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O escândalo da influencer que enganou o mundo com falso câncer


Uma das primeiras influencers de grande alcance no Instagram, Belle Gibson propagava que havia se curado de doença por meio de dieta. Quando farsa foi descoberta, ela se tornou alvo da Justiça. Uma das primeiras influencers de grande alcance no Instagram, Belle Gibson propagava que havia se curado de doença por meio de dieta. Quando farsa foi descoberta, ela se tornou alvo da Justiça
Andrew Henshaw Photography/BBC Three
Era 2013, Kylie passava por sessões de quimioterapia intensas e exaustivas havia seis meses para tratar um linfoma recém-diagnosticado quando foi questionada: “você já ouviu falar dessa garota chamada Belle Gibson?”
Uma rápida busca na internet a levou ao perfil cuidadosamente desenvolvido por uma blogueira australiana de saúde e bem-estar, na época com mais de 300 mil seguidores.
Cada publicação possuía dezenas de comentários elogiosos de seguidores de todo o mundo.
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Em seu perfil no Instagram, Belle vendia a “receita milagrosa” de uma dieta para curar o câncer
Brooke Holm/BBC Three
Kylie, que também é australiana, ficou surpresa com a descoberta: “Belle era tão bonita, bem-sucedida… ela foi uma inspiração para muitas pessoas”, diz.
Na internet, Belle Gibson contava a história de como, depois que lhe deram apenas quatro meses de vida, ela “curou” seu câncer cerebral inoperável por meio de uma alimentação saudável.
Kylie não conseguia deixar de se comparar a ela. Enquanto fazia uma sessão diária de quimioterapia, o que fazia seu cabelo cair, e estava perto de fazer sua décima oitava punção lombar — um procedimento doloroso em que uma uma agulha grande é introduzida na medula espinhal —, Belle vendia a receita de seu estilo de vida milagroso e livre do câncer que Kylie sonhava.
Belle deixou de ser uma inspiração e se tornou uma decepção para os seus seguidores
Brent Parker Jones/BBC Three
“(Pensei que) talvez ela estava certa, talvez eu estivesse fazendo tudo errado”, lembra Kylie.
“Eu estava morrendo por dentro e piorava a cada tratamento. Eu parecia horrível, enquanto ela estava vivendo a sua melhor vida”, acrescenta.
Na época, a indústria de bem-estar, que atualmente é avaliada em cerca de US$ 3,8 trilhões (cerca de R$ 19 trilhões) em todo o mundo, estava em crescimento.
O público em geral já havia ouvido falar que abacates são “superalimentos” e muitas pessoas tentavam imitar o estilo de vida “saudável” que os blogueiros exibiam sem qualquer preocupação (ou pouca) sobre a veracidade das afirmações que faziam.
Em seu livro, Belle disse: “Me empoderei para salvar minha própria vida por meio da nutrição, paciência, determinação e amor”.
Maxine enxergava em Belle a possibilidade de se curar de uma doença crônica
Cortesia de Maxine/BBC Three
Fascinada pela ideia de tomar o controle de seu próprio tratamento, Kylie comprou o livro de receitas e assinou o aplicativo de Belle, The Whole Pantry (“Toda a despensa”, em tradução livre para o português). A marca da blogueira estava respaldada por uma das maiores editoras, a Penguin, e pela gigante da tecnologia Apple.
Desesperada para melhorar, Kylie acordou um dia para ir ao hospital e decidiu que estava farta de “todas as agulhas e picadas”. Para ela, isso havia acabado.
“A quimioterapia não estava funcionando para mim. (Eu disse a mim mesma que) deveria parar e tentar uma alimentação saudável”, conta.
“(Belle) dizia que estava curando seu próprio câncer, que estava melhorando”.
“Tinha isso na minha frente (como prova). Estava no meu celular, nas revistas, nos noticiários… então confiei nela”, detalha Kylie.
Mas Belle não estava melhorando…
Em março de 2015, uma publicação australiana expôs que Belle havia mentido aos seus seguidores que doava parte da venda de seus livros e aplicativos para organizações beneficentes.
Logo, muitos jornalistas começaram a questionar e a investigar se Belle também estava enganando as pessoas sobre o seu estado de saúde.
“Gostaria que tivessem feito isso antes de darem a ela toda a plataforma para que se transformasse em quem ela se transformou”, diz Kylie.
Depois que a mentira sobre as doações para entidades beneficentes veio à tona, foi descoberto que Belle também havia mentido sobre o seu câncer.
“Belle era a abelha-rainha do bem-estar”, diz Maxine
BBC Three
Em setembro de 2017, a influencer recebeu uma multa de mais de US$ 300 mil (cerca de R$ 1,5 milhão) por parte do governo australiano por enganar os leitores sobre as doações para instituições de caridade, após ela ter sido declarada culpada por cinco infrações da lei do consumidor.
