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Álbum gravado por Elza Soares em estúdio, com músicas inéditas, tem edição adiada para 2023


Ideia é o que o disco celebre os 70 anos da apresentação vitoriosa da cantora, em 1953, no programa de calouros de Ary Barroso. Elza Soares (1930 – 2022) tem álbum ainda inédito, gravado com músicas inéditas compostas por mulheres
Fábio Tito / g1
♪ O álbum gravado por Elza Soares (1930 – 2022) no estúdio carioca Tambor no segundo semestre de 2021, com produção musical de Rafael Ramos e com repertório composto essencialmente por músicas inéditas assinadas por mulheres, teve o lançamento adiado para 2023 pela gravadora Deck.
Antes previsto para ter sido editado neste segundo semestre de 2022, o disco – intitulado No tempo da intolerância – ficou para o próximo ano porque a ideia do diretor artístico do álbum, Pedro Loureiro, é celebrar em 2023 os 70 anos de carreira da cantora carioca, tomando como ponto de partida a apresentação de Elza, em 1953, no programa Calouros em desfile, comandado por Ary Barroso (1903 – 1964) na rádio Tupi.
A performance da cantora debutante, ao dar a voz rouca ao samba-canção Lama (Paulo Marques e Aylce Chaves, 1952), valeu a Elza a vitória no programa e, dali em diante, a cantora se profissionalizou e começou a cantar na noite carioca.
Com músicas como No compasso da vida, samba de Dona Ivone Lara (1922 – 2018) que ganhou letra de Pedro Loureiro em parceria póstuma, o álbum No tempo da intolerância sairá em 2023 para ser o principal acontecimento do ciclo de homenagens pelos 70 anos dessa apresentação histórica que se tornou o primeiro passo na trajetória transcendental de Elza Soares no planeta fome.

Fonte: G1 Entretenimento

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Famosos votam no 1º turno das eleições de 2022; FOTOS


Bruna Marquezine, Luísa Sonza, Fátima Bernardes e mais celebridades votaram neste domingo (2) para escolher deputados, senador, governador e presidente. A apresentadora Fátima Bernardes depois de votar no primeiro turno das eleições
Reprodução/Instagram/Fátima Bernardes
Luísa Sonza vota no primeiro turno das eleições
Reprodução/Instagram/Luísa Sonza
Bruna Marquezine vota no Rio de Janeiro
Delson Silva/AgNews
Paola Carosella mostra comprovante de votação durante a eleição em 1º turno
Reprodução/Twitter/Paola Carosella

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Me ofendeu publicamente sem motivo’, diz Bruna Marquezine sobre críticas de Michelle Bolsonaro


Primeira-dama criticou roupa que atriz usou em desfile na Inglaterra. Bruna Marquezine com o look da Burberry
Reprodução/Instagram @brunamarquezine
A atriz Bruna Marquezine se pronunciou pela primeira vez sobre o comentário que a primeira-dama fez sobre ela. Michelle Bolsonaro disse que a artista era “feia e vulgar” em um post que mostrava a roupa que Bruna usou no desfile da coleção de verão 2021 da Burberry, em Londres, na Inglaterra.
Em um post da página do jornalista Francisco Campelo, a primeira-dama comentou na foto do look de Bruna Marquezine: “a pessoa gosta de ser feia e vulgar”. A publicação foi apagada.
Neste sábado (1º), Marquezine postou nos stories do Instagram um print com comentário da primeira-dama com uma resposta:
“A mulher de Deus, que tenta de todos os jeitos fazer outras mulheres acreditarem que ela, seu marido e o governo dele não são extremamente machistas, fez uma crítica à minha aparência e me ofendeu publicamente sem motivo algum nos comentários de uma página aqui no Instagram”.
Bruna Marquezine se pronuncia sobre crítica de Michelle Bolsonaro
Reprodução/Instagram
Em seguida, a atriz compartilhou uma notícia sobre a investigação da Polícia Federal de transações no gabinete do presidente Jair Bolsonaro.
Bruna também postou um comentário de um bolsonarista que chamava Michelle de “uma mulher classuda” e continuou: “meu sonho de princesa é ter um presidente e uma primeira-dama que não insultem ou desrespeitem os cidadãos. É pedir muito? #fazoL”.
A atriz terminou a sequência de stories com a foto do vestido com o texto: “Ah! E o vestido que eu AMEI foi uma das opções escolhidas especialmente pra mim pelo próprio Riccardo Tisci! Não gostou? Reclama com ele.”
Bruna Marquezine rebate comentário de Michelle Bolsonaro
Reprodução/Instagram

