Vazamento aconteceu na madrugada desta sexta, a cerca de 150 metros de uma plataforma de perfuração, e foi controlado após cinco horas. Petróleos Mexicanos (Pemex) enviou cinco navios para bombear mais água e controlar o incêndio; que não deixou feridos. Um incêndio no Golfo do México foi provocado pelo vazamento em oleodutos submarinos da companhia estatal mexicana de petróleo, nesta sexta-feira (2). As chamas podiam ser vistas na superfície do mar.
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A Petróleos Mexicanos (Pemex) enviou cinco navios para bombear mais água e controlar o incêndio. De acordo com a empresa, ninguém ficou ferido.
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O vazamento aconteceu na madrugada desta sexta, a cerca de 150 metros de uma plataforma de perfuração no campo de Ku-Maloob-Zaap, que fica no mar, e foi controlado após aproximadamente cinco horas.
‘Boy Scouts of America’ foi acusada de acobertar abusos contra milhares de jovens durante gerações e de não ter feito o suficiente para expulsar os pedófilos da organização. Portão da sede dos Boy Scouts of America em foto sem data
George Frey/Getty Images North America/AFP/Arquivo
O principal grupo de escoteiros dos Estados Unidos, Boys Scouts of America, anunciou nesta sexta-feira (2) um acordo de US$ 850 milhões para a indenização de vítimas de abuso sexual dentro da instituição.
O valor ainda não foi confirmado pela Justiça, mas se aprovado será um dos maiores acordos do tipo na história americana. A quantia é equivalente, na cotação atual, a cerca de R$ 4,2 bilhões.
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Por que os escoteiros e as escoteiras estão em ‘guerra’ nos EUA
O acordo milionário foi feito entre a Boys Scouts of America com uma coalizão que defende o interesse de ex-escoteiros que sofreram abusos na infância e adolescência.
Ele faz parte de um acordo de falência anunciado no ano passado (veja no vídeo abaixo).
Associação de Escoteiros dos EUA decreta falência diante de casos de abuso sexual
Série de abusos
A instituição é acusada de acobertar abusos contra milhares de jovens durante gerações e de não fazer o suficiente para expulsar pedófilos da organização.
A entidade, com mais de 110 anos de história, conta com mais de 2 milhões de integrantes com idades entre 5 e 21 anos.
Em entrevista à rádio RFI no ano passado, o advogado das vítimas Andrew Van Arsdale estimou em cerca de 80 mil o número de crianças e jovens que sofreram abusos dentro da organização.
Na ocasião, a Boy Scouts of America se disse horrorizada “com a quantidade de escoteiros que sofreram abusos no passado”.
Escoteiros dos EUA em foto sem data
Mary Altaffer/AP/Arquivo
‘Arquivos de perversão’
As revelações de abuso sexual entre os escoteiros dos EUA vieram à tona pela primeira vez em 2012, quando o jornal “Los Angeles Times” publicou documentos internos sobre décadas de abuso sexual entre seus participantes.
Nessa época, foram relevados cerca de 5 mil “arquivos de perversão”, correspondendo a uma quantidade semelhante de supostos agressores entre os líderes escoteiros.
Desde então, as ações judiciais se multiplicaram, principalmente após a extensão em vários estados dos prazos de prescrição para as agressões do tipo.
Espaço foi entregue ao governo afegão. Imprensa especializada aponta para o fim ‘na prática’ da presença americana no país. Ainda há soldados em Cabul que devem retornar aos EUA até o dia 11 de setembro. Soldado afegão no portão da base de Bagram em 2 de julho de 2021
Mohammad Ismail/Reuters
Tropas dos Estados Unidos se retiraram de sua principal base militar no Afeganistão nesta sexta-feira, deixando para trás um pedaço do World Trade Center que enterraram 20 anos atrás em um país que pode mergulhar em uma guerra civil sem a presença norte-americana, como alertou o principal comandante dos EUA.
