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Alvo de críticas de Bolsonaro, BNDES abre informações de empréstimos

Brasília

Alvo de críticas do presidente eleito, Jair Bolsonaro, o BNDES decidiu abrir ao público informações de empréstimos e investimentos feitos pelo banco nos últimos anos.

Ao anunciar o nome do futuro presidente do banco estatal, Joaquim Levy, Bolsonaro disse que, em seu governo, a caixa-preta do BNDES seria aberta.

Ele se refere a empréstimos feitos pelo banco, nas gestões do PT, a empresas que acabaram investigadas pela operação Lava Jato, como Odebrecht e JBS.

A maior parte das informações, contudo, já está disponível no site do banco, após anos de pressão do TCU (Tribunal de Contas da União) e de parlamentares por maior transparência.

Até 2015, o BNDES mantinha sob sigilo boa parte dos detalhes das operações, como a taxa de juros do financiamento e o saldo das operações de crédito. Isso começou a cair quando, naquele ano, o banco perdeu uma causa no STF (Supremo Tribunal Federal) após tentar proteger do envio de dados ao TCU.

Após a derrota, o BNDES enviou todo seu banco de dados ao TCU, em 2016. E no ano passado os dois passaram a discutir a abertura dos dados no site do banco, o que foi concluído agora.

Nesta terça-feira (27), o banco informou que passou a publicar também informações sobre investimentos feitos pela BNDESPar, braço de aplicação em renda variável do banco, desde 2012.

Em seminário no TCU, o superintendente da área de planejamento do banco, Maurício Neves, disse esperar que, com a divulgação de dados, a pecha de caixa-preta entre em desuso.

“Hoje o BNDES é uma caixa transparente, e gostaríamos que a percepção coletiva fosse essa”, afirmou.

Até janeiro, segundo executivos do BNDES, serão abertos dados desde 2007, o que dará acesso a informações sobre investimentos feitos pelo banco na JBS usados n internacionalização da empresa. Com o dinheiro do BNDES, a JBS se transformou na maior empresa de proteína animal do mundo.

Um dos alvos preferenciais dos críticos são os empréstimos a exportações de serviços no exterior, como a construção de obras em países como Venezuela, Cuba, Moçambique e República Dominicana.

Desde que estourou a Lava Jato, o BNDES não concedeu mais empréstimos para essa finalidade. Moçambique e Venezuela deixaram de pagar o banco, gerando custos para honrar a garantia ao Tesouro Nacional. Cuba está indo pelo mesmo caminho.

O ministro do TCU, Augusto Sherman, elogiou a iniciativa do banco, mas enfatizou que transparência não é apenas divulgar os dados, mas explicar o que de fato ocorreu e quais os impactos das decisões do banco na economia.

“O BNDES está em processo de transparência”, afirmou, ao ser perguntado se o banco deixou de ser caixa-preta.

Ele lembrou que o TCU apontou indícios de irregularidades em duas fiscalizações concluídas recentemente: investimentos feitos na JBS, em 2011, e os empréstimos a construtoras para obras no exterior.

Em ambas, diz Sherman, o banco não esclareceu suspeitas de desvio de finalidade, favorecimento e dano ao Estado.

No caso das construtoras, o TCU quer que o BNDES demonstre que os empréstimos ajudaram a gerar empregos e renda no Brasil.

“Só o esclarecimento dessas informações vai dar transparência às atividades do banco”, disse Sherman.

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Após prometer 15, Bolsonaro diz que número de ministérios não “chega a 20” 12

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), afirmou que o número total de ministérios em seu governo não deverá ser superior a 20, mas evitou definir um número em entrevista nesta terça-feira (27).

Segundo Bolsonaro, a estrutura do novo governo deverá ser apresentada na quarta-feira (28) pelo futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

“Não vai chegar a 20 não, tá? 20 [ministérios] no máximo ali”, disse Bolsonaro, ao ser questionado por jornalistas.

A ideia inicial anunciada por Bolsonaro ainda durante a campanha era ter 15 ministérios. Hoje, o governo Michel Temer conta 29 ministros, entre chefes de pastas e outros cargos com status ministerial, como os responsáveis pela AGU (Advocacia-Geral da União) e pelo Banco Central.

Segundo Bolsonaro, não será possível atingir o número de 15 ministérios pois foi preciso manter algumas pastas para preservar a qualidade da gestão, além de órgãos que por lei deverão manter o status de ministério.

