha cidade de Ghazi, perto de Cabul, no Afeganistão, nesta quinta-feira (12)
Gulabuddin Amiri/AP Photo
Os Estados Unidos vão enviar ao Afeganistão um grupo de militares que vai ajudar na retirada de parte dos funcionários da Embaixada dos EUA em Cabul, capital afegã, em meio ao avanço do Talibã, informaram fontes oficiais a agências de notícias nesta quinta-feira (12).
Esses militares vão fornecer apoio terrestre e aéreo aos funcionários durante o trajeto até o aeroporto de Cabul, segundo a agência Associated Press.
Saiba mais sobre a ocupação do Talibã no Afeganistão na reportagem em VÍDEO abaixo
Talibã conquista décima capital no Afeganistão em uma semana
A iniciativa demonstra falta de confiança por parte da Casa Branca na capacidade do governo afegão em dar segurança diplomática suficiente na capital do Afeganistão — país que teve duas das três maiores cidades já tomadas pelo grupo extremista islâmico Talibã.
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O governo dos EUA anunciou meses atrás a retirada completa dos soldados americanos no Afeganistão até 11 de setembro — marco de 20 anos do atentado terrorista que marcou o início do século. Porém, cerca de 650 militares ainda estão no país para dar segurança ao corpo diplomático americano em Cabul.
Talibã se aproxima de Cabul
Membros do Talibã na cidade de Farah, que eles tomaram das forças de segurança do país, em 11 de agosto de 2021
Mohammad Asif Khan/AP
O Talibã tomou a cidade de Ghazni, que é considerada estratégica para lutar para tentar dominar Cabul, capital do Afeganistão, nesta quinta-feira (12).
Agora, o Talibã está a cerca de 150 quilômetros de Cabul. Foi a décima capital regional que o grupo insurgente tomou em pouco mais de uma semana. Grandes cidades como Herat e Kandahar já estão sob controle dos extremistas.
A rapidez do avanço do grupo fez com que moradores passassem a culpar os Estados Unidos, que decidiram retirar seus soldados do país.
Combatentes do Talibã são vistos dentro da cidade de Farah, capital da província de Farah, a sudoeste de Cabul, em 10 de agosto de 2021, no Afeganistão
Mohammad Asif Khan/AP
As estradas de acesso a Cabul estão cheias de pessoas que fogem da violência em outras regiões do país, e pode ser que haja combatentes talibãs misturados.
Ainda há alguns soldados da missão liderada pelos EUA no país, mas eles devem deixar o Afeganistão até o fim do mês.
O Talibã já controla cerca de dois terços do território. Segundo a agência Reuters, há análises de serviços de inteligência dos EUA que estimam que o grupo pode tomar a capital em cerca de 90 dias.

Fonte: G1 Mundo

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Tribunal Penal Internacional critica Venezuela por não investigar crimes e abre possibilidade de ações judiciais contra o país


O Tribunal de Haia afirma que as forças de segurança venezuelanas e milícias pró-governo cometeram crimes de cativeiro, tortura, estupro e perseguição. O texto destaca ainda maus-tratos aos detidos. Caminhão incendiado durante uma manifestação contra o presidente venezuelano, Nicolas Maduro, em Caracas, na Venezuela, em 2017
Christian Veron/Reuters
O governo da Venezuela se recusa a investigar supostos crimes contra a humanidade cometidos por suas forças de segurança, afirmou a procuradoria do Tribunal Penal Internacional (TPI) em um documento que pode abrir caminho para ações judiciais.
O tribunal com sede em Haia (Holanda) iniciou uma investigação preliminar em 2018 sobre supostos abusos de direitos pelo regime de Nicolás Maduro, especialmente a repressão violenta aos protestos antigovernamentais de 2017.
Veja abaixo um vídeo das manifestações daquele ano.
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Fatou Bensouda, uma ex-procuradora-geral do TPI, disse em dezembro de 2020 que havia uma “base razoável” para acreditar que crimes contra a humanidade foram cometidos, mas que ela precisava observar se Caracas levaria os responsáveis à Justiça.
Bensouda apresentou um relatório quando deixou o cargo, em junho, que foi tornado público na terça-feira (10). No texto, ela concluiu “que as autoridades não querem realmente investigar ou processar esses casos”.
As autoridades venezuelanas apresentaram apenas um número “altamente limitado” de acusações criminais relacionadas aos protestos, nos quais cerca de 100 pessoas foram mortas, segundo o texto.
“As decisões nacionais foram tomadas com o objetivo de proteger as pessoas das responsabilidades criminais”, afirmou.
De acordo com o Estatuto de Roma, que rege o funcionamento do TPI, o tribunal tem autoridade para investigar crimes ocorridos em países membros, como a Venezuela, se eles se recusarem ou não puderem fazê-lo por conta própria.
O novo promotor, Karim Khan, terá que decidir se pede aos juízes para iniciar uma investigação completa sobre o assunto.
A investigação pode chegar a acusar criminalmente indivíduos ligados à repressão, mas um julgamento levaria anos.
O TPI afirma que as forças de segurança venezuelanas e milícias pró-governo cometeram crimes de cativeiro, tortura, estupro e perseguição. O texto destaca ainda maus-tratos aos detidos.
Reposta da Venezuela
A Venezuela considerou as alegações uma farsa. O procurador-geral do país, Tarek William Saab, anunciou, em maio, que ele acusou 12 membros da Guarda Nacional pela morte de um jovem em Caracas em 2017, após o impacto de uma bomba de gás lacrimogêneo.
Um policial venezuelano foi condenado a 25 anos de prisão, também em maio, pela morte de um manifestante em um ato contra Maduro em 2017.
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Fonte: G1 Mundo

