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Nelson Rodrigues: o ‘imoral’ da literatura brasileira que era um conservador na vida privada


Nelson Rodrigues em foto de 1967; escritor seria ‘cancelado’ nos dias de hoje?
Arquivo Nacional via BBC
“Toda unanimidade é burra”, sentenciou o escritor, dramaturgo, jornalista — e grande frasista — Nelson Rodrigues (1912-1980).
E estas palavras funcionam muito bem quando pensamos que as contradições do próprio autor também fazem dele uma figura controversa na contemporaneidade.
Morto há 45 anos, em 21 de dezembro de 1980, Nelson Rodrigues é considerado o mais influente nome da dramaturgia brasileira.
Marcou as artes cênicas, a literatura e a TV com obras como “Vestido de Noiva”, “Álbum de Família”, “Toda Nudez Será Castigada” e “Asfalto Selvagem: Engraçadinha”, “Seus Pecados” e “Seus Amores”.
Na introdução de “O Anjo Pornográfico”, robusta biografia que fez sobre Nelson Rodrigues, o jornalista Ruy Castro enfatizou que “mesmo os seus piores inimigos nunca lhe negaram o talento — e não foram poucos os que o chamaram de gênio”.
“Para alguns, era um santo; para outros, um canalha; para todos, sempre uma surpresa”, definiu o biógrafo.
Em sua obra, retratou sem escrúpulos personagens e situações consideradas imorais. Abundavam problemas familiares, sexo, morte, culpa, traição — e toda a sorte de neuroses e obsessões.
Para os críticos e parte do público, o que ele produzia era obsceno e vulgar.
Na vida privada, Nelson Rodrigues foi mulherengo e traiu companheiras, ao mesmo tempo em que era católico, conservador e apoiador da ditadura militar.
Crimes passionais
Nascido no Recife, em 1912, mudou-se ainda criança para o Rio com os pais.
Na então capital do país, cresceu e construiu sua carreira — tornando-se, aliás, devotado torcedor do Fluminense.
Começou a escrever aos 13 anos no jornal A Manhã, publicação pertencente ao pai.
No periódico, sua primeira função foi a de repórter policial. Esse repertório de ocorrências seria depois terreno fértil para suas criações dramáticas, trágicas, retratos nus da vida real.
Crimes passionais estavam entre suas predileções, e rendiam boa repercussão entre os leitores do jornal.
Em 1928, quando seu pai perdeu o controle acionário do jornal e fundou outra publicação, A Crítica, o jovem prodígio também foi para lá.
O jornal duraria pouco menos de dois anos — depois de ser noticiada com alarde a separação de um casal da alta sociedade carioca, a mulher exposta na matéria foi até a redação e atirou contra um dos irmãos de Rodrigues, que morreria alguns dias depois.
Nos anos 1930, Nelson Rodrigues iniciou sua trajetória de cronista esportivo.
Inaugurou um jeito novo de relatar as partidas, sobretudo quando um dos times era o seu Fluminense.
Em textos publicados, entre outros, no Jornal dos Sports, lançava mão de personagens sabidamente fictícios como o Gravatinha e o Sobrenatural de Almeida para narrar os acontecimentos futebolísticos da rodada.
Em 1932, Rodrigues se tornou repórter efetivo do jornal O Globo.
Ali, acabaria assumindo o caderno de cultura e assinando críticas de óperas.
Também editou a seção juvenil, roteirizou histórias em quadrinhos e atuou como tradutor.
Em 1941, escreveu sua primeira peça, “A Mulher Sem Pecado”.
O prestígio viria dois anos mais tarde, com “Vestido de Noiva”.
O texto era inovador para o teatro da época. Nelson Rodrigues trazia uma história em três planos simultâneos: realidade, memória e alucinação.
Outra novidade trazida pela dramaturgia de Rodrigues era a facilidade de incorporar, nos seus textos, gírias e expressões coloquiais da época e do cotidiano carioca — inclusive palavrões. Isso conferia um especial realismo às suas peças.
Para o escritor e crítico literário Luís Augusto Fischer, professor de literatura na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, essa foi uma das frentes em que Nelson Rodrigues “revolucionou” a dramaturgia brasileira.
Outra frente foi a “coragem de enfrentar tabus, como relações incestuosas e altamente dramáticas, inclusive no sentido das relações de classe no cenário social brasileiro”, aponta.
Em 1945, Rodrigues deixou O Globo para trabalhar nos Diários Associados.
No grupo do magnata Assis Chateaubriand (1892-1968), ele estreou seu primeiro folhetim, “Meu Destino é Pecar”.
Nesta obra, nascia um heterônimo que se tornaria marca do autor: Suzana Flag, como ele assinava esses textos.
Segundo Ruy Castro conta na biografia de Rodrigues, o escritor “não gostava que soubessem que ele […] era também Suzana Flag”.
“Quase todo o meio jornalístico sabia, mas não era uma coisa que achassem urgente divulgar”, escreveu Castro. “A massa dos leitores acreditava que Suzana Flag existia […].”
A personagem-autora ficou tão famosa a ponto de certa vez Nelson Rodrigues afirmar que ela escrevia melhor do que ele.
Em 1946, ele publicou “Minha Vida”, “autobiografia” de Flag. A esta altura, os amigos costumavam brincar que era Suzana Flag quem pagava as contas de Rodrigues.
Aos poucos, o escritor acabou se cansando de Flag e deixando a autora para trás, conta Castro na biografia.
Não houve, aos leitores, um anúncio oficial de que ela era ele — ou de que ele era ela. Isso foi sendo descoberto de forma gradual.
