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CW Morgan, ator da franquia ‘Pânico’, morre aos 72 anos

CW Morgan, ator de ‘Pânico’
Reprodução/Instagram
O ator CW Morgan, conhecido pela franquia “Pânico”, morreu aos 72 anos. A informação é do site TMZ.
Segundo o site, Morgan morreu no último dia 30 de agosto, em Los Angeles. Não há informações sobre a causa da morte.
Ao “TMZ”, o Departamento de Polícia local explicou que policiais atenderam a um chamado para investigar uma morte que seria de causas naturais.
O principal trabalho da carreira de CW Morgan foi na franquia “Pânico”, na qual interpretou Hank Loomis, pai de Billy Loomis (Skeet Ulrich), no clássico original, além de participar do terceiro filme da série de longas de terror.
Agora no g1

Fonte: G1 Entretenimento

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Após morte de Rick, Renner anuncia carreira solo e projeto em homenagem ao sertanejo

Rick e Renner durante apresentação no Vila Country, em São Paulo.
Reprodução/Instagram/RickeRenner
Após a morte do sertanejo Rick, seu parceiro musical, Renner, anunciou que seguirá sua carreira musical com o projeto “Rick & Renner pra sempre – O legado”.
Rick morreu aos 59 anos na queda de um helicóptero em Santa Catarina, em 22 de setembro.
“Seguiremos em frente, em nome da música, da memória e do amor de todos que fizeram e fazem parte dessa história”, escreveu Renner em um longo comunicado nas redes sociais.
“Existem histórias que não terminam. Existem vozes que o tempo jamais apaga. E existem legados que o amor faz permanecer.
A partida de Rick deixou uma saudade impossível de medir. Foram anos de amizade, estrada, música e uma história construída ao lado de milhões de brasileiros que fizeram de Rick & Renner parte de suas próprias vidas.
Cada canção, cada palco, cada encontro e cada emoção vivida ao longo dessa caminhada permanecem para sempre em nossa memória e em nosso coração.
E é por respeito a essa história, a esse amor do público e a tudo o que foi construído que comunicamos: O legado de Rick & Renner continuará.
Mais do que seguir, é tempo de honrar. Honrar sua trajetória, sua voz, sua essência e tudo aquilo que foi semeado ao longo de tantos anos.
Renner seguirá nos palcos levando ao público as músicas que atravessaram gerações, relembrando grandes momentos e mantendo viva a essência dessa história, agora por meio de um projeto preparado com muito respeito, responsabilidade e carinho.
Nasce agora o projeto Rick & Renner pra sempre — O Legado, uma nova etapa criada para manter viva, nos palcos e no coração do público, uma das histórias mais marcantes da música sertaneja”.

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Habeas Corpus’: Marjorie Estiano e Any Gabrielly falam sobre as falhas da Justiça na série

Any Gabrielly, Marjorie Estiano e Hipólyto em Habeas Corpus
Netflix/Divulgação
Sete jurados do lado esquerdo. A ré do lado direito. O juiz ao fundo do tribunal. No centro de tudo, a professora e advogada criminalista Inez Franco apela para a única coisa que realmente importa durante um júri: a emoção, a comoção, a capacidade de fazer sua narrativa prevalecer, mesmo que isso signifique distorcer os fatos e colocar uma pessoa inocente atrás das grades.
Inez é a personagem de Marjorie Estiano na série “Habeas Corpus”, primeiro drama jurídico brasileiro da Netflix. Na vida real, a atriz pensa diferente, ainda mais depois de mergulhar nos casos, nas contradições e nas falhas do Judiciário brasileiro, que estão no centro da trama.
Do outro lado, está Marina, interpretada por Any Gabrielly, uma brilhante aluna bolsista que faz parte do grupo de revisão criminal criado pela professora. A estudante se envolve no caso por motivos que vão muito além do interesse acadêmico. Para a artista, essa experiência também significou descobrir, na prática, o que existe por trás da frase “a Justiça brasileira é falha”.
🔎 Inspirada em casos reais da ONG Innocence Project Brasil, que revisa processos com condenações injustas, a produção constrói uma história ficcional para discutir direito ao contraditório e à ampla defesa, culpa e reparação.
Em entrevista ao g1, as duas atrizes contaram como a preparação para a série, que teve visitas a fóruns, conversas com advogados e pesquisa de casos reais, mudou a percepção delas sobre o sistema e revelou o peso que um erro judicial pode ter na vida de alguém.
“Ver isso na sua frente muda tudo. É muito diferente você estar na sua casa e falar que o sistema é uma bosta e você ver o sistema sendo uma bosta. Foi um tapão na cara”, resume Any.
Para Marjorie, a principal lição durante a preparação para a série foi entender de maneira mais profunda a relação entre Justiça e vulnerabilidade e compreender o papel de cada peça nesse xadrez que produz efeitos concretos.
“Foram muitos aprendizados em diversas vertentes, mas o principal foi a dimensão do impacto da justiça dentro de uma população vulnerável. Se destaca imensamente a importância de um Estado eficaz em assegurar a cidadania e dimensão do impacto quando ele falha. O abandono do Estado fica muito gritante”, apontou.
Any Gabrielly contou que começou a preparação carregando a percepção de que o sistema de Justiça brasileiro é simplesmente falho:
“Eu achei que sabia o que isso significava, como que essa falha se dava, até que cheguei no processo de estudo, visitei os fóruns, conversei com os advogados. Até que eu fui pesquisar sobre pessoas que passaram por situações similares às que a gente tem na série. Essas falhas são muito desumanas e cruéis. Pode destruir uma vida inteira”.
Habeas corpus e revisão criminal
Marjorie Estiano e Naruna Costa em ‘Habeas Corpus’
Netflix/Divulgação
Apesar do título da série, o instrumento jurídico que move a história é a revisão criminal. O habeas corpus é previsto na Constituição Federal e pode ser utilizado quando alguém sofre ou corre o risco de sofrer uma restrição ilegal ao direito de ir e vir.
Já a revisão criminal permite revisitar uma condenação definitiva em situações previstas em lei, como o surgimento de novas provas de inocência. E é essa ferramenta que orienta o trabalho de Inez ao lado de estudantes de Direito.
Em busca de elementos que possam colocar a sentença em dúvida, eles analisam o processo de Jonathan (interpretado por Hipólyto), um jovem de 19 anos condenado injustamente a 47 anos de prisão pelo crime de homicídio.
Any espera que a premissa da série faça com que o público questione ideias que já considera certas sobre Justiça, crime e punição.
“Espero que as pessoas se sintam cutucadas por todos os conceitos que elas têm sobre a justiça. A gente cutuca todas as áreas. A série faz você pensar por que que você acha isso, por que você acha aquilo”.
‘A justiça precisa se rever’
Elenco de Habeas Corpus
Divulgação/Netflix
Para Marjorie, a série pode ajudar o público a olhar para a Justiça de uma maneira diferente:
“A expectativa é mostrar a importância desse órgão, da função da justiça dentro de uma sociedade. É um elemento que precisa se rever o tempo inteiro, se fiscalizar, se corrigir, se atualizar. Acho que a série acaba oferecendo essa provocação de você pegar a justiça no seu colo e tentar entender um pouco, se implicar um pouco mais nas soluções também”, afirmou.
E a personagem da atriz desempenha exatamente esse papel ao começar a história mais preocupada em se beneficiar da lei do que em defender os princípios do Direito.
“A justiça estava um pouco mais a serviço do ego dela, da vaidade. Através desses erros, ela começa a se questionar e ressignificar, e o arco é justamente o de rever o seu papel dentro daquele sistema”, disse.
‘E”scola’, diz Any sobre cenas de tribunal
Além da preparação relacionada ao judiciário, Any Gabrielly destacou a experiência de trabalhar com grandes atores veteranos:
“É foda. É foda. É muito difícil achar outras palavras para descrever a experiência”, brincou.
Segundo a atriz, que começou a fazer papéis de destaque no audiovisual brasileiro nos últimos 5 anos, o trabalho também trouxe uma sensação de responsabilidade por estar em cena ao lado de artistas que admira.
“É muito gratificante, dá um nervoso também, porque você sente uma responsabilidade. Você está junto com aquelas pessoas, mas é um processo de aprendizado sem tamanho”.
Um dos dias que mais marcou a atriz foi uma gravação de cenas de tribunal durante o Carnaval, com sequências de julgamentos, textos longos e momentos de tensão.
“Era tão lindo ver esses veteranos trabalhando”, disse. “Ver Marisa Orth e Marjorie num grande embate ali… Eu fiquei muda e absorvendo o que era aquilo. Ver o Vladimir Brichta fazendo as coisas, o trabalho, tudo era uma escola. Queria poder engarrafar tudo aquilo e levar no bolso para o resto da vida”, pontuou.
Cena de tribunal com o ator Leo Sobrinho, que faz Helinho em Habeas Corpus
Rafa Bairon
São Paulo como cenário
A série tem uma forte presença da cidade de São Paulo. Parte das gravações foi realizada na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, que recebeu cenas acadêmicas e jurídicas.
A Sala São Paulo e o Instituto de Biologia também foram usados como locações.
Uma casa projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, no Butantã, foi transformada na residência de Murilo (Vladimir Brichta) e Bianca (Renata Gaspar), atual esposa do advogado.

