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Juan Marcus e Vinícius, a dupla que já escreveu mais de 400 músicas para ídolos do sertanejo


Zé Neto e Cristiano, Gusttavo Lima, Simone e Simaria e Israel e Rodolffo gravaram canções deles. Ao g1, eles falam sobre bastidores das composições e relembraram ‘bronca’ de Marília Mendonça. Juan Marcus e Vinícius relembram ‘bronca’ de Marília Mendonça por causa de hit sertanejo
O que era para ser temporário para os colegas de escola Juan Marcus e Vinícius se tornou definitivo em 2010.
Naquele ano, Vinícius ainda formava dupla com uma cantora e tinha um show agendado, mas a parceira desistiu da carreira musical. Juan Marcus, então, aceitou o convite do cantor para cobrir o espaço na apresentação.
Depois do show inicial, outros convites vieram. “Aí a gente decidiu: ‘Então vamos fazer a dupla mesmo. Tá dando certo. A galera tá gostando’. E é isso”, resume Vinícius ao contar, ao g1, como a dupla se formou.
Juan Marcus e Vinícius não se separaram mais. E nesses 12 anos, os cantores deixaram Brasília, onde nasceram, e seguiram para Goiânia juntos, seis anos atrás. Por lá, fizeram amizades e parcerias com vários artistas sertanejos, e acabam de lançar o segundo álbum do projeto “Da Nossa Moda”.
Ainda nesse meio tempo, em um período em que ficaram sem investidores e empresário, fizeram uma pausa de cerca de dois anos para se dedicar às composições. O processo rendeu bons frutos.
Juan Marcus e Vinicius
Reprodução/Instagram
Juan Marcus e Vinícius já tiveram pelo menos 12 faixas gravadas por Zé Neto e Cristiano, três por Gusttavo Lima, duas por Simone e Simaria e duas por Marília Mendonça.
Israel e Rodolffo, Xand Avião e Pixote também estão entre os artistas que já gravaram algumas das 400 faixas da dupla já interpretadas por outros cantores. Entre as canções mais bem-sucedidas em outras vozes estão “Regime Fechado” e “Status que eu não queria”.
Essa segunda rendeu uma “bronca” de Marília Mendonça na dupla e nos outros compositores da faixa, incluindo Juliano Tchula, o maior parceiro de composições da cantora.
“Depois que eles [Zé Neto e Cristiano] pegaram a música, e que a Marília ouviu e descobriu que era do Tchula também, ela deu um puxão de orelha. Falou: ‘Cara, como que vocês fazem uma música dessa e não manda a música para mim? Eu gravaria essa música.”
No bate-papo com o g1, eles também falaram sobre:
o processo de composição da dupla;
como funciona a composição em grupo, bastante comum em Goiânia;
o impacto do fim da dupla Simone e Simaria no mercado de compositores;
relembraram da faixa que reservaram para trabalho próprio, mas que acabou sendo gravada por Zé Neto e Cristiano;
e opinaram sobre o aceno do Rock in Rio para o sertanejo.
Juan Marcus & Vinícius se apresentam no Palco Amanhecer em Barretos
Marcel Bianchi/Divulgação
g1 – Sei que vocês estão juntos enquanto dupla desde a adolescência, mas como que foi esse encontro?
Vinícius – A gente começou em 2010. Eu conheci o Juan na escola. E tanto eu quanto o Juan, a gente já tinha tido outras formações de dupla. O Juan chegou a cantar com o irmão dele. E eu cantava com uma menina chamada Sabrina.
Passou um ano de dupla e ela não quis mais seguir a carreira de cantora, mas eu já tava com um show marcado para fazer. Aí eu fui e fiz o convite para ele, a princípio, para fazer esse show. A ideia ainda não era montar dupla, mas aí surgiram vários convites, né? Temos fãs até hoje que estavam nesse primeiro show.
Juan Marcus – E o primeiro show a galera já recebeu a gente super bem. E aí foram surgindo mais shows mesmo, mesmo a gente não tendo definido que era uma dupla. E aí foi quando a gente decidiu mesmo: “Pô, já que tá dando certo, vamos formar dupla, então”.
g1 – E a Sabrina? Tá arrependida?
Vinícius – Não. Sabrina está tranquila. Se formou, tá casada, tem filhos já. Acho que ela tá tranquila lá (risos).
g1 – Tem muita dupla que surgiu após a história na composição, mas vocês começaram como dupla, cantando, e aí, depois, viram a necessidade de compor. Como foi esse início na composição?
Vinícius – Se for somar, eu e o Vinicius, juntos, temos um pouco mais de 400 músicas que já foram gravadas por artistas do Brasil inteiro. Mas que a gente já escreveu, são mais de mil músicas. Eu comecei a compor muito cedo, com 11 para 12 anos. Aí, quando eu conheci o Vinícius, descobri que ele também já escrevia. Então a composição sempre esteve presente no nosso trabalho, na nossa carreira, tanto que desde os primeiros projetos que a gente fez, sempre foram cerca de 90%, 95% tudo autoral.
Só que a gente descobriu que a composição funcionava dessa forma como a gente entende hoje, que tem como vender uma liberação para alguém poder gravar uma música depois que a gente mudou para Goiânia [há 6 anos].
A gente conheceu o Jenner Mello, que é um produtor que já estava inserido nesse meio de venda de música. E aí ele explicou para a gente: ‘eu acho que vocês conseguem se encaixar muito bem nesse processo aí, vocês compõem bem, só falta trazer um pouco mais para o comercial que pode dar certo’. E foi o que aconteceu.
A gente deu uma pausa ali na carreira de artista, ficamos quase uns dois anos sem fazer show, porque a gente estava sem investidor, sem empresário sem poder gravar um projeto. Então a gente deu uma priorizada na questão das composições, que foi o que abriu várias outras portas para gente.
