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Rappi é alvo de críticas na Colômbia após decidir vacinar só os ‘melhores entregadores’


‘Pedalar por uma vacina: a cruel proposta Rappi para imunizar trabalhadores colombianos’, afirmou a emissora de rádio AM 750 ao tratar do caso. Em comunicado, a Rappi pediu desculpas pelo ‘mal-entendido’. Motorista de empresa de delivery Rappi
BBC
A empresa de entregas por aplicativo Rappi foi alvo de uma onda de críticas na Colômbia depois de decidir oferecer vacinas contra Covid-19 apenas para os “melhores” entregadores no país.
Assim que chegou o primeiro carregamento de imunizantes, obtidos pelo governo e pagos pelo setor privado colombiano, o diretor de Assuntos Públicos da Rappi, Juan Sebastián Rozo, disse à uma rádio local que a empresa vacinaria, de forma seletiva, a 2.000 entregadores.
“Nossa prioridade será dar a vacina aos distribuidores que mais entregas fizerem, mais tempo estiverem conectados e, portanto, mais tempo expostos”, disse Rozo à Blu Radio Colombia.
Participante do programa lançado pelo governo do presidente Iván Duque para a vacinação de trabalhadores em parceria com o setor privado, Empresas pela Vacinação, a Rappi acabou acusada de discriminação, de mercantilizar a saúde e de adotar práticas antiéticas.
“Pedalar por uma vacina: a cruel proposta Rappi para imunizar trabalhadores colombianos”, afirmou a emissora de rádio AM 750 ao tratar do caso. O jornal “El Tiempo”, de Bogotá, ressaltava que as regras estabelecidas pelo Ministério da Saúde determinavam que “nenhuma pessoa que tenha algum vínculo contratual ou de trabalho em vigor e habite territorial nacional poderá ser excluída” da vacinação.
Em entrevista à BBC News Brasil, o ministro da Saúde e Proteção Social da Colômbia, Fernando Ruiz Gómez, disse ter acionado uma das câmaras empresariais do país, responsável por levantar o dinheiro para a compra das vacinas, para criticar os planos da Rappi e cobrar mudanças.
“A Rappi estava desobedecendo as normas. Comprou (4.000) vacinas para vacinar 2.000 de seus 60 mil empregados, mas e falamos com eles. Ou devolvem as vacinas (ao governo) ou devolvem à câmara ou as doam, mas eles não podem vacinar uns sim e outros, não. Isso significa atender ao princípio de solidariedade e a vacinação de todos os empregados da empresa. Não podem selecionar uns e outros não para serem imunizados. Isso gera privilégios. Ou vacinam todos ou não vacinam ninguém””
As doses compradas pela Rappi seriam aplicadas em parte dos trabalhadores das principais cidades colombianas: Bogotá, Medellín, Cali e Barranquilla.
Para o ministro, a situação acabou servindo de alerta para a possível intenção similar de outras empresas. “Manifestamos nossa surpresa à câmara empresarial e notificamos que não estavam sendo cumpridas as normas legais colombianas. E que. por desrespeitar as normas do ministério, poderiam estar sujeitas a sanções e que era um problema grave para a reputação do setor privado.”
Em comunicado, a Rappi pediu desculpas. “Lamentamos que uma iniciativa pautada pela preocupação decorrente de uma emergência sanitária mundial tenha sido mal interpretada e pedimos desculpas pelo mal-entendido”, disse. Disse ainda que “apoia os entregadores parceiros que estão mais expostos à contaminação e não pertencem ao grupo prioritário na Colômbia”.
As críticas não foram unânimes. O presidente da Associação Colombiana de Infectologia, José Oñate, elogiou à BBC News Brasil a parceria público-privada de vacinação contra a doença que matou mais de 100 mil pessoas no país.
22% dos colombianos receberam pelo menos 1 dose de vacina contra covid
Reuters
“Todas as iniciativas para ampliar e acelerar a vacinação nessa tarefa titânica contra o coronavírus devem ter apoio e respeito. As empresas investem nas vacinas e o dinheiro público fica um pouco mais livre para a compra de ainda mais doses.”
Para Oñate, a Rappi não cometeu erros nos critérios adotados para vacinar entregadores ligados à empresa. “A logística corresponde a cada empresa. E a maior exposição de uma pessoa justifica que ela seja logo vacinada. O plano nacional de vacinação já contemplou as pessoas com maior risco de saúde.”
A compra direta de vacinas pelo setor privado foi tentada em vários países da região, como o Brasil, o México, o Peru e a Argentina. Mas as principais fabricantes de vacina do mundo estabeleceram como regra que não venderiam imunizantes ao setor privado enquanto não atendessem a demanda dos governos.
O Brasil chegou a autorizar a aquisição pelo setor privado, com regras específicas que incluíam doação ao país de parte dos imunizantes comprados, mas isso não saiu do papel justamente por falta de vacinas disponíveis.
No caso da Colômbia, o ministro da Saúde e Proteção Social explicou que houve uma triangulação formal entre governo, empresas e fabricantes com o objetivo de “acelerar” o ritmo de vacinação por meio de um número limitado de doses ao setor privado.
Segundo o ministro, a parceria público-privada envolveu 5.200 empresas e 3,5 milhões das 74 milhões de doses da farmacêutica chinesa Sinovac (fabricante da Coronavac) previstas para o país até o fim do ano. Até o momento, 22% da população colombiana, de quase 50 milhões de pessoas, receberam ao menos 1 dose da vacina. Em comparação, no Brasil essa taxa é de 36% dos 212 milhões de habitantes.
“Como a vacinação na Colômbia começou em fevereiro, depois do Brasil e da Argentina, nosso objetivo, ao conseguir concretizar a aliança com o setor privado, foi acelerar o processo de vacinação.” O montante destinado a pequenas, médias e grandes empresas será totalmente entregue até o fim de julho.
Como no Brasil, a aquisição de vacinas pelo setor privado gerou um debate sobre a eventual desigualdade dessa estratégia, em vez de concentrar todos os esforços no setor público.
Presidente colombiano, Iván Duque, pediu apoio das empresas para tentar acelerar imunização no país
EPA
Em documento divulgado neste ano, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), braço da ONU nas Américas, defendeu o financiamento público da aquisição de vacinas. Para Jarbas Barbosa, médico sanitarista e epidemiologista brasileiro que atua como diretor-assistente da Opas, a distribuição de vacinas compradas pelo setor privado poderia ampliar ainda mais as desigualdades que a pandemia de coronavírus tem exposto.
Para o ministro colombiano, é muito difícil para o poder público fiscalizar a distribuição dessas vacinas pelas empresas, mas disse que a legislação prevê sanções duras para aquelas que descumprirem as regras acordadas. “Mas além disso há o compromisso e a reputação para que seja respeitado o acordado”.
Questionada pela BBC News Brasil se devolverá ou doará as doses, conforme informado pelo governo colombiano, a Rappi disse: “Estamos totalmente convencidos de que podemos ajudar de alguma maneira. O investimento nas vacinas é um fato e isso não mudará de forma alguma. Se houver alguma alteração na logística e no formato desse apoio, anunciaremos no devido prazo e com transparência para toda a sociedade”.
Em comunicado sobre o episódio, a empresa de entregas afirmou ainda: “Nosso único propósito de participar do ‘Empresas pela Vacinação’ é ajudar a conter o contágio e contribuir para o fortalecimento das estratégias de saúde pública da Colômbia. Temos orgulho de contribuir de alguma forma para voltarmos à normalidade o mais rápido possível nos termos em que a lei nos permitir”.