Fonte: G1 Entretenimento

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Lollapalooza 2027 anuncia line-up com Charli XCX, Travis Scott, The Killers e David Guetta

O Lollapalooza Brasil anunciou, nesta quinta-feira (8), as atrações do festival para 2027. Charli XCX, Travis Scott, The Killers e David Guetta estão entre os headliners do evento que acontece em São Paulo.
Queens of the Stone Age, The Neighbourhood, Fontaines D.C. ,The Prodigy, Sombr e Mochakk também estão entre as principais atrações.
O evento será nos dias 19, 20 e 21 de março, no Autódromo de Interlagos. A venda de ingressos para o festival teve início em agosto.
Veja a lista completa de nomes:
Travis Scott
Charli XCX
The Killers
David Guetta
Queens of the Stone Age
The Neighbourhood
Fontaines D.C.
The Prodigy
Sombr
Mochakk
Dominic Fike
Malcolm Todd
Raye
Geese
Cage the Elephant
Lola Young
Slayyyter
Adéla
Marlon Hoffstadt
Four Tet
Tomora
Leon Bridges
Rodrigo Amarante
Mike D 5D
Boys Noize
Angine de Poitrine
Sammy Virji
Snow Strippers
Julia Wolf
Ninajirachi
Criolo, Amaro e Dino
Die Spitz
Cat Dealers
Nação Zumbi
Midnight Generation
Carlita
The Avalanches
Violet Grohl
Boy Harsher
Brime!!
Mind Enterprises
Fezzo
Majis
Santos Bravos
Clementaum
Rawayana
Carola & Curol
Fernanda Martins
Budang
Weird Baile
Grag Queen
Luana Flores
Buhr
Make U Sweat
Zepelim e o Sopro do Cão
Bebé
Acid Asian
Seu Pereira e Coletivo 401
Catiça
Real No Ficcíon
DJ Ramemes
Marina Diniz
Mary Olivetti
El Efecto
Psilosamples
Rakta
Deafkids
Kenya20HZ
Paira
Núbia
Clarissa
Ciça Moreira
Joaquim
DJ Tamy
Line-up do Lollapalooza 2027
Divulgação
RELEMBRE O LOLLA 2026
Os melhores e os piores shows… Os destaques e as decepções
O que deu certo e o que deu errado no ano passado?
Como comprar ingressos para o Lolla?
Só está liberada a venda do Lolla Pass (pista, comfort ou lounge), ingresso que dá direito aos três dias do Lollapalooza. Os preços são:
Lolla Pass pista
Meia-entrada: R$ 1.140,00
Entrada social: R$ 1.274,00
Inteira: R$ 2.280,00
Lolla Comfort Pass
Meia-entrada: R$ 2.335,50
Entrada social: R$ 2.589,05
Inteira: R$ 4.671,00
Lolla Lounge Pass
Meia-Entrada: R$ 3.660,00
Entrada Social: R$ 3.794,00
Inteira: R$ 4.800,00
Ainda não foi divulgado o preço do ingresso diário. Ele é válido para um único dia e mais barato do que o Lolla Pass.

Fonte: G1 Entretenimento

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Alegrias e uivos de Maria Alcina se harmonizam em documentário folião apresentado no Festival do Rio 2026