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Tóquio 2020: Atleta japonesa vai receber uma nova medalha de ouro após a primeira ter sido mordida


Prefeito da cidade de Nagoya, no centro do país, pediu para usar a medalha da atleta e a mordeu para uma foto. Atitude do político foi criticada e apontada como desrespeitosa, principalmente na pandemia. Prefeito de Nagoya, Takashi Kawamura, morde a medalha de ouro de Miu Goto em 4 de agosto de 2021
Kyodo/Reuters
Uma atleta do Japão vai receber uma nova medalha de ouro após a primeira, que ela ganhou nas Olimpíadas de Tóquio, ter sido mordida durante um evento no início do mês.
Os organizadores dos jogos confirmaram nesta quinta-feira (12) que Miu Goto receberá outra medalha de ouro em troca da que foi mordida pelo prefeito da cidade de Nagoya para uma foto.
Takashi Kawamura, chefe do executivo local, foi bastante criticado pela sua atitude que foi considerada desrespeitosa, principalmente em um momento de pandemia.
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“Com o apoio do Comitê Olímpico Internacional, e de acordo com sua vontade, a medalha da senhora Goto será trocada por uma nova”, disseram os organizadores da Tóquio 2020 em um comunicado.
Após uma forte repercussão negativa sobre o caso, até mesmo a patrocinadora do time de softball campeão olímpico, Toyota Motors, repreendeu o político que teria mostrado “falta de respeito pelo feito da jogadora”.

Fonte: G1 Mundo

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VÍDEO: Javali para o trânsito em rodovia do Japão


Animal selvagem foi avistado em uma estrada no nordeste do país. Com pouco mais de 1,2 m de comprimento, as autoridades precisaram da ajuda de caçadores para poder retirá-lo da área. VÍDEO: Javali para o trânsito em rodovia do Japão
Um javali selvagem conseguiu parar o trânsito de uma movimentada rodovia do Japão nesta quarta-feira (11), informaram as autoridades locais (veja no vídeo acima).
O animal foi avistado pelos trabalhadores da concessionária Nexco East, que controla as estradas e pedágios na região nordeste do país, durante uma patrulha de segurança.
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Com pouco mais de 1,2 m de comprimento, as autoridades acreditam que o animal pode ter sido atropelado. No entanto, não houve registro de acidentes nesta área.
O incidente causou uma suspensão temporária no tráfego da via expressa e os funcionários da rodovia precisaram da ajuda de caçadores para poder retirar o javali da área.
Javali em rodovia do Japão em 11 de agosto de 2021
Reprodução/NBC

Fonte: G1 Mundo

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Capital da Austrália entra em lockdown de uma semana depois de registrar o 1º caso de Covid em mais de um ano


Bloqueios afetam cerca de 400 mil moradores em Canberra; Em Sydney, Exército poderá ser acionado para garantir o cumprimento das regras de isolamento. Vista do parlamento australiano em Canberra em 12 de agosto de 2021
Rohan Thomson/AFP
A capital da Austrália, Canberra, entrou nesta quinta-feira (12) em um lockdown que vai durar uma semana depois que a cidade registrou seu primeiro caso de Covid-19 em mais de um ano.
As autoridades sanitárias do país ainda não souberam dizer onde é que o paciente infectado pegou o vírus, nem se há transmissão comunitária da doença. Pelo menos três contatos dele testaram positivo.
O bloqueio vai afetar cerca de 400 mil moradores da capital que só poderão sair de casa por motivos essenciais. Durante o dia, muitos correram para fazer compras e formaram filas nos supermercados.
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A Austrália está lutando contra o avanço da variante delta, que também chegou à Sydney e a Melbourne – desencadeando um confinamento imposto pelas autoridades.
Em Sydney, o Exército poderá ser acionado para garantir o cumprimento das regras de isolamento, segundo o governo de Nova Gales do Sul.
Várias pequenas cidades da região também adotaram lockdowns por conta dos novos casos desta variante comprovadamente mais transmissível.
Pessoas caminham ao redor do lago Burley Griffin, em Canberra, em 12 de agosto de 2021
Rohan Thomson/AFP
Alta nas infecções em Sydney
Apesar de sete semanas de lockdown em Sydney, as infecções diárias continuam a ficar acima das altas quase recordes.
Nesta quinta-feira, Nova Gales do Sul relatou 345 casos de transmissão local, a maioria em Sydney – mais do que os 344 do dia anterior.
As regras de lockdown foram endurecidas em mais três áreas da região de Sydney, limitando a circulação de pessoas a até cinco quilômetros de suas casas.
Autoridades também relataram as mortes de dois homens de cerca de 90 anos, o que eleva o número de óbitos do surto mais recente para 36.

