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XXXTentacion atinge 1º lugar da Billboard uma semana após sua trágica morte

O single “Sad”, uma das músicas mais conhecidas de XXXTentacion, alcançou o primeiro lugar da Billboard, principal ranking de música do mundo, apenas uma semana após a trágica morte do rapper de 20 anos. Ele é o oitavo artista a alcançar o feito póstumo.

Coincidentemente, o último a chegar ao 1º lugar da lista pós-morte havia sido Notorious B.I.G., rapper que também morreu baleado em 1997. Biggie chegou ao topo há 21 anos com a música “Mo Money, Mo Problems”.

Os outros artistas solo que lideraram o Hot 100 depois de terem morrido foram John Lennon, com “(Just Like) Starting Over” (1980-81), Jim Croce, com “Time in a Bottle” (1973-1974), Janis Joplin, com “Me and Bobby McGee” (1971) e Otis Redding, com “(Sittin) ‘on the Dock of the Bay” (1968).

Lançada no segundo álbum de XXXTentacion, “Sad” saltou da 52ª posição para a primeira após a morte do rapper. Na época da estreia, em março, ela chegou à 7ª posição. Com o feito, ele passa à frente de artistas como Drake, Post Malone, Cardi B e Maroon 5.

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Reforma em casa atrasa, e Arlindo Cruz deixará o hospital na quinta-feira

Internado há 15 meses, Arlindo Cruz está apto a voltar para casa. A alta poderia ocorrer já nesta segunda ou terça-feira.

Mas por causa das adaptações necessárias em casa para que ele seja mantido no sistema “home care”, os médicos optaram por manter o sambista por mais alguns dias no hospital. A informação foi confirmada ao UOL por Arlindinho, filho do cantor.

“Estamos terminando, mas ainda está em obra lá em casa. Não conseguimos aprontar tudo a tempo. Tivemos que adaptar muitas coisas a pedido dos médicos. Aí o cheiro de tinta ainda está um pouco forte, algumas coisas assim que impossibilitaram de ele vir antes”, explicou Arlindinho.

A expectativa era que o pai, fã de futebol, assistisse ao jogo do Brasil contra a Sérvia na quarta-feira. Uma foto publicada na última sexta-feira nas redes sociais do músico mostra que Arlindo está na torcida pela seleção mesmo dentro do hospital. O cantor de 59 anos apareceu caracterizado com itens verde e amarelo.

Arlindo Cruz sofreu um AVC em março do ano passado e está internado desde então.

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“Anitta será a próxima Ivete”, diz o presidente do Rock in Rio, Roberto Medina

O primeiro final de semana da oitava edição do Rock in Rio Lisboa terminou neste domingo com uma certeza: o festival já é tão português quanto brasileiro. No país, o evento já virou tradição e ajuda a movimentar a economia e o turismo local.

Neste primeiro final de semana, em que as principais atrações eram Muse e Bruno Mars, foi Anitta quem se destacou. Sem medo de encarar uma multidão de 85 mil pessoas, ela subiu no Palco Mundo e cumpriu o que havia prometido mais cedo: rebolar e botar funk para tocar.

Em conversa com o UOL, o presidente do Rock in Rio, Roberto Medina, foi enfático ao analisar o sucesso da cantora. “Eu tenho certeza que a Anitta será a próxima Ivete e é obrigação do Rock in Rio estar junto a ela”.

Medina minimizou ainda o fato de o festival nunca ter escalado uma funkeira antes. “Eu nunca tinha dito que não gostava de funk ou da Anitta. Eu faço pesquisas e na hora de escolher o que vai tocar no Rock in Rio não sigo o que eu gosto de ouvir. Não interfiro na programação”.

Além de Anitta, também tocaram neste final de semana os brasilerios Anavitória, Rael, Emicida e Manu Gavassi (que fez uma participação especial no show do português Agir). Na semana que vem, será a vez de Ivete Sangalo.
Rock in Rio ainda mais internacional

Além do Brasil e de Portugal, o Rock in Rio também já foi realizado em Madri, na Espanha, e em Las Vegas, nos Estados Unidos. Porém, nos dois lugares, o evento não vingou. “Quero voltar para os Estados Unidos, mas não para Las Vegas. Aquela cidade é uma coisa estranha. Há muita oferta e não conseguimos ter uma força”, contou Medina.

