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Eleições para substituir presidente assassinado do Haiti são adiadas para 7 de novembro


Eleições presidencial e legislativa, além de um referendo constitucional, que tinham sido agendados inicialmente para 26 de setembro foram adiados. Imagem do presidente assassinado do Haiti, Jovenel Moise, em 23 de julho de 2021
Ricardo Arduengo/Reuters
As eleições do Haiti foram adiadas para 7 de novembro, de acordo com notícias de quarta-feira (11) da mídia local, na esteira do assassinato do presidente Jovenel Moise no mês passado, que mergulhou o país no caos político.
Funeral do presidente do Haiti Jovenel Moise é interrompido por tiros do lado de fora
Documentos aparentemente emitidos pelo governo que circularam nas redes sociais também na quarta-feira revelaram o adiamento das eleições presidencial e legislativa, além de um referendo constitucional, agendados inicialmente para 26 de setembro.
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A Reuters não conseguiu verificar de maneira independente a autenticidade dos documentos, e a comissão eleitoral do Haiti não respondeu de imediato a pedidos de comentário.
O novo primeiro-ministro haitiano, Ariel Henry, disse no final de julho que o governo planeja criar condições para a nação caribenha realizar eleições o mais rápido possível.
Potências ocidentais têm incentivado o Haiti, o país mais pobre das Américas, a eleger uma nova liderança o quanto antes para dar legitimidade democrática ao governo.
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Navio com bandeira do Panamá encalha e parte em dois no norte do Japão; veja vídeo


Barco dividiu-se em dois ao voltar de uma viagem da Tailândia. Uma mancha de óleo de 5,1 quilômetros de comprimento por cerca de um quilômetro de largura era visível. Imagem de navio cargueiro que despedaçou perto do Japão
Divulgação/Guarda Costeira do Japão/Via AFP
Um navio com bandeira do Panamá encalhou em um porto do norte do Japão, e depois partiu em dois e começou a vazar óleo, mas não há feridos entre os 21 tripulantes e o vazamento está sendo controlado, não dando sinais de que chegou à costa, disse a Guarda Costeira japonesa.
Vídeo: Navio com bandeira do Panamá encalha e parte em dois no norte do Japão
Navio que encalhou no Canal de Suez chega, enfim, ao porto de Rotterdam
A embarcação “Crimson Polaris” de quase 40 mil toneladas transportava farpas de madeira quando encalhou na manhã de quarta-feira (11) no porto de Hachinohe. Ela conseguiu se soltar, mas foi incapaz de se afastar por causa do tempo ruim e acabou ancorando a cerca de quatro quilômetros do porto.
O navio, que terminava uma viagem iniciada na Tailândia, dividiu-se em dois na manhã desta quinta-feira, segundo a Guarda Costeira. Uma mancha de óleo de 5,1 quilômetros de comprimento por cerca de um quilômetro de largura era visível mais tarde no mesmo dia, mas barcos de patrulha estavam adotando medidas de contenção.
As duas partes da embarcação não se moveram e estão sendo monitoradas atentamente pelos barcos de patrulha, e no final da tarde local não havia nenhuma grande alteração da situação, disse um porta-voz da Guarda Costeira.
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Biden é pressionado por famílias de vítimas do 11 de Setembro, que não o querem nas homenagens do 20º aniversário dos atentados


Presidente ordena análise de documentos que indiquem se Arábia Saudita teve participação nos ataques terroristas. Torres Gêmeas em ataque de 11 de Setembro de 2001
(Foto: AP)
A um mês do vigésimo aniversário dos atentados de 11 de setembro de 2001, o presidente Joe Biden tenta aplacar um mal-estar com sobreviventes e famílias das vítimas. Numa carta assinada por 1.800 pessoas, ele foi solicitado a não aparecer nas homenagens, a menos que cumpra a promessa de campanha e libere documentos do FBI que demonstrem o envolvimento da Arábia Saudita nos ataques.
O presidente americano cedeu à pressão e ordenou a revisão dos arquivos para determinar se é possível torná-los públicos, como defende o grupo de sobreviventes. Biden reforçou o compromisso pela transparência, mas dentro dos limites da lei.
Tropas dos EUA vão deixar o Afeganistão em 11 de setembro deste ano
A reivindicação das famílias dos três mil mortos já alcança o quarto presidente dos EUA — George W. Bush, Barack Obama, Donald Trump e agora Joe Biden. Quinze dos 19 terroristas da al-Qaeda eram sauditas, mas a Comissão do Congresso que investigou o mais trágico atentado em solo americano não achou indícios de que eles foram financiados pelo reino.
No governo Trump, em resposta a um tribunal federal, seu procurador-geral, William P. Barr, invocou a proteção à segurança nacional para manter em sigilo os documentos relacionados ao ataque.
Durante a campanha presidencial, os dois candidatos homenagearam os mortos em cenários distintos da tragédia– Biden esteve no Ground Zero, em Nova York; Trump, no Memorial Voo 93, na Pensilvânia, onde caiu o avião da United Airlines sequestrado por quatro terroristas.
As mensagens também divergiram. O então presidente deu um tom ufanista à celebração; o candidato democrata preferiu consolar parentes de vítimas. Ficou no ar a principal queixa dos sobreviventes: ter acesso a mais de 25 mil páginas de documentos que permanecem sob o selo de confidencialidade.
Na carta aberta a Biden, o grupo revela a frustração por ser usado como “moeda de troca política” e cobra do presidente a promessa de campanha em prol da verdade: “Vinte anos depois, simplesmente não há razão — alegações injustificadas de ‘segurança nacional’ ou outras — para manter esta informação em segredo.”
Como resumiu Terry Strada, que perdeu o marido Tom numa das Torres Gêmeas, neste 20º aniversário o grupo não está em busca de compaixão ou palavras de condolência. Num artigo publicado pelo “USA Today”, ela diz que é preciso curar com a verdade “a ferida que se aprofunda com o descaso a cada ano que passa”.
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Fonte: G1 Mundo

