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‘Não abandonei meus filhos’: o mistério de crianças ‘desaparecidas’ na China


Nos últimos 2 anos, BBC investigou paradeiro de dezenas de crianças na província de Xinjiang, cujos pais dizem que foram enviadas para internatos do governo na China. Kalbinur, fotografada com seu filho Merziye, costura roupas para sustentar sua família
BBC
Nos últimos dois anos, as autoridades chinesas prometeram repetidamente ajudar a encontrar crianças desaparecidas em Xinjiang, no noroeste do país, para provar que não foram separadas à força de seus pais. Essas promessas não foram cumpridas, como mostra o repórter John Sudworth.
A primeira vez que a China fez uma promessa pública de ajudar a encontrar os filhos de Kalbinur Tursan foi em 2019.
“Se você tem pessoas que perderam seus filhos, me dê os nomes delas”, disse o então embaixador da China no Reino Unido, Liu Xiaoming, à BBC em uma entrevista ao vivo para a televisão em julho daquele ano.
Liu negou que as políticas da China na região de Xinjiang, no extremo oeste, possam estar levando à separação em grande escala das crianças de seus pais, mas, disse ele, se tivéssemos tais evidências, ele investigaria.
“Tentaremos localizá-los e informá-los quem são, o que estão fazendo”, disse ele.
Kalbinur — integrante do maior grupo étnico turco de Xinjiang, os uigures — agora vive na Turquia, trabalhando até tarde da noite em seu minúsculo apartamento de um cômodo. Ela costura roupas para sustentar o que restou de sua família destruída.
Ela chegou em 2016, grávida de oito meses de seu sétimo filho, Merziye, cuja concepção foi uma violação às leis de planejamento familiar da China.
“Se as autoridades chinesas soubessem que estava grávida, provavelmente teriam me forçado a abortar meu bebê”, disse ela.
“Então, preparei meu corpo enrolando minha barriga para esconder o inchaço por duas horas todos os dias e conseguimos passar o controle de fronteira assim.”
Embora Kalbinur tenha feito pedidos de passaportes para todos os seus filhos, apenas um – para seu filho de dois anos, Muhammed – foi concedido, devido às duras restrições da China às viagens dos grupos étnicos de Xinjiang.
Com o tempo se esgotando, ela não teve escolha a não ser deixar os outros, para que pudessem seguir com seu marido assim que tivessem seus documentos.
Ao embarcar no voo, ela não tinha ideia de que não os veria novamente.
Fora das atenções, varrendo silenciosamente a vasta região ocidental da China, uma campanha de encarceramento em massa já havia começado com uma rápida expansão da rede do que eram, a princípio, campos de “reeducação” altamente secretos.
Uma rede paralela de internatos também estava sendo construída com o mesmo objetivo – a assimilação forçada dos uigures, cazaques e outros grupos minoritários de Xinjiang, cuja identidade, cultura e tradições islâmicas eram agora vistas como uma ameaça pelo Partido Comunista no poder.
Um documento publicado um ano após a partida de Kalbinur deixou claro que o propósito de tais internatos era “quebrar a influência da atmosfera religiosa” nas crianças que viviam em casa.
Poucas semanas depois de sua partida, seu marido foi detido e – como tantos outros milhares de outros membros da diáspora uigur vendo seus familiares desaparecerem de longe – ela se viu no exílio.
Quase da noite para o dia, até mesmo ligar para parentes se tornou impossível porque, para aqueles que ainda estavam em Xinjiang, qualquer comunicação com o exterior era vista como um sinal potencial de radicalização e uma razão fundamental para ser enviado para um campo.
Enfrentando detenção quase certa se voltasse para Xinjiang, e com seus filhos agora sem pais, ela não teve nenhum contato com eles – exceto por uma descoberta chocante.
Em uma pesquisa online em 2018, ela encontrou um vídeo de sua filha, Ayse, agora dois anos mais velha do que quando elas se viram pela última vez, em uma escola a mais de 500 quilômetros da casa da família.
Com o cabelo raspado curto, ela estava com um grupo de crianças sendo conduzidas em um jogo por um professor que falava não em uigur (sua língua materna), mas em mandarim.
Para Kalbinur, o vídeo trouxe, ao mesmo tempo, alívio – uma ligação tangível com pelo menos um de seus filhos perdidos – e profunda angústia, como um lembrete visual e doloroso da culpa e da tristeza que nunca a deixaram.
“Saber que ela estava em uma cidade diferente me fez pensar que é impossível encontrar meus filhos, mesmo se eu voltar”, ela me disse.
“Aos meus filhos, quero que saibam que não os abandonei, não tive escolha senão deixá-los para trás, porque, se tivesse ficado, a irmã recém-nascida deles não teria sobrevivido.”
A história de Kalbinur é apenas uma entre um grande número de relatos semelhantes de crianças desaparecidas ouvidos pela BBC de membros das diásporas uigures e cazaques de Xinjiang na Turquia e no Cazaquistão.
Depois de solicitar a permissão das famílias, enviamos ao embaixador Liu Xiaoming os detalhes de seis de nossos entrevistados, e anexamos cópias de passaportes, carteiras de identidade chinesas e os últimos endereços conhecidos.
Três dos casos eram de pais que tinham motivos para acreditar que seus filhos estavam agora sob os cuidados do Estado chinês.
Embora sua aparição na TV em 2019 tenha marcado a primeira promessa pública da China de investigar, garantias semelhantes já haviam sido dadas em particular alguns meses antes, quando a BBC foi levada em um tour organizado pelo governo nos campos de Xinjiang.
O sigilo inicial em relação a essa política deu lugar a uma nova estratégia, com a China insistindo que os campos eram, na verdade, escolas vocacionais nas quais aqueles que estavam sob a influência de ideologias separatistas ou extremistas voluntariamente tinham seus pensamentos “transformados”.
O vice-diretor do Departamento de Publicidade de Xinjiang, Xu Guixiang, negou que uma geração de crianças uigures e cazaques tenha ficado efetivamente órfã, já que famílias inteiras – incluindo todos os adultos responsáveis – foram detidas ou estavam isoladas no exterior.
“Se todos os membros da família foram enviados para centros de treinamento educacional, essa família deve ter um problema grave”, disse-me ele. “Nunca vi um caso assim.”
Mas quando repassamos os detalhes de alguns de nossos casos (com permissão prévia), os funcionários prometeram investigar.
Um dos casos (entregue às autoridades em Xinjiang e enviado ao embaixador Liu) envolvia não apenas crianças desaparecidas, mas 14 netos desaparecidos.
Originária da vila de Bestobe, no condado de Kunes, no norte de Xinjiang, Khalida Akytkankyzy, de 66 anos, tinha laços familiares na fronteira com o Cazaquistão, como muitos cazaques.