Sobre Madri, ele disse que não gostou do mercado de lá. “Mais da metade dos espanhóis não acredita na globalização. É muito difícil levar algo de fora para o país”.

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Sony compra 60% da gravadora EMI em negócio avaliado em cerca de US$ 2 bilhões

A gigante de entretenimento japonesa Sony anunciou nesta terça-feira (21) um acordo para comprar 60% da gravadora EMI Music Publishing do fundo Mubadala, de Abu Dhabi. A Sony já é acionista minoritária da gravadora e sua participação na empresa saltará para cerca de 90%.

O valor do negócio ainda não está fechado. Ele terá como base o valor de mercado da companhia em US$ 4,75 bilhões.

No comunicado da Sony, a empresa estima que ele será de aproximadamente a US$ 1,9 bilhão. Já o comunicado do Mubadala diz que a Sony poderá gastar US$ 2,3 bilhões para assumir a empresa.

2,1 milhões de músicas

A EMI se apresenta como a “segunda maior gravadora em receita”. Ela faturou US$663 milhões no ano fiscal encerrado em março de 2018. A companhia tem direitos autorais sobre cerca de 2,1 milhões de músicas, de canções clássica a hits atuais como “Happy”, de Pharrell Williams, e Chandelier, da cantora Sia.

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Will Smith cantará música da Copa do Mundo 2018 com Nicky Jam e Era Istrefi, diz revista

Will Smith se juntará a Nicky Jam e ao cantor de Kosovo Era Istrefi para lançar a música oficial da Copa do Mundo 2018, que acontece na Rússia, segundo o site da revista “Billboard”.

A canção será produzida por Diplo e lançada oficialmente na sexta-feira (25).

Entre as oficiais de anos passados estão “We are one (Ole ola)”, cantada por Claudia Leitte, Jennifer Lopez e Pitbull para a Copa no Brasil, “Waka waka”, de Shakira, e “The cup of life”, de Ricky Martin.

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Relembre as 11 casas mais bonitas dos famosos que receberam o EGO

Os famosos costumam entrar na casa dos telespectadores todos os dias para levar diversão e entretenimento. Mas, para matar a curiosidade daqueles que vivem se perguntando como vivem os artistas, selecionamos as 11 casas mais bonitas dos famosos para inspirar os fãs. Além de decoração descolada e moderna, o toque pessoal de cada um é importante para dar identidade e conforto. Cada anfitrião recebeu o EGO para tomar um café e mostrar seu cantinho preferido. Relembre as casas mais poderosas e exóticas de atores, cantores, DJs, diretores de TV e celebridades que moram no Rio de Janeiro e em São Paulo.

A cantora Anitta apostou em decoração pop e colorida para deixar os ambientes com a sua cara. A beldade Aline Riscado mostrou como usar a cor azul turquesa em triplex de 215 m². Já Ana de Biase confessou que a área de lazer ampla é a preferida de sua família.

O casal Belo e Gracyanne falou da mudança da Cidade Maravilhosa para a Terra da Garoa. A atriz Gabi Lopes separou parte da cobertura para criar um estúdio só seu. Os DJs Jesus Luz e Carol Ramiro deram show de fofura ao lado da filha Malena. A atriz Giselle Prattes mostrou como garimpar peças de viagens para decorar seu lar.

A romântica cantora Thaeme afirmou que é preciso enfeitar paredes com muitas fotos para ter boas lembranças. O diretor Jayme Monjardim revelou sua intimidade, mostrou oratório em casa e falou de sua fé. Juju Salimeni abriu o guarda-roupa, mostrando uma organização impecável. Os veteranos atores Rosamaria Murtinho e Mauro Mendonça deram show de paixão ao abrir casa clássica para celebrar cada dia de seu casamento.

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O EGO se despede e relembra flagrantes inesquecíveis de famosos

publicada em 20/4/2017
atualizada em 20/4/2017
O EGO se despede e relembra flagrantes inesquecíveis de famosos
Amores revelados, romances que chegaram ao fim e cliques indiscretos que mostraram a intimidade das celebridades durante 11 anos.

