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Com nova onda da Covid-19, Bangladesh enfrenta falta de oxigênio


Governo impôs confinamento estrito para tentar conter a contaminação. A cidade de Khulna sofre um colapso na saúde com a chegada da variante delta do coronavírus. 8 de maio: muçulmanos com roupas protetoras contra o coronavírus rezam em frente à Mesquita Nacional Baitul Mukarram, em Bangladesh
Munir Uz Zaman / AFP
Na cidade de Khulna, no sudoeste de Bangladesh, epicentro da nova onda de infecções por Covid-19, cilindros de oxigênio vazios se acumulam quase tão rapidamente quanto os mortos.
Diante do aumento do número de casos, o governo impôs um confinamento estrito em todo o território durante o fim de semana, tentando impedir a transmissão do vírus. Mesmo assim, em Khulna, os hospitais e familiares de vítimas estão sobrecarregados.
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Perto do pronto-socorro do hospital, Mohamed Siddik, apoiado em cilindros vazios, liga aos prantos para seus parentes para anunciar a morte de seu irmão, de 50 anos.
O empresário de 42 anos levou o irmão ao hospital quando sua saúde começou a piorar, mas não havia mais leitos disponíveis ou oxigênio, contou à AFP.
“Ele morreu sufocado em um corredor de hospital, em nenhum momento eles administraram oxigênio”, disse Siddik.
Localizada perto do estado indiano de Bengala Ocidental, Khulna sofreu um aumento repentino de infecções, causadas pela variante Delta, detectada pela primeira vez na Índia.
Na quinta-feira (1º), a cidade contabilizou 46 mortes, segundo balanço oficial, em comparação com as 10 mortes diárias nas ondas anteriores.
Nesta cidade de 680 mil habitantes, muitos acreditam que o saldo real é muito maior. Os cemitérios em cidades vizinhas como Satkhira não conseguem lidar com o repentino afluxo de mortos.
O hospital público, um dos quatro da cidade, tem 400 leitos, mas a demanda atual supera em muito sua capacidade.
“Estamos sob grande pressão quando se trata de internações”, disse Niaz Muhamad, médico-chefe do governo para a região de Khulna, que, no entanto, diz que não há problemas com o suprimento de oxigênio.
“Situação crítica”, disse Afroza, que explicou como seu irmão também morreu sem oxigênio. “Se tivessem dado apenas um pouco ao meu irmão, ele ainda estaria vivo”, lamentou entre lágrimas, no pátio do hospital.
Desde quinta, a polícia e o exército patrulham as ruas do país de 168 milhões de pessoas para garantir o cumprimento do toque de recolher. Centenas de pessoas são presas diariamente por deixar suas casas.
Em Khulna, as restrições estão em vigor desde o mês passado, quando a taxa de infecção disparou, mas as fábricas na cidade continuam abertas e muitos precisam sair para trabalhar.
Rafikul Islam, um estudante, diz que foi forçado a caminhar sete quilômetros para chegar ao seu emprego de meio período em uma fábrica porque não há serviço de ônibus.
“A maioria das lojas está fechada e o transporte público não funciona, mas diante da gravidade da situação em Khulna, não temos outra opção, devemos continuar trabalhando. A situação é crítica”, disse.
Oficialmente, Bangladesh registrou 935.000 infecções e 14.900 mortes desde o início da pandemia, mas para a maioria da população esses números estão subestimados.
Funcionário do cemitério de Khulna, Mohamad Badu, garante à AFP que nunca esteve tão ocupado em 32 anos de trabalho.
“O número de enterros é muito maior do que antes”, garante.
Para as autoridades de saúde, a nova onda se explica pela recusa da população em usar máscara e respeitar o distanciamento social.
“As pessoas não se preocupam em se isolar e isso ajuda a reforçar a transmissão do vírus”, disse Suhas Halder, porta-voz do principal hospital de Khulna.