“Porque a gente vai vendo, por uma governabilidade até, nós não podemos sobrecarregar demais uma pessoa num ministério, então refizemos alguma coisa e, no meu entender, [teremos] metade do que temos atualmente com toda a certeza”, disse Bolsonaro, talvez se referindo ao número de ministérios em governos anteriores, que já chegou a ser de 39 pastas no governo da presidente Dilma Rousseff (PT), por exemplo.

Segundo Bolsonaro, a ideia é manter os responsáveis pela AGU e pelo Banco Central com status de ministro.

“[Foi] onde nós nos perdemos um pouquinho, queríamos 15 ministérios, e alguns por questão de funcionalidade, nós tivemos que manter o status de ministério”, disse.

O chefe do Banco Central deverá manter o status de ministro até que a independência da autoridade monetária seja aprovada pelo Congresso Nacional.
Toma lá, dá cá

Com a indicação de nomes de fora da política partidária para alguns dos ministérios, o pesselista disse pretender por fim ao modelo de trocar cargos no governo por votos no Congresso.

“O modelo que vigora ainda, de ministérios por votos, não deu certo, mergulhou o Brasil numa ineficiência e mergulhou numa corrupção, os parlamentares mesmo não querem mais isso, porque alguns foram levados para o olho do furacão no vácuo, não queriam estar lá”, disse.

“E grande parte deles, todos com quem temos conversado, acham que o modelo que temos adotado não é o que pode dar certo, é o que tem que dar certo”, afirmou Bolsonaro.
Novos indicados

Bolsonaro disse esperar confirmar nesta quarta a indicação do futuro ministro do Meio Ambiente. Ele disse que tem conversado com duas pessoas e que o cargo não deverá ser ocupado por um militar, como em outros postos importantes do futuro governo.

“Meio ambiente, apesar de eu ser verde, não será [um] militar”, disse, em tom descontraído.

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Bolsonaro anuncia Tarcísio Gomes de Freitas como ministro da Infraestrutura 52

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), anunciou nesta terça-feira (27), por meio do Twitter, que o consultor legislativo Tarcísio Gomes de Freitas será o ministro da Infraestrutura no próximo governo.

Segundo Bolsonaro, Freitas é formado pelo IME (Instituto Militar de Engenharia), atua como consultor legislativo na Câmara dos Deputados e já foi diretor do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Boa tarde! Comunico em primeira mão a indicação do Sr. Tarcísio Gomes de Freitas, formado pelo Instituto Militar de Engenharia, Consultor Legislativo da Câmara Federal e ex-diretor do DNIT, ao Ministério da Infraestrutura.
— Jair M. Bolsonaro (@jairbolsonaro) November 27, 2018

O presidente eleito deu uma entrevista à imprensa ao lado de Gomes de Freitas. “Estou muito tranquilo e feliz com essa indicação. Agradeço a parte dele de aceitar o convite porque os desafios da parte dele são enormes”, declarou.

Atualmente, não existe um ministério com essa denominação. A pasta será criada pelo novo governo.

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A pasta da Infraestrutura deverá ter as mesmas atribuições da atual pasta dos Transportes, cuidando de rodovias, ferrovias e aeroportos, por exemplo. Está em estudo a criação do Ministério do Desenvolvimento Regional, que reuniria as responsabilidades dos atuais ministérios das Cidades e da Integração Nacional.

Pela manhã, o futuro ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS), apresentou a Bolsonaro uma proposta de estruturação ministerial, conversa que se estendeu ao longo do dia, segundo um assessor.

Além de auxiliares e futuros ministros, como Paulo Guedes (Economia), Sergio Moro (Justiça), Tereza Cristina (Agricultura) e Ernesto Araújo (Relações Exteriores), passaram pelo CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) — onde o governo de transição está baseado — ,nesta terça, o embaixador do Peru, Vicente Rojas, e o deputado federal Celso Russomanno (PRB-SP), cotado para assumir a pasta que abrigará Cidades. Ele, porém, preferiu não comentar as sondagens.

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Com Dilma, país tem 3 dos 5 ex-presidentes réus na Lava Jato

São Paulo

A Operação Lava Jato e seus desdobramentos colocaram 3 dos 5 ex-presidentes vivos do Brasil na condição de réus perante à Justiça. Também estão denunciados um outro ex e o atual ocupante do Palácio do Planalto.