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Enchentes na Turquia: veja vídeo de drone que mostra resgate de uma mulher isolada

A Turquia enfrenta, ao mesmo tempo, enchentes no norte e incêndios florestais no sul do país. Vídeo: Imagens feitas com drone mostram resgate de mulher isolada em enchente na Turquia
Seis pessoas morreram em enchentes no norte da Turquia. As águas também destruíram ruas e pontes, de acordo com informações de autoridades do país divulgadas nesta quinta-feira (12).
Em algumas regiões, as pessoas precisaram ser retiradas por helicópteros, disse a agência de emergências e desastres do país.
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A expectativa é que as chuvas diminuam.
Cerca de 10 mil casas ficaram sem eletricidade.
A região norte do país tem problemas periódicos com chuvas fortes. No ano passado, cinco pessoas morreram.
Enchentes e incêndios ao mesmo tempo
Ao mesmo tempo, o sul do país enfrenta uma seca e incêndios que já queimaram milhares de quilômetros quadrados de florestas.
Vários turistas e moradores foram evacuados das áreas afetadas. Na ilha grega de Eubeia, alguns monges foram retirados à força, após se negarem a abandonar seus mosteiros.
Na turística Gytheio, no sul do Peleponeso, 5.000 pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e ir para uma cidade vizinha.
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Incêndios na Itália deixaram mais de 20 milhões de animais mortos em dois meses


Ouriços, veados, esquilos, tartarugas, lagartos, entre outras espécies de mamíferos, pássaros e répteis foram cercados pelo fogo e intoxicados pela fumaça. Imagem de incêndio na Sardenha, em 12 de agosto de 2021
Divulgação/ Vigili del Fuoco/Reuters
Como Grécia, Turquia e Argélia, a Itália é palco de incêndios florestais agravados pela onda de calor na região do Mar Mediterrâneo. Junto com a vegetação, animais silvestres também se tornam reféns do fogo, a maioria das vezes ateado propositalmente.
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A Itália é frequentemente palco de incêndios criminosos, mas este ano a situação piorou. Segundo a associação Legambiente, nos últimos dois meses, cerca de 20 milhões de animais morreram em incêndios. São ouriços, veados, esquilos, tartarugas, lagartos, entre outras espécies de mamíferos, pássaros e répteis, que cercados pelo fogo e intoxicados pela fumaça, não conseguem fugir para locais seguros.
A estimativa de animais silvestres mortos é calculada com base nos hectares de terra queimada. Nos dois primeiros meses deste verão no Hemisfério Norte, cerca de 100 mil hectares foram devorados pelas chamas. 
O massacre se repete de forma dramática todos os anos e diz respeito principalmente ao sul do país. No total, 55% das chamas concentram-se nas regiões meridionais da península italiana, como a Campânia, Apúlia, Calábria, Sardenha e Sicília. 
O crime de incêndio é severamente punido por lei na Itália porque as consequências podem ser devastadoras, destruindo hectares de árvores e causando a morte de pessoas e animais, com incalculáveis danos ambientais. As penas podem chegar de 7 a 10 anos de prisão. 
Mas, apesar das penas serem severas para os incêndios criminosos, dificilmente elas são aplicadas. O crime organizado também se aproveita desta situação. 
Incêndios criminosos
Os motivos de um incêndio podem ser vários: intimidar, causar danos à polícia, eliminar trechos de mata para novas construções, entre outros. Em alguns casos, na Itália, o fogo é provocado pelas próprias pessoas que devem apagá-lo, ou seja, trabalhadores florestais precários que querem receber um pagamento extra.
O assessor para o Território e Ambiente da Sicília, Toto Cordaro, afirmou ao jornal italiano La Repubblica que “existe um plano criminoso nos incêndios”. Para agravar a situação, na região siciliana, cerca de 400 bombeiros florestais estão de férias a partir de 10 de agosto. 
Recorde de calor 
A Itália registra ainda uma onda de calor histórica. Na província de Siracusa, na ilha da Sicília, os termômetros registraram 48,8°C na quarta-feira (11), o recorde da Europa, superando os 38 graus de Atenas, em 1977, segundo o diário Corriere dela Sera. De acordo com as previsões dos meteorologistas, o calor vai se espalhar por toda a península. O Lúcifer, anticiclone responsável pelas altas temperaturas na Itália, deverá se deslocar para o norte do país nos próximos dias.
“Essa frente de alta pressão viaja do Saara ao Mar Mediterrâneo e chega à Itália trazendo umidade” explicou Antonio Sanò, presidente do site de previsões meteorológicas Ilmeteo.it. 
Tradicionalmente, o período em torno ao 15 de agosto, chamado na Itália de “Ferragosto”, é o mais quente do ano. Essas altas temperaturas no verão não são incomuns, mas sua longa duração é excepcional. Neste ano, em vez de durar alguns dias, tornaram-se constantes desde junho, principalmente no sul. Se até a quarta-feira o calor tórrido poupou o Norte, a situação começa a mudar a partir desta quinta-feira (12).
Os bombeiros italianos lutam contra um incêndio que assola Palermo, na Sicília, que expulsou as pessoas de suas casas
Stringer/Vigili del Fuoco/AFP
A onda de calor na Itália é consequência do aquecimento global. O recente relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês) indicou um aumento das temperaturas do planeta com danos irreversíveis. As mudanças climáticas causadas pelos seres humanos resultaram em um acréscimo de 1,07º na média da temperatura do planeta.
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Por que os palestinos estão perdendo suas casas em Jerusalém Oriental