“Todos os soldados americanos e membros das forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) partiram da base aérea de Bagram”, disse uma autoridade de segurança graduada dos EUA pedindo anonimato.
Embora algumas tropas adicionais ainda tenham que se retirar de outra base da capital Cabul, na prática a partida de Bagram encerra a guerra mais longa da história norte-americana.
A base, que fica a uma hora de distância de carro de Cabul, foi onde os militares dos EUA coordenaram o apoio logístico e de combate de toda a missão afegã. O Taliban agradeceu sua partida.
“Consideramos esta retirada um passo positivo. Os afegãos podem ficar mais perto da estabilidade e da paz com a retirada total das forças estrangeiras”, disse o porta-voz do Taliban, Zabihullah Mujahid, à Reuters.
Também foi ali que a Agência Central de Inteligência dos EUA (CIA) manteve um centro de detenção ilegal para suspeitos de terrorismo e os sujeitou a abusos que o presidente Barack Obama subsequentemente reconheceu como tortura.
No início desta semana, o general Austin Miller, o principal comandante norte-americano no Afeganistão, disse a jornalistas em Cabul que uma guerra civil “certamente é um caminho que pode ser visualizado”.
Uma das novidades de 2021 é o recurso de audiodescrição para pessoas com deficiência visual. Também haverá programação em Libras. Imagem de divulgação do Congresso das Testemunhas de Jeová
Reprodução/Congresso Mundial Testemunhas de Jeová
As Testemunha de Jeová vão fazer um de seus maiores eventos, o Congresso Mundial, de forma virtual pelo segundo ano. As cerimônias, discussões e apresentações começaram no dia 28 de junho.
Uma das novidades de 2021 é o recurso de audiodescrição para pessoas com deficiência visual. Também haverá programação em Libras.
Haverá mais eventos online durante os meses de julho e agosto.
Serão discursos, palestras, vídeos, entrevistas e leituras dramatizadas de trechos da Bíblia em mais de 500 idiomas.
Em épocas sem pandemia, o Congresso acontece simultaneamente ao redor do mundo —em alguns locais há eventos em estádios.
O evento acontece pela internet para respeitar os protocolos para evitar as contaminações pela Covid-19. A expectativa é que cerca de 15 milhões de pessoas assistam.
A programação estará disponível no site JW.ORG.
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Corpo de garota de 7 anos foi retirado na quinta-feira pelas equipes de resgate. Sua identidade não foi divulgada – nesta semana a mãe do chefe da polícia local também foi encontrada morta no local. Equipes de resgate vasculham os destroços de prédio que desabou na Flórida em foto de 1º de julho de 2021
Pedro Portal/Miami Herald via AP
A filha de um bombeiro que atuava no desabamento de um prédio na região de Miami foi encontrada morta sob escombros, informaram as autoridades locais nesta sexta-feira (2).
A garota de 7 anos era uma das moradoras do local e foi retirada na noite de quinta-feira (1º) pelas equipes de resgate. Ela não teve sua identidade divulgada.
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O Corpo de Bombeiros de Miami lamentou a morte da filha de um membro da corporação e pediu que a família fosse respeitada neste momento de dor.
Mãe de socorrista
Na quarta-feira, a mãe do chefe da polícia local também foi encontrada morta pelas equipes de resgate. Hilda Noriega, de 92 anos, é mãe de Carlos Noriega, um dos primeiros a prestar socorros logo após o incidente.
Montagem com as fotos de Hilda Noriega e seu filho, o chefe de polícia Carlos Noriega
Redes Sociais e Polícia de Miami/G1
“Perdemos coração e alma com a morte da nossa matriarca”, disse a família do policial em um comunicado. “Mas passaremos por este difícil momento com o amor incondicional pelo qual Hilda era conhecida.”
Familiares de Hilda disseram, em entrevista ao jornal “The New York Times” que a idosa estava para se mudar do apartamento. Eles haviam anunciado a venda e já começavam a receber visitas de possíveis compradores.