Fonte: G1 Mundo

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Com proximidade de tempestade tropical, demolição de resto de prédio que desmoronou parcialmente na Flórida deve ser antecipada


Mais dois corpos foram encontrados nos escombros. Equipes de resgate trabalham nos escombros do condomínio Champlain Towers South, em Surfside, em 25 de junho de 2021. Prédio desabou parcialmente no condado de Miami-Dade, na Flórida, nos Estados Unidos.
Gerald Herbert/AP
A demolição do resto do edifício que colapsou parcialmente em Surfside, perto de Miami pode acontecer ainda neste fim de semana, de acordo com autoridades dos Estados Unidos —há receio que uma tempestade tropical, nomeada de Elsa, agrave a situação.
Neste sábado (3) foram encontrados mais dois corpos —até agora, há oficialmente 24 mortos e 124 desaparecidos.
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As operações de busca já acontecem há mais de uma semana.
O chefe dos bombeiros, Alan Cominsky, afirmou que a demolição do resto das torres deve acontecer o mais rápido possível, porque se prevê que a tempestade Elsa deve chegar na segunda-feira.
As famílias entendem que isso precisa ser feito, disse a prefeita do condado de Miami Dade, Daniella Levine Cava.
O receio com o resto do complexo fez com que as buscas tivessem sido interrompidas na quinta-feira (depois elas foram retomadas)..
Nenhum sobrevivente foi retirado dos escombros desde as primeiras horas após o colapso, em 24 de junho.
Não se sabe ainda por que o prédio caiu. Um relatório de 2018 apontava que havia deficiências estruturais. Agora, essas são o foco do inquérito que está sendo examinado.
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Fonte: G1 Mundo

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Ao menos 43 pessoas estão desaparecidas após naufrágio de barco com migrantes na costa da Tunísia

Um barco que transportava 127 pessoas naufragou, de acordo com o Crescente Vermelho. Ao menos 43 pessoas estão desaparecidas após o naufrágio, na costa da Tunísia, de um barco que transportava 127 migrantes, anunciou um funcionário do Crescente Vermelho tunisiano neste sábado (3).
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“Foram resgatados 84 migrantes e 43 desapareceram depois que um navio que transportava 127 migrantes naufragou em frente a Zarzis, no sul do país”, disse o diretor do escritório local do Crescente Vermelho tunisiano, Mongi Slim.
A embarcação saiu da costa da Líbia, segundo depoimentos de resgatados obtidos pela ONG.
Um comunicado do Ministério da Defesa da Tunísia indicou que os imigrantes eram de diferentes países, como Bangladesh, Sudão, Eritreia, Egito e Chade.
O número de desaparecidos não foi citado pelo ministério.
Os resgatados têm entre 3 e 40 anos e estavam a bordo de um navio que naufragou na costa de Zarzis, acrescentou.
Segundo testemunhos dos sobreviventes, o navio deixou a costa de Zuara (noroeste da Líbia) “na noite de 28 a 29 de junho” com o objetivo de chegar à Europa.
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Fonte: G1 Mundo

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Incêndio no mar do Golfo do México é apagado depois de cinco horas; empresa investiga causas

A Pemex afirmou que ainda vai investigar melhor a causa do incêndio. De acordo com um relatório obtido pela agência Reuters, a instalação foi atingida por chuvas fortes e uma tempestade elétrica. Initial plugin text
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A Pemex, a empresa de óleo e gás do México, disse na sexta-feira (2) que uma ruptura em um duto aquático no Golfo do México causou um incêndio no mar.
A empresa afirmou que ainda vai investigar melhor a causa do incêndio. De acordo com um relatório obtido pela agência Reuters, a instalação foi atingida por chuvas fortes e uma tempestade elétrica. No entanto, o relatório não foi divulgado oficialmente.
Vazamento de oleoduto provoca incêndio no mar no Golfo do México
A companhia enviou barcos para tentar controlar o fogo com nitrogênio.
De acordo com a empresa, o incidente aconteceu perto da plataforma de Ku Maloob Zaap, e não houve feridos.
O vazamento aconteceu a menos de 150 metros da plataforma de perfuração. Segundo a empresa, o fogo foi controlado depois de cerca de cinco horas.
Por causa do vazamento, houve uma imagem estranha, de chamas de fogo que emergem da água no Golfo do México.
Não se sabe ainda quais os danos ambientais o vazamento vai causar.
Miyoko Sakashita, diretor do Centro de Diversidade Biológica, afirmou que as “assustadoras imagens do Golfo do México mostram ao mundo que extração de petróleo no mar é sujo e perigoso”, e que cenas assim vão continuar a danificar o golfo se exploração de petróleo no mar não for proibida.
Fechamento das válvulas
A Pemex afirmou que vai fechar as válvulas do duto. A empresa já teve outros acidentes em suas instalações.
Angel Carrizales, chefe de segurança da agência reguladora do setor de óleo e gás no México, a Asea, afirmou em uma rede social que o incidente não gerou nenhum vazamento de óleo no mar. Ele não explicou o que estava queimando na superfície da água.
A plataforma de Ku Maloob Zaap é a maior das produtores de óleo cru da Pemex. Dela é retirado 40% dos 1,7 milhão de barris diário.
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Fonte: G1 Mundo

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Vaticano ordena que cardeal demitido por Francisco seja julgado por fraude


