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A história dos 15 mil livros de Gabriel García Márquez queimados por Pinochet


Editor do livro no Chile diz que Pinochet não queria ver um livro que descreve basicamente como ele “foi feito de trouxa”. Augusto Pinochet virou ditador do Chile com golpe em 1973
Getty Images/BBC
Em 28 de outubro de 1986, após vários dias de viagem, o navio a vapor Peban, do Panamá, finalmente atracou no porto chileno de Valparaíso. Enquanto se preparava para preencher os documentos da alfândega, a tripulação recebeu a notícia de que parte da carga seria apreendida.
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O capitão, que tinha certeza de que toda carga de seu navio estava em ordem, perguntou que mercadoria eles iriam reter.
A resposta foi a que ele menos esperava: os livros.
Especificamente, 15 mil exemplares de A aventura clandestina de Miguel Littín no Chile, escrito pelo ganhador do Prêmio Nobel de Literatura Gabriel García Márquez. Os livros tinham sido enviados do porto de Boaventura, na Colômbia, país natal de García Márquez.
Os livros eram destinados a Arturo Navarro, representante da editora Oveja Negra no Chile. Na época, a editora era a responsável pela publicação dos livros do escritor no Chile.
O livro conta as dificuldades do cineasta chileno Miguel Littín, que vivia no exílio desde o golpe que levou Augusto Pinochet ao poder em 1973.
Littín havia retornado ao Chile por duas semanas em 1985, 12 anos após o golpe, para filmar secretamente um documentário sobre o que estava acontecendo no país.
Chamado Acta Central de Chile (Ato Central do Chile), o filme estreou no Festival de Cinema de Veneza de 1986.
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BBC
Mas o livro de García Márquez foi mais longe: contava sobretudo detalhes que não constavam nas imagens, como o encontro de Littín, que se passara por empresário uruguaio, com o próprio Pinochet nos corredores do Palácio de la Moneda, onde o presidente de fato não o reconheceu.
“Fiquei sabendo da apreensão dos livros duas semanas depois porque estava fora do país”, lembra Arturo Navarro tomando um café sob a nave central do Museu Nacional da Memória, no coração de Santiago.
Navarro havia retornado de uma viagem aos Estados Unidos para visitar sua família quando encontrou uma mensagem de alerta na secretária eletrônica de sua casa.
Era do seu despachante aduaneiro e ele descreveu uma situação crítica: “Arturo, me disseram que os livros foram queimados”.
Para Navarro, a remessa era essencial: era o principal produto que ele esperava expor durante a feira do livro de Santiago, que aconteceria algumas semanas depois do incidente.
Navarro havia sido funcionário da Editorial Nacional Quimantú (amplamente perseguida pelo regime) e tinha visto de perto os militares destruírem livros. Mas ele também sabia que o regime de Pinochet havia relaxado suas políticas de censura.
Nesse contexto, ele acreditou que a apreensão poderia ter sido mais um mal-entendido do que um ato de repressão e decidiu viajar para Valparaíso para resolver o problema pessoalmente.
“O livro já havia sido publicado em capítulos no Chile por uma revista (Análisis) meses antes”, diz Navarro. “No entanto, o que me preocupou é que, segundo a imprensa, a apreensão dos livros deveu-se ao mau estado dos contêineres, o que me pareceu uma desculpa incomum.
Quando Navarro se aproximou do prédio militar onde poderia tentar resgatar os livros, percebeu imediatamente a tensão que se fazia sentir no governo naqueles dias.
Um mês e meio antes, em 7 de setembro, militantes da Frente Patriótica Manuel Rodríguez tinham estado muito perto de matar Augusto Pinochet, em um ataque feroz quando voltava para Santiago de sua residência em Cajón del Maipó, a cerca de 50 quilômetros da capital. O ataque deixou cinco guarda-costas mortos e vários feridos.
“No prédio pude conversar com um militar de médio escalão a quem pedi que pelo menos me permitisse devolver os livros a Lima”, conta. “Mas depois de fazer algumas ligações, ele finalmente me disse: ‘Navarro, já queimamos os livros’.”
A versão na mídia foi mantida: contêineres em mau estado, o que poderia explicar a apreensão, mas nunca a incineração.
Gabriel García Marquez, autor de ‘A aventura clandestina de Miguel Littín no Chile’
Getty Images/BBC
‘Feito de trouxa’
Para Navarro, estava claro que a ordem tinha vindo de cima e, mesmo que ele não tivesse provas, ele não ficaria parado até que as pessoas soubessem que o regime de Pinochet havia ordenado a queima de 15 mil volumes de nada menos que um ganhador do Prêmio Nobel.
“Ainda defendo que foi um capricho de Pinochet: ele não queria ver um livro, muito menos depois do ataque, que descreve basicamente como eles o fizeram de trouxa”, diz Navarro.
A notícia o deixou desanimado e sem cópias para a feira.
Mas Navarro convocou coletivas de imprensa para divulgar o ocorrido, fez a denúncia pertinente perante a Câmara do Livro do Chile e, embora não houvesse muito eco no país, a notícia foi publicada mundo afora.
Navarro guarda recortes de jornais da Grécia, Holanda e Estados Unidos que falam dos livros queimados.
“Eu realmente não acreditei em nada que eles me contaram. Nem mesmo que eles foram queimados”, diz Navarro.
Um de seus colegas recomendou que a melhor forma de obter uma resposta do regime seria pelos canais diplomáticos, então ele decidiu ir à embaixada colombiana, país de origem dos livros.
“Lá conheci Libardo Buitrago, o cônsul colombiano, que se ofereceu para me ajudar.”
O documento
Pouco depois, por pressão do país estrangeiro, um documento muito revelador chegou ao cônsul, uma carta datada de 9 de janeiro de 1987, assinada pelo vice-almirante John Howard Balaresque, que não só confirmava a cremação dos livros, mas também as razões: as cópias de A aventura clandestina de Miguel Littín no Chile foram queimadas como “uma medida de censura prévia” sob o argumento de que o conteúdo “transgrediu abertamente as disposições constitucionais”.
“Aquele papel é o único documento oficial existente em que o regime Pinochet aceita que queimou livros e que foi feito por meio de censura. Algo impossível de obter naqueles tempos”, diz Navarro. “E agora está aqui, no Museu da Memória.”
Documento que revela que o regime militar queimou os livros
Arturo Navarro/BBC
O documento, com assinatura oficial, serviu à editora Oveja para poder cobrar o seguro, mas também implantou na cabeça de Navarro uma certeza que nunca o abandonou: a cultura seria a chave para o fim do regime.
“Essa repressão dos livros, da cultura, daria uma reviravolta e acabaria sendo um dos principais motivos para que Pinochet deixasse o poder. Porque eram os cantores, os artistas, os escritores que seriam fundamentais na campanha pelo voto no plebiscito de 1988 que poria fim à ditadura”, conclui.