No início dos anos 1950 Rodrigues já era um autor de prestígio e ganhava um bom dinheiro com suas obras.
Então, migrou para o jornal Última Hora e ali publicou aquele que seria o seu auge da carreira na imprensa: a série de contos “A Vida Como Ela É”.
O ator e dramaturgo Walter Lima Torres Neto, professor na Universidade Federal do Paraná, destaca que Rodrigues conseguiu viver do que escrevia.
“Foi um escritor profissional que sobreviveu de seu trabalho intelectual, o que fez com que sua produção fosse imensa”, aponta Torres Neto.
Conservador e mulherengo
Nelson Rodrigues era católico tradicionalista
Arquivo Nacional via BBC
Na vida pessoal, Nelson Rodrigues fazia o clássico papel de homem de família aproveitador da vida.
Casou-se com a jornalista Elza Bretanha e, com ela, teve seus dois primeiros filhos. Mas era um mulherengo inveterado e vivia se envolvendo com amantes.
Abandonou o casamento e teve outros quatro filhos — a caçula, fruto de relacionamento extraconjugal com uma mulher casada.
“O amor entre marido e mulher é uma grossa bandalheira. É degradante que um homem deseje a mãe de seus próprios filhos”, argumentou Rodrigues em uma crônica.
O escritor se autointitulava reacionário. Apoiou a ditadura militar e elogiava o governo do general Emílio Garrastazu Medici (1905-1985).
Ao mesmo tempo, a censura imposta pelo regime o atingia. Em entrevista realizada em 1978, o próprio autor disse: “Todos os presidentes, inclusive depois de 64, me massacraram. Tive oito peças interditadas. A censura usa um tratamento discriminatório contra mim”.
O pesquisador de literatura brasileira André Gomes, professor na Universidade Estadual Paulista, considera que, de fato, Rodrigues era um “homem alinhado ao conservadorismo”.
“Há relatos de que só mudou seu posicionamento quando seu filho mostrou ao pai as cicatrizes provenientes da tortura sofrida durante sua prisão. Do ponto de vista da sua ficção, Nelson nunca usou o que ele chama de imoralidade a serviço de uma perspectiva mais progressista”, avalia.
O roteirista Nelson Rodrigues Filho foi preso nos anos 1970 por ter sido militante contra o regime.
Mas seu pai — o escritor dizia que “toda coerência é, no mínimo, suspeita” — também não era alheio às contradições da direita.
“Como são parecidos os radicais da esquerda e da direita. Dirá alguém que as intenções são dessemelhantes. Não. Mil vezes não. Um canalha é exatamente igual a outro canalha”, cravou Nelson Rodrigues em crônica.
“No Brasil, quem não é canalha na véspera é canalha no dia seguinte.”
Nelson Rodrigues era também católico tradicionalista, admirador do arcebispo francês Marcel Joseph Lefebvre (1905-1991), que chegou a fundar uma sociedade católica em oposição às modernizações preconizadas pelo Concílio Vaticano 2º, nos anos 1960.
Rodrigues cunhou o apelido de “arcebispo vermelho” para o religioso Hélder Câmara (1909-1999), um dos fundadores da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e grande defensor dos direitos humanos.
Para Rodrigues, Câmara era um falsário, um “ex-católico”.
Cancelamento?
Esses elementos fariam de Nelson Rodrigues alguém sujeito ao “cancelamento”, em dias de escrutínio popular instantâneo como hoje?
“Acho que todos os autores que fazem o tratamento da prática humana de forma tão aberta quanto Nelson fez são sujeitos passíveis de cancelamento. Então, sim, ele seria”, sentencia Gomes.
“Seguramente sim, seria cancelado barbaramente”, endossa Fischer. “De fato, ele foi cancelado em seu tempo, sem redes sociais. Ele se queixava, por exemplo, que era o autor dramático mais censurado, e nunca teve ninguém em seu favor.”
O linguista Vicente de Paula da Silva Martins — que também acha que o escritor seria cancelado — aponta para um ponto sensível da obra de Rodrigues.
“O que envelheceu mal em Nelson Rodrigues é, sem dúvida, a visão bem problemática que ele tinha sobre mulheres, sexualidade e algumas outras questões sociais que hoje já não cabem mais”, diz Martins, professor na Universidade Estadual Vale do Acaraú.
“Tem coisas que são tão ultrapassadas que até nos fazem levantar a sobrancelha.”
“Mas o que continua atual é a forma como ele desmantela a hipocrisia humana e a fragilidade das convenções sociais. A luta interna entre desejo e repressão, a violência emocional, o jogo de máscaras nas relações.”
“Isso tudo continua muito presente, e, de certa forma, bem atual. Ele tinha um talento único para escancarar o que as pessoas preferem esconder, e, no fim, esse desconforto e essa crueza ainda ressoam em muitas das questões que vivemos hoje”, completa.
Embora a obra de Rodrigues seja criticada pelo teor machista, para Fischer, ela contém também críticas à “estrutura patriarcal das elites”, servindo para “decifrar a dominação machista e a submissão das mulheres”.
O sociólogo Rogério Baptistini, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, também aponta para o teor sensível e ao mesmo tempo atual da obra de Nelson Rodrigues.
“Envelheceu mal tudo o que, lido hoje, pode soar como naturalização de violência ou uso de estereótipos; mas o que continua atual é o núcleo: a crítica à hipocrisia, a percepção de que o moralismo público convive com a degradação privada, e a capacidade de transformar a família idealizada em laboratório de poder, desejo e ressentimento”, assinala Baptistini.