Fonte: G1 Mundo

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Americano seguidor do movimento conspiratório QAnon mata filhos por acreditar que tinham ‘DNA de cobra’


Matthew Taylor Coleman, de 40 anos, levou os filhos de 2 anos e 10 meses para o México e os matou com uma arma. Segundo as autoridades dos EUA, ele alegou que a ação ‘salvaria o mundo’. Matthew Taylor Coleman foi preso suspeito de matar seus dois filhos pequenos
Reprodução/Instagram
Convencido de que seus dois filhos pequenos tinham “DNA de cobra”, um americano adepto do movimento conspiratório QAnon foi acusado de assassinato na quarta-feira (11), segundo as autoridades dos Estados Unidos.
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Matthew Taylor Coleman, de 40 anos, disse que sabia que estava agindo errado, mas que “era a única coisa que poderia fazer que salvaria o mundo”, de acordo com a investigação divulgada por agentes federais.
Coleman foi acusado de levar seus filhos, um de 2 anos e outro de 10 meses, para o México e matá-los antes de retornar aos EUA, onde foi detido, segundo comunicado do procurador-geral da Califórnia.
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A mãe das crianças foi quem alertou as autoridades no dia 7 de agosto, quando Coleman as levou para longe de casa. Ele havia dito que iriam acampar, mas se recusou a dizer onde e não retornou as ligações e mensagens de texto.
Um dia depois, a polícia o localizou por meio de um aplicativo em seu celular. O sistema indicava que ele estaria em Rosarito, no México. Quando voltou para os EUA, no dia seguinte, foi parado pelo FBI ainda na fronteira.
Coleman confessou ter atirado contra seus dois filhos com uma arma de fogo e deixado seus corpos no México, onde foram encontrados pelas autoridades mexicanas. Ele alegou que “acreditava que seus filhos iam se transformar em monstros”, de acordo com o processo.
Ele disse aos agentes que foi “esclarecido pelas teorias da conspiração do QAnon e dos Illuminati e que estava recebendo visões e sinais que revelavam que sua esposa possuía DNA de cobra e o havia transmitido aos filhos”.
Em declarações às autoridades federais, Coleman disse acreditar que estava “salvando o mundo dos monstros”. O americano responderá pelo assassinato de cidadãos americanos no exterior.
VÍDEOS com notícias internacionais
:

Fonte: G1 Mundo

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Talibã toma cidade a 150 km de Cabul; governo do Afeganistão oferece dividir poder com insurgentes, diz rede de notícas


Segundo a Al Jazeera, o governo propôs dividir o poder em troca de um fim da violência. Talibã afirmou que não ouviu proposta nenhuma e que não aceitaria. Talibãs em Farah, uma capital de província do Afeganistão, em 11 de agosto de 2021
Mohammad Asif Khan/AP
O Talibã tomou a cidade de Ghazni, que é considerada estratégica para lugar por Cabul, capital do Afeganistão, nesta quinta-feira (12).
Agora, o Talibã está a cerca de 150 quilômetros de Cabul. Foi a décima capital regional que o grupo insurgente tomou em pouco mais de uma semana.
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A rapidez do avanço do grupo fez com que moradores passassem a culpar os Estados Unidos, que decidiram retirar seus soldados do país.
As estradas de acesso a Cabul estão cheias de pessoas que fogem da violência em outras regiões do país, e pode ser que haja combatentes talibãs misturados.
Ainda há alguns soldados da missão liderada pelos EUA no país, mas eles devem deixar o Afeganistão até o fim do mês.
O Talibã já controla cerca de dois terços do território.
Segundo a agência Reuters, há análises de serviços de inteligência dos EUA que estimam que o grupo pode tomar a capital em cerca de 90 dias.
Proposta do governo para dividir o poder
De acordo com a rede Al Jazeera, o governo fez uma proposta ao Talibã para que haja uma divisão de poder, se a violência acabar.
O porta-voz do Talibã, Zabihullah Mujahid, afirmou que não tem conhecimento dessa proposta, mas que o grupo não considera dividir o poder com uma autoridade que não reconhece.
“Nós não aceitaremos nenhuma oferta como essa porque não queremos ser parceiros da administração de Cabul —não queremos nem ficar e nem trabalhar um único dia com eles”, afirmou.
Houve um acordo entre os EUA e o Talibã no ano passado que determinou que o grupo insurgente não iria atacar as forças norte-americanas durante o período de saída. Em troca, os talibãs prometeram não permitir que o país seja usado para terrorismo internacional.
O Talibã também se comprometeu a discutir um acordo de paz. Os diálogos, no entanto, não produziram efeito.
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Fonte: G1 Mundo