Uma juíza disse que Belle pode ter acreditado “de maneira genuína” naquilo que ela mesma estava dizendo e que ela pode ter sofrido “delírios” sobre sua própria saúde.
‘Eu só estava ficando mais doente’
Maxine, que mora no Reino Unido, estava na universidade quando começou a seguir Belle nas redes sociais.
Apaixonada pela cultura do bem-estar no Instagram, ela se sentiu atraída pelas histórias de pessoas que abandonaram tratamentos médicos tradicionais para tratar suas doenças de forma “natural”.
“(Belle) era a abelha-rainha do bem-estar”, aponta Maxine.
Desde os 11 anos, Maxine luta contra a colite ulcerosa, uma inflamação crônica do intestino grosso.
Os sintomas mais comuns são diarreia, perda de sangue, dores abdominais e fadiga. É uma doença que dura a vida toda e geralmente é possível ser controlada com medicamentos.
“Passei mal ao receber o diagnóstico”, relata Maxine.
“Quando tinha 12 anos, muitos médicos me diziam: ‘são os seus hormônios’ ou ‘são apenas dores menstruais'”, diz.
“Isso me fez ter uma atitude negativa em relação aos médicos e a abordagem com relação às doenças crônicas, porque eu não sentia que havia apoio a longo prazo”, comenta.
Depois de perder semestres inteiros na escola devido ao seu estado de saúde, tudo o que Maxine queria na universidade era ser como os outros.
“Estava revoltada por ter que enfrentar essa doença e não ser uma adolescente normal”, declara.
Ela também se sentia frustrada por ter ganhado peso com as pílulas e as altas doses de esteroides que precisou consumir durante o tratamento. Maxine afirma que isso teve um efeito negativo em sua imagem corporal.
Sem os medicamentos, Maxine se agarrou ao aplicativo de “comida limpa” de Belle.
“Isso reforçou a crença ridícula de que eu não precisava de medicamentos para controlar a minha doença”, diz Maxine à BBC.
“Estava muito envolvida em tudo o que tinha a ver com comida. Adotei uma dieta baseada em alimentos de origem vegetal, que acreditava que eliminaria muitos ingredientes ‘tóxicos'”, afirma.
Maxine deixou de lado todos os produtos de origem animal, o glúten e os carboidratos. “Foi muito extremo”, diz.
Em pouco tempo, perdeu tanto peso que deixou de menstruar e a sua saúde começou a piorar. “Depois de uma espécie de efeito placebo inicial, tudo desmoronou”, relata.
“Achava que simplesmente não estava comendo saudável o suficiente, que não estava fazendo as coisas suficientemente bem e que poderia ter uma dieta ainda mais limpa”, comenta.
“Quanto mais seguia essa dieta ‘perfeita’, pior me sentia e continuava me culpando”, revela.
Em julho de 2014, Belle anunciou em um post do Instagram que havia sido diagnosticada com quatro outros tipos de câncer. “Está em meu sangue, baço, cérebro, útero e fígado”, escreveu ela.
Seus seguidores ficaram arrasados.
Mas foi nessa época que as dúvidas sobre ela começaram a aparecer. E Maxine começou a se questionar sobre a influenciadora.
“Não acredite em tudo o que você vê na internet”, reflete Maxine.
Kylie ficou chocada quando soube que Belle havia mentido sobre ter câncer. “Me senti traída… Quem inventa algo assim?”, se questiona.
Maxine lembra que se sentiu muito ingênua. “Éramos vulneráveis e a indústria do bem-estar chegou e disse: oi, posso ajudar?”, comenta.
Ninguém sabe o motivo de Belle fazer o que fez.
Desde que a influencer foi descoberta, o mundo se familiarizou mais com termos como “notícias falsas” e “desinformação”.
Mas Maxine adverte que ainda existem muitas mentiras promovidas nas redes sociais por alguns são parte da indústria do bem-estar que “se baseia no lucro”.
“Eles se posicionam como pessoas que se preocupam com a saúde dos outros, mas tudo o que realmente fazem é mentir e promover o medo”, diz.
“As pessoas criam narrativas convincentes e, muitas vezes, completamente falsas para vender livros, estilos de vida ou marcas próprias. Não confie em tudo o que você vê na internet”, afirma Maxine.
Ela espera que, ao falar sobre isso, muitos parem de se culpar por suas doenças, como ela fez no passado.
E também espera que as redes sociais estabeleçam controles para garantir que fique claro nas publicações se elas são baseadas em evidências científicas ou não e se seus autores estão ou não qualificados para compartilhar conselhos sobre a saúde de outras pessoas.
Depois de descobrir as mentiras de Belle, Kylie recomeçou a quimioterapia e atualmente seu linfoma está em remissão.
Em maio deste ano, as autoridades australianas decidiram confiscar os bens de Belle depois que ela não pagou a multa que havia sido aplicada pela Justiça.
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Fonte: G1 Mundo

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Manifestantes derrubam estátuas das rainhas Vitória e Elizabeth II no Canadá