Torres Neto lembra que Rodrigues “gostava do debate público”, não fugindo da “réplica” e da “tréplica”.
Por isso, o professor acredita que o escritor “certamente saberia se manter vivo em meio ao debate público com todas as suas ambiguidades e contradições de homem e de autor teatral”.
Mas é preciso ser cuidado para não cair no anacronismo, alerta a teatróloga Elen de Medeiros, professora na Universidade Federal de Minas Gerais e autora do livro “Formulações do Trágico no Teatro de Nelson Rodrigues”.
“Nelson Rodrigues, como todo mundo, era um sujeito de seu tempo. Acho perigoso e complicado equiparar os tempos e os modos de vida e de compreensão da sociedade, sem cair em armadilhas”, lembra Medeiros.
“A obra rodrigueana está aí. Ela provavelmente incomoda, talvez às novas gerações mais ainda, porque estamos vivendo tempos de verdades absolutas, de respostas imediatas, coisas a que a dramaturgia rodrigueana se nega a fazer.”
Baptistini concorda: para ele, Rodrigues segue sendo um “autor incômodo” justamente pela dificuldade de colocá-lo “nos esquemas morais” ou “políticos” do presente.
“Ele se dizia conservador, mas sua obra é uma denúncia implacável da família patriarcal, do moralismo religioso, da hipocrisia da classe média e da violência exercida em nome dos ‘bons costumes'”, avalia o professor.
“Seu olhar não é progressista nem reacionário no sentido contemporâneo: é trágico.”
Entre o moral e o imoral
Montagem de 1947 da peça Vestido de Noiva, com Maria Della Costa encarnando a personagem
Arquivo Nacional via BBC
Elen de Medeiros traz outro adjetivo útil para entender Nelson Rodrigues: era um provocador.
“[Ele] Aponta para a contradição inerente aos sujeitos, algo que existe em todos nós, entre o que está escondido e o que é demonstrado”, explica a teatróloga, para quem a dramaturgia de Rodrigues foi “profundamente transgressora”.
O linguista Vicente de Paula da Silva Martins afirma que a dramaturgia de Rodrigues explora o lado sombrio da psique humana, “onde o destino das personagens é muitas vezes marcado pela inevitabilidade da tragédia”.
“Além disso, ele misturou elementos cômicos e melodramáticos, criando uma tensão entre o trágico e o absurdo, característica de seu estilo único”, explica Martins.
E o olhar afiado de Rodrigues para os sujeitos mira também a sociedade.
Para Baptistini, Nelson Rodrigues expõe o desejo, a culpa e a mentira “como forças estruturantes da vida social brasileira” — o que faz da obra dele universal.
“Pois toda sociedade organiza seus conflitos a partir de recalques, silêncios e interditos”, explica o sociólogo.
Por isso, diz Torres Neto, a obra do escritor continua atual.
“Talvez o Brasil que é representado nas suas peças tenha envelhecido, porém o humano com seus dilemas, aflições e conflitos continua lá para ser reapresentado às novas gerações”, comenta.
Mas a suposta imoralidade retratada em sua obra e a moralidade defendida pessoalmente por Rodrigues pode soar confusa para os novos leitores.
Esse paradoxo é justamente um dos “ingredientes mais importantes” da obra, diz Luís Augusto Fischer.
“Imoral por ter abordado muitas situações de traições em casamentos supostamente monogâmicos, assim com por ter trazido para dentro do enredo coisas tidas como inaceitáveis, como por exemplo em ‘Os Sete Gatinhos’, em que um pai de família agencia suas filhas como prostitutas”, aponta Fischer, autor do livro “Inteligência com Dor: Nelson Rodrigues Ensaísta”.
“E moralista porque o fundo ético de seus enredos faz, no fundo, uma defesa meio desesperada da pureza, da monogamia, da fantasia do amor único para sempre.”
Gomes endossa que temas como a homossexualidade, a representação feminina e as fantasias sexuais foram usados por Rodrigues “a serviço de uma perspectiva que, no fim das contas, era regressiva, moralista e tinha como fim pedagógico a ideia de uma sexualidade limpa”.
“Nesse sentido, o temário de Nelson Rodrigues não emula a liberdade. E isso fica claro no tratamento que se dá a ele ao longo da obra”, destaca o professor.
“Mas enfatiza, ainda que subrepticiamente, a ideia de família, de sexualidade, de feminilidade ou de masculinidade alinhadas a uma visão conservadora da existência.”
O último domingo
Após uma longa carreira na imprensa e na dramaturgia, Rodrigues ainda teria uma experiência interessante na TV.
Pouco tempo depois da TV Globo ser fundada, nos anos 1960, ele integraria a bancada do programa Grande Resenha Esportiva Facit, considerado a primeira mesa-redonda sobre futebol da televisão brasileira.
Ele já era um nome consagrado do jornalismo e da dramaturgia brasileira nos anos 1970. Mas a saúde estava debilitada — Rodrigues viveu os últimobs anos lidando com problemas gástricos e cardíacos.
Ao mesmo tempo, atuava como cronista em O Globo, não raras vezes defendendo o regime militar e criticando a oposição.
“A maior desgraça da democracia é que ela traz à tona a força numérica dos idiotas, que são a maioria da humanidade”, declarou.
Nos últimos anos de vida, o dramaturgo havia voltado a viver com a primeira mulher, Elza Bretanha.
Mas a saúde dava mostras de que não iria aguentar muito.
E aquele que disse que “o sábado é uma ilusão”, morreu em uma manhã de domingo, 21 de dezembro de 1980. Do coração.