Fonte: G1 Entretenimento

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Alec John Such, primeiro baixista e fundador do grupo Bon Jovi, morre aos 70 anos

Causa da morte ainda não foi divulgada. A informação foi confirmada pelo líder da banda, Jon Bon Jovi. Alec John Such, primeiro baixista e um dos fundadores do grupo de rock americano Bon Jovi, morreu aos 70 anos, anunciou no domingo o líder da banda, Jon Bon Jovi.
“Como membro fundador do Bon Jovi, Alec foi fundamental para a formação da banda”, afirmou o cantor no Twitter.
Bon Jovi disse que Such era um amigo de infância do baterista Tico Torres e que levou Richie Sambora para assistir uma apresentação do grupo, antes de Sambora virar o principal guitarrista da banda.
A causa da morte não foi anunciada.
Com sucessos como “Livin’ on a Prayer”, “You Give Love a Bad Name” e “Wanted Dead or Alive”, Bon Jovi lotou arenas nos anos 1980 em suas turnês mundiais.
O grupo continua sendo um dos maiores vendedores de álbuns da história do rock e entrou para o Hall da Fama do Rock and Roll .
Alec John Such, que tocou com o grupo de 1983 a 1994, e Sambora, que deixou a banda em 2013, se apresentaram com Bon Jovi na cerimônia de introdução do Hall da Fama em 2018.

Fonte: G1 Entretenimento

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Cannabis medicinal para cães e gatos é buscada por donos de pet mesmo com os riscos da ilegalidade no Brasil