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O que tablet perdido em guerra revelou sobre obscuro grupo de mercenários


Dispositivo eletrônico e documentos deixados para trás por mercenários na Líbia contêm pistas que apontam para uma organização paramilitar supostamente financiada pela Rússia. Tablet perdido em guerra
BBC
Wagner é um grupo paramilitar de origem russa com operações ao redor do mundo, desde combates na linha de frente na Síria até vigilância de minas de diamantes na República Centro-Africana. Mas é notoriamente secreto e, por isso, pouco se sabe sobre ele.
Agora, a BBC obteve acesso exclusivo a um tablet eletrônico deixado para trás em um campo de batalha na Líbia por um membro da organização. O dispositivo oferece uma visão sem precedentes sobre suas operações.
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Por que houve uma escalada nos conflitos na Líbia?
Outra pista também foi dada à BBC em Trípoli — uma “lista de compras” de equipamentos militares de última geração, indicando que a organização Wagner provavelmente teve apoio do mais alto nível, apesar das repetidas negativas do governo russo de que o grupo tenha qualquer ligação com o Estado.
Era tarde da noite no início de fevereiro quando recebi um telefonema em Londres. Uma das minhas fontes na Líbia me trazia notícias extraordinárias — um tablet Samsung, com a tela quebrada, havia sido recuperado de um campo de batalha no Oeste do país.
Mercenários russos lutaram lá em apoio ao general renegado líbio Khalifa Haftar, contra o Governo do Acordo Nacional (GNA) apoiado pela Organização das Nações Unidas (ONU), e acredita-se que o dispositivo eletrônico tenha sido deixado para trás quando os combatentes se retiraram, na primavera de 2020.
Há muito tempo há relatos de que Wagner estava operando na Líbia. Imagens de vigilância, gravadas por combatentes da GNA em abril de 2020 e compartilhadas com a BBC, mostram supostos combatentes do Wagner em ação.
Mas tínhamos poucas informações diretas. O grupo Wagner é uma das organizações mais secretas da Rússia. Oficialmente, não existe — atuar como mercenário é contra a lei russa e internacional. Mas se acredita que até 10 mil pessoas tenham colaborado pelo menos uma vez com Wagner nos últimos sete anos.
Após vários processos de verificação, o tablet foi trazido para Londres. Imediatamente coloquei-o em uma bolsa bloqueadora de sinal, para que não pudesse ser rastreado ou apagado remotamente.
Surpreendentemente, as informações nele eram de fácil acesso. Descobri dezenas de arquivos — desde manuais de minas antipessoais e dispositivos explosivos improvisados (IEDs, na sigla em inglês) passando por imagens de drones de reconhecimento. Havia também algumas edições de livros famosos — incluindo Mein Kampf (Minha Luta, escrito pelo nazista Adolf Hitler), a saga Game of Thrones e um guia para fazer vinho.
Mas foi um aplicativo de mapas que se destacou — vários mapas militares da linha de frente, todos marcados em russo. Pontos coloridos foram fixados nos mapas, com a maioria agrupada no subúrbio de Ain Zara no sul de Trípoli — onde os combatentes do Wagner lutaram com o GNA entre fevereiro e o fim de maio de 2020.
Também havia imagens do drone de Ain Zara. O vídeo mostrava o subúrbio deserto, de onde seus moradores fugiram.
Olhando para o tablet, não há nada que identifique seu proprietário, mas ao aumentar o zoom nos mapas, há palavras marcadas em alguns dos pontos de localização vermelhos. Meu colega da BBC Ilya — que mora em Moscou e que está investigando a organização Wagner nos últimos quatro anos — percebeu se tratar de codinomes, possivelmente de colegas do proprietário do tablet. Ilya os cruzou com um banco de dados de combatentes do Wagner criado por voluntários ucranianos e um relatório vazado da ONU listando membros do grupo na Líbia.
No aplicativo de mapa do tablet, há pontos vermelhos e o nome “Metla”
BBC
Acreditamos que um dos combatentes — citado como ‘Metla’ no tablet — é um russo de 36 anos chamado Fedor Metelkin, natural do norte do Cáucaso. Seu número Wagner pessoal, publicado no banco de dados ucraniano, é inferior a 3.000. Isso sugere que ele se juntou ao Wagner bem no início de suas operações — cinco ou seis anos atrás — quando lutava no leste da Ucrânia ao lado dos separatistas apoiados pela Rússia. Pelo que apuramos, é comum que os mesmos combatentes se movam de uma zona de conflito estrangeira para outra.
Fedor Metelkin
BBC
O tablet agora está em um local seguro.
O dispositivo não dá muitas pistas sobre a identidade ou passado de outros mercenários, mas a BBC desde então ganhou acesso raro a dois ex-combatentes do Wagner — sob condição de anonimato — que confirmaram que muitos dos que se juntaram ao grupo na Ucrânia viajaram à Líbia.