Fonte: G1 Mundo

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Polícia italiana barra 52 torcedores de jogo da Euro 2020 por descumprimento de restrições contra Covid


Torcedores tentaram burlar o cumprimento obrigatório de quarentena, exigo por Roma. Passageiro com máscara caminha ao lado de placa que pede distanciamento social no aeroporto de Fiumicino, perto de Roma, na Itália
Guglielmo Mangiapane/Reuters
A polícia italiana impediu 52 torcedores de irem ao jogo de quartas de final da Euro 2020 entre Inglaterra e Ucrânia em Roma no último sábado (3) porque eles não cumpriam as restrições contra a Covid-19.
Em uma tentativa de impedir a disseminação da altamente contagiosa variante do coronavírus Delta, Roma determinou quarentena de cinco dias em junho para qualquer pessoa que chegasse à Itália, após ter estado no Reino Unido nas duas semanas anteriores.
Ao cruzar nomes de viajantes de voos da Inglaterra e da Ucrânia com os que haviam comprado ingressos, a polícia italiana identificou 52 torcedores que não haviam cumprido o tempo de quarentena exigido. Esses torcedores também tiveram seus ingressos cancelados, disse a polícia italiana em comunicado.
Na semana passada, a Itália disse que torcedores da Inglaterra não deveriam tentar usar brechas das restrições de viagem contra a Covid-19 para entrarem furtivamente no jogo das quartas de final da Euro entre Inglaterra e Ucrânia em Roma, mesmo se tivessem ingresso.
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Fonte: G1 Mundo

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Equipes se preparam para demolir prédio parcialmente colapsado na Flórida antes de chegada de tempestade tropical


Ainda há cerca de 120 desaparecidos que podem estar sob os escombros do prédio que desmoronou em Surfside. Até o momento, foram encontrados 24 mortos. Equipes de resgate trabalham nos escombros do condomínio Champlain Towers South, em 27 de junho de 2021, em Surfside. Prédio desabou parcialmente no dia 24 na região de Miami, na Flórida, nos Estados Unidos
Wilfredo Lee/AP
Os preparativos para o trabalho de demolição do prédio que parcialmente colapsou em Surfside, nos Estados Unidos, estavam em andamento neste domingo (4), antes da possível chegada da tempestade tropical Elsa e depois de um total já confirmado de 24 mortos no desastre.
Os esforços de busca e resgate de mais de 120 pessoas desaparecidas foram suspensos.
Equipes ainda procuram vítimas, 9 dias após desabamento parcial de prédio na região de Miami
“Não temos um horário específico”, disse a prefeita do condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, a repórteres no sábado. “Ainda temos esperança de poder fazer a demolição antes (da chegada) da tempestade.”
Na manhã deste domingo, a tempestade tropical Elsa estava na costa da Jamaica com ventos de 100 km por hora. Na segunda-feira, a tempestade deve atravessar Cuba e atingir o oeste da Flórida até terça-feira.
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As famílias entendem que isso precisa ser feito, disse a prefeita do condado de Miami Dade, Daniella Levine Cava.
O receio com o resto do complexo fez com que as buscas tivessem sido interrompidas na quinta-feira (depois elas foram retomadas)..
Nenhum sobrevivente foi retirado dos escombros desde as primeiras horas após o colapso, em 24 de junho.
Não se sabe ainda por que o prédio caiu. Um relatório de 2018 apontava que havia deficiências estruturais. Agora, essas são o foco do inquérito que está sendo examinado.
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Cidade da Holanda inaugura maior ciclovia com cores do arco-íris do mundo

Iniciativa da cidade de Utrecht foi uma das iniciativas ligadas ao mês do orgulho LGBTQI+. Ciclovia liga três campus de universidades próximos. Holanda inaugura a maior ciclovia do mundo em formato de arco-íris
Na cidade de Utrecht, na Holanda, foi inaugurada a maior ciclovia do mundo em formato de arco-íris. Trata-se de uma referência ao mês de orgulho LGBTQI+, comemorado em junho.
Na Holanda, as cidades têm muitas ciclovias, e as bicicletas são um importante meio de condução.
A ciclovia tem 570 metros de extensão e liga a Universidade de Utrecht, a Universidade de Ciências Aplicadas de Utrecht e o Hospital Universitário.
A ciclovia foi iniciativa de Elias Van Mourik, um aluno de Ciências Aplicadas, que propôs a pintura.
As universidades gostaram da ideia e sugeriram a pintura para a prefeitura.
Van Mourik afirmou que também se trata de um símbolo para pessoas negras: “É um símbolo de apoio não só às pessoas LGBTQI+, mas [também] às pessoas negras e outros grupos oprimidos”.
As cores preto e marrom também foram representadas na ciclovia.
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Trabalhos de resgate no Japão prosseguem após tempestades deixarem rastro de destruição


