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‘Caganeira’ ou briga por bet? Os bastidores do show que Gusttavo Lima cancelou duas vezes em PE


Gusttavo Lima durante show no São João de Caruaru, em 27 de junho, usando camisa da casa de apostas que patrocina o cantor.
Redes sociais
O cantor Gusttavo Lima cancelou, por duas vezes, o show que faria em Surubim, no Agreste de Pernambuco, durante a programação de São João.
A primeira, marcada para 18 de junho, alegando descumprimento do contrato pelos contratantes. A segunda, no último sábado (27), afirmando estar com uma intoxicação alimentar.
Publicamente, a história foi contada assim: o artista disse que estava com uma “diarreia absurda”, pediu perdão ao público e informou que iria devolver o cachê da apresentação.
“Galera de Surubim, mil desculpas por não comparecer ao show de hoje. Intoxicação alimentar. Traduzindo, caganeira mesmo”, publicou nas redes sociais.
Do outro lado, o prefeito Cléber Chaparral (União Brasil) subiu ao palco da festa e chamou o cantor de “ladrão” após ser informado da segunda desistência. No dia seguinte, contestou a afirmação de que o cachê havia sido devolvido integralmente.
Nos bastidores, entretanto, produtores envolvidos na contratação afirmam que os problemas começaram bem antes da doença alegada pelo artista.
Procurado pelo g1, Gusttavo Lima não respondeu até a última atualização desta reportagem.
Impasse por causa de bet
Segundo o produtor Bruno Rego, sócio da BG Promoções, o impasse começou por causa do patrocínio da festa.
A empresa contratou o cantor para o São João de Petrolina e, em Surubim, atuou como intermediária entre a prefeitura e a equipe do artista.
De acordo com Rego, Gusttavo Lima teria se recusado a subir ao palco na primeira data do show ao identificar a marca VaideBet entre os patrocinadores do evento.
O cantor já teve vínculo com a casa de apostas, mas atualmente é patrocinado pela Aposta Ganha, concorrente da empresa.
Print da “Roleta do Embaixador”, jogo personalizado do cantor Gusttavo Lima na Aposta Ganha.
Redes sociais
Na ocasião, a equipe do artista anunciou o cancelamento e divulgou uma nota sobre o caso.
“Ao chegar ao local do evento, nossa equipe constatou o descumprimento de itens previstos em contrato (…), entre eles a veiculação da imagem do artista junto à marca da empresa VaideBet, associação que, por princípio, o artista não autoriza em nenhuma circunstância.”
Apesar da divergência, Gusttavo Lima e os contratantes voltaram a negociar e chegaram a um acordo para remarcar a apresentação para 27 de junho.
Nota oficial divulgada pelo cantor Gusttavo Lima sobre o primeiro cancelamento no São João de Surubim.
Divulgação
‘Dobradinha’ em Caruaru
Na nova data, Gusttavo Lima manteve uma agenda apertada.
Às 22h, apresentou-se no Pátio do Forró, em Caruaru. Depois seguiria para Surubim, distante cerca de 80 quilômetros, como combinado. A apresentação, como se sabe, não ocorreu.
O cantor deixou Caruaru em direção ao Aeroporto do Recife e, de lá, seguiu para Goiânia (GO).
LEIA: Gusttavo Lima toma medicação na veia enquanto assiste a jogo da Seleção, em Goiás
Novo projeto de Gusttavo Lima, Paraíso Particular Sunset chega ao Beach Park.
Divulgação
Rego afirma que, após os desentendimentos envolvendo as casas de apostas, surgiram novas divergências durante a preparação do segundo show.
Segundo ele, a equipe do cantor solicitou, entre outras mudanças, a retirada de bandeirolas que exibiam a marca da VaideBet espalhadas pelo evento. Também demonstrou insatisfação com a ordem das atrações da festa.
Após o adiamento, Gusttavo Lima acabou sendo “encaixado” para se apresentar após Luan Santana, por volta da 00h, já na madrugada de domingo.
“O primeiro cancelamento foi por causa de bet. O segundo, por birra”, diz o produtor, em entrevista ao g1.
Mal-estar entre produtores
A BG Promoções é responsável por grandes eventos no Nordeste, como a ExpoCrato, no Cariri (CE), e o Carnaval Boa Viagem, camarote privado na Zona Sul do Recife (PE), onde Gusttavo Lima já se apresentou algumas vezes.
Diante da sequência de acontecimentos, Rego afirma que não pretende mais contratar o cantor enquanto não houver uma retratação pública.
“Ele é um artista gigantesco e muito respeitado no mercado. Mas hoje eu não contrato mais. Quem garante que ele não vai cancelar de última hora de novo?”
A empresária Manoela Furtado Rego, sócia da BG, também criticou a postura do cantor.
“Foi uma situação de ego, vaidade e irresponsabilidade. É muito fácil para quem tem o poder do microfone contar apenas a versão que lhe convém”, afirmou em suas redes sociais.
Cachês milionários
Durante o São João, Gusttavo Lima foi um dos artistas mais bem pagos do circuito nordestino.
Em Petrolina, recebeu R$ 1,5 milhão pela apresentação realizada no dia 20 de junho (o maior cachê entre os mais de 100 artistas que se apresentaram na cidade).
Em Surubim, seu contrato previa pagamento de R$ 1,3 milhão.
Após o vaivém de versões sobre o caso, a prefeitura da cidade informou que o episódio ainda não está encerrado e que adotará as medidas administrativas e jurídicas cabíveis.
Gusttavo Lima durante apresentações pelo São João do Nordeste.
João Victor