Na quinta-feira (24), dia do incidente, 37 moradores foram resgatados com vida. Desde então, as equipes de buscas encontraram ao menos 20 corpos sob os destroços, 128 pessoas seguem desaparecidas.
“Nossa família gostaria de agradecer às centenas de trabalhadores e socorristas que arriscam suas vidas de forma corajosa e que encontraram nossa mãe e outras vítimas inocentes”, afirmaram em nota.
VÍDEO: prédio desmorona parcialmente em Miami Beach
Até o momento, as autoridades da Flórida identificaram os corpos de:
Hilda Noriega, 92 anos
Stacy Dawn Fang, 54 anos
Antonio Lozano, 83 anos
Gladys Lozano, 79 anos
Manuel LaFont, 54 anos
Leon Oliwkowicz, 80 anos
Luis Bermudez, 26 anos
Anna Ortiz, 46 anos
Cristina Beatriz Elvira, 74 anos
Marcus Joseph Guara, 52 anos
Frank Kleiman, 55 anos
Michael David Altman, 50 anos
Lucía Guara, 10 anos
Emma Guara, 4 anos
Anaely Rodríguez, 42 anos
Andreas Giannitsopoulos, 21 anos
Magaly Elena Delgado, 80 anos
Uma criança brasileira está entre os desaparecidos. Lorenzo Leone, de 5 anos, estava com seu pai, Alfredo Leone, quando o edifício veio abaixo. Sua mãe, Raquel Oliveira, não estava no apartamento porque visitava parte da família no Colorado.
Incidente foi registrado na noite de quinta-feira (1º) mas confirmado apenas nesta sexta pelas autoridades americanas de aviação. Um Boeing 737 precisou fazer um pouso de emergência no mar do Havaí por conta de um problema no motor, informou nesta sexta-feira (2) a autoridade americana para aviação.
O avião de carga levava apenas piloto e co-piloto, que foram resgatados pela Guarda Costeira americana e levados para Honolulu, capital do estado insular.
A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, da sigla em inglês) disse em nota que o incidente ocorreu durante a noite de quinta (2).
“Os pilotos relataram problemas no motor e estavam tentando retornar a Honolulu quando foram forçados a pousar a aeronave na água”, disse a FAA em um comunicado.
Reportagem em atualização.
Medidas de restrição para conter a circulação da Covid-19 não serão aplicadas às pessoas que receberam duas doses da vacina, disse o ministro da Saúde, Jens Spahn. Pessoa anda sozinha em frente ao Portão de Brandemburgo, em Berlim, em ruas vazias por causa das restrições contra a Covid-19, no dia 19 de janeiro.
Stefanie Loos/AFP
Em caso de nova onda epidêmica na Alemanha, as medidas de restrição para conter a circulação da Covid-19 não serão aplicadas às pessoas que receberam duas doses da vacina. A declaração foi dada pelo ministro da Saúde, Jens Spahn, durante uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira (2).
O diretor do gabinete de Angela Merkel, Helge Braun, já havia mencionado essa hipótese na quinta-feira (1).”Se as pessoas vacinadas estiverem em algum lugar, não colocam as outras em perigo. Não há nenhuma razão para reduzir os contatos nesse caso”, disse Braun à rádio MDR.
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O ministro da Saúde alemão voltou a pedir aos alemães nesta sexta-feira que se vacinem completamente, e não se “contentem” de apenas uma dose. “Quanto mais injeções, mais favorável será o outono”, declarou.
O governo e as regiões alemãs deverão seguir a recomendação da comissão de vacinação para completar uma primeira dose de AstraZeneca com um imunizante da Modera ou Pfizer/BioNTech. “Esta combinação gera um nível muito, muito elevado de proteção”, inclusive contra a variante Delta, “que já representa de 70 a 80% das infecções de Covid-19″, disse Spahn.
Seis meses depois do início da campanha de vacinação, 55% da população já recebeu pelo menos uma dose, ou seja, cerca de 46 milhões de pessoas. Pelo menos 37,3% da população receberam duas injeções dos imunizantes.