Substâncias derivadas da planta já são descritas na literatura científica e consideradas seguras para os pets. No entanto, de acordo com o Conselho Federal de Medicina Veterinária, a prescrição para os animais pode ser enquadrada como crime e, por isso, entidade pede regulamentação da Anvisa. Mykonos recebe óleo com CBD há 2 anos para tratar de convulsões devido à forte dor após cirurgia
Marcelo Brandt/g1
A importação da cannabis medicinal para humanos avançou no Brasil, mas novas demandas do uso da planta como tratamento estão longe do esgotamento. Apesar do aval científico, médicos veterinários não tem autorização para prescrição. Independentemente disso, os tutores dos animais domésticos tentam brechas e buscam alternativas.
Oficialmente, os médicos veterinários estão em uma situação de insegurança jurídica. A resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) — RDC327 —, que trata sobre a prescrição de produtos de cannabis para fins medicinais, define que a medida é “restrita aos profissionais médicos legalmente habilitados pelo Conselho Federal de Medicina”.
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) divulgou nota no fim de abril na qual pede que seus profissionais não emitam receitas com medicamentos derivados da cannabis. A história atual para o tratamento de animais lembra o que ocorreu com o uso para os pacientes humanos: uma das alternativas é a busca por processos na Justiça, a judicialização.
Apesar disso, os especialistas entrevistados pelo g1 dizem que as substâncias da cannabis são comprovadamente eficazes contra diferentes condições e doenças dos pets: dor, convulsões, câncer e sinomose, entre outras (leia mais abaixo).
Em meio à insegurança
Rodrigo Montezuma, médico veterinário, advogado e assessor da presidência do CFMV, esclareceu ao g1 que a recomendação busca a proteção dos profissionais de serem enquadrados pelo artigo 38 da Lei de Drogas – a prescrição “em desacordo com determinação legal ou regulamentar” pode render de 6 meses a 2 anos de prisão.
“Você vê que a pena é extremamente alta. É um risco para o veterinário, que está em desacordo com a lei ou norma regulamentar. E hoje a gente não tem uma norma regulamentar para uso veterinário. Hoje o médico veterinário está na lei antidrogas”, explicou.
Apesar disso, Aline Luciana Mendes, médica veterinária, disse que não tem medo de dizer que prescreve a cannabis. Ela afirma, com o apoio de Rafael Tiago Mendes, que é advogado e seu irmão, que existem medidas que garantem a ação dos profissionais mesmo em meio à insegurança jurídica.
“Da mesma forma como acontece com as pessoas que buscam fazer o autocultivo para produzir o seu remédio, porque eles também estariam incorrendo na mesma prática do crime de tráfico, a ideia é a mesma: usar um habeas corpus preventivo”, explica o advogado.
Um habeas corpus preventivo é um “salvo conduto” e impede que uma prisão seja feita de forma injusta — como quando há alguma questão de competência relacionada ao juiz, por exemplo, ou quando há nulidade processual.
A veterinária explica que têm feito palestras sobre o assunto sempre ao lado do irmão, uma forma de informar aos colegas como deve ser o processo para garantir mais segurança. Porém, Mendes nem sempre foi tão adepta do tratamento de pets com a cannabis.
Antes de começar a prescrever as substâncias, a veterinária disse que era “preconceituosa”. Ela mudou de ideia após convite para conhecer Antônio Luís Marchioni, o padre Ticão, pároco da Paróquia de São Francisco de Assis, na zona leste de São Paulo. Ele morreu no início de 2021, e foi grande defensor do uso das substâncias da cannabis para tratamento médico.
“Nossa, um padre? Eu fui criada em colégio adventista, mas um padre falar de maconha? Que coisa louca… Fui pagar para ver e saí do ABC Paulista para conhecer a tal igreja. E a educação muda a nossa cabeça, porque eu cheguei lá e vi as mães falando de seus filhos, como a vida deles mudou. Foi de arrepiar”, contou Mendes.
Depois da ida à paróquia, a veterinária decidiu estudar o uso da cannabis e fez pós-graduação sobre o assunto.
“Eu tratei uma gata que usava cinco remédios para controlar as crises convulsivas, ficava internada, e não tinha qualidade de vida. Ela não pulava e não brincava. Em 4 meses, ela deixou de usar todos os medicamentos. A qualidade de vida dessa gata é enorme e a expectativa de vida mudou”, disse.
O lado dos tutores
Com uma alteração óssea na coluna e duas cirurgias nos joelhos, Mykonos, um chihuahua de 8 anos, sobrevive à base de óleo de canabidiol. Priscila Couto, a tutora, telefona periodicamente para associações que fornecem produtos à base de cannabis em busca de um frasquinho. Ela precisa da receita de um médico veterinário. Sem isso, o cachorro pode convulsionar devido à dor aguda.
Ao receber a notícia sobre a nota do CFMV, Couto disse que “não sabe mais como vai fazer”: “Se era difícil antes, agora vai ficar mais difícil, já que eles não podem mais nem dar a receita”.
Priscila, tutora de Mykonos, explica que substâncias da cannabis substituíram uso de gardenal para tratamento do cachorro
Marcelo Brandt/g1
O cachorro precisa de 10 ml de óleo de canabidiol por ano a um custo de mais ou menos R$ 400, segundo Couto. Ela conseguia o medicamento com a receita após contato com diferentes associações, que nem sempre estão funcionando.
“É muito complicado achar [o medicamento], as associações abrem e fecham e a pessoa que trabalhava lá não pode mais fazer, é superburocrático pra eles (…) não é fácil de encontrar e, agora, a gente precisa entrar com um processo para judicializar o cachorro”, explicou.
As associações às quais Couto se refere são instituições criadas para tentar dar acesso aos medicamentos por meio da Justiça, representando os interesses e anseios das pessoas que necessitam da planta.
Algumas delas passaram a existir antes de 2015, quando a importação para uso humano foi liberada no Brasil, e conseguiram o direito de plantar a cannabis para fornecimento do medicamento. Outras, trabalham na ajuda do aparato jurídico às famílias, entre outros interesses.
Caso a caso
Katia Ferraro, veterinária e coordenadora de grupo de trabalho veterinário na Associação Brasileira das Indústrias de Cannabis (Abicann), explica que não está claro qual é a alternativa mais prática para agir enquanto não há regulamentação por parte da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Uma das alternativas é judicializar caso a caso, pet por pet.
Montezuma afirma que, por enquanto, as experiências relacionadas a isso não são positivas. Um dos casos utilizados como exemplo pelo CFMV é o da advogada Daiane Zappe e sua cachorrinha de 12 anos. Em 2018, a beagle estava com um tumor neurológico inoperável e já recebendo dipirona, tramal e outros medicamentos para dor. Sem saída, a tutora conseguiu uma receita com um veterinário neurologista para importação de medicamentos à base de cannabis.
Zappe disse ao g1 que, inicialmente, a Anvisa respondeu que a liberação era com o Mapa. Ao entrar em contato com o ministério, a bola voltou para a reguladora – que, então, disse que os pedidos só podiam ser feitos para pessoa física. A advogada entrou na Justiça, teve o pedido de liminar negado e mais informações foram exigidas. A cachorra morreu após 7 meses de imbróglio sem resolução.
Já Priscila Couto, a tutora do Mykonos que conseguiu o medicamento por meio das associações, explica que o controle da dor por meio do canabidiol foi a única solução viável para manter o animal com qualidade de vida. Segundo ela, o cachorro não apresentou “nenhum efeito colateral”.
“Eu só vi coisas boas. O apetite melhorou bastante, né, porque com dor a gente não quer comer muito. Melhorou a disposição, o comportamento, hoje ele tá mais tranquilo. Ele era mais bagunceiro. Eu não tenho nada de ruim pra falar”, disse Couto.
Inicialmente, Montezuma disse que o CFMV estava em tratativa com a Anvisa para tentar uma reunião a respeito do assunto. A agência informou ao g1 que não não existe “reunião agendada entre Anvisa com o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) para tratar do tema” e, ainda, que tem a competência “somente sobre os medicamentos e produtos para saúde humana”.
Segundo Priscila, tutora do Mykonos, o cachorro não tem efeitos colaterais relacionados ao uso do CBD
Marcelo Brandt/g1
Os estudos
Segundo Montezuma, a terapia canábica é “fartamente comprovada cientificamente, principalmente fora do país”. Os componentes da cannabis são utilizados no tratamento da epilepsia refratária, sinomose, dor aguda, ansiedade e até para controle de alguns comportamentos dos cães e gatos, como a ansiedade de separação.
Em um estudo randomizado controlado – quando se compara o efeito e o valor de uma intervenção em relação a um grupo placebo – 20 cachorros da raça beagle adultos receberam diferentes doses de medicamentos derivados de cannabis. Eles foram divididos em grupos e a administração do canabidiol foi bem tolerada pelos cães, com “nenhuma mudança clínica importante a ser mensurada em relação à segurança”.
Essa pesquisa, publicada em 2020, é uma entre “milhares de trabalhos científicos de cannabis na veterinária”, de acordo com Ferraro. Entre algumas mais recentes, de 5 de maio de 2022, a especialista lembra de uma revisão feita por pesquisadores brasileiros. Diego Fontana de Andrade, o autor principal, é do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária do Rio Grande do Sul.
O artigo analisou os resultados de 19 pesquisas científicas sobre o uso de produtos à base de cannabis em animais de estimação. O trabalho concluiu, então, que a administração dos produtos é segura. Além disso, os estudos demonstraram que medicamentos com canabidiol “promovem potencialmente a melhoria da qualidade de vida e reduzem a percepção da dor em animais afetados pela osteoartrite canina (doença degenerativa articular)”.