Uma ação judicial controversa para despejar palestinos de um bairro de Jerusalém Oriental chegou à Suprema Corte de Israel. As tensões em Jerusalém aumentaram no início deste ano
Reuters/Via BBC
A Suprema Corte de Israel está analisando uma ação judicial importante envolvendo palestinos que podem perder suas casas em uma região de Jerusalém onde viveram por décadas.
O destino de algumas famílias na área de Sheikh Jarrah — e de outras ameaçadas de despejo em Jerusalém Oriental — desencadeou semanas de protestos e confrontos.
Veja abaixo um vídeo de maio de 2021 sobre os conflitos na cidade.
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Do que se trata a disputa?
Sheikh Jarrah é um bairro palestino de Jerusalém Oriental, que é ocupada por Israel, perto da Cidade Velha e de seus locais sagrados.
Mapa mostra como é a divisão dos distritos em Jerusalém
BBC
Há uma longa disputa sobre a quem pertencem as terras na região, que levou grupos de colonos judeus a moverem ações de despejo contra palestinos que se mudaram para lá como refugiados.
A geografia deste pequeno distrito em Jerusalém é central para o conflito entre israelenses e palestinos.
Israel considera toda a cidade sua capital — algo que não é reconhecido pela maior parte da comunidade internacional.
Os palestinos querem, por sua vez, que Jerusalém Oriental seja a capital de um futuro estado palestino.
O que está acontecendo em Sheikh Jarrah?
Associações judaicas compraram terras perto da tumba de Shimon Hatzadik, monumento sagrado para os judeus, em Sheikh Jarrah, em 1876, e uma comunidade viveu lá por décadas.
Quadras de Jerusalém onde há ameaça de despejo
BBC
Mas depois da guerra árabe-israelense de 1948-1949, Jerusalém, onde árabes e judeus viviam lado a lado, foi dividida entre o Estado de Israel e o Reino da Jordânia.
Os judeus que viviam no leste e os palestinos que viviam no oeste da cidade tiveram que deixar suas casas.
E a Jordânia controlou Jerusalém Oriental, se tornando responsável pelos refugiados palestinos que se mudaram para lá.
Com a ajuda da Organização das Nações Unidas (ONU), as autoridades jordanianas construíram 28 casas para alguns desses refugiados, em terrenos de Sheikh Jarrah anteriormente ocupados por associações judaicas, mas tomados pela Jordânia.
Foi prometido a estas famílias os títulos de propriedade dos terrenos — mas elas nunca receberam.
“As famílias originais escolhidas pela agência de refugiados palestinos da ONU (Unrwa) agora se tornaram mais de 60 famílias que compreendem mais de três gerações de palestinos que vivem em Sheik Jarrah”, de acordo com um documento recente de um relator especial da ONU.
Mas depois da guerra de junho de 1967, Israel ocupou Jerusalém Oriental e aplicou suas próprias leis — algo que a ONU diz ser ilegal.
Em 1970, foi introduzida uma lei para tratar das reivindicações de propriedades disputadas em lugares como Sheikh Jarrah.
E as terras que as autoridades jordanianas haviam classificado como “propriedades inimigas” entre 1948 e 1967 foram transferidas para o órgão israelense encarregado de devolver as terras a seus proprietários originais antes de 1948 — ou a seus herdeiros.
Os palestinos, no entanto, não têm poder equivalente para recuperar propriedades que perderam em Jerusalém Ocidental, ou em qualquer outro lugar em Israel, que sob uma lei de 1950 foram declaradas abandonadas e transferidas para o controle do estado — embora eles possam reivindicar uma indenização.
Duas associações judaicas, em alguns casos apresentando documentos da era otomana, receberam os direitos sobre as terras em Sheikh Jarrah nas quais as casas para refugiados palestinos foram construídas.
E mais tarde elas venderam as terras para o grupo de colonos Nahalat Shimon, que liderou as ações de despejo e quer expandir a presença judaica em partes predominantemente palestinas de Jerusalém Oriental.
Alguns palestinos receberam “status de inquilino protegido”, nomeadamente por meio de um acordo, em 1982, envolvendo 17 famílias de Sheikh Jarrah.
Mas isso validava efetivamente as escrituras de propriedade do século 19 apresentadas pelos grupos judeus e significava que as famílias pagariam aluguel aos novos proprietários e precisariam de permissão para ampliar as casas.
Posteriormente, as famílias rejeitaram o acordo. E há dúvidas se os palestinos sabiam no que estavam se metendo.
“Parece que em nenhum momento as famílias deram consentimento ou foram consultadas sobre o acordo negociado pelo advogado, que não representava todas as famílias palestinas que viviam em Sheikh Jarrah”, dizem relatores especiais da ONU.
No início da década de 1990, as famílias pararam de pagar aluguel, e os judeus começaram a entrar com processos judiciais contra elas.
Em 2020, um tribunal em Jerusalém decidiu a favor de Nahalat Shimon e emitiu ordens de despejo para várias famílias, afetando dezenas de pessoas.
A Suprema Corte tentou servir de mediadora entre os dois grupos — e uma proposta incluía que as famílias pagassem aluguel —, mas as negociações fracassaram.
Os colonos querem o reconhecimento total do direito de propriedade — mas as famílias se recusam a aceitar isso.
E a Suprema Corte deve decidir se concede ou nega a permissão para um recurso apresentado por advogados que representam famílias palestinas em Sheikh Jarrah.
Eles “moram nessas casas há quase 70 anos”, diz Unrwa.
“E agora correm o risco de terem que deixar suas casas pela segunda vez.”
A ONU diz que as leis que regem quem tem direito de propriedade em Jerusalém são “aplicadas de maneira inerentemente discriminatória, com base unicamente na nacionalidade ou origem do proprietário”.
Palestinos acusam Israel de tentar apagá-los da cidade
Getty Images/Via BBC
Mas o governo israelense afirma que tem o direito de construir na cidade que considera sua capital — e os despejos são questões de propriedade privada a serem resolvidas pelo proprietário e inquilino.
Exemplos notáveis ​​destacam as reivindicações concorrentes.
O Shepherd Hotel, em Sheikh Jarrah, por exemplo, foi declarado uma “propriedade ausente” sob a legislação israelense, e o título foi transferido para uma empresa israelense e posteriormente comprado por um milionário americano que demoliu o prédio para abrir caminho para um assentamento.
Os palestinos dizem que o prédio foi tomado ilegalmente.
Há cerca de 3.000 colonos em bairros predominantemente palestinos em Jerusalém Oriental — quase todos dentro e ao redor da Cidade Velha, em lugares como Sheikh Jarrah, segundo a Peace Now, uma organização não governamental israelense.
E desde o início de 2020, o tribunal de primeira instância local ordenou a remoção de 36 famílias de Batan Al-Hawa e Sheikh Jarrah, o que atualmente é objeto de recurso.
Em toda a cidade, estima a ONU, pelo menos 970 palestinos correm o risco de remoção forçada devido a ações apresentadas a tribunais israelenses.
As regulamentações locais também dificultam para os palestinos ampliarem suas casas.
Entre 1991 e 2018, foi aprovada a construção de 9.536 unidades habitacionais em bairros palestinos de Jerusalém Oriental, em comparação com 21.834 em bairros israelenses, de acordo com a Peace Now.
E por causa dos obstáculos burocráticos, muitas obras são feitas ilegalmente, levando a demolições pelas autoridades israelenses.
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Fonte: G1 Mundo