Casos crescem na Europa
Nesta quinta-feira (1), a Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou sobre nova onda iminente do vírus, com o fim de várias medidas anticovid nos países europeus.”Na semana passada, o número de casos subiu 10% devido ao aumento dos contatos, às viagens e ao fim das restrições sociais. Haverá uma nova onda na região europeia, a não ser que continuemos sendo disciplinados”, avaliou Hans Kluge, diretor da OMS para a região, que inclui uma vasta área de 53 territórios.
A OMS atribui a maioria desses casos à variante Delta, surgida na Índia e muito mais contagiosa, que representará 90% dos casos na União Europeia (UE) até o final de agosto, estimou na semana passada o Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC). “Apesar dos esforços consideráveis dos Estados-membros, milhões de pessoas ainda não estão vacinadas” lembrou Kluge.
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Ao menos 18 mortos já foram retirados dos escombros. Outras 145 pessoas seguem desaparecidas. Tempestade deve atingir a costa dos EUA na terça-feira, segundo o serviço meteorológico americano. Equipes de resgate trabalham nos escombros do condomínio Champlain Towers South, em Surfside, em 25 de junho de 2021. Prédio desabou parcialmente no condado de Miami-Dade, na Flórida, nos Estados Unidos.
Gerald Herbert/AP
A aproximação da tempestade Elsa na costa dos Estados Unidos ameaça os trabalhos das equipes de resgate que buscam nesta sexta-feira (2) por desaparecidos do desabamento na região de Miami.
O Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, na sigla em inglês) prevê que o fenômeno chegue à costa da Flórida na próxima terça (6).
Com ventos de 120 km/h, Elsa já é considerado um furacão e passa nesta sexta pela região de Barbados, no Caribe, mas a tendência é que ele perca sua potência durante o fim de semana.
Furacão Elsa sobre o Caribe
NOAA
As buscas por sobreviventes foram suspensas temporariamente por 15 horas na quinta (1º) por conta da chuva que atingia a região de Miami – reflexo da aproximação da tempestade.
Uma equipe de engenheiros identificou o risco de que parte da estrutura, já prejudicada pela queda, possa tombar ainda mais.
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145 desaparecidos
Equipes de resgate vasculham os destroços de prédio que desabou na Flórida em foto de 1º de julho de 2021
Pedro Portal/Miami Herald via AP
Até o momento, 18 corpos foram encontrados nos escombros e ao menos 145 pessoas ainda estariam desaparecidas — Autoridades da Flórida divulgaram a identidade de parte das vítimas:
Stacy Dawn Fang, 54 anos
Antonio Lozano, 83 anos
Gladys Lozano, 79 anos
Manuel LaFont, 54 anos
Leon Oliwkowicz, 80 anos
Luis Bermudez, 26 anos
Anna Ortiz, 46 anos
Cristina Beatriz Elvira, 74 anos
Marcus Joseph Guara, 52 anos
Frank Kleiman, 55 anos
Michael David Altman, 50 anos
Hilda Noriega, 92 anos
Lucía Guara, 10 anos
Emma Guara, 4 anos
Anaely Rodríguez, 42 anos
Andreas Giannitsopoulos, 21 anos
Magaly Elena Delgado, 80 anos
Sobe para 18 o número de mortos em desabamento de prédio em Miami
Uma criança brasileira está entre os desaparecidos. Lorenzo Leone, de 5 anos, estava com seu pai, Alfredo Leone, quando o edifício veio abaixo. Sua mãe, Raquel Oliveira, não estava no apartamento porque visitava parte da família no Colorado.
Visita presidencial
Presidente Joe Biden dos EUA e primeira-dama Jill antes de embarcar para a Flórida em 1º de julho de 2021 nos jardins da Casa Branca
Manuel Balce Ceneta/AP
O presidente dos EUA, Joe Biden, desembarcou na quinta-feira (1º) na Flórida onde se reuniu com socorristas e familiares das vítimas do desabamento na região de Miami.