Fonte: G1 Entretenimento

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g1 ouviu #214 – Anna, a DJ que está em todos os line-ups


Ouça a história da DJ que tocou em festivais como Coachella, Rock in Rio, Tomorrowland e Ultra. Ela conta como começou tocando axé no interior de São Paulo e se tornou a maior DJ do Brasil. Você pode ouvir o G1 ouviu no G1, no Spotify, no Castbox, no Google Podcasts ou no Apple Podcasts. Assine ou siga o G1 Ouviu para ser avisado sempre que tiver novo episódio no ar.
O que são podcasts?
Um podcast é como se fosse um programa de rádio, mas não é: em vez de ter uma hora certa para ir ao ar, pode ser ouvido quando e onde a gente quiser. E em vez de sintonizar numa estação de rádio, a gente acha na internet. De graça.
Dá para escutar num site, numa plataforma de música ou num aplicativo só de podcast no celular, para ir ouvindo quando a gente preferir: no trânsito, lavando louça, na praia, na academia…
Os podcasts podem ser temáticos, contar uma história única, trazer debates ou simplesmente conversas sobre os mais diversos assuntos. É possível ouvir episódios avulsos ou assinar um podcast – de graça – e, assim, ser avisado sempre que um novo episódio for publicado.

G1/Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Carlos Navas canta Cole Porter com o piano de Jonas Dantas no álbum ‘All of you’


Carlos Navas lança o 11º álbum da discografia do cantor paulistano, ‘All of you – Canções de Cole Porter em voz e piano’
Tadeu Loppara / Divulgação
♪ Em 2012, Carlos Navas deu voz ao cancioneiro do compositor norte-americano Cole Porter (9 de junho de 1891 – 15 de outubro de 1964) no show teatralizado Wilde meets Porter, encenado por Navas em São Paulo (SP) com Ando Camargo – a quem coube dizer textos do escritor irlandês Oscar Wilde (1854 – 1900) – sob a orientação do ator e diretor Cassio Scapin.
Decorridos dez anos do espetáculo, Navas retorna ao repertório de Porter – desta vez, em disco. Com aulas adicionais de inglês no currículo, o cantor paulistano lança o 11º álbum da discografia, All of you – Canções de Cole Porter em voz e piano, em edição independente distribuída via Tratore, inclusive no formato de CD.
Como o título já explicita, Navas canta Porter somente com o toque de um piano – no caso, o de Jonas Dantas. O título do disco, aliás, remete a álbum lançado pelo cantor há 11 anos no mesmo formato, Junte tudo que é Seu… – Canções de Custódio Mesquita em voz e piano (2011).
Em All of you, disco dedicado por Navas às cantoras Ella Fitzgerald (1917 – 1996) e Jane Duboc, o artista dá voz a nove standards do cancioneiro do compositor norte-americano.
A seleção é formada, na ordem do disco, por I’ve got you under my skin (1936), Easy to love (1936), Ev’ry time we say goodbye (1944), You do something to me (1929), Love for sale (1930), I concentrate on you (1940), I love Paris (1953), All of you (1954) e Just one of those things (1935).
Capa do álbum ‘All of you – Canções de Cole Porter em voz e piano’, de Carlos Navas
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Anis de Flor expõe vivências e afro-brasilidades nas cinco músicas do EP autoral ‘Fértil’