Maria Alcina
Divulgação / Festival do Rio
♫ CRÍTICA DE DOCUMENTÁRIO MUSICAL
Título: “Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina”
Direção e roteiro: Elizabete Martins Campos
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♬ “Choro muito por dentro. Uivo baixinho. […} Também choro de amor. E minto bem também…”, confessa Maria Alcina em fala do depoimento que deu para o documentário “Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina”, atração da Mostra Retratos do Festival do Rio 2026 com sessões hoje e amanhã, 8 e 9 de outubro.
Dirigido e roteirizado por Elizabete Martins Campos, o filme persegue o espírito folião da cantora mineira nascida há 77 anos em Cataguases (MG), revelada na boate carioca Number One – a única que aceitou o tom expansivo da intérprete debutante, distante da personalidade mais domesticada das crooners, como Alcina ressalta no filme – e projetada em todo o Brasil em 1972 ao defender a música “Fio maravilha” (Jorge Ben Jor) na sétima e derradeira edição do Festival Internacional da Canção (FIC).
“Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina” é o segundo documentário dedicado à artista em dois anos e supera o antecessor “Maria Alcina – Sem vergonha” (2024), dirigido por Rafael Saar e estreado na na 48ª Mostra internacional de cinema de São Paulo.
No roteiro de “Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina”, a cantora faz literal viagem de volta ao começo em Vila Minalda, bairro da cidade natal de Cataguases (MG), onde Alcina absorveu o canto informal da mãe lavadeira e as lições do pai músico que sofreu com a perda da audição.
Com tempos lentos que contrastam com o tom esfuziante do canto de Alcina, o roteiro enfoca a descoberta da voz pela artista nos tempos de colégio, o exercício do canto no coral do Santuário de Santa Rita de Cássia e na fábrica onde Alcina tentou ganhar a vida. “Eu buscava a música. Ela sempre esteve comigo”, reflete Alcina.
Entrecortada por clipes com músicas ouvidas em arranjos inéditos de Yuri Queiroga, a narrativa do filme legitima o que é dito através do canto.
“Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina” é filme mais focado nos risos do que nas lágrimas da artista, ainda que Alcina toque na questão da censura sofrida pela cantora – no auge da trajetória, após o lançamento do segundo álbum, editado em 1974 – e na fase mais depressiva em que a cantora se sentia desmotivada a sair para fazer show.
Sem maquiar a realidade, Maria Alcina lembra inclusive dos tempos de menor visibilidade em que recorreu ao ofício de jurada de programas de auditório de TV. “Usei esse espaço para não ser esquecida pelo povo brasileiro”, contextualiza a cantora, trazida de volta à mídia a partir da edição do revigorante álbum “De normal bastam os outros” (2013).
Músicas deste disco e do álbum seguinte “Espírito de tudo” (2017), disco potente dedicado ao cancioneiro de Caetano Veloso, são recorrentes na trilha sonora desse documentário que mostra que, pelas brechas e mesmo eventualmente chorando ou uivando baixinho, Maria Alcina – uma das mais completas traduções da liberdade tropicalista de 1968 – sempre fez o Carnaval.
Cartaz do filme ‘Alegria Brasil – Estrelando Maria Alcina’, da diretora Elizabete Martins Campos
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Anne Carson reage ao Nobel de Literatura: ‘Loucos. Acho que todos estão loucos’

Escritora canadense Anne Carson leva Nobel da Literatura 2026
A poetisa canadense Anne Carson, vencedora do Nobel de Literatura de 2026, reagiu com surpresa ao anúncio do prêmio nesta quinta-feira (8).
Segundo a Academia Sueca, a escritora estava na Islândia, “ouvindo o vento”, quando soube que havia sido escolhida.
“Loucos. Acho que todos estão loucos (…). Bom, já sabem, é uma loucura”, declarou Carson à emissora pública islandesa RÚV.
Aos 76 anos, Carson foi premiada por sua “obra audaciosa e inovadora que, em um diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.
O valor do Prêmio Nobel para 2026 foi definido em 12 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6 milhões).
Quem é Anne Carson
A escritora canadense Anne Carson.
Pontus Lundahl/AP
Anne Carson nasceu em 1950, em Toronto, no Canadá. Em 1981, publicou sua tese de doutorado em Estudos Clássicos, intitulada “Odi et Amo Ergo Sum”.
Ao longo de toda a carreira, combinou a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em diferentes universidades. A própria autora já identificou a etimologia das palavras como ponto de partida para todo o seu trabalho.
A década de 1990 marcou a publicação de uma obra frequentemente apontada como a maior de Carson: “Autobiography of Red: A Novel in Verse (1998)”. O livro demonstra sua notável capacidade de atualizar a tradição literária clássica. Com um olhar preciso para os modos de falar e as experiências contemporâneas, Carson parte de fragmentos de poemas do poeta grego Estesícoro, do século VI a.C., sobre o monstro vermelho alado Gerião.
A escritora canadense Anne Carson na 75ª edição do National Book Awards no Cipriani Wall Street em 20 de novembro de 2024, na cidade de Nova York.
DIMITRIOS KAMBOURIS / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
Ao longo de sua obra, Carson explora, com leveza, as possibilidades da escrita, processo em que o esboço literário adquiriu particular importância para ela. Um exemplo é “Float” (2016), trabalho composto por 22 pequenos livros sobre temas diferentes, que podem ser lidos em qualquer ordem.
Outro é “Wrong Norma”, de 2024, uma combinação diversa de textos com forte caráter performático, na qual Carson transita por diferentes campos artísticos e acadêmicos.
Suas colaborações com artistas visuais, coreógrafos e diretores de ópera e teatro demonstram a liberdade com que ela se relaciona com as expectativas literárias e os sistemas de regras.
Livros publicados no Brasil
Livros escritos por Anne Carson, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2026, em exposição na livraria Waterstones em Londres.
REUTERS/Hannah McKay
A canadense Anne Carson, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2026, tem oito livros publicados no Brasil. A autora, escolhida pela Academia Sueca por sua “obra ousada e inventiva”, começou a ter títulos lançados no país em 2017, com “O método Albertine”.
“O método Albertine” — lançado no Brasil em 2017 pela Edições Jabuticaba. A obra revisita Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, a partir da personagem Albertine, misturando ensaio, crítica literária, tradução e poesia.
“Autobiografia do vermelho” — lançado em 2021 pela Editora 34. Em um romance escrito em versos, Carson recria o mito de Gerião, transformando o monstro da mitologia grega em um jovem sensível e introspectivo.
“Sobre aquilo em que eu mais penso” — lançado em 2023 pela Editora 34. A coletânea reúne 11 ensaios sobre literatura, arte, história, tradução e criação, aproximando autores e temas de diferentes períodos.
“Eros, o doce-amargo” — lançado em 2022 pela Bazar do Tempo. Primeiro livro de crítica literária de Carson, investiga o desejo amoroso a partir da Grécia Antiga e de um verso da poeta Safo.
“A beleza do marido”: um ensaio ficcional em 29 tangos — lançado em 2024 pela Bazar do Tempo. A autora narra o fim de um casamento em 29 partes, combinando poesia, ensaio e narrativa.
“Antigonick” — lançado em 2026 pela Bazar do Tempo. É uma tradução livre e experimental de Antígona, de Sófocles, com intervenções e elementos de humor no texto clássico.
“Falas curtas” — lançado em 2022 pela Relicário Edições. O livro reúne poemas em prosa que misturam memória, história, ficção e reflexão, em uma edição bilíngue.
“Vidro, ironia e deus” — lançado em 2026 pela Relicário Edições. A coletânea reúne poemas e um ensaio que aproximam experiências pessoais, literatura clássica e temas como amor, perda, identidade e religião.
* Com informações da France Presse.