No sábado (3), chuvas torrenciais provocaram avalanche de lama soterrando casas na região de Shizuoka. Cerca de 130 edifícios foram afetados e vinte pessoas estão desaparecidas. Equipes de resgate buscam por sobreviventes em deslizamentos de terra Jopão tempestade
CHARLY TRIBALLEAU / AFP
A chuva atrapalhou as equipes de resgate japonesas que buscavam 20 desaparecidos neste domingo (4), depois que deslizamentos de terra provocados por tempestades atingiram a cidade de Atami, matando duas mulheres, disse uma autoridade local.
Um total de 19 pessoas foram resgatadas — com 2 feridos –, e cerca de 130 edifícios foram afetados após inundações, deslizamentos de terra e lama em cascata engolirem casas no sábado (3), na cidade costeira a 90 km a sudoeste de Tóquio. As informações foram dadas por um porta-voz da prefeitura de Atami à Reuters por telefone.
“Eu só queria chorar (quando vi o que tinha acontecido)”, disse Naoto Date, um ator de 55 anos que voltou para sua cidade natal ainda no sábado (pelo horário local) para verificar os danos.
“Essa área fica em um vale entre as montanhas e há um pequeno rio fluindo por ela. Acima desse pequeno rio há uma encosta íngreme, e o deslizamento de lama desceu pela encosta e se tornou um rio”, disse Date.
“Como muitos idosos viviam lá, a ideia de que pode haver pessoas que não conseguiram escapar do desastre me deixa muito triste”, disse ele.
As enchentes são uma lembrança dos desastres naturais –incluindo terremotos, vulcões e tsunamis– que assolam o Japão, cuja capital Tóquio sediará as Olimpíadas de Verão a partir deste mês.
Deslizamento de Terra no Japão mata 2 e deixa 20 desaparecidos

Fonte: G1 Mundo

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Papa Francisco passa por cirurgia no intestino; entenda como funciona o procedimento