Em 2006, ela e o marido, juntamente com o filho mais novo, decidiram emigrar, deixando os outros três filhos – já casados ​​e com filhos – em Xinjiang.
No entanto, no início de 2018, a máquina implacável de internação em massa também os alcançou.
Khalida recebeu a notícia de que seus três filhos e suas esposas haviam sido detidos “para educação política”.
Ela tentou desesperadamente obter informações, inclusive ligando para o funcionário do Partido Comunista em sua antiga aldeia, mas ninguém lhe disse quem estava cuidando de seus netos.
Em 2019, quando a China começou a alegar que os campos haviam sido bem-sucedidos no combate ao separatismo e ao terrorismo e que quase todos haviam se “formado”, para Khalida as notícias só pioravam.
Com o aumento maciço da população presa em Xinjiang continuando inabalável, seus dois filhos mais velhos, Satybaldy e Orazjan, foram condenados a 22 anos cada, e seu terceiro filho, Akhmetjan, a 10 anos.
O oficial da vila disse a ela que eles foram condenados por “orar”.
Se existiram outros motivos para sua prisão, as autoridades não forneceram detalhes.
A embaixada da China no Reino Unido confirmou o recebimento da carta e dos documentos que enviamos ao Embaixador Liu, mas, embora tenhamos enviado e-mails para acompanhar o pedido em novembro de 2019 e novamente em fevereiro de 2020, nossas perguntas permaneceram sem resposta.
As autoridades em Xinjiang nos disseram que havia uma “discrepância” nas informações que lhes entregamos e nos aconselharam a pedir aos nossos entrevistados que entrassem em contato com as embaixadas chinesas mais próximas.
Em julho de 2020, o embaixador Liu apareceu novamente no mesmo programa de televisão ao vivo e foi questionado sobre o que havia acontecido com sua promessa do ano anterior.
“Nunca recebi nenhum nome desde o último programa”, disse ele ao entrevistador, Andrew Marr.
“Espero que você possa me dar os nomes, certamente entraremos em contato.”
Ele prosseguiu, sugerindo que seus colegas em Xinjiang seriam capazes de responder esses pedidos com facilidade – “eles nos respondem muito rapidamente”, acrescentou.
Então, voltamos a reforçar o pedido de informações, com e-mails enviados em agosto e setembro de 2020 e em janeiro de 2021.
“E-mail de acompanhamento recebido”, diz a última resposta de um funcionário da embaixada. “Lamento que nenhum progresso tenha sido feito até agora.”
Hoje em dia, Khalida acorda cedo e pega vários ônibus interconectados até o consulado chinês na cidade de Almaty, exatamente como as autoridades nos aconselharam a fazer.
Carregando fotos de seus três filhos, no entanto, ela encontra suas tentativas diárias de buscar respostas bloqueadas por uma barreira de policiais.
“Não é só para mim”, disse ela em uma entrevista em vídeo de sua casa. “Estou frequentemente lá com 10-15 outras pessoas e o consulado chinês não dá informação alguma a ninguém.”
Na Turquia, Kalbinur ainda luta por informações sobre seu marido, Abdurehim Rozi, e seus cinco filhos desaparecidos, Abduhalik, Subinur, Abdulsalam, Ayse e Abdullah.
Ela participou, recentemente, de uma caminhada de 400 km de Istambul a Ancara com outras mães uigures, em uma tentativa de quebrar o silêncio das autoridades chinesas sobre seus familiares.
A campanha pelo menos gerou uma resposta limitada, em uma entrevista coletiva, presidida pelo vice-chefe de propaganda de Xinjiang, Xu Guixiang, que negou que sua filha esteja em um internato e insistindo que as crianças estão sendo cuidadas por um parente.
Mas Kalbinur ainda não conseguiu contatá-los e, portanto, as alegações da China são impossíveis de verificar.
“Quero que as autoridades me deixem ver meus filhos”, ela me disse por meio de uma videochamada enquanto fazia uma pausa em sua caminhada de protesto ao lado de uma rodovia movimentada.
“Nesta era da informação, por que não posso entrar em contato com meus filhos?”
Um dos casos que enviamos ao Embaixador Liu não envolvia crianças desaparecidas, mas uma mãe desaparecida.
Em 2017, Xiamuinuer Pida, uma engenheira aposentada de 68 anos com um longo histórico de serviço em uma empresa estatal chinesa, foi enviada para um campo, onde ficou internada por 18 meses antes de ser libertada.
Sua filha, Reyila Abulaiti, que mora no Reino Unido desde 2002, diz que as autoridades ainda se recusam a conceder um passaporte à sua mãe, mantendo-a (como muitas outras ex-presidiárias do campo) sob estreita vigilância em sua casa.
Durante nossa visita a Xinjiang em 2019, as autoridades chinesas insistiram que ela estava totalmente livre, e simplesmente sofria de problemas de saúde. Um deles nos disse que muitos uigures idosos sofrem de problemas relacionados à alimentação – “muita carne e leite”, disse ele.
Foi uma acusação que enfureceu e entristeceu Reyila, que me disse que sua mãe havia, de fato, perdido 15kg de peso como resultado das duras condições durante seu encarceramento.
“Eles estão tentando esconder o que estão fazendo”, respondeu ela, quando questionada sobre a falha das autoridades em explicar por que Xiamuinuer havia sido enviada para reeducação.
“Ela é uma mulher aposentada, bem-educada, não precisa de cursos profissionalizantes. Ela esteve em um campo e eles não querem que minha mãe se pronuncie.”
No início deste ano, Liu Xiaoming completou seu mandato como embaixador chinês no Reino Unido, com uma despedida online para políticos e autoridades britânicos e com sua promessa ainda não cumprida pelas autoridades chinesas.
Enquanto isso, fui forçado a deixar a China devido à pressão crescente das autoridades sobre meu trabalho jornalístico e, em particular, um número crescente de ameaças de me processar devido às minhas reportagens sobre Xinjiang.
Algumas dessas ameaças vieram diretamente de Xu Guixiang, o funcionário que entrevistei dois anos antes em Xinjiang.
Ele disse à mídia controlada pelo Partido Comunista da China que a BBC produziu “notícias falsas” e violou a ética profissional.
No entanto, apesar da insistência contínua das autoridades chinesas de que, se fornecêssemos os nomes, uma busca rápida poderia facilmente refutar que as famílias estavam sendo divididas à força, eles ofereceram apenas silêncio.
Além dos casos já mencionados, ainda estamos esperando para saber o paradeiro de várias outras crianças, incluindo as de Yasin Zunun, que suspeita que Muslima, Fatima, Parhat, Nurbiya e Asma estão em um internato.
Merbet Maripet não ouve falar de seus quatro filhos – Abdurahman, Muhammad, Adila e Mardan – desde 2017, e também acredita que agora eles estão sob os cuidados do estado.
Perguntamos ao Ministério das Relações Exteriores da China por que nenhum setor do governo foi capaz de cumprir as promessas claras de fornecer informações sobre os indivíduos desaparecidos.
Nenhuma resposta foi recebida até a publicação desta reportagem.

