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Madonna surpreende fãs com show de 15 minutos em Nova York


Madonna se apresenta durante um show surpresa na Times Square, em Nova York, EUA, em 4 de junho de 2026.
REUTERS/Brendan McDermid
Madonna surpreendeu seus fãs com um show de 15 minutos na Times Square, em Nova York, a poucas semanas do lançamento de seu novo álbum.
A rainha do pop lançará no início de julho “Confessions II”, criado junto com o mesmo produtor de “Confessions on a Dance Floor”, de 2005.
Após um aviso de última hora aos fãs, a artista de 67 anos se apresentou na noite de quinta-feira (4) para centenas de pessoas em um palco instalado dentro de uma das icônicas telas gigantes da Times Square.
Vestindo um corset rosa, ela interpretou seis músicas, entre elas “Hung Up” e “Get Together”, do álbum de 2005, e faixas do álbum que ainda será lançado.
Junto a Shakira e o grupo de K-pop BTS, Madonna será a principal atração do show do intervalo na final da Copa do Mundo, em 19 de julho, no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

Fonte: G1 Entretenimento

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Ex-supermodelo Carré Otis denuncia ex-chefe da agência Elite por estupro em Paris

A ex-supermodelo americana Carré Otis apresentou nesta sexta-feira uma denúncia na Justiça de Paris acusando Gérald Marie, ex-chefe da operação europeia da agência Elite Model, de estupro e tráfico de pessoas.
Segundo o advogado de Otis, a iniciativa busca incentivar outras possíveis vítimas a denunciar casos semelhantes.
Marie nega as acusações e não pode ser processado pelas alegações feitas por Otis devido ao prazo de prescrição previsto na legislação francesa. No entanto, a denúncia pode permitir que outras mulheres, cujos casos estejam prescritos ou não, se juntem ao processo, afirmou o advogado Mathias Darmon em comunicado enviado à Associated Press.
A denúncia, à qual a AP teve acesso, inclui acusações de estupro de menor de idade e tráfico de pessoas.
De acordo com o documento, Otis foi enviada a Paris pela agência Elite em 1986, quando tinha 17 anos. Ela teria sido hospedada no apartamento de Marie, acreditando que ele pretendia ajudá-la a desenvolver sua carreira como modelo.
Enquanto morava no local, afirma a denúncia, ela foi estuprada diversas vezes por Marie. O ex-executivo também teria organizado encontros com outros homens ricos em diferentes países da Europa.
O documento afirma ainda que Otis nunca recebeu pagamento pelos trabalhos que realizou como modelo naquele período.
“O objetivo é dar a outras vítimas a oportunidade de encontrar coragem para se juntar à nossa denúncia”, disse Darmon. “Estamos abrindo a porta para todos os afetados por este caso de relevância internacional se manifestarem e terem suas vozes ouvidas.”
Hoje com 58 anos, Otis tornou-se uma das principais modelos do mundo no fim dos anos 1980 e início dos anos 1990, estampando capas de revistas como Elle, Vogue e Vanity Fair, além de participar do tradicional calendário Pirelli.
Marie, cidadão francês de 76 anos, comandou as operações da Elite na Europa entre 1985 e 2010, período em que a agência dominava a indústria da moda. Ele ajudou a lançar a carreira de algumas das modelos mais famosas do mundo.
A emissora francesa France Info informou nesta sexta-feira que Otis afirmou querer “denunciar todo um sistema de abuso sexual contra modelos que perdurou por anos na indústria da moda”, traçando paralelos com as repercussões do caso envolvendo Jeffrey Epstein.
Uma denúncia apresentada em 2021 por Otis e outras ex-modelos, que acusava Marie de estupro e agressão sexual nos anos 1980, foi arquivada porque os fatos já estavam prescritos.
Pela legislação francesa, vítimas que eram menores de idade na época de um suposto abuso sexual podem apresentar denúncia criminal até 30 anos após atingirem a maioridade, o que permite a abertura de processos até os 48 anos de idade.

Fonte: G1 Entretenimento

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Quem foi Catulo da Paixão Cearense, o violeiro que traduziu o popular para a elite