Operação já estava agendada para este domingo (4) e busca curar estenose diverticular do cólon. Especialista explica que pontífice deve ter maior qualidade de vida depois da intervenção. Imagem do Papa em 4 de julho de 2021, durante a celebração de domingo, antes de ir para o hospital onde será operado
Andreas Solaro / AFP
O Papa Francisco foi internado em um hospital de Roma, neste domingo (4), para uma cirurgia no intestino grosso. Segundo o Vaticano, o procedimento foi necessário por causa de uma “estenose diverticular do cólon”.
Abaixo, entenda:
o que causa a doença,
quais os sintomas que o pontífice deve ter apresentado;
qual o grau de complexidade da operação e como ela é feita;
de que modo a recuperação poderá afetar a rotina do Papa.
O que é estenose diverticular do cólon?
Para compreender o que é “estenose diverticular do cólon”, é preciso saber o significado de “divertículo”.
Imagine que o intestino seja um cano. Na terceira idade, é comum que apareçam “saquinhos” na parede desse tubo — eles surgem principalmente pelo enfraquecimento natural dos tecidos. Essas tais “bolsas” são os divertículos.
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“Depois dos 60 anos, praticamente 100% dos idosos têm esse problema, em maior ou menor grau. Nem todos apresentarão sintomas: alguns têm dor, outros desenvolvem complicações maiores”, explica Juliano Barra, cirurgião do aparelho digestivo no Hospital Sírio-Libanês em Brasília (DF).
“Quando há inflamação, chamamos de diverticulite, que é um quadro agudo a ser tratado com remédios via oral ou endovenosa. Caso chegue a ter perfuração ou sangramento do intestino, o paciente precisará de cirurgia com urgência.”
O médico explica que essas inflamações deixam uma cicatriz no intestino, fazendo com que a parede dele fique mais dura e grossa. “Se isso se repete, uma vez atrás da outra, o ‘cano’ que tinha 5 centímetros de calibre passa a ter 1 ou 2 centímetros.”
É essa estreitamento do órgão que recebe o nome de “estenose”.
Quais os sintomas?
Quando o paciente tem estenose, o intestino fica mais estreito, e as fezes enfrentam dificuldade para passar pelo “tubo”.
“Geralmente, a pessoa passa a ter dores e problemas para evacuar”, diz Barra.
Segundo o Vaticano, a operação do Papa Francisco já estava agendada. Ou seja: provavelmente, não é um quadro agudo.
“Ele já devia estar sofrendo com dores há tempos. Por isso, a equipe médica optou pela cirurgia”, afirma o especialista do Sírio-Libanês.
Como funciona a operação?
Usando mais uma analogia: se uma mangueira estiver entupida, será preciso cortar o pedaço do tubo que está mais estreito, tirá-lo e juntar as duas extremidades que ficaram soltas.
Fachada do Hospital Gemelli, onde o Papa passará por cirurgia no intestino
Reuters
A cirurgia para tratar a estenose diverticular do cólon funciona desse mesmo jeito.
“É um procedimento resolutivo. Tirando a parte que está doente, o problema é sanado”, afirma Barra.
Qual o grau de complexidade da operação?
De acordo com Barra, o procedimento pode ser considerado “de média complexidade”. É difícil estimar a duração dele, mas deve levar de 2 a 3 horas.
“Como o Papa é um paciente idoso, há um certo grau de risco. Mas é uma cirurgia que faz parte do dia a dia de qualquer hospital. Não é nada de outro mundo”, afirma o médico.
Como deve ser a recuperação?
“Em geral, não é necessário colocar a bolsinha [de colostomia, que desvia o trânsito intestinal para fora do corpo do paciente]. Ela só é usada quando a emenda feita na cirurgia não cicatriza corretamente”, afirma Juliano Barra.
Segundo o médico, o Papa Francisco deve ficar no hospital de 5 a 7 dias.
De que modo a cirurgia poderá afetar a rotina do Papa Francisco?
Três horas antes do comunicado do Vaticano, neste domingo, o pontífice chegou a participar da tradicional cerimônia religiosa na Praça de São Pedro. Em seu discurso, ele informou que viajará em setembro para a Hungria e a Eslováquia.
Mas será que, passando por uma cirurgia, a agenda será mesmo mantida?
Segundo Barra, tudo indica que sim. “Ele fará uma viagem ainda mais tranquila, com maior qualidade de vida e sem dor.”
Papa Francisco é internado para cirurgia no intestino
Vídeos sobre o Papa Francisco

Fonte: G1 Mundo

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Quatro pessoas morrem em incêndio florestal devastador no Chipre


As chamas, alimentadas por fortes ventos, afetaram pelo menos 10 comunidades em uma área superior a 50 quilômetros quadrados no sopé da cordilheira Troodos. Helicóptero sobrevoa o incêndio florestal, na região montanhosa de Larnaca, no Chipre.
Associated Press
Quatro pessoas foram encontradas mortas neste domingo no segundo dia de um grande incêndio no Chipre que arrasou trechos de floresta e destruiu dezenas de casas, no que foi considerado por uma autoridade como o pior incêndio já registrado.
Papa Francisco é internado para cirurgia no intestino, diz Vaticano
As chamas, alimentadas por fortes ventos, afetaram pelo menos 10 comunidades em uma área superior a 50 quilômetros quadrados no sopé da cordilheira Troodos, uma área de floresta de pinheiros e densa vegetação.
Homem observa incêndio na região montanhosa de Larnaca no sábado (3)
Associated Press
“É um dos mais destrutivos (incêndios) que experimentamos, infelizmente, com as vítimas”, disse o presidente cipriota, Nicos Anastasiades, a repórteres da região. O Estado ficará a postos e apoiará todos os afetados, disse ele.
A área inclui algumas das aldeias montanhosas mais pitorescas do Chipre. Testemunhas disseram que encostas de pinheiros exuberantes ou pomares de árvores frutíferas haviam se transformado em tocos negros fumegantes em uma paisagem cinza e estéril.
“Vai levar pelo menos dez anos para crescerem de volta. Como vamos sobreviver?”, questionou o agricultor Andreas Costa, de 70 anos, que chorava enquanto Anastasiades tentava consolá-lo.
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Fonte: G1 Mundo