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Malhação’ de 1996 estreia no Globoplay; relembre a segunda temporada


Continuação da história da famosa academia de jiu-jitsu foi protagonizada por Cláudio Heinrich e Fernanda Rodrigues. A segunda temporada de “Malhação”, exibida em 1996, estreia nesta segunda-feira (6) no Globoplay. Continuação da história ambientada na famosa academia de jiu-jitsu que batizou a novela alçou o casal de Cláudio Heinrich e Fernanda Rodrigues a protagonistas.
Para quem quer muito rever a temporada, ou assistir pela primeira vez, o g1 relembra alguns dos principais momentos da obra, além de curiosidades sobre a produção, com dados do Memória Globo.
Malhação (1996-1997): Luiza é homenageada pelos colegas
Nessa temporada, o professor de jiu-jítsu interpretado por Heinrich se descobre apaixonado pela aluna vivida por Rodrigues, e os dois finalmente se entendem.
Enquanto o lutador segue em busca da ética e postura perfeitas, Fabinho (Bruno De Luca) e Bróduei (Fabiano MIranda) continuam aprontando.
A academia é vendida para o rico empresário Ferraz (Adriano Reys), que morre e deixa os negócios a cargo de sua filha Joana (Samantha Monteiro) e de Zizi (Elisângela), sua ex-mulher e desafeto da enteada.
Nico Puig e Danton Mello em ‘Malhação’
Nelson Di Rago/Globo
Hugo (Marcos Frota), ex-coordenador do Rancho da Maromba e um dos responsáveis pelo salvamento dos alunos perdidos na temporada anterior, volta ao seriado, como coordenador da academia.
Quem também volta à cena é um dos vilões do primeiro ano, o bad boy Raul (Nico Puig). A princípio, ele se diz regenerado, mas aos poucos fica claro que continua a ser mal-intencionado, e uma fonte de problemas para todos.
A temporada teve até a entrada de Camila Pitanga no elenco como a motoqueira Alex.
Curiosidades
Malhação continuou a ser gravada nos estúdios da Cinédia, no Rio de Janeiro, mas os cenários foram completamente modificados e reconstruídos de forma a permitir que um ambiente fosse rapidamente transformado em outro;
Entre as novidades, havia uma sauna a vapor, com paredes de mosaicos e detalhes em fórmica; um fliperama com quatro máquinas de pinball; um restaurante; um sushi-bar; uma parede de alpinismo e uma rampa de patinação;
A sala de artes marciais das aulas de Dado (Cláudio Heinrich) ganhou uma atmosfera asiática, com flâmulas com ideogramas japoneses. Já a nova piscina da academia foi projetada para permitir que fossem feitos planos de sequência ou ângulos que mostrassem a movimentação dos atores dentro da água;
Entre as participações especiais que passaram pela segunda temporada de Malhação estão a cantora canadense Alanis Morrissete, e os atores Ana Luiza Barros, Antonio Calloni, Castro Gonzaga, Maria Ribeiro, Nívea Stelmann, Oscar Magrini, Patrick de Oliveira, Pedro Brício, Tatiane Goulart, Thiago Fragoso, Thierry Figueira, Viviane Ribeiro e Xuxa Lopes;
“Assim Caminha a Humanidade”, de Lulu Santos, era o tema de abertura de Malhação 1996.
Malhação (1996-1997): Abertura

Fonte: G1 Entretenimento

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Metal Open Air, 10 anos do fracasso… repórter relembra festival no Maranhão; veja VÍDEO