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Enfermeira é suspeita de injetar solução salina em vez de vacina contra Covid na Alemanha


Autoridades alemãs pediram a milhares de pessoas que tomem de novo o imunizante. Polícia diz que enfermeira publicou opiniões céticas sobre as vacinas em redes sociais. Idoso de 92 anos recebe dose de vacina contra a Covid-19 em centro de vacinação em Berlim, capital da Alemanha
Sean Gallup/Pool via AP
Autoridades pediram a milhares de pessoas que tomem novamente vacinas contra a Covid-19 no noroeste da Alemanha após uma investigação policial descobrir que uma enfermeira da Cruz Vermelha pode ter injetado uma solução salina em vez do imunizante.
A enfermeira não foi identificada e sua motivação ainda não está clara, mas a polícia diz que ela publicou opiniões céticas sobre as vacinas em redes sociais.
Cerca de 8,6 mil moradores podem ter sido afetados em Frísia, um distrito rural perto da costa do Mar do Norte, a cerca de 220 km de Hamburgo. A enfermeira teria injetado a solução nos braços das pessoas em um centro de vacinação local na primavera.
A solução salina é inofensiva, mas a maioria das pessoas vacinadas em março e abril — quando há a suspeita da troca — são idosos com alto risco de morrer em caso de infecção.
A polícia não informou se a enfermeira suspeita foi presa ou formalmente acusada. Segundo a emissora de televisão NDR, ela foi levada a uma unidade especial que investiga crimes por motivos políticos.
Pessoas vão a centro de vacinação contra a Covid-19 em Dresden, na Alemanha, em 29 de julho de 2021
Matthias Rietschel/Reuters
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Fonte: G1 Mundo

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Argélia: incêndios deixam ao menos 69 mortos e população se mobiliza na luta contra o fogo