Gabriel Castelo Branco Do EGO, no Rio
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Retrospectiva – Flagras (Foto: EGO – Agência Grosby – AKM-GSI/ Agência)
Klebber Toledo e Monica Iozzi, Ivete Sangalo, Orlando Bloom e Heidi KLum
(Foto: EGO – Agência Grosby – AKM-GSI/ Agência)

A história do EGO foi marcada por grandes flagras. Teve romance revelado por uma foto feita no momento certo. E os famosos que foram vítimas daquele clique indiscreto e tiveram sua intimidade registrada por um paparazzo? Listamos alguns flagras que marcaram os 11 anos do site.

Ivete Sangalo fazendo o Bolt
Esta ainda está fresquinha na memória dos leitores do EGO. Afinal, quem não se lembra da dobradinha de Ivete Sangalo no desfile da Grande Rio no Carnaval de 2017? Homenageada da escola de samba carioca, a cantora emocionou ao cruzar a Marquês de Sapucaí como integrante da comissão de frente. Mas não foi só isso: Veveta correu – e muito! – para sair da dispersão, voltar para a concentração e desfilar no último carro alegórico com o marido, Daniel Cady, e o filho do casal, Marcelo. O flagra do EGO foi “a” foto do carnaval!

Casais revelados durante a folia
O Carnaval rendeu outros flagras marcantes. Foi durante a folia que foi revelado o casal formado pela cantora Ana Carolina e pela atriz Leticia Lima. Elas foram fotografadas se beijando em um camarote na Marquês de Sapucaí em 2016. No mesmo ano, o EGO clicou a atriz Monica Iozzi trocando beijos apaixonados com o ator Klebber Toledo.

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Globo, Record e SBT têm, em média, apenas 8% de atores negros em novelas

Há apenas 7,98% de atores negros trabalhando na dramaturgia das três principais emissoras do país, atualmente, segundo levantamento feito pela reportagem do UOL. O cálculo levou em conta as novelas que estão no ar ou em produção na Globo, na Record e no SBT, e o elenco divulgado por cada uma delas.

Enquanto “As Aventuras de Poliana”, que estreia nesta quarta (16) no SBT, é a trama que possui a maior representatividade negra (14,5%), a global “Deus Salve o Rei” não possui nenhum ator negro. Já em “Apocalipse”, da Record, dos 81 atores que constam na ficha técnica, apenas dois são negros –ou 2,46% do total.

A discussão sobre o assunto foi levantada no final de abril, depois de ativistas de movimentos negros reclamarem nas redes sociais sobre o fato de a nova novela das 21h da Globo, “Segundo Sol”, ser formada majoritariamente por brancos. A história escrita por João Emanuel Carneiro se passa na Bahia, onde 80,2% dos habitantes se declararam pretos ou pardos, de acordo com os dados de 2017 do IBGE.

Para Sidney Santiago, ator, pesquisador e ativista, a televisão tem se tornado a ferramenta mais eficaz para a manutenção do racismo. “Quando o povo não se vê, não se acha merecedor de direitos. Nós, atores negros, ainda estamos atrelados a uma rubrica. São 200 personagens em uma novela, você tem três negros, e todos eles são pessoas desumanizadas, que não têm a sua história contada”, critica.

“O problema não é ser empregada doméstica negra, o problema é essa empregada doméstica negra não ter família, não ter afetividade, ser despolitizada. É contra isso que nós precisamos lutar”, afirma ele, que participou de novelas como “Caminho das Índias” (Globo) e “Escrava Mãe” (Record), referindo-se aos estereótipos.

Santiago não acredita na tentativa real de mudança por parte das emissoras. “Eu não vejo uma mobilização real. Não estou falando de factóide, de produção de nota, de campanhas de inclusão de um dia para a noite. O que a gente está vendo é isso: a partir de um clamor social, uma mobilização, mas, para mim, ainda não é uma mobilização real. São factóides para tentar se relacionar com o clamor público.”

Após a polêmica, a TV Globo emitiu nota dizendo que “foi colocado que, de fato, ainda temos uma representatividade menor do que gostaríamos e vamos trabalhar para evoluir com essa questão”. Record e SBT também foram consultadas, mas não responderam aos questionamentos até a conclusão deste texto.