Fonte: G1 Entretenimento

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Henrique, da dupla com Juliano, cancela shows após passar por cirurgia


Henrique, da dupla com Juliano, na 5ª noite da Festa do Peão de Americana 2026
Thomaz Marostegan
O cantor Henrique, da dupla com Juliano, precisou cancelar shows que seriam feitos nesta semana por conta de uma cirurgia realizada no último domingo (28).
Segundo a equipe da dupla, o sertanejo se apresentou em Petrolina no sábado (27) já com um intenso desconforto no corpo. No dia seguinte, ele foi a um hospital, em Goiânia (GO), onde passou por uma cirurgia de hérnia, próximo à região da virilha.
Mesmo com a alta médica, Henrique precisará ficar em repouso até o dia 8 de julho, quando passará por uma nova avaliação.
Agora no g1
Por conta do tempo parado, a dupla Henrique & Juliano precisou cancelar os shows que seriam realizados em Porto Velho (RO), no dia 3 de julho, e em Ji-Paraná (RO), no dia 4 de julho.
“Os valores recebidos serão integralmente ressarcidos ao contratante. Quanto à devolução de ingressos, pedimos para que entrem em contato com a produção local. Henrique & Juliano são extremamente comprometidos com seu público, e lamentam profundamente a ausência”, diz o comunicado da equipe do cantor.
Show de Henrique & Juliano na 5ª noite da Festa do Peão de Americana 2026
Thomaz Marostegan

Fonte: G1 Entretenimento

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DeFalla relança influente álbum de 1992 em CD e LP enquanto prepara turnê que estreia em agosto em São Paulo


Capa do álbum ‘KINGZOBULLSHITBACKINFULLEFFECT92’, da banda DeFalla
Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Álbum que influenciou músicos que formariam bandas importantes como Planet Hemp e Raimundos, ao ser lançado pelo grupo DeFalla em 1992 com fusão então original de funk, rock, rap e ragga, “KINGZOBULLSHITBACKINFULLEFFECT92” está sendo reeditado nos formatos físicos de CD e LP e em edição digital.
O CD e o LP estarão à venda no segundo semestre em edição da Cogumelo Records, com nova arte gráfica criada pelo vocalista Edu K.
Já a edição digital aportou hoje, 30 de junho, nos aplicativos de áudio com a nova masterização orquestrada por Fabio Golfetti, além de quatro músicas inéditas gravadas naquele ano de 1992, mas nunca lançadas. O lote de faixas-bônus é formado pelas músicas “The MFK”, “Gitcha”, “Me bike” e “Luv iz da dope”.
Em sincronia com a reedição do álbum “KINGZOBULLSHITBACKINFULLEFFECT92”, a banda DeFalla anuncia a turnê “10 noites de kaos” com a formação do grupo naqueles anos 1990.
4Nazzo, Leo5 e Rod6.estarão com Edu K no show que tem estreia programada para 15 de agosto no Cine Joia, em São Paulo (SP), partindo na sequência para o Rio de Janeiro (RJ), cidade onde o quarteto se apresentará no Circo Voador. Outras datas da turnê “10 noites de kaos” serão anunciadas em breve.