Fonte: G1 Entretenimento

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Nobel de Literatura: Quais os livros de Anne Carson lançados no Brasil?

Anne Carson ganha o Prêmio Nobel de Literatura 2026
A escritora canadense Anne Carson venceu o Prêmio Nobel de Literatura 2026. Escolhida “por sua obra ousada e inventiva”, a autora tem livros publicados no Brasil desde 2017, quando o título “O método Albertine” foi lançado pela Edições Jabuticaba.
LEIA TAMBÉM: Como é escolhido o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura
Além deste, a canadense que, segundo a academia sueca, “em diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”, tem outros sete títulos disponíveis em português e que podem ser comprados aqui no Brasil.
1. O método Albertine
Anne Carson revisita Em busca do tempo perdido, de Marcel Proust, a partir da personagem Albertine. A autora recorta, traduz e reorganiza trechos da obra em um texto que mistura ensaio, crítica literária, tradução e poesia. O resultado é uma reflexão sobre a paixão por um livro, marcada por humor, fascínio e impaciência.
Lançamento no Brasil: 2017. Editora: Edições Jabuticaba.
2. Autobiografia do vermelho
Em um romance escrito em versos, Anne Carson recria o mito grego de Gerião, um monstro vermelho que, segundo a tradição, é morto por Héracles em um dos trabalhos do herói. Na versão da autora, Gerião é transformado em um jovem sensível e introspectivo dos tempos modernos. A história acompanha sua infância, seu amadurecimento e o relacionamento amoroso turbulento com Héracles.
Lançamento no Brasil: 2021. Editora: Editora 34.
3. Sobre aquilo em que eu mais penso
A coletânea reúne 11 ensaios escritos por Anne Carson ao longo de mais de uma década. A autora aproxima temas, períodos e personagens aparentemente distantes — de Virginia Woolf e Tucídides a Homero e Elizabeth Bishop — para investigar literatura, arte, história, tradução e criação. O livro evidencia a mistura entre pesquisa acadêmica, crítica e invenção que caracteriza sua obra.
Lançamento no Brasil: 2023. Editora: Editora 34.
4. Eros, o doce-amargo
Primeiro livro de crítica literária de Anne Carson, Eros, o doce-amargo nasceu de sua tese de doutorado. A autora investiga a ideia de desejo amoroso desde a Grécia Antiga, partindo de um verso da poeta Safo que define Eros como “doce-amargo”. Ao longo do livro, Carson relaciona poesia, filosofia, literatura, história e psicanálise para mostrar como o desejo está ligado à falta, à dor e à busca pelo conhecimento.
Lançamento no Brasil: 2022. Editora: Bazar do Tempo.
5. A beleza do marido: um ensaio ficcional em 29 tangos
Anne Carson conta a história de um casamento que se desfaz em 29 “tangos”. A partir da ideia do poeta John Keats de que “beleza é verdade”, a autora combina cenas eróticas, dolorosas, cômicas e afetivas para refletir sobre amor, beleza, verdade e ilusão. O resultado é um híbrido de poesia, ensaio e narrativa sobre o fim de um relacionamento.
Lançamento no Brasil: 2024. Editora: Bazar do Tempo.
6. Antigonick
Anne Carson faz uma tradução livre e experimental de Antígona, tragédia de Sófocles sobre o conflito entre a lei do Estado e a consciência individual. A autora reinventa ritmos, imagens e vozes do texto clássico e acrescenta comentários bem-humorados. A adaptação também introduz Nick, personagem silencioso que permanece em cena medindo objetos e situações enquanto a tragédia se desenrola.
Lançamento no Brasil: 2026. Editora: Bazar do Tempo.
7. Falas curtas
O livro reúne poemas em prosa que transitam entre memória, história, ficção e reflexão. Anne Carson parte de personagens, acontecimentos e referências que vão de Ovídio e Parmênides a Brigitte Bardot para investigar como palavras e histórias podem produzir novos significados. A edição brasileira é bilíngue e preserva o jogo de linguagem característico da autora.
Lançamento no Brasil: 2022. Editora: Relicário Edições.
8. Vidro, ironia e deus
A coletânea reúne cinco poemas longos e um ensaio em que Anne Carson aproxima experiências íntimas, literatura clássica e questões contemporâneas. Os textos abordam temas como amor, perda, identidade, alienação e religião. Entre eles está O ensaio de vidro, sobre o fim de um relacionamento em diálogo com a obra de Emily Brontë, além de reflexões sobre gênero, voz, história e o sagrado.
Lançamento no Brasil: 2026. Editora: Relicário Edições.
Anne Carson ganhou o Prêmio Nobel de Literatura 2026.
Reprodução
Quem é Anne Carson
A escritora canadense Anne Carson na 75ª edição do National Book Awards no Cipriani Wall Street em 20 de novembro de 2024, na cidade de Nova York.
DIMITRIOS KAMBOURIS / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP
Carson nasceu em 1950, em Toronto, no Canadá. Em 1981, publicou sua tese de doutorado em Estudos Clássicos, intitulada “Odi et Amo Ergo Sum”.
Ao longo de toda a carreira, combinou a escrita de poesia com o trabalho de tradução e o ensino em diferentes universidades. A própria autora já identificou a etimologia das palavras como ponto de partida para todo o seu trabalho.