Estrutura precária, camping em estábulo com só um chuveiro e falta de comida marcaram evento. Festival começou sem palcos e terminou com debandada de equipe técnica por medo de apanhar. Metal Open Air, 10 anos do fracasso… repórter relembra cobertura do festival no Maranhão
Quando cheguei ao Metal Open Air, todo mundo esperava o evento prometido pela organização: 47 atrações estavam na programação do festival nos dias 20, 21 e 22 abril de 2012.
Havia promessa de um camping para as fãs, de campeonato de futebol, de um supermercado, de praça de alimentação, estúdio de tatuagem…
Na quinta-feira, véspera do evento, constatei que o camping ficava em um estábulo, com apenas um chuveiro para centenas de fãs acampados.
Imagina um chuveiro para centenas de pessoas e tudo com um cheiro de estrume de cavalo. O odor incômodo deveu-se ao fato de o Parque Independência, em São Luís, ser utilizado para sediar a Exposição Agropecuária do Maranhão.
Na prática, essa primeira impressão me deixou um pouco desconfiado. O público foi um pouco mais tolerante e se mostrou bastante paciente com o que aconteceu ali na véspera: basicamente, um misto de indiferença e desinformação. Na sexta-feira, primeiro dia do festival, não tinha onde acampar, não tinha onde comer e a chuva só piorava ainda mais a situação.
Sequer os palcos estavam prontos, tampouco o camarim das bandas. Então, na quinta-feira já dava para sacar havia algo errado. Levando tudo isso em conta, a exclusão do estúdio de tatuagem pela vigilância sanitária local acabou sendo o menor dos problemas. Você não iria poder fazer uma tatuagem, tudo bem, contato que tivesse ao menos o que comer. O papo era esse.
Plateia do Metal Open Air, em 2012, durante show da banda canadense Exciter
Alex Trinta/g1
A sexta-feira começou com um show cancelado, o Headhunter D.C cancelou a apresentação. No decorrer do evento, headliners como Anthrax, Saxon, Venom, Rock n’ Roll All Stars e Ratos de Porão cancelaram shows e alegaram problemas com visto ou com cachês.
Após 10 anos, fãs prejudicados no Metal Open Air nunca foram ressarcidos
Na prática, o Metal Open Air começou por volta das 15 horas com a Exciter. Ao som da banda canadense, fãs já tinham algumas opções para comer sob forte sol. No fim do show, fui entrevistar o vocalista no backstage, o apelido dele era Metal Mouth. Ele estava suando muito, todos estávamos. Eu perguntei como havia sido e ele elogiou: gostou da vibração do público.
Brinquei, então, que ele poderia finalmente tomar um banho para combater o calor. Ele falou que não tinha chuveiros no camarim.
Toda a estrutura para as bandas era mambembe. A estrutura fazia lembrar os estandes de uma feira de ciências escolar.
O primeiro dia, no fim das contas, acabou sendo o melhor do festival. Também na sexta-feira, tocou uma banda israelense chamada Orphaned Land. O vocalista tinha um visual meio Jesus Cristo e o povo gostou, achou muito interessante. O Anvil foi outra atração do primeiro dia. O grupo canadense ficou mais conhecido após ter a história de perrengues contada em um documentário de 2008.
O Anvil pegou o mesmo avião que eu. Ao chegarmos, fomos recebidos por uma apresentação de artistas com danças folclóricas locais. No festival, o Anvil fez um show bastante digno. Lembro que o baterista tocou com uma pochete o show inteiro e nos intervalos tomava muitos goles de isotônico.
Aquele não era um ambiente com qual, obviamente, eles estavam familiarizados como foi o caso das atrações brasileiras Almah e Shaman. As duas bandas foram muito bem recebidas. Notei que a plateia parecia resignada durante esses shows: quando você promete tudo e, inicialmente, você não dá nada, qualquer coisa que se oferece já faz o público ficar um pouco aliviado.
As bandas Destruction, Anvil e Megadeth tocam no Metal Open Air, em São Luís, em 2012
Alex Trinta/g1
Então, naquele fim de tarde e começo de noite, o pessoal já começou a ficar mais ansioso para o Megadeth. Eles eram a atração principal da sexta-feira, com show marcado para 11 da noite. Por volta de uma hora e meia da manhã, o Megadeth entrou e fez um show sofrível. A qualidade de som estava péssima, com um monte de interrupção. A duração foi de apenas uma hora.
A cada música, o Dave Mustaine parava, andava na direção dos lados do palco, fazia umas gracinhas. A voz de quem falava na plateia parecia mais alta do que a voz dele. E o vocalista, claro, ficou visualmente incomodado.
O sábado, segundo dia de evento, começou pior do que terminou o primeiro. A organização novamente se recusava a admitir que o festival não existia mais. Da forma como ele tinha sido vendido, ele não existia mais. A expectativa era de 80 mil pessoas em cada um dos três dias. O sábado teve o maior público do festival, com cerca de 10 mil fãs.
O line-up tinha 47 bandas, mas só 14 tocaram. Faltou banda… e faltou estrutura: constatei falta de banheiros, transporte, segurança e comida. A sensação geral era que todos estavam presos ali: esperavam acontecer alguma coisa. E alguma coisa, nesse caso, é qualquer coisa. Pode ser um acarajé ou um churrasco de duas das únicas barracas de comida ou mesmo um show de uma banda qualquer. A praça de alimentação anunciada nunca foi construída: eram apenas três concorridas barraquinhas de comida.
O Korzus, que não é uma banda qualquer, fez o último show do sábado. Foi o último show do festival. A trilha do fim do caos. Foi uma proeza o grupo paulista ter feito o grande show que fez, porque o som estava até melhor do que em várias apresentações anteriores do Metal Open Air.
O guitarrista e o baixista da banda canadense Exciter, no festival Metal Open Air, em 2012
Alex Trinta/g1
Há de se considerar que a equipe de iluminação tinha debandado. Antes do show do Korzus, eu entrevistei várias pessoas da equipe técnica responsável pela estrutura de palco e eles me falaram que estavam indo embora.
A equipe que cuidava dos camarins já tinha debandado. Aquela área supostamente vip estava destruída. As divisórias tinham caído como se fosse folhas de papel. Cadeiras de plástico estavam espalhadas pelo chão, jogadas por todo lado.
A equipe de som também já tinha ido embora. Eu perguntava para esses profissionais por que estavam desmontando tudo e o que estava acontecendo. Eles diziam que estavam indo embora. A maioria respondia que tinha medo de uma “revolta coletiva”.
Então, foi essa sensação de medo de revolta que fez a equipe desmontar o palco, a estrutura de iluminação, parte da estrutura de som e camarim. Resumindo, eles estavam com medo de apanhar. O medo foi injustificado: a reação do público foi exemplar. Os protestos mais exaltados foram pouquíssimos.
Conversei com pessoas de muito longe que estavam acampadas ou com hospedagem paga até segunda-feira. Elas estavam refém daquela situação, não tinham como ir embora dali. Quem foi expulso do camping teve que acampar em parques da cidade ou na rodoviária.
O terceiro dia do festival não aconteceu. Foi quando a organização soltou o comunicado oficial, finalmente, já na tarde de domingo. Na prática, o festival já não existia mais desde a quinta-feira.
Os fãs foram ressarcidos?
Público no sábado do festival Metal Open Air, em 2012, o dia mais cheio do evento em São Luís
Alex Trinta/g1
As duas produtoras (Lamparina Produções Artísticas e Negri Produções Artísticas) trocaram acusações entre si, durante o evento e depois dele.
Em 2018, a Justiça condenou que os organizadores pagassem uma indenização de R$ 3.541,83 por danos morais para cada um dos fãs.
Após a defesa do festival recorrer, o Ministério Público pediu a suspeição do juiz do caso, o que ainda não foi decidido pelo Tribunal de Justiça do Maranhão. Não há previsão para retomada do processo.