Fonte: G1 Entretenimento

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Morte da filha de Tommy Lee Jones: suspeita é de overdose, diz TMZ


A filha do ator Tommy Lee Jones, Victoria Jones, de 34 anos, teria morrido devido a uma overdose, segundo o site TMZ. Ela foi encontrada morta em um hotel de luxo na Califórnia no dia 1º de janeiro.
De acordo com o portal, a ligação de emergência dizia “código 3 para overdose, mudança de cor”. Ao chegar no hotel, os paramédicos constataram que a mulher tinha morrido. A causa não foi confirmada pela polícia até o momento.
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Victoria foi presa duas vezes em 2025. Em uma delas, por posse de drogas.
Morte de Victoria Jones
Segundo o TMZ, Victoria foi encontrada já sem vida no hotel Fairmont San Francisco, durante a madrugada de quinta-feira.
O Corpo de Bombeiros da cidade informou que equipes foram chamadas por volta das 2h52 (7h52, no horário de Brasília) para atender uma emergência médica no local, mas, ao chegarem, os socorristas constataram que ela já havia morrido.
Depois disso, o caso passou a ser acompanhado pela polícia e pelo Instituto Médico Legal de San Francisco.
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A polícia informou que os agentes chegaram ao hotel pouco depois das 3h da manhã e confirmaram a morte.
As autoridades locais abriram uma investigação para apurar o que aconteceu, mas até agora a causa da morte não foi divulgada, e não há mais informações oficiais, segundo o site.
O TMZ disse que tentou falar com representantes de Tommy Lee Jones, mas não recebeu resposta.
Victoria era filha do ator com sua primeira esposa, Kimberlea Cloughley. Quando mais jovem, ela chegou a seguir a carreira artística do pai, atuando no filme “MIB – Homens de Preto II”, em 2002.
Também participou da série “One Tree Hill” e do filme “Os Três Enterros de Melquiades Estrada”, dirigido por Tommy Lee Jones.
Tommy Lee Jones é um ator premiado com o Oscar. Ele ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante em 1993, pelo filme “O Fugitivo”.
Ao longo da carreira, também atuou em produções de grande sucesso, como “JFK”, a franquia “MIB: Homens de Preto”, “Onde os Fracos Não Têm Vez” e “Lincoln”.
Tommy Lee Jones e Will Smitt em ‘MIB: Homens de Preto’
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Ápice de Belchior, o álbum ‘Alucinação’ completa 50 anos como a fotografia de passado que reflete angústias atuais