Fonte: G1 Entretenimento

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Daveigh Chase: laudo aponta que ‘uso crônico de substâncias’ contribuiu para morte de atriz


Quem era Daveigh Chase, voz de ‘Lilo & Stitch’ e atriz de ‘O Chamado’ morta aos 35 anos
Getty Images
O laudo que atestou a causa da morte da atriz Daveigh Chase apontou que o “uso crônico de múltiplas substâncias” foi uma “condição significante” para seu falecimento.
A informação consta de um relatório do instituto de exames médicos de Los Angeles divulgado nesta segunda-feira (29).
Chase, que fez a Samara em “O Chamado” e dublou Lilo em “Lilo & Stitch”, morreu no dia 16 de junho, aos 35 anos.
Agora no g1
Segundo o relatório médico, assinado pela investigadora Trini Godoy e pela médica Martina Keneddy, a causa principal da morte foi a síndrome da imunodeficiência adquirida (conhecida como Aids).
Após a morte da atriz, seu pai, John Schwallier, afirmou à rede de TV que ela morreu por conta de uma infecção sanguínea e que ela sofria de desnutrição grave.
Ainda de acordo com John, sua filha estava em situação de rua e enfrentava problemas com drogas desde os 13 anos de idade.
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Diferença entre HIV e Aids
Viver com o HIV é diferente de ter Aids.
HIV é a sigla em inglês para vírus da imunodeficiência humana. Ele ataca principalmente células do sistema de defesa chamadas CD4 e nos torna mais vulneráveis a outros vírus, bactérias e ao câncer.
Aids é a síndrome da imunodeficiência adquirida, um conjunto de sinais e sintomas relacionados à falência do sistema de defesa, caracterizada por uma série de infecções oportunistas e câncer.

Fonte: G1 Entretenimento

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Taylor Swift e Travis Kelce: o que se sabe sobre casamento de cantora e atleta


Taylor e Travis Kelce ficam noivos
Reprodução/Instagram
O casamento entre Taylor Swift e o jogador de futebol americano Travis Kelce é um dos eventos mais aguardados da mídia internacional.
Depois que o casal noivou em agosto de 2025, há muita especulação sobre como e quando o evento será celebrado. E tudo indica que a grande data está chegando.
Abaixo, veja tudo o que se sabe sobre o casamento de Taylor e Travis:
Onde e quando será?
Segundo o New York Times, há várias licenças e registros públicos relacionados a “um evento de grande porte em Nova York durante o fim de semana do dia 4 de julho, que praticamente confirmaram que Swift e Kelce poderão realizar eventos nos dias 2 e 3 de julho”.
O jornal também afirma, assim como o site TMZ, que o evento deve acontecer no Madison Square Garden.
Agora no g1
Como será?
Tudo indica que será um evento de grandes proporções, com celebrações nos dias 2 e 3 de julho. O site TMZ reportou que “um castelo” estaria sendo construído dentro do Madison Square Garden para a cerimônia.
Além disso, é esperado que o casamento tenha apresentações de artistas convidados. Perguntado se a cerimônia teria um DJ, Travis Kelce respondeu que os dois eram “os tipos de pessoas que curtem música ao vivo”.
Quem vai?
Em entrevista ao talk show do apresentador Graham Norton, a cantora chegou a dizer que seria “divertido planejar o casamento”, porque ela não se estressaria com o número de convidados. Segundo Taylor, ela convidaria “qualquer pessoa com quem já tenha conversado”.
O New York Times afirmou que são esperados cerca de 100 convidados para uma “reunião íntima” no dia 2 de julho, seguida de uma festa maior no dia 3. Entre as pessoas que já disseram que vão, estão o jogador George Kittle, o técnico Andy Reid, o apresentador Graham Norton e a atriz e cantora Suki Waterhouse.