Fonte: G1 Mundo

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Abdala: o que se sabe sobre vacina cubana usada na Venezuela


Governo de Caracas recebeu de Havana primeiro carregamento de Abdala e passou a administrá-la; vacina desenvolvida pela ilha ainda não possui autorização para uso emergencial por nenhum órgão regulador. Profissional de saúde segura frasco usado da ‘Abdala’, vacina cubana contra a Covid-19, em Caracas, na Venezuela, no dia 30 de junho.
Yuri Cortez/AFP
Nesta semana, a Venezuela se tornou o segundo país das Américas – depois de Cuba – a começar a usar uma vacina que ainda não foi aprovada por agências sanitárias.
O governo de Caracas recebeu de Havana e passou a administrar em áreas da capital o primeiro carregamento da Abdala, uma vacina desenvolvida pela ilha que ainda não possui autorização emergencial de nenhuma entidade médica reguladora.
A chegada dos primeiros lotes (oficialmente, a Venezuela diz que vai receber cerca de 12 milhões de doses) ocorreu poucos dias depois de autoridades da indústria farmacêutica cubana apresentarem os resultados da terceira fase de estudo de duas de suas vacinas mais avançadas.
Soldado venezuelano reage ao receber a vacina cubana Abdala contra a Covid-19 em uma campanha de vacinação em massa em Caracas, na Venezuela, no dia 30 de junho.
Yuri Cortez/AFP
O governo cubano garante que uma delas, a Soberana 02, teria uma eficácia de 62% com aplicação de duas doses.
Já a Abdala – a versão que chegou à Venezuela –, com três doses, teria a eficácia de mais de 92%, o que a tornaria um dos imunizantes mais eficazes contra o coronavírus desenvolvidos até agora.
Esses resultados de eficácia, entretanto, não foram validados por nenhuma agência reguladora, não foram publicados em periódico científico endossado por pares nem receberam a aprovação de qualquer organização de saúde internacional ou regional.
Por isso, gerou muita polêmica a decisão do governo Nicolás Maduro de usar uma vacina para a qual nem mesmo Cuba deu autorização para uso emergencial.
A Academia Venezuelana de Medicina, a ONG Médicos Unidos pela Venezuela e a Associação de Pesquisadores do Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica (AsoInIVIC) expressaram “preocupação” com o que consideram “produtos de duvidosa credibilidade científica”.
A oposição venezuelana também afirmou que, após a chegada da Abdala ao país, o governo fechou centros de imunização que estavam usando outras vacinas.
“O que aconteceu com as vacinas do sistema Covax? Agora os venezuelanos estão totalmente indefesos e sem possibilidade de escolha diante da imposição do produto Abdala, que não tem aprovação da OMS (Organização Mundial da Saúde). Exigimos vacinas aprovadas para todos”, escreveu o Centro de Comunicação Nacional, no Twitter, organização do líder oposicionista Juan Guaidó.
Os países não precisam da aprovação da OMS para usar qualquer vacina. Usá-las ou não é uma decisão “soberana” de cada nação, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) esclareceu à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.
O governo venezuelano, por sua vez, considerou que o recebimento das doses cubanas foi um “momento histórico” e anunciou que a Abdala se somaria às demais doses utilizadas no sistema de vacinação contra o coronavírus.
“Com o objetivo principal de proteger a saúde do povo venezuelano em meio à pandemia de covid-19, chegaram ao país as primeiras doses da vacina Abdala, desenvolvida por Cuba”, informou a o Ministério das Relações Exteriores da Venezuela, também no Twitter.
O que se sabe sobre a Abdala
Foto mostra freira em sala de vacinação antes de receber vacina contra a Covid-19 em Havana, Cuba, no dia 23 de junho. Ao fundo, na parede, há uma foto de Che Guevara.
Alexandre Meneghini/Reuters
Cuba tem uma vasta experiência no desenvolvimento de vacinas e há mais de três décadas produz grande parte dos imunizantes utilizados pela população.
No início da pandemia, o governo cubano decidiu não participar do sistema Covax, que visa levar vacinas aprovadas pela OMS às nações mais pobres, optando por desenvolver suas próprias doses.
Até o momento, as autoridades médicas cubanas afirmam estar desenvolvendo cinco vacinas contra o coronavírus. Soberana 02 e Abdala, segundo Havana, são as mais avançadas.
A única informação disponível sobre a Abdala é fornecida pelo governo de Cuba.
Até o momento, nenhuma revista científica publicou qualquer estudo sobre esse imunizante.
O imunizante foi desenvolvido por cientistas do Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia (CIGB) e leva o nome de um poema do escritor cubano e herói nacional José Martí (1853-1895).
Cuba afirma que, tanto para Soberana 02 quanto para Abdala, os cientistas usaram uma tecnologia conhecida como “vacina de subunidade”, na qual proteínas derivadas do vírus aliadas a outras proteínas são usadas para desencadear uma resposta imunológica.
Infográfico mostra como funcionam vacinas de subunidades de proteínas contra o coronavírus
Anderson Cattai/G1
As autoridades sanitárias cubanas recomendam para Abdala um esquema de imunização em três doses (o maior número de doses entre as vacinas existentes), administradas em um período de 14 dias entre elas.
A maior proteção é alcançada depois de 42 dias, segundo Cuba. Na maioria das vacinas aprovadas internacionalmente, isso ocorre duas semanas após a segunda dose.
Cuba completou a terceira etapa de estudo da Abdala no fim de abril, embora já tivesse começado a administrá-la em “grupos de risco” de sua população antes mesmo de completar os ensaios clínicos ou saber os dados de eficácia.
Na semana passada, o CIGB anunciou no Twitter que sua vacina era “92,28% eficaz, no uso de três doses”.