Ato aconteceu depois da descoberta de valas com os corpos de mais de mil crianças indígenas em antigas escolas gerenciadas pela Igreja no país. Imagem de estátua derrubada na cidade de Winnipeg, no Canadá, em 1º de julho de 2021
Shannon VanRaes/Reuters
No Canadá, estátuas das rainhas Vitória e Elizabeth II, do Reino Unido, foram derrubadas na quinta-feira (1º) em protesto para marcar o descontentamento com a existência de valas sem inscrições que tinham corpos de crianças indígenas.
VÍDEO: A aterrorizante descoberta dos restos mortais de 215 crianças indígenas no Canadá
As estátuas derrubadas ficavam na cidade de Manitoba. O ato ocorreu em um feriado do país, o Dia do Canadá, que lembra a criação da confederação no país.
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O Canadá foi colonizado pelo Reino Unido —até hoje, o país é uma monarquia parlamentarista que reconhece Elizabeth II como sua rainha.
Recentemente, foram descobertas cerca de 1.150 valas de crianças em antigas instituições de ensino do governo canadense para alunos indígenas que eram administradas pela Igreja Católica
As buscas começaram após um pesquisador identificar os restos mortais de 215 crianças indígenas em uma escola desativada.
Com a descoberta dos corpos, grupos indígenas resolveram não comemorar o Dia Do Canadá.
Na capital, Ottawa, houve um protesto perto do Parlamento no qual pediram para que o feriado fosse cancelado.
O primeiro-ministro, Justin Trudeau, reconheceu que esse seria um feriado mais sinistro do que em outros anos —geralmente, a data é celebrada publicamente.
Em uma declaração escrita, ele afirmou que as descobertas dos restos de centenas de crianças nos locais de antigas escolas nos estados da Colúmbia Britânica e de Saskatchewan forçaram o país a pensar em seus fracassos históricos e nas injustiças que ainda são cometidas contra os povos indígenas. “Nós, como canadenses, precisamos ser honestos a respeito do nosso passado”, ele afirmou.
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Fonte: G1 Mundo

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Índia é o 3º país a passar de 400 mil mortes por Covid

A Índia se tornou o terceiro país do mundo a passar de 400 mil mortes por Covid-19, segundo dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (2).
Desde o início da pandemia, este país de 1,3 bilhão de habitantes registrou 400.312 mortes, segundo o Ministério da Saúde, atrás apenas dos Estados Unidos e do Brasil em número de mortes.
No total, acumula quase 30,5 milhões de casos.
Muitos especialistas estimam, porém, que o número de mortos seja superior a um milhão, após o aumento virulento de casos em abril e maio.
Essa escalada é atribuída à variante Delta, mais contagiosa, e ao excesso de confiança do governo do primeiro-ministro Narendra Modi, após anunciar que o país havia superado a pandemia em janeiro.
Hoje, o número de contágios diários diminui de forma significativa, e muitas restrições foram levantadas, o que aumenta o temor de novos surtos nos próximos meses.
Em paralelo, a campanha de vacinação avança lentamente neste gigantesco país.
O governo pretendia imunizar todos os adultos este ano, mas, devido a problemas de abastecimento, dificuldades administrativas e relutância de parte da população, apenas 5% receberam as duas doses até o momento.
Em 21 de junho, o governo quis dar um impulso à campanha de vacinação e estabeleceu imunização gratuita para toda população adulta.
A demanda disparou, e mais de nove milhões de doses foram administradas em um único dia.

Fonte: G1 Mundo

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Pombos-correio perdidos param estrada nos EUA


Caixa com 100 aves caiu de um caminhão durante a noite, e animais, desorientados, ficaram parados na pista até se assustarem com luzes dos veículos e voarem, causando riscos aos motoristas. Autoridades da Flórida procuram dono dos pombos. Pombos-correios são vistos em saída da Interstate-95, na Flórida, após caírem de caminhão na noite de terça-feira (29)
Officer Alicia Dease/Volusia County Animal Control via AP
Uma saída da estrada Interestadual 95 na Flórida teve que ser fechada por três horas depois que 100 pombos-correio caíram de um caminhão e se recusaram a se mover, representando um risco para os motoristas, disseram as autoridades na quarta-feira (30).
Uma caixa com os pombos-correio caiu do caminhão na terça-feira perto de Daytona Beach. Como os pássaros passam a noite em seus poleiros, eles permaneceram parados na estrada até que as luzes fortes dos veículos os assustaram.
Eles então voaram e se tornaram um perigo, de acordo com um comunicado à imprensa dos funcionários do condado de Volusia.
“É o pior cenário: pombos-correio que não conseguem encontrar sua rota para casa”, disse o comunicado à imprensa.
Oficiais do gabinete do xerife, policiais estaduais e trabalhadores do serviço de proteção aos animais tentaram capturar os pombos, recuperando 73 aves. Elas não estavam anilhadas, então seu dono não foi imediatamente determinado, disseram as autoridades.
“Nosso trabalho é ajudar os animais a encontrar o caminho de casa, sejam eles cobertos de pelos, escamas ou, neste caso, penas”, disse a oficial de controle de animais do condado de Volusia, Alicia Dease.
“Esperamos que alguém possa ter informações sobre de onde essas aves vieram ou sobre o caminhão que as estava carregando”, acrescentou.
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Fonte: G1 Mundo