“Eu só queria vir aqui para agradecer [pelos esforços]”, disse Biden ao lado da primeira-dama Jill.
O democrata tem como marca política a forma com que lida pessoalmente com tragédias. Tanto que ele chegou a ser chamado de “confortador-chefe” durante o governo Obama.
Biden visita local do desabamento em Miami
As autoridades da Flórida mantêm a esperança de que mais sobreviventes possam ser encontrados, mas as perspectivas pioram a cada hora.
Biden – que adiou a visita para não interromper os esforços de resgate – liberou recursos federais para ajudar na resposta ao desmoronamento.
Essa é ser a segunda vez em menos de um ano de mandato que Biden visita o cenário de um desastre – em fevereiro, ele esteve no Texas após uma intensa tempestade de inverno.
Amigos do adolescente, guarda-vidas, policiais e turistas ajudaram a resgatá-lo do buraco que ele mesmo havia cavado. Imagem de resgate em uma praia da cidade de Newquay, em 1º de julho de 2021
Divulgação/Newquay Community Fire Station/Twitter
Um adolescente correu o risco de morrer sufocado em um buraco que ele mesmo tinha cavado na areia de uma praia na cidade de Newquay, no Reino Unido, na quinta-feira (1º).
Veja abaixo um caso semelhante que aconteceu neste ano em Copacabana, no Rio de Janeiro.
Homem é soterrado tentando cavar buraco na praia
De acordo com o “Daily Mail”, houve um colapso e mais areia caiu no buraco quando o rapaz de 18 anos já estava lá dentro.
Amigos do adolescente, guarda-vidas, policiais e turistas ajudaram a tirá-lo do buraco.
Depois disso, ele foi levado em uma maca. A polícia da cidade de Newquay publicou imagens do resgate em redes sociais.
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Avanço da variante Delta, mais contagiosa, vem fazendo com que uso de máscaras para proteção contra doença entre pessoas já vacinadas volte a gerar debate nos Estados Unidos. Máscaras profissionais, como a N95, podem ser utilizadas por idosos, pacientes com doenças crônicas ou quando o indivíduo vai se expor a uma situação de alto risco de infecção pelo coronavírus
Getty Images via BBC
O avanço da delta, a variante do coronavírus inicialmente detectada na Índia e que cientistas afirmam ser mais contagiosa que as anteriores, vem fazendo com que o uso de máscaras para proteção contra a Covid-19 entre pessoas já vacinadas volte a gerar debate nos Estados Unidos.
Na metade de maio, o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças, agência de pesquisa em saúde pública ligada ao Departamento de Saúde) atualizou sua recomendação, ao afirmar que pessoas completamente imunizadas não precisariam mais usar máscaras, nem mesmo em ambientes fechados (com poucas exceções, entre elas em transporte público ou hospitais).
Na época, o CDC citou pesquisas que indicavam que as vacinas em uso nos Estados Unidos (Pfizer-BioNTech e Moderna, com duas doses necessárias para imunização completa, e Johnson & Johnson, aplicada em dose única) oferecem alta proteção mesmo contra variantes e também reduzem o risco de transmitir o vírus a outras pessoas (veja no vídeo abaixo).
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Vacinados não precisam mais usar máscaras na maioria dos lugares nos EUA
Desde então, os americanos começaram a retomar a sensação de normalidade, com bares, restaurantes e locais de lazer reabertos com capacidade normal, grande parte do público sem máscaras e o número de casos, hospitalizações e mortes se mantendo nos níveis mais baixos desde o início da pandemia.
Mas, nesta semana, o Departamento de Saúde Pública do Condado de Los Angeles, na Califórnia, virou notícia ao recomendar que mesmo os residentes vacinados do condado (que é o mais populoso do país, com 10 milhões de moradores, e inclui a cidade de Los Angeles) voltem a usar máscaras quando estiverem em locais públicos fechados.