Apesar de ter perdido reconhecimento entre o grande público, Catulo deixou um legado importante ao registrar em livros e folhetos parte do cancioneiro popular do início do século 20.
Luiz Americo Lisboa Junior/Acervo pessoal
Ele ficou conhecido como o poeta do sertão e as versões da canção mais famosa que lhe é atribuída aludem à saudade da vida do campo, do meio rural, do ambiente sertanejo. O maranhense Catulo da Paixão Cearense (1866-1946), morto há 80 anos, é um dos nomes mais importantes da música popular do Brasil.
“O Catulo foi o tradutor das canções ditas populares para outro tipo de escuta, que era a dos salões cariocas”, afirma o historiador Kleiton de Sousa Moraes, professor na Universidade Federal do Ceará e autor do livro “Catulo da Paixão Cearense ou Como se Constrói um Autor?”.”Ele circulava nos subúrbios e levava as canções para as casas da elite.”
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“Foi pioneiro na atuação artística que fez da música popular elemento central, e mutante da identidade cultural brasileira”, diz o antropólogo Hermano Vianna, autor de, entre outros livros, Música do Brasil.
“Sua obra, exaltando essa coisa mais idílica da vida sertaneja, é uma espécie de contraponto à contemporaneidade, com sua visão lírica de um mundo idealizado, de harmonia existencial”, comenta o músico Alberto Tsuyoshi Ikeda, professor na Universidade de São Paulo e consultor da cátedra Kaapora: da Diversidade Cultural e Étnica na Sociedade Brasileira, da Universidade Federal de São Paulo.
Se por um lado hoje em dia seu nome é pouco conhecido do grande público, a verdade é que quase todo brasileiro já ouviu alguma das centenas de versões da toada sertaneja Luar do Sertão, gravada por um vasto espectro que vai de Caetano Veloso a Francisco Alves, passando por Vicente Celestino, Chitãozinho e Xororó, Elba Ramalho, Luiz Gonzaga e Milton Nascimento.
Autor de Da Modinha ao Sertão, livro sobre a trajetória de Catulo, o historiador e escritor Luiz Americo Lisboa Junior, pesquisador-doutorando na Universidade de Lisboa, classifica Luar do Sertão como “um patrimônio cultural brasileiro”.
“Sua importância é fundamental”, diz o historiador.
Uma das músicas mais regravadas da história do cancioneiro brasileiro, a composição é definida pelo famoso Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira como “um segundo Hino Nacional”. Primeiro ministro negro do Supremo Tribunal Federal, o jurista Pedro Lessa (1859-1921) chamou a música de “hino nacional do sertanejo”.
Música sertaneja tem raiz nas boiadas e nas fazendas de cana e café
Há uma controvérsia histórica sobre a autoria da canção, com atribuições ora a Catulo, ora ao violeiro João Teixeira Guimarães (1883-1947), o João Pernambuco. Segundo especialistas, o mais correto é atribuir ao primeiro a letra e a este último, a melodia. Mas essa questão também envolve o fato de que a noção de direitos autorais para composições populares era um tanto difusa no início do século 20.
Catulo — e este parece ter sido seu grande mérito — foi hábil em resgatar canções populares que circulavam à época e publicá-las em livros e livretos com seu nome. Gradualmente, ele acabava sendo visto como o autor.
Biografia
Nascido em São Luís do Maranhão, Catulo da Paixão Cearense mudou-se para o Rio de Janeiro na adolescência, com os pais. Trabalhou como relojoeiro e como estivador. Mas acabou se envolvendo rapidamente com os boêmios da cidade, sobretudo os chamados chorões.
“Sua geração constitui a base do que hoje chamamos de música popular brasileira”, pontua Ikeda, citando pares como Francisca Neves Gonzaga (1847-1935), a Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth (1863-1934) e Joaquim Callado (1848-1880), entre outros.
Ficou amigo de um livreiro, Pedro da Silva Quaresma (1863-1921), e passou a publicar com ele folhetos e livretos com compilados de modinhas que circulavam na época. “Seus livros de modinhas vendiam mais do que a literatura da época”, compara Moraes.
“Vindo do interior nordestino, ele conquistou a capital nacional, misturando mundos que pareciam condenados a viver para sempre separados”, comenta Vianna.
“Foi estivador no porto do Rio de Janeiro, mas seu talento musical, e curiosidade espantosa, logo o tornou elo mediador entre ambientes bem diferentes como o palácio presidencial e os terreiros que ainda iriam inventar o samba”, complementa o antropólogo. “Fez a conexão entre os intelectuais da Academia Brasileira de Letras e quem criava a poesia popular das ruas cariocas. Também entre a canção urbana, conhecida como modinha, e os estilos rurais, ou sertanejos, de todo o país. Isso antes do rádio ou da indústria fonográfica.”
A primeira gravação de sua música mais famosa, Luar do Sertão, foi feita em 1914, pelo cantor Eduardo das Neves (1874-1919). Saiu em disco de 78 rotações, da Casa Edison. Ali os créditos apareceram como “versos e música de Catulo Cearense”.
“Luar do Sertão é algo excepcional, uma das canções mais conhecidas de toda a história da música popular do Brasil”, avalia Ikeda.
Concurso de Quadrilhas – Luar do Sertão
Era o momento em que a ideia de gravar, por si só, consistia em novidade recente. Ikeda lembra que Catulo é personagem importante desse período histórico em que há uma transição no modelo de se ouvir música, já que as primeiras gravações permitem que tal experiência não seja necessariamente ao vivo e a partir de uma relação interpessoal. “Criou-se então um novo segmento artístico-econômico por meio dos discos”, contextualiza o professor.
Mas Catulo estava longe de ser homem de um só sucesso. Também foram muito conhecidas, principalmente em sua época, músicas como Talento e Formosura, Invocação a uma Estrela e Ontem ao Luar.
“Produziu muitos sucessos que marcaram nosso imaginário, inclusive influenciando as novidades do carnaval”, lembra Vianna.