O caso mais recente envolve a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ela se tornou ré na sexta-feira (23), ao lado do seu antecessor e padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva, acusada de integrar organização criminosa.

Segundo denúncia apresentada em setembro de 2017 pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e acolhida na Justiça Federal do Distrito Federal na última sexta, Dilma e Lula tiveram participação em um esquema montado para coletar propinas de R$ 1,48 bi entre 2002 e 2016. As vantagens teriam sido pagas em contratos da Petrobras, do BNDES e do Ministério do Planejamento.

A acusação partiu de delações firmadas no âmbito da Lava Jato envolvendo empreiteiras e ex-diretores da Petrobras.

Lula, além de réu na ação ao lado de Dilma, está preso desde abril no caso do tríplex em Guarujá (SP), no qual é acusado de ter recebido propina da construtora OAS.

Ele também responde a outras duas ações na Justiça Federal do Paraná, ambas em estado avançado, e mais três no Distrito Federal. Na ação do sítio de Atibaia, ele é acusado de corrupção e lavagem de dinheiro por meio de reformas e benfeitorias bancadas pelas empreiteiras OAS e Odebrecht na propriedade rural que ele frequentava no interior de São Paulo. Ele também é acusado de ser beneficiado pela Odebrecht mediante a compra de um terreno para o Instituto Lula, em São Paulo. O petista nega todas as acusações

Outro ex-presidente réu na Justiça é o atual senador Fernando Collor (PTC-AL), acusado na Lava Jato pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro, relacionados à BR Distribuidora. A denúncia da PGR foi acolhida em agosto de 2017 por unanimidade pela Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal).

À época, o senador afirmou por meio de nota que o resultado do julgamento no STF foi “uma derrota” para a PGR, porque os ministros só receberam uma parte da denúncia. E que, “como já fez no passado, terá oportunidade de comprovar sua inocência” ao longo do processo.

Collor é também investigado em outros inquéritos decorrentes da Lava Jato no Supremo.

Presidente de 1985 a 1990, José Sarney (MDB) foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República em 2017, ao lado de senadores do MDB, acusado de receber recursos desviados de contratos da Transpetro, subsidiária da Petrobras. O caso aguarda análise no Supremo.

O tucano Fernando Henrique Cardoso chegou a ser alvo em uma petição, encaminhada à Justiça Federal de São Paulo, derivada da delação da Odebrecht, em 2017, que tratava de um depoimento do empreiteiro Emílio Odebrecht. O empresário havia citado em depoimento o “pagamento de vantagens indevidas” para a campanha do tucano à Presidência, nos anos 1990. No entanto a Justiça arquivou a petição meses depois, considerando que eventuais irregularidades prescreveram.

O grupo dos ex-presidentes que viraram réus pode crescer em 2019. O atual presidente, Michel Temer, foi denunciado como destinatário de propinas da Odebrecht e do grupo JBS – esta última gerou duas denúncias, ambas barradas pela base aliada do emedebista na Câmara dos Deputados no ano passado.

Os dois casos –acusação de corrupção passiva na primeira e obstrução da Justiça e organização criminosa, na segunda– estão congelados e só voltam a tramitar em 2019, após o fim do mandato de Temer. Ele também é investigado em outro inquérito, que apura se ele beneficiou empresas ligadas ao porto de Santos.

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Elite econômica abriu mão de seu verniz ao eleger Bolsonaro, diz Haddad

São Paulo

Candidato a presidente derrotado nas eleições, Fernando Haddad (PT-SP) diz que há dois anos previa que a “extrema direita” teria espaço na política nacional. Afirma que errou em uma previsão: a de que João Doria (PSDB-SP) lideraria esse campo como um “PSDB bolsonarizado”.

Em sua primeira entrevista desde a eleição, Haddad afirma que não pretende dirigir o PT nem sua fundação, mas que militará pela formação de frentes em defesa dos direitos sociais e civis.

Para ele, a eleição de Jair Bolsonaro (PSL) mostrou que o país vive num sistema híbrido, em que o autoritarismo cresce dentro das instituições democráticas.

O resultado das eleições deste ano já foi definido como tsunami, implosão do sistema. Qual é a sua visão, de quem foi o derrotado? [sorrindo] Antes de mim tiveram uns 12 [derrotados], né?