Cerca de 20 pessoas estão desaparecidas e quantidade de mortos deve aumentar. Imagens de casas destruídas pelo fogo na Argélia
Ryad Kramdi/ AFP
Pelo menos 69 pessoas morreram nos incêndios que devastam o norte da Argélia, alimentados pelo calor extremo. Junto aos bombeiros, soldados e a própria população lutam desesperadamente contra as chamas.
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Nas montanhas ao redor de Tizi Ouzou, na região da Cabília, norte da Argélia, os focos de incêndio se multiplicam desde 9 de agosto. Segundo as autoridades, nove mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas. 
Um balanço oficial aponta que entre as vítimas, há 28 soldados. Cerca de 20 pessoas estão desaparecidas e quantidade de mortos deve aumentar nas próximas horas. 
“Há um pânico geral nos vilarejos, as pessoas não sabem o que fazer, então elas estão fugindo. Não há mais energia elétrica, rede de telefonia, é realmente infernal. Em alguns municípios, nem sabemos mais o que acontece. Somos obrigados a verificar esses lugares por conta própria, mas muitas vezes a estrada está inacessível por causa do fogo”, diz Kamira, à RFI. 
Segundo a Proteção Civil, na noite de quarta-feira (11), 69 incêndios ainda estavam ativos em 17 localidades. Além da onda de calor, os ventos espalham o fogo e complicam a tarefa das equipes de resgate. 
O presidente Abdelmadjid Tebboune declarou um luto nacional de três dias a partir desta quinta-feira (12). As mesquitas anunciaram que vão dedicar a oração da sexta-feira (13) às vítimas. No entanto, o governo argelino é extramente criticado no gerenciamento da crise. Nas redes sociais, internautam fazem apelos para que as autoridades a solicitem ajuda internacional.
“O Estado está ausente. Não temos ninguém do governo aqui em Tizi Ouzou. É a própria população que tenta se organizar e, infelizmente, como não temos experiência, cada um acaba fazendo o que acha que é melhor. Mas estamos vendo que a boa vontade não é suficiente”, diz Hakim, morador de um dos vilarejos atingidos pelos incêndios. 
Segundo o gabinete do primeiro-ministro argelino, Aimene Benabderrahmane, dois aviões-tanque da União Europeia devem ajudar no combate às chamas a partir desta quinta-feira. 
População mobilizada
Nas redes sociais argelinas, junto aos pedidos de ajuda, circulam fotos de árvores queimadas, vilarejos cercados pelas chamas, animais morrendo de sufocamento. Convocações para a organização de comboios solidários se multiplicam. Os internautas pedem principalmente doações de alimentos, remédios e ajuda na busca de água para combater os incêndios.
O argelino Amine Ghaoui, lidera um comboio que saiu da cidade de Khenchela, no leste do país, em direção à Cabília, a cerca de 500 quilômetros. “Somos cerca de 50 pessoas. Estamos levando equipamentos para lutar contra o fogo e remédios para ajudar a tratar os feridos”, disse à RFI.  
Clínicas médicas particulares estão tratando os feridos gratuitamente. Hoteis e salões de festa que organizam casamentos estão alojando as famílias que perderam suas casas. 
Salim Bechohra mora no centro da cidade de Tizi Ouzou e organiza a distribuição da ajuda que chega ao local. “Recebemos leite, pão, pomada para queimaduras. A população está realmente precisando disso. A chegada de comida e medicamento é um alívio”, diz. 
Incêndios criminosos 
A pista criminal foi mencionada várias vezes pelas autoridades argelinas. A rádio pública APS anunciou a prisão de três “incendiários” na cidade de Medeia na terça-feira. Outro foi preso em Anaba. Um deles confessou ser ateado fogo propositalmente. Segundo o primeiro-ministro, ocorreram 70 incêndios “de origem criminosa”, também facilitados pelas condições meteorológicas. 
A questão vem preocupando as autoridades argelinas. No início de julho, três pessoas foram presas depois de terem colocado fogo na vegetação, destruindo 1.500 hectares de floresta no país. Há poucas semanas, o presidente Abdelmadjid Tebboune anunciou a elaboração de um projeto de lei que pune os autores de incêndios criminais com penas que vão até a 30 anos de prisão em regime fechado ou até mesmo prisão perpétua no caso desses incidentes terem causado mortes. 
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Por que Miami é um ‘caldeirão’ de conspirações contra governos da América Latina