Lisboa Junior traz uma curiosidade interessante. “A primeira vez que o termo ‘sambando’ apareceu em uma canção foi na música A Viola Está Magoada [de Catulo], uma espécie de samba de partido alto gravado em 1914 pelos cantores Bahiano [pseudônimo de Manuel Pedro dos Santos (1870-1944)] e Júlia Martins”, conta.
A gravação, conforme registro nos arquivos da Biblioteca Nacional, ocorreu três anos antes de Pelo Telefone ser gravada por Donga, nome artístico de Ernesto dos Santos (1890-1974) — considerada por muitos o primeiro samba gravado. “Mais um mito da história da MPB que se desfaz pelos fatos”, diz o historiador.
Catulo publicou diversos livros, que eram comercializados a preços populares e tinham tiragens consideradas altas. Os mais importantes são Meu Sertão, Sertão em Flor, Poemas Bravios e Mata Iluminada.
“Ele foi o primeiro grande poeta do sertão”, define Lisboa Junior. “Esses livros são fundamentais para a compreensão da linguagem sertaneja do início do século 20.”
Para o poeta Sebastião Moreira Duarte, da Academia Maranhense de Letras, se “o lugar de Catulo no cancioneiro popular não pode sequer ser posto em dúvida”, a sua literatura precisa ser olhada com ressalvas. “Ele é um gênio nas metáforas, um criador telúrico de belíssimas imagens poéticas e tem a facilidade de rimar que têm os cantadores populares”, comenta. “O seu lirismo é, porém, o de um ultrarromântico temporão.”
Duarte também critica o idioleto comumente empregado por Catulo em suas composições. “Uma língua simplesmente fake”, afirma. “Ele não conhecia o linguajar matuto e deturpava palavras só para servirem à sua necessidade de rima”, aponta.
O historiador Moraes afirma que Catulo transitava entre muita gente importante do meio cultural, como os poetas Manuel Bandeira (1886-1968) e Mário de Andrade (1893-1945). “Esse capital social era bem utilizado por ele em seus livros. Catulo buscava uma certa distinção a partir do letramento”, analisa.
Catulo foi grande amigo do poeta e diplomata português Júlio Dantas (1876-1962). “Ele fazia questão de enaltecer a qualidade literária de Catulo frequentando bastante sua casa”, diz Lisboa Junior. “Quando Julio Dantas foi homenageado na Academia Brasileira de Letras, fez questão da presença de Catulo e dividiu com ele as homenagens recebidas.”
O “tradutor” do popular para as elites
Para especialistas, o maior legado de Catulo foi esse trabalho de resgate e registro das canções que circulavam na época.
“Ele circulava nos subúrbios cariocas e levava as canções de lá para as casas da elite citadina do Rio de Janeiro na época, na virada do século 19 para o 20”, explica Moraes.
Mas não era uma mera reprodução. Segundo conta o historiador, Catulo adaptava as canções para que se tornassem palatáveis ao gosto daquela aristocracia habituada a gêneros como valsa, tango e mazurca. “Tocava com acompanhamento musical próprio para que a música fosse consumida por essa elite”, diz Moraes.
“Ele tem um papel fundamental na divulgação das canções que circulavam no Rio. Como era letrado, os salões cariocas abriam espaço para ouvi-lo cantar um tipo de música considerada popular”, acrescenta Moraes.
Nesse movimento, de acordo com o historiador, Catulo passou a “se apropriar” de letras populares, publicando-as sob seu nome em compilados. “Foi o que ocorreu com Luar do Sertão, que já era conhecida nos meios populares do Rio”, exemplifica. Outro caso do tipo foi a canção Cabocla de Caxangá.
O historiador explica que o reconhecimento como criador intelectual das obras se deu por conta da relação entre autoria e texto escrito, portanto.
“Como as publicava em livros, em uma época de direitos autorais inexistentes, era visto como autor”, explica Moraes.
Interessante, contudo, é que ele adaptava as letras. Em suas próprias palavras, “corrigia” as letras “estropiadas e bárbaras”. “Nos termos dele, ele civilizava as composições”, conta Moraes. “Foi um tradutor da escuta popular para os salões.”
Graças a esse processo, conhecemos muito do que foi produzido nessa época, cabe ressaltar. “Nas versões que são as ‘correções’ do Catulo”, enfatiza o historiador Moraes.
“O legado foi que ele colocou no papel. E o objeto escrito tem mais durabilidade do que o objeto oral”, define. “Grande parte do que sabemos que havia do cancioneiro dessa época chegou até hoje porque foi efetivamente compilada por Catulo.”
O historiador destaca, contudo, que o poeta dava “um tom autoral dele”.
“Ele absorveu expressões artísticas que vinham das toadas, do cancioneiro lírico, e as transpôs para o grande público”, diz Ikeda. “Além disso, tinha capacidade intelectual e artística de transitar entre grupos sociais distintos, frequentando as elites e levando para esses grupos a produção popular.”
“Ele foi o mediador e criador que reuniu mundos sociais e semânticos bem diferentes e distintos dentro da história da cultura e da música brasileira”, destaca Ikeda.
“Catulo também era um excelente violonista e responsável pela introdução do violão, instrumento considerado de vadios, nos salões de elite”, afirma Lisboa Junior. O historiador cita evento de 5 de julho de 1908, quando o artista cantou modinhas em um recital no Instituto Nacional de Música, no Rio. “Na plateia estava a nata cultural, científica e política do país”, comenta.
O sertanejo raiz
Segundo o historiador Moraes, foi a partir do sucesso de Luar do Sertão que Catulo passou a ser visto como poeta sertanejo. “Ele próprio começou a investir nessa ideia”, afirma. “Antes, era conhecido como o cantador de modinhas. E já fazia muito sucesso.”
Com o passar do tempo, entretanto, a fama pessoal dele acabou desaparecendo do grande público. Ao menos enquanto pessoa, enquanto personagem.
“Se por um lado ele não parece ter muito reconhecimento hoje em dia, pelo menos a obra fica”, diz Ikeda. “E ele segue sendo cantado por muitos artistas. Até as duplas sertanejas mais jovens conhecem Luar do Sertão.”
Circuito Sertanejo valoriza novos talentos do gênero