Angelo Becciu foi um dos cardeais mais influentes do Vaticano e assessor próximo do papa. Ele é acusado de ter participado no financiamento fraudulento, via empresários italianos, de um edifício de luxo em Londres. Giovanni Angelo Becciu, em 28 de julho de 2018
Andreas Solaro/AFP
O Vaticano anunciou neste sábado (3) a convocação de seu tribunal criminal de dez pessoas, incluindo um influente cardeal, envolvidas no caso de financiamento fraudulento, via empresários italianos, de um edifício de luxo em Londres.
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O cardeal Angelo Becciu, 73, que foi um dos cardeais mais influentes do Vaticano e assessor próximo do papa, comparecerá ao tribunal da Santa Sé a partir de 27 de julho, de acordo com um comunicado do Vaticano.
Ele está sendo processado por peculato, abuso de poder e suborno de uma testemunha neste caso, cujos primeiros elementos começaram a aparecer na imprensa italiana em setembro de 2019, quando o Papa Francisco pediu a demissão de Becciu.
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Angelo Becciu era o número 2 na Secretaria de Estado do Vaticano, a administração central da Santa Sé, quando o processo de compra do edifício de Londres começou, em 2014.
Entre os outros réus, consta o suíço René Brüllhart, ex-presidente da Autoridade de Informação Financeira (AIF), o fiscal financeiro da Santa Sé, deve responder por abuso de poder.
Dom Enrico Crasso, ex-administrador dos bens particulares do Secretário de Estado, também será julgado por extorsão e abuso de poder, num suborno de várias centenas de milhões de euros em grande parte do “Obolus de São Pedro”, ou seja , as doações de pessoas físicas ao Vaticano.
Os outros réus são Tommaso Di Ruzza, ex-diretor da AIF; Cecilia Marogna, uma jovem consultora italiana a quem o ex-Secretário de Estado do Vaticano confiou meio milhão de euros em uma conta na Eslovênia; Raffaele Mincione, que supostamente enviou parte dos fundos fraudulentos; o advogado Nicola Squillace; Fabrizio Tirabassi, um ex-funcionário laico sênior do Vaticano, e Gianluigi Torzi, um empresário que supostamente atuou como um intermediário, todos eles presos em maio passado em Londres.
O investimento no centro do escândalo é um edifício no bairro chique de Chelsea, em Londres, com 17 mil m2 transformados em cerca de 50 apartamentos de luxo. A operação pode custar € 200 milhões (cerca de R$ 1,4 bilhões), segundo um jornal italiano. Ao adicionar outros investimentos suspeitos, o dano ao Vaticano pode ser muito maior.
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Fonte: G1 Mundo

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‘Bullying e estupros’: investigação revela problemas na escola de ioga multinacional Sivananda