Fonte: G1 Entretenimento

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Leandro Lima, o Levi de ‘Pantanal’, fala sobre o nascimento do filho em carro: ‘Isso é de filme’


Ao lado da mulher, ator deu a primeira entrevista depois do parto do filho Toni. O menino nasceu no mesmo dia do aniversário da avó e da irmã mais velha. Filho de Levi, personagem de Leandro Lima, nasce no carro
Em Pantanal, Leandro Lima faz sucesso interpretando um tipo perigoso e vingativo, o peão Levi. Na vida real, ele acaba de assumir o papel de pai depois de uma cena inesquecível. Leandro e a mulher, Flávia, estavam a caminho do hospital, para o nascimento de Toni, na última sexta-feira (3) – só que o bebê resolveu não seguir o roteiro. Veja a reportagem completa no vídeo acima.

Filho de Leandro Lima, o Levi de ‘Pantanal’, nasceu dentro do carro: ‘Primeira aventura do Toni’
“A conclusão que a gente chegou é que tudo o que a gente planejou deu errado, mas toda a preparação fez com que desse certo”, conta.
Flávia revelou que entrou em uma “espécie de transe” quando começou a sentir dores. Nessa hora, o casal chamou Joana, uma amiga que também trabalha como psicóloga de gestantes e que acompanhou toda a gravidez.
“Joana disse: ‘É agora, traz uma toalha’. Joguei umas dez toalhas, mas não tinha noção do que estava acontecendo. Ela falou: ‘Não vai embora, entra no carro’. Aí, quando entrou no carro, ela falou: ‘Gente, vai nascer no carro, tá?’, relembra o ator.
Flávia e Toni poucos minutos após o parto
Reprodução
Toni nasceu dois minutos e duas quadras depois. Só deu tempo mesmo de colocar a playlist que eles tinham montado para o momento do parto. O menino nasceu ao som de Caetano Veloso.
Leandro Lima e o filho Toni
Arquivo Pessoal
O bebê é o terceiro presente que Leandro recebe no dia 3 de junho. A mãe dele, dona Ozélia, e a filha mais velha Giulia, fazem aniversário na mesma data.
“Já fiz muita coisa com personagem, mas nunca (tinha) pensado nessa cena. Gente, isso é de filme”, conclui.

Flávia Lucini e o filho Toni
Arquivo pessoal

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Fonte: G1 Entretenimento

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Cláudia Leitte prepara show de duas horas e meia, mas é obrigada a terminar aos 40 minutos


Cantora se apresentou na Festa de São João de Caruaru, um das maiores festas juninas do país. Ela estava no palco e foi informada que deveria acabar o show. Imagem de redes sociais do perfil de Cláudia Leitte pouco antes de seu show em Caruaru, em 5 de junho de 2022
Reprodução/Redes Sociais
Cláudia Leitte teve que interromper sua apresentação na festa de São João de Caruaru, em Pernambuco, quase duas horas antes do tempo que ela previa, de acordo com o jornal “O Globo”.
O evento de Caruaru é uma das maiores festas de São João do Brasil. Cláudia Leitte disse no palco que havia planejado um show de duas horas e meia.
No entanto, ela estava no palco havia 40 minutos quando foi avisada que teria que terminar o show dela.
Claudia Leitte se apresentou pela primeira vez no São João de Caruaru
Ela sinalizou que estava surpresa por terminar o show antes aos 40 minutos de apresentação, e disse que não havia cantado diversas músicas que havia ensaiado (várias delas do cancioneiro nordestino, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Elba Ramalho).
“ Arrasada. Eu não sei nem o que eu vou fazer agora. Eu me perdi toda”, disse ela.]
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A Ucrânia de Clarice Lispector: como nascimento e migração ilustram capítulo sombrio do povo ucraniano