“Essa vitória só é comparável ao tamanho de nossos sacrifícios. E uma clarinada dos pobres da terra, uma advertência do poder que a resistência, a unidade, a consagração e o amor pela pátria tão belamente descrito pelos versos de Martí em Abdala”, escreveu o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, no Twitter.
Em seu informe, autoridades cubanas não ofereceram dados sobre a eficácia da Abdala contra variantes do coronavírus. Porém, afirma que há uma “alta probabilidade” de que ela funcione contra variantes que “estavam em grande parte em circulação”.
Os dados divulgados mostraram apenas eficácia contra a Covid sintomática.
As informações sobre a eficácia contra as formas graves e assintomáticas de Covid-19 ainda são desconhecidas. Normalmente, empresas farmacêuticas internacionais publicam esse dado junto com a eficácia contra doenças sintomáticas.
Na semana passada, a mídia oficial da ilha informou que o CIGB havia enviado a documentação ao órgão regulador de medicamentos de Cuba para obter uma autorização de emergência, que ainda não foi concedida.
A controvérsia
Mulher recebe dose da Abdala, vacina cubana contra a Covid-19, em um centro de vacinação em Havana, Cuba, no dia 23 de junho.
Alexandre Meneghini/Reuters
O fato de Cuba ter começado a vacinar massivamente sem conhecer os resultados de eficácia de sua vacina gerou questionamentos entre a população, que inclusive se perguntava nas redes sociais por que seus dirigentes não tomaram a vacina em público para dar exemplo e transmitir confiança.
As autoridades sanitárias da ilha disseram que a decisão de usar os imunizantes sem autorização emergencial se deve à “situação epidemiológica” da ilha e porque eles se mostraram seguros.
A chegada da vacina à Venezuela gerou uma situação polêmica semelhante: embora Cuba já tivesse assegurado que ela era eficaz, nenhuma entidade reguladora ou científica independente havia endossado esses dados.
Como a Opas explicou, a decisão de qual vacina usar, como e quando é uma “decisão soberana” de cada país.
“A Opas não participa dessas ações e só recomenda o uso de vacinas quando as três fases dos ensaios clínicos forem concluídas e as vacinas forem aprovadas por uma agência reguladora ou incluídas pela OMS em sua lista para uso emergencial”, disse um comunicado enviado em maio para a BBC News Mundo.
Segundo o texto, a OPAS/OMS entra no processo quando o produtor envia sua vacina à OMS para avaliação e inclusão na lista de uso emergencial.
“E para isso o imunizante deve ter passado pelas três fases, ser publicado em revista científica, e, se for aprovado também por uma agência reguladora, isso agiliza o processo”, acrescentou.
O fato de a Abdala ter sido utilizada na Venezuela sem cumprir todos esses requisitos suscitou numerosos questionamentos por parte de organizações médicas independentes.
“A credibilidade de qualquer vacina, e sua aceitabilidade pela comunidade, é amplamente baseada na publicação dos resultados em revistas científicas de prestígio”, disse a Academia Nacional de Medicina da Venezuela em um comunicado.
Nesse sentido, o Instituto Venezuelano de Pesquisa Científica apontou que a principal fonte de informação sobre os dois produtos tem sido o jornal Granma, órgão oficial do Partido Comunista e do governo cubano.
A entidade também criticou a falta de informações científicas válidas sobre a vacina Abdala e questionou que elas tenham chegado à Venezuela antes mesmo da aprovação do órgão regulador cubano.
“Consideramos que a Abdala ainda é uma candidata a vacina, portanto sua administração deve ser feita na modalidade de ensaio clínico em nosso país, com o consentimento informado dos voluntários”, indicou a academia.
O que diz o governo venezuelano
Pessoas recebem a primeira dose da Abdala, vacina cubana contra a Covid-19, em um centro em Caracas, Venezuela, no dia 30 de junho.
Yuri Cortez/AFP
O governo venezuelano defendeu a eficácia de Abdala e considerou sua chegada à Venezuela como um “triunfo”.
“Esta vacina extraordinária, que é uma das mais eficazes do mundo, será incorporada ao plano de imunização da Venezuela e a população vai gostar”, disse a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez.
Ela também considerou que Cuba, com suas vacinas, estava “dando lições éticas, morais, científicas e tecnológicas”.
“Aqui está o triunfo de Cuba. É um momento muito significativo poder compartilhar em nossa pátria a chegada da vacina Abdala, apresentada há dois dias à humanidade com uma eficiência de mais de 92%”, acrescentou.
Embora Cuba e Venezuela sejam os primeiros países da América a começar a inocular sua população com vacinas ainda em fase de testes, eles não são os únicos no mundo a fazer isso.
Em julho passado, a China aprovou sua vacina, então na terceira fase de testes clínicos, para uso entre suas forças militares. Alguns dias depois, a Rússia autorizou o uso da Sputnik V quando ela ainda estava na fase 2.
O governo da Índia, em janeiro passado, também deu autorização emergencial para duas vacinas nacionais que não haviam concluído a terceira fase dos estudos clínicos.
A Venezuela, com cerca de 28 milhões de habitantes, recebeu de fevereiro até o fim de junho cerca de 3,5 milhões de vacinas russas e chinesas, segundo dados oficiais. O plano de vacinação no país tem caminhado lentamente.
O governo Maduro garante que tem 5 milhões de doses por meio do sistema Covax, mas elas não chegaram ao país.
“Os países ricos sabotaram este mecanismo de solidariedade para distribuir vacinas no mundo (…) Pretendem usar as vacinas como instrumento político, de chantagem, de extorsão como o bloqueio à Venezuela”, disse Rodríguez.
Dados oficiais indicam que os casos de coronavírus no país ultrapassam 269 mil. Cerca de 3 mil pessoas morreram, mas sindicatos de médicos e a oposição afirmam que os números são maiores.
Veja VÍDEOS da vacinação no Brasil:

Fonte: G1 Mundo

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‘Marechal twitto’ assume presidência rotativa da União Europeia