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Mineiros procurados pela Interpol são extraditados de Portugal e presos em Belo Horizonte


Os presos de 23 e 29 anos são da cidade de Governador Valadares, na Região dos Vales em Minas Gerais eles serão conduzidos ao Ceresp Gameleira, onde ficarão à disposição da Justiça. Dois mineiros procurados pela Interpol e foragidos da Justiça Mineira, foram extraditados de Portugal, nesta quinta-feira (1º), pela Polícia Federal.
Polícia Federal
Dois mineiros procurados pela Interpol e foragidos da Justiça Mineira, foram extraditados de Portugal, nesta quinta-feira (1º), pela Polícia Federal.
A prisão aconteceu no dia 12 de janeiro, pela polícia portuguesa, na cidade de Albufeira, na Região de Algarve, em Portugal.
Os presos, de 23 e 29 anos, são naturais de Governador Valadares, na Região dos Vales em Minas Gerais e tinham contra eles mandado de prisão em aberto – um deles condenado por tráfico de drogas, o outro por roubo qualificado pelo emprego de arma de fogo contra agência dos correios.
Em nota, a Polícia Federal disse que eles foram presos em cumprimento a mandado de busca internacional da Interpol, difusão vermelha.
“As difusões vermelhas foram publicadas por solicitação da representação da Interpol em Minas Gerais e decretadas pela Comarca de Governador Valadares – a do primeiro pelo Juízo da Vara de Execuções Penais e publicada em novembro de 2020 e a do segundo pela 2ª Vara Criminal e difundida em março de 2020”, informou a nota.
Após passarem por exame de corpo de delito, os presos serão conduzidos ao Centro de Remanejamento Provisório (Ceresp) do bairro Gameleira, Região Oeste de BH, onde ficarão à disposição da Justiça.
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Fonte: G1 Mundo

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‘Dizem que somos a nova Venezuela’: brasileiros contam como sobrevivem à pior crise da história do Líbano