Juan Marcus e Vinicius abriram a segunda noite de show do Ribeirão Rodeo Music 2019, em Ribeirão Preto, SP
Érico Andrade/G1
g1 – Vocês começaram a compor ainda adolescentes… De onde vinha tanta inspiração para tanta história, tão jovens?
Vinícius – Quando a gente começou a pegar um ritmo de composição, a mente começou a trabalhar sempre com isso. Então quando a gente vê uma frase que chama atenção, a gente já vai e salva no nosso bloco de notas. Nosso bloco de notas e, acho, que da maioria dos compositores, tem um monte de palavras soltas, ou então frases.
A gente salva para na hora que tiver oportunidade de compor ou sozinho com alguém a gente desenrolar aquela ideia, aquela frase, para ver para que história que ela vai. Muitas vezes, algumas pessoas que não são compositores percebem algumas frases dessas, porém como não tão habituados a compor e nem trabalham disso, acaba passando.
g1 – Entre as músicas que vocês compuseram, estão muitas que estão nas vozes de outros artistas. Tem “Regime fechado”, com Simone e Simaria, “Status que eu não queria”, com Zé Neto e Cristiano… dessas que mais estouraram na voz de outros artistas, vocês chegaram a cogitar, em algum momento, de vocês as gravarem, ou elas já tinham destino certo?
Juan Marcus – Na verdade, quando a gente está compondo, quase nenhuma têm destino. A gente sempre deixa meio que solto. Mesmo quando a gente compõe direcionado para algum artista, pode ser que essa música não entre. Pode ser que ele não goste da música.
Às vezes a gente compõe pensando em um artista e vai para outro. Mas sempre no processo de composição, quando a gente termina a música é que a gente vê para quem que a gente vai mandar. E tem algumas, que quando a gente termina, a gente já pensa de imediato assim: “cara, eu acho que essa música é pra gente hein? Essa música é para o nosso projeto”.
Tanto que às vezes outros artistas escutam, aí pedem para gravar a gente não libera, porque a gente já sabe que é para um projeto nosso.
g1 – Já se arrependeram de alguma que não tinha o destino certo, deixaram passar e estourou?
Vinícius – Arrependimento, não. A maioria das músicas que a gente fez, a gente quis mesmo passar, porque aquelas que a gente acaba de fazer e já sente ela na hora, aí a gente segura. Tanto que a música “Alguns defeitos”, a gente nunca chegou a mostrar para ninguém. E ela é uma das músicas da gente que mais toca, acho que é a preferida dos fãs.
Só teve uma que a gente ia gravar, mas aí o Zé Neto e Cristiano pediram pra gravar, que foi a “Um ano de noivado”. Ela foi uma das que a gente apresentou para eles, não para vender, mas para dizer que era nossa próxima música de trabalho.
E aí depois ele gostou muito da música, pediu para gente, e a gente, na época, precisando ainda se manter em Goiânia, contas para pagar, liberamos. Fora que para a gente, também, é sempre um prazer. Ainda mais uma dupla do tamanho do Zé Neto e Cristiano.
g1 – Vocês compuseram “Regime fechado”, sucesso de Simone e Simaria. O fim da dupla respinga em vocês, de alguma forma, pensando nos direitos autorais da música?
Vinícius – O fato de ter acabado a dupla, querendo ou não, prejudica todo o mercado dos compositores. Porque, por mais que a Simone dê continuidade na carreira, tem algumas músicas que talvez ela talvez não continue cantando no show.
Eu não sei como é que fica o processo ali, mas esse tempo que elas ficaram paradas sem fazer show é um é um período que deixa de arrecadar. Deixa de arrecadar no rádio, às vezes até na TV por sincronização.
A Simone já deixou bem claro que vai dar continuidade na carreira, então eu creio que a “Regime fechado”, as músicas que foram de maior sucesso delas, devem continuar com a Simone. Não sei como que a Simaria vem depois também, talvez ela venha com um projeto. Aí provavelmente melhore, até porque serão duas artistas, duas cantoras a nível nacional, cantando quase que o mesmo repertório do que já foi sucesso para elas.
Juan Marcus e Vinicius
Divulgação
g1 – Estava lendo algumas matérias sobre o “puxão de orelha” que a Marília Mendonça deu em vocês por causa da música “Status que eu não queria”, que foi gravada por Zé Neto e Cristiano. Vocês podem contar essa história?
Juan Marcus – Então… Quando a gente terminou de compor a música “Status que eu não queria”, — eu, o Vinícius o Juliano Tchula, que era um dos principais compositores do projeto da Marília, o Emerson Coelho e o meu irmão, Natanael Silva –, a gente tinha dois artistas para poder mandar: um era o Zé Neto e Cristiano, que eram padrinhos da gente de carreira, e a Marília, que era do projeto do Tchula.
Aí o Tchula falou: “Cara, eu acho que essa música não é a cara da Marília”. Então eu falei: “Então vou mandar para o Zé Neto e Cristiano”. Quando mandei, foi de imediato. O Zé Neto respondeu: “Pode segurar que essa música é nossa”.
Aí depois que eles pegaram a música, e que a Marília ouviu e descobriu que era do Tchula também, ela deu um puxão de orelha. Falou: “Cara, como que vocês fazem uma música dessa e não manda a música para mim? Eu gravaria essa música. Por que não mandaram para mim?”. Então rolou realmente esse puxão de orelha aí.