Apesar de afirmar que pessoas completamente imunizadas “parecem estar bem protegidas contra infecção com a variante Delta”, as autoridades de saúde locais disseram que, como medida de precaução, recomendam “fortemente que as pessoas usem máscaras em locais fechados como supermercados, lojas, teatros, centros de entretenimento e locais de trabalho quando não souberem o status de vacinação de todos os presentes”.
A recomendação não é uma regra obrigatória, e sim uma orientação à população, mas serviu para lembrar os americanos de que, apesar do sucesso recente do país no combate à covid-19, a pandemia ainda não acabou.
Segundo autoridades de saúde, o surgimento da Delta, que vem se propagando com rapidez e já representa 20% dos casos de covid-19 nos Estados Unidos, reforça os riscos para a parcela da população que ainda não foi imunizada. Dados recentes indicam que quase todas as novas hospitalizações por covid-19 no país são entre pessoas que não foram vacinadas.
Nos Estados Unidos, todos com 12 anos de idade ou mais podem receber a vacina contra covid-19. Mas, apesar da ampla disponibilidade, o ritmo de aplicação de novas doses vem caindo, reflexo da resistência de algumas parcelas da população, como os moradores de zonas rurais e os mais jovens.
Até quinta-feira (1/7), 46% da população estava completamente imunizada, e 54% com pelo menos uma dose. Na fatia a partir de 12 anos de idade, 54% estão totalmente imunizados, e 63% receberam pelo menos uma dose.
Recomendação da OMS
Diante desse quadro, a posição das autoridades de Los Angeles não é única. Também nesta semana, o governador do Estado de Illinois, o democrata J.B. Pritzker, deu declaração semelhante, encorajando mesmo as pessoas vacinadas a continuarem a usar máscaras, dependendo da situação.
“Do meu ponto de vista, se você vai a um local lotado, não sabe se alguém não está vacinado, e (nesse caso) você deveria levar uma máscara e ficar seguro”, disse Pritzker, cujo Estado registra taxa de vacinação semelhante à nacional, com 54% da população acima de 12 anos completamente imunizada.
Na semana passada, em orientação a todos os países, a OMS (Organização Mundial da Saúde) reforçou sua recomendação de que mesmo pessoas vacinadas continuem a observar distanciamento social e usar máscara em ambientes lotados, fechados ou com pouca ventilação.
“Enquanto a vacina contra a covid-19 evita doença grave e morte, nós ainda não sabemos o quanto evita que você seja infectado e transmita o vírus a outros”, disse a OMS, salientando que, quanto mais o vírus se propagar, maior a oportunidade para mutações.
Na quarta-feira (30/7), a diretora do CDC, Rochelle P. Walensky, disse em uma série de entrevistas a redes de TV americanas que sua agência mantém a posição de que pessoas completamente vacinadas não precisam usar máscara.
Mas Walensky ressaltou que a população deve seguir as orientações dos seus departamentos de saúde locais e que há situações em que essas autoridades locais podem recomendar medidas mais rígidas para proteger os que não estão vacinados.
“Nós ainda estamos vendo um ligeiro aumento de casos em áreas com baixa vacinação, e nessa situação nós estamos sugerindo que as políticas sejam feitas em nível local”, disse em entrevista à emissora ABC.
Proteção com vacinas
Estudos realizados até agora demonstram que as vacinas são bem-sucedidas mesmo contra as variantes. No caso da Delta, algumas pesquisas sugerem que a proteção contra infecção possa ser um pouco menor do que a registrada em outras variantes, mas ainda assim robusta.
Apesar de ser mais contagiosa, não há comprovação de que a variante Delta seja mais severa que as outras. Além disso, mesmo em caso de infecção, estudos indicam que as vacinas são altamente eficientes contra o risco de doença grave ou morte. Com isso, os poucos casos entre vacinados seriam assintomáticos ou com sintomas leves.
“O que queremos de uma vacina é que evite doença severa, hospitalização e morte”, diz à BBC News Brasil o especialista em doenças infecciosas e preparação para pandemias Amesh Adalja, do Centro para Segurança de Saúde da Universidade Johns Hopkins.