Capa do álbum ‘Alucinação’, de Belchior
Januário Garcia com arte de Nilo de Paula
♫ ANÁLISE
♬ Nada do que Belchior fez antes ou depois do álbum “Alucinação” se tornou mais relevante e significativo do que este disco de 1976 que completa 50 anos em 2026 como a fotografia irretocável de um passado que reflete angústias atuais e serve cada vez mais à sede de nostalgia que movimenta a indústria de música pop no século XXI.
Cearense, nascido na interiorana cidade de Sobral (CE), Antonio Carlos Belchior (26 de outubro de 1946 – 30 de abril de 2017) compôs sozinho as dez músicas de “Alucinação” sob a ótica reflexiva de um migrante nordestino que buscava alívio e lugar ao sol no eixo Rio-São Paulo.
Há nesse cancioneiro muito da angústia e da desilusão de um rapaz latino-americano sem dinheiro no bolso que vivia a ressaca moral dos anos 1970. O sonho acabara há seis anos, tendo tido o fim decretado oficialmente em 1970 por John Lennon (1940 – 1980), o Beatle que norteara a ideologia de Belchior.
O álbum “Alucinação” expôs os efeitos dessa ressaca. “Minha dor é perceber / Que apesar de termos feito tudo, tudo / Tudo o que fizemos / Nós ainda somos os mesmos / E vivemos / Como nossos pais”, concluiu o cantor nos versos finais de “Como nossos pais”.
“Como nossos pais” era um dos dois petardos roqueiros disparados na voz de Elis Regina (1945 – 1982) no roteiro de “Falso brilhante”, show que a cantora estreara em novembro de 1975 e que registraria parcialmente em disco (de estúdio) no mesmo ano de 1976 em que Belchior gravou o álbum “Alucinação” com produção musical de Marco Mazzola, nome então em ascensão no mercado fonográfico como produtor.
Mazzola foi fundamental para a existência deste segundo álbum de Belchior, lançado em junho de 1976 pela gravadora Philips com capa que mostrava o cantor em imagem do fotógrafo Januário Garcia, enquadrada na arte de Nilo de Paula.
Ao ouvir as músicas de Belchior em fita cassete na casa de Elis, que selecionava o repertório do show “Falso brilhante”, o jovem produtor ficou maravilhado com o cancioneiro do artista e convenceu a diretoria da gravadora Philips a contratar Belchior, naquela época sem abrigo na indústria do disco e já desgarrado do Pessoal do Ceará, coletivo formado por cantores, compositores e músicos que se conheceram nos efervescentes pontos culturais de Fortaleza (CE) no fim da década de 1960.
Belchior lançara o primeiro álbum em 1974, mas o LP – editado pela gravadora nacional Continental e intitulado “Belchior” – passou despercebido, ainda que trouxesse músicas de peso como “Na hora do almoço” (composição que apresentara o artista em escala nacional em festival de 1971), “A palo seco” (canção lançada por Belchior em single de 1973) e a então inédita “Todo sujo de batom”.
Veículo para a exposição do canto torto do artista, cortante como faca e como as letras carregadas de paixão e urgência, a canção “A palo seco” reapareceu no álbum “Alucinação” com o atualizado verso “[…] Que esse desespero é moda em 76”.
Desencantado inventário das perdas e anseios da geração que tentara em vão mudar o mundo guerrilheiro da década de 1960, guiada por Lennon e pelo ideal hippie de paz & amor, o álbum “Alucinação” teve como hit radiofônico a canção “Apenas um rapaz latino americano”, espécie de cartão de visitas do artista, “sem parentes importantes e vindo do interior”, como enfatizava Belchior na letra.
Verso sampleado pelo rapper Emicida no álbum “AmarElo” (2019), “Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro” faz parte da letra da canção “Sujeito de sorte” e soa hoje, tal qual em 1976, como um brado de resistência diante do sistema e das vicissitudes da vida.
Com arranjos do pianista José Carlos Bertrami (1946 – 2012), o álbum “Alucinação” se alimentou de rebeldia roqueira, juvenil, mas musicalmente transitou pela MPB e pela canção folk. As letras verborrágicas de Belchior por vezes ecoaram a prosódia da música de Bob Dylan, bardo norte-americano que radiografou as fraturas sociais dos Estados Unidos.
Já Belchior apontou as rachaduras na sociedade brasileira, citando músicas de Beatles e Dylan em versos de “Velha roupa colorida”, música de vibe roqueira apresentada por Elis no já mencionado show “Falso brilhante”.
No flash identitário de “Fotografia 3×4”, o cantor procurou se igualar à massa de migrantes nordestinos que se deslocavam para o Sudeste do Brasil em busca de dias melhores, em rota dificultada pelo preconceito que tenta esmagar e estigmatizar o povo da região. “Eu sou como você que me ouve agora”, reitera o cantor ao fim da canção.
“Um preto, um pobre, um estudante, uma mulher sozinha / Blue jeans e motocicletas, pessoas cinzas normais / Garotas dentro da noite, revólver, cheira a cachorro / Os humilhados do parque com os seus jornais” enumera e descreve o poeta nos versos da canção-título “Alucinação”, retrato sem retoques da selva das cidades. A balada de alma folk abre o lado B da edição original do álbum em LP e deixa claro que a alucinação do poeta é suportar o dia-a-dia.
Disco conceitual, “Alucinação” pode ser entendido, em suma, como um manifesto de insubordinação do artista aos mandamentos sociais. “E a única forma que pode ser norma / É nenhuma regra ter / É nunca fazer nada que o mestre mandar / Sempre desobedecer / Nunca reverenciar”, ordenou o bardo cearense nos versos de “Como o diabo gosta”.
Se for levado em conta que o Brasil de 1976 vivia sob o domínio da censura do governo militar do presidente Ernesto Geisel (1907 – 1996), o álbum de Belchior soa quase subversivo, ainda que haja ceticismo entranhado em algumas letras. “Não cante vitória muito cedo, não / Nem leve flores para a cova do inimigo / Que as lágrimas dos jovens / São fortes como um segredo / Podem fazer renascer um mal antigo”, advertiu Belchior em versos de “Não leve flores”.
Na música que arremata o álbum, “Antes do fim”, o derradeiro verso sublinha a mensagem de que o desespero era moda em 1976. “Viver é que grande o perigo”, sentenciou Belchior no fecho de “Alucinação”, álbum que se conserva relevante e atual porque, em qualquer contexto social ou político dos anos 2020, há perigo na esquina.