g1 – E ela gravou duas de vocês, né? [“Intenção”, em parceria com Gaab, e “Obrigado por estragar tudo”). Chegou mais alguma composição de vocês nas mãos dela?
Juan Marcus – Chegou bastante coisa. A Marília sempre foi uma parceira muito grande de todos os compositores. Ela conhecia o nosso trabalho, acompanhava, sabia cantar várias músicas da gente, e a gente sempre teve essa abertura com ela de mandar músicas. Ela ouviu várias coisas, colocou voz em várias outras músicas também que não chegaram a ser gravadas.
G1 – Vocês já falaram sobre o processo de composição de vocês, mas acham que qualquer pessoa pode compor?
Juan Marcus – É meio complicado. Pode até compor. Mas compor de forma que ela funcione pro mercado? Porque tem todo um processo de construção de uma música. Não é simplesmente só escrever. Tem a questão da letra, da melodia, da harmonia, métrica, o deslocamento de frase, e pela liberdade, a licença poética que a gente tem, a gente desacentua uma parte da palavra, acentua uma outra que não pode…Tem toda essa questão desse raciocínio para deixar uma música o mais comercial possível, o mais entendível possível.
Compor é o mesmo que escrever uma redação, só que com melodia. É uma história que tem que ser contada, tem que ter início, meio e fim. Então eu acho que isso é o básico para pelo menos a pessoa entender o que é uma composição.
Vinícius – E não necessariamente também tem que ser [composta por] músicos. Eu conheço vários compositores. Eles talvez não consigam concluir uma música sozinhos, mas tem bastante ideia, por exemplo, de letra. Tem compositor que é mais para o lado letrista, tem compositor que só faz mais melodia, não é tão bom assim no papo. Por isso que lá em Goiânia rola muito essa de compor em grupo, tem um compositor geralmente manda mais a melodia, outro letra, outro é o da venda, que tem bastante contato…
g1 – Legal isso que você falou de composição em grupo, porque às vezes a gente vê lá seis, sete nomes numa composição, e pensa: “Pô, alguém ali só falou uma palavra”…
Vinícius – A galera assimila muito isso mesmo de que a composição é somente o que tá ali. Mas talvez, para eu falar uma ideia, uma pessoa tem que ter falado outra coisa antes para vir aquilo. E a gente tem que ter debatido aquele assunto para dar uma luz na minha cabeça. Então não é só o que entrou ali que faz parte da composição, mas todo aquele momento que a gente troca ideia, que a gente vê de que forma vai falar ali. Automaticamente, já tá todo mundo participando, mas não necessariamente a frase que ele colocou está ali.
Juan Marcus e Vinicius
Divulgação
g1 – Não sei se vocês chegaram a ver que o criador do Rock in Rio cogitou colocar a música sertaneja na próxima edição do Festival. O que que vocês acham sobre isso? E já sonharam em tocar no evento?
Juan Marcus – Cara, pior que é uma pergunta meio complicada, porque, por mais que a gente tenha, lógico, uma vontade absurda de estar lá no Rock in Rio, eu não sei se são duas coisas que dá para misturar.
A gente sabe que o público que consome música sertaneja, muitos vieram do rock, tiveram banda de rock. Agora eu não sei se a galera que consome o rock saiu do sertanejo, entendeu?
A gente não sabe como que vai ser a aceitação do público, ou se vai ter público num evento desse, que é 100% voltado para o rock. Se o Rock in Rio se propôs a fazer isso é porque alguma coisa deve ter mudado de forma muito grande, e se for uma coisa que eles acham que soma para o Rock in Rio, não tem muito o que fazer.
Eu e o Vinícius, pelo fato de sermos de Brasília, a gente sempre consumiu rock de uma forma muito grande assim, tivemos bandas de rock. Sempre ouvi rock, tanto nacional quanto internacional. Escuto até hoje, tenho as minhas bandas preferidas. Então acho que, de qualquer forma, como público ou como artista, seria um privilégio estar ali no Rock in Rio.
g1 – E quem são os ídolos e referências de vocês na música, seja no rock ou no sertanejo?
Vinícius – Quando a gente começou a dupla, as duplas que influenciaram a gente pro tipo de repertório, de linha dentro do sertanejo que a gente queria seguir, era o Jorge e Mateus, João Bosco e Vinícius… O César Menotti e Fabiano, já tem um pouco assim do modão ainda, mas foi quem praticamente também começou sertanejo universitário, né? Victor e Leo também. Aquele repertório deles de “Fada”, “Amigo Apaixonado”, também marcou uma fase da música.
Mas como o Juan falou, a gente ouve de tudo. Na minha adolescência, como já tive banda de rock, gostava muito de Simple Plan. Usava até aqui uma munhequeira para ir para a escola.
Juan Marcus – Da música sertaneja, a minha dupla de maior referência sempre foi o Jorge e Mateus, por conta de postura, da forma como eles levam a carreira, do repertório. Mas fora de sertanejo, eu sempre fui muito fã do Simple Plan e de todas aquelas bandas daquela época, Green Day, Audioslave, Nickelback, Creed. Todas essas bandas eu consumi muito e ainda consumo. Avril Lavigne escutei muito, de forma bizarra mesmo.
Mas Simple Plan sempre foi uma banda que eu curti pra caramba, né? E eu via ali os clipes e tal, me imaginava: “nossa, um dia eu quero gravar uma coisa assim, clipe em cima do telhado, chuva”.