Trágica situação indigna a população, que volta a ocupar as ruas das principais cidades, em plena pandemia de Covid-19, para protestar contra um governo incapaz de encontrar saída para os problemas. Adolescentes vasculham no lixo em uma rua de Beirute. Metade da população libanesa está vivendo abaixo da linha da pobreza devido a uma crise econômica sem precedentes
AP Photo/Hussein Malla
Escassez de alimentos, medicamentos, combustíveis, energia elétrica, queda do poder aquisitivo, desvalorização da moeda nacional diante do dólar. O Líbano vive a pior crise econômica de sua história.
A trágica situação indigna a população, que volta a ocupar as ruas das principais cidades, em plena pandemia de Covid-19, para protestar contra um governo incapaz de encontrar saída para os problemas.
O estudante de jornalismo Jad El Hattouni não mede as palavras para descrever a situação no Líbano: “tem coisas graves e tem coisas gravíssimas acontecendo aqui”. O jovem líbano-brasileiro que vive na capital Beirute lembra que a crise começou no final de 2019, devido a impostos que o governo determinou sobre combustíveis, tabaco e a telefonia online.
Rapidamente, a insatisfação tomou o país e grandes protestos foram realizados ao longo de meses. A mobilização só foi pausada no início de 2020 devido à pandemia de Covid-19.
A explosão no porto de Beirute, em 4 de agosto de 2020, agravou a situação do país e a revolta dos libaneses com uma velha classe política marcada pela corrupção e pela inação. A crise econômica, política e social parecia ter atingido o ápice após a tragédia que deixou mais de 200 mortos.
Desde então, o presidente do Líbano, Michel Aoun, e o primeiro-ministro interino do Líbano, Hassan Diab, continuam penando para tentar compor um governo, enquanto o gabinete demissionário do premiê designado Saad Hariri segue responsável pelo país.
“Falta comida, remédios, gasolina e diesel, energia elétrica, dinheiro. Estamos divididos entre quem tem dólar e quem não tem. Quem tem dólar ainda consegue viver, mas é muito difícil pra quem não tem. As pessoas estão esperando que os turistas venham para o Líbano para trazer dinheiro e aliviar a crise. Mas como os turistas vão vir pra cá diante de todas essas dificuldades, se não tem nem transporte, nem gasolina para eles poderem passear?”, questiona Jad.
O que o estudante de jornalismo relata faz parte da vida cotidiana dos libaneses, que enfrentam a falta de produtos e alimentos básicos nos supermercados, prateleiras vazias nas farmácias, racionamento de combustíveis – com filas quilométricas nos postos para abastecer os veículos – além de cortes diários de energia elétrica.
No último sábado (26), quando a lira libanesa atingiu seu nível mais baixo em relação ao dólar, manifestantes invadiram as ruas da capital Beirute e de outras cidades para protestar. Novas manifestações ocorreram na quarta-feira (30) em Tripoli, no noroeste do país.
A dolarização forçada da economia do Líbano impulsiona a inflação. Atualmente US$ 1 está valendo 1.512 liras libanesas, mas, no mercado negro, pode chegar a custar 17 mil liras libanesas.
No ano passado, quando o país anunciou o primeiro calote do pagamento da dívida pública, o Produto Interno Bruto (PIB) teve uma queda de 20% e a lira libanesa perdeu 85% de seu valor. O poder aquisitivo despencou, enquanto o preço de produtos básicos continua a aumentar de forma vertiginosa.
Com a crise, metade da população passou para baixo da linha da pobreza – uma situação inimaginável há alguns anos nesta que já foi uma das nações mais prósperas do Oriente Médio.
Os libaneses estão cientes que as perspectivas para o futuro não são otimistas. Segundo um relatório recente do Banco Mundial, a economia libanesa deve se reduzir cerca de 10% neste ano.
Colapso político do Líbano
Para Murilo Sebe Bon Meihy, professor de história contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em Oriente Médio, o colapso político é o responsável pela situação do país.
“Desde o fim da guerra civil no Líbano, nos anos 1990, esse sistema político não atende às demandas mínimas da sociedade civil. Ao contrário, estabelece um sistema de rodízio de oligarquias que utilizam o Estado para o enriquecimento próprio. Mesmo antes da crise, não havia fornecimento de energia elétrica estável ou oferta de água potável, ou seja, é um Estado que não consegue estabelecer minimamente as condições ideais para a maioria da população”, explica.
O professor enumera ainda fatores exteriores que contribuíram para a piora da situação no país, como o conflito israelo-palestino e a guerra na Síria, que resultaram na chegada de dois milhões de refugiados em um país de cerca de 6,9 milhões de habitantes.
“Os refugiados não têm um status de cidadania que permita a eles ter empregos formais. Nesse momento em que metade da população está vivendo abaixo da linha da pobreza e um quarto dos libaneses enfrenta uma situação de miséria, as coisas ficaram mais difíceis”, reitera.
Além de ineficaz, a classe política libanesa não se desvencilha da corrupção, deixando o povo refém de grupos que se perpetuam no poder há décadas. A complexidade da divisão de cargos políticos entre vários grupos religiosos também prejudica a articulação e a renovação dos governos.
Desde o fim da guerra civil, acordos estabeleceram que o presidente deve ser cristão maronita, o primeiro-ministro, muçulmano sunita, o presidente do parlamento, muçulmano xiita – um frágil equilíbrio traduzido na inação dos últimos governos.
“A ponta deste problema é o sistema eleitoral libanês. Esse modelo, que data da independência do Líbano, nos anos 1940, reproduz a presença dessas oligarquias no poder. A liberdade do cidadão de escolher livremente o seu candidato é limitada por um sistema de representação específico. Os libaneses votam em listas distritais relacionadas à sua comunidade religiosa. Ou seja, essa democracia vinculada ao elemento confessional, que era o antídoto do Líbano nos anos 1940, hoje é o seu veneno”, sublinha.
Libaneses em êxodo
“Dizem que somos a nova Venezuela”, diz a estudante líbano-brasileira Nessryn Khalaf, de 25 anos. A jovem foi aprovada para um mestrado na Universidade de Oxford, no Reino Unido, e deixou o Líbano há alguns meses. No entanto, a vida fora do país também não tem sido fácil.
À RFI, a jovem relata que tem contado com a ajuda de tios que moram no Kuwait, já que o governo libanês tem bloqueado o dinheiro da população nos bancos para evitar a fuga de capital. Prevendo as dificuldades, antes de se mudar para Oxford, a jovem se preparou e juntou dinheiro trabalhando durante um ano em cinco empregos no Líbano.
“Mas quando eu ia transformar em libras, não dava quase nada. E agora está ainda pior porque o valor do dólar subiu muito nos últimos tempos. E isso está afetando todo mundo que eu conheço que está hoje no Líbano trabalhando. Meus amigos libaneses estão recebendo US$ 50 por mês, mas como é possível sobreviver com isso?”, pergunta.
De longe, Nessryn sofre com todas as dificuldades enfrentadas pela família e os amigos.
“Meu pai teve que vender o carro dele para pagar a faculdade do meu irmão. Minha mãe viajou recentemente ao Brasil porque minha vó ficou doente e, ao voltar de lá, trouxe o que pôde na mala: desodorante, sabonete, feijão, arroz… Eles não conseguem mais comprar nada disso no Líbano. Até remédios ela trouxe do Brasil porque tudo está em falta no Líbano”, conta.
Nessryn revela que se a situação do Líbano não melhorar, sua família está cogitando a possibilidade de se mudar definitivamente para o Brasil. O caso dela não é exceção.
A líbano-brasileira Suriana Kamil Izzeddine, professora de línguas formada em Relações Internacionais, diz que a demanda por aulas de idiomas estrangeiros aumentou nos últimos meses. Sem enxergar luz no fim do túnel no próprio país, muitos libaneses não veem outra saída a não ser deixar o país.
“O número de jovens que está indo embora é absurdo. É muito triste. A situação está insustentável. São médicos, engenheiros, arquitetos, gente de todas as áreas e uma quantidade enorme de pessoas que vêm me procurando para ter aulas de português, espanhol e italiano só pra sair daqui”, conta.
Deixar o Líbano é uma possibilidade que a professora e o noivo não descartam. A vó de Suriana, também líbano-brasileira, está de malas prontas para se mudar para o Brasil.
A jovem se revolta pelo fato de a parcela mais rica da população não estar sendo afetada pela crise. “As praias, restaurantes, boates estão lotados. Os ricos não estão sentindo a crise. As disparidades ficaram muito mais visíveis nos últimos tempos. A classe média, por exemplo, está praticamente desaparecendo. Ou temos gente muito rica ou muito pobre”, lamenta.
O que mais entristece Fatima Souza, profissional liberal líbano-brasileira é a falta de esperança da população.
“Com a crise financeira, os bancos bloqueando o dinheiro do povo, a desconfiança na classe política, a falta de acesso a alimentos, medicamentos básicos e combustíveis, e tudo isso somado à explosão no porto de Beirute, que jamais foi esclarecida ou teve responsáveis punidos, o Líbano está em queda livre. As pessoas estão reféns dessa situação e elas não veem uma saída. O país está em queda livre”, descreve.
No entanto, Fatima, que tem uma filha adolescente, está radicada no país e não vê outra possibilidade senão permanecer e continuar tentando buscar alternativas. Atualmente, ela tenta desenvolver projetos com o objetivo de gerar novos empregos no Líbano.
“É uma espécie de missão que eu me dei, para deixar como legado. Quero transformar esse momento negativo em uma espécie de mola propulsora para construir algo a partir dessa tragédia que estamos vivendo, algo rumo a um futuro melhor”, projeta.
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Fonte: G1 Mundo