Fonte: G1 Entretenimento

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Anitta sinaliza que a segunda parte do álbum ‘Equilibrium’ também tem faixas com alta carga de espiritualidade


Anitta aparece cantando música que louva Nossa Senhora em teaser do álbum ‘Equilibrium II’
Reprodução / Rede social / Montagem g1
♫ NOTÍCIA
♬ “Equilibrium parte II tá vindo”, anunciou Anitta em vídeo postado em rede social. Sim, a cantora e compositora carioca apresentará no segundo semestre a sequência do álbum lançado em 16 de abril com forte conexão com a espiritualidade afro-brasileira em parte das músicas.
A julgar por esse spoiler audiovisual, a carga espiritual de “Equilibrium II” também parece ser alta.
No vídeo, acompanhando ao celular a letra de música inédita, Anitta dá voz aos versos “Olho grande não me pega / Não me pega mal olhado / Porque não ando sozinha / Ela não sai do meu lado / Não há nada no mundo que possa me derrubar / Enquanto eu tiver Mainha para poder me acompanhar / E não há nada no mundo que possa me derrubar / Enquanto eu tiver Mainha pra poder me acompanhar / Ave Maria, valei-me, Nossa Senhora / Ó Ave Maria, valei-me, minha Senhora / Eu não sou santa / Mas sei que a santa me adora / Eu não sou santa / Mas sei que a santa me adora / Eu não sou santa / Mas sei que a santa me adora”.

Fonte: G1 Entretenimento

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Michael Byrne, ator de ‘Indiana Jones’ e ‘Harry Potter’, morre aos 82 anos


Michael Byrne em ‘Indiana Jones e a Última Cruzada’
Reprodução
O ator britânico Michael Byrne, que interpretou o coronel Vogel em “Indiana Jones e a Última Cruzada” e Grindelwald em “Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1”, morreu aos 82 anos.
Segundo o jornal The Guardian, que publicou a notícia nesta terça (30), o ator morreu no dia 20 de junho. A causa não foi informada.
Byrne começou a carreira em papéis na televisão nos anos 60 e ficou conhecido após aparecer em “Indiana Jones e a Última Cruzada”, “Coração Valente” e “007 – O Amanhã Nunca Morre”.

Fonte: G1 Entretenimento

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Messi ‘voa’ com Homem-Aranha em teaser de filme do herói; veja VÍDEO


Messi ‘voa’ com Homem-Aranha em cena de teaser que recria capa de gibi clássico
Reprodução/YouTube
Lionel Messi fez uma aparição especial em um vídeo da divulgação de “Homem-Aranha: Um Novo Dia”. Na cena, o jogador entra em uma loja em busca do Homem-Aranha e é recebido por Peter Parker.
Depois, de uniforme, o Homem-Aranha pergunta: “Você é bom com alturas?” e leva Messi para “voar” com ele.
A cena recria a capa do gibi clássico que mostrava a primeira aparição do Aranha. Veja abaixo:
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Fonte: G1 Entretenimento

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Luzes, sombras e músicas de Angela Ro Ro inspiram os casos e contos à flor da pele de livro da série ‘Leia esta canção’