De origem judaica, quase toda a família Lispector chegou ao Brasil fugindo das perseguições contra judeus no início do século 20. Imagem de Clarice Lispector sem data
Editora ROcco/Divulgação/Via BBC
A pequena Haia Pinkhasovna Lispector tinha um ano e três meses quando desembarcou no porto de Maceió, em Alagoas, em 1922. Acompanhada dos pais e das duas irmãs, ela migrou da Ucrânia para o Brasil logo após a Guerra Civil Russa (1918-1921).
Em solo nordestino, as meninas foram rebatizadas com nomes brasileiros. A caçula, Haia, virou Clarice. E, 20 anos depois, se tornaria a famosa escritora Clarice Lispector — naturalizada brasileira nos anos 1940.
De origem judaica, quase toda a família Lispector — não só os pais de Clarice, como também seus tios e primos — chegou ao Brasil fugindo das perseguições contra judeus na Ucrânia no início do século 20.
“Os familiares que não saíram da Ucrânia naquela época certamente morreram. É o caso de um dos avós de Clarice, que teria sido assassinado em um pogrom”, afirma a escritora Teresa Montero, uma das maiores biógrafas de Clarice Lispector.
Escritora chegou ao Brasil ainda pequena, quando ainda se chamava Haia Pinkhasovna Lispector
Divulgação/Via BBC
Os “pogroms” foram uma onda de ataques violentos contra judeus, com motivações políticas e religiosas, que varreu a Ucrânia nas décadas de 1910 e 1920.
Os Lispector foram alvo de um pogrom praticado por militares russos na aldeia onde moravam, em Chechelnyk, na província de Podólia, por volta de 1919. O episódio foi descrito no livro Clarice, Uma Biografia, do crítico americano Benjamin Moser.
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Segundo a obra, o ataque aconteceu durante uma viagem do pai de Clarice, o comerciante Pinkhas, e a mãe dela, Mania, teria sido estuprada e contraído sífilis.
Clarice foi concebida neste contexto: a família acreditava, segundo uma crença popular, que uma gravidez poderia curar a doença de sua mãe. Não à toa, o nome Haia significa “vida” em ucraniano.
A cura de Mania, contudo, não aconteceu, e ela morreu quando Clarice tinha dez anos. A escritora contou o episódio em uma crônica, publicada no livro A Descoberta do Mundo, de 1968:
“(…) Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa culpa: fizeram-me para uma missão e eu falhei.”
Os pogroms
“Os anos 1910 e 1920 foram difíceis para toda a Ucrânia, mas particularmente para a população judaica”, afirma Jeffrey Veidlinger, professor de história e estudos judaicos da Universidade de Michigan, nos EUA.
Ele explica que, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), a maioria dos judeus na Ucrânia, na época pertencente ao Império Russo, eram artesãos ou comerciantes pobres que viviam em pequenas aldeias e sofriam perseguições religiosas e políticas.
Uma das hipóteses sobre o silêncio de Clarice diante das questões políticas do seu país de origem era o medo de ser deportada
Museu Fundação Casa de Rui Barbosa
“Durante a Primeira Guerra, os militares russos deportaram centenas de milhares de judeus das fronteiras do império russo, temendo que eles pudessem ser recrutados como espiões para os alemães”, explica Veidlinger.
A situação piorou a partir de 1917, com a Guerra Civil Russa instaurada com o fim do czarismo e a consolidação da Revolução Russa, liderada pelos bolcheviques.
“Os pogroms mais letais foram praticados entre 1917 e 1921 por gangues armadas e unidades militares dos exércitos russos, ucranianos e poloneses”, diz Veidlinger.
Estima-se que mais de 100 mil judeus foram mortos durante os pogroms de 1917 a 1921, segundo o professor, e outros 600 mil foram forçados a fugir da Ucrânia.
Com o desmantelamento do Império Russo, a Ucrânia e a Polônia vivenciaram um breve período de independência, mas também passaram por uma guerra civil em que judeus frequentemente eram alvos de saques e perseguições.
“O Exército ucraniano e o Exército Branco [russos contrários à Revolução Russa] atacaram os judeus com a suspeita de que eram leais aos bolcheviques. Já os poloneses acusaram os judeus de serem leais aos ucranianos”, descreve Veidlinger.
A maior parte da violência contra os judeus, no entanto, foi cometida sob a acusação de que eles estavam do lado dos bolcheviques.
Clarice Lispector é homenageada na Itália
“Os bolcheviques inicialmente atacaram os judeus sob a acusação de que eram capitalistas burgueses. Depois, o Exército Vermelho defendeu os judeus. Vários dos líderes bolcheviques mais visíveis, incluindo o chefe do Exército Vermelho, Leon Trotsky, eram conhecidos por terem origem judaica”, completa Veidlinger, lembrando que o próprio Trotsky nasceu na Ucrânia.
Depois do Holocausto cometido pelos nazistas na Segunda Guerra Mundial (1941-1945), os pogroms são considerados o pior episódio antissemita da história.
Memórias da Ucrânia
Teresa Montero lembra que, apesar de Clarice ter falado muito pouco sobre a sua origem, trechos de suas crônicas publicadas no Jornal do Brasil, onde foi colunista entre 1967 e 1973, tocam brevemente no tema.
“Na Polônia, eu estava a um passo da Rússia. Foi-me oferecida uma viagem à Rússia, se eu quisesse. Mas não quis. Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo”, escreve Clarice em uma crônica sobre suas viagens como mulher do diplomata Maury.
A escritora também nunca se manifestou publicamente sobre os episódios políticos que marcaram a Ucrânia e a Rússia.
“Não tem nenhum depoimento ou entrevistas em que Clarice tenha falado sobre a vida política da Ucrânia, nem sobre a União Soviética”, afirma Montero.
Uma das hipóteses sobre o silenciamento de Clarice diante das questões políticas do seu país de origem era o medo de ser deportada.
“Quando entrevistei a tradutora Tati de Moraes, amiga de Clarice, ela me contou que a escritora tinha medo de ser deportada”, lembra a biógrafa.
Centenário de Clarice Lispector
Contudo, isso não significa que Clarice não tivesse uma postura política.
“Ela [Clarice] foi fichada pela ditadura por ter participado da Passeata dos Cem Mil. Antes, ela já havia sido fichada pelo governo [Eurico Gaspar] Dutra, certamente por ser judia e de origem russa”, ressalta Montero.
A Passeata dos Cem Mil foi uma manifestação popular contra a ditadura militar e a favor da democracia, encabeçada por intelectuais, artistas e estudantes, em 1968, no Rio de Janeiro.
Marcos históricos ocorridos na Ucrânia que foram contemporâneos de Clarice:
1921: Parte da Ucrânia é incorporada à Polônia.
1922: Ucrânia é incorporada à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).
1930: tem início o Holodomor (matar pela fome, em ucraniano), em que Joseph Stalin passa a exigir dos camponeses ucranianos grande parte da produção agrícola. Estima-se que 5 milhões de camponeses morreram de fome na região em pouco mais de três anos.
1953: a Ucrânia anexa a Crimeia.
Quem seria responsável por narrar as memórias da família Lispector na Ucrânia seria a irmã mais velha de Clarice, a também escritora Elisa Lispector.
“Elisa nasceu em 1911, era a mais velha das três irmãs. Clarice, a caçula, nasceu em 1920. Então, quem tinha memória do período na Ucrânia era Elisa, que chegou no Brasil já com 10 anos”, diz Montero.
No livro Retratos Antigos, publicado postumamente em 2011 (Elisa morreu em 1989, deixando a obra inédita), a escritora conta sobre os pogroms e a vida dos judeus na Ucrânia.
“Como se iniciava um pogrom?, já me perguntaram por mais de uma vez, e eu não soube responder. Talvez porque eles mesmos, os que faziam os pogroms, não pudessem dizer”, diz ela em um trecho do livro.
Elisa escreve que as cidades permitiam que apenas uma porcentagem de judeus frequentasse a escola e universidade e que, apesar de terem o direito de morar nas cidades, “até nos pequenos vilarejos, nos casebres de madeira, nas ruas tortuosas de caminhos de lama, os judeus viviam segregados e com medo”.
Nacionalidade russa
“Hoje, falamos ucraniana, mas, na realidade, a nacionalidade da Clarice é russa, porque, na época do seu nascimento, a região pertencia ao Império Russo”, explica Montero.
A questão fica clara na carta que Clarice escreveu ao presidente Getúlio Vargas pedindo sua naturalização, em que afirma ser:
“Uma russa de 21 anos de idade e que está no Brasil há 21 anos menos alguns meses. Que não conhece uma só palavra de russo (…) Que não tem pai nem mãe — o primeiro, assim como as irmãs da signatária, brasileiro naturalizado — e que por isso não se sente de modo algum presa ao país de onde veio, nem sequer por ouvir relatos sobre ele. Que deseja casar-se com brasileiro e ter filhos brasileiros. Que, se fosse obrigada a voltar à Rússia, lá se sentiria irremediavelmente estrangeira, sem amigos, sem profissão, sem esperanças.”
Apesar do tom dramático, Teresa lembra que a carta foi escrita às vésperas do Brasil entrar na Segunda Guerra Mundial — o documento é de 3 de junho de 1942, e o país declarou guerra à Alemanha em 22 de agosto do mesmo ano — e que Clarice estava noiva do diplomata Maury Gurgel Valente, mas não podia se casar por ser estrangeira.
“O Itamaraty não permitia que diplomatas se casassem com estrangeiros, e Clarice não era só estrangeira, era também russa”, explica a biógrafa.
A naturalização foi concedida um ano após a carta endereçada a Vargas. Cerca de duas semanas depois, Clarice e Maury se casaram.
A escritora morreu em 1977, no Rio de Janeiro, tendo afirmado durante toda a vida adulta ser brasileira.
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Aos 81 anos, Erasmo Carlos tem editados três álbuns com registros inéditos de shows da década de 1970