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Capitão do povo’: Como Mateus e Cristiano uniram hino religioso a sertanejo dos anos 90 e emplacaram ‘gospelnejo’


Podcast g1 ouviu explica hits eleitorais dos dois lados: pró-Lula e pró-Bolsonaro. Conheça Juliano Maderada, criador de faixas lulistas, e Mateus e Cristiano, autores de jingle bolsonarista, Mateus e Cristiano
Divulgação
Dois irmãos gêmeos do interior de São Paulo, que nadavam há três décadas contra correntes do sertanejo, viram uma grande maré virar finalmente a favor deles. Ao juntarem arranjos dos anos 90 com um jeito de hino religioso eles pegaram em cheio na cultura brasileira de 2022.
O podcast g1 ouviu conta duas histórias: do dono de uma pequena banda de arrocha na Bahia e de dois irmãos que batalhavam no sertanejo no interior de SP. Eles fizeram apostas para o embate que viria nas eleições – um do lado de Lula (PT); os outros, de Bolsonaro (PL).
Longe do glamour de celebridades, são as criações destes artistas menos conhecidos que ganham as duas multidões – seja em um carnaval lotado de vermelho por ruas do Nordeste ou em uma triunfante volta de cavalo pela arena lotada na festa de Barretos. Elas também entram nas paradas de streaming.
Juliano Maderada quebrou a pompa de jingles antigos a golpes de lambadão e arrochadeira, com batidas feitas para caixas de som de rua exaltarem Lula. Clique aqui para ler a história dele.
Do outro lado, Mateus e Cristiano acharam a medida da mistura entre gospel e sertanejo para transformar em hino a ode ao “capitão”. Leia a história deles a seguir:
Ouça o podcast abaixo:
Mateus e Cristiano na TV Aparecida
Arquivo da dupla / Instagram oficial
Aos 40 anos de idade e 26 de carreira, os irmãos gêmeos Lucas e Mateus Vieira Gomes, de Taquarituba (SP) sempre ficaram “no quase”. A dupla admite que não conseguiu embarcar em vários bondes anteriores da música sertaneja.
Filhos de uma família de torrefadores de café de SP, cresceram apaixonados por sertanejo dos anos 90 e incentivados a cantar. Tiveram tanta sorte quanto azar: gravaram nos melhores estúdios, ganharam concurso na TV, foram processados, perderam o nome, entraram em novela, saíram da moda…
Desiludidos e deslocados no mercado, Mateus e Cristiano fizeram trabalhos de publicidade e depois arriscaram a composição de uma música religiosa que mudou tudo: “Maria passa na frente” foi um sucesso estrondoso em 2020 nas vozes de Padre Marcelo Rossi e Gusttavo Lima.
Revigorados pelo hit cristão, fizeram uma mistura de gospel e sertanejo um “gospelnejo”, quando foram chamados apresentar uma música para a campanha de Jair Bolsonaro. “Capitão do povo” foi escolhida como jingle e entrou em alta rotação dentro e fora do horário político.
Pequenos fãs dos anos 90
Mateus e Cristiano quando eram uma dupla mirim, ainda chamados Lucas e Mateus
Arquivo pessoal
Os irmãos começaram a cantar aos seis anos em um coral de igreja. A família viu neles uma duplinha sertaneja. “Nossa primeira fita demonstração foi gravada em um estúdio de Londrina onde meu avô gravava propagandas do café”, lembra Cristiano. Eram só versões de Zezé di Camargo e Luciano.
“O sertanejo anos 90 tinha muito conteúdo. Era mais conteúdo nas letras e nas harmonias, que eram mais difíceis”, diz Mateus. A primeira produção profissional deles foi em 1996, no estúdio Mosh, em São Paulo, onde todos os grandes sertanejos da época gravavam, ainda com o nome Lucas e Mateus.
Como os primeiros CDs debaixo do braço, viajaram pelo interior de São Paulo, cantaram em leilões no Canal Rural e foram fazendo o nome da dupla até que foram convidados para o quadro “Pistolão”, do “Domingão do Faustão”, da TV Globo. Foi aí que deu tudo certo e tudo errado ao mesmo tempo.
Eles ganharam o quadro, mas com a visibilidade, veio uma notificação judicial. “Já existia uma dupla de Presidente Prudente chamada Lucas e Mateus. Quando a gente apareceu no Faustão, eles acionaram o advogado”, conta Mateus.
A solução foi até criativa: como tinham ganhado o “Pistolão”, pediram para Faustão fazer um concurso para escolher o novo nome em votação popular no programa. Lucas virou Cristiano. A dupla pelo menos teve um impulso para refazer o nome no mercado.
Recorte do jornal ‘Agora’ sobre a gravação do CD de Mateus e Cristiano, logo após mudarem o nome artístico