Um deles disse à BBC que havia cerca de mil combatentes naquele país em algum momento durante os 12 a 14 meses de combates ativos, de setembro de 2019 a julho de 2020.
Os ex-combatentes explicaram que os homens não são recrutados para uma organização chamada Wagner, mas se candidatam a contratos de curto prazo — por exemplo, como trabalhadores de plataformas de petróleo ou pessoal de segurança — por meio de várias empresas de fachada.
Eles passam por testes físicos e checagens de segurança antes de se mudarem para o campo de treinamento não oficial de Wagner, perto de Krasnodar, no sul da Rússia, que fica próximo a uma base do Exército russo.
São então enviados para o exterior, sob o entendimento de que, se forem mortos, Wagner poderá não conseguir repatriar seus corpos.
Um ex-combatente destacou que tanto a organização quanto os combatentes individuais são motivados pelo ganho financeiro. A BBC entende que a maioria dos homens vem de pequenas cidades, longe das grandes metrópoles, onde as oportunidades de emprego são escassas.
Eles podem ganhar até 10 vezes o salário médio se juntando ao Wagner, disse um dos ex-combatentes, descrevendo seus ex-colegas como “vikings modernos”.
“Sempre que há algum tipo de conflito armado em algum lugar, os soldados Wagner falam sobre isso. ‘Podemos ir até este local, pode render algo para nós.’ Porque todo contrato e todo país significa dinheiro no bolso. Se você não tem um contrato, não tem dinheiro.”
O ex-combatente disse que muitos agentes do Wagner — incluindo ele próprio — têm ficha criminal, o que torna difícil para eles ingressar no Exército regular.
E também matam prisioneiros — algo que ele admite abertamente.
“Ninguém quer uma boca extra para alimentar.”
O outro ex-combatente nos falou que a organização não emite nenhum código de conduta para seus membros.
***
No vilarejo líbio de Espiaa — marcado nos mapas do tablet como uma posição do Wagner — encontramos um homem que nos contou que três membros de sua família foram mortos por homens que falavam russo.
Os assassinatos estão sendo ativamente investigados como um crime de guerra, de acordo com o promotor militar líbio Mohammed Gharouda, que trabalha para o Ministério da Defesa da Líbia.
O vilarejo fica a 45 km ao sul de Trípoli, e quando o visitamos em abril deste ano, o homem — cujo nome não vamos citar por razões de segurança — lembrou o que aconteceu na tarde de 23 de setembro de 2019.
O morador disse que encontrou um grupo armado na estrada, que começou a atirar para o alto. Ele foi seguido de volta para a casa de seu pai e seis ou sete estrangeiros invadiram o local. O homem e seus parentes foram revistados e levados para Qasr bin Ghashir, a cerca de 20 minutos de carro.
De acordo com a GNA, Qasr bin Ghashir era uma base do Wagner na época. O homem disse que ele e seus parentes estavam vendados, de mãos amarradas e que foram conduzidos em um caminhão por várias horas antes de voltarem naquela noite a uma fazenda em Espiaa.
Por volta das seis da manhã, diz, eles foram levados para uma pequena casa no vilarejo. Alguns dos homens voltaram para o carro, mas dois permaneceram do lado de fora da casa armados com Kalashnikovs.
“Um deles tirou a arma. Nesse momento, entendi o que estava acontecendo. Eu sabia que ele ia atirar. Quando ele começou a atirar, caí de lado e fingi estar morto.”
Um de seus irmãos também sobreviveu.
O homem disse que a certa altura ele conseguiu avistar seus captores.
Quando lhe mostramos vários combatentes do Wagner que foram fotografados em Qasr bin Ghashir na época, ele reconheceu um deles como parte do grupo que sequestrou sua família e atirou nela. Nós o identificamos como Vladimir Andanov.
Uma foto sem data de Andanov caminhando ao redor de Qasr bin Ghashir foi postada online por soldados do GNA poucas horas após o assassinato.
Esse homem é suspeito de envolvimento em possíveis assassinatos extrajudiciais de prisioneiros de guerra durante o conflito no leste da Ucrânia.
Ativistas ucranianos identificaram o Norte da África como a localização mais recente de Andanov. Mas algumas pessoas que afirmam ser seus amigos negaram nas redes sociais que ele foi para a Líbia com o Wagner. Dizem que ele está em casa na Rússia.
A BBC também compilou relatos de outras mortes de civis atribuídas à organização paramilitar na Líbia. Os óbitos estão relacionados aos envolvidos na linha de frente do conflito. Evidências sugerem que cerca de uma dúzia de civis podem ter sido mortos por combatentes de Wagner durante a ofensiva de Trípoli. As vítimas supostamente incluíram três homens e duas mulheres em carros civis, que foram atacados por franco-atiradores.