Anis de Flor lança o primeiro EP, ‘Fértil’, após quase uma década de carreira como cantora
Matheus Trindade / Divulgação
♪ Cantora e compositora nascida em Florianópolis (SC), Anis de Flor expõe vivências e experiências como mulher negra e indígena no sul do Brasil ao longo das cinco músicas autorais apresentadas no primeiro EP da artista catarinense, Fértil.
Editado via Lab Fantasma, gravadora de Emicida, o disco Fértil chegou ao mundo digital ontem, 30 de setembro, embebido em afrobeats e afro-brasilidades.
Quente, Solta, Forte, Fértil e Grande são as cinco músicas que compõem o repertório do EP, todas gravadas com produção musical de Dessa Ferreira e arranjos da própria Anis de Flor. Alegre Corrêa, François Muleka, Marissol Mwaba e Sam Machado integram o time de convidados do disco Fértil.
“Com Fértil, eu aposto muito na força de expressão, na escolha de não mais calar e, sim, dar voz à mim mesma, à minha jornada e aos lugares que muitas vezes me são negados. Quando comecei a escrever, não fiz isso com a intenção de transformar em música, mas aos poucos fui entendendo que uma coisa não se separava da outra, principalmente quando você reconhece sua existência como política e se dá conta de que compartilhar impressões sobre as coisas pode ser acalanto e força para quem ouve e se identifica”, relata Anis de Flor, que já contabiliza quase uma década de carreira como cantora profissional, tendo lançado no ano passado o primeiro single, Crua (2021).
Capa do EP ‘Fértil’, de Anis de Flor
Matheus Trindade

Fonte: G1 Entretenimento

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Como estratégia sul-coreana que impulsionou k-pop e cinema pode inspirar o Brasil