Angela Ro Ro (1949 – 2025) inspira os 41 textos reunidos por Marina Ruivo no terceiro volume da série ‘Leia esta canção’
Alexandre Moreira / Divulgação
♫ CRÍTICA DE LIVRO
Título: Angela Ro Ro – Contos, canções, relatos & afins
Autor: Marina Ruivo (organização)
Cotação: ★ ★ ★ ★
♬ “ […] É tudo tão cheio de vida que se poderia dizer que essa pessoa viveu cem anos, e foram só trinta. Ro Ro se despe de tal forma que assusta, de tão real. Todo o desejo, a raiva, o grito, o vômito. Toda aquela ânsia de amar que faz parte do seu humano e que poucos ousam revelar”.
O pensamento da cantora Bárbara Eugênia sobre o primeiro álbum de Angela Maria Diniz Gonsalves (5 de dezembro de 1949 – 8 de setembro de 2025) – intitulado “Angela Ro Ro” e lançado em 1979 quando a artista tinha 30 anos – dá a pista do tom confessional e por vezes visceral dos textos reunidos no livro “Angela Ro Ro – Contos, canções, relatos & afins”, lançado neste mês de junho pela editora Garoupa.
Organizado por Marina Ruivo, o livro é o terceiro volume da série “Leia esta canção”, criada por Ruivo. Após volumes dedicados às obras dos compositores Beto Guedes e Ednardo em 2023 e 2024, a série põe em foco o cancioneiro em carne viva de Angela Ro Ro em livro que reúne 41 textos inspirados na vida louca vida e na obra da cantora, compositora e pianista carioca, falecida em setembro do ano passado, aos 75 anos.
Como o subtítulo sinaliza, o livro agrupa textos de naturezas diversas. Há quem (a maioria) tenha preferido o formato ficcional do conto, casos de Luciana Lima Silva e Miriam Palma, cujos contos “Balada da (des)arrasada” e “Tola” foram escritos com inspiração nas letras das canções “Balada da arrasada” e “Tola foi você”, respectivamente – ambas canções apresentadas por Ro Ro no primeiro álbum, de 1979. E há quem desnude sentimentos com relatos da vida real, feitos a partir do contato com a artista, ao vivo ou através da música.
O foco preferencial no antológico álbum de estreia de Angela Ro Ro – um dos maiores discos da música brasileira em todos os tempos – é o traço que alinha a maioria dos 41 textos.
“É o disco de uma mulher intensa e inteira que rasga a carne e mostra os ossos sem medo algum, mesmo estando no Brasil ditatorial de 1979. Muito mais do que falar de amor, ele fala sobre coragem. É uma mulher soltando o verbo sem a menor vontade de agradar ninguém, é um desejo tão grande de ser, é uma súplica existencial”, conceitua a cineasta e fotógrafa Mery Lemos no texto “Angela”.
O jornalista e crítico musical Pedro Alexandre Sanches perfila com maestria a existência, o verbo e o tempo da artista no texto analítico “Não foi fácil ser Angela Ro Ro”, alentado obituário publicado por Sanches quatro dias a morte de Ro Ro. Mesmo não sendo inédito, o texto é tão bom que mereceu vaga no livro. Já o escritor Santiago Nazarian oferece “Fossa nova”, poema caracterizado pelo autor como “Uma letra retrocontemporânea para Ro Ro”.