Um combatente da GNA, Mohammed al-Kahasy,também nos disse que quatro homens que lutavam ao lado dele estão desaparecidos desde que foram interceptados em dezembro de 2019.
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Ao lado dos pontos vermelhos de localização nos mapas do tablet, os pontos pretos indicam outro legado mortal da presença do grupo na Líbia.
Uma investigação mais aprofundada revela que essas são posições de minas. Muitas das marcações referem-se a tipos específicos de mina, como MON-50 ou OZM. Também há posições marcadas como “distrito minado”, “mina controlada remotamente” ou “relaxado” — que entendemos ser uma gíria para armadilha.
Como os pontos vermelhos, alguns dos pontos pretos também são marcados com os codinomes de combatentes, sugerindo que eles podem estar no controle dessas posições específicas das minas. A palavra Metla — codinome de Fedor Metelkin — aparece novamente neste contexto.
Todas as 35 posições de minas marcadas no tablet estão no bairro residencial de Ain Zara.
Também armazenadas no tablet estão ilustrações da mina MON-50 e dois outros dispositivos de origem russa e soviética, o POM- 2 e o PMN-2. De acordo com um relatório da Human Rights Watch de 2020, essas armas nunca haviam sido vistas na Líbia — onde há um embargo de armas desde 2011.
O promotor militar Gharouda disse que as autoridades do país descobriram que o POM-2 é particularmente prevalente e um perigo considerável para os civis que retornam a suas casas na capital Trípoli.
A BBC ouviu depoimentos de moradores locais sobre a extensão de minas e armadilhas escondidas em áreas residenciais e viu fotos e vídeos dos dispositivos.
Entramos em contato com uma ONG especializada em desminagem que trabalha na Líbia para alertá-los sobre as posições da mina de Wagner que podem ainda não estar oficialmente documentadas.
Enquanto o tablet nos dá uma ideia de onde e como Wagner estava operando, um documento separado de 10 páginas essencialmente uma “lista de compras” de armas e equipamentos — nos dá uma dica de quem poderia financiar a organização.
O documento provavelmente foi recuperado durante o conflito no sul de Trípoli. Foi entregue à BBC por uma fonte de segurança da inteligência líbia em Trípoli, que estava investigando a presença de Wagner na Líbia e, especificamente, seu envolvimento na ofensiva na capital.
É datado de 19 de janeiro de 2020, o mesmo dia que o presidente russo, Vladimir Putin, participou de uma conferência em Berlim sobre um processo de paz para a Líbia.
Pedimos ao consultor de segurança Chris Cobb-Smith para analisá-lo para nós.
‘Duvido muito que qualquer outra empresa militar privada (PMC) — se é que Wagner pode ser denominado como tal — tenha algo próximo do apoio que parece estar disponível para eles aqui.”
Análise dos documentos
Rifle automático AK-103 com trilho de montagem
Total: 270
Chris Cobb-Smith:
“A equipe de Assalto 6 tem muitos veículos e parece ter recursos humanos substancialmente maiores, então esta é provavelmente a principal unidade de combate. Total de aproximadamente 300 pessoas. Eles solicitaram 300 capacetes e 270 óculos de visão noturna e 270 trilhos de montagem para armas.”
Sistema optoeletrônico Ironia, oito unidades (duas unidades por equipe de assalto)
Sistema de radar compacto Sobolyatnik (modelo 1L227) ou um sistema análogo melhor (compacto), 8 unidades. Treinamento necessário para realizar cálculos (não temos o conhecimento)
Chris Cobb-Smith:
“As armas são, em sua maior parte, ‘de última geração’ — ou seja, modernas, tecnologicamente avançadas e dotadas do mesmo equipamento usado atualmente por militares russos.”
“Isso não implica apenas o acesso a um orçamento substancial, mas também a autoridade para acessar a mais recente tecnologia sensível, senão secreta. Por exemplo, os radares Ironia e Sobolyatnik são relativamente novos. Conforme observado pelos solicitantes, grande parte desse equipamento exigirá um programa de treinamento — um desafio considerável em condições operacionais. Isso indica uma falta de previsão e planejamento prévio adequado.”
Tanque T-72B, uma unidade
Morteiro 2B11 de 120 mm (para a equipe de assalto 1 e o grupo de assalto da legião) — seis unidades
Chris Cobb-Smith:
“Empresas [militares privadas] como a Blackwater etc. também podem ter um nível de sanção do governo dos EUA, mas não acredito que tenham escalas de equipamentos que se estendam a tanques, morteiros e drones capazes de direcionar munições”
“Parece que Wagner nada mais é do que um braço não oficial das forças armadas russas.”
Uma pista de quem poderia estar bancando a operação aparece em um segundo documento que nos foi dado.