Fonte: G1 Entretenimento

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Filha do ator Tommy Lee Jones é encontrada morta em hotel de luxo na Califórnia, diz TMZ


A filha do ator Tommy Lee Jones, Victoria Jones, de 34 anos, foi encontrada morta em um hotel de luxo na Califórnia no dia 1º de janeiro. As informações são do site TMZ.
De acordo com o portal, Victoria foi encontrada já sem vida no hotel Fairmont San Francisco, durante a madrugada de quinta-feira.
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O Corpo de Bombeiros da cidade informou que equipes foram chamadas por volta das 2h52 (7h52, no horário de Brasília) para atender uma emergência médica no local, mas, ao chegarem, os socorristas constataram que ela já havia morrido.
Depois disso, o caso passou a ser acompanhado pela polícia e pelo Instituto Médico Legal de San Francisco.
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A polícia informou que os agentes chegaram ao hotel pouco depois das 3h da manhã e confirmaram a morte.
As autoridades locais abriram uma investigação para apurar o que aconteceu, mas até agora a causa da morte não foi divulgada, e não há mais informações oficiais, segundo o site.
O TMZ disse que tentou falar com representantes de Tommy Lee Jones, mas não recebeu resposta.
Victoria era filha do ator com sua primeira esposa, Kimberlea Cloughley. Quando mais jovem, ela chegou a seguir a carreira artística do pai, atuando no filme “MIB – Homens de Preto II”, em 2002.
Também participou da série “One Tree Hill” e do filme “Os Três Enterros de Melquiades Estrada”, dirigido por Tommy Lee Jones.
Tommy Lee Jones é um ator premiado com o Oscar. Ele ganhou o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante em 1993, pelo filme “O Fugitivo”.
Ao longo da carreira, também atuou em produções de grande sucesso, como “JFK”, a franquia “MIB: Homens de Preto”, “Onde os Fracos Não Têm Vez” e “Lincoln”.
Tommy Lee Jones e Will Smitt em ‘MIB: Homens de Preto’
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Will Smith é processado e acusado de assédio sexual por violinista


Will Smith no Grammy 2025
Jordan Strauss/Invision/AP
Um músico está processando Will Smith e uma empresa ligada ao ator por assédio sexual, demissão indevida e retaliação. O violinista profissional Brian King Joseph entrou com uma ação nesta terça-feira (30) em Los Angeles, contra Smith e sua empresa Treyball Studios Management, Inc.
Segundo a queixa, Smith teria “preparado e condicionado deliberadamente” Joseph para uma suposta exploração sexual após convidá-lo, em novembro de 2024, para integrar a turnê mundial “Based on a True Story: 2025”.
O processo descreve uma “série traumática de acontecimentos” em março de 2025, durante a turnê, quando Joseph afirma ter encontrado indícios de que alguém entrou em seu quarto de hotel em Las Vegas sem sinais de arrombamento.
Entre os elementos apontados como “ameaça sexual de violência” estariam um bilhete manuscrito com a frase “Brian, voltarei… só nós”, além de lenços umedecidos, uma garrafa de cerveja, um frasco de medicamento para HIV com o nome de outra pessoa e outros itens.
De acordo com a ação, Joseph disse ter temido que um indivíduo desconhecido retornasse ao quarto para forçá-lo a manter relações sexuais.
Ainda conforme o processo, após relatar o episódio à equipe de gerenciamento de Smith, Joseph teria sido repreendido por um integrante da produção da turnê e informado de que estava sendo demitido.
O violinista afirma que outra pessoa foi contratada para ocupar sua vaga e que o episódio lhe causou sofrimento emocional grave, prejuízo financeiro, danos à reputação e problemas de saúde mental, incluindo transtorno de estresse pós-traumático (TEPT).

Fonte: G1 Entretenimento

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Centenário de Moacir Santos, em julho, pede celebração à altura do maestro, um mestre na fusão singular de ritmos


Moacir Santos (1926 – 2006) faria 100 anos em 26 de julho
Guto Costa / Divulgação
♫ ANÁLISE
♬ São bem poucos os centenários de ícones da música brasileira em 2026. Contudo, um já se impõe soberano no calendário de efemérides da música brasileira neste ano novo.
Criador de “Coisas”, fundamental e renovador álbum de 1965, o compositor, multi-instrumentista, arranjador e maestro Moacir Santos (26 de julho de 1926 – 6 de agosto de 2006), falecido há duas décadas em Los Angeles (EUA), aos 80 anos, merece todas as honrarias pelo centenário de nascimento.
Louvado entre os instrumentistas, Santos tem sido celebrado em nichos da música instrumental, mas fica a sensação de que o Brasil ainda desconhece o artista pernambucano e a importância da obra que legou ao país. E a pergunta que se faz neste momento em que se aproxima o centenário do artista é somente uma: o Brasil irá honrar Moacir Santos na medida da relevância do maestro para a música brasileira? Tomara que sim, mas é provável que não.
“A benção, Moacir Santos, tu que não és um só, és tantos”, saudou Vinicius de Moraes (1913 – 1980) em verso do “Samba da benção” (1966). No verso, o poeta alude ao fato de Moacir Santos ter sido um mestre na fusão de ritmos, indo do folclore ao jazz em rota em que a música popular tangenciou muitas vezes a música erudita.
Isso era muito natural para quem se criou musicalmente com os sons das orquestras e bandas das cidades do Nordeste do Brasil. Iniciada entre Pernambuco e Paraíba, a rota de Santos desaguou em 1948 na cidade do Rio de Janeiro (RJ), epicentro cultural do Brasil.
Foi no Rio que, trabalhando como saxofonista e arranjador da dominante Rádio Nacional ao longo dos anos 1950, que o maestro burila o som miscigenado que, anos depois, iria sinterizar no supracitado álbum “Coisas”, calcado nas matrizes rítmicas africanas.
Aluno de mestres da música erudita brasileira como Hans-Joachim Koellreuter (1915 –2005) e Cesar Guerra-Peixe (1914 –1993), mas também professor de músicos do naipe de Baden Powell (1937 – 2000) e João Donato (1934 – 2023), Moacir Santos deixou música ancorada no universo afro-brasileiro.
A África foi a base, um norte do qual o multi-instrumentista jamais se afastou, mas o Brasil sustentou uma ponte rítmica inovadora, alicerçada com baião, maracatu e samba, entre outros gêneros musicais nativos. Tudo costurado pela liberdade do jazz, música sem fronteiras, e amalgamado com um requinte e um rigor eruditos, fruto da formação do artista, vocacionado para criar arranjos para orquestras e big bands.
Como o Brasil pareceu ter se tornado pequeno para a grandiosidade da obra de Santos nos anos 1960, década de polarizações extremadas entre a música nacional de raiz e a música eletrificada com guitarras, o artista voou em 1967 para os Estados Unidos.
Lá, Moacir Santos compôs trilhas para filmes, atividade que já exercera no Brasil entre 1964 e 1965. Os jazzistas norte-americanos souberam dar o devido valor ao ouro negro lapidado por Moacir Santos.
No Brasil, a iniciativa mais importante para reverenciar Moacir Santos foi de Mario Adnet e Zé Nogueira (1955 – 2024), produtores do álbum “Ouro negro”, gravado com o maestro ainda vivo e atuante. Neste disco de 2001, o cancioneiro de Moacir Santos foi expandido com a criação de letras, escritas por Nei Lopes, para alguns temas do maestro.
Lançado há 25 anos, o álbum “Ouro negro” é um exemplo de como o Brasil pode reavivar a memória e o legado de Moacir José dos Santos, grande (e já quase centenário) nome da música brasileira. Basta querer.