Arquivo pessoal
Hit certo na hora errada
Dois anos depois, em 2008, emplacaram a música “Se é pra falar de amor” na novela “A favorita”. Mas basta ouvir o romantismo e a melodia derramada para notar que eles estavam longe da moda do sertanejo festivo de “pegação” da época, marcada pelo “Ai se eu te pego” de Michel Teló.
“Nossa carreira foi um pouco cruel, musicalmente falando”, diz Mateus. “A gente não soube lidar com toda evolução no sertanejo. Fomos lançados como um produto praticamente anos 90. Quando fomos entender já era tarde”.
“Não entendemos o mercado, foi bem complicado. Nós estamos começando a entender agora depois de velhos, né?”, brinca o cantor.
Eles não se encaixaram nem quando o sertanejo deu outra virada, parou de falar de pegação e virou romântico arrependido na década passada. As letras dramáticas sobre idas e vindas do amor não eram para eles. “A gente não fala essa língua, somos casados há muito tempo”, diz Mateus.
Mateus e Cristiano
Divulgação / Instagram da dupla
Maria passou a frente
Eles não pararam de fazer shows e lançar álbuns, mas chegaram a gravar jingles publicitários além da carreira autoral. “Foi o que nos salvou. Porque nós perdemos durante algum tempo o investimento e ficamos sem empresário. A gente mesmo foi correndo atrás das oportunidades”, conta Cristiano.
A corrida finalmente compensou: eles conseguiram mostrar “Maria passa na frente” para o Padre Marcelo Rossi, que gravou com participação de Gusttavo Lima. “A gente se emocionou lendo os comentários dela. Foram mais de 100 milhões de plays no YouTube. Ela salvou vidas”, diz Cristiano.
“Aí nós pensamos: ‘agora temos que partir para cima de novo, estamos de volta ‘ao game'”, diz Mateus. “Foi um combustível para a gente, tanto financeiramente quanto para mostrar que a gente tem mercado, tem vida. Porque a gente sempre foi um pouco revoltado com o mercado”.
Nesse clima reanimado, veio a proposta de fazer uma música para Bolsonaro. “O pedido veio através do publicitário da campanha que a gente conheceu na casa da Hebe Camargo, o Sérgio Lima. A gente era amigo do sobrinho da Hebe, o Claudinho, que infelizmente morreu de Covid”, conta Cristiano.
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O nascimento do capitão
“(Sérgio Lima) sabia que a gente trabalhava na parte de publicidade”, explica Cristiano. “E a gente se identificou com essa história. Porque quando vamos criar uma música, a gente tem que se identificar”, completa o irmão.
“Nossa primeira ideia foi mais na linha gospel mesmo. E os tópicos que ele mandou foram certeiros, mexeram com a gente. Porque o intuito é você mexer com as pessoas”, diz o cantor.
Os publicitários aprovaram a música, mas depois ficaram um bom tempo sem falar com eles. “Ficamos muito tempo atrás, mas ninguém mais ligou para a gente, sumiram”, diz Cristiano.
Mesmo assim, enquanto faziam o novo DVD, mostraram ‘Capitão do povo’ ao produtor e decidiram gravar em estúdio. “Eu falei: ‘A única coisa que a gente quer é as guitarras com uma pegada dos anos 90. E aí ficou muito com a cara com as coisas que o Zezé (di Camargo) cantava”. diz Mateus.
Mateus e Cristiano
Divulgação
A resolução da história envolve o empresário Elon Musk, que visitou o Brasil em maio de 2022 e se encontrou com Bolsonaro no interior de São Paulo. Eles foram chamados para cantar no hotel para os convidados do evento. Bolsonaro aproveitou para mostrar a música em uma “live” no Facebook.
“Capitão do povo” começou a viralizar na mesma hora, com um corte da versão ao vivo mesmo, com Mateus e Cristiano cantando em voz e violão ao lado de Jair Bolsonaro, o candidato a vice, Braga Netto, e o empresário Luciano Hang.
A música foi adotada na campanha, em versão de estúdio. Ela entrou nas paradas virais do Spotify e do TikTok logo após o primeiro turno da eleição. “Foi uma loucura, a gente recebeu pedido de deputado do Brasil inteiro, até de senador, para gravar vídeo, mas não tinha nem tempo”, diz Cristiano.
Eles não fizeram outros jingles. Agora, a dupla não está focada na política, mas no projeto do novo DVD ao vivo. Eles também vão lançar um EP com músicas religiosas, aproveitando o potencial que descobriram na interseção entre o gospel e o sertanejo.
Mateus e Cristiano mostram jingle ‘Capitão do povo’ em live de Jair Bolsonaro
Reprodução