“E as vacinas estão sendo bem-sucedidas nisso, mesmo contra variantes problemáticas como a Delta”, afirma Adalja, ressaltando que seus dados são baseados na eficácia das três vacinas usadas nos EUA e da AstraZeneca.
Mas uma das preocupações de autoridades de saúde e alguns especialistas é a de que pacientes vacinados que tiverem casos leves ou assintomáticos de covid-19 possam transmitir a doença aos que não foram imunizados, contribuindo para a propagação do vírus.
Quanto mais o vírus circular, mais chances tem de se modificar, e há o temor de que uma futura mutação possa ser mais resistente às vacinas.
“Nós sabemos que as vacinas funcionam contra essa variante. No entanto, essa variante representa um conjunto de mutações que pode levar a futuras mutações que escapem da vacina”, disse Walensky, do CDC, em entrevista coletiva na semana passada.
Variante dominante
Segundo a OMS, a Delta já foi detectada em pelo menos 96 países e é cerca de 55% mais transmissível que a Alfa, variante inicialmente identificada no Reino Unido e atualmente presente em pelo menos 172 países. A Alfa já era cerca de 50% mais contagiosa que o vírus original e provocou novas ondas de infecções em vários países no início do ano.
“Devido ao aumento na transmissibilidade, a Delta deverá superar rapidamente as outras variantes e se tornar a variante dominante nos próximos meses”, diz a OMS.
A rápida propagação da Delta já provocou novas restrições em diversos países. Na Austrália, várias cidades, entre elas Sydney, Melbourne, Perth e Brisbane, decidiram reimpor lockdowns. Na Malásia, o governo estendeu o período de lockdown, inicialmente previsto para terminar nesta semana.
Até mesmo Israel, que tem alto índice de vacinação, com quase 60% da população imunizada com duas doses, decidiu voltar a exigir o uso de máscaras em ambientes públicos fechados e em locais ao ar livre com grande concentração de pessoas diante de um aumento no número de casos, que é atribuído à nova variante.
Mas, enquanto a Delta vem provocando crescimento no número de mortes em áreas com baixos índices de vacinação, como nações africanas ou a Rússia, nos países onde grande parte da população já foi inoculada, como Reino Unido ou Israel, espera-se que um salto no número de casos não resulte em aumento de mortes tão significativo como o registrado em ondas anteriores.
Nesses locais, o risco é para a parcela da população que ainda não foi vacinada. O mesmo é esperado nos Estados Unidos, à medida que a Delta vem ganhando espaço.
“Esta é uma pandemia de pessoas não vacinadas”, ressaltou na semana passada, a diretora de Saúde Pública do condado de Los Angeles, Barbara Ferrer, ao comentar os números da Delta na região.
Entre 123 casos da nova variante confirmados no condado até então, apenas 10 eram em pessoas completamente imunizadas. Nenhuma dessas 10 pessoas precisou de hospitalização.
Confiança
Enquanto alguns países e regiões optaram por uma reabertura gradual e ligada ao percentual de vacinados na população, nos Estados Unidos o fim da recomendação do uso de máscaras para os imunizados não levou em conta as disparidades no país.
Em alguns Estados americanos, principalmente na região Sul, o índice de vacinação permanece bem abaixo do nível nacional. Além disso, ainda não há vacina autorizada no país para crianças menores de 12 anos.
Isso faz com que alguns especialistas defendam uma abordagem diferenciada para cada parte do país em relação ao uso de máscaras, dependendo do nível de vacinação.
A ideia seria que os vacinados continuem a usar máscaras em ambientes fechados em áreas com baixos índices de imunização ou alta circulação do vírus.
Mas alguns cientistas temem que recomendações para que pessoas já imunizadas voltem a usar máscaras possam reduzir a confiança nas vacinas e fazer com que os que ainda não receberam a sua dose desistam de ser imunizados.
“Aqueles que ainda estão hesitantes em receber a vacina podem pensar: ‘Por que me vacinar se nada vai mudar para mim?'”, observa Adalja.
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