A jornalista da BBC Ishleen Kaur era professora de ioga da Sivananda, um dos maiores movimentos de ioga do mundo, até que uma postagem desconcertante de rede social a levou a descobrir várias denúncias de abuso sexual. ‘Para mim, a Sivananda acabou’, diz Ishleen Kaur
Acervo Pessoal/Ishleen Kaur via BBC
Aviso: esta reportagem contém descrições de abuso sexual.
A jornalista da BBC Ishleen Kaur era uma dedicada professora de ioga da Sivananda, um dos maiores movimentos de ioga do mundo, até que uma desconcertante postagem de rede social a levou a descobrir várias denúncias de abuso sexual que ocorreram durante décadas até os dias atuais. Este é o seu relato:
Desde que descobri a ioga, nos meus 20 e poucos anos, ela se tornou uma grande parte do meu mundo. Assim como para muitos iogues devotos, não era apenas uma aula de ginástica para mim, mas um estilo de vida. Não apenas dei aulas no centro Sivananda local, como me voluntariei para cozinhar e limpar. Os ensinamentos da Sivananda influenciaram todos os aspectos da minha existência.
Mas, em dezembro de 2019, recebi uma notificação no meu celular. Era uma postagem no meu grupo da Sivananda no Facebook sobre o venerado fundador do movimento, Swami Vishnudevananda, já falecido.
Uma mulher chamada Julie Salter havia escrito que Vishnudevananda havia abusado sexualmente dela durante três anos na sede da Sivananda, no Canadá.
Ela escreveu que quando finalmente encontrou forças — décadas depois — para denunciar o episódio ao conselho de administração da Sivananda, “as reações variaram do silêncio à tentativa de silenciar”.
Já entrevistei 14 mulheres que acusam professores veteranos da Sivananda de cometer abusos, muitas das quais não compartilharam isso com a família ou amigos, muito menos divulgaram isso publicamente. Também falei com uma ex-funcionária que disse que suas preocupações não foram levadas em conta pelo conselho da Sivananda.
Minha investigação revelou denúncias de abuso de poder e influência dentro da organização que eu tanto prezava.
Lembro claramente do meu primeiro dia no ashram (centro de meditação e ensino religioso) da Sivananda em Kerala, no sul da Índia, onde me formei como professora de ioga em 2014. Na parede, havia uma foto magnífica de Swami Vishnudevananda, o falecido fundador da Sivananda, e o homem que Julie viria a denunciar.
Seus ensinamentos eram tão poderosos que muitos iogues renunciaram a todas as conexões mundanas e dedicaram suas vidas à organização.
Eu conseguia entender por quê. Estava passando por um momento muito desafiador, e a Sivananda me trouxe de volta a paz. Os asanas — ou posturas — me deram força física; os princípios de karma, pensamento positivo e meditação da Sivananda nutriram minha alma.
Ishleen no ashram da Sivananda em Kerala, na Índia
Acervo Pessoal/Ishleen Kaur via BBC
Em 2015, casei com um homem que morava em Londres. Fiquei assustada com a ideia de me mudar para ficar com ele, até que descobri que havia um centro Sivananda em Putney, não muito longe da nossa nova casa. Meu marido costumava brincar que o centro era meu primeiro amor, não ele.
Dois meses após a postagem de Julie Salter no Facebook, dois membros do conselho da Sivananda vieram da Europa para conversar com a equipe de Putney. Eu esperava que eles respondessem pelo menos algumas das muitas perguntas que eu tinha na cabeça. Mas a resposta deles foi vaga, e eles pareceram defensivos durante a sessão de perguntas e respostas que se seguiu.
Sabia que eu mesma teria de falar com Julie.
Nascida na Nova Zelândia, Julie tinha 20 anos e estava em uma viagem a Israel quando conheceu os ensinamentos da Sivananda. Ela rapidamente entrou no movimento e, em 1978, se mudou para a sede deste, no Canadá.
Vishnudevananda estava baseado lá, e Julie foi convidada a ser sua assistente pessoal, algo que ela inicialmente considerou um privilégio.
Mas ela conta que sua jornada era cruel. Trabalhava das 5h até quase meia-noite, sete dias por semana — tudo isso sem remuneração. E diz que Swami Vishnudevananda se tornou imprevisível, muitas vezes gritava com ela.
“Então, é claro, meus próprios limites estavam ficando cada vez mais fragilizados”, afirma.
Até que os eventos tomaram um rumo mais sombrio.
Um dia, quando Julie estava trabalhando na casa de Vishnudevananda, ela o encontrou deitado ouvindo fitas de devoção. Ele pediu que ela deitasse ao lado dele. Quando Julie disse que não entendia o que ele queria, ele disse a ela: “Tantra ioga” — uma prática de ioga que se tornou associada ao sexo espiritual, mas simplesmente significa trabalhar a iluminação espiritual por meio do relaxamento profundo. No entanto, Julie diz que Vishnudevananda só havia feito referência a isso em termos teóricos, durante uma palestra.
Ishleen no palco fazendo uma demonstração de Sivananda
BBC
“Eu disse: ‘Não entendo’ e, apesar de tudo em meu corpo e na minha mente dizer ‘não’, eu deitei. E então houve o contato sexual. E depois, eu estava lá embaixo novamente, trabalhando, com muita vergonha — e tudo mais — angústia, me culpando, culpada.”
Julie diz que foi coagida a vários atos sexuais, incluindo sexo com penetração, por mais de três anos.
Saiba mais
A Sivananda, que também está presente no Brasil, é uma forma de ioga clássica que enfatiza o bem-estar físico e espiritual;
Fundada por Swami Vishnudevananda em 1959, em Montreal, no Canadá, ganhou este nome em homenagem a seu guru Swami Sivananda;
Há cerca de 60 ashrams e centros de Sivananda em 35 países ao redor do mundo e cerca de 50 mil professores de Sivananda formados;
Vários outros gurus de ioga renomados foram acusados ​​de abusar de sua posição nos últimos anos, incluindo Bikram Chaudhry, Pattabhi Jois e Bhagwan Rajneesh;
“Guru” é uma investigação da BBC conduzida por Ishleen Kaur e produzida por Louise Adamou. Ouça o podcast (em inglês).
O relacionamento guru-discípulo, conhecido na ioga como guru shishya parampara, é um acordo tácito de que o seguidor se renderá aos desejos do guru.
Ela agora considera as ações de Vishnudevananda como estupro, já que estava num posição frágil para consentir, dada a “dinâmica de poder” em jogo.
“Eu estava bastante isolada, morando do outro lado do mundo, da família, de tudo o que conhecia no passado. Dependia financeiramente da organização.”
Falei então com duas mulheres que responderam em poucos minutos ao post de Julie no Facebook, alegando que Vishnudevananda havia abusado delas também.
Pamela me contou que Vishnudevananda a estuprou durante um retiro em 1978 no Castelo de Windsor, no Reino Unido, quando ela estava deitada em um profundo estado de relaxamento, conhecido na ioga como postura do cadáver.
Lucille relata que ele a estuprou três vezes em meados dos anos 1970 no ashram canadense. Ela conta que, nas duas primeiras vezes, ela ingenuamente justificou o ato como ioga tântrica, mas na terceira vez ele deu dinheiro a ela, e ela se sentiu “como uma prostituta”.
Vishnudevananda morreu em 1993, mas Julie levou mais seis anos para encontrar forças para deixar a organização.
Sua única esperança é que, ao se manifestar publicamente agora, ela possa salvar outras pessoas do sofrimento que ela passou. Porque, como eu viria a descobrir, Vishnudevananda pode ter morrido, mas o abuso dos devotos da Sivananda não morreu com ele. A postagem de Julie no Facebook abriu a porteira.
Desde então, conversei com 11 mulheres que fizeram sérias acusações contra dois outros professores da Sivananda, um dos quais a BBC acredita ainda estar ativo na organização.
Entre as acusações chocantes está o relato de Marie (nome fictício), que diz que foi aliciada por um professor — que não podemos identificar por motivos legais — durante vários anos.
Ela conta que ficou muito confusa quando o relacionamento deles se tornou sexual, mas sentiu que não tinha escolha a não ser seguir em frente. Depois de mais de um ano sem qualquer contato sexual com ele, ela se lembra de uma ocasião em que ele entrou em seu quarto sem ser convidado. Silenciosamente, subiu em cima dela, a penetrou, ejaculou e saiu sem dizer uma palavra.
Cinco outras mulheres me disseram que esse mesmo homem abusou sexualmente delas. Elas não se conhecem, mas todas as suas histórias seguem um padrão semelhante de aliciamento e abuso.
Catherine (nome fictício) contou que tinha apenas 12 anos e participava de um acampamento infantil da Sivananda no Canadá, nos anos 1980, quando o professor começou a se interessar por ela. Ela diz que o homem fazia massagem e tocava na sua bunda. Quando ela fez 15 anos, ele começou a tocá-la de forma mais explícita, pegando nela entre as pernas e tocando seus seios. Ela afirma que a última vez que foi abusada por ele tinha 17 anos. Ela estava tirando uma soneca e acordou com ele em cima dela. Ela deixou a organização naquele dia.
Outra mulher afirma que foi abusada pelo mesmo homem em 2019.
Entramos em contato com esse homem, mas ele não respondeu às acusações que apresentamos. A BBC entende que ele ainda está ativamente envolvido com a Sivananda na Índia, embora a organização negue isso.