Sucesso dos produtos culturais do país asiático, que não dá mostras de arrefecimento, gera dividendos para o país. Políticas de governo deram empurrão para a existência da hallyu, a “onda coreana”. Fã tenta abraçar foto do grupo sul-coreano BTS antes de show em Seul que marcou final da turnê mundial da banda
ED JONES/AFP VIA GETTY IMAGES
Rose Costa tem 56 anos, uma filha de 24, é professora de língua portuguesa do ensino médio e moradora de Guaratiba, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ela sabe que seu perfil não corresponde ao público mais típico do k-pop, mas fala com orgulho que se considera uma aroha, ou seja, uma seguidora devota da boy band sul-coreana Astro (da mesma forma que os fãs do BTS, o grupo mais famoso do k-pop, são chamados de army, exército).
“Durante a pandemia comecei a assistir a uns doramas [termo japonês às vezes usado para novelas coreanas, embora alguns prefiram k-dramas]. Eu gosto de uma boa história. Vi o primeiro, o segundo e o terceiro dorama e, caramba, de repente virou um vício. Foi a minha porta de entrada para o k-pop.”
Ela conta que suas séries coreanas favoritas são Hae-Ryung, a Historiadora e True Beauty, ambas estreladas pelo ator e cantor Cha Eun-woo — justamente um dos integrantes do Astro.
O perfil de fã fora da curva de Rose é uma das diversas mostras de como a cultura pop da Coreia do Sul continua a sedimentar sua influência pelo mundo.
Há poucos dias, Round 6 se tornou a primeira série falada em um idioma diferente do inglês a vencer dentro das categorias mais importantes do Emmy, principal troféu da TV norte-americana. Em 2019, Parasita provocou um impacto de magnitude ainda maior ao ganhar o Oscar de melhor filme, a principal estatueta da noite.
Também recentemente o k-pop virou um fundo de investimentos negociado em bolsa de valores junto a um índice que acompanhará o desempenho de 30 empresas de entretenimento do país asiático. É um sinal de que muitos apostam em espaço para expandir a popularidade do gênero.
Soft power
A Coreia do Sul é citada recorrentemente como um exemplo de sucesso na indústria criativa, com resultados consideráveis para a economia local.
Levantamento da Kofice (Fundação Coreana para o Intercâmbio Cultural Internacional) aponta que exportações ligadas a conteúdos produzidos pelo país atingiram US$ 11,69 bilhões no ano passado, incluindo o setor de games, que possui um peso substancial nessa conta.
Mais do que os números, há um efeito cascata do fenômeno mundial: com o interesse pelo país em alta, o turismo teve um salto.
Há mais demanda internacional pela gastronomia e por produtos alimentícios locais — vide pessoas indo a mercadinhos do bairro paulistano do Bom Retiro, que concentra a comunidade coreana, à procura do biscoito dalgoná de Round 6.
Até a indústria da maquiagem sul-coreana vem prosperando — afinal os rostos do k-pop e das séries de TV estão provocando mudanças no padrão de beleza internacional, antes fixado em traços ocidentais.
Tudo isso resulta no chamado soft power: sem uso da força, a Coreia do Sul está ascendendo no cenário internacional e com uma imagem simpática e atraente dentro de diferentes países, do Vietnã ao Brasil, passando por EUA e Alemanha.
Essa trajetória é ainda mais surpreendente porque, até a década de 1960, Coreia do Sul era uma nação pobre e subdesenvolvida.
Sua produção cultural era tímida, à sombra do vizinho e antigo invasor Japão, até que nos anos 1990 o setor local ganhou papel de destaque entre os objetivos do governo. A ideia era dinamizar sua economia. Investimentos cresceram e ações estatais facilitaram o trabalho de quem atuava na área.
O Brasil, que já experimentou no passado êxito mundial tanto na música (a bossa nova na década de 1960) como nas novelas (Escrava Isaura foi hit na Rússia e na China entre os anos 1980 e ajudou a sedimentar a fama brasileira no ramo), poderia alavancar os potenciais adormecidos de sua indústria criativa ao adotar conceitos da política sul-coreana?
Pesquisadores sul-coreanos que analisaram a hallyu — “onda coreana” — dizem que políticas culturais bem planejadas e bem aplicadas sempre ajudam.
No entanto, alguns enfatizam que o fenômeno só alcançou essa dimensão por causa de uma conjunção mais complexa de fatores.
Confira abaixo como foi essa trajetória sul-coreana e também o que brasileiros que lidam com políticas culturais opinam sobre possíveis lições para o país.
Boneca de ‘Round 6’ surge em parque em Seul
Como foi construído o caminho
O século 20 foi especialmente difícil para a península coreana. Foram 35 anos de uma cruel ocupação japonesa seguida de um conflito armado entre as partes norte e sul do território. Era o pano de fundo da nascente Guerra Fria entre as potências Estados Unidos e União Soviética. Só entre civis, 2,5 milhões de pessoas morreram na Guerra da Coreia.
A seguir, os sul-coreanos ficaram sob regimes militares por quatro décadas, período em que a censura controlava atividades culturais. A volta de governos eleitos democraticamente no final da década de 1980 também significou a liberação da produção artística, algo importante para a onda coreana tomar forma depois.