Em que pese a maior ou menor qualidade literária dos contos, o que justifica e valoriza o livro é a capacidade de o cancioneiro de Angela Ro Ro fazer brotar emoções à flor da pele, seja nos contos ou nos relatos feitos fora do universo da ficção, como o da escritora Paula Bajer, autora de “Amor, meu grande amor”, texto dedicado por Bajer ao recentemente falecido irmão Gustavo, admirador intenso de Maria Bethânia, cantora também ela intensa que logo se conectou com a música de Angela Ro Ro ao gravar a canção “Gota de sangue” em 1979.
Fora da ficção, é impressionante – justamente por ser real – o relato do cantor e jornalista Márvio dos Anjos sobre a experiência traumática de ter aberto um show de Angela Ro Ro no Sesc Pompeia, em 2007 ou 2008. “Abrir o show de um demônio” é o título do texto em que Márvio expõe no livro a face mais sombria da cantora, cujo temperamento muitas vezes irascível e irritadiço era o outro lado da moeda, ainda que a grandeza da obra acabasse pairando sobre todas as coisas, sobre as luzes e as sombras, até porque o cancioneiro dilacerante de Angela Ro Ro era fruto do desassossego do espírito da artista.
O relato de Márvio dos Anjos – vítima do desajuste emocional de Angela naquela noite inesquecível em todos os sentidos – é tocante pela sinceridade do autor e por ter sido escrito sem rancor, com a distância apaziguadora trazida pelo tempo.
Curiosamente, também merece menção honrosa o texto do jornalista, músico e poeta Rodrigo Carneiro sobre o turbilhão de emoções que sentiu ao assistir a um show de Angela Ro Ro no mesmo Sesc Pompeia em 2008. Em “Nossa mulher biônica”, relato que antecede o texto de Márvio na organização do livro, Carneiro lembra a violência física e psicológica sofrida pela artista nos anos 1980 – década em que Ro Ro apanhava de policiais por não baixar a cabeça para as autoridades – ao mesmo tempo em que recorda a paixão à primeira audição pela cantora quando, aos 12 anos, ouviu o bolero “Simples carinho” (João Donato e Abel Silva, 1982) em coletânea comprada pelos pais.
“Angela Ro Ro tirava o sossego. Nunca foi afeita à necessidade de agradar”, resume a jornalista Carime Elmor quase ao fim do texto “Essa era a minha noitada: sair atrás de um piano”, um dos mais interessantes do livro. Elmor traça elucidativo perfil biográfico de Ro Ro a partir do relato da noite de 22 de novembro de 1992 em que a cantora invadiu o palco do Cine Theatro Apollo em Barbarcena (MG) e interrompeu recital de piano porque queria começar a fazer o próprio show, marcado para as 21h30 e já atrasado em duas horas.
Pelo ato intempestivo, que incluiu depreciações do artista que estava no palco, Ro Ro foi moralmente linchada pelo público do recital (o público da cantora era outro e aguardava do lado de fora do teatro) e pela imprensa local.
Enfim, em prosa ou em verso, fora ou dentro da ficção, Angela Ro Ro – “a que tudo sentiu, disse, fez” – deixou rastro de luzes e sombras, provocando tsunamis nas almas que se depararam com a figura lendária da cantora e/ou com um cancioneiro tão forte que inspira contos, canções, relatos e afins neste livro fiel ao intenso universo particular da artista.
Capa do livro ‘Angela Ro Ro – Contos, canções, relatos & afins’, organizado por Marina Ruivo
Reprodução