Fonte: G1 Entretenimento

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Ringo Starr diz que testou positivo para Covid pela 2ª vez em dez dias e volta a cancelar shows


‘Tenho certeza de que você ficará tão surpreso quanto eu, testei positivo novamente para Covid, o resto da turnê está cancelada’, escreveu o ex-beatle. Ringo divulgou foto ao contar que testou novamente positivo para Covid
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Ringo Starr disse que testou positivo para Covid nesta quinta-feira (13), e cancelou os cinco shows que tinha marcados em sua turnê, na Califórnia e na Cidade do México.
O ex-Beatle fez o anúncio dez dias depois de informar que tinha testado positivo para a doença, no dia 3 de outubro, quando cancelou seis shows.
Ele não informou se sofreu um efeito “rebote” da doença, como aconteceu com o presidente dos EUA, Joe Biden.
“Tenho certeza de que você ficará tão surpreso quanto eu, testei positivo novamente para Covid, o resto da turnê está cancelada”, escreveu o baterista e cantor no Twitter.

Fonte: G1 Entretenimento

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Celso Fonseca celebra Fernanda Montenegro em single com canção composta com Erasmo Carlos


Celso Fonseca e Erasmo Carlos são os compositores de ‘Nanda’, música lançada em single pela gravadora Joia Moderna
Leo Aversa / Divulgação
♪ Nascida em 16 de outubro de 1929, Fernanda Montenegro completa 93 anos no domingo com o status de ícone da cultura nacional. Admirada por artistas de todas as áreas, a atriz ganha homenagem dos compositores Celso Fonseca e Erasmo Carlos em single lançado em sincronia com o 93º aniversário de Fernanda.
Eles são os autores de Nanda, música inédita gravada por Celso para single que a gravadora Joia Moderna põe em rotação na segunda-feira, 17 de outubro, um dia após o aniversário.
Idealizada pelo DJ Zé Pedro, diretor artístico da Joia Moderna, a capa do single Nanda remete ao enredo do filme Central do Brasil (1998), um dos maiores sucessos da carreira da atriz carioca.
A canção Nanda ganhou a voz de Celso Fonseca – também nos toques do violão, guitarra, baixo e teclados – e tem cordas e teclados adicionais de Dudu Trentin. A gravação de Nanda foi mixada por Felipe Soares e masterizada por André Dias.
♪ Eis a letra da canção que reverencia Fernanda Montenegro:
Nanda
(Celso Fonseca e Erasmo Carlos)
“Nanda
Nanda, gosto de todas você
Onde você for mais uma
Eu faço gosto de ver
Foco das coisas secretas da luz
Que faz uma estrela na terra
Tantas rainhas viver
Seu olhar, seu sorriso
São a paz que é preciso
Pra sonhar esse mundo mais feliz
O seu jeito, você, faz amor o que diz
E os deuses austeros da arte
Clamando por bis
Nanda, seu dom faz a vida entender
Que espelhos refletem imagens
Mas não explicam o ser
Linda, todas a mesma mulher
Qualquer você é bem-vinda
Merece o céu merecer
Seu olhar, seu sorriso
São a paz que é preciso
Pra sonhar esse mundo mais feliz
O seu jeito, você, faz amor o que diz
E os deuses austeros da arte
Clamando por bis
Nanda, Nanda, Nanda”
Capa do single ‘Nanda’, de Celso Fonseca
Arte idealizada pelo DJ Zé Pedro

Fonte: G1 Entretenimento

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Assinatura da Netflix com propaganda custará R$ 18,90 ao mês no Brasil


Plataforma lançará plano mais barato em novembro. Ele chegará também aos EUA e outros dez países. Série ‘Dahmer: Um Canibal Americano’ , da Neflix
Divulgação/Netflix
A Netflix anunciou que o plano de assinaturas com propaganda do serviço de streaming custará R$ 18,90 ao mês no Brasil. Até agora, a mensalidade mais barata, sem exibição de anúncios, custa R$ 25,90.
O plano mais econômico será lançado em novembro e será disponibilizado em 12 países: além do Brasil, Estados Unidos, Austrália, Canadá, França, Alemanha, Italia, Japão, Coreia do Sul, México, Espanha e Reino Unido.
Expectativa de mais assinantes
A Netflix perdeu 970 mil assinantes de abril a junho, em um sinal de que o serviço de streaming dominante no mundo está sofrendo os efeitos da inflação alta, da guerra na Ucrânia e da concorrência acirrada.
Com o plano com anúncios, a empresa espera que ele alcance cerca de 40 milhões de espectadores em todo o mundo até o terceiro trimestre de 2023, segundo o jornal “Wall Street Journal”, citando um documento compartilhado com compradores de anúncios.
A pioneira em streaming disse a executivos de publicidade em projeções preliminares que 4,4 milhões de espectadores únicos em todo o mundo devem se inscrever para o novo nível até o fim do ano, com 1,1 milhão vindo dos EUA, segundo a reportagem.
Estima-se que a métrica de espectadores únicos seja maior do que o número de assinantes do plano Netflix suportado por anúncios, já que mais de uma pessoa em uma casa assinante provavelmente poderá assistir ao serviço.
“Ainda estamos nos primeiros dias para decidir como lançar um nível mais barato e suportado por anúncios e nenhuma decisão foi tomada”, disse a Netflix em comunicado.
A Netflix disse que cortou 30 empregos em sua unidade de animação. A empresa havia demitido 300 funcionários, ou 4% de sua força de trabalho, em junho.

Fonte: G1 Entretenimento

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O rodeio é delas: veja como as mulheres curtiram o Circuito Brahma em Jaguariúna

A brahmosidade desembarcou no Jaguariúna Rodeo Festival. Veja o que rolou na festa pela perspectiva das mulheres! Fãs de música sertaneja de Jaguariúna e região tiveram dois finais de semana embalados pelos principais nomes da cena entre os dias 16, 17, 23 e 24 de setembro. Uma das festas mais aguardadas do ano, o Jaguariúna Rodeo Festival marcou a última etapa de apresentações do Circuito Brahma pelo interior de São Paulo – e teve um público feminino de peso.
Na sexta-feira (23), estivemos no festival para conferir o que rolou nas ativações da Brahma, que trouxe o icônico Camarote Brahma em sua melhor e mais completa versão, além de uma série de shows como os Henrique & Juliano, Alok, Ícaro & Gilmar e o grupo de pagode Menos é Mais.
Com uma programação robusta e clima de reencontro com a música no ar, as mulheres deram a letra nesta edição do festival. Acompanhadas de amigas e parceiros, elas curtiram a brahmosidade do evento com estilo e deixaram bem claro: lugar de mulher é curtindo do jeito que bem entenderem.
Dá o play no vídeo para conferir como foi o rodeio delas em Jaguariúna.