Mas a principal razão para o governo voltar os seus olhos para a cultura naquela época foi a economia, especialmente após a crise financeira asiática de 1997. O país tentou diversificar seus negócios, concentrados na manufatura, e apostou na indústria criativa.
Alessandra Meleiro, presidente do Instituto das Indústrias Criativas e professora da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), cita o “caso Jurassic Park” para ilustrar o que chamou atenção dos políticos locais.
O primeiro filme da série blockbuster, dirigido por Steven Spielberg em 1993, foi citado em um relatório governamental por ter sua bilheteria equivalente à venda de 1,5 milhão de carros da Hyundai.
Além do potencial como indústria criativa, havia a questão de como a produção cinematográfica nacional tinha pouco espaço.
“Esse filme ocupou todas as salas de cinema da Coreia do Sul por três meses. A coisa foi tão gritante que esse fenômeno de ocupação das salas ligou o sinal de alerta de que alguma política protecionista tinha que ser criada. Então foram adotadas cotas de tela [estabelecimento de um percentual mínimo de produção audiovisual nacional]”, diz.
Meleiro conta que a mesma política teve efeitos distintos em um primeiro momento.
“No cinema foi um tiro no pé porque eram feitos filmes de baixa qualidade, só para cumprir o requisito de investir em produção nacional. Mas para a TV aberta e TV paga, essa política ampliou o leque de janelas e, portanto, de possibilidades de produção independente. Isso aconteceu no Brasil, com uma lei semelhante, em 2011.”
O cinema, como já mencionado, viria a dar frutos mais para frente. Desde o cult Oldboy (2003), do diretor Park Chan-wook, até Bong Joon-ho fazer história com Parasita.
Esta cena de ‘Parasita’ virou símbolo da raiva com a desigualdade econômica na Coreia do Sul e no resto do mundo
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O k-pop foi tratado como produto de exportação. O Ministério da Cultura foi reestruturado para trabalhar a divulgação de seus artistas. Adotou ações como distribuir milhares de CDs de k-pop a potenciais clientes de mercados internacionais e estimular a participação de empresas de entretenimento em feiras no exterior.
O governo organizou e promoveu no ano de 2000 um show da boy band H. O. T. (Highfive of Teenagers) na China. O poderoso vizinho acabou se tornando um dos lugares onde os idols do k-pop criaram seus primeiros fandoms. Por sinal, o termo mais usado para o fenômeno, hallyu, é uma palavra de origem chinesa e não coreana.
E com a cultura no alto da agenda do governo, obstáculos eram desemperrados na burocracia quando necessário.
O foco se intensificou nos governos seguintes. O presidente sul-coreano da virada do século, Kim Dae-jung, se autoproclamou o “presidente da cultura” e introduziu mais medidas para promover de forma agressiva o setor.
Em 2012, a indústria pop do país tomava de assalto o mundo. O vídeo de Gangnam Style, do cantor Psy, subia no YouTube para quebrar recordes e se tornar o mais visto de todos os tempos por anos — hoje tem 4,5 bilhões de views e é o 10° da lista.
No topo agora está Babyshark, da empresa Pinkfong, que é… sul-coreana.
‘Gangnam Style’ completou 10 anos em 2022
GETTY IMAGES via BBC
Jungsoo Kim, professor de administração pública na Universidade Hanyang, de Seul, faz um contraponto. Ele defende em um estudo que houve quatro fatores para o fenômeno sul-coreano com tanto peso quanto a ação governamental:
a competitividade da cultura coreana;
mudanças políticas e econômicas em vizinhos da Ásia na década de 1990;
um mercado bem formado de empresas de entretenimento na Coreia do Sul na época;
a expansão da tecnologia e da internet que levou a uma era dominada pelo consumo de vídeos e de imagens
“O mundo da cultura e da arte é muito complexo para ser entendido com um único e simples modelo causal. A real causa do sucesso atual dos K-conteúdos no mercado global é ainda incerto”, diz Kim à BBC News Brasil.
Ele escreve em seu trabalho: “Construir políticas culturais é como jogar sementes na terra: não se sabe com antecedência qual delas vai frutificar”.
O primeiro item da lista de Kim é um dos pontos em que a indústria musical local sofre críticas. O k-pop se desenvolveu em torno da cultura do idol, com competições em que jurados e olheiros escolhiam os melhores candidatos à estrela.
Além do questionamento “é produto ou cultura?” que alguns críticos fazem, esse cenário de competição asfixiante, em que quase tudo é calculado para entregar o melhor artigo pop, cria uma atmosfera de pressão para chegar e se manter no topo — é conhecida a questão sobre a saúde mental entre grande nomes do gênero.
“Esse tipo de preocupação já foi levantada frequentemente na nossa sociedade. Mas não durou muito e não foi forte o suficiente para o governo fazer algo a respeito. Talvez o público em geral tenda a gostar do produto e esquecer de todo o processo”, afirma Kim.
Como gestores brasileiros veem essas políticas
O modelo de sucesso da Coreia do Sul chegou a ser citado pelo candidato presidencial Ciro Gomes (PDT). Em outubro de 2021, ele publicou um post com elogios aos investimentos públicos do país asiático na área, citava BTS, Round 6 e Parasita e criticava a decisão do governo Jair Bolsonaro de extinguir o Ministério da Cultura, reduzido a uma secretaria ligada à pasta do Turismo.