O bilhete — para as forças de Wagner em Moçambique, datada de novembro de 2019, e solicitando a substituição do equipamento danificado — é dirigido a “OOO Evro Polis”. A Evro Polis é uma empresa russa supostamente beneficiária de contratos de desenvolvimento de campos de petróleo e gás na Síria.
Reportagens ligam a Evro Polis ao empresário de São Petersburgo, Yevgeny Prigozhin. Muitas vezes usando uma linguagem pitoresca, Prigozhin nega ter ligações com Evro Polis ou com Wagner.
Uma possível referência a Prigozhin aparece no documento da Líbia. Denis Korotkov, um jornalista russo que investigou o grupo Wagner durante vários anos, disse acreditar que o destinatário — chamado de “Diretor-Geral” — é o empresário.
Em ambos os documentos, ao lado das palavras “Aprovado por”, encontramos as iniciais DU. Acredita-se que elas se refiram a Dmitry Utkin.
Utkin, um ex-paraquedista das forças especiais russas, é supostamente o fundador e comandante geral do grupo Wagner. Ele próprio era conhecido anteriormente como “Wagner” por causa de seu suposto interesse pela Alemanha nazista, que promovia a música do compositor Richard Wagner (1813-1883).
“Nono”
BBC
Acredita-se agora que ele tenha o codinome “Nono”. Em ambos os documentos, vemos a figura ‘9’ e a palavra ‘Nono’.
A BBC tentou entrar em contato com Dmitry Utkin, mas não obteve resposta até a conclusão dessa reportagem.
De acordo com um dos ex-combatentes de Wagner com quem conversamos, os agentes não falam entre si quem está financiando a organização.
“É como na saga Harry Potter, em que Voldemort (vilão) é o nome que nunca é dito em voz alta. É um assunto tabu. Não vale a pena falar sobre isso, ou você pode acabar em um recipiente de metal com o rosto quebrado por duas semanas.”
Em uma declaração à BBC, Yevgeny Prigozhin afirmou firmemente que não tem ligações com Evro Polis ou Wagner.
“Não ouvi nada sobre a violação dos direitos humanos na Líbia pelos russos e estou certo de que isso é uma mentira absoluta”, disse ele.
“Meu conselho para vocês (BBC) é trabalharem com os fatos, não com seus sentimentos russofóbicos.”
Anteriormente, ele também negou conhecer Utkin.
Em novembro de 2018, o general rebelde líbio Khalifa Haftar visitou Moscou. As imagens da época mostram Prigozhin em uma reunião no Ministério da Defesa da Rússia.
Em janeiro de 2020, Putin foi questionado se havia algum russo lutando na Líbia. E respondeu: “Se há cidadãos russos lá, eles não representam os interesses do Estado russo e não estão recebendo dinheiro do Estado russo.”
Quando questionamos o Ministério das Relações Exteriores da Rússia sobre nossa investigação, o órgão nos encaminhou declarações anteriores.
A pasta disse que as informações sobre a presença de agentes de Wagner na Líbia são baseadas principalmente em dados fraudulentos e visam desacreditar a política da Rússia na Líbia.
“A Rússia está fazendo o possível para promover um cessar-fogo e uma solução política para a crise na Líbia.”
A organização paramilitar Wagner surgiu pela primeira vez no leste da Ucrânia em 2014, ao lado de empresas militares privadas e brigadas voluntárias, apoiando separatistas pró-russos. Mas foi na Síria, em 2016, com suas operações contra o grupo autodenominado Estado Islâmico, que ganhou destaque.
Uma ação judicial em nome de uma família síria tenta forçar as autoridades russas a investigar os combatentes de Wagner que teriam matado um homem sírio em 2017.
Dois vídeos enviados para a internet o mostraram sendo torturado e, em seguida, decapitado por homens que o insultavam em russo, seu cadáver marcado com escrita cirílica.
Wagner ainda opera na República Centro-Africana (CAR). Três anos atrás, três jornalistas russos que investigavam o envolvimento de Wagner no país foram mortos a tiros.
O grupo também atua em outros países africanos, incluindo o Chade.
“Esta é uma grande competição para os russos. Eles não estão competindo apenas pela Líbia, eles estão competindo pela tomada de decisões internacionais na África e no mundo”, disse Rabia Bu Ras, membro da Câmara dos Representantes da Líbia (equivalente à Câmara dos Deputados no Brasil).
Quanto à presença de Wagner na Líbia, o tablet com a tela quebrada lançou uma nova luz sobre as operações secretas do grupo ali — de movimentos de tropas a armadilhas com explosivos em bairros civis.
Seu chefe e seus membros podem estar longe dos locais marcados nos mapas na tela, mas a BBC entende a partir de testemunhos de civis e evidências de código aberto que — apesar de um cessar-fogo — os combatentes ainda operam no país e continuam a desestabilizar os esforços de paz.
VÍDEOS com notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Queda de helicóptero turístico na Rússia deixa 8 desaparecidos