O outro professor acusado de abuso é Maurizio Finocchi, também conhecido como Swami Mahadevananda. Conversei com oito mulheres que apresentaram acusações contra ele. Uma delas, Wendy, trabalhava como assistente pessoal de Mahadevananda na sede do Canadá ,em 2006.
Uma de suas tarefas era imprimir seus e-mails e levá-los até sua cabana. No dia em questão, ele pediu para ela levar os e-mails e seu café da manhã no quarto, onde ele estava sentado na cama. Quando entregou a bandeja, ela conta que ele agarrou seu braço e puxou o lençol, e ela percebeu que ele estava se masturbando. Ela diz que ele ejaculou no seu braço.
“Eu só me lembro de sentir que praticamente não era humana para ele. Eu era realmente um meio para um fim.”
Wendy diz que se as mulheres abordassem seus superiores para reportar um comportamento preocupante — e em alguns casos, criminoso —, a equipe colocaria isso no âmbito de um ensino espiritual chamado “graça do guru”.
“Se algo fosse problemático ou confuso — e estou falando até de coisas administrativas… mas certamente de relações sexuais e relacionamentos questionáveis —, diriam a você: ‘Não, o fato de você estar tendo um problema é, na verdade, ‘graça do guru’.”
“Como se você estivesse aprendendo algum tipo de lição valiosa.”
Entramos em contato com Mahadevananda para oferecer a ele a oportunidade de responder às acusações, mas nossa solicitação não foi respondida.
A BBC, no entanto, viu uma cópia de um e-mail que ele enviou a uma advogada que recebeu financiamento coletivo de um grupo da comunidade Sivananda no Facebook, chamado Project Satya, do qual me tornei membro. No e-mail, ele se desculpa pelo que chama de seus “erros” e promete “se esforçar para não fazer isso de novo”.
Outra coisa que eu queria entender era: quanto disso a administração da Sivananda já sabia?
Julie me contou que finalmente encontrou forças para denunciar seu abuso em 2003, quando compareceu a uma reunião com um membro do Conselho de Membros Executivos (EBM, na sigla em inglês) — o conselho criado por Vishnudevananda para cuidar da Sivananda após sua morte. Ela diz que o membro do conselho era Swami Mahadevananda.
“Ficamos lá por um tempo, mas basicamente ele reconheceu que sabia disso havia anos.”
Swami Mahadevananda é um dos outros professores alvo de acusações de abuso sexual — mas na época Julie não sabia disso.
Julie diz que compartilhou as acusações com mais quatro membros do conselho nas semanas seguintes.
Os conselheiros negam que Julie tenha discutido suas denúncias com eles em 2003. No entanto, a BBC viu um e-mail de Mahadevananda no qual ele confirma que encontrou com Julie naquela época. Ele descreve o encontro como informal, mas diz que depois dessa reunião as denúncias se tornaram “de conhecimento amplo”.
Em 2006, Julie participou de uma reunião mediada com a EBM, em que ocorreram discussões sobre algum tipo de apoio financeiro para ela. As denúncias de abuso também foram levantadas.
Os conselheiros disseram à BBC que ambos os lados ficaram satisfeitos com os resultados na época, mas Julie afirma que nada se materializou. Portanto, no ano seguinte, o advogado de Julie escreveu ao conselho pedindo uma compensação e ameaçando entrar com uma ação de indenização.
Em resposta, ela recebeu uma carta do advogado da EBM questionando por que Julie estava levantando o assunto tanto tempo depois do suposto abuso.
A Sivananda afirma que, após a reunião com Julie, eles começaram a implementar protocolos para membros e convidados destinados a oferecer a todos um ambiente seguro para se falar sobre tais denúncias.
Perguntamos por que eles continuam a reverenciar o homem que abusou dela sexualmente. A “Organização Sivananda honra sua linhagem e seus ensinamentos”, foi a resposta deles.
Quanto a Mahadevananda, nossa investigação encontrou evidências de que o conselho sabia de sua suposta impropriedade sexual já em 1999. Porque ele mesmo admitiu isso a eles.
Swami Saradananda, uma mulher americana que fazia parte do EBM na época, contou que em 1998/99 recebeu um telefonema da diretora do ashram de Nova Déli (Índia) aos prantos. A diretora disse a ela que Mahadevananda estava andando sem calça — o que Saradananda interpretou como de cueca.
Quando ela telefonou para questionar Mahadevananda, ele explicou que não era verdade. Ele não estava de cueca — estava nu. E essa não foi sua única revelação.
“Ele me disse que não usava nada abaixo da cintura e entrou no escritório onde [a diretora de Déli] estava trabalhando e se masturbou na frente dela.”
Swami Saradananda, profundamente desconcertada, diz que levantou essa questão na reunião seguinte do EBM.
Ela diz que todos os dispositivos de gravação foram desligados, e a secretária retirada da sala.
Mahadevananda estava presente e, segundo ela, confirmou que seu relato era verdadeiro.
“E ele disse: ‘Mas se ela não quiser que eu faça isso, tudo bem, grande coisa. Não vou mais fazer.'”
Quando ela interrompeu para perguntar como iriam lidar com a confissão de Mahadevananda, um dos membros do conselho respondeu: “Bem, ele já disse que não vai mais fazer isso. O que você quer? O sangue dele?”
Em poucos meses, Saradananda recebeu um fax informando que ela havia sido removida por votação do conselho. Apresentamos essa alegação ao EBM, mas eles não responderam.
As revelações de Saradananda podem ser responsáveis ​​pela falta de surpresa que Wendy testemunhou em 2006, quando disse a um membro sênior da equipe na sede canadense que Mahadevananda havia ejaculado nela.
A resposta dele, segundo ela, foi: “Droga, de novo não”.
O membro da equipe disse a ela para não se preocupar — a organização havia providenciado uma terapia para Swami Mahadevananda.
“Eu não sabia que no Canadá isso seria definido como abuso sexual. E não sabia naquela época que isso poderia ter sido levado à polícia”, diz Wendy.
Treze anos depois, o EBM acabou investigando Mahadevananda e este anunciou sua aposentadoria em sua revista mensal — uma aposentadoria que eles admitiram que estão financiando. A nota dizia que a diretoria executiva agradecia seu “serviço dedicado e inspirador”.
Carol Merchasin, a advogada contratada por financiamento coletivo pelo Project Satya, diz que conversou com de 25 a 30 mulheres que fizeram denúncias de abuso sexual contra funcionários da Sivananda. E diz que descobriu que cada um dos relatos é crível.
No caso de Catherine, ela questiona por que o incidente não foi denunciado à polícia depois que os conselheiros tomaram conhecimento das acusações. Quando, muitos anos depois, os pais dela descobriram e os confrontaram, Carol conta que disseram a eles que nada poderia ser feito sem evidências.
Segundo o EBM, o professor acusado de abusar de Catherine e outras mulheres foi suspenso de suas funções enquanto investigavam o caso. Mas fomos informados por várias fontes que ele ainda está envolvido nos ashrams indianos da Sivananda, e quando liguei para o ashram de Kerala, me disseram que ele de fato ministrou um curso completo lá no início deste ano.
O EBM recusou o pedido de entrevista, mas nos enviou uma declaração que reproduzimos a seguir na íntegra:
“O Conselho de Administração se solidariza totalmente com aqueles que se manifestaram e oferece a qualquer indivíduo que sinta que pode ter sido afetado pela conduta referida [na investigação da BBC] a garantia de que não vai tolerar abusos ou ignorar comportamento impróprio. E se desculpa sem reservas por quaisquer erros históricos cometidos ao abordar as denúncias detalhadas na [investigação].
“Como resultado dessas denúncias, a Sivananda encomendou uma investigação independente e nomeou especialistas jurídicos que ajudaram a revisar e implementar políticas de proteção e colocar em prática o treinamento apropriado. A Organização Sivananda estabeleceu um sistema de denúncia confidencial para qualquer pessoa que esteja preocupada com abusos. É uma prioridade absoluta para a Organização Sivananda que qualquer pessoa que entre em contato com ela, em qualquer função, esteja protegida de abuso ou sofrimento. A Organização Sivananda é uma ordem monástica dedicada à saúde física, mental e espiritual e é comprometida com a segurança de todos os seus membros. ”
Eu vi quatro dos relatórios da investigação sobre o professor que não podemos identificar, todos os quais concluem que, com base no juízo de probabilidade, as vítimas são confiáveis ​​e seus testemunhos são verdadeiros, e que duas delas relataram seus abusos ao EBM.
Em abril, voltei ao ashram de Putney, onde passei os últimos cinco anos como professora e devota. Mas, desta vez, não entrei.
Me ocorreu que a natureza avassaladora da Sivananda que me atraiu também era o que a tornava tão perigosa. Todas as mulheres com quem conversei me disseram que era fácil perder o senso de realidade, o que tornava mais difícil questionar o que estava acontecendo.
E estou ciente de que, durante nossa investigação, as mulheres que se manifestaram eram todas ocidentais. Mas parece que também há vítimas indianas — vi e-mails de mulheres detalhando o que aconteceu com elas, mas estavam com muito medo de falar comigo.
Para mim, a Sivananda acabou.
*Investigação produzida por Louise Adamou

