Queimada atingiu quatro casas, na Ilha do Bananal, no último domingo (1º). Lideranças querem que governo contrate brigadistas indígenas para atuar contra os incêndios florestais. Indígenas cobram a presença de brigadistas nas aldeias para ajudar no combate a incêndios
Ciclistas que fazem a travessia da Ilha do Bananal estão fazendo uma campanha para arrecadar roupas e utensílios a indígenas que perderam tudo, após um incêndio no último domingo (1º). O fogo se espalhou rapidamente e destruiu quatro casas na aldeia Fontoura. Famílias perderam colchões, roupas de cama e outros utensílios domésticos.
“Quem tiver, procure a gente no @pedaisetrilhas. Estamos recolhendo para mandar para esse pessoal. Qualquer coisa que você tiver, vai ser de suma importância”, disse o voluntário Júnior Parriul
Nesse período de seca, os registros de queimadas nas terras indígenas aumentam. Por causa disso, os povos têm cobrado a presença de brigadistas nas áreas.
Lideranças se reuniram, nesta terça-feira (3), em Palmas, para cobrar um apoio com a presença de brigadistas nos territórios.
“Desde 2016, 2017, a gente começou uma luta para formar um grupo de brigadistas para trabalhar dentro do nosso território. Esse ano, o Ibama deu esse curso para nós, conseguimos formar um grupo de 13 brigadistas Krahô-Canela e nós viemos buscar apoio de contratação para esses brigadistas atuarem, tanto nas terras indígenas, quanto no entorno que têm ribeirinhos, assentados”, afirmou o presidente da associação etnia Krahô Wagner Krahô-Canela.
Apesar da cobrança, o governo estadual já informou que não é possível fazer a contratação dos indígenas. “Podemos ajudar de outra forma, com projetos de desenvolvimento, com assistência técnica rural de outras maneiras e isso a gente vai entrar em contato com eles posteriormente”, disse a diretora de gestão ambiental do estado, Marli Santos.
O Conselho Missionário Indigenista afirma que já enviou equipamentos para algumas comunidades, com a intenção de ajudar nos combates. “Foram entregues 60 bombas costais para comunidades indígenas, abafadores e outros materiais para que eles possam lá na sua comunidade defender o território e apagar os incêndios. O Ibama também faz o seu trabalho de formação”, disse a coordenadora CIMI de Goiás e Tocantins, Elaine Martins.
Casas foram destruídas por incêndio em aldeia na Ilha do Bananal
Reprodução
Incêndio
Segundo Eliana Karajá, liderança indígena que pertence a aldeia Santa Isabel, o fogo foi ateado em uma casa após um crime de violência contra a mulher. O filho da vítima teria presenciado as agressões. “Soubemos que o filho viu o pai bater na mãe e, para tentar defender, tocou fogo na casa. Com o vento forte, o fogo se espalhou para mais três casas”, contou.
A mulher agredida foi levada por uma equipe médica ao hospital de São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, com um ferimento no olho.
Eliana Karajá conta que as quatro famílias que tiveram as casas atingidas precisam de ajuda. “Estamos tentando levantar alguma ajuda. Arrecadar cobertores, colchões, vasilhas, utensílios domésticos. Estamos tentando ajudar essa mulher e as outras famílias que perderam tudo”.
A liderança afirma que casos de agressões são frequentes. “A violência esta dentro das aldeias e estamos fazendo grito de socorro o tempo inteiro. A gente não vê interesse público para proteger as mulheres indígenas. A nossa vida não importa”, desabafou a mulher, que afirmou que fará um boletim de ocorrência.
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Fonte: G1 Tocantins