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Suprema Corte dos EUA mantém controversas restrições ao voto


Maioria ratificou leis do Arizona que restringem o acesso ao voto, em uma derrota para o Partido Democrata de Joe Biden. Uma dessas leis considera crime que terceiros recolham e depositem as cédulas eleitorais dos votantes. Fachada da Suprema Corte dos EUA, em foto de 2018
Manuel Balce Ceneta/Arquivo/AP Photo
A Suprema Corte dos Estados Unidos ratificou nesta quinta-feira (1º) as polêmicas leis do Arizona que restringem a forma de votar, uma decisão que pode ter um impacto duradouro sobre os direitos de voto das minorias.
Tratam-se de duas leis eleitorais apoiadas pelos republicanos que são vistas como um desafio-chave para a histórica Lei de Direito ao Voto de 1965, que tinha como um de seus objetivos prevenir a discriminação contra eleitores negros.
Uma delas exige que os cidadãos que votam no dia das eleições o façam no distrito eleitoral em que residem, enquanto outra considera crime que terceiros recolham e depositem as cédulas eleitorais dos votantes.
O Comitê Nacional Democrata entrou com um recurso, argumentando que essas disposições foram promulgadas com intenção discriminatória e violaram a Seção 2 da Lei de Direito ao Voto.
Um tribunal federal de apelações decidiu no ano passado que as leis afetariam negativamente os afro-americanos, hispânicos e pessoas de origem indígena, que por razões socioeconômicas têm menos possibilidade de se deslocarem até os locais de votação.
Mas os defensores dessas leis estaduais argumentaram perante a Suprema Corte, onde os juízes conservadores têm uma maioria de 6-3, que as normas são necessárias para prevenir fraude eleitoral.
O que dizem os dois lados
O juiz conservador Samuel Alito disse na sentença que “o simples fato de haver alguma disparidade não significa necessariamente que um sistema não seja igualmente aberto ou que não dê a todos a mesma oportunidade de votar”.
Por sua vez, a juíza Elena Kagan escreveu em sua dissidência que a decisão “mina” a Lei de Direito ao Voto e suas premissas de democracia e igualdade racial.
Esta medida é a segunda investida contra a Lei do Direito ao Voto em menos de uma década. Em 2013, a Suprema Corte anulou parte do texto, que exigia que os estados com histórico de discriminação de eleitores pedissem autorização das autoridades federais antes de alterar qualquer norma sobre eleição.