Autora de “As Aventuras de Poliana”, Íris Abravanel disse ter dificuldade de encontrar atores negros para compor os elencos durante o lançamento da novela infanto-juvenil do SBT, na semana passada.

“Quando nós procuramos atores, não é fácil encontrar ator afro. Nós temos dificuldade de encontrar. Eu acho que eles precisam eles mesmos superarem algumas dificuldades e ir para frente, conquistar. Eu fico tão feliz quando eu vejo alguém que consegue ser um advogado, um médico, um ator. Às vezes quando pedimos, não tem muitos não. Então, aquilo que nós conseguimos, nós aproveitamos”.

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Pedro Bial: “A relação entre a Globo e o Brasil está longe de ser tranquila”

Assim que recebeu o pedido de entrevista deste jornal, o apresentador global Pedro Bial disse à sua interlocutora: “Por que será que eles querem me entrevistar?”. Aos 59 anos, o jornalista carioca trabalha há mais de 30 anos na rede Globo, a maior emissora do Brasil – “já sou móveis e utensílios de lá”, diz, brincando, se comparando aos patrimônios materiais devido ao tempo de casa. De fato, é uma das referências na equipe da Globo. Chamada de golpista por militantes da esquerda, e comunista por simpatizantes da direita, a empresa na qual Bial trabalha desde 1981 é hoje um dos maiores símbolos da polarização política vivida no país. Não à toa, se vê no meio do fogo cruzado, sendo alvo da cisão ideológica na qual o país se encontra. “Eu ponho coisas nas redes sociais falando do programa e elas são interpretadas pela direita como se eu fosse um perigoso esquerdista, e pela esquerda como se eu fosse um fascista”, conta. As quase duas horas de entrevista em uma padaria em Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, mostraram que Pedro Bial tem muito a dizer.

O ódio na internet faz com que o apresentador prefira ficar distante das redes sociais. “Eu não tenho estrutura emocional e imunidade para frequentar as redes”, afirma. “Eu já fui ameaçado de morte muitas vezes. O cara diz que eu sou esquerdista e eu não sou. Mas caguei também se eu sou ou não sou”. Por isso, não tem Facebook e não usa sua conta no Twitter. Mas menciona as páginas que divulgam pensamentos atribuídos à sua autoria, que, na verdade, não são dele. “A internet tem essa coisa que me dá um nervoso enorme que são frases e frases e frases atribuídas a mim, mas nenhuma é minha. E aí eu cheguei a ter crise de identidade, porque eu que era o falso. O verdadeiro eram os outros”, diz, rindo, enquanto coloca água com gás no café. “É para esfriar”, explica. “Ih… você já tá percebendo as minhas manias?”.

A única conta que o apresentador administra pessoalmente – “com cuidado” – é a do Instagram. Ali, vez ou outra divulga os shows do filho mais velho, Theo, 19, que está começando a carreira de músico. Também posta algumas fotos dos convidados do seu programa, Conversa com Bial, talk-show que passa de segunda à sexta-feira no início da madrugada, depois do Jornal da Globo.

Na grade da emissora desde maio deste ano, Conversa já contou com personalidades das mais variadas áreas. Do ex-presidente uruguaio Pepe Mujica, passando pelo escritor israelense Yuval Harari, a presidenta do Supremo Tribunal Federal, a ministra Cármen Lúcia, e o general Eduardo Villas Boas, atual comandante do Exército brasileiro,. E, claro, atores globais e cantores com a dupla sertaneja César Menotti e Fabiano. “Eu não frequento as redes sociais, mas fico com o meu ouvido ligado na maioria silenciosa, que é quem ainda decide a audiência na tevê aberta”, diz. “A vitória do Trump, o Brexit, a eleição do [prefeito de São Paulo] Doria, foi a maioria silenciosa [quem decidiu]”.

Bial afinou o ouvido para este público majoritário ao longo das 16 edições do Big Brother Brasil que apresentou. “Eu comecei estranhando muito”, diz. “E o Big Brother era um lugar que atraía ódio de todas as naturezas. Inclusive um ódio mais amoroso, que era de quem gostava do correspondente, do jornalista, e se sentiu traído, se ofendia com o fato de eu estar lá vendido, entre aspas, ao entretenimento, e esses falaram coisas horríveis pra mim”, lembra.