Fonte: G1 Mundo

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Alemanha proíbe definitivamente a venda de plásticos descartáveis


Os alemães proibiram cotonetes, talheres, pratos, canudos, colheres e copos de plástico. Algumas embalagens de poliestireno, usadas como recipientes para alimentos, também foram proibidas. Imagem de canudos plásticos em embalagens também de plástico
Reprodução/TV Globo
Pratos, talheres, copos, cotonetes: a Alemanha proíbe a venda de plásticos descartáveis ​​a partir deste sábado (3), aplicando uma diretiva europeia destinada a proteger os oceanos da poluição.
A nova lei, aprovada em setembro de 2020 e que entra em vigor neste sábado, proíbe notavelmente “cotonetes, talheres, pratos, canudos, colheres e copos de plástico”. Certas embalagens de poliestireno, usadas como recipientes para alimentos, também são afetadas pela proibição.
Veja abaixo lei de janeiro de 2021 sobre uma lei semelhante em São Paulo que não foi regulamentada.
Lei que proíbe utensílios plásticos entra em vigor sem definição de regras pela Prefeitura
 O texto aplica uma diretriz europeia, adotada em 2018 após vários meses de negociações entre os estados membros, banindo uma dezena de categorias diferentes de plásticos.
Segundo a Comissão Europeia, os produtos em causa representam 70% dos resíduos nos oceanos e nas praias. A comercialização dos estoques pré-existentes deve permanecer autorizada após 2021, permitindo a escoamento da produção já realizada.
Outros produtos plásticos para os quais ainda não existem alternativas facilmente adaptáveis, como lenços umedecidos, cigarros com filtros de plástico ou absorventes internos, permanecem permitidos. Mas agora eles devem ser rotulados, com um aviso alertando os consumidores sobre os danos ambientais causados ​​pelo plástico. Também serão fornecidas informações sobre como descartá-lo de maneira adequada.
Prioridade aos recicladosO projeto alemão prevê ainda que as administrações dêem prioridade aos “produtos feitos com materiais reciclados” nos concursos para compras de insumos, a fim de estimular a economia circular.
Pela terceira vez desde o início da era industrial, a produção anual global de plásticos caiu 0,3% em 2020, devido à crise sanitária.
Em todo o planeta, “com 367 milhões de toneladas de plásticos produzidos em 2020 contra 368 em 2019, esta é a terceira queda global desde o pós-guerra, depois daquela ocorrida em 1973 na época da primeira crise do petróleo, e a de 2008, durante a crise financeira do subprime “, segundo a associação europeia de produtores de plásticos.
 A produção global de resíduos plásticos pode aumentar 41% até 2030 e dobrar a sua quantidade presente nos oceanos para chegar a 300 milhões de toneladas, alerta a associação de proteção animal WWF.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

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Você viu? Escândalos das vacinas e inquérito para investigar Bolsonaro, morte de Lázaro, frio intenso e dicas para reduzir a conta de luz