A década de 1990 marcou a publicação de uma obra frequentemente apontada como a maior de Carson: “Autobiography of Red: A Novel in Verse (1998)”. O livro demonstra sua notável capacidade de atualizar a tradição literária clássica. Com um olhar preciso para os modos de falar e as experiências contemporâneas, Carson parte de fragmentos de poemas do poeta grego Estesícoro, do século VI a.C., sobre o monstro vermelho alado Gerião.
Livros escritos por Anne Carson, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 2026, em exposição na livraria Waterstones em Londres.
REUTERS/Hannah McKay
Ao longo de sua obra, Carson explora, com leveza, as possibilidades da escrita, processo em que o esboço literário adquiriu particular importância para ela. Um exemplo é “Float” (2016), trabalho composto por 22 pequenos livros sobre temas diferentes, que podem ser lidos em qualquer ordem.
Outro é “Wrong Norma”, de 2024, uma combinação diversa de textos com forte caráter performático, na qual Carson transita por diferentes campos artísticos e acadêmicos.
Suas colaborações com artistas visuais, coreógrafos e diretores de ópera e teatro demonstram a liberdade com que ela se relaciona com as expectativas literárias e os sistemas de regras.
Nobel da Literatura em números
Desde 1901, foram 123 laureados em 119 premiações. Isso porque em quatro delas, dois nomes foram anunciados como vencedores no mesmo ano. Até hoje, ninguém foi premiado mais de uma vez.
Não houve premiação em sete ocasiões: 1914, 1918, 1935, 1940, 1941, 1942 e 1943.
Busto de Alfred Nobel na Academia Sueca no dia em que o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura de 2026 é anunciado, em Estocolmo.
REUTERS/ Tom Little
Rudyard Kipling foi o mais jovem vencedor do prêmio. Em 1907, quando foi nomeado, tinha 41 anos de idade. Já a mais velha foi Doris Lessing, que estava com 87 anos quando foi premiada em 2007.
Até hoje, 19 mulheres foram premiadas com o Nobel de Literatura, diante de dezenas de homens.
Ao longo dos mais de cem anos de premiação, duas pessoas declinaram ao Nobel: Boris Pasternak, em 1958, e Jean Paul Sartre, em 1964. Boris foi obrigado pelas autoridades de seu país a recusar o prêmio. Já Sartre, historicamente, sempre recusou todas as homenagens oficiais.
Os últimos vencedores do Prêmio Nobel de Literatura
Em 2025, o húngaro László Krasznahorkai foi o vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. Segundo o comitê, o escritor venceu “por sua obra convincente e visionária que, em meio ao terror apocalíptico, reafirma o poder da arte.”
Ele é conhecido por romances exigentes e distópicos, com tom filosófico, como “Sátántangó” e “Melancolia da resistência”. O autor recebeu diversos outros prêmios de prestígio, entre eles o Man Booker International Prize em 2015 pelo conjunto da obra.
Ao longo da carreira, Krasznahorkai viveu períodos fora da Hungria: em 1987 esteve em Berlim Ocidental, e viajou pelo Leste Asiático nos anos 90. Ele também residiu em Kyoto e por um tempo em Nova Iorque. Essas experiências influenciaram bastante sua obra a partir dos anos 90.
2025: László Krasznahorkai (Hungria)
2024: Han Kang (Coreia do Sul)
2023: Jon Fosse (Noruega)
2022: Annie Ernaux (França)
2021: Abdulrazak Gurnah (Tanzânia)
2020: Louise Glück (Estados Unidos)
2019: Peter Handke (Áustria)
2018: Olga Tokarczuk (Polônia)
2017: Kazuo Ishiguro (Reino Unido)
2016: Bob Dylan (Estados Unidos)
Relembre as mulheres que já venceram a premiação
A lista inclui a laureada mais velha da premiação, a escritora Doris Lessing, que recebeu o Nobel aos 87 anos, em 2007. Com mais de 50 romances lançados, Doris morreu em 2013, aos 94 anos. Confira:
2026: Anne Carson
2024: Han Kang (Coreia do Sul)
2022: Annie Ernaux (França)
2020: Louise Glück (Estados Unidos)
2018: Olga Tokarczuk (Polônia)
2015: Svetlana Alexievich (Belarus)
2013: Alice Munro (Canadá)
2009: Herta Müller (Romênia/Alemanha)
2007: Doris Lessing (Reino Unido)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
1996: Wisława Szymborska (Polônia)
1993: Toni Morrison (Estados Unidos)
1991: Nadine Gordimer (África do Sul)
1966: Nelly Sachs (Alemanha)
1945: Gabriela Mistral (Chile)
1938: Pearl S. Buck (Estados Unidos)
1928: Sigrid Undset (Noruega)
1926: Grazia Deledda (Itália)
1909: Selma Lagerlöf (Suécia)
O que é o Prêmio Nobel
A láurea foi criada pelo químico e empresário Alfred Nobel. Inventor da dinamite em 1867, o sueco doou a maior parte de sua fortuna em testamento para a criação de prêmios de física, química, medicina, literatura e paz (o prêmio de economia foi criado anos mais tarde).
O documento dizia que os prêmios deveriam ser concedidos “àqueles que, durante o ano anterior, tenham conferido o maior benefício à humanidade”.
Contudo, hoje em dia, conforme explica Juleen Zierath, membro do Instituto Karolinska – o júri do Nobel de Medicina-, essa regra não é mais tão levada à risca.
“Você pode ter feito essa descoberta em um estágio muito inicial de sua carreira de pesquisa, ou pode ter feito essa descoberta em um estágio muito avançado de sua carreira de pesquisador”, ressalta a pesquisadora.
Veja o cronograma dos próximos anúncios do Prêmio Nobel em 2026:
Paz: sexta-feira, 9 de outubro
Economia: segunda-feira, 12 de outubro