Fonte: G1 Mundo

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Portugal impõe toque de recolher noturno em áreas para conter pico de Covid-19


Toque será das 23h às 5h, começa na sexta-feira, e irá vigorar em 45 municípios de todo o país. ‘Não estamos nas circunstâncias de alegar que a pandemia está sob controle’, diz ministra de Gabinete; novos casos estão sendo relatados principalmente entre jovens não vacinados. Mulher usando máscara é vista em rua de Lisboa, Portugal, em foto de 24 de junho
Reuters/Pedro Nunes
Um toque de recolher noturno será imposto em vários municípios de Portugal, incluindo a capital Lisboa e a cidade do Porto, e as autoridades estão correndo para controlar uma disparada de infecções de Covid-19, anunciou o governo nesta quinta-feira (1º).
O toque de recolher das 23h às 5h, que começa na sexta-feira, vigorará em 45 municípios de todo o país, que enfrentou sua batalha mais dura contra o coronavírus em janeiro.
Os casos de coronavírus saltaram para 2.449 nesta quinta-feira, o maior aumento desde meados de fevereiro – mas as mortes diárias continuam bem abaixo dos níveis de fevereiro.
“Não estamos nas circunstâncias de alegar que a pandemia está sob controle”, disse a ministra de gabinete Mariana Vieira da Silva em uma coletiva de imprensa. “Este é um momento para seguir as regras, evitar aglomerações, evitar festas e tentar conter os números.”
Vieira da Silva disse que os casos novos estão sendo relatados principalmente entre jovens não vacinados. As autoridades estão acelerando a campanha de vacinação para lidar com a disparada, e as pessoas de 18 a 29 anos receberão suas doses a partir da semana que vem.
As pessoas que moram na área metropolitana de Lisboa, onde a maioria dos casos novos se concentra, ainda precisam apresentar um exame de coronavírus negativo ou um certificado de vacinação para entrar ou sair da região no final de semana.
No total, Portugal, que já vacinou completamente cerca de 31% de sua população, registra 882.006 casos e 17.101 mortes desde o início da pandemia.

Fonte: G1 Mundo

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Prédio em construção desaba em Washington, nos EUA


Segundo bombeiros, uma pessoa ficou presa nos escombros e ‘várias outras’ se feriram. Bombeiros em local onde houve desabamento em obra em Washington DC, na quinta-feira (1º)
Reprodução/Twitter/DC Fire and EMS
Um edifício em construção em Washington, capital dos Estados Unidos, desabou nesta quinta-feira (1º). Veja o VÍDEO abaixo.
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De acordo com os bombeiros, uma pessoa ficou presa nos escombros e várias outras — as autoridades não especificaram quantas — feriram-se.
Local de desabamento em obra em Washington DC, na quinta-feira (1º)
Reprodução/Twitter/DC Fire and EMS
As operações de resgate estavam ainda em andamento até a última atualização desta reportagem. Não foi divulgado ainda o estado de saúde das pessoas que se feriram. Também não se sabe o que poderia ter provocado esse desabamento.
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Entenda por que o resgate na região de Miami é tão difícil

Fonte: G1 Mundo

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O que se sabe sobre descobertas de túmulos de crianças indígenas que chocam o Canadá