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O minúsculo país no Pacífico que pode tornar realidade a temida mineração no fundo do mar


Nauru, no Pacífico, acionou gatilho na ONU que exige que as regras para a mineração em alto mar sejam definidas nos próximos dois anos. Patania II é um dos protótipos em desenvolvimento para a atividade mineradora no fundo do mar
GSR via BBC
A minúscula nação de Nauru, no Pacífico, deu início a uma série de preocupações e críticas ao exigir que as regras para a mineração em alto mar sejam definidas nos próximos dois anos.
Grupos ambientalistas alertam que isso levará a uma corrida destrutiva nos “nódulos” do fundo do mar, ricos em minerais, que são alvo de mineradoras e governos há décadas.
Mas autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU) que supervisionam a mineração em alto mar dizem que nenhum empreendimento subaquático pode ter início nos próximos anos.
Então, o que está causando preocupação?
É tudo sobre uma carta que se refere às letras pequenas de um tratado internacional que tem implicações de longo alcance.
Nauru, um Estado insular no Oceano Pacífico, pediu à Autoridade Internacional para os Fundos Marinhos (braço da ONU que supervisiona o fundo do oceano) que acelere a regulamentação que servirá de baliza para a mineração em alto mar.
O governo local ativou uma subcláusula aparentemente obscura na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar que permite que países acionem um “gatilho de dois anos” se acharem que negociações estão indo muito devagar.
Nauru, nação de 12 mil habitantes de 21 quilômetros quadrados que tem parceria com uma empresa de mineração, DeepGreen, argumenta que é “um dever dela para com a comunidade internacional” tomar essa iniciativa de acionar o gatilho a fim de ajudar a se alcançar “segurança regulatória”.
O país afirma que tem mais a perder com as mudanças climáticas, por isso quer incentivar o acesso às pequenas rochas conhecidas como nódulos que se encontram no fundo do mar.
Isso porque eles são ricos em cobalto e outros metais valiosos que podem ser úteis para baterias e sistemas de energia renovável na transição que substituirá combustíveis fósseis.
Por que esse debate importa?
Se o braço da ONU não conseguir estabelecer as regras para a mineração em dois anos, ele poderá emitir aprovação provisória a Nauru para seguir com seu projeto — e ninguém sabe o que isso pode representar.
“Isso poderia realmente abrir as comportas”, afirma Matthew Gianni, da Deep Sea Conservation Coalition, à BBC.
“Se Nauru e a DeepGreen obtiverem uma licença provisória, qualquer empresa ou Estado nacional pode acionar o gatilho de dois anos também e, então, todo o processo entrará no caos absoluto. As coisas ficaram muito mais complicadas — não seria um processo de negociação coordenado e bem planejado para atingirmos a regulamentação.”
O que diz a Autoridade Internacional para os Fundos Marinhos?
Em entrevista à BBC, o secretário-geral do órgão, Michael Lodge, minimizou as implicações da mudança de Nauru, dizendo que ainda há um longo caminho a ser percorrido antes que qualquer atividade mineradora possa ter início.
Ele disse que o conselho da Autoridade Internacional para os Fundos Marinhos concordou em 2017 em concluir a regulamentação para mineração no fundo do mar até 2020. Mas um plano que foi descarrilado pela Covid-19.
Se Nauru e sua parceira comercial DeepGreen estiverem prontos para solicitar uma licença de mineração em dois anos, haveria uma série de obstáculos antes que a aprovação pudesse ser dada — incluindo uma avaliação de impacto ambiental e planos para minimizar os danos.