Fonte: G1 Entretenimento

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Cuba Gooding Jr. não será preso após acordo em caso de assédio sexual


Ator recebeu a sentença de tempo de serviço na Suprema Corte de Manhattan, na tarde desta quinta-feira (13). Ator Cuba Gooding Jr. no tribunal de Nova York, nesta quinta-feira (13)
REUTERS/Mike Segar
Cuba Gooding Jr. não será preso após fazer um acordo em caso de assédio sexual. O ator de 54 anos recebeu a sentença de tempo de serviço na Suprema Corte de Manhattan, na tarde desta quinta-feira (13).
Em abril, Cuba se declarou culpado em caso de assédio sexual a três mulheres entre os anos de 2018 e 2019. A medida fazia parte do acordo com os promotores para poupar o ator vencedor do Oscar de qualquer prisão imediata. O acordo também exige que o ator continue o tratamento contra abuso de álcool iniciado em 2019.
O advogado do ator afirmou na corte que Cuba Gooding Jr. está satisfeito com as condições.
A confissão, relacionada à acusação de ter tocado à força uma mulher em um boate de Nova York em 2018, aconteceu três anos depois de ele ter sido preso, segundo comunicado da promotoria distrital de Manhattan detalhando o acordo.
Gooding Jr. também admitiu no tribunal ter submetido duas outras mulheres a “contato físico não consensual” em 2018 e 2019.

Fonte: G1 Entretenimento

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Metamorfose de Miúcha para voar como mulher e cantora é o mote de filme de sensibilidade feminina


Entre aquarelas e imagens inéditas captadas em Nova York nos anos 1960, o documentário expõe relatos espantosos da artista para escapar do inferno conjugal vivido com João Gilberto. Cartaz do filme ‘Miúcha – A voz da bossa nova’
Divulgação
Resenha de documentário musical da 24ª edição do Festival do Rio
Título: Miúcha – A voz da bossa nova
Direção: Daniel Zarvos e Liliane Mutti
Roteiro: Liliane Mutti
Produção: Filmz Ltda.
Cotação: ★ ★ ★ ½
♪ “Acho que estou enlouquecendo por dentro. Por fora, sorrio e penteio os cabelos”, relata Miúcha, então com 33 anos, em carta enviada para a família em 1970, do México, onde vivia com o marido João Gilberto (1931 – 2019).
Espantoso, o relato é ouvido no documentário Miúcha – A voz da bossa nova, produção franco-brasileira que estreou no Brasil na noite de ontem, 13 de outubro, em sessão na 24ª edição do Festival do Rio.
Documentário feito há mais de dez anos, sob direção de Daniel Zarvos e Liliane Mutti, autora do roteiro, Miúcha – A voz da bossa nova pode frustrar quem esperar ver filme sobre a trajetória artística de Heloísa Maria Buarque de Hollanda (30 de novembro de 1937 – 27 de dezembro de 2018), cantora de atuação relevante, muitas vezes ofuscada pelo fato de ter sido muito caracterizada pela mídia como “a irmã de Chico Buarque”, “a ex-mulher de João Gilberto” e, mais recentemente, “a mãe de Bebel Gilberto”.
Até por ter recorte centrado em período que vai de 1963 a 1979, o filme resulta incompleto sob o prisma documental. Ainda assim, o documentário resulta fundamental para que se entenda a vida e a luta de Miúcha para se impor na sociedade patriarcal. Através de cartas e diários escritos por Miúcha no exterior e lidos pela atriz Silvia Buarque para o filme, e também dos áudios de entrevistas feitas com Miúcha pelos diretores, o filme perfila com sensibilidade uma mulher imersa em inferno conjugal.
Pela escrita aflitiva de Miúcha, João Gilberto é retratado como marido machista, individualista, egocêntrico e insensível aos anseios da mulher com quem se casou em 1965, como visto no filme em imagens inéditas filmadas em Super8 em Nova York (EUA). As imagens raras, aliás, valorizam o documentário.
O encantamento inicial foi se desfazendo e, aos poucos, a vida conjugal se tornou prisão da qual Miúcha custou a se libertar pelo sentimento de culpa, enfatizado de forma recorrente nos relatos da artista. A metamorfose de Miúcha para voar como mulher e cantora é o que move a maior parte do roteiro deste filme que se revela relevante por focar a vida dessa mulher que, aos 14 anos, questionou o pai ao saber que o irmão sete anos mais novo do que ela, Chico Buarque, já tinha a chave da casa – privilégio negado às irmãs do futuro cantor.
Aquarelas e desenhos da própria Miúcha ganham forma animada na tela – por obra dos animadores Guilherme Hoffmann, Julie Reed e Meton Joffily de Alencar – para ilustrar história que nada tem de lúdica, embora o documentário provoque eventuais risos quando, por exemplo, exibe entrevista de João Gilberto à TV americana. Ou quando Miúcha prega contra o casamento.
À medida que o filme avança, o espectador vai se deparando com mulher enclausurada em relação tóxica e abusiva, sendo desencorajada a se assumir cantora. “Eu cantava, João grilava. Grilou tanto que minha voz sumiu”, conta Miúcha em outro relato assombroso. Tocado longe dos olhos do marido, o violão foi a válvula de escape para a vida.
Como se sabe, o final da história foi feliz. Ao se separar de João Gilberto, Miúcha restabeleceu relação de afeto com o ex-marido e se firmou como cantora, tendo gravado dois álbuns de estúdio com ninguém menos do que Antonio Carlos Jobim (1927 – 1994) entre 1977 e 1979. Um feito para cantora que nunca recebeu oficialmente o devido crédito pela recorrente participação vocal no disco The best of two worlds – Stan Getz e João Gilberto (1976).
A parte final do filme prioriza a música de Miúcha, mas, em contexto frágil. O documentário exibe Miúcha cantando a salsa Buenos dias, América (1987) com o compositor da música, Pablo Milanés, sem informar que Milanés participou de importante álbum solo lançado por Miúcha em 1988 – para citar somente um exemplo da fragilidade da contextualização da carreira da artista, voz mais da MPB do que exatamente da bossa nova (o título parece ter sido dado pelo fato de o filme ter sido viabilizado com investimento feito no exterior).
Contudo, o documentário se redime por mostrar Heloísa Maria Buarque de Hollanda – a menina que ganhara do pai o livro A metamorfose (Kafka, 1915) – vivendo a própria metamorfose para sair do casulo/casamento e voar alto como cantora e mulher de bem com a vida e a música.
Miúcha com João Gilberto em Nova York (EUA), cenário de casamento que se tornou tóxico
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Queen lança música redescoberta interpretada por Freddie Mercury