Fonte: G1 Entretenimento

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Filme sobre o Canecão foca algumas dentre as muitas emoções vividas por artistas na lendária casa de shows


Imagem do filme ‘Canecão – Tantas emoções’, dirigido e roteirizado por Bruno Levinson
Reprodução / Vídeo
♫ CRÍTICA DE DOCUMENTÁRIO MUSICAL
Título: Canecão – Tantas emoções
Direção e roteiro: Bruno Levinson
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♬ Parte expressiva da história da música brasileira foi escrita no Canecão de 9 maio de 1969 – dia em que uma incendiária Maysa (1936 – 1977) inaugurou como casa de shows bem produzidos a então cervejaria aberta em 1967 na zona sul da cidade do Rio de Janeiro (RJ) – a 17 outubro de 2010, dia em que Bibi Ferreira (1922 – 2019) fez o último espetáculo da casa, então já envolta em aura mítica.
Atração da Mostra Brasil da 18ª edição do In-Edit Brasil – Festival Internacional do Documentário Musical, programada para acontecer em São Paulo (SP) de 17 a 28 de junho, o filme “Canecão – Tantas emoções” reúne histórias dessa casa prevista para ser reaberta em 2027 como espaço cultural.
Talvez pelas preferências musicais de Bruno Levinson, diretor e roteirista do documentário viabilizado pela produtora Raccord, o filme enfatiza a tomada do Canecão pela geração pop dos anos 1980 a partir da estreia em 198d o show “Radioatividade”, da banda Blitz.
A maioria dos cantores entrevistados – Bruno Gouveia, Evandro Mesquita, Fernanda Abreu, Leo Jaime, Lobão, Paulo Ricardo, Ritchie e Roberto Frejat, entre outros nomes – é dessa geração pop, opção fora de sintonia com o fato de o Canecão ter sido, sobretudo nos anos 1970, “o templo sagrado da MPB”, como resume Lobão.
Mesmo focado em algumas das tantas emoções do título, o filme flui bem porque, gerações e preferências à parte, o importante é que todo mundo viveu emoções no Canecão. Não somente no palco, como na plateia, como ressalta Zélia Duncan, que lembra a noite em que foi avisada pela empresária Beth Araújo de que o Canecão havia acabado de pôr o letreiro que promovia o primeiro show da cantora na casa. Claro que Zélia cumpriu o ritual dos artistas debutantes na casa e foi para a porta do Canecão tirar foto à frente do ansiado letreiro.
Roberto Carlos lembra no filme, em depoimento emocionado, a importância que o Canecão teve na carreira do cantor a partir de 1970
Reprodução / Vídeo
“O Canecão não era só um casa de shows. Era o lugar onde todo mundo queria estar”, sentencia a empresária Marilena Gondim, um dos poucos entrevistados que quebra a corrente romântica de depoimentos sobre a casa. “Não era fácil trabalhar no Canecão. Era tudo muito informal. Apesar de pior, o Canecão era melhor”, contemporiza Gondim.
Representante da realeza da música brasileira que dominou o Canecão nos anos 1970, Roberto Carlos – cujo primeiro grande show, “Roberto Carlos a 200 km por hora!”, estreou na casa em 3 de setembro de 1970 – dá depoimento que valoriza o documentário.
“O Canecão foi um marco importantíssimo na minha vida porque mostrou para o público e para a crítica que eu sabia fazer mais do que fazia na Jovem Guarda”, contextualiza Roberto, ressaltando a importância de Luís Carlos Miele (1938 – 2015) e Ronaldo Bôscoli (1928 – 1994) como produtores do espetáculo em que o artista deixou de ser visto como “cantor de iê-iê-iê”, expressão usada pelo próprio Roberto Carlos no filme.
Além de artistas, Bruno Levinson entrevista funcionários da casa, como garçonetes, o assessor de imprensa Luiz Menna Barreto e o produtor artístico Jerson Alvim, falecido em 2025 aos 83 anos. Alvim teve atuação decisiva na história do Canecão como mediador entre os interesses da casa e as reivindicações dos artistas e empresários. É ótimo o causo contado por ele sobre o breve impasse entre Chico Buarque e Tom Jobim (1927 – 1994) em torno de datas de shows.
O toque de emoção do roteiro fica por conta do reencontro de Elymar Santos com a jornalista Léa Penteado, assessora de imprensa cujo trabalho foi fundamental para tornar bem-sucedido – tanto artisticamente quanto economicamente – o sonho do então desconhecido cantor de se apresentar no Canecão.
Enquanto pega Elymar na casa do artista na Ilha do Governador e o conduz de carro até o Canecão, o diretor Bruno Levinson ouve o cantor recontar a saga de ter empenhado apartamento e carro para alugar o Canecão por uma noite, em 12 de novembro de 1985, em ação ousada que deu certo e rendeu ao cantor o convite, feito durante a ousada apresentação, para fazer outros shows na casa, agora sem precisar alugar o espaço.
Enfim, entre histórias e lendas, o documentário de Levinson lembra que o Canecão abriu as portas para os bailes da pesada que reuniram jovens multidões nos anos 1970, no apogeu do movimento Black Rio. Há também takes dedicados ao afamado show feito no Canecão em 1987 pela banda britânica Echo & The Bunnymen.
Em contrapartida, o roteiro omite a chegada do sertanejo à casa em 1991, com apresentação da dupla Chitãozinho & Xororó, e ignora shows emblemáticos feitos pelas cantoras Elis Regina (1945 – 1982), Gal Costa (1945 – 2022) e Maria Bethânia no Canecão, com a ressalva de que há menções de depoentes às antológicas temporadas dos shows “Brasileiro, profissão: esperança” (1974) – espetáculo que juntou a cantora Clara Nunes (1942 – 1983) e o ator Paulo Gracindo (1911 – 1995) em torno da obra de Antonio Maria (1921 – 1964) e Dolores Duran (1930 – 1959) – e “Chico Buarque & Maria Bethânia” (1975).
Enfim, as emoções foram tantas que não caberiam nos 87 minutos do documentário. Dentro do recorte mais pop oferecido pelo diretor e roteirista Bruno Levinson, o filme “Canecão – Tantas emoções” cumpre a função de ressaltar a magia que envolvia uma casa que, como sentenciou Ronaldo Bôscoli, escreveu parte da história da música brasileira.
Elymar Santos reconta para o diretor Bruno Levinson a saga de ter alugado o Canecão por uma noite em novembro de 1985
Reprodução / Vídeo

Fonte: G1 Entretenimento

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Shakira será atração de uma das três cerimônias de abertura da Copa do Mundo; Anitta também fará apresentação


A cantora Shakira durante o show na Praia de Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, no dia 2 de maio de 2026
Pablo Porciúncula/AFP
A cantora Shakira vai se apresentar na Cidade do México na primeira das três cerimônias de abertura da Copa do Mundo. A brasileira Anitta é atração da festa em Los Angeles.
A cantora colombiana vai apresentar “Dai Dai”, música oficial do torneio, antes da partida de abertura entre o México, um dos países-sede, e a África do Sul, nesta quinta-feira (11). A apresentação será feita ao lado do cantor nigeriano Burna Boy.
A Fifa planejou cerimônias de abertura em cada um dos países anfitriões, com eventos também antes dos jogos inaugurais nos Estados Unidos e no Canadá.
A entidade máxima do futebol mundial divulgou a programação do show no México, que contará ainda com Alejandro Fernández, Belinda, Danny Ocean, J Balvin, Lila Downs, Los Ángeles Azules, Maná e Tyla. A Fifa informou que mais artistas serão anunciados para as cerimônias nos EUA e no Canadá.
Em Toronto, no dia 12 de junho, Alanis Morissette e Michael Bublé serão as principais atrações antes da partida entre Canadá e Bósnia e Herzegovina.
Mais tarde, no mesmo dia, Katy Perry, a estrela do pop Lisa, do grupo BLACKPINK, o cantor nigeriano de afrobeats Rema, a brasileira Anitta e o rapper Future se apresentarão em Los Angeles antes do confronto entre Estados Unidos e Paraguai.
As três cerimônias estão sendo produzidas pelo italiano Marco Balich, responsável pela cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina deste ano. Cada evento será realizado cerca de 90 minutos antes do início das partidas.
Shakira também está entre as atrações principais do show do intervalo da final da Copa do Mundo, em um formato semelhante ao do Super Bowl. A cantora dividirá o palco com Madonna e a banda sul-coreana BTS.
Quando a Copa do Mundo foi disputada pela última vez nos Estados Unidos, em 1994, Diana Ross se apresentou na cerimônia de abertura em Chicago e ficou famosa por errar um pênalti durante o espetáculo.
A música Dai Dai tem como objetivo arrecadar US$ 100 milhões para o Fundo Global de Educação da FIFA Global Citizen.