Janez Jansa, da Eslovênia, vai estar no comando do bloco de países europeus. Ele recebeu o apelido de marechal ‘Twitto’, em referência ao ex-ditador Tito, da Iugoslávia, e pelos ataques frequentes, principalmente contra a imprensa, lançados em sua conta no Twitter. Imagem de Janez Jansa durante uma entrevista, em 25 de junho de 2021
Olivier Matthys/Reuters
A Eslovênia assume nesta quinta-feira (1º) a presidência rotativa da União Europeia, durante os próximos seis meses. É a segunda vez que este pequeno país dos Balcãs, com apenas dois milhões de habitantes, vai estar no comando do bloco europeu. A grande preocupação de Bruxelas (sede da União Europeia) é saber como o governo ultraconservador do primeiro-ministro esloveno, Janez Jansa, que tem adotado uma retórica populista e xenófoba, vai conduzir essa tarefa. 
Grande admirador do primeiro-ministro populista da Hungria, Viktor Orbán, e do ex-presidente dos EUA Donald Trump, o premiê esloveno recebeu o apelido de marechal “Twitto”, em referência ao ex-ditador Tito, da Iugoslávia, e pelos ataques frequentes, principalmente contra a imprensa, lançados em sua conta no Twitter. O dirigente esloveno usa a plataforma de maneira frenética, com cerca de 100 postagens por dia, para denegrir seus inimigos políticos, espalhar mensagens misóginas e promover suas teorias de conspiração.
Pouco conhecido do cenário político europeu, o dirigente, de 62 anos, assumiu o poder pela terceira vez em março do ano passado. Em 2018, o Partido Democrata Esloveno (SDS), do qual é líder, venceu as eleições legislativas e ele foi reeleito deputado com o slogan “Eslovênia em primeiro lugar”, se inspirando em seu ídolo Trump. Além de climatocético, o premiê da Eslovênia é abertamente xenófobo e tem recebido total apoio de Orbán, um dos políticos mais críticos da imigração na Europa.
Dias antes de assumir a presidência rotativa da União Europeia, Janez Jansa provocou polêmica ao anunciar que pretende distribuir abotoaduras com a efígie de uma pantera aos membros do Conselho Europeu. O problema é que, na Eslovênia, a imagem é muitas vezes associada aos movimentos ultranacionalistas.
Da esquerda para a direita
Como Viktor Orbán, Janez Jansa se converteu tardiamente à extrema-direita. Ele começou sua carreira política em partidos da esquerda, e após a queda da União Soviética, era uma das principais figuras da democracia eslovena. Nos anos 2000, foi aos poucos se virando para a direita. Sua transformação mais radical se deu durante a crise econômica da Europa, em 2012, e se aprofundou com a crise migratória, em 2015.
Em 2013, Jansa foi condenado a 10 anos de prisão e uma multa de € 37 mil por suspeita de corrupção e tráfico de influência em um caso que envolvia a venda de blindados finlandeses para as forças armadas da Eslovênia. Ele cumpriu menos de seis meses da pena. Em 2015, acabou absolvido pelo Tribunal Constitucional do país.
Desafios da presidência eslovena da União Europeia
Em primeiro lugar, o maior desafio não só de Bruxelas, mas também dos diplomatas eslovenos, será lidar com um premiê polêmico, de extrema direita, que a princípio deveria nortear a agenda do Conselho Europeu, de maneira imparcial, nos próximos seis meses. Porém, a estreita ligação de Janez Jansa com o ultraconservador primeiro-ministro da Hungria pode impulsionar os interesses de Budapeste e isso apavora a União Europeia.
Entre as prioridades da presidência rotativa da Eslovênia, estão o aumento da coordenação para a política na área de saúde, a melhora do sistema de gestão de crises, incluindo o combate aos ciberataques, além de assegurar que o fundo de reconstrução pós-pandemia da União Europeia chegue aos países mais afetados do continente para reativar suas economias. É esperado que a Eslovênia realize uma cúpula sobre a integração dos Balcãs Ocidentais e, provavelmente, a abertura das negociações de adesão da Macedônia do Norte e Albânia ao bloco europeu deve ser desbloqueada.
Eurodeputados querem bloquear fundos para a Eslovênnia
Esta semana, deputados do Parlamento Europeu pediram que os fundos comunitários enviados para a Eslovênia sejam suspensos. Eles acreditam que os valores fundamentais da UE não estão sendo respeitados e que a mídia e o Judiciário no país estão sendo “obstruídos”. Os eurodeputados alertaram para o fracasso das autoridades eslovenas em indicar promotores para a Procuradoria-Geral Europeia, responsável em detectar e identificar fraudes envolvendo os fundos do bloco, como uma “séria deficiência do sistema jurídico esloveno”.
O Parlamento Europeu também alertou para os ataques à liberdade de imprensa no país, como os que têm ocorrido na Hungria e Polônia. Segundo a Comissão de Liberdades Cívicas do legislativo europeu, há dúvidas sobre a capacidade da presidência eslovena conseguir levar adiante os processos relacionados com violações do Estado de direito, quando o próprio primeiro-ministro e seus apoiadores criticam frequentemente jornalistas e veículos de comunicação, criando um “clima assustador”.
Na capital Ljubljana, centenas de pessoas se reúnem todas às sextas-feiras em frente ao Parlamento para protestar contra o governo de Janez Jansa, principalmente por seus ataques à liberdade de imprensa. Recentemente, os fundos do Estado destinados à agência de notícias pública, a STA, geraram críticas por parte da Comissão Europeia. Segundo o governo, o financiamento está suspenso porque a agência não enviou os documentos necessários. Os fundos do governo representam metade do orçamento da agência de notícias eslovena.
Veja os vídeos mais assistidos do G1

Fonte: G1 Mundo

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Atletas que amamentam poderão levar os bebês para a Olimpíada


