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Seca reduz nível de rios e dificulta combate às queimadas na Serra do Lajeado em Palmas


Ribeirão Taquaruçu, que abastece cidade de Palmas, nunca esteve com nível tão crítico, segundo moradores. Escassez hídrica na serra atrapalha trabalho de helicóptero, que precisa buscar água em rios para conter o fogo. Rios e represas no entorno de Palmas sofrem com a estiagem
Rios e nascentes na Serra do Lajeado, em Palmas, estão praticamente secos. Moradores dizem que o nível da água nunca esteve tão baixo. A escassez hídrica também é preocupante porque dificulta o combate ao fogo na serra. Isso porque o helicóptero do Ciopaer precisa buscar água em rios no local para controlar as chamas.
Uma força-tarefa tenta, desde sábado (29), controlar as chamas na Serra do Lajeado. Nesta quarta-feira, um novo alerta foi emitido, já que o fogo ameaçava chegar em propriedades que ficam no local.
Enquanto queimadas destroem vegetação e animais, o nível dos rios também preocupa. O volume do Ribeirão Taquaruçu, que abastece a cidade de Palmas, nunca esteve tão baixo, segundo moradores.
“Angustia demais. Eu moro nessa propriedade há 10 anos e todo ano, eu vejo o leito baixar. Nesse nível, ele nunca esteve. Ele sempre esteve cobrindo essa laje de pedra”, disse a chacareira Noeli Maria Sturmer.
O ribeirão recebe água de nascentes que passam pela serra do Parque Estadual do Lajeado e que estão praticamente secas. A nascente no morro Macacatu tem apenas resquícios de água.
“Isso aqui há 15 anos era um uma enxurrada de água, vem queimada e acontece isso e ninguém toma providência”, argumentou o chacareiro Elio Sousa.
As represas na serra de Palmas passam por uma das piores estiagem dos últimos anos. Em um reservatório usado para estocar água da chuva e onde peixes são criados, o nível baixou cerca de sete metros. Os animais começaram a morrer.
São mais de 14 mil peixes criados na represa. No local, é possível encontrar carcaças de pirarucu e outras espécies que não resistiram
“Eu tive que diminuir a quantidade de peixes porque esse ano a água baixou muito e está sujeito a secar tudo. Eu vou ter que mudar os peixes para a parte de cima”, argumentou o chacareiro Remilson Cavalcante.
Seca de nascentes compromete combate de incêndio na Serra de Lajeado
Reprodução
A escassez hídrica também prejudica o trabalho de combate ao fogo nos paredões da serra, onde só a aeronave do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer) consegue chegar. Mas, sem agua na região, a situação fica complicada.
“Não conseguimos ir até o lago ou até o [parque] Cesamar para fazer a captação porque de um lançamento a outro, iria demorar mais de 10 minutos, tornando assim o trabalho do helicóptero completamente inefetivo”, afirmou o comandante do Ciopaer, major Gustavo Bolentini.
Em campo, brigadistas continuam tentando desde sábado (29) combater as chamas com o contrafogo. Chacareiros ajudam, mas cobram a realização de um trabalho preventivo.
“Nós nos consideramos fiéis depositários dessa riqueza, mas não damos conta de cuidar sozinhos. A gente vê a ausência do poder público em investir aqui”, ressalta Noeli.
A Fundação Municipal de Meio Ambiente disse que o programa Água Viva tem o objetivo de preservar nascentes e as áreas de preservação permanente. Disse ainda que são feitas ações de educação ambiental e fiscalização sobre o uso desses recursos hídricos.
A BRK Ambiental informou que monitora os mananciais onde faz a captação de água seguindo todas as regras estabelecidas em lei. Disse ainda que tem programas de educação ambiental nas regiões onde atua.
Sobre a falta de ações de prevenção às queimadas, não houve pronunciamento do Naturatins.
Veja mais notícias da região no G1 Tocantins.

Fonte: G1 Tocantins