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Aos 10 anos, me preparava para ser prisioneira política’: Marjane Satrapi, a autora que retratou transformação do Irã sob a Revolução Islâmica

A escritora e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi, que morreu em Paris aos 56 anos, foi uma importante cronista das experiências das mulheres sob as restrições políticas e sociais do regime iraniano.
Ela foi uma das poucas artistas que conseguiu incorporar a história moderna do Irã ao cenário artístico global por meio de uma narrativa inteiramente pessoal.
Com sua obra autobiográfica Persépolis, Satrapi conquistou a atenção internacional e alcançou aclamação mundial. A graphic novel narra a repressão política durante a era do xá Reza Pahlavi — que foi xá do Irã de 1941 a 1979 —, bem como os sombrios e dolorosos primeiros anos da República Islâmica, após a Revolução Iraniana de 1979.
Segundo amigos de Satrapi citados pela imprensa francesa, a morte da autora ocorreu aproximadamente um ano após a morte de seu marido, Matteo Ripa; alguns descreveram sua morte como “por tristeza”.
Em uma mensagem divulgada na quinta-feira (4/6), o presidente francês Emmanuel Macron descreveu Satrapi como “uma grande artista” que transformou sua infância em “uma lenda universal”.
Ele acrescentou que, por meio de “sua perspectiva infantil, seu humor, sua bondade e seus demônios interiores”, ela criou “uma obra universal deslumbrante na qual os leitores se viam refletidos”.
Inúmeros artistas também reagiram à morte de Satrapi.
O cartunista francês Joann Sfar escreveu no Instagram: “Você mudou o mundo com quadrinhos, e você não se importava com quadrinhos. Perdi minha irmã gêmea.”
O autor franco-sírio Riad Sattouf, criador do aclamado quadrinho de memórias O Árabe do Futuro, escreveu: “Seu trabalho abriu um caminho que muitos seguiram; e, acima de tudo, eu.”
Do Irã ao exílio
Marjane Satrapi nasceu em 22 de novembro de 1969, em Rasht, no centro-norte do Irã, em uma família com visões políticas de esquerda.
Sua mãe era descendente do xá Nasser al-Din Xá Qajar, monarca da Pérsia entre 1848 e 1896.
A política estava profundamente entrelaçada com a história de sua família, e vários de seus parentes sofreram prisão ou repressão. Essa memória da violência estatal moldou sua consciência política desde a infância.
Mais tarde, sua família se mudou para Teerã, a capital do Irã, onde ela cresceu. Ela tinha nove anos quando a Revolução Iraniana eclodiu, e sua adolescência coincidiu com o aumento das restrições às liberdades individuais, particularmente a repressão às mulheres e as limitações à liberdade de vestimenta.
Anoosh, tio de Marjane — um membro proeminente do movimento comunista iraniano e alguém com quem ela tinha uma relação muito próxima — foi executado por suas convicções políticas.
Em 1983, aos 14 anos, em plena Guerra Irã-Iraque, ela foi enviada para Viena, onde passou a adolescência isolada.
Após concluir o ensino médio, retornou ao Irã em 1989 e estudou Comunicação Visual na Faculdade de Belas Artes da Universidade Islâmica Azad.
Após um casamento fracassado no Irã, mudou-se para a França em 1994. Até 1997, estudou ilustração em Estrasburgo antes de se mudar para Paris, onde desenvolveu uma carreira em pintura e literatura infantil, além de contribuir para diversas revistas e jornais.
Durante esse período, suas ilustrações foram publicadas na revista The New Yorker e no jornal The New York Times.
A publicação de Persépolis
No início dos anos 2000, Satrapi causou um profundo impacto com a publicação de sua autobiografia em quadrinhos Persépolis, na qual ela relata sua infância sob a República Islâmica e sua dolorosa partida para a Europa.
Empregando um estilo visual simples e páginas em preto e branco, Satrapi retrata a complexidade da sociedade iraniana, bem como as consequências pessoais e políticas da ascensão do Aiatolá Khomeini ao poder.
Como muitos iranianos, sua família esperava ver o fim da monarquia, mas logo se desiludiu com o estabelecimento do novo governo religioso.
Em Persépolis, Satrapi mostra como as escolas adotaram normas islâmicas, o hijab se tornou obrigatório e a vida cotidiana foi remodelada pela pressão ideológica.
Em entrevistas à imprensa francesa, ela afirmou que, aos 10 anos, se preparava para se tornar uma prisioneira política, pois tal possibilidade lhe parecia totalmente plausível. Essa simples declaração ilustra a atmosfera que marcou sua infância.
Os relatos de tortura, prisões e execuções — elementos que faziam parte da realidade de seus primeiros anos — se tornariam, posteriormente, temas centrais em sua obra artística mais importante.
A Guerra Irã-Iraque (1980-1988) — a segunda grande ruptura em sua vida — também ocupa um lugar de destaque no livro.
O conflito transformou os bombardeios aéreos em uma realidade diária e adicionou a violência da guerra à violência política exercida pelo Estado.
No entanto, Satrapi não concebeu sua narrativa como algo puramente trágico. No livro, a adolescência também é apresentada como um período de rebeldia, descoberta musical e desafio.
Ela ouve música ocidental secretamente, usa roupas proibidas e confronta repetidamente a polícia da moralidade. Essa resistência cotidiana se tornaria, eventualmente, um dos temas centrais de sua obra.
Em 2003, ela declarou: “Aquela imagem da mulher vestida de preto — parecendo um corvo — e do homem extremista com barba — o que vocês viram na televisão — é o que o governo permitiu que fosse visto. Mas o Irã é uma ditadura, e uma ditadura não mostra tudo.”
Ela também expressou seu pesar pelo que descreveu como estereótipos em torno de seu país natal.
O primeiro volume de Persépolis ganhou um prêmio no Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França, em 2001.
Seguiram-se mais três volumes e, em 2007, a obra foi adaptada para o cinema pela própria Satrapi, em colaboração com Vincent Paronnaud. O filme ganhou dois prêmios César e o Prêmio do Júri no Festival de Cannes naquele mesmo ano.
À época, ela declarou: “Embora este filme seja universal, eu o dedico a todos os iranianos.”
Uma obra universal
Sua autobiografia em quadrinhos — traduzida para diversos idiomas — permitiu que milhões de leitores compreendessem a Revolução Iraniana, a Guerra Irã-Iraque, o exílio e as contradições da identidade moderna a partir da perspectiva de alguém que vivenciou esses eventos em primeira mão.
O livro recebeu inúmeros prêmios, incluindo o Prêmio da Feira do Livro de Frankfurt e o Prêmio Alex da Associação Americana de Bibliotecas.
Alguns observadores atribuíram o sucesso de Satrapi à sua capacidade de dar forma concreta a conceitos altamente abstratos; uma habilidade que conferiu à sua obra uma linguagem universal e permitiu que leitores do mundo todo se conectassem com Persépolis e com o universo de sua narradora.
Críticos ocidentais frequentemente elogiaram Persépolis por seu humor sutil, simplicidade e eloquência — tanto no texto quanto nas ilustrações — e pelo relato franco de Satrapi sobre a revolução e a cultura iranianas através dos olhos de uma jovem e curiosa observadora.