Comitê organizador anunciou a medida após ser criticado pelas regras rígidas sobre a presença das famílias dos participantes no evento. Crianças não poderão ficar hospedadas na Vila Olímpica. Cartaz com logo da Olimpíada de Tóquio 2020
Issei Kato/Reuters
As atletas com bebês em idade de amamentação serão autorizadas “quando necessário” a levar os filhos para os Jogos Olímpicos de Tóquio, no Japão, anunciou o comitê organizador após ser criticado pelas regras rígidas sobre a presença no evento das famílias dos participantes.
Adiados em 2020 devido à pandemia, os Jogos Olímpicos estão previstos para ocorrer entre 23 de julho e 8 de agosto deste ano e os Jogos Paralímpicos, entre 24 de agosto e 5 de setembro.
VEJA TAMBÉM:
Tóquio sem festa: Olimpíada não terá gritos, abraços e venda de bebidas
10 mil voluntários desistem de trabalhar nos Jogos, a maioria devido à pandemia
Os famílias dos atletas que disputarão os Jogos não terão o direito de comparecer às competições, devido às regras sanitárias adotadas contra a pandemia, e haverá uma drástica redução no número de pessoas autorizadas a entrar no Japão.
O comitê organizador abriu uma exceção para as crianças em idade de amamentação, “depois de examinar cuidadosamente esta situação única”, mas elas não serão autorizadas a permanecer na Vila Olímpica e terão de ficar hospedadas em estabelecimentos privados, como hotéis.
“O fato de que tantas atletas com filhos pequenos possam seguir competindo no mais alto nível é uma fonte de inspiração”, afirmou o comitê Tóquio-2020 em um comunicado publicado na quarta-feira (30).
Críticas à medida e à organização
A estrela americana do futebol Alex Morgan, bicampeão mundial e medalhista de ouro em Londres-2012 que tem uma filha de um ano, afirmou que a medida não é suficiente.
“Ainda não tenho certeza do que significa ‘quando necessário’. Isto é decidido pela mãe ou pelo COI? Nós somos mães olímpicas dizendo a vocês: é NECESSÁRIO. Não fui consultada sobre a possibilidade de levar minha filha para o Japão e partiremos em sete dias”, escreveu a atleta em uma rede social.
Várias atletas reclamaram sobre as regras nas redes sociais.
A jogadora de basquete canadense Kim Gaucher disse que sentia que estava sendo forçada a decidir entre ser uma mãe que amamenta ou uma atleta olímpica”.
VÍDEOS: as últimas notícias internacionais

Fonte: G1 Mundo

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Partido Comunista da China completa 100 anos e reúne milhares em evento em Pequim


Com participação de Xi Jinping, comemoração marca o centenário do partido que governa a China há 70 anos em um momento de tensões políticas renovadas com o Ocidente. Evento de 100 anos de fundação do Partido Comunista da China reúne milhares de participantes em Pequim nesta quinta (1º))
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Um evento na Praça Tiananmen, em Pequim, reuniu milhares de pessoas na manhã desta quinta-feira (1°) (noite de quarta em Brasília) para comemorar os 100 anos do Partido Comunista da China — que comanda o país asiático desde 1949.
O misto de parada militar com séries de apresentações musicais ocorreu de frente à foto de Mao Tsé-Tung na Praça Tiananmen, também conhecida como Praça da Paz Celestial. É o mesmo local onde, há 32 anos, o governo chinês reprimiu violentamente uma manifestação de estudantes.
Banda militar se apresenta em frente a retrato de Mao Tsé-Tung em Pequim, na China, durante celebração dos 100 anos do Partido Comunista Chinês nesta quinta (1º)
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Helicópteros formam o número 100 sobre a Praça Tiananmen, em Pequim, na celebração do centenário do Partido Comunista da China nesta quinta-feira (1º)
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
A expectativa é que o presidente Xi Jinping discurse, em uma fala sobre as perspectivas futuras para o governo chinês.
O evento ocorre em um momento de renovação das hostilidades políticas entre Pequim e Washington, principalmente com as disputas sobre Taiwan e um recente relatório dos EUA que apontou a possibilidade de a pandemia do coronavírus ter começado por um acidente em um laboratório na cidade chinesa de Wuhan.
Participantes balançam bandeiras da China e do Partido Comunista durante evento na Praça Tiananmen, em Pequim, para relembrar os 100 anos do partido nesta quinta (1º)
Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Ainda com a pandemia em andamento, alguns dos participantes usavam máscaras. Números oficiais mostram a Covid-19 sob controle na China, país que aplicou mais de 1 bilhão de doses de vacinas. A média móvel de novos casos de coronavírus entre os chineses flutua na baixíssima casa dos 25 diagnósticos por dia.

Fonte: G1 Mundo

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MUNDO

Mulher trans concorrerá a Miss EUA pela 1ª vez na história


Kataluna Enriquez, representante do estado de Nevada, terá a chance de concorrer a uma vaga para o Miss Universo, que em 2018 teve sua primeira candidata transsexual, Angela Ponce, da Espanha. Kataluna Enriquez, Miss Nevada 2021 participará do concurso de Miss EUA
Instagram/missnvusa
Pela primeira vez na história dos Estados Unidos, uma mulher trans foi escolhida para participar do concurso de beleza Miss EUA, que acontece em novembro deste ano.
Kataluna Enriquez, representante do estado de Nevada, terá a chance de concorrer a uma vaga para o Miss Universo, que em 2018 teve sua primeira candidata transsexual, Angela Ponce, da Espanha.
“Esta vitória é uma grande honra, especialmente durante o mês do Orgulho Gay”, disse Enriquez ao ser coroada na última semana.
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A jovem começou a participar de concursos de beleza para mulheres transgêneros em 2016, quando tinha 22 anos – mas foi só no ano passado que encarou seu primeiro concurso com mulheres cis.
Cisgênero, ou cis, é o nome dado para aquelas pessoas que se identificam com o sexo designado no nascimento.
‘Nossas vozes contam’
A jovem de origem filipina, que não esconde ter sofrido atos de racismo e violência por ser transgênero nos EUA, disse que participar de um concurso de beleza como esse era uma forma de resistir.
“Sou tudo o que está sub-representado neste país. Nossas vozes contam”, disse a Miss em entrevista ao jornal ‘Las Vegas Review’.
Além da beleza estonteante, Enriquez é também bastante talentosa: estilista, ela desenha e costura todos os vestidos que usa durante as competições.
Kataluna Enriquez desenha e confecciona seus próprios trajes
Instagram/missnvusa
Vaga para o Miss Universo
A jovem agora tem uma nova meta: representando o estado de Nevada, ela pretende levar a coroa e com ela uma vaga para o Miss Universo, concurso que reúne as belezas de todo o globo.
Desde 2012, o Miss Universo aceita competidoras trans – mas apenas uma chegou até o concurso, a espanhola Angela Ponce, que concorreu, mas não levou, em 2018.
Miss Espanha, Angela Ponce, foi a primeira candidata transgênero a participar do concurso Miss Universo
Gemunu Amarasinghe/AP
Antes delas, o concurso Miss Universo enfrentou uma forte polêmica ao desclassificar a Miss Canadá Jenna Talackova da final “por não ter nascido mulher”.
Depois da má repercussão do caso, a organização do concurso, que pertencia na época às Organizações Trump – do magnata e ex-presidente americano – mudou as regras da disputa.
A transexual Jenna Talackova joga um beijo ao ser eliminada do Miss Universo Canadá, em Toronto
Reuters