Uma seleção de reportagens publicadas no G1 com as notícias de 28 de junho a 2 de julho. Procuradoria pede inquérito para investigar se Bolsonaro cometeu crime no caso Covaxin. Pedido de propina de um ex-diretor do Ministério da Saúde para comprar vacina. “Superpedido” de impeachment. Morte de Lázaro Barbosa após 20 dias de buscas. Vídeo especial sobre LGBTQIA+. Entrevista com Esse Menino, humorista por trás do vídeo da “pifáizer”. Frio recorde no Brasil. Dicas para economizar na conta de luz. E a história de uma declaração de amor de adolescentes da década de 1980 na parede de uma escola.
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Bolsonaro pode ser investigado
A Procuradoria-Geral da República pediu a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o presidente Jair Bolsonaro por prevaricação no caso da negociação da vacina indiana Covaxin. De acordo com o deputado Luis Miranda (DEM-DF), ele e o seu irmão, o servidor Luis Ricardo Miranda, avisaram Bolsonaro em uma reunião no dia 20 de março sobre suspeitas de irregularidades na compra do imunizante. O inquérito buscará esclarecer se Bolsonaro prevaricou diante da denúncia, ou seja, não tomou as medidas cabíveis.
VÍDEO: O que é crime de prevaricação
Por sua vez, o governo alegou que Bolsonaro avisou o então ministro Eduardo Pazuello sobre as suspeitas no dia 22 de março. Só que Pazuello foi exonerado no dia seguinte, 23 de março. E o contrato com a Covaxin só foi suspenso nesta semana, mais de 3 meses depois da denúncia.
Luis Miranda, Ricardo Barros, Elcio Franco… Ainda está confuso sobre quem é quem no escândalo da Covaxin? O vídeo abaixo pode ajudar:
CPI da Covid: quem é quem no escândalo da Covaxin
A semana na CPI
A CPI da Covid ouviu o policial Luiz Dominguetti (saiba mais sobre ele aqui), que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply e que fez contato com o Ministério da Saúde dizendo que queria negociar doses da vacina da AstraZeneca. Ele depôs porque afirma ter recebido um pedido de propina de um ex-diretor da pasta. Na CPI, Dominguetti reafirmou a negociação e disse que a demanda foi feita “exclusivamente” pelo então diretor de Logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, que nega — e deve ser ouvido nos próximos dias.
Senadores chamaram Dominguetti de “testemunha plantada” e apreenderam o celular dele depois que o vendedor exibiu um áudio do deputado Luis Miranda (que, por sua vez, apareceu de surpresa na CPI; assista aqui). O policial miliar sugeriu que o parlamentar tentava negociar vacinas, o que foi desmentido. Depois, voltou atrás e disse que pode ter sido induzido a erro. No vídeo abaixo, veja frases e imagens do depoimento de Dominguetti:
CPI da Covid: depoimento de Luiz Paulo Dominguetti, policial militar
Quem também falou (ou deveria falar) à CPI da Covid nesta semana foi o empresário Carlos Wizard. Ele, entretanto, disse apenas que nunca fez parte de um “gabinete paralelo” e se calou, o que causou a ira de senadores. Relator da CPI, Renan Calheiros afirmou: “‘machões da internet ficam caladinhos na CPI”.
Corrupção na vacinação
Além das suspeitas de irregularidades na compra de vacinas por parte do governo, o Brasil está em alerta para outro tipo de corrupção: pessoas que já tomaram as duas doses recomendadas, mas estão procurando postos para tomar uma terceira dose de outro tipo de imunizante. No DF, há suspeita de professores que foram atrás de doses da Jansen. Em São Paulo médicos, que fazem parte do primeiro grupo imunizado no Brasil, agora voltaram aos postos para tomar a vacina da Pfizer.
Enquanto falta vacina para todos, as variantes não param de se difundir. Na Rússia, a variante delta fez as mortes por Covid dispararem, e, na Austrália, o governo confinou 10 milhões de pessoas. Pelo mundo, alguns países como África do Sul, Bangladesh e Malásia voltaram com restrições mais severas.
Entenda como surgem as variantes dos vírus e por que a Delta preocupa na pandemia de Covid
‘Superpedido’ de impeachment
“O pior governo da história desse país. (…) Eu fui líder desse ogro”, disse Joice Hasselmann (PSL-SP). “Esse governo tá apodrecendo e carcomido pelo ódio e pela mentira”, afirmou Gleisi Hoffmann (PT). Já Kim Kataguiri (DEM-SP) disse que “a causa de derrubar esse que é um maiores males da história do nosso país nos unifica neste momento e nos engrandece nesse momento”.
Declarações como essas foram ditas por pessoas, muitas delas políticas, que assinaram um “superpedido” de impeachment do presidente Jair Bolsonaro. O documento tem 46 assinaturas (entre nomes da esquerda, da direita e ex-bolsonaristas) e consolida argumentos apresentados nos outros 123 pedidos de impeachment já protocolados. Leia a síntese do documento aqui.
Morte de Lázaro
Com a captura e a morte de Lázaro Barbosa em Águas Lindas de Goiás após 20 dias de buscas, a polícia agora investiga se ele era jagunço de fazendeiros e se outras pessoas possam estar envolvidas na cobertura durante os dias de fuga e nos crimes cometidos — entre outras coisas, ele é acusado de matar quatro pessoas de uma mesma família em Ceilândia, no DF. Já se sabe que ele tentou contato com familiares antes de ser achado (assista ao vídeo aqui) e que entregou dinheiro ao filho, segundo sua ex-mulher.
VÍDEO: Veja momento em que Lázaro é colocado em ambulância
Ao ser encontrado, tinha R$ 4,4 mil em dinheiro no bolso e vestia um casaco com um distintivo antigo PM do DF. Socorrido com vida, chegou morto ao hospital. Tinha 32 anos, conhecia a mata da região e se deslocava pelos rios, para não deixar rastros. No vídeo abaixo, veja cinco momentos que marcaram as buscas:
Caso Lázaro: vídeo mostra 5 momentos marcantes das buscas; ASSISTA
‘A gente já sabia o final dele, mas fica abalada’, diz tia
LGBTQIA+ 🏳️‍🌈
“A partir de quando você nasce, você precisa lutar” e “Por que é tão difícil uma sociedade que queira abraçar todas as pessoas?”
Essas frases foram ditas por pessoas que se encaixam em cada uma das letras da sigla LGBTQIA+.
No fim do mês do orgulho LGBTQIA+, o G1 publicou o especial série “Mais que uma letra” , que ouviu sete representantes da comunidade LGBTQIA+ para entender as diferentes identidades e orientações sexuais. E também para saber quais são os maiores desafios enfrentados por eles. Assista:
Mais que uma letra: entenda o que significa a sigla LGBTQIA+
‘Eu sou gay’
“As inúmeras mensagens de carinho e apoio que estou recebendo me deixam absolutamente seguro: o amor vai vencer o ódio! Muito muito muito obrigado a todos!”
A mensagem acima é de Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul. Ele falou sobre sua homossexualidade em entrevista ao “Conversa com Bial”. Leite disse que não tem “nada a esconder” e que se orgulha de sua sexualidade.
VÍDEO: ‘A minha orientação sexual toca na minha vida’, diz Eduardo Leite
“Eu sou gay […]. Agora, como a minha participação nessa política nacional, nesse debate nacional, começa a despertar talvez maiores ataques por conta de adversários, alguns vêm com piadas, ilações, como se eu tivesse algo a esconder. Pois bem, que fique claro, não tenho nada a esconder. Tenho orgulho dessa integridade de poder aqui dizer também sobre a minha orientação sexual, quem eu sou, embora devêssemos viver num país em que isso fosse uma não questão, mas, se é, está aqui claro”, disse.
G1 no YouTube
O G1 estreou o “Top Tbt” no canal do YouTube. Toda semana, um novo vídeo vai relembrar momentos memoráveis do jornalismo da Globo. Pra começar, você toparia saltar de “bungee jump”, como já fez Glória Maria? Dê o play:
Também no canal do G1 no YouTube (já deu seu 👍 e ativou as notificações por lá?), conheça a história de uma grávida que salvou três crianças de um lago nos EUA (e por pouco não deu ruim); veja como um protótipo de um carro voador deu muito certo por 35 minutos; e derreta-se por Marley, um labrador que, para defender seu dono, foi picado por uma cascavel (e sobreviveu!).
Inscreva-se no canal do G1 no YouTube
Bandeira vermelha
Em crise hídrica e sem chuva, a conta de luz vai subir e o bolso vai pesar. Para amenizar para o consumidor, o G1 elaborou um vídeo com dicas que podem ajudar na economia. Spoiler: estão entre os vilões equipamentos como chuveiro elétrico e secadora de roupas. Assista:
VÍDEO: como economizar na conta de luz
A conta aumentou após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovar o reajuste na bandeira tarifária vermelha patamar 2 — cobrança adicional aplicada às contas de luz realizada quando aumenta o custo de produção de energia. A cobrança extra passou de R$ 6,24 para R$ 9,49 a cada 100 kWh consumidos — alta de 52%. Em detalhes, entenda a cobrança e para onde vai o seu dinheiro.
E não para por ai… A principal crise hídrica do país em mais de 90 anos desperta um antigo fantasma na mente dos brasileiros: o racionamento de energia do início dos anos 2000. Relembre no vídeo abaixo:
VÍDEO: Racionamento de 2001 – Relembre momentos-chave da crise hídrica no governo FHC
Lembra do horário de verão que, entre outros objetivos, ajudava na economia de energia? Pois bem: um grupo de associações empresariais enviou ofício ao governo Bolsonaro pedindo o retorno do horário de verão. A aliança de representantes da cadeia de entretenimento, gastronomia e lazer afirma que o horário estendido favorece os negócios.
Friiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiio 🥶
Poucos dias após a chegada oficial do inverno no hemisfério norte, o Brasil registrou temperaturas negativas e até formação de gelo em ruas, carros e vegetações. Está, assim, oficialmente aberta a temporada de bonecos de neve brasileiros. Até agora, a menor temperatura do ano no país foi registrada em Bom Jardim da Serra, em Santa Catarina: -7,5°C.
SUA CIDADE: Saiba como ficam as temperaturas nos próximos dias
Bonequinho de neve feito na segunda em SC
Ricardo Perico/Arquivo pessoal
Enquanto isso, no hemisfério norte… É o calor quem vem batendo recordes. No Canadá, termômetros marcaram 47,5°C e as autoridades alertaram para aumento de mortes ligadas às altas temperaturas.
Homem se refresca em totem de vapor de água em Vancouver, no Canadá, neste domingo (27), dia de recorde de calor no país
Jennifer Gauthier/Reuters
PL 490
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados concluiu nesta terça-feira (29) a análise do projeto de lei que altera o Estatuto do Índio e que dificulta a demarcação de terras indígenas. Agora, o projeto de lei segue para apreciação no plenário da Câmara. Se aprovado, o texto vai ao Senado.
Entenda o PL 490, projeto que muda a demarcação de terras indígenas
É ela, a Pifáizer! Tá passada?
Apavorado, com medo, feliz, realizado. Tá passado? Pois foi assim que o roteirista e humorista por trás do vídeo que viralizou sobre a troca de e-mails da farmacêutica Pfizer com governo brasileiro disse ter se sentido com a fama repentina. Ele, que prefere manter o nome artístico Esse Menino e não revelar o verdadeiro, conversou com o G1 (sem demoras nas tratativas de contato). Assista:
VÍDEO: Esse Menino conquista seguidores com viral da ‘pifáizer’
Vem aí o Enem 2021
Se você precisa de um empurrão para estudar para a o Enem, tem que conhecer a história do jovem Matheus de Araújo Moreira Silva, de 25 anos, morador de Feira de Santana (BA). Depois de encarar uma rotina de estudos em casa sem energia elétrica, ele tirou 980 na redação do Enem e agora estuda na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) para ser médico.
“Estudava das 13h até as 17h. Ficava até essa hora por falta de energia, mas quando eu estava muito empolgado, ligava a lanterna do celular e estudava até as sete da noite”, disse.
Matheus de Araujo Moreira Silva, de 25 anos, moradores de Feira de Santana, na Bahia, tirou 980 na redação do Enem 2020
Arquivo pessoal
Para quem quer fazer como o Matheus, o G1 fez uma análise que aponta os assuntos mais recorrentes na prova, como interpretação de texto e geometria. Veja também exemplos de redação nota 1000. E fique ligado: as inscrições para a prova já estão abertas e vão até 14 de julho (saiba como fazer aqui).
Super-herói
Enzo Vaz Ferreira Pontes saiu do hospital nesta sexta-feira (2) vestido de super herói
Luana Pontes/Arquivo Pessoal
Após 14 dias internado, Enzo Vaz Ferreira Pontes, de 6 anos, deixou o hospital nesta sexta-feira (2) andando e vestido com uma fantasia de super-herói. O menino tinha caído de uma atração no Beto Carrero World em Penha, no Litoral Norte de Santa Catarina.
O acidente aconteceu em 19 de junho. O garoto estava na estátua de um gorila quando se desequilibrou ao posar para uma foto. Enzo comemorava o aniversário no parque, presente dado pela madrinha.
Ao sair do hospital, o menino estava com um tampão em um dos olhos e com uma tipoia para apoiar um dos braços. Enzo vai precisar de acompanhamento ambulatorial para prevenir sequelas motoras em decorrência dos ferimentos.
Uma história pra aquecer o