♪ Aos 81 anos, completados neste domingo, 5 de junho, Erasmo Carlos terá lançado nada menos do que três álbuns no segundo semestre. Também previstos para serem editados em CDs, a serem embalados em caixa pelo selo Discobertas, estes três álbuns apresentarão registros inéditos de shows feito pelo artista carioca ao longo dos anos 1970.
São gravações de shows apresentados por Erasmo em 1975, 1977 e 1979 quando o cantor promovia os álbuns 1990 – Projeto Salva Terra! (1974), Banda dos contentes (1976) e Pelas esquinas de Ipanema (1978), respectivamente.
♪ E por falar nos 81 anos do Tremendão, Erasmo Carlos saudou o próprio aniversário em texto postado nas redes sociais do artista:
“Sou o resultado das minhas realizações… Gols e bolas na trave fazem parte do jogo, já que a vida é curta e minha vontade é eterna… Sou o que pude e o que tentei ser plenitude… Quis ser muitos e sobrou um quando dispensei meia-dúzia dos que não me souberam ser… Contagiado pelo bem, tornei-me um guerreiro da paz… O meu canto será ouvido assim como o som dos ventos, enquanto o sol brilhar e as lembranças resistirem… Dei passos vendados em caminhos movediços para ser merecedor de um lugar no pódio do amor!!! FELIZ ANIVERSÁRIO PARA MIM!!!”

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Filho de Leandro Lima, o Levi de ‘Pantanal’, nasceu dentro do carro: ‘Primeira aventura do Toni’


Leandro e a modelo Flávia Lucini programaram um parto maravilhoso para o Toni, mas ele resolveu nascer dentro do carro. Veja a entrevista com o casal e as imagens desse momento tão especial no Fantástico deste domingo (5). Filho de Leandro Lima, o Levi de Pantanal, nasceu dentro do carro
Em Pantanal, Leandro Lima interpreta Levi, um dos peões da fazenda de José Leôncio (Marcos Palmeira) e vilão na trama, mas no Fantástico você vai ver uma outra cena grande cena da vida dele. É que Leandro e Flávia Lucini programaram um parto maravilhoso para o Toni, mas ele resolveu nascer dentro do carro.
“Primeira aventura do Toni e a melhor cena que nós fizemos juntos”, diz o ator.
Filho de Leandro Lima e Flávia Lucini nasceu dentro do carro
Arquivo pessoal
“Ele estreou”, brinca a modelo.
Veja a entrevista com o casal e as imagens desse momento tão especial no Fantástico deste domingo (5).
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