As críticas atingiram o apresentador, que já foi correspondente de guerra da rede Globo. “Me sentia magoado, mas hoje entendo melhor”. Para ouvir as perguntas feitas pela reportagem, Bial inclina levemente a cabeça para o lado esquerdo, já que teve a audição do ouvido direito comprometida quando uma bomba estourou ao seu lado na cobertura da guerra da Bósnia (1992 – 1995). Esta herança fez com que hoje, a estética do seu programa quebrasse as tradições dos talk shows: o cenário do Conversa com Bial  deixa o apresentador do lado esquerdo do entrevistado, ao contrário de todos os outros programas neste formato. O pedido partiu dele mesmo, para que pudesse ouvir melhor seus convidados.

Da época de repórter, conta, não sente saudade. “Tenho orgulho. Não sei como seria cobrir uma guerra hoje, porque hoje eu tenho uma outra relação com o desconforto”, diz. “Acho que eu encararia, mas fisicamente já não tenho as mesmas articulações, tenho artrose no joelho”, diverte-se. Contrariando o autobullying, a idade não parece ser um impeditivo na vida do apresentador, jornalista, escritor e roteirista. No mês passado, foi pai pela quarta vez. Laura, sua segunda filha mulher, nasceu do casamento com a jornalista Maria Prata. “Vou ter que arrumar um corpo de cardiologistas, porque no momento em que a minha filha de 30 anos (a artista plástica Ana Bial, do casamento com a jornalista Renée Castelo Branco) pegar no colo a minha filha de meses, eu vou cair duro”, conta, orgulhoso. Além de Theo Bial, do relacionamento com a atriz Giulia Gam, ele é pai também de José Pedro Bial,15, fruto da relação com a cineasta Isabel Diegues.

Ao ser questionado sobre a paternidade à beira dos 60, fica poético. “A vida é longa demais para se morrer várias vezes e por isso é possível nascer várias vezes também”, disse, enquanto tirava o blazer para sentar-se à mesa. Para a entrevista, vestiu-se da mesma maneira que se veste para apresentar o programa: calça jeans, camisa e blazer. Chegou à padaria mais cedo que o horário marcado, pediu um sanduíche de presunto parma sem olhar o cardápio. Respondeu a todas as perguntas. Algumas com mais reflexão que outras. “Outro dia me caiu a ficha: caramba, tem menos de 12 meses para as eleições e eu vou chegar na urna com essas opções que estão aí? O que eu vou fazer? Vou anular?”.

Talvez porque realmente não saiba o que fazer, não mencionou candidatos ou preferências. Lembrou-se de um episódio no consulado brasileiro nos Estados Unidos em 1994, pouco antes de iniciar a Copa do Mundo. “O Lula estava ali e se comportava como presidente eleito já, cheio de si, com os jornalistas em volta [o petista perderia a eleição daquele ano no primeiro turno para o tucano Fernando Henrique Cardoso]”, lembra. “Hoje o contexto é diferente, mas as coisas acontecem. Parece que não tem nada para acontecer, mas há um espaço ali, entre estes dois extremos que existem hoje”, diz. “É preciso ver o que vai aparecer no centro e se este candidato terá capacidade de chegar no segundo turno”, analisa o apresentador, que se autointitula “um liberal democrata, se você quiser me enquadrar ideologicamente em algum lugar”.

Para ele, esquerda e direita estão obsoletas. “Um reproduz o outro e um torna o outro possível, mas nenhum dos dois campos respondem às necessidades do século XXI”. Ainda sobre o ano que vem, afirma que pretende atuar no programa, tentando buscar “um nível positivo, de um Brasil que funciona, a despeito de Brasília”.