A BBC News Brasil entrou em contato com a Secretaria de Cultura do governo federal e o Planalto para saber se as políticas sul-coreanas poderiam servir de inspiração ao país e se a extinção do MinC prejudicou o setor cultural, mas não obteve resposta.
Segundo o site Tela Viva, que acompanha o mercado de mídia, o atual presidente da Ancine (Agência Nacional de Cinema do governo federal), Alex Braga Muniz, manifestou no evento Pay-TV Forum 2022 de agosto que tem simpatia pela adoção do modelo sul-coreano.
À reportagem da BBC Brasil, Muniz afirma que “a política sul-coreana é baseada em três eixos: inovação, incentivos e regulação, e é justamente nesses eixos que pretendemos desenvolver a política audiovisual brasileira”.
“Audiovisual é entretenimento, e entretenimento é indústria de inovação. No campo da atuação, pretendemos uma política industrial, voltada para a ocupação de mercado e para a internacionalização do conteúdo.”
O grupo Blackpink, um dos mais populares do k-pop, durante apresentação no festival norte-americano Coachella
GETTY IMAGES via BBC
Ele diz que a Ancine lançou em 5 de maio último “uma linha de crédito de R$ 215 milhões para estimular a aceleração do crescimento do setor audiovisual com foco em novas tecnologias, inovação e acessibilidade e capital de giro”.
Segundo Muniz, a agência vem retomando políticas de leis de incentivo — mecanismo normalmente criticado pela base bolsonarista, como foi o caso da Lei Rouanet.
“O fomento indireto é de fundamental importância para o desenvolvimento da atividade audiovisual, característica evidente da política sul-coreana, a partir dos mecanismos de incentivo”, diz.
“A eficiência dos mecanismos de incentivo brasileiros é historicamente comprovada em bilheteria e audiência. É a partir dos mecanismos de incentivo que as programadoras começam a planejar lançamentos simultâneos de filmes e séries também nas suas plataformas de streaming.”
Meleiro, da UFSCar, analisa que “a nossa a nossa lei de incentivo está completamente voltada para o fomento à produção. Lá na Coreia do Sul foi para resolver uma questão estrutural, para a melhoria de infraestrutura da indústria: salas, parque tecnológico, câmeras, estúdios, equipamentos. Ou seja, eles qualificaram o parque produtor”.
Os gestores anteciparam os desafios que o produto sul-coreano encontraria no mercado internacional: “Eles questionaram ‘como melhorar entrega das cópias que vão circular externamente? Como melhorar os efeitos de som e música aqui gravados separadamente do diálogo de forma a pensar na exigência desse mercado internacional [para a dublagem]'”.
Houve também, diz ela, uma visão transversal do governo sul-coreano que estabeleceu pontes entre o Ministério da Cultura e as pastas da Educação e das Finanças para alcançar esses resultados.
O diretor da Ancine, por sua vez, afirma que a agência “abriu consulta pública para regulamentar o financiamento a projetos de capacitação. O objetivo é estimular a infraestrutura técnica voltada para formação e capacitação de mão de obra para a cadeia produtiva do audiovisual”.
Juca Ferreira, ex-ministro da Cultura nos governos Lula e Dilma, afirma que “a economia da cultura é uma das mais promissoras do mundo: mais dinâmica, mais rápida, com menos tendência a decrescer. Pelo contrário, ela vem num crescimento vertiginoso, mesmo nos momentos de crise de outros aspectos da economia mundial”.
No entanto, em sua visão é necessário um equilíbrio entre o comercial e o cultural.
“A economia da cultura precisa garantir uma harmonia e um equilíbrio entre o valor de uso e o valor de troca das mercadorias e dos produtos culturais”, diz.
“O capitalismo tende a mercantilizar tudo, mas esse processo de mercantilização dos conteúdos culturais precisa ter o contraponto das políticas que garantam a complexidade e a profundidade do ato criativo como a dimensão necessária da dinâmica social e individual dos cidadãos e cidadãs. Isso é uma política complexa que precisa ser desenvolvida. Senão vira banalização.”
Ferreira diz que não fala em “repressão à dimensão econômica”, mas defende que o Estado precisa evitar o “extrativismo exploratório”.
“Trabalhar profundamente a questão da memória e do patrimônio cultural e estimular a produção cultural das manifestações tradicionais garantem a base do processo de produção cultural do país. Tudo isso é o que garante que a pujança de uma economia venha acompanhada de crescimento e desenvolvimento da cultura.”
No caso da professora Rose Costa, a indústria pop sul-coreana serviu de porta de entrada para o elemento mais básico da cultura do país: o idioma, que ela começou a estudar.
“É nível básico ainda, mas a gente vai começando a identificar algumas expressões bem características. A questão dos honoríficos, dos títulos, os graus de formalidade e de informalidade. É muito bonito isso na cultura deles, o quanto que valorizam e respeitam a idade e a experiência daquela pessoa.”
– Esse texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-62975564