Fonte: G1 Entretenimento

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Chris Isaak vem ao Brasil pela 1ª vez e exalta Elvis Presley: ‘Antes dele, não havia nada’

O cantor americano Chris Isaak
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Nem sempre uma entrevista com um artista é um bate-papo entre duas pessoas interessadas, querendo conversar sobre músicas e frivolidades. Mas foi exatamente esse o tom da conversa com Chris Isaak, roqueiro americano conhecido por baladas como o hit sensual “Wicked Game”.
A canção com clipe dirigido por David Lynch (falecido amigo e coloborador de Isaak) deve aparecer no meio do show do cantor e guitarrista de 70 anos. Ele se apresenta pela primeira vez no Brasil no festival Best of Blues and Rock, em São Paulo, no dia 21 de novembro.
Distante de qualquer deslumbramento após 40 anos de carreira, ele detalhou seu gosto por colecionar guitarras baratas e reafirmou seu respeito pelo rock clássico, mesmo que ignorando as raízes negras do gênero: “Antes do Elvis, não havia nada. Depois dele, passou a existir o rock and roll”.
g1 – Como você compararia o som da sua banda atual com suas bandas clássicas com músicos como o grande baterista Kenny Dale Johnson? O que você pode dizer sobre os caras que tocam com você hoje?
Chris Isaak – São excelentes, excelentes músicos. Eu tenho escolho meus músicos andando por Nashville e, não sei o que você sabe sobre Nashville, no Tennessee, mas se você é um músico nos Estados Unidos, você vai para Nashville. É lá que os trabalhadores da música estão. As gravações são todas em Nashville, o trabalho está todo em Nashville… por isso, você tem todos os melhores músicos. E, honestamente, acho que tenho os melhores músicos da cidade.
g1 – E como você conheceu os caras?
Chris Isaak – Nós temos uma certa camaradagem. Há um tipo específico de pessoa que é músico. São coisas pequenas, como eu notar que nenhum músico é um bom atleta. Nenhum deles. São péssimos com esportes, mas são ótimos em seus instrumentos.
g1 – Gostei da teoria.
Chris Isaak – E a gente senta em um ônibus e as conversas que temos… se eu gravasse as conversas, soaria como quando você ouve pessoas falando sobre esportes e dizem: “Sim, o Los Angeles jogou em 1940, rebateram tal e tal…”. Você senta com uma banda e eles começam a falar: “Ah, sim, naquela gravação de 1963, era o Chuck Webb no teclado e…” Eles sabem de tudo, e se você sentar e ouvir um pouco, você aprende tudo.
g1 – Poxa, não sou um bom músico e nem um bom atleta também.
Chris Isaak – Eu nunca me considerei um grande atleta nem um grande músico, mas eu gosto dessas coisas.
O diretor David Lynch e Chris Isaac, cantor, ator e compositor, nos bastidores do filme ‘Twin Peaks: Os Melhores Dias de Laura Palmer’, lançado em 1992
Divulgação/CIBY Pictures
g1 – Ter músicas em filmes, como você fez com David Lynch, pode mudar uma carreira e trazer um público novo. Como foi essa experiência para você?
Chris Isaak – Na época em que comecei a trabalhar com o David Lynch, ele era apenas um nome novo para mim. Alguém disse: “Há um cara chamado David Lynch e ele está te ligando”. O estúdio em que eu estava não era grande, era apenas uma salinha nos fundos com algumas máquinas. Sentávamos lá, sem janelas, e fazíamos discos. O David ligou e perguntou: “Eu queria saber se você tem mais músicas como ‘Wicked Game’ que eu possa usar”. Eu respondi: “Por que você não vem até aqui e a gente faz o que você quiser? Deixe-me ouvir as suas ideias”. E ele veio, eu tocava guitarra, fazíamos umas faixas e ele falava para mim quando tinha alguma ideia.
Foi ótimo porque nos demos bem logo de cara, conseguimos nos comunicar musicalmente de imediato. Ele era um cara muito divertido de trabalhar, muito criativo. É uma pena que ele tenha partido tão cedo. Se não fumasse cinco maços de cigarro por dia, provavelmente ainda estaria aqui.
g1 – Falando sobre ‘Wicked Game’, foi um sucesso que demorou pra acontecer [um ‘sleeper hit’], algo que acontece até hoje com algumas músicas. Como foi para você ir entendendo e sentindo que a música estava se tornando um sucesso de forma tão lenta e orgânica?
Chris Isaak – Foi um sucesso que demorou a pegar. “Wicked Game” saiu e o disco ficou nas lojas por uns sete ou oito meses antes de realmente decolar. E eu me lembro… nunca me considerei um grande especialista em escolher hits. Se alguém tocar as coisas para mim, posso dizer do que gosto, mas isso não significa que vai tocar no rádio. Mas com “Wicked Game”, minha banda tocava em bares, clubes e boates e era estranho porque as pessoas prestavam atenção de verdade.
“Quando você toca em um bar na vida real, muita gente fica conversando, andando por aí, e não estão exatamente focadas no que você está fazendo. Mas quando tocávamos ‘Wicked Game’, era muito estranho, um tipo de silêncio tomava conta do lugar e as pessoas realmente ouviam.”
Fui o primeiro a falar com a banda: “Vocês notaram isso?”. E eles responderam: “Sim, percebemos”. Fui até a gravadora e marquei uma reunião com o chefe. Naquela época, não vendíamos muitos discos. Eu tinha medo de que, se me encontrasse com a gravadora, eles lembrariam que eu estava no catálogo e me demitiriam. Então, nunca queria ser visto. Mas marquei a reunião e disse: “Queremos dinheiro para fazer um clipe para ‘Wicked Game’. Achamos que pode ser um sucesso”. Eles disseram: “Não, agora já era, o disco já saiu há seis meses”. A única forma de fazer o clipe foi porque o David Lynch interveio e disse “Eu vou fazer um clipe”, e nos ajudou a fazer por conta própria.
g1 – Sei que você muda bastante os setlists, mas claro que ‘Wicked Game’ está sempre lá. Como você canta todas as noites sem enjoar?
Chris Isaak – Eu não só não fico enjoado dela, como também gostaria de ter 15 músicas iguais a ela para cantar todas as noites. É muito divertido de cantar e as pessoas cantarem junto. Ainda gosto da música. Por isso, nunca foi difícil.
g1 – Você é um cara de sorte, porque já conversei com cantores que nem sempre gostam de seus maiores sucessos.
Chris Isaak – Já ouvi falar de bandas que têm um hit muito diferente do que eles realmente fazem. O sucesso soa como um “frat rock” [rock sessentista mais simples] ou algo do tipo, mas na vida real o som deles é soul mexicano. Sinto pena, porque o público vai ao show esperando uma coisa e eles estão tentando fazer outra. No meu caso, “Wicked Game” é o exemplo perfeito do que eu gosto de fazer: baladas românticas e rock and roll.
Chris Isaak no começo da carreira
Divulgação/Site oficial do cantor
g1 – Entendo perfeitamente. O Adam, do Counting Crows, não gosta de ‘Mr. Jones’, mas tem que tocar todas as noites [Chris ri]. Bom, existem artistas mais novos, como Joji e Stephen Sanchez, que soam como os cantores da era clássica da Sun Records.
Chris Isaac – Não conheço esses dois, pode soletrar? [Ele pega papel e caneta]
g1 – Eles fazem sucesso no TikTok com baladas mais lentas, orgânicas, meio anos 60. O que acha dessa nova era da música nostálgica? Por que tem gente se conectando com isso agora?