Fonte: G1 Entretenimento

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MTV encerra canais dedicados a videoclipes


‘Thriller’, de Michael Jackson, se tornou um dos videoclipes mais icônicos da história da música
Reprodução
Com o fim de 2025, a MTV encerrou, nesta quarta (31), os canais dedicados à exibição de videoclipes 24 horas. Além do Brasil, os canais MTV Music, MTV 80s, MTV 90s, Club MTV e MTV Live deixaram de ser transmitidos nos Estados Unidos, Irlanda, França, Alemanha, Áustria, Polônia, Hungria e Austrália.
De acordo com o Deadline, o último vídeo exibido no canal americano foi o mesmo que o inaugurou: “Video Killed the Radio Star”, do The Buggles.
As mudanças não afetam o canal MTV original, que segue no ar.
Segundo a revista “Rolling Stone”, nem a MTV nem sua controladora, a Paramount, explicaram os motivos para o encerramento de vários de seus canais voltados à programação musical.
O videoclipe morreu? Entenda por que artistas não investem mais milhões em clipes

Fonte: G1 Entretenimento

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BTS anuncia retorno com álbum em março e turnê mundial


BTS de volta? Cantores são liberados do Exército e fãs estão ansiosos com retorno do grupo
Após um hiato para cumprir o serviço militar obrigatório na Coreia do Sul, o BTS retornará com um novo álbum em 20 de março e uma turnê mundial.
A informação foi anunciada nesta quinta-feira (1°) pela Big Hit Music, agência do grupo. O lançamento será o primeiro desde “Proof”, álbum de 2022 que se tornou o mais vendido do país naquele ano.
“Estou esperando por isso com mais expectativas que ninguém”, escreveu o líder do grupo, RM, em carta manuscrita aos membros do fã-clube oficial.
O grupo estava em um hiato desde 2022, quando Jin foi o primeiro a se alistar no serviço militar, obrigatório para todos os homens com menos de 30 anos na Coreia do Sul.
Todos os integrantes foram dispensados em 2025, sendo o último o rapper Suga, que concluiu seu o serviço em 21 de junho do último ano.
BTS no Grammy 2022
Amy Sussman / Getty Images via AFP

Fonte: G1 Entretenimento

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João Bosco arquiteta revisão da obra autoral, ao lado de convidados, para celebrar os 80 anos que fará em julho


João Bosco
Victor Correa / Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ 2026 desponta no horizonte de João Bosco com projeto inédito na carreira fonográfica iniciada pelo artista em 1972. Para celebrar os 80 anos que completará em 13 de julho, o cantor, compositor e violonista prepara uma revisão do cancioneiro autoral ao lado de convidados. Será o primeiro álbum de duetos da discografia de Bosco.
O título provisório é “João Bosco 80 – Amigos novos e antigos” e alude ao fato de a gravação juntar o artista com nomes de diversas gerações da música brasileira, inclusive da atual. Cabe lembrar que “Amigos novos e antigos” é o nome da música da parceria de João Bosco com Aldir Blanc (1946 – 2020), lançada em 1974 na voz da cantora Maria Alcina.
Como 2026 também marca o 80º aniversário de Aldir, nascido em 2 de setembro de 1946, o projeto de Bosco com convidados – por si só relevante pelo ineditismo na trajetória do artista mineiro – adquire importância adicional no universo da música brasileira.