Pela terceira vez desde maio, corpos foram encontrados em locais onde ficavam internatos criados pelo governo para assimilar jovens indígenas. Política, que teve o apoio da Igreja Católica, foi considerada genocídio cultural. Mais sepulturas indígenas foram encontradas no terreno de uma antiga escola no Canadá, desta vez com os restos mortais de 182 pessoas. É a terceira vez desde maio que locais assim são identificados.
As descobertas lançaram luz sobre uma política de assimilação cultural praticada por décadas pelo governo canadense, em colaboração com a Igreja Católica, que culminou na morte de milhares de crianças e foi considerada genocídio por uma comissão do país.
“Você nunca pode se preparar totalmente para algo assim”, disse o chefe Jason Louie da tribo Lower Kootenay, que integra a Nação Ktunaxa.
Líderes indígenas disseram que esperam que mais sepulturas sejam encontradas à medida que as investigações avancem.
O achado mais recente ocorreu na véspera do Dia do Canadá, o feriado de fundação do país, quando três colônias britânicas se uniram, em 1867.
Muitos povos indígenas no Canadá nunca reconheceram a data, sentimento que cresceu nas últimas semanas, à medida que mais e mais túmulos foram encontrados.
Municípios em todo o país cancelaram as celebrações, e estátuas foram vandalizadas ou removidas.
Como os corpos foram encontrados?
A comunidade de ʔaq’am, uma das quatro tribos da Nação Ktunaxa, usou aparelhos que emitem ondas eletromagnéticas para descobrir os túmulos perto da antiga Escola Missionária de St. Eugene
A nação indígena disse que é cedo para dizer se os restos mortais pertencem a ex-alunos. Alguns restos mortais foram encontrados em covas rasas, disse a Lower Kootenay em um comunicado.
A St. Eugene’s foi operada pela Igreja Católica de 1912 até o início dos anos 1970. Até cem membros da Lower Kootenay foram forçados a estudar lá, disse a tribo.
Mas os restos mortais foram encontrados no cemitério de ʔaq̓am, que data de 1865. Os cemitérios costumavam ser marcados com cruzes de madeira que se desintegraram ou foram removidas ao longo dos anos.
“Esses fatores, entre outros, tornam extremamente difícil estabelecer se essas sepulturas não marcadas contêm ou não os restos mortais de crianças que frequentaram a escola”, disse a comunidade.
O que são essas escolas
A St. Eugene’s foi um dos mais de 130 internatos financiados pelo governo canadense e administrados por autoridades religiosas durante os séculos 19 e 20 com o objetivo de assimilar os jovens indígenas. A Igreja Católica foi responsável por até 70% deles.
Quando a matrícula nestas instituições se tornou obrigatória na década de 1920, os pais enfrentaram a ameaça de prisão se não cumprissem a ordem.
Entre 1863 e 1998, mais de 150 mil crianças indígenas foram tiradas de suas famílias e colocadas nessas escolas. Elas muitas vezes não tinham permissão para falar sua língua ou praticar sua cultura.
Estima-se que 6 mil morreram enquanto frequentavam essas escolas — até agora, mais de 4,1 mil crianças foram identificadas —, em grande parte devido às péssimas condições de salubridade .
Os alunos muitas vezes eram alojados em instalações mal construídas, mal aquecidas e pouco higiênicas. Em 1945, a taxa de mortalidade de crianças nos internatos era quase cinco vezes maior do que a de outras crianças canadenses. Na década de 1960, a taxa ainda era o dobro.
Abusos físicos e sexuais cometidos por autoridades escolares levaram outras pessoas a fugir. “Eles nos fizeram acreditar que não tínhamos alma”, disse a ex-estudante em uma entrevista coletiva. “Eles estavam nos rebaixando como pessoas, então, aprendemos a não gostar de quem éramos.”
Outros corpos já foram encontrados
Essa é a terceira vez que túmulos não marcados são encontrados em locais assim desde maio.
Naquele mês, os restos mortais de 215 crianças indígenas foram achados em no maior internato desse tipo, em Kamloops, na Colúmbia Britânica. Acredita-se que as mais jovens delas tinham cerca de 3 anos.
A escola funcionou entre 1890 e 1969 e chegou a receber 500 alunos indígenas ao mesmo tempo, muitos deles enviados para morar a centenas de quilômetros de suas famílias.
Dos restos mortais encontrados, acredita-se que 50 crianças já tenham sido identificadas, disse Stephanie Scott, diretora executiva do Centro Nacional para Verdade e Reconciliação, comissão lançada em 2008 para documentar os impactos desse sistema.
Suas mortes, quando conhecidas, variam de 1900 a 1971. Mas para os outros 165, não há registros disponíveis para apontar suas identidades.
Na semana passada, os líderes da Nação Cowessess disseram que os restos mortais de 751 corpos, a maioria deles de crianças, foram encontrados no local onde ficava outra escola, em Saskatchewan.
Eles afirmaram que se trata da descoberta “mais substancial e significativa até hoje no Canadá”.
A Marieval Indian Residential School foi administrada pela Igreja Católica de 1899 a 1997. Ainda não está claro se todos os restos mortais estão ligados à escola.
Política foi considerada genocídio cultural
Essas notícias chega em meio a um longo processo de reexame da consciência nacional sobre o legado destas escolas do Canadá. As descobertas incitaram a ira de muitos, e memoriais improvisados foram criados em todo o país.
“A indignação e a surpresa do público em geral são bem-vindas, sem dúvida”, disse o chefe da Assembleia das Primeiras Nações, Perry Bellegarde. “Mas isso não é surpreendente. Os sobreviventes vêm dizendo isso há anos e anos, mas ninguém acreditava neles.”
Na quarta-feira (30/7), o primeiro-ministro Justin Trudeau disse que as descobertas de túmulos “nos obrigaram a refletir sobre as injustiças históricas e contínuas que os povos indígenas enfrentam”.
O Centro Nacional para Verdade e Reconciliação, criado por meio de um acordo entre o governo e as nações indígenas, descobriu que um grande número de crianças nunca voltou para suas comunidades. O relatório da comissão, publicado em 2015, disse que a prática equivale a um genocídio cultural.
O documento de 4 mil páginas detalhou falhas abrangentes no cuidado e segurança das crianças e a cumplicidade por parte da igreja e do governo. As péssimas condições das escolas, disse o relatório, foram em grande parte por causa da decisão do governo do Canadá de cortar custos.
Em 2008, o governo canadense se desculpou formalmente pelo sistema. A Igreja Católica ainda não emitiu um pedido formal de desculpas.
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Fonte: G1 Mundo