Fonte: G1 Mundo

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POLITICA

Barroso autoriza Marcos Valério a cumprir pena no regime semiaberto


Empresário foi condenado a 37 anos de prisão no julgamento do mensalão do PT. No semiaberto, Marcos Valério poderá sair durante o dia para trabalhar. O ministro Luís Roberto Barroso, do STF
Nelson Jr./SCO/STF
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira (4) o empresário Marcos Valério a progredir do regime fechado para o semiaberto.
Marcos Valério foi condenado a 37 anos de prisão no julgamento do mensalão do PT e, no regime semiaberto, poderá sair durante o dia para trabalhar.
O empresário tem outra condenação confirmada em segunda instância, mas a execução da pena está suspensa por decisão do ministro Celso de Mello. Diante disso, Barroso entende que Marcos Valério pode progredir para o regime semiaberto mesmo com a outra condenação.
Barroso autorizou a progressão de regime de prisão por considerar que Valério preenche os seguintes requisitos:
já cumpriu um sexto da pena (mais de seis anos e meio);
teve bens bloqueados e não tem condições de pagar a multa de R$ 4,4 milhões imposta pelo STF.
Marcos Valério foi condenado pelos crimes de corrupção ativa, peculato, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Ele cumpre pena desde 2013 e está preso na penitenciária Nelson Hungria, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Valério tem um acordo de delação premiada em vigor e agora poderá deixar o presídio durante o dia para trabalhar.
Marcos Valério, condenado pelo STF no julgamento do mensalão do PT
Futura Press
Argumentos
A Procuradoria Geral da República opinou contra a progressão de regime. Argumentou que Marcos Valério não pagou a multa imposta na condenação e ainda teria cometido falta grave na cadeia.
Barroso, contudo, considerou que Valério comprovou não ter recursos disponíveis e que não foi concluída a apuração sobre as faltas na prisão.
“Diante desse contexto, com o devido respeito às manifestações da Procuradoria Geral da República, não vejo como indeferir o pedido de progressão de regime, ao argumento de que ainda não estaria suficientemente esclarecida a situação relativa à ocorrência de faltas graves. Isso porque, do quanto se sabe até o momento, o apenado foi absolvido no processo administrativo disciplinar e o Ministério Público Estadual ainda não chegou a uma conclusão segura no procedimento investigatório criminal”, escreveu o ministro.
Luís Roberto Barros também afirmou que não seria “justo e sequer proporcional” esperar a conclusão da investigação para conceder progressão de regime. Ainda conforme a decisão, a dívida foi atualizada para o valor de R$ 9 milhões.
O que a defesa argumentou
A defesa de Marcos Valério chegou a pedir a Barroso para o empresário ser autorizado a cumprir a pena em prisão domiciliar porque Minas Gerais não teria estabelecimentos compatíveis para pena no semiaberto.
Os advogados argumentaram ainda que, por ser delator, Valéria pode sofrer riscos, além de ter problemas de saúde.
A defesa anexou também proposta de trabalho na empresa JRK Locadora & Transportadora. A oferta de trabalho será avaliada pela Vara de Execuções Penais de Contagem.
O ministro negou a prisão domiciliar porque a Justiça de Minas informou que há estabelecimentos para presos do semiaberto e que ele poderia ser transferido para Ribeirão das Neves ou outra cidade do estado.
“Diante do exposto, defiro ao condenado Marcos Valério Fernandes de Souza a progressão para o regime semiaberto, desde que observadas as condições a serem impostas pelo Juízo delegatário desta execução penal, tendo em vista o procedimento geral utilizado para os demais condenados que cumprem pena na Comarca de Contagem.”
Outra condenação
O empresário tem outra condenação confirmada em segunda instância, pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, mas a execução da pena está suspensa por decisão do ministro Celso de Mello.
Diante disso, Barroso entende que Marcos Valério pode progredir para o regime semiaberto mesmo com a outra condenação.
Barroso também mencionou que a apuração sobre se Valério foi alvo de achaques na cadeia ainda não foi concluída, por isso a questão também não pode ser levada em consideração.

Fonte: G1 Política

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POLITICA

STF perdoa pena de mais dois condenados no mensalão do PT com base no indulto de Temer