Aeronave do modelo Mi-8 caiu na região de Kamtchatka em um lago vulcânico. Equipes de resgate conseguiram salvar ao menos oito pessoas. Equipes de resgate da Rússia buscam por sobreviventes de queda de helicóptero em lago vulcânico em 12 de agosto de 2021
Russian Kamchatka Regional Government/AFP
Um helicóptero turístico com 16 pessoas a bordo caiu nesta quinta-feira (12) na península vulcânica de Kamtchatka, na Rússia, deixando oito desaparecidos, anunciou o governo local.
A aeronave do modelo Mi-8 caiu no lago Kurile, dentro da reserva natural de Kronotsky, segundo afirmou o governador desta região russa, Vladimir Solodov, em um comunicado.
Os funcionários da reserva natural localizada no extremo-oriente do país chegaram ao local poucos minutos após o acidente e conseguiram resgatar metade dos passageiros.
O governador confirmou que a aeronave transportava três tripulantes e 13 turistas, incluindo um menor de idade, moradores de São Petersburgo, a segunda maior cidade do país.
“Ouvimos o barulho do helicóptero, mas não o vimos […] Depois, ouviu-se um barulho forte. Era o helicóptero que tinha se impactado na água. Imediatamente, colocamos dois botes na água e, em três ou quatro minutos, chegamos”, disse a assessoria de imprensa da reserva em uma nota.
Segundo a mesma fonte, oito pessoas foram resgatadas, depois de conseguirem subir à superfície da água de uma profundidade de oito ou nove metros, enquanto o dispositivo afundava. Duas estão gravemente feridas.
“Contornamos o lago várias vezes em busca de outras pessoas, mas não encontramos ninguém”, indica o comunicado, acrescentando que é “impossível” se manter com vida por muito tempo em águas com temperaturas entre 5°C e 6ºC.
O governador disse ainda que o helicóptero afundou a 130 metros de profundidade, impossibilitando o trabalho dos mergulhadores. Diante disso, solicitou-se ao Exército russo o envio de robôs submarinos.
Se a busca continuar, é pouco provável que outros sobreviventes sejam encontrados.
Neblina espessa
Um dos sobreviventes, Viktor Strelkin, disse que estava dormindo no momento do acidente, até ser acordado por um jato d’água no rosto.
“O filho do meu amigo estava sentado do meu lado. Ele estava preso com cinto de segurança e não tive tempo de retirá-lo, porque acordei tarde demais”, contou ele, citado pelas autoridades.
Este mergulhador amador disse ainda que conseguiu se soltar, inalar o ar antes que a cabine se enchesse de água, sair do dispositivo e nadar até a superfície.
Outro passageiro, Nikolai Korjenevski, disse à emissora de televisão que o lago estava “envolto em espessa neblina” e que a água estava “extremamente fria”. Ele reconhece que conseguiu sobreviver apenas graças à velocidade dos socorristas.
Segundo um comunicado de imprensa divulgado pelas autoridades regionais, quatro feridos foram levados para o hospital. Dois deles se encontram na UTI, mas estão fora de perigo.
“Não temos informações sobre os demais” passageiros, disse à AFP Alla Golovan, porta-voz do governador.
Foi aberta uma investigação por violação das regras de segurança, de acordo com nota do Comitê de Investigação, órgão responsável pelas principais investigações no país.
A aeronave pertence à empresa local Vitiaz-Aero. A companhia garantiu aos jornais russos que o aparelho havia sido totalmente reparado em 2020, inspecionado antes do voo e que os pilotos tinham “experiência”.
Segundo a rádio russa Business FM, o helicóptero já estava em atividade há quase 40 anos, e sua licença de voo iria expirar no próximo ano.
O helicóptero levava turistas para o Khodutka, um dos vulcões que rodeiam a cidade de Petropavlovsk-Kamtchatksi.
A península de Kamtchatka é gigantesco território, muito pouco povoado, apreciado pelos turistas por seus vulcões e pela natureza selvagem.
Segundo o site Vitiaz-Aero, a empresa usa helicópteros do tipo Mi-8P para o transporte de grupos turísticos. De concepção soviética, este modelo de helicóptero foi fabricado entre 1960 e 1991 e pode transportar até 24 pessoas.
A segurança aérea na Rússia aumentou a partir dos anos 2000, à medida que as principais companhias foram trocando os aparelhos soviéticos por aviões mais modernos. Falhas de manutenção e descumprimento das normas de segurança continuam, no entanto, causando problemas e tragédias.

Fonte: G1 Mundo