Ela buscava resgatar a humanidade de pessoas que, na percepção ocidental, são frequentemente reduzidas a meros estereótipos; uma missão que permaneceu presente em toda a sua obra subsequente.
No entanto, o lançamento de Persépolis não foi isento de controvérsias.
Em 2007, o Ministério da Cultura e Orientação Islâmica do Irã apresentou um protesto formal ao departamento cultural da embaixada francesa em Teerã devido à exibição do filme no Festival de Cannes.
Da mesma forma, a Fundação Farabi de Cinema, principal organização estatal de fomento à indústria cinematográfica iraniana, descreveu Persépolis como uma obra “anti-iraniana”, concebida com a intenção de incitar a opinião pública mundial contra a República Islâmica.
O filme também provocou uma onda de protestos quando foi exibido no canal de televisão tunisiano Nessma.
Alguns círculos religiosos, ativistas políticos e internautas classificaram o filme como “blasfemo”, visto que uma de suas cenas retrata Deus em forma humana, um ato que os críticos consideraram como um ato de idolatria.
Outros livros e filmes
Após o sucesso de Persépolis, Satrapi criou outra história em quadrinhos, Bordados, publicada em francês em 2003 e em inglês em 2005.
Um ano depois, ela publicou Frango com Ameixas, que ganhou um prêmio no Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême.
Em 2011, a obra foi adaptada para o cinema, com direção da própria Satrapi e estrelada por Golshifteh Farahani.
Frango com Ameixas conta a história de Nasser Ali Khan, de seu amado târ — instrumento musical de cordas tocado no Irã, transformado em um violino na adaptação cinematográfica — e de seu amor por uma mulher chamada Irã, tudo ambientado em um contexto específico da história iraniana.
Nasser Ali Khan, um músico com predileção por ensopado de frango com ameixas, acaba caindo em profunda depressão e tira a própria vida.
Nessas obras, Satrapi explorou a esfera da vida privada: famílias, segredos e aspirações. Ela demonstrou que a política reside não apenas nas instituições, mas também nas relações humanas.
Ao mesmo tempo, Satrapi não se limitou ao contexto iraniano. Em 2019, ela dirigiu o filme Radioactive.
Trata-se de um drama biográfico centrado em Marie Curie, a cientista pioneira no campo da radioatividade. O filme traça a trajetória de vida de Curie desde sua juventude e seu encontro com Pierre Curie, passando pela descoberta do rádio e do polônio, até a conquista de seus dois Prêmios Nobel.
Além de suas conquistas científicas, o filme examina os desafios que Curie enfrentou como cientista mulher em uma sociedade dominada por homens, bem como as perigosas consequências de suas descobertas.
A visita ao Brasil de Marie Curie, única mulher a ganhar duas vezes o Nobel
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‘Mulher, Vida, Liberdade’
Durante o movimento Mulher, Vida, Liberdade, que surgiu no Irã após a morte da jovem Mahsa Amini, Satrapi tornou-se novamente uma figura proeminente no debate público.
Em 2023 — um ano após o início do movimento — ela publicou a graphic novel Mulher, Vida, Liberdade, em francês e persa, em colaboração com mais de vinte ilustradores, iranianos e de outros países. No Brasil, a obra foi publicada em 2024.
O livro explora as raízes históricas e políticas do movimento.
Na introdução, Satrapi escreveu: “Este livro busca retratar o que está acontecendo no Irã e explicar — da forma mais clara possível para um público não iraniano — os eventos, tanto pequenos quanto grandes e complexos, que ocorreram; é a história de um movimento contínuo que permanece vivo e dinâmico.”
“A segunda missão do livro é dizer aos iranianos que eles não estão sozinhos. Mesmo que os políticos do mundo pensem apenas em termos políticos e não tomem medidas que beneficiem exclusivamente o povo iraniano, a sociedade civil ocidental os apoia”, acrescentou.
“Prova disso é a extraordinária colaboração de artistas ocidentais que nos ajudaram nessa imensa empreitada. Para um artista, o que poderia ser mais valioso do que o apoio artístico?”
Satrapi descreveu os manifestantes iranianos como “lindos e inspiradores”, acrescentando: “O que eu vivi, os jovens estão vivendo agora.”
Ela também enfatizou que uma característica marcante desse período foi a participação conjunta de mulheres e homens nos protestos, o que ela considerou uma fonte de esperança.
Ao longo dos anos, Satrapi se consolidou como uma voz feminista reconhecida internacionalmente, embora ela própria se distanciasse de rótulos.
Seu feminismo era fundamentado na experiência vivida, e não na teoria. Ela sempre enfatizou o direito das mulheres de tomarem suas próprias decisões, tanto na vida pessoal quanto na profissional.
Em diversas ocasiões, afirmou que retornar ao Irã havia se tornado, na prática, impossível. Embora considerasse isso um alto custo pessoal, ressaltou que aqueles que protestavam nas ruas do Irã pagavam um preço infinitamente maior.
Exílio e ativismo
Além de sua experiência de vida no Irã, o exílio desempenhou um papel crucial na formação da identidade de Satrapi.
Em uma entrevista republicada pelo Le Monde após sua morte, ela falou abertamente sobre um período em que viveu na pobreza.
Para ela, o exílio não era simplesmente liberdade; era também uma experiência de profunda ruptura. Essa tensão entre liberdade e perda tornou-se um dos temas centrais de sua obra.
A tensão entre saudade e liberdade marcou toda a sua vida. Ela nunca se desvinculou emocionalmente do Irã, mas também não estava disposta a sacrificar sua liberdade intelectual por nada, nem mesmo por seu país adotivo.
Embora tenha adquirido a cidadania francesa em 2006, não hesitou em criticar abertamente as políticas francesas. Aliás, foi uma das poucas artistas iranianas que criticaram tanto sua própria cultura quanto o Ocidente.
Em 2024, Satrapi recusou a Legião de Honra — a mais alta condecoração do Estado francês — citando o que descreveu como a “política hipócrita” do governo francês em relação ao Irã.
Em sua mensagem de recusa, ela se referiu ao que considerava contradições na política francesa.
Ela argumentou que, enquanto os filhos do que descreveu como a oligarquia governante do Irã podiam passar férias na França com facilidade, jovens iranianos que lutavam pela liberdade não conseguiam sequer obter vistos de turista.
Com essa decisão, ela se juntou a uma lista de artistas e intelectuais proeminentes que rejeitaram a Legião de Honra, incluindo Jean-Paul Sartre, a ganhadora do Prêmio Nobel Annie Ernaux e o economista Thomas Piketty.
Grande parte da obra de Satrapi explorou a interseção entre a experiência pessoal e a história política. Ela demonstrou que uma vida individual pode servir como um espelho para toda uma era histórica.
Por meio de sua arte, ela também mostrou que as histórias em quadrinhos — ainda não totalmente consolidadas no Irã — podem servir como ferramentas de memória e resistência contra a simplificação política.
Seu legado reside na maneira como ela usou histórias pessoais para desafiar visões simplistas do Irã e de seu povo.
Marjane Satrapi, a voz iraniana no exílio que transformou ‘Persépolis’ em literatura universal
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Fonte: G1 Entretenimento