Empresa de Miami é apontada como parte do complô que assassinou o presidente do Haiti. Não é a 1ª vez que a cidade americana é envolvida em tramas para derrubar governos no continente. Uma empresa de Miami é apontada como parte do complô que assassinou o presidente do Haiti
Eva Marie Uzcategui/Getty Images
Ainda há mais perguntas que respostas em torno do assassinato do presidente do Haiti, Jovenel Moise, baleado em casa no dia 7 de julho.
A polícia do país prendeu o médico de cidadania haitiana e americana Christian Emmanuel Sanson, residente do estado da Flórida, nos Estados Unidos. Ele é suspeito de contratar mercenários colombianos para derrubar Moise.
As autoridades suspeitam que o crime foi orquestrado em coordenação com a CTU, uma empresa de serviços de segurança com sede em Miami, na Flórida, que abriga uma população considerável de haitianos.
Não é a primeira vez que Miami é envolvida numa trama de assassinato de chefe de Estado. Faz décadas que a cidade é apontada como “caldeirão” de conspirações contra governos da América Latina, segundo a jornalista Ann Louise Bardach, que tem ampla experiência em investigações sobre os périplos do exílio latino-americano na Flórida.
Cerca de 20 colombianos foram capturados no Haiti por suspeita de participação no assassinato de Moise. Eles dizem que foram contratados por uma empresa de segurança de Miami, segundo a polícia haitiana.
Getty Images
“Miami é a sede mundial dos exilados. É o lugar que abriga ‘governos em espera’ de uma gama de países caribenhos e latinoamericanos, começando por Cuba, mas também Haiti, Venezuela e Nicarágua”, disse Bardach à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC.
“Alguns [exilados] estão felizmente reassentados, mas outros ainda sonham e tramam para que novos governos assumam em seus países de origem”, acrescenta.
Além disso, os exilados em Miami também contam com uma cidade economicamente pujante, com ampla tradição de lobby político de influência nacional e um mercado prolífico de empresas particulares de segurança com quem formar alianças.
Histórico de conspirações
A relação de Miami com o exílio latinoamericano e os golpes contra governos na região têm uma data de início bem estabelecida.
Em abril de 1961, um exército de cubanos exilados durante os primeiros meses da revolução comunista de Fidel Castro invadiu Cuba para tentar instaurar novo governo na ilha.
A maioria dos exilados havia partido de Miami e, com ajuda da CIA, a agência de inteligência dos EUA, organizaram uma invasão armada de 1.500 homens, que foi contida pelas forças de Fidel Castro em menos de três dias.
Desde então, Miami se tornou o coração da oposição cubana, ganhando uma presença importante na política de Cuba. Por muitos anos, o rosto mais reconhecido do exílio cubano era o do político e empresário Jorge Mas Canosa que, em 1981, criou a Fundação Nacional Cubano-Americana.
Essa organização é acusada de planejar ataques terroristas na ilha, como as explosões de uma série de bombas em vários hotéis de Havana em 1997, que mataram um turista italiano.
O ex-agente de inteligência anticastrista Luis Posada Carriles, considerado um terrorista pelo governo de Cuba, afirmou, em entrevista ao The New York Times em 1998, que havia recebido dinheiro da Fundação para os atentados de 1997, ainda que tenha negado participação direta.
Posada Carilles morreu em 2018. Ele já havia sido acusado de participar do atentado de 1976 contra o voo 455 da Cubana Aviación, que matou 73 passageiros civis.
Ele foi preso na Venezuela naquele mesmo ano, mas fugiu da prisão em 1985 e viajou à América Central, de onde continuou sua missão de lutar contra a influência da esquerda na América Latina.
Em 2000, voltou à prisão no Panamá após ser acusado de tentar assassinar Fidel Castro, mas recebeu indulto da então presidente Mireya Moscoso.
Até a sua morte, Posada Carriles passou a maior parte do tempo nos Estados Unidos, enfrentando processos judiciais por violações a leis de migração e por falso testemunho ao solicitar a cidadania americana. Ele viveu os últimos anos em Miami, onde muitos o consideram um herói.
Venezuela
Nos últimos anos, o número de exilados venezuelanos em Miami cresceu. De maneira similar a muitos cubanos, eles fogem da crise econômica, da violência e do governo bolivariano a que muitos consideram ditatorial.
Também tem havido conspirações entre exilados da Venezuela em Miami. Em maio de 2020, a “Operação Gideon” fracassou. Tratava-se de um plano para sequestrar Nicolás Maduro, na Venezuela, e entregá-lo às autoridades dos EUA, que ofereceram US$ 15 milhões pelo presidente.
O plano foi comandado pela empresa de segurança Silvercop, fundada em 2018 em Miami por Jordan Goudreau, um excêntrico ex-militar americano que participou das guerras do Iraque e do Afeganistão e cujo paradeiro é desconhecido até hoje.
Cerca de 50 homens embarcaram em duas lanchas na Colômbia com a missão final de ocupar o palácio presidencial de Miraflores, em Caracas, retirar Maduro de lá e levá-lo para os EUA.
Mas as lanchas foram interceptadas por forças de segurança venezuelanas antes de desembarcarem. As Forças Armadas da Venezuela mataram oito dos homens. Dezenas de pessoas foram capturadas e permanecem presas. Dois americanos foram condenados a 20 anos de prisão num julgamento rápido a que muitos descrevem como ilegal. Alguns poucos escaparam.
As autoridades venezuelanas acusaram o opositor Juan Guaidó de orquestrar os atentados fracassados, mas ele nega as acusações. Parte da operação teve como cenário Miami.
Goudreau manteve reuniões na cidade para negociar o financiamento e o pagamento com membros da comissão presidencial de Guaidó, um grupo encarregado de explorar, em sigilo, formas de depor Maduro.
Um deles foi Juan José Rendón, um estrategista político de direita, venezuelano e com residência em Miami. Em uma entrevista à jornalista venezuelana Patricia Poleo, também residente de Miami e uma das vozes mais radicais do exílio, Goudreau disse que, apesar de a oposição “não ter pago” o que lhe prometeu, ele lançou a operação porque é um “combatente pela liberdade”.
Haiti
Agora os holofotes estão voltados para o Haiti, com o assassinato de seu presidente e a possível implicação de uma empresa de Miami. Embora o Haiti não tenha uma oposição contra o governo em exílio nos EUA tão forte quanto a cubana e a venezuelana, especialistas apontam uma correlação entre a ampla comunidade em Miami e os vínculos da elite com empresas de segurança privada, como a CTU.