O senhor personificou a derrota. Há dois anos, eu te dei uma entrevista. E talvez tenha sido um dos primeiros a dizer: “É muito provável que a extrema direita tenha espaço na cena política nacional”.

Eu dizia: “Existe uma onda que tem a ver com a crise [econômica] de 2008, que é a crise do neoliberalismo, provocada pela desregulamentação financeira de um lado e pela descentralização das atividades industriais do Ocidente para o leste asiático”.

Os EUA estavam perdendo plantas industrias para a China. E a resposta foi [a eleição de Donald] Trump. Isso abriria espaço para a extrema direita no mundo. Mas a extrema direita dos EUA não tem nada a ver com a brasileira. Trump é tão regressivo quanto o Bolsonaro. Mas não é, do ponto de vista econômico, neoliberal. E o chamado Trump dos trópicos [Bolsonaro] é neoliberal.

Trump apoia Bolsonaro. Ele precisa que nós sejamos neoliberais para retomar o protagonismo no mundo, e tirar a China. Está havendo, portanto, um quiproquó: os EUA negam o neoliberalismo enquanto não nos resta outra alternativa a não ser adotá-lo.

E por quê? A crise mundial acarretou a desaceleração do crescimento latino-americano e a consequente crise fiscal. No continente todo houve a ascensão de governos de direita —no caso do Brasil, de extrema direita.

Por que o centro político não conseguiu responder a essa crise? Eu imaginava [há dois anos] que o [João] Doria, que é essencialmente o Bolsonaro, fosse ser essa figura [que se elegeria presidente]. Achava que a elite econômica não abriria mão do verniz que sempre fez parte da história do Brasil. As classes dirigentes nunca quiseram parecer ao mundo o que de fato são.

O quê? O Bolsonaro. Já o Doria seria um PSDB bolsonarizado, mas com aparência tucana. Eu apostava nele.

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Alvos da Lava Jato pressionam Câmara a votar mudanças na lei, e Moro reage

Brasília

Um grupo de parlamentares de partidos envolvidos nas investigações da Lava Jato pressiona o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a colocar em votação nas próximas semanas projeto que altera as regras de execução penal no Brasil, afrouxando a punição a diversos crimes, incluindo os de colarinho branco.

Integrantes do PP —uma das siglas mais implicadas no escândalo da Petrobras e a terceira maior bancada na Câmara—, entre outros partidos, dizem ser essa uma das condições para o apoio a Maia, que tentará a reeleição ao cargo em fevereiro.

Questionado se irá colocar o projeto na pauta de votações, o presidente da Câmara afirmou: “Estou estudando o assunto e ouvindo algumas pessoas antes de decidir”.

Investigado em inquérito decorrente de delação da Odebrecht, ele nega que haja colegas propondo o apoio em troca da votação. “As condições pra votar este e outros projetos é que possam caminhar em harmonia com os outros Poderes e o Ministério Público.”

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Bolsonaro anuncia general Santos Cruz para Secretaria de Governo 33

O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), anunciou nesta segunda-feira (26) o general Carlos Alberto dos Santos Cruz para a Secretaria de Governo. Uma das atribuições da pasta é cuidar da relação do Planalto com o Congresso.

Se a Secretaria de Governo mantiver o status de ministério, Santos Cruz será o 14º ministro anunciado por Bolsonaro e o quarto militar a integrar o ministério de Bolsonaro. O presidente eleito, entretanto, tem afirmado que pretende reduzir o número de pastas na Esplanada.

Os generais da reserva Augusto Heleno e Fernando de Azevedo e Silva vão chefiar respectivamente o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) e o Ministério da Defesa, e o astronauta Marcos Pontes, tenente-coronel reformado, será responsável pela pasta da Ciência e Tecnologia. Além deles, o vice-presidente, Hamilton Mourão, é general da reserva do Exército.

Santos Cruz foi secretário Nacional de Segurança Pública entre 2017 e 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB), e comandou duas missões de paz das Nações Unidas, no Haiti (2007-2009) e na República Democrática do Congo (2013-2015). Em junho deste ano, deixou o posto para atuar como consultor da ONU.

O general declarou apoio a Bolsonaro durante a campanha eleitoral, mas não é vinculado a partidos políticos nem tem ligação com a equipe do presidente eleito. Apesar de estar na reserva, ele é considerado uma grande liderança entre militares da ativa e da reserva, segundo as fontes ouvidas pelo UOL.