Fonte: G1 Entretenimento

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Como eletrofunk ‘driblou’ preconceito do sertanejo e invadiu festas pelo interior do país


DJ Jiraya UAI e MC Jacaré, destaques do eletrofunk
Reprodução/Instagram
A mistura do tamborzão e de vozes do funk com a batida do house ou EDM do eletrônico virou presença garantida nas festas de rua no interior do Brasil. Antes nichado e periférico, o eletrofunk se tornou o gênero “queridinho” nas festas sertanejas e nas listas de músicas mais ouvidas do país.
Atualmente, nomes como DJ Brenno Paixão, DJ Jiraya UAI, MC Jacaré e Jeninho se destacam e rodam o país cantando sucessos como “Chapeluda”, “Ela Carrega Minha Bolsa” e “Rua de Ouro” – esta última ocupava o top 50 do Spotify na última semana.
No entanto, mesmo com mais de uma década de história, foi só nos últimos cinco anos que o gênero conseguiu vencer o preconceito dos sertanejos mais tradicionalistas e deixar de tocar apenas nos carros de som e chegar aos principais eventos do interior.
Agora no g1
“É funk, mas não é funk”
O eletrofunk mistura muitos elementos e, até quem trabalha com gênero, tem dificuldade de explicar suas características.
“É um funk que não é funk, é funk mas não é funk. Tem mais da música eletrônica mesmo”, tenta resumir DJ Jiraya UAI. Porém, vale destacar que funk também é música eletrônica.
A grande diferença fica nos elementos mais claros do que é considerado como música eletrônica tradicional, o “putz putz” que se ouve mais em raves do que em bailes de favela.
Com letras que falam da vida no interior, o eletrofunk se tornou febre nas festas de rua e nos paredões de som ainda no início dos anos 2010, principalmente nos estados do Centro-Oeste.
O ponto de virada
Na virada da década, músicas como “Pipoco”, de Ana Castela com Melody, e “Ela Pirou na Dodge Ram”, de Luan Pereira com MC Ryan SP, colocaram o eletrofunk no repertório de dois dos principais artistas do gênero, furando uma bolha de nicho.
Mas ainda faltava quebrar a barreira dentro do círculo dos rodeios e feiras, além de fazer com que artistas sertanejos mais conservadores entendessem a importância da nova geração.
“Eu acho que, no começo, tinha muito artista que não gostava mesmo, muito por uma visão de que as letras eram ruins e tal. Ainda tem gente que vira o olho, mas a maioria viu que tem uma molecada boa, fazendo um trabalho muito legal”, comenta Luan Pereira.
“Até entendo que o pessoal mais tradicional não queira ver em festa, mas o pessoal do eletrofunk tem muito respeito pelo sertanejo também. A maioria vem da roça também, sabe a importância das raízes.”
Principalmente no pós-pandemia, as principais feiras agropecuárias e festivais de rodeio do país passaram a ter presença garantida de artistas cantando ou tocando eletrofunk no lineup, atraindo um público mais jovem e também intercalando novos ritmos sem abrir mão da ligação com o sertanejo.
Para se ter uma ideia, este será o terceiro ano seguido do DJ Jiraya UAI na festa do Peão de Barretos. Ele dividirá o palco com Eduardo Costa e Paula Fernandes, Maria Cecília & Rodolfo, Kaique & Felipe.
Tecnologia offline
Um dos grandes diferenciais do eletrofunk é uma dinâmica de divulgação das músicas pela tecnologia dos pen drives.
É por meio dos aparelhos que DJs e artistas divulgam seus trabalhos nas festas de rua.
Não é como se plataformas como o Spotify e, principalmente, o YouTube, que oferece muitas playlists com remixes do gênero, não fossem importantes para o trabalho de conexão com o público. Mas os pen drives são mais populares pois funcionam 100% offline e são mais fáceis na hora da reprodução nos paredões de som que tocam nos eventos públicos.
“A cultura do som automotivo é muito forte, a galera coloca os “sonzões” nas portas dos carros — eu mesmo tenho uma caminhonete lotada. E, tipo assim, a melhor qualidade para ouvir a música lá é no pen drive”, explica o DJ Brenno Paixão, um dos grandes nomes do eletrofunk.
“Os caras já vão lá, baixam no YouTube e colocam no pen drive, porque tem muito carro de som em Goiás, no Paraná, no interior do Brasil em geral. A galera gosta de passar no pen drive e andar pela cidade tocando a melhor playlist.”
O “fator” MC Jacaré
MC Jacaré – Sexta, 27/02 – Funk fecha a sexta com energia
Divulgação
Se o topo do Spotify, a principal plataforma de streaming do país, é dominado por sertanejo e funk, MC Jacaré conseguiu encontrar o meio do caminho e colocar o eletrofunk como destaque.
Nascido e criado em Goiânia, ele viu no funk uma chance de viver de música.
“Eu amo sertanejo, toco viola, toco violão, gosto demais de modão, mas produzir sertanejo é um investimento mais caro. Agora, no funk, por exemplo, eu tenho uma música que tem 100 milhões de visualizações e eu gravei a voz no celular. Além da facilidade de produzir, eu também gosto demais de funk. Hoje em dia não tem como você ir a uma festa e não tocar funk, né?”, contou ao g1, durante entrevista em 2022.
O sucesso de Jacaré com canções de eletrofunk chamou a atenção de nomes do funk de São Paulo, caso de MC Ryan SP, com quem lançou músicas como “Posso Até Não Te Dar Flores”, sucesso do verão com centenas de milhões de plays nas plataformas de streaming.
Porém, mesmo com o sucesso nacional, Jacaré não fez o movimento de se mudar para o eixo RJ-SP. Ele se manteve na sua cidade natal, abriu sua própria produtora (a Croco Hits) e se tornou referência de música na região.
“Hoje, um artista pode viver de eletrofunk. Tem produtor focado no gênero, artista que só canta isso. Não é mais uma coisa de nicho, que a galera olha torto. E acredito que só vai crescer”, diz Jiraya UAI.

Fonte: G1 Entretenimento