Ex-sócios de Marcos Valério, os publicitários Cristiano Paz e Ramon Hollerbach tiveram as penas privativas de liberdade perdoadas pelo ministro Luís Roberto Barroso. Indulto de Temer dá perdão de pena a condenados no mensalão e na Lava Jato
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), perdoou a pena de mais dois condenados no julgamento do mensalão do PT com base no indulto natalino editado, em 2017, pelo então presidente da República, Michel Temer. Ex-sócios do empresário Marcos Valério, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach tiveram extintas as penas privativas de liberdade, mas continuam com a obrigação de pagar a multa imposta pela Suprema Corte.
Publicitário, Ramon Hollerbach foi condenado no julgamento do mensalão do PT a 27 anos, 4 meses e 20 dias de prisão pelos crimes de corrupção ativa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e peculato.
Condenado a 23 anos, 8 meses e 20 dias de reclusão, Cristiano Paz também é publicitário. Ele foi acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de atuar na obtenção de empréstimos fraudulentos que alimentavam o esquema do mensalão do PT. Paz fundou a SMP&B, agência de publicidade que, de acordo com o Ministério Público, repassou dinheiro para o pagamento de propina a parlamentares em troca de votos a favor do governo Luiz Inácio Lula da Silva.
“Diante do exposto, acolhendo o parecer da Procuradora-Geral da República, e na linha da orientação do plenário do STF, declaro extinta a pena privativa de liberdade imposta ao sentenciado Ramon Hollerbach Cardoso, com apoio no art. 107, inciso II, parte final, do Código Penal, e nos termos do Decreto nº 9.246/2017. Por outro lado, indefiro o indulto da pena de multa imposta cumulativamente à pena privativa de liberdade”, escreveu Barroso na decisão que perdoou a pena de prisão de Ramon Hollerbach.
O indulto é um perdão de pena e costuma ser concedido todos os anos em período próximo ao Natal. É uma prerrogativa do presidente da República.
Cármen Lúcia suspende parte do indulto de Natal concedido por Temer
O decreto assinado por Temer reduziu para um quinto o período de cumprimento de pena exigido para que o preso por crimes sem violência ou grave ameaça pudesse receber o benefício e obter liberdade. Antes, era necessário cumprir um quarto da pena para obter o benefício.
O decreto foi suspenso pela então presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, em dezembro de 2017.
Em março de 2018, Barroso concedeu liminar (decisão provisória) limitando a aplicação do indulto. O ministro aumentou o período de cumprimento para, pelo menos, um terço da pena, permitindo indulto somente para quem foi condenado a mais de oito anos de prisão. O magistrado também vetou a concessão para crimes de colarinho branco e para quem tem multa pendente.
Porém, em maio deste ano, o plenário do Supremo decidiu validar a norma editada por Temer, que reduziu o tempo de cumprimento das penas a condenados por crimes cometidos sem violência ou grave ameaça, como os de colarinho branco.
Outros perdões
O decreto de indulto natalino de Temer já beneficiou, neste ano, outros dois condenados pelo mensalão do PT. Com base na decisão do plenário do STF, Luís Roberto Barroso passou a aplicar o entendimento da maioria da Corte e perdoou, no início de junho, as penas de Kátia Rabello e José Roberto Salgado, ex-dirigentes do Banco Rural condenados no julgamento do mensalão do PT.
Na decisão em que perdoou as penas dos dois banqueiros, Barroso destacou que foi contra a aplicação do indulto de Temer por entender que a norma facilitou a aplicação do perdão da pena para crimes de colarinho branco, no entanto, enfatizou que ficou vencido no julgamento.
Kátia Rabello e José Roberto Salgado foram condenados pelo Supremo a 14 anos e cinco meses de prisão pelos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira e evasão de divisas. O tribunal considerou que os dois comandaram o braço financeiro do esquema de compra de votos criado para favorecer o governo Lula.
Eles começaram a cumprir a pena em 2013 em regime fechado, na prisão, mas, em 2015, foram autorizados a passar para o semiaberto (quando é possível sair durante o dia). No ano seguinte, progrediram para o regime aberto, cumprindo a pena em casa, com restrições à noite e aos finais de semana.
Quando receberam o indulto, os dois estavam em liberdade condicional, cumprindo o resto da pena em casa e tendo que se apresentar periodicamente ao juiz.
Lava Jato
Ex-senador Gim Argello é beneficiado pelo indulto de Natal e deixa prisão
O ex-senador do Distrito Federal Gim Argello foi outro beneficiado pelo indulto natalino de Michel Temer. Ele havia sido condenado, em novembro de 2017, em segunda instância pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro a 11 anos e oito meses de reclusão.
O ex-parlamentar do Distrito Federal, entretanto, obteve autorização para deixar a prisão em 14 de junho de 2019.
A decisão que garantiu a liberdade de Gim Argello foi assinada pela juíza Ana Carolina Ramos, da 1ª Vara de Execuções Penais de Curitiba.
No caso de Gim Argello, na época em que o indulto foi assinado, ele já tinha cumprido um quinto da pena – 2 anos, seis meses e 16 dias de detenção.

Fonte: G1 Política

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Ministro do STF nega revisão de pena para Ramon Hollerbach no mensalão do PT


 Hollerbach, um dos sócios de Marcos Valério, foi condenado a 27 anos, quatro meses e 20 dias de prisão pelos crimes de corrupção ativa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e peculato. Ramon Hollerbach na época da prisão em 2013
Reprodução/TV Globo
O Supremo Tribunal Federal (STF) informou nesta terça-feira (31) que o ministro Edson Fachin rejeitou um pedido da defesa de Ramon Hollerbach para revisão criminal da pena na Ação Penal 470, o mensalão do PT.
Ainda de acordo com o Supremo, os advogados de Hollerbach pretendiam desconstruir parte da condenação dele e absolver o publicitário, um dos sócios de Marcos Valério; ou como alternativa, tentaram a revisão da pena privativa de liberdade. A defesa alegou que, com a absolvição dos réus quanto ao crime de quadrilha, ficou definitivamente rechaçada a tese do mensalão, conforme o STF.
O relator considerou que o pedido “não se funda em novas provas descobertas após a condenação, bem como que os argumentos e fatos que a defesa pretendeu comprovar não são aptos a desconstituir, ainda que parcialmente, o título condenatório”.
O advogado Estevão Ferreira de Melo afirmou que vai recorrer da decisão, assim que for intimado oficialmente. Ele disse ainda que novas “provas robustas” foram apresentadas para a redução da pena e o ministro as desconsiderou.
Ramon Hollerbach foi condenado a 27 anos, quatro meses e 20 dias de prisão pelos crimes de corrupção ativa, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e peculato no mensalão do PT cumpre pena na Associação de Proteção ao Condenado (Apac) de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Fonte: G1 Política

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STF concede liberdade condicional à ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello


Banqueira foi condenada à prisão pelo tribunal, em 2012, no julgamento do mensalão. Benefício foi concedido pelo ministro Luís Roberto Barroso, responsável pela execução das penas. Kátia Rabello estava cumprindo prisão em regime aberto desde novembro do ano passado
Reprodução/TV Globo
O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu o benefício da liberdade condicional à ex-presidente do Banco Rural Kátia Rabello, condenada no julgamento do mensalão por lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de instituição financeira e evasão de divisas.
Kátia Rabello foi condenada pelos ministros do STF, em novembro de 2012, a 16 anos e 8 meses de prisão por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e gestão fraudulenta de instituição financeira.
Posteriormente, a Corte acolheu um recurso da defesa da banqueira e excluiu o crime de formação de quadrilha, cuja pena havia sido definida em 2 anos e três meses. Com esta mudança, a pena da ex-presidente do Banco Rural ficou fixada em 14 anos e 5 meses de prisão.
Ela começou a cumprir a pena de 14 anos de prisão em novembro de 2013, progrediu para o semiaberto (no qual somente dorme na prisão) em dezembro de 2015 e passou para o regime aberto (onde cumpre pena fora da prisão) em novembro do ano passado.
Na liberdade condicional, o condenado continua em liberdade até o final de sua pena, que pode ser extinta posteriormente se não voltar a cometer crimes e caso se apresente regularmente à Justiça.
Relator da execução penal do processo do mensalão, o ministro Luís Roberto Barroso registrou na decisão que autorizou a ex-banqueira a cumprir prisão condicional que Rabello cumpriu todos os requisitos para obtenção do benefício, como, por exemplo, se sustentar com trabalho honesto.
“Se trata de requerente primária e de bons antecedentes, havendo nos autos atestado carcerário emitido pelo Complexo Penitenciário Feminino de Belo Horizonte/MG, no sentido de que não consta registro de cometimento de falta disciplinar em desfavor da sentenciada”, escreveu o ministro em trecho da decisão.

Fonte: G1 Política