“O Haiti tem tido muitos problemas com violência nos últimos anos. Por isso, a elite haitiana, boa parte residente habitual em Miami, tem aproveitado o grande mercado de segurança privada que está crescendo na Flórida para se protegerem”, explica à BBC News Mundo Jenna Ben-Yehuda, presidente do think tank americano Truman National Security Project.
Mercado prolífico de empresas de segurança
A CTU, empresa acusada de participar do golpe contra Moise no Haiti, e a Silvercorp, que estaria por trás da fracassada tentativa de derrubar Maduro, integram um prolífico mercado de empresas de segurança privada em vários Estados dos EUA, incluindo a Flórida.
São empresas geridas, em sua maioria, por ex-soldados americanos que encontram neste mercado um meio de sustento após o serviço militar.
“As guerras do Iraque, Afeganistão e Oriente Médio têm criado uma abundância de ex-soldados que abrem suas empresas e se convertem em consultores de segurança”, explica Eduardo Gamarra, professor da Universidade Internacional da Flórida.
“Na América Latina, ocorre o mesmo fenômeno, inspirado na tendência dos EUA. As guerras na Colômbia (contra guerrilhas e cartéis) geram uma quantidade enorme de combatentes treinados pelos EUA que logo se empregam como seguranças ou buscam outra forma de sustento.”
“O interessante agora, com o assassinato do presidente Moise, é que um exilado venezuelano é o dono da CTU, a empresa acusada de participação”, destaca Gamarra.
A sede da CTU fica em Doral, uma zona de Miami conhecida popularmente como Doralzuela, pela grande presença de venezuelanos que chegaram ali nas últimas décadas.
O seu dono, Antonio “Tony” Intriago, é um imigrante venezuelano acusado de viajar múltiplas vezes ao Haiti e de empregar soldados colombianos, os mesmo que foram presos pela polícia haitiana e que confirmaram vínculo com a CTU.
Os detalhes de por que foram contratados pela CTU e para quê ainda não foram esclarecidos. O pouco que se sabe é que a polícia haitiana considera Sanon, o médico, como principal suspeito.
A BBC Mundo contatou Intriago e a CTU para essa reportagem, mas não obteve resposta. Em sua página na internet, a empresa oferece coletes à prova de balas, sistemas sofisticados de vigilância, guarda-costas, vigias e detetives. Gamarra adverte que empresas de segurança como a CTU e a Silvercorp operam sem controle.
“A quem respondem essas empresas? Como cobram por tarefas como essas? Qualquer empresa dessas de Miami, fundada por qualquer indivíduo, pode ir à Colômbia hoje contratar um batalhão.”
Poder econômico
A Operação Gideon, como foi chamada a tentativa de derrubada de Maduro na Venezuela, os múltiplos atentados em Cuba e os vínculos de um exilado haitiano com o assassinato de Moise não se explicam sem um grande poder de financiamento.
Depois que foi criada, a Fundação Nacional Cubano-Americana recebeu milhões de dólares em doações, o que contribuiu para que se tornasse a principal arquiteta das políticas dos EUA para Cuba.
Muitos dos primeiros exilados eram grandes proprietários na Cuba pré-comunista que transferiram suas fortunas para Miami. Com uma história menos longeva que a da comunidade cubana em Miami, o exílio venezuelano também se inflou de capital na última década.
Quando os problemas no seu país aumentaram, muitos venezuelanos da elite escolheram Miami como refúgio.
Mas na era chavista, também se integrou a esse “exílio dourado” a nova burguesia que prosperou na sombra dos governos da Revolução Bolivariana.
Embora no caso haitiano o poderio econômico de sua elite não tenha se traduzido num lobby político forte como o cubano ou venezuelano, Ben-Yehuda adverte que os haitianos mais ricos que vivem em Miami atuam, em general, “com o objetivo de proteger a todo custo seu patrimônio no país de origem, ainda que não vivam permanentemente lá”.
Comunidades atingidas
Nenhum dos vínculos anteriores seria possível sem um sentimento comum que define a maioria dos exilados no sul da Flórida. “A rejeição a movimentos de esquerda do hemisfério sul é um fator de união hoje, ainda que muitos tenham desembarcado nos EUA fugindo de regimes de direita”, diz Bardach.
“Não gosto de chamar de ressentimento, mas muitos exilados sofreram muito nos seus países de origem. Aqui chegaram cubanos que estiveram presos, foram torturados ou perderam conhecidos em fuzilamentos”, explica Gamarra.
“Algo parecido acontece hoje com o exílio venezuelano. São pessoas que perderam uma luta política, que sentem que perderam seu país e que sofrem por ele e seus familiares”, diz o especialista.
Embora a maioria dos imigrantes no mundo tenha deixado seus países em busca de oportunidades econômicas, em Miami, vários chegaram por motivos políticos. Isso tem feito com que essas comunidades participem da política local americana, ainda que sempre pensando nos seus países de origem, encontrando identidade maior no Partido Republicano.
“Os cubanos são a força dominante na política do sul da Flórida e, consequentemente, no Estado. Eles têm muito espaço na política presidencial nacional”, conta Bardach.
De fato, na última campanha presidencial, o ex-presidente Donald Trump tentou agradar e manter os votos de uma grande parte do eleitorado na Flórida que apoiava suas políticas de mão de ferro para Cuba e Venezuela.
Trump, embora tenha perdido a eleição para Joe Biden, ganhou na Flórida por uma margem de 3,4 pontos percentuais, a maior desde 2004.
“O modelo de lobby politico cubano tem sido copiado pelos haitianos, mas sem tanto êxito. Já os venezuelanos de Miami conseguiram que, no último ano, sua mensagem fosse sentida nas urnas e em Washington. Os nicaraguenses também estão construindo sua própria marca nos negócios e na política”, avalia Bardach.
É comum em Miami que muitos migrantes votem em cada eleição com o propósito de ingerir nos seus países de origem. “A política doméstica de seus respectivos países influencia em como participam da política americana. Vemos isso não apenas em cubanos e venezuelanos. Os colombianos que apoiam Álvaro Uribe tendem a votar no Partido Republicano”, diz Gamarra.
“Cada grupo tem um grande alcance midiático, em sua maioria em espanhol, com emissoras de rádio e jornais próprios, além de blogs, perfis em redes sociais e canais no YouTube”, acrescenta Bardach.
Perguntada se os complôs das comunidades exiladas continuarão no futuro, a jornalista disse: “Pessoas como o médico haitiano que foi preso ou exilados cubanos não serão dissuadidas de empreender ações sigilosas ou diretas. Estão desesperados para que haja democracia em seus países.”
Diante dos protestos recentes contra o governo de Cuba, o prefeito de Miami, Francis Suárez, defendeu uma intervenção americana na ilha.
“E olha que Suárez se considera um republicano moderado”, observa Bardach.