Fonte: G1 Entretenimento

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Perspectiva 2026 – Álbuns de Anitta, Black Pantera, Caetano Veloso e Zélia Duncan estão na pauta do ano novo


Anitta, Black Pantera, Caetano Veloso e Zélia Duncan arquitetam álbuns com repertório inédito para 2026
Reprodução X Anitta / Marcos Hermes / Fernando Young / Reprodução Facebook Zélia Duncan / Montagem g1
♫ PERSPECTIVA 2026
♬ Qualquer exercício de futurologia em relação aos caminhos da música brasileira em 2026 corre sério risco de se tornar risível ao fim do ano que hoje se inicia. Críticos e colunistas musicais quase nunca acertam quando apontam tendências e tentam adivinhar quem serão os artistas projetados ao longo do ano novo.
Por isso, o Blog do Mauro Ferreira prefere se ater aos fatos neste texto que esboça uma perspectiva para a música brasileira em 2026. E o fato é que o ano novo começa com promessas de álbuns com repertórios inéditos de Anitta, Black Pantera, Caetano Veloso e Zélia Duncan.
Após controverso EP carnavalesco moldado para o verão de 2026, Anitta prepara álbum em que o reggaeton será ritmo recorrente, mas não dominará inteiramente o repertório, como era desejo dos diretores da gravadora da artista. Anitta quer se permitir fazer sons diferentes, experimentais. Talvez porque, no íntimo, já tenha entendido que alcançou o máximo que podia ter obtido no mercado internacional – e cabe ressaltar que a girl from Rio conquistou muito além das fronteiras do Brasil.
No reino da MPB, a boa nova é a perspectiva de um álbum de inéditas de Caetano Veloso. Seria o primeiro disco do cantor no gênero desde o vigoroso “Meu coco”, de 2021. Empresária e esposa do artista, Paula Lavigne já declarou que Caetano está compondo e que pretende entrar em estúdio.
Já Ivan Lins apronta álbum em que regrava os sambas do cancioneiro autoral (com direito a um samba inédito, “Maravilhado”) ao lado de bambas como Diogo Nogueira, Péricles, Xande de Pilares e Zeca Pagodinho. O compositor traz o samba dele para a roda dos pagodes. Um álbum com músicas inéditas, gestado desde o ano passado, também está nos planos de Ivan.
Zélia Duncan também entrou em estúdio em 2025. A cantora e compositora dá forma a álbum autoral. Será o primeiro em cinco anos, já que o último, “Pelespírito”, foi lançado em 2021.
Na seara do rock pesado, o trio ativista Black Pantera finaliza o quinto álbum de estúdio no rastro dos sucessos dos álbuns “Ascensão” (2022) e “Perpétuo” (2024), mas, antes, o grupo deverá lançar o registro audiovisual do show gravado ao vivo em novembro no Circo Voador, palco efervescente do Rio de Janeiro (RJ).
No terreirão do samba, Teresa Cristina obteve patrocínio para enfim gravar o álbum autoral com músicas inéditas que acalenta há mais de dez anos.
Também estão previstos os lançamentos de álbuns de Alaíde Costa (o terceiro da trilogia idealizada por Emicida e Marcus Preto) e dos atores Fitti (um tributo a Ney Matogrosso) e Gabriel Leone, que se lança oficialmente como cantor em álbum já pronto e programado para ser editado depois do Carnaval.
Djavan volta à cena em 2026 com turnê em que festeja 50 anos de sucesso em show com roteiro calcado em hits
Mar + Vin / Divulgação
No disputado território dos shows, 2026 deverá manter muitos artistas nas rotas das turnês moldadas para arenas e estádios, tal como aconteceu nos últimos dois anos. No panteão da MPB, Djavan sairá em turnê pelo Brasil para celebrar 50 anos de sucesso, tomando como ponto de partida o lançamento do primeiro álbum em 1976.
Alceu Valença festeja oito décadas de vida com a turnê “80 girassóis”. Vozes do pagode, Ferrugem e Péricles se unem em turnê inédita. Diogo Nogueira estreará em março a turnê “Infinito samba” com banda, orquestra e bailarinos. Já Liniker vai extrair todo o suco possível do disco e show “Caju” na parte final da turnê, com apresentações remodeladas para arenas e estádios, enquanto o Barão Vermelho tentará fisgar o público com show em que Roberto Frejat reassume os vocais.
Efemérides associadas a álbuns emblemáticos também movimentarão o ano. A banda Titãs (atualmente reduzida a um trio) se escora em show calcado nos 40 anos do álbum “Cabeça dinossauro” (1986). Chico César celebrará no palco os 30 anos do disco “Cuscuz clã” (1996¨).
Já os 50 anos de “África Brasil” (1976), um dos álbuns mais influentes de Jorge Ben Jor, certamente serão festejados com devoção. O primeiro tributo acontece no Carnaval carioca com o desfile do bloco Estratégia, em 7 de fevereiro, tendo como tema o cinquentenário do disco.
Ainda na seara dos tributos, os 80 anos de ícones da MPB como Maria Bethânia, João Bosco, Aldir Blanc (1946 – 2020), Beth Carvalho (1946 – 2019) e Emilio Santiago (1946 –2013) certamente motivarão homenagens, alguma forçosamente póstumas.
Enfim, com um pé no passado e o outro no futuro, 2026 entra em cena com promessa de muita música brasileira na pauta do ano novo.

Fonte: G1 Entretenimento