“Mesmo sob os atuais projetos de regulamentação”, disse Lodge, “qualquer pedido de exploração provavelmente será um processo demorado, com vários pesos e contrapesos”.
Isso levaria pelo menos dois ou três anos, de modo que, na prática, o início de qualquer mineração seria por volta de 2026.
Qual é o futuro da exploração das profundezas do oceano?
Cientistas dizem que estão longe de alcançar uma compreensão completa dos ecossistemas nas planícies abissais. Mas já sabem que são muito mais vibrantes e complexos do que se pensava décadas atrás.
Estima-se que esses nódulos, habitat para inúmeras formas de vida, se formaram ao longo de vários milhões de anos. Dessa forma, qualquer recuperação posterior à mineração será incrivelmente lenta.
Além disso, o que ainda não se sabe é qual será o efeito das plumas de sedimentos que serão agitadas pelas máquinas gigantes de mineração e provavelmente irão se espalhar por longas distâncias debaixo d’água.
Estudar esses aspectos é uma tarefa difícil e lenta, e é improvável que seja totalmente respondida dentro do período de dois anos iniciado por Nauru.
Andrew Friedman, do The Pew Charitable Trusts, está entre os que temem a “aceleração” o processo de aprovação.
“O fundo do mar é um ambiente vasto, inexplorado e biologicamente rico, e a Autoridade Internacional para os Fundos Marinhos deve investir o tempo e os recursos necessários para garantir que os ecossistemas do fundo do mar sejam protegidos antes que qualquer mineração prossiga.”
Uma das regiões na mira de mineradoras e de Nauru é a de Clarion-Clipperton (CCZ, na sigla em inglês), no oceano Pacífico. Ali, a 4 mil metros abaixo da superfície marinha, distância equivalente a cinco vezes o tamanho do Burj Khalifa, o prédio mais alto do mundo, encontram-se vastos depósitos de nódulos de manganês, pedras ricas em níquel, cobre, cobalto e outros minerais essenciais para a fabricação de equipamentos — de celulares a baterias para carros elétricos e painéis solares.
Ainda que não existam cálculos exatos, estima-se que a CCZ poderia abrigar 27 milhões de toneladas de nódulos, que têm o tamanho de uma bola de beisebol. Não se sabe, entretanto, se essa quantidade toda será acessível.
Michael Johnston, da Nautilus Minerals, calcula que, no ritmo do consumo de hoje, a CCZ terá cobre o suficiente para abastecer o mundo durante os próximos 30 anos.
Por outro lado, biólogos e ambientalistas descobriram que, de alguma maneira, todo o ecossistema da CCZ está conectado aos nódulos.
Algumas espécies de esponjas e anêmonas precisam da superfície dura dos nódulos para viver. Vídeos gravados na CCZ também mostram que nos lugares onde há mais nódulos há uma quantidade maior de peixes, com tamanho e diversidade maiores que espécies em áreas com menos nódulos.
A região de Clarion-Clipperton é rica em nódulos de manganês, que contêm minerais como cobre e níquel
Nautilus Minerals via BBC
O que vem agora?
Jessica Battle, do World Wide Fund for Nature (WWF), diz que a adoção de uma moratória é fundamental para uma avaliação adequada dos riscos.
“Nós realmente precisamos colocar um freio em tudo isso, em particular até que haja tempo suficiente para a ciência ajudar a tomar uma decisão informada.”
Ela está menos preocupada com as perspectivas de uma mineração real começando em dois anos — já que as máquinas de mineração ainda não estão prontas — e mais com o que pode acontecer na pressa para concluir a regulamentação.
“O que vai prevalecer? O princípio da precaução e cuidado com o meio ambiente? Ou os interesses comerciais?”