Santos Cruz assumirá o posto que hoje é ocupado pelo deputado Carlos Marun (MDB-RS), da tropa de choque do presidente Michel Temer.

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Reclame Aqui já soma 2.794 reclamações referentes à Black Friday

Com dois dias de acompanhamento das promoções de Black Friday, o site Reclame Aqui já somava 2.794 reclamações na atualização feita às 11 horas desta sexta-feira (23). Na lista de produtos com mais reclamações, as passagens aéreas apareceram pela primeira vez no ranking, ocupando a terceira posição, com 5,1% de representatividade.

Smartphones e celulares seguem na liderança, com 10,5%, acompanhados por TV, 6,5%, e tênis, 4,3%. Na quinta colocação, com 2,8%, aparece o cartão de crédito.

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Propaganda enganosa é mais uma vez o maior motivo de queixa, com 12,6% dos registros. Divergências de valores e problemas na finalização da compra são os outros dois motivos mais reclamados, com 8,4% e 6,7%, respectivamente.

Entre os estados com maior número de reclamações, São Paulo é o primeiro, com 41%, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais, empatados com 11%.

O total de reclamações no site em 2017 foi de 3.500, no entanto, o acompanhamento havia começado mais tarde, às 18 horas de quinta-feira –este ano, a análise foi iniciada às 11 horas da última quarta-feira (21). Em 2016, que teve o mesmo tempo de análise de 2017, o total de reclamações foi de 2.900.
Comércio digital lidera

Já preparado para esse cenário e com plantão especial para a data, o Procon-SP divulgou no fim da manhã a primeira parcial das empresas mais reclamadas da sexta-feira de descontos desse ano. Novamente, o comércio digital lidera a insatisfação dos clientes.

A Cnova Comércio Eletrônico, responsável pelos sites casasbahia.com, extra.com e pontofrio.com, é a primeira colocada em reclamações, somando 30 desde a madrugada.

Em seguida vem a B2W Companhia Digital, responsável por americanas.com, submarino, shoptime e soubarato, com 15 reclamações.

As primeiras colocadas trabalham exclusivamente com e-commerce e são seguidas por Dell Computadores do Brasil LTDA (nove reclamações), Magazine Luiza S/A (cinco) e Carrefour Comércio e Indústria LTDA (quatro).
Desconto maquiado

O problema mais registrado, com 34,23% das insatisfações, foi o de maquiagem de desconto, quando o consumidor considerou que a oferta não foi verdadeira.

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STF deve adiar julgamento sobre leis que tentam implantar a Escola Sem Partido

O STF (Supremo Tribunal Federal) deve adiar o julgamento da constitucionalidade de leis que tentam implantar a Escola Sem Partido em cidades e estados do país. Ele estava previsto para a quarta (28).
RELÓGIO 

A análise do indulto para presos concedido por Michel Temer em 2017 acabou não sendo encerrada na quarta (21) e deve voltar à pauta na próxima semana. O atraso deve cancelar a votação da Escola Sem Partido.
DEDO-DURO 

A tendência da corte é derrubar as tentativas de implantação das regras nas salas de aula. Nas liminares que concedeu suspendendo as leis, o ministro Luís Roberto Barroso já disse que elas têm “o propósito de constranger e de perseguir aqueles [professores] que eventualmente sustentem visões que se afastam do padrão dominante”.
PRESSÃO MÁXIMA 

A pressão sobre o STF, no entanto, tem sido intensa. Magistrados foram procurados nesta semana para que suspendam o julgamento da questão por prazo indeterminado.
REZA BRAVA 

O tema virou ponto de honra para o presidente Jair Bolsonaro e parlamentares que o apoiam —em especial os evangélicos.
POR FAVOR 

Ministros já foram procurados por mensageiros da deputada federal eleita Bia Kicis (PRP-DF), por exemplo, que apelavam pela suspensão da votação.
SAI FORA 

A parlamentar não é exatamente bem vista na corte: é dela a ideia de antecipar a aposentadoria de ministros do tribunal para que Bolsonaro possa indicar um número maior de magistrados durante seu governo.
EU ROBÔ 

A CGU (Controladoria-Geral da União) desenvolveu um sistema para análise de prestação de contas cadastradas no Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse (Siconv). A nova tecnologia vai avaliar se as contas seriam aprovadas ou rejeitadas.
EU ROBÔ 2 

A ferramenta de inteligência artificial também vai emitir alertas de indícios de irregularidades. São mais de 15,3 mil prestações de contas pendentes, num total de R$ 16,7 bilhões.