Fonte: G1 Mundo

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Deslizamento de terra deixa desaparecidos no Japão

Chuvas torrenciais provocaram avalanche de lama soterrando casas na região de Shizuoka; 19 pessoas sumiram. Um deslizamento de terra provocado por chuvas torrenciais no Japão soterrou várias casas na região de Shizuoka neste sábado (3). Dezenove pessoas estão desaparecidas.
A avalanche de lama atingiu principalmente a cidade costeira de Atami.

Fonte: G1 Mundo

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Outro prédio na região de Miami é esvaziado por problemas de segurança


Relatório encomendado após desabamento de edifício em Surfside mostrou que construção tem falhas estruturais e elétricas. Por ‘excesso de cautela’, autoridade local pediu a saída dos moradores. Foto do Google Street View mostra fachada do Crestview Towers, prédio em North Miami Beach esvaziado nesta sexta (2)
Reprodução
Autoridades de North Miami Beach, na Flórida (Estados Unidos), ordenaram nesta sexta-feira (2) o esvaziamento de um prédio por falta de segurança.
Segundo o governo local, a evacuação foi pedida após um relatório feito logo depois do desabamento do edifício Champlain Towers South, também na região metropolitana de Miami, em Surfside.
O relatório diz que o prédio Crestview Towers, com 156 apartamentos e construído em 1972, tem problemas na estrutura e na rede elétrica. Segundo o administrador da cidade, Arthur H. Sorey III, trata-se de uma medida de precaução, e o edifício poderá reabrir em breve.
“Por excesso de cautela, a cidade ordenou o fechamento imediato do prédio e a saída dos moradores para sua proteção, enquanto uma avaliação estrutural completa está sendo conduzida”, disse.
Buscas continuam em Surfside
As operações de resgate em Surfisde, a poucos quilômetros dali, continuam nesta sexta-feira, data em que o número confirmado de vítimas do desabamento do Champlain Towers chegou a 22. Os desaparecidos somam 126.
A preocupação agora é com a tempestade Elsa, que se aproxima da Flórida e pode tocar o solo na semana que vem. Com ventos de 120 km/h, Elsa já é considerado um furacão e passa nesta sexta pela região de Barbados, no Caribe, mas a tendência é que ele perca sua potência durante o fim de semana.

Fonte: G1 Mundo