‘Face it alone’ foi gravada na década de 1980, mas foi ‘esquecida’, segundo o baterista Roger Taylor. Queen, com Freddie Mercury
Reprodução/Instagram
Queen divulgou uma música redescoberta com Freddie Mercury nesta quinta-feira (13), a primeira nova faixa da banda com os vocais instantaneamente reconhecíveis do falecido vocalista a ser lançada em mais de oito anos.
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O guitarrista Brian May e o baterista Roger Taylor falaram pela primeira vez aos fãs sobre a existência de “Face It Alone” durante uma entrevista.
A faixa foi originalmente gravada no final dos anos 1980 durante as sessões do álbum “The Miracle” da banda, mas não chegou a ser lançada.
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A equipe de produção e arquivo do Queen a encontrou novamente quando começou a trabalhar em uma reedição do álbum, que deve ser lançada em novembro.
“Nós meio que nos esquecemos dessa faixa”, disse Taylor em um comunicado. “Mas lá estava, esta pequena joia. É maravilhoso, uma verdadeira descoberta. É uma peça muito apaixonante.”
“The Miracle”, o 13º álbum de estúdio do Queen, foi lançado dois anos antes de Mercury morrer de pneumonia relacionada à Aids em 1991.
Queen
Reprodução/Instagram
A próxima reedição, lançada como uma caixa de edição de colecionador de oito discos, contará com seis músicas inéditas, bem como diálogos entre os integrantes da banda – Mercury, May, Taylor e o baixista John Deacon – enquanto estavam em estúdio.
O Queen incluiu pela última vez três músicas inéditas com Mercury em seu álbum de 2014 “Queen Forever”.
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Fonte: G1 Entretenimento

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Margareth Menezes chega aos 60 anos como símbolo de potência vocal e social no universo afro-pop-brasileiro


Margareth Menezes faz 60 anos hoje, 13 de outubro de 2022, como símbolo de potência negra e feminina
Raquel Carvalho / Divulgação
♪ ANÁLISE – Nascida em 13 de outubro de 1962, em Salvador (BA), Margareth Menezes chega hoje aos 60 anos como símbolo da potência negra e feminina do universo musical afro-pop-brasileiro.
Tal potência reside tanto na voz grave e calorosa – uma “força da natureza”, como já sintetizou Carlinhos Brown, amigo e admirador da artista – quanto no engajamento social de Maga, como Margareth é carinhosamente chamada dentro e fora da Bahia.
Na Bahia preta, Margareth Menezes é a única cantora negra dentre as quatro estrelas mais famosas do gênero musical rotulado como axé music – termo que Maga prefere evitar para usar afro-pop – e isso diz muito sobre o Brasil.
Atriz na primeira metade dos anos 1980, tendo atuado em companhias soteropolitanas de teatro, Margareth Menezes decidiu se lançar como cantora em 1986 e, no ano seguinte, já fez história ao ser primeira cantora a dar voz a um samba-reggae. No caso, em gravação de Faraó (Divindade do Egito) (Luciano Gomes, 1987) feita com Djalma Oliveira para disco do cantor e editada em single.
Decorridos 35 anos desde a explosão de Faraó, hit incendiário e sempre pedido nos shows da artista, a discografia de Margareth Menezes contabiliza 15 álbuns editados entre 1988 e 2019. A voz poderosa é o elemento que costura essa obra fonográfica, do álbum Margareth Menezes (1988) ao recente Autêntica (2019). Só que é no palco que essa voz atinge a potência máxima, eletrizando plateias.
A voz da cantora é tão forte e singular que Maga conseguiu enfrentar mercado injusto que legitimou o processo de branqueamento da axé music a partir dos anos 1990 – movimento equivocado e racista que, a longo prazo, acabou minando a força comercial do gênero, já que, distanciada das matrizes negras, a axé music foi perdendo o encantamento e o poder de sedução.
Pairando acima desses equívocos, Margareth Menezes é percebida atualmente como entidade a ser respeitada dentro e fora da Bahia. Algo que David Byrne já havia percebido em 1990 quando convidou a cantora para fazer o show de abertura da turnê Rei Momo, apresentada por Byrne em 42 países.
Finda a turnê com Byrne, a artista fez show solo no exterior e, na sequência, voltou ao Brasil, onde pavimentou na terra natal uma estrada que inclui incursões pelo território da MPB entre ações sociais.
Aos 60 anos de vida e 35 de carreira (tomando como ponto de partida a gravação de Faraó), Margareth Menezes extrapola rótulos e fronteiras, ainda que encarne uma das personificações da música afro-pop-brasileira produzida na Bahia de todos os santos e orixás.

Fonte: G1 Entretenimento