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Ator James Handy, de ‘Top Gun: Maverick’, morre aos 81 anos após ser esfaqueado; filho da namorada é suspeito


Ator James Handy é encontrado morto em LA
Reprodução
O ator James Handy, conhecido por seu papel em “Top Gun”, foi assassinado, segundo divulgou o site norte-americano TMZ nesta quinta-feira (4). Handy, de 81 anos, foi encontrado em frente a uma casa em Los Angeles com uma facada no peito.
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A polícia de Los Angeles trata o enteado de Handy, Michael Gledhill, de 44 anos, como o principal suspeito. Segundo as autoridades, Gledhill ligou para a polícia e afirmou: “Eu sou o filho do homem. Acabei de matar o homem do pecado”.
Gledhill, que é filho da namorada de Handy, foi detido e autuado por homicídio, com fiança estipulada em US$ 2 milhões. Até o momento, a polícia não revelou o que teria motivado o assassinato.
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Com uma carreira que atravessou mais de cinco décadas, James Handy se tornou um rosto conhecido do público ao participar de mais de 100 produções para o cinema e a televisão. Sua morte trágica causou comoção entre fãs e colegas da indústria do entretenimento.
Veterano da televisão e do cinema norte-americano, James Handy acumulou mais de 100 créditos na carreira ao longo de cinco décadas de atuação. Conhecido por participações em produções como Top Gun: Maverick, Jumanji e Arachnophobia, o ator era uma figura recorrente em Hollywood. Sua morte em circunstâncias violentas encerra uma trajetória marcada por trabalhos em dezenas de filmes e séries de sucesso.

Fonte: G1 Entretenimento

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Rodrigo Lessa e Edu Neves partem do choro em direção ao jazz na rota latina do álbum autoral ‘Tempo de samba’


Rodrigo Lessa (à esquerda) e Eduardo Neves tocam nove temas autorais no álbum ‘Tempo de samba’
Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ “Tempo de samba” é titulo a rigor redutor para o álbum lançado ontem, 3 de junho, pelo bandolinista e violonista Rodrigo Lessa com o flautista e saxofonista Edu Neves. Como ressalta o violonista Luís Filipe de Lima em texto escrito para apresentar o álbum “Tempo de samba”, Lessa e Neves são músicos pertencentes a uma geração que, partindo do choro, seguiram rota latina que desaguou em gêneros como jazz e, claro, samba, geralmente em clima de gafieira moderna.
É nesse caminho que Rodrigo Lessa (bandolim) e Edu Neves (flauta e sax soprano) transitam mais uma vez ao longo das nove músicas autorais que compõem o repertório essencialmente inédito do álbum “Tempo de samba”, gravado com arranjos e produção musical de Lessa.
Com exceção de “No gurufim do Tio Sam”, parceria dos artistas lançada em disco de 2004, as demais oito músicas são inéditas. Sozinho, Rodrigo Lessa assina “Tererô”, “Montuno carioca”, “Manual prático para uma boa vadiagem” – homenagem aos malandros de tempos idos da Lapa, bairro do Centro do Rio de Janeiro (RJ) de contornos lendários na memória musical carioca – e “Samba infinito”.
Já Edu Neves assina sozinho “Maxixe acebolado” e “Nelson”. Juntos, além da supracitada música “No gurufim do Tio Sam”, os músicos parceiros – que já integraram juntos o grupo carioca Pagode Jazz Sardinha’s Club – são autores de “Capataz Dionízio” e “Tô cãozinho”.
Todo esse repertório foi gravado por Rodrigo Lessa e Edu Neves no álbum “Tempo de samba” na ótima companhia de virtuoses como Antonio Neves (trombone), Bruno Barreto (percussão), Carlinhos 7 Cordas (violão de sete cordas), Luís Louchard (violão), Lucas Videla (percussão) e Marcus Thadeu (bateria e percussão).
Capa do álbum ‘Tempo de samba’, de Rodrigo Lessa & Edu Neves
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Lilia Cabral imprime a leveza de Rita Lee em ‘Balada da louca’, peça sobre como é ser humano em horas de partida