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Lava Jato prende ex-dirigentes do Petros e pede prisão de dono da OAS

Na 56ª fase da Operação Lava Jato, a Justiça Federal do Paraná determinou a prisão preventiva nesta sexta-feira (23) de dois ex-presidentes do Petros, fundo de pensão da Petrobras, e a prisão temporária do atual do dono da empreiteira OAS, César Mata Pires Filho.

No total, foram expedidos 22 mandados de prisão por desvios na construção da sede da Petrobras na Bahia. Pires Filho, que era vice-presidente da OAS na época da construção da torre, não foi preso porque está em viagem aos EUA. Ele prometeu se entregar neste domingo (25).

O prédio, apelidado de Torre Pituba, foi construído com recursos da Petros com a finalidade de ser alugado pela companhia.

O custo estimado do projeto foi de R$ 1,3 bilhão –dos quais pelo menos R$ 68 milhões foram desviados em pagamento de propina, segundo o Ministério Público Federal.

Os ex-presidentes da Petros com mandados de prisão preventiva são Luís Carlos Fernandes Afonso e Carlos Fernando Costa. O primeiro ainda não foi detido: Luís Carlos vive em Portugal e tem cidadania portuguesa (a Justiça pediu a emissão de alerta à Interpol). Outro ex-dirigente do fundo de pensão, Newton Carneiro da Cunha, também foi preso preventivamente.

Os ex-presidentes da Petros presos preventivamente são Luis Carlos Fernandes Afonso e Carlos Fernando Costa. Outro ex-dirigente do fundo de pensão, Newton Carneiro da Cunha, também teve a prisão preventiva decretada.

Um terceiro ex-presidente do fundo, Wagner Pinheiro, foi alvo de buscas, suspeito de ter recebido cerca de R$ 2,5 milhões em vantagens indevidas por meio de uma empresa de fachada. A investigação em relação a ele ainda está em andamento.

Também foi alvo da operação Valdemir Garreta, ex-dirigente petista e responsável pelo marketing de campanhas eleitorais do partido. Ele foi preso temporariamente (com duração de cinco dias), em São Paulo, suspeito de intermediar pagamentos em prol do PT.

Entre os presos está também o sindicalista Armando Ramos Tripodi, que foi chefe de gabinete da presidência da Petrobras nas gestões de José Eduardo Dutra e José Sérgio Gabrielli, entre 2003 e 2012.

Conhecido pelo apelido Bacalhau, Tripodi foi diretor da FUP (Federação Única dos Petroleiro) e fundador Departamento Nacional dos Petroleiros da CUT (Central única dos Trabalhadores) e tem relação estreita com dirigentes e deputados do PT da Bahia.

Ele já havia sido alvo de condução coercitiva em 2016 na 23º fase da lava jato, batizada Operação Acarajé, por suspeita de receber dinheiro irregular da Odebrecht por meio de uma reforma em sua casa.

É a primeira fase da Lava Jato autorizada pela juíza Gabriela Hardt, que substituiu Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba –e uma das que tem o maior número de presos da operação.

Construída sob medida pela Petros para abrigar os escritórios da Petrobras em Salvador, a Torre Pituba estava orçada inicialmente em R$ 320 milhões. Ao final, só a construção custou cerca de R$ 747 milhões. O projeto final, que incluiu contratos de gerenciamento e projetos executivos, consumiu R$ 1,3 bilhão.

“Era um valor inicialmente palatável, dentro dos percentuais de investimento permitidos pela Petrobras. Mas depois, imediatamente, já incluíram itens”, comentou a procuradora Isabel Vieira Groba, segundo quem o prédio virou “uma obra de grande luxo”, que incluiu heliponto, 2.600 vagas de garagem e 22 elevadores.

A Torre Pituba tem 22 andares, que foram alugados pela Petrobras a partir de 2015, e permanecem como sede da estatal em Salvador. O aluguel mensal gira em torno de R$ 6,5 milhões, segundo o MPF. O contrato com a Petros tem validade de 30 anos, no valor total de R$ 1,4 bilhão.