Fonte: G1 Entretenimento

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Volta de Mestre Ambrósio joga luz sobre banda que fez som original no universo do Manguebeat


Formado em 1992 no Recife (PE), o sexteto relança primeiro álbum em LP e retorna à cena após 18 anos para turnê que celebra os 30 anos da criação do grupo. ♪ ANÁLISE – O anúncio da reunião do grupo pernambucano Mestre Ambrósio com a formação original após 18 anos de hiato – retorno arquitetado para turnê comemorativa dos 30 anos dessa banda formada em 1992 na movimentada cena alternativa do Recife (PE) – joga luz sobre trajetória artística que merecia maior reconhecimento histórico.
Mesmo que nunca tenha sido pedra fundamental na construção do movimento rotulado como Manguebeat (ou Manguebit), como Chico Science & Nação Zumbi ou mesmo a banda Mundo Livre S/A, Mestre Ambrósio gravitou em torno desse universo particular com identidade própria, sem copiar o som de outras bandas da geração.
Eder “o” Rocha (percussão), Helder Vasconcelos (fole de oito baixos e percussão), Cassiano (percussão e vocal), Mazinho Lima (baixo), Mauricio Bade (percussão) e Siba (voz, guitarra e rabeca) se conheceram no meio estudantil do Recife (PE). Todos ouviam rock, mas, como muitos jovens daquela geração, acabaram tendo as atenções despertadas pelos gêneros musicais locais.
Foi quando o rock se fundiu com maracatu rural, coco, caboclinho e com outros ritmos recorrentes em solo pernambucano, gerando sonoridade criada pelo Mestre Ambrósio a partir da combinação incomum de instrumentos como rabeca (marca de Siba), guitarra, ilú (instrumento de percussão do Candomblé), caracaxá (instrumento de percussão comum no toque de caboclinho), pandeiro, alfaia, fole de oito baixos e a zabumba associada primordialmente aos forrós.
Banda Mestre Ambrósio volta à cena, após 18 anos, com a formação original
José de Holanda / Divulgação
É impossível dissociar Mestre Ambrósio do Cavalo Marinho. O próprio nome do grupo reproduz o nome de personagem do Cavalo Marinho, manifestação folclórica da Zona da Mata Norte de Pernambuco, espécie de teatro de rua.
Com raízes nessas tradições e antenas ligadas para captar os sons do mundo (e nisso Mestre Ambrósio se afina com a Nação Zumbi), a banda conseguiu emergir da cena recifense – no rastro da explosão nacional do Manguebeat a partir de 1994 – e se projetou no Brasil, gravando três álbuns, sendo que o primeiro ganhará reedição em LP no embalo da volta do grupo.
Os repertórios desses três álbuns – Mestre Ambrósio (1996), Fuá na casa de Cabral (1999) e Terceiro samba (2001) – são a matéria-prima do roteiro dos shows em que a banda celebra os 30 anos da criação em turnê programada para acontecer de 4 de novembro a 7 de janeiro, com sete apresentações, por ora.
Desse repertório, José (Siba, 1996) é a música mais conhecida fora do território do Manguebeat, até por ter ido parar no roteiro de antológico show de Elba Ramalho, Leão do norte (1996).
Por conta da originalidade do som, Mestre Ambrósio rompeu inclusive as fronteiras do Brasil, tendo feito turnês pelo Japão em 2002 e 2003, pouco antes de sair de cena em 2004, em momento em que toda a geração do Manguebeat já tinha perdido o impulso mercadológico inicial.
Tão inesperado quanto bem-vindo, o retorno de Mestre Ambrósio à cena pode contribuir para redimensionar o papel da banda nessa história.