Fonte: G1 Mundo

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Biden anuncia cúpula sobre democracia com líderes mundiais


Os participantes discutirão ‘os desafios que a democracia enfrenta para fortalecer coletivamente as bases para a renovação democrática’, com foco contra o autoritarismo e na defesa do combate à corrupção e à promoção do respeito aos direitos humanos. Presidente dos EUA, Joe Biden, participa de anúncio na Casa Branca sobre plano de infraestrutura nesta quarta (11)
Evelyn Hockstein/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou nesta quarta-feira (11) uma cúpula virtual sobre a democracia com outros líderes mundiais entre 9 e 10 de dezembro.
A cúpula também incluirá representantes da “sociedade civil, filantropia e setor privado”, que farão compromissos para um ano de ação, com uma sessão presencial de acompanhamento um ano depois, informou em nota.
“O desafio do nosso tempo é demonstrar que as democracias podem conseguir resultados, melhorando a vida de seu próprio povo e abordando os maiores problemas que o mundo enfrenta”, disse a Casa Branca.
Os participantes discutirão “os desafios que a democracia enfrenta para fortalecer coletivamente as bases para a renovação democrática”, com foco contra o autoritarismo e na defesa do combate à corrupção e à promoção do respeito aos direitos humanos.
Senado dos EUA aprova pacote de US$ 1 trilhão para renovar infraestrutura
O democrata Biden está embalado pela aprovação de um projeto de infraestrutura trilionário com apoio de 19 senadores republicanos, dizendo que o esforço bipartidário mostra que os Estados Unidos podem enfrentar grandes questões juntos e competir com países como a China, que tem uma sistema político divergente (saiba mais no VÍDEO acima).
Democracia nos EUA
Fachada do Capitólio dos EUA, sede do Congresso americano, em 11 de fevereiro de 2021
Erin Scott/Reuters
Um recorde de 155 milhões de norte-americanos votaram na eleição de novembro de 2020, quando Biden ganhou por mais de 7 milhões de votos e números folgados no Colégio Eleitoral.
Múltiplos tribunais, autoridades eleitorais estaduais e o próprio governo de Donald Trump rejeitaram as falsas alegações de fraude eleitoral, mas o então presidente e seus apoiadores persistiram em promover teorias de conspiração infundadas, com seus apoiadores realizando um ataque mortal em 6 de janeiro no Capitólio de Washington.
Foto de 6 de janeiro de 2021, dia da invasão ao Capitólio dos EUA, mostra policiais conversando com apoiadores do então presidente americano, Donald Trump, incluindo Jacob Chansley (à direita), do lado de fora do plenário do Senado
Manuel Balce Ceneta/AP
As democracias ocidentais foram cautelosas com os Estados Unidos sob Trump, que rompeu alianças tradicionais e elogiou laços mais fortes com a Rússia e a China. Outras nações democráticas também viram seus sistemas se desgastarem.
Mesmo nos EUA, Biden e seus companheiros democratas precisam lutar pelos direitos de voto que, segundo os defensores, foram enfraquecidos por uma série de golpes desde que foram instituídos durante a era dos direitos civis na década de 1960, incluindo duas importantes decisões da Suprema Corte e novos esforços em Legislaturas estaduais controladas pelos republicanos.
Os republicanos têm barrado uma legislação proposta no Congresso, argumentando que daria ao governo federal muito controle nas eleições locais.

Fonte: G1 Mundo