Chris Isaak – Nenhuma música deveria ser descartada. Cresci ouvindo coisas dos anos 20, 30, 40, 50, 60. Ler livros antigos ou ouvir discos velhos ajuda a ter ideias para coisas novas. Você não precisa ouvir um disco dos anos 50 e soar como ele, mas pode tirar ideias que te levam a uma direção diferente. Uma coisa que espero que as pessoas façam é formar bandas, não só ficar criando faixas com vários canais no quarto, pelo computador. Há algo especial em tocar com outras pessoas. É muito divertido.
g1 – É mesmo. Tenho medo de que até disso vamos sentir falta com a inteligência artificial.
Chris Isaak – Sim. Quando você nos vê tocar ao vivo… você pensa: eles estão em sintonia juntos. E o meu guitarrista é… garanto que ele será o melhor guitarrista do lugar. Ele destrói.
g1 – Você recentemente vendeu parte do seu catálogo, e muitos artistas estão vendendo seus direitos hoje em dia. Por que acha que isso está acontecendo tanto?
Chris Isaak – As coisas estão incertas, as pessoas não sabem qual é o futuro da música e ficam nervosas. Mas eu nunca vendi as minhas coisas totalmente, quero sempre ter o controle sobre o que eu escrevi. Então mantive o controle. O resto é uma questão de negócios entre empresários, coisas pelas quais tenho um tédio mortal.
g1 – Quando você pensa no Brasil e na música brasileira, o que vem à sua mente?
Chris Isaak – Eu não sei nada sobre música brasileira. Minhas ideias sobre o Brasil são baseadas em desenhos animados e filmes dos anos 1930. É como quando as pessoas vinham para a Califórnia na época em que eu morava lá: elas usavam chapéus e botas de cowboy, porque achavam que a gente andava a cavalo. Estou ansioso para ver o Brasil, não tenho preconceitos. Quero levar uma mala com duas camisas, uma calça e o resto vazio. Porque aí, na volta, eu posso trazer um monte de discos brasileiros.
g1 – Onde você mora hoje? Em Nashville?
Chris Isaak – Estou em Nashville hoje, sim. Mas ainda tenho uma casa em San Francisco.
g1 – Imagino que você escute vinil…
Chris Isaak – Ouço bastante vinil.
g1 – Eu sou mais do CD.
Chris Isaak – Eu também sou… Hoje de manhã mesmo eu estava pensando que, a certa altura, passei todos os meus CDs para o computador, mas ainda prefiro os discos físicos.
g1 – Eu coleciono. Sou jornalista musical, ganhei um monte e acabei me apegando a eles. Sou da época do CD, não do vinil…
Chris Isaak – Eu tinha um aparelho para cinco CDs. Era fantástico. Dava para colocar os cinco e ainda selecionar um trecho para tocar em loop por 30 segundos. Se tivesse um riff de guitarra de que você gostasse, era só deixar tocando para praticar. Muito legal.
Chris Isaac fez uma participação em ‘Friends’, em 1996, quando interpretou um músico que tem um romance com Phoebe (Lisa Kudrow)
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g1 – Falando sobre atuar… você também é um ótimo ator, teve uma série de TV própria. Por que não o vemos atuando mais?
Chris Isaak – Eu sempre atuei, mas nunca foi algo em que eu passasse meu tempo tentando arrumar papéis. As pessoas me convidavam e eu ficava feliz em participar, mas se me perguntar o que eu faço em casa… minha casa está cheia de guitarras espalhadas. Fiquei acordado até quatro da manhã de ontem tocando e compondo. Estou sentado aqui numa mesa cercado por listas de músicas, letras… esta é minha vida: tentar escrever músicas.
g1 – Quem te influenciou mais nisso, Elvis Presley ou Roy Orbinson?
Chris Isaak – O Orbinson na parte de composição. Ele levava as músicas para um lugar diferente, um pouco mais orquestrado, sombrio e temperamental. Eu gosto disso. Mas o Elvis é o rei. Fizemos um especial de TV do Elvis com vários artistas famosos e cada um escolheu sua canção favorita. Percebi que havia uns 23 artistas fantásticos ali, e nenhum de nós era melhor do que o Elvis. Ele é o rei.
g1 – E para alguém mais novo… como explicar por que Elvis é o rei?
Chris Isaak – Antes do Elvis, não havia nada. Depois dele, passou a existir o rock and roll. Antes do Scotty Moore, o guitarrista dele, só existia a guitarra country. Scotty Moore inventou o som do rock moderno. Adoro o Bing Crosby e o Dean Martin, mas o Elvis é intocável. Simplesmente perfeito. Como o Phil Spector disse uma vez: “Você não tem noção do quanto ele é bom”. É a verdade.
g1 – Agora temos as cinebiografias para apresentar essas lendas para um novo público, como o filme do Baz Luhrmann sobre o Elvis.
Chris Isaak – É sempre levar esses artistas até as pessoas, porque assim elas vão pesquisar mais por conta própria. Eu descobri o Elvis em lojas de discos usados e fui atrás de todos os discos dele. A coletânea Sun Sessions é o ponto de partida. O rock and roll começa ali.
g1 – Você coleciona itens do Elvis?
Chris Isaak – Não sou tão empolgado com sso. Se alguém disser “olha, esses são os sapatos do Elvis”, vou achar legal, mas o que sempre quis foi uma boa guitarra para tocar, não uma guitarra que alguém famoso tocou.
Chris Isaak em show nos Estados Unidos em 2025
Divulgação/Instagram do cantor
g1 – E quantas guitarras você tem?
Chris Isaak – Eu diria umas 50, talvez um pouco mais. Mas eu preciso de todas elas. Acho que preciso de mais umas duas, aí vou ficar bem. As guitarras são igual a quem bebe demais e diz que só quer mais um drink. Muita gente que coleciona diz: “Esta é a minha Gibson de 1940 que vale um milhão”. Eu pego as guitarras que os outros jogam fora. Minha favorita é uma Welson dos anos 60 da Itália. Comprei direto da traseira de uma van por 50 dólares e usei em discos. Eu gosto de guitarras esquisitas. É bom ter as baratas e as caras. No dia a dia toco uma Gibson, mas acho que cada guitarra tem um som único, é divertido testar algo e as pessoas se perguntarem “que som é esse?”.
g1 – Você se considera um artista de um sucesso só (‘one-hit wonder’)?
Chris Isaak – Não, me considero sortudo por ter tido “Wicked Game”, “Blue Hotel”, “Baby Did” a “Bad Bad Thing” e “Somebody’s Crying”. Tive diferentes sucessos em diferentes lugares do mundo. Isso me permitiu continuar no ramo por 40 anos.
g1 – Entendo demais. Obrigado pelo seu tempo, tenha uma ótima viagem ao Brasil.
Chris Isaak – Mal posso esperar para ver o Brasil. Não faço ideia do que vou encontrar, mas vai ser ótimo. Posso te perguntar uma coisa? Qual é a comida principal no Brasil?
g1 – Americanos gostam muito do churrasco brasileiro, tipo carnes no espeto. Mas o prato tradicional mesmo é a feijoada, feijão preto com sobras de porco.
Chris Isaak – Dá para pedir isso em qualquer restaurante?
g1 – Sim, em todos os lugares.
Chris Isaak – Vou provar os dois. A carne no espeto e a feijoada.
g1 – Acho que você não vai se arrepender.
Best of Blues and Rock 2026
Data: 20 a 22 de novembro de 2026
Local: Plateia externa do Auditório Ibirapuera, Parque Ibirapuera
Endereço: Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, Ibirapuera, São Paulo — SP
Ingressos: entre R$ 406 e 1232 pelo Ticketmaster
Sexta-feira — 20 de novembro
Eddie Vedder
Linka Moja
Samuel Rosa
Sábado — 21 de novembro
Roger Daltrey
Chris Isaak
Christone “Kingfish” Ingram
Artur Menezes
Domingo — 22 de novembro
Eddie Vedder
Linka Moja
Vitor Kley