Medo da “sifudência”

Filho de uma família de refugiados, Bial teve pouca convivência com o pai, um alemão que chegou ao Brasil ao lado da mulher, com fortes traumas da Segunda Guerra. “Quem é filho de refugiados entende a grande desestruturação que é ser um refugiado. Você se refugia por causa de uma grande desestruturação nacional, que se reflete numa grande desestruturação familiar e, depois, individual”, diz. “O que eu via como uma família aparentemente sólida quando eu era criança, não tinha solidez nenhuma. Acho que por isso, o medo da sifudência [ou seja, se dar mal, usando um eufemismo] talvez tenha me levado ao workaholismo“. Diz que já ficou mal por causa do ritmo de trabalho, mas hoje tenta equilibrar. Não faz mais terapia, tendo trocado a psicanálise por coaching.

O vício em trabalho talvez tenha contribuído, por outro lado, para que o apresentador se tornasse prata da casa na Globo, e possa hoje falar com tanta propriedade sobre a emissora. “A relação entre a Globo e o Brasil está longe de ser tranquila. É uma relação que espelha as nossas tensões entre o grande capital e o Estado. A Globo é a catedral da iniciativa privada brasileira”. Reconhece que a emissora vem passando por mudanças, e diz que já presenciou “algumas eras” da empresa.

Neste momento, a companhia está lidando com questões envolvendo racismo e assédio. No mês passado, afastou o apresentador estrela do Jornal da Globo, William Waack depois de vazar um vídeo em que ele faz comentários racistas. Em abril, teve de fazer outra gestão de crise depois que veio à tona casos de assédio sexual provocados pelo galã da emissora, o ator José Mayer. Na época, as funcionárias da emissora se organizaram para se manifestar em solidariedade à vítima, a figurinista Susllem Tonani. Diante dos fatos, o apresentador prefere ponderar.  “Eu não me considero um cara feminista”, diz. “Estou com as mulheres, mas acho a última onda do feminismo muito radical. Mas também reconheço que a emancipação feminina libertou inclusive a nós homens, significativamente”, fala, pedindo para se explicar. “É muito difícil ser mulher, historicamente. Você entende por que é preciso existir um dia internacional da mulher, mas eu tenho dois filhos e sei o quanto é difícil ser homem, ser, por exemplo, viril, sem ser grosseiro”.

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Laerte: “Penso que qualquer manifestação da sensibilidade está sob perigo”

“Penso que qualquer manifestação da sensibilidade brasileira está sob perigo, nesse momento. Não chamaria só de intolerância, mas de ignorância truculenta – em outras palavras, fascismo”. É dessa forma que a quadrinista Laerte encara os ataques contra museus, artistas e até filósofas que vêm acontecendo pelo Brasil nos últimos meses.

Laerte está lançando “Baiacu” (Todavia), coletânea artística um tanto anárquica que reúne ilustrações, fotografias, poemas, HQs e textos em prosa que organizou com Angeli, parceiro com quem não atuava desde a década de 80. “Voltar a trabalhar com o Angeli foi voltar a produzir revista, editar, juntar gente, coisa que ele sempre fez muito bem. Acho que não existe nada que ‘permaneça’ entre uma experiência e outra… A água é outra, o moinho é outro, somos outras pessoas”, diz a quadrinista sobre o reencontro.

“Baiacu” nasce de uma residência artística de duas semanas que Laerte e Angeli capitanearam com dez colegas na Casa do Sol, sede do Instituto Hilda Hilst e antiga moradia da escritora. “A escolha [dos nomes], mais do que seleção, foi se dando sob diversos critérios: queríamos um grupo de artistas de força, que também contemplasse uma certa diversidade. Sem fazer dessa diversidade um cânone rígido, procuramos trazer gente de fora de São Paulo, de fora do Brasil, mulheres, homens, visões e maneiras variadas”.

PARA REAGIR A LUNÁTICOS E FASCISTAS, QUADRINISTA CRIA SÉRIE BRASIL MEDIEVAL

Dessa forma, nomes como a equatoriana Power Paola, o grego Ilan Manouach, o gaúcho Guazzelli e a carioca Laura Lannes, que hoje vive em Nova Iorque, trabalharam juntos, ainda que cada um assine de maneira independente suas criações que foram parar no livro ou na versão digital de “Baiacu”. No final, somaram-se ao material produzido na Casa do Sol textos de cinco escritores, dentre eles André Sant’Anna, Daniel Galera e Bruna Beber.