Segundo a PF, os valores (tanto do aluguel quanto da construção) foram superfaturados “para viabilizar o pagamento de vantagens indevidas para agentes públicos da Petrobras e dirigentes da Petros”.

“Está sobrevalorizado, com certeza”, disse Groba. “Todos os contratos [para construção e gerenciamento da obra] foram precedidos de procedimentos fraudados. A fraude estava instalada dentro da Petros.”

Para os procuradores, isso prejudica a credibilidade e a higidez do fundo.

“É cruel, porque quem é prejudicado são os trabalhadores da Petrobras, é quem depositou toda a esperança de uma velhice tranquila [na Petros] e viu seus valores geridos de forma fraudulenta”, disse a procuradora Laura Tessler.

Os desvios apurados até aqui chegam a R$ 68 milhões, em valores corrigidos, de acordo com o Ministério Público Federal. Isso representa cerca de 10% do valor da obra de construção. É o maior percentual de propinas já identificado na Lava Jato.

Segundo o despacho da juíza, Pires Filho “se envolveu pessoalmente nos contratos fictícios celebrados” pela empreiteira para viabilizar o repasse de valores indevidos. De acordo com a decisão, ele ainda é suspeito de ter autorizado o pagamento de propinas na obra.

O prédio foi construído pelas empreiteiras OAS e Odebrecht —ambas investigadas na Lava Jato. Delações premiadas dos executivos dessas empresas, bem como de dois operadores financeiros (Roberto Trombeta e Rodrigo Morales), ajudaram a fundamentar os pedidos de buscas e prisões. Uma investigação interna da Petrobras sobre o contrato com a Petros também serviu para dar início à apuração.

Pagamentos em dinheiro, por meio de doações eleitorais e em offshores foram identificados pela investigação.

Alguns dos principais operadores do esquema, segundo o MPF, eram os sócios da Mendes Pinto Engenharia, que foi contratada para fazer o gerenciamento da obra da Torre Pituba. A empresa foi criada poucos dias antes do processo de escolha da Petros.

Os empresários Mario Seabra Suarez, Alexandre Andrade Suarez e Marcos Felipe Mendes Pinto estão entre os detidos. De acordo com o MPF, eles se hospedavam em hotéis para fazer os pagamentos aos beneficiários, a maioria em malas de dinheiro.

A cunhada do ex-tesoureiro do PT João Vaccari, Marice Correa de Lima, também foi detida temporariamente. Ela já havia sido detida numa outra fase da Lava Jato, em 2015, mas acabou solta após uma dúvida sobre um vídeo usado para fundamentar sua prisão –quem aparecia sacando dinheiro num caixa eletrônico, segundo a defesa, era a irmã de Marice.

Desta vez, o MPF e a Polícia Federal afirmaram que as provas contra ela são “robustas e bastante significativas”, e incluem elementos documentais e quebras de sigilo telefônico.

A operação desta sexta foi batizada de Sem Fundos, numa alusão ao “saco sem fundos” de crimes investigados na Lava Jato, segundo a PF.

Os mandados estão sendo cumpridos nos estados da Bahia, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Segundo o procurador Roberson Pozzobon, os crimes ocorreram entre 2009 e 2016. São investigados corrupção, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta de fundo de pensão e organização criminosa.
OUTRO LADO

A defesa de Pires Filho diz ter sido pega de surpresa com o pedido de prisão. “Fomos surpreendidos com a decisão judicial que decretou a custódia provisória do nosso cliente”, disse o advogado Aloisio Lacerda Medeiros, que defende o dono da OAS. “Estamos ainda nos inteirando dos acontecimentos. Nosso cliente está no exterior e regressará imediatamente ao país para prestar esclarecimentos e acatar a decisão judicial.” O executivo irá voltar ao Brasil no domingo, e se comprometeu a se entregar à Polícia Federal em Curitiba no mesmo dia.

Danyelle Galvão, advogada de Garreta, diz que a defesa “não teve acesso aos autos, tampouco aos fundamentos da decisão e que já havia se colocado à disposição para prestar esclarecimentos no início deste ano”.

A defesa de Marice Correa de Lima pediu a revogação da prisão. Ela negou, em depoimento à PF, que tenha intermediado o pagamento de propinas na obra da Torre Pituba, tampouco recebido dinheiro em sua casa, e disse que já prestou esclarecimentos sobre os fatos quando foi detida pela primeira vez, em 2015.

A Folha tenta contato com os outros defensores.