Lilia Cabral interpreta Rita Lee (1947 – 2023) no monólogo musical ‘Rita Lee – Balada da louca’
Cauê Moreno / Reprodução Instagram ‘Rita Lee – Balada da louca’
♫ CRÍTICA DE MONÓLOGO MUSICAL
Título: Rita Lee – Balada da louca
Atuação: Lilia Cabral
Dramaturgia e idealização: Guilherme Samora
Direção: Beatriz Barros
Direção musical: Dani Nega
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♬ Rita Lee tinha 73 anos e 37 quilos em 9 de abril de 2021 quando recebeu o diagnóstico de câncer no pulmão e vivenciou situação em que “a gente se olha e não sabe se vai ou se fica”, como a artista já tinha resumido, há 50 anos, em verso da existencialista balada “Coisas da vida” (1976).
Rita Lee Jones (31 de dezembro de 1947 – 8 de maio de 2023) ficou durante mais dois anos no plano físico e, nesse tempo, escreveu um segundo livro de memórias, fazendo com verve a crônica dos dias de luta diante da morte anunciada pelos médicos, que lhe deram o prognóstico de mais alguns meses de vida no momento do diagnóstico.
Lançado em 22 de maio de 2023, já em caráter forçosamente póstumo, o livro “Outra autobiografia” deu sequência à narrativa de “Uma autobiografia” (2016) – um dos maiores best-sellers do mercado literário brasileiro nos últimos dez anos – e, três anos depois, se tornou a base do espetáculo teatral “Rita Lee – Balada da louca”, protagonizado por Lilia Cabral e estreado em 22 de maio de 2026 no Teatro Faap, na cidade de São Paulo (SP), onde ficará em cartaz até 9 de agosto.
Idealizado por Guilherme Samora, que adaptou o texto do livro para o palco, “Rita Lee – Balada da louca” não se enquadra na moldura do musical de teatro. É, antes, um monólogo pontuado por música.
Aliás, já na abertura da peça, Lilia Cabral dá voz (bem colocada, em tons baixos evocativos do canto de Rita Lee) ao sucesso “Nem luxo nem lixo” (1980), um dos muitos hits da parceria de Rita com Roberto de Carvalho, cujo piano é ouvido em off ao longo do espetáculo orquestrado sob direção musical de Dani Nega.
Embora costurada pela leveza e pela mordacidade típica da escrita de Rita, a narrativa do livro “Outra autobiografia” expõe sem pudor e sem autopiedade a progressiva decadência física da roqueira na medida em que foram aparecendo outros tumores pelo corpo da artista, inclusive na cabeça.
No palco, o texto ganha tons mais suaves, até porque “Balada da louca” constrói aura sagrada em torno de Santa Rita de Sampa, mas a essência do livro está lá.
Atriz excepcional, paulistana como Rita Lee, Lilia Cabral personifica a artista com naturalidade, em tons sempre serenos, indo do riso ao choro em menos de um minuto. Contudo, as lágrimas eventuais da atriz – símbolos dos momentos em que Rita se permitiu chorar diante da morte do corpo que já se insinuava inevitável – jamais pesam o clima.
Sem apelar para o sentimentalismo, traço inexistente na escrita da roqueira, o monólogo “Rita Lee – Balada da louca” evolui com permanente leveza ao longo de 70 minutos. A graciosidade da peça se estende à direção de Beatriz Barros, sensível, por exemplo, ao simbolizar no manejo do acordeom o movimento de abrir e fechar os pulmões.
O único estranhamento do texto é o momento em que, já perto do fim do monólogo, Lilia Cabral sai da personagem para ser ela mesma em depoimento confessional sobre a admiração que sempre nutriu por Rita Lee desde a adolescência. Mas Lilia Cabral logo volta a ser Rita Lee neste espetáculo simpático, de energia boa, que complementa o musical biográfico estrelado pela atriz Mel Lisboa.
E, no fim das contas, Lilia Cabral, uma das maiores atrizes do Brasil, devota de Santa Rita de Sampa, sempre vale o ingresso de qualquer espetáculo, inclusive desse monólogo arrematado com a marcha pop foliã “Dias melhores virão” (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1989), como se sinalizasse que, “depois da estrada, começa uma nova avenida”…
Lilia Cabral protagoniza espetáculo baseado no segundo livro de memórias de Rita Lee (1947 – 2023), ‘Outra autobiografia’, lançado em 2023
Mauro Ferreira / g1

Fonte: G1 Entretenimento

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20 hits em 20 anos: como ‘Minha Mulher Não Deixa Não’ virou um ‘brega-resenha’ de sucesso em 2010


A história de ‘Minha mulher não deixa não’, a ‘resenha’ que virou brega de sucesso em 2010
No finzinho de 2010, Reginaldo Alves da Silva provou que, para fazer um hit, você não precisa de muito: basta um teclado e uma esposa bem ciumenta.
Ao transformar a clássica desculpa “Vou não… Minha mulher não deixa não” em música, o artista deu vida a um refrão chiclete que dominou o país inteiro.
Esta matéria faz parte da série “20 hits em 20 anos”, que está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do “20 hits em 20 anos” para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop aqui.
A história dessa música começa, como sempre, na mesa de um bar. E o enredo é todo baseado em dores reais.
Reginho, que já tinha anos de estrada na música, costumava dizer por aí que, entre os amigos, ele carregava a fama de ser o “pau mandado da mulher”. Decidiu transformar a “sina”, então, em uma letra.
Reginho, dono do brega ‘Minha Mulher Não Deixa Não’, hit de 2010.
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Diferente das produções da época, contudo, o brega não foi lançado por meio de uma grande gravadora, mas sim, por um vídeo amador postado no YouTube.
A imagem era simples: quatro amigos, na beira da praia de Maria Farinha, em Pernambuco, fazendo uma coreografia toda desengonçada que rapidamente virou febre nacional.
Em pouco tempo, o “Vou não, quero não” já estava na boca de jogadores de futebol e ganhava versões de artistas de todos os gêneros, do sertanejo ao axé.
O sucesso foi tão grande que o grupo Reginho e Banda Surpresa chegou a fazer mais de 50 shows por mês, na época, e foi disputado por quase todos os programas de auditório do país.
Mas o destino, imprevisível como é, pregou uma peça na trajetória da banda.
No auge do sucesso, já em 2011, o grupo sofreu um acidente de ônibus na Bahia que acabou vitimando um dos integrantes e deixou Reginho ferido.
Depois disso, nada foi o mesmo. A banda se desfez, e Roginho, nunca mais conseguiu emplacar outro sucesso comercial do tamanho que foi seu “brega-resenha” sobre ciúmes.
Ainda assim, “Minha Mulher Não Deixa Não” ficou eternizada como um dos grandes marcos dessa cultura “meme que vira música, música que vira meme”.
A faixa foi a prova de que uma boa sacada e um refrão chiclete podem transformar qualquer um em estrela… mesmo que seja só por um verão.

Fonte: G1 Entretenimento