Fonte: G1 Mundo

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Ex-presidente da África do Sul, que deveria se entregar à Justiça neste domingo, ganha tempo


Jacob Zuma seria preso neste domingo (4) por não ter comparecido a uma audiência da Justiça em fevereiro. No entanto, os juízes aceitaram ouvir sua argumentação, agendada para o dia 12 de julho. Jacob Zuma discursa perto de sua casa em Nkandla, na África do Sul, em 4 de julho de 2021
Rogan Ward/Reuters
A Justiça da África do Sul aceitou, no sábado (3) ouvir os argumentos do ex-presidente Jacob Zuma que pretende contestar uma sentença de 15 meses na prisão.
Centenas de apoiadores de Zuma se juntaram do lado de fora de sua casa.
Apoiadores de Jacob Zuma, em 3 de julho de 2021
Rogan Ward/Reuters
A Corte Constitucional do país tinha condenado Zuma a 15 meses por ter faltado a um interrogatório, em fevereiro.
Inicialmente, Zuma teria que se entregar até o fim deste domingo, mas a Justiça aceitou ouvir seus argumentos e, assim, suspendeu a ordem de prisão.
Jacob Zuma, ex-presidente da África do Sul, é condenado à prisão
Os juízes devem ouvir os argumentos de Zuma no dia 12 de julho.
Zuma era tido como um veterano da luta contra o regime de aparheid. No entanto, desde que ele saiu da presidência, em 2018, foi envolvido em escândalos.
O ex-líder pediu que a pena seja anulada por ser excessiva e também por expô-lo aos riscos de uma infecção pelo coronavírus.
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Jacob Zuma, ex-presidente da África do Sul é condenado à prisão
Em sua cidade, Nkandlka, Zuma não conversou com seus apoiadores. Ele, no entanto, passou por eles, e sem máscara. Homens com roupas tradicionais da Nação Zulu faziam a segurança.
Para Zuma, a pena é uma declaração política. Ele diz que é vítima de uma caçada às bruxas e que a promotoria é enviesada.
O ex-presidente é acusado de corrupção antes e durante sua gestão. Ele teria permitido que três empresários recebessem dinheiro de forma ilegal do Estado. Além disso, Zuma também é investigado pela negociação de um contrato de US$ 2 bilhões em armas, firmado quando ele era vice-presidente.
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Fonte: G1 Mundo

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Marine Le Pen é reeleita líder da extrema-direita francesa


Partido de extrema-direita na França teve um desempenho eleitoral ruim nas últimas votações regionais, mas ainda assim Le Pen seguirá na liderança do grupo. Marine Le Pen discursa no dia 3 de julho de 2021
Raymond Roig / AFP
A líder da extrema-direita da França, Marine Le Pen, foi reeleita neste domingo (4) para um quarto mandato como presidente de seu partido, Reagrupamento Nacional (RN), durante um Congresso no qual busca ganhar impulso para as eleições presidenciais de 2022.
O RN era um dos favoritos nas eleições regionais do mês passado, mas não conseguiu vencer em nenhuma das 13 regiões da França continental.
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Esse resultado levantou dúvidas sobre a estratégia de Le Pen de limpar a imagem da formação e se posicionar mais como um partido convencional de direita.
A atual presidente, porém, não encontrou oposição no congresso de seu partido em Perpignan (sul) e foi a única candidata ao cargo, que deverá deixar temporariamente no final deste ano para se dedicar às eleições presidenciais francesas de 2022.
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De acordo com o resultado da votação apurada na quinta-feira e anunciada hoje, a dirigente de extrema-direita, que comanda a formação desde 2011, foi eleita com 98,35% dos votos dos afiliados.
Os militantes também votaram na composição do chamado Conselho Nacional (uma espécie de parlamento partidário) e o candidato eleito com mais votos foi o número dois da formação, Jordan Bardella.
Será este jovem de 25 anos, um protegido de Le Pen, que a substituirá temporariamente por doze meses, enquanto ela se dedicar às presidenciais de abril de 2022.
No sábado, os militantes aprovaram uma reforma dos estatutos permitindo, justamente, a presidência temporária do RN por 12 meses em caso de campanha presidencial.
Em declarações à imprensa, Le Pen, de 52 anos, disse que se sentia “extremamente combativa” para sua terceira candidatura à presidência francesa.
“Não tenho dúvidas sobre o que deve ser feito pela França”, disse.
As pesquisas apontam um novo duelo entre a direitista e o presidente de centro Emmanuel Macron, que a superou com folga no segundo turno das eleições de 2017. Mas as regionais abalaram esse cenário.
As aspirações de Le Pen foram frustradas, mas também as de Macron, cujo partido República em Marcha colheu os piores resultados entre as principais formações.
Os vencedores das eleições regionais foram os partidos tradicionais de direita e de esquerda, Os Republicanos e os Socialistas, que haviam sido esmagados pelo fenômeno Macron em 2017 e que agora parecem recuperar terreno.
Tanto o presidente quanto Le Pen minimizaram esse revés, argumentando que as eleições regionais não servem para prever os resultados nacionais.
As últimas pesquisas mostram que ambos passariam para o segundo turno das eleições presidenciais, nas quais Macron venceria por uma boa margem sobre Le Pen.
Ainda assim, o surgimento de um candidato forte na direita tradicional poderia ser uma dor de cabeça tanto para o presidente de centro quanto para os esperançosos da extrema-direita.
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Fonte: G1 Mundo