Fonte: G1 Entretenimento

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Nobel de Literatura: Mulheres são apenas 14,7% dos 122 premiados; relembre vencedoras

Han Kang venceu o Nobel de Literatura em 2024
AP Photo/Lee Jin-man, File
Nesta quinta-feira (8), o Nobel entrega mais um prêmio para a “pessoa que, no campo da literatura, tiver produzido a obra mais notável em uma direção ideal”, conforme descreveu Alfred Nobel, responsável pela instituição da premiação, em seu testamento.
Criado em 1901, foram entregues 118 prêmios Nobel de Literatura. Mas desde então, apenas 18 mulheres entre dezenas de homens. As mulheres representam 14,7% entre os 122 premiados entre 1901 e 2025. (Em alguns anos, dois autores dividiram o prêmio).
A lista inclui a laureada mais velha da premiação, a escritora Doris Lessing, que recebeu o Nobel aos 87 anos, em 2007. Com mais de 50 romances lançados, Doris morreu em 2013, aos 94 anos.
Relembre as mulheres que já venceram a premiação:
2024: Han Kang (Coreia do Sul)
2022: Annie Ernaux (França)
2020: Louise Glück (Estados Unidos)
2018: Olga Tokarczuk (Polônia)
2015: Svetlana Alexievich (Belarus)
2013: Alice Munro (Canadá)
2009: Herta Müller (Romênia/Alemanha)
2007: Doris Lessing (Reino Unido)
2004: Elfriede Jelinek (Áustria)
1996: Wisława Szymborska (Polônia)
1993: Toni Morrison (Estados Unidos)
1991: Nadine Gordimer (África do Sul)
1966: Nelly Sachs (Alemanha)
1945: Gabriela Mistral (Chile)
1938: Pearl S. Buck (Estados Unidos)
1928: Sigrid Undset (Noruega)
1926: Grazia Deledda (Itália)
1909: Selma Lagerlöf (Suécia)
Sul-coreana Han Kang ganha pêmio Nobel de Literatura

Fonte: G1 Entretenimento

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‘Hope – O primeiro impacto’ abre mão de melhor abertura do ano por ficção científica batida; g1 já viu

“Hope – O primeiro impacto” tem a melhor sequência de abertura de 2026. A primeira hora do novo filme de Na Hong-Jin, diretor do excelente “O lamento” (2016), é um cartão de visitas raro, uma perseguição alucinada e tensa atrás de uma criatura misteriosa e letal que destrói um pequeno vilarejo.
De fato, a qualidade do começo da obra que estreia nesta quinta-feira (8) no Brasil é tão grande, tão “absolute cinema” (como dizem os jovens por aí), que potencializa o tombo da segunda metade.
Não deixa de ser impressionante a queda livre em espiral da transição meio inexplicável de gêneros, de thriller de monstro – com toques da comédia cínica típica do cinema coreano – aos clichês mais cansados da ficção científica.
Ao final, a tentativa de construir a fundação para uma provável grande saga cósmica gera um diálogo tão batido que chega a parecer de propósito, algum tipo de comentário metalinguístico sobre filmes de verão descerebrados.
Assista ao trailer de ‘Hope – O primeiro impacto’
O problema é que, a essa altura, é difícil vender uma certa intencionalidade – mesmo que acidental – para um público afogado em questionamentos como:
Como um filme tão bom ficou tão bobo?;
por que apostar bem na pior parte da história para uma sequência?; e
essas são as vozes dos astros hollywoodianos (e casal na vida real) Michael Fassbender (“Código preto”) e Alicia Vikander (“Tomb Raider: A origem”)? (R: são, sim.)
O primeiro impacto
Em “Hope”, o diretor e roteirista Na acompanha o delegado (Hwang Jung-min) de um pequeno vilarejo de pescadores na Coreia do Sul, enquanto ele tenta descobrir qual predador misterioso estraçalhou um boi no meio da estrada.
Rapidamente, a investigação evolui para uma caçada desesperada por uma criatura que deixa um rastro de destruição e sangue e vísceras por onde passa.
Difícil encontrar defeitos nesses primeiros momentos. Talvez seja possível criticar a computação gráfica usada para o monstro, sei lá. Mas todo o resto é provavelmente o melhor que o cinema possa oferecer em 2026.
Hwang Jung-min e Hoyeon em cena de ‘Hope – O primeiro impacto’
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Ao replicar a atmosfera bucólica de “O lamento”, tranquilamente um dos melhores filmes de terror do século, o cineasta subverte expectativas ao imprimir um ritmo alucinante logo nos primeiros minutos – e oferecer pouquíssimos respiros para o espectador.
Com um elenco de primeira encabeçado por Hwang e a fotografia nervosa de Hong Kyung-pyo, dupla com quem trabalhou em sua obra-prima, Na constrói tensão a cada esquina do povoado destruído, a cada barulho na parede ao lado, a cada rajada de tiros distante.
Um pouco antes da grande virada, ainda introduz uma nova chama de esperança na figura da policial interpretada por Hoyeon, jovem atriz que foi o grande destaque da primeira temporada de “Round 6”.
Além de renovar as energias da caçada, a personagem acrescenta ainda humor, leveza e armas. Muitas armas. Infelizmente, sua entrada espetacular é também o prenúncio da tragédia.
O lamento
Não dá para entrar tanto nos diversos problemas da cerca de 1h40min final (sim, a duração chega a 2h40min, no total) sem abordar pontos que poderiam e deveriam ser considerados spoilers.
Mas é possível dizer que pouco depois da apresentação de Hoyeon, a trama tira o pé do acelerador e passa a tomar quase todas as decisões erradas – com exceção da narrativa escatológica preciosa do tiozinho no hospital. Vocês saberão qual ao assistir.
Hwang Jung-min em cena de ‘Hope – O primeiro impacto’
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Enquanto a qualidade das cenas de ação continua invejável, muitos de seus contextos se perdem, e a revelação das origens da criatura e a transferência do ponto de vista, dos humanos para os antagonistas misteriosos, tira completamente a tensão.
O diálogo final entre os novos protagonistas, tão engessado e clichê, gera uma onda de vergonha alheia tamanha que poderia ser quase considerada proposital – não fosse a total falta de propósito da cena.
Digo tudo isso para deixar claro que “Hope” não é ruim. É, sim, a maior oportunidade perdida do ano. Mas não deixa de ser algo admirável, terminar tão mal que sua abertura excelente praticamente se torna seu maior defeito.
Afinal, filmes ruins do começo ao fim existem aos montes, e raramente provocam emoções tão fortes quanto o sentimento ao assistir a uma obra-prima se tornar, em tempo real diante de seus olhos, um acidente de trem intergaláctico.

Arte/g1

Fonte: G1 Entretenimento