Fonte: G1 Entretenimento

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Douglas Lemos inicia pelo single ‘Largo da Glória’ a rota carioca de álbum que sai em 2023


Artista festeja 30 anos de vida com disco que, além de parcerias com Moacyr Luz e Moyseis Marques, incluirá samba raro de Paulo César Pinheiro e faixa com rapper Sain. Douglas Lemos no estúdio na gravação de álbum em que abre parceria com Moyseis Marques no samba ‘Largo da Glória’
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♪ Jovem cantor e compositor carioca que vem se impondo nas rodas de samba da cidade desde 2014, Douglas Lemos abre caminho com Largo da Glória para a chegada em 2023 do álbum comemorativo dos 30 anos do artista nascido em 1993 na Glória, bairro próximo do centro do Rio de Janeiro (RJ).
Em rotação desde ontem, 30 de setembro, com capa que enquadra foto de Lourenço Moura na arte de Flávia Trizotto, o single Largo da Glória abre também a parceria de Lemos com Moyseis Marques, mineiro que também se fez ouvir nas rodas cariocas.
Além de parceiro no samba, Moyseis participa da gravação de Largo da Glória, realizada no estúdio Cia. dos Técnicos, em março deste ano de 2022, com arranjo e violão de Rafael Mallmith.
Com os toques dos músicos Fernando Leitzke (piano Fender Rhodes), Guto Wirtti (contrabaixo), Kaká Nomura (pandeiro), Luís Barcelos (bandolim) e Marcus Thadeu (bateria), o samba Largo da Glória fecha trilogia que gerou os sambas Na Feira da Glória (Douglas Lemos e Michel Misse Filho, 2017) e Cria da Glória (Douglas Lemos e Moacyr Luz, 2021).
É nessa geografia carioca que Douglas Lemos vem preparando o álbum dos 30 anos de vida. Não é por acaso que – entre composições inéditas do artista com parceiros como João Martins, Moacyr Luz e Raul DiCaprio – o repertório do álbum incluirá regravação do samba Pelas ruas de cidade (1980), composto por Paulo César Pinheiro, gravado pelo autor em álbum lançado há 42 anos e desde então nunca mais regravado.
O disco também terá faixa gravada com intervenção de rap de Sain, filho de Marcelo D2.
Capa do single ‘Largo da Glória’, de Douglas Lemos com Moyseis Marques
Lourenço Moura com arte de Flávia Trizotto

Fonte: G1 Entretenimento

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João Gomes canta com L7nnon no primeiro dos três discos extraídos da gravação do show ‘Acredite’


♪ João Gomes lança hoje o primeiro EP extraído da gravação audiovisual do show Acredite, realizada em 17 de agosto no Marco Zero, no centro histórico do Recife (PE). Com participação do rapper L7nnon na faixa Digo ou não digo, o primeiro dos três EPs do álbum Acredite ao vivo alinha nove músicas em oito faixas.
Dengo, Eu tenho a senha, Meu cafofo, Meu pedaço de pecado, Não aceito mais, Sem você e o medley com Esperando você e Mundo inteiro – faixa gravada por João Gomes com Yara Tchê – são as músicas da primeira parte do álbum Acredite ao vivo.
A segunda e a terceira partes do disco virão em 6 e 13 de outubro, respectivamente, incluindo as músicas gravadas por João Gomes com Fagner e Vanessa da Mata, com quem o astro do piseiro cantou Deslizes (Michael Sullivan e Paulo Massadas, 1988) e Amado (Marcelo Jeneci e Vanessa da Mata, 2007), respectivamente.
Capa do primeiro EP do álbum ‘Acredite ao vivo’, de João Gomes
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento