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‘Robin Hood não era herói’: como foram apagadas as sombrias e violentas origens medievais do personagem


‘Robin Hood não era herói’: como foram apagadas as sombrias e violentas origens medievais do personagem
Getty Images via BBC
Importante: esta reportagem contém uma descrição clara de violência que pode ser perturbadora para alguns leitores.
Quando o diretor e roteirista Michael Sarnoski começou a filmar seu novo longa-metragem, ele mostrou ao elenco e à equipe de produção um desenho animado que ele adorava.
Era o Robin Hood animado da Disney, de 1973, que mostra o herói como uma raposa com uma pena no seu chapéu verde, roubando dos ricos para dar aos pobres.
Esta versão tão popular não poderia estar mais longe do profundo e sombrio drama de Sarnoski, A Morte de Robin Hood.
Hugh Jackman interpreta um Robin grisalho, desgastado pelas batalhas e pensativo no final da vida, profundamente consciente da sua própria lenda.
Agora no g1
Ele encontra uma mulher que fala sobre o virtuoso justiceiro Robin Hood, mas ele nega sua identidade e se refere a si próprio em terceira pessoa.
“Ele não era um herói. Ele roubava e matava para se divertir, nada mais que isso.”
Na verdade, este Robin Hood violento e outras visões revisionistas contra a heroica imagem de benfeitor do personagem estão mais próximas das lendas medievais originais do que o estereótipo familiar que imaginamos hoje em dia.
A imagem de Robin Hood se transformou ao longo dos séculos. Cada mudança refletia a era que o reinterpretava.
As variações mais sombrias do século 21 remontam às origens da história. Mas, como destacam alguns dos seus criadores, também refletem o presente.
As visões complexas do personagem desafiam um mundo polarizado, onde os heróis e vilões costumam ser exclusivamente bons ou maus, de forma tão simplificada quanto a lenda de Robin Hood se tornou ao longo dos séculos.
Quem foi Robin Hood?
Especula-se muito se realmente existiu um Robin Hood na vida real, mas a maioria dos historiadores concorda que não tenha havido um indivíduo vivo por trás do personagem.
O que existia era uma sociedade com imensas desigualdades, com ricos donos de terras e camponeses empobrecidos, que inspirou sua criação.
As histórias surgiram como tradição oral no século 12, mas os primeiros relatos escritos só chegaram dois séculos mais tarde, em baladas que o mostravam como um personagem famoso, mesmo tanto tempo depois.
Nestes primeiros relatos escritos, não se tratava do nobre Sir Robin de Locksley, como mostram as versões posteriores. Ele não era nobre, mas sim um pequeno proprietário rural, que estava apenas um degrau acima dos camponeses.
Lady Marian só entraria na história no século 16. E Robin podia ser bom para os pobres, mas seu objetivo principal não era ajudá-los.
Seus inimigos eram o clero corrupto e os nobres proprietários de terras, que se aproveitavam dos seus subordinados.
As histórias sobre Robin Hood surgiram como tradição oral no século 12, mas os primeiros relatos escritos datam de 200 anos depois
Getty Images via BBC
Em um posfácio do seu romance revisionista The Traitor of Sherwood Forest (“O traidor da Floresta de Sherwood”, em tradução livre), de 2025, a historiadora medieval Amy S. Kaufman descreve o Robin Hood das primeiras lendas como “um vigarista medieval moralmente questionável” — “malandro, violento e irreverente”.
A Disney acertou em um ponto: as primeiras baladas indicam que Robin realmente era dissimulado como uma raposa.
Uma mudança importante na história veio no século 16, durante o reinado de Henrique 8° (1491-1547), admirador da lenda que chegava a se vestir como Robin Hood. Foi na época do monarca inglês, que dividiu a Igreja Católica, que a devoção de Robin à Virgem Maria desapareceu da lenda.
Com as classes mais altas acolhendo o personagem, Robin deixou de odiar a nobreza nas influentes crônicas da época, passando ele mesmo a ser nobre.
Ao assumir a posição de um nobre com moral íntegra, que luta contra seus pares desonestos, Robin Hood deixou de questionar a estrutura de poder da sociedade.
Ele foi convocado para ajudar o bom rei Ricardo (1157-1199) a retomar o trono usurpado pelo seu irmão mau, o príncipe João (1166-1216) — uma parábola incluída na produção da Disney, que mostra João como um leão ambicioso, com sede de poder.
A animação da Disney produzida em 1973, com Robin Hood como uma raposa, solidificou sua imagem de intrépido benfeitor na cultura popular
Alamy via BBC
Livros infantis do século 19 ajudaram a transformar Robin Hood em um benfeitor menos ofensivo, aceitável para a era vitoriana.
E, no século 20, o cinema perpetuou esta imagem com o ídolo das matinês Errol Flynn (1909-1959) interpretando o intrépido Robin no popular filme As Aventuras de Robin Hood (1938).
A Disney solidificaria esta imagem na cultura popular, talvez na sua versão mais influente.
‘Duas versões do mesmo personagem’
Sarnoski conta à BBC que o contraste entre o filme da Disney e a lenda original o fascinava desde criança, quando ele leu uma versão infantil da balada medieval A Morte de Robin Hood.
Nela, Robin morre em silêncio, assassinado por uma prioresa má e seu amante.
“Conheci o Robin Hood da Disney e li em seguida A Morte de Robin Hood, essas duas versões do protagonista”, conta o diretor. “Tentar lidar com isso e compreender como aquele pode ser o mesmo personagem realmente me marcou quando eu era criança”, conta o diretor.
Errol Flynn (dir.) interpretou o intrépido Robin no filme As Aventuras de Robin Hood (1938)
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No filme de Sarnoski, Robin Hood é ferido durante uma chocante batalha exibida no filme. Uma flecha atravessa a cabeça de um menino pela parte de trás e sai pelo seu olho e ele é levado a um mosteiro para se recuperar.
Jodie Comer interpreta a prioresa. Ela é gentil, diferentemente do retrato da balada.
“Eu não quis que a prioresa fosse apenas aquela freira malvada, nem que Robin fosse simplesmente aquele herói bom”, explica Sarnoski sobre seus personagens, mais profundos.
Quando Robin reflete e começa a se lamentar por seu passado, o filme “realmente se torna uma história sobre ele, que enfrenta sua própria lenda e seu desejo sobre o que seria uma morte correta”, prossegue o diretor.
Hugh Jackman interpreta o protagonista do novo filme do estúdio A24, uma visão revisionista de Robin Hood que retoma a sombria lenda original da Idade Média
A24 via BBC
A distorção da lenda também é um tema importante do romance de Kaufman. Da mesma forma que Sarnoski, ela formou suas primeiras impressões sobre a história com o desenho da Disney.
“Cresci com a raposa Robin Hood”, conta ela à BBC. “Mais tarde, mergulhei nos estudos medievais, descobri as baladas e me perguntei: ‘Onde está meu Robin Hood, que conheço e adoro?'”
Seu livro se concentra na personagem fictícia Jane, uma camponesa que se apaixona pela lenda de Robin Hood. Ela se encanta com ele e entra para o seu bando, mas começa a se perguntar se a imagem heroica e o próprio Robin a iludiram com sua sedução.
Fiel às origens do personagem, o Robin de Kaufman não é herói, nem vilão.
Ela conta que, nas baladas, “ele é incrivelmente subversivo, quando você observa como ele se levanta contra as pessoas que detêm o poder, como os reis, a nobreza, a Igreja”.
“Mas, em todas as baladas, ele também tem um fim trágico ou é vítima das suas próprias imperfeições.”
Além de Flynn, atores como Douglas Fairbanks, Russel Crowe e Kevin Costner (foto) interpretaram Robin Hood e quase todos mantiveram a imagem estereotipada do personagem.
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No século 20, essas visões mais complexas de Robin Hood eram raras.
No cinema, atores como Douglas Fairbanks (1883-1939), Kevin Costner e Russel Crowe interpretaram o papel e quase todos seguiram a imagem estereotipada.
Uma exceção marcante é Robin e Marian (1976), um filme elegante e inteligente, que merece ser muito mais conhecido.
Sean Connery (1930-2020) interpreta um Robin envelhecido que, após décadas, reencontrou Marian (Audrey Hepburn, 1929-1993), agora prioresa.
Este Robin nega que as histórias lendárias sobre ele sejam verdadeiras e aparece contemplativo no final da vida.
“Sempre penso em todas as mortes que presenciei”, conta ele a Marian, questionando qual foi o seu propósito.
Robin e Marian (1976), com Sean Connery e Audrey Hepburn, é um filme elegante e inteligente, que mostra o personagem contemplativo no final da sua vida
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Questões sobre poder, heróis e como as histórias são contadas são exatamente o que faz com que as visões revisionistas pareçam tão atuais.
“O mundo está consolidando o poder de forma similar à Idade Média”, segundo Kaufman. “Algumas das coisas que eles precisavam estudar são as mesmas que precisaremos examinar hoje.”
Sarnoski destaca como seus personagens utilizam suas histórias como instrumentos de poder.
“Robin usava as histórias como armas e como forma de perpetuar a violência”, atraindo seguidores, segundo ele. Já a prioresa “usa as histórias para ajudar e curar as pessoas”.
Atualmente, estas estratégias estão por toda parte.
“Estamos, agora, imersos em narrativas, entre as redes sociais, a internet e simplesmente em tudo o que nos rodeia”, prossegue Sarnoski.
“Nós nos dividimos muito rapidamente em aldeias e tribos, criando heróis e vilões, e não vivemos na área cinza onde realmente mora a vida.”
Por mais estimulantes que possam ser novas versões mais sombrias de Robin Hood, elas provavelmente não irão substituir a imagem criada pela Disney.
“Nem todos querem ver sua fantasia de Robin Hood destruída”, explica Kaufman.
“Ele se tornou uma espécie de Papai Noel, no sentido de que representa algo maior que a lenda original, seja ela qual for.”
A Morte de Robin Hood está em cartaz nos cinemas brasileiros.
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Culture.
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Fonte: G1 Entretenimento

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Afinal, o que é ser mulher?


Manifestantes trans protestam contra projeto de lei que restringe uso de banheiros femininos em Teresina
TV Clube
A palavra “mulher” tem provocado uma onda de controvérsias dentro e fora do Brasil. De um lado, há quem defenda que o termo se refere exclusivamente a quem nasceu com vulva. Do outro, há quem diga que se trata de uma identidade autodeclarada, podendo também englobar pessoas com pênis.
No Brasil, desde 2018, qualquer pessoa maior de idade pode solicitar a alteração de gênero e nome na certidão de nascimento.
O assunto causa divergência entre pesquisadores. Da filosofia à medicina, não há consenso do que é ser mulher, conforme explicam especialistas ouvidas pela DW.
“As ciências vão se renovando e aí vão aparecendo novas linhas para definir e readaptar as perspectivas”, explica Suzana Veiga, especialista em história feminina e professora na Universidade de Pernambuco (UPE).
Ela diz que até o feminismo se divide, com as ativistas discordando entre si sobre quem seu movimento representa.
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Impacto político
Esse conflito de definições tem se refletido diretamente na política brasileira — e pode ganhar mais fôlego à medida que as eleições gerais se aproximam. Um dos principais tópicos em disputa tem sido o acesso a espaços como vestiários, presídios e, sobretudo, banheiros públicos.
Em Niterói (RJ) e Teresina (PI), tramitam atualmente projetos de lei para proibir o uso de banheiros femininos por mulheres trans — ou seja, pessoas que nasceram com pênis e que se declaram mulheres. As propostas são similares a outra lei recém-sancionada em Campo Grande (MS).
Medo de crimes e situações de risco
Defensores de medidas restritivas argumentam que a autodeclaração de gênero abre brecha para que espaços femininos sejam frequentados por qualquer pessoa, inclusive agressores de mulheres. O temor é que homens poderiam fingir ser trans para cometer crimes nesses ambientes.
Do outro lado, críticos afirmam que esse tipo de lei alimenta a transfobia e expõe mulheres trans a situações de risco. Eles argumentam que muitas temem sofrer violência em espaços masculinos, já que a população trans também é frequentemente vítima de crimes cometidos por homens cisgêneros — termo usado para quem se identifica com o gênero atribuído ao nascer.
Outro caso que gerou repercussão nacional neste ano foi a nomeação da deputada federal Erika Hilton à presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados. Mulher trans, ela recebeu críticas de grupos que contestam sua identidade feminina ou defendem que apenas pessoas nascidas com vulva assumam um cargo como esse, voltado à elaboração de políticas femininas.
“O meu gênero e a minha identidade não dependem da licença de quem quer que seja”, afirmou Erika, na época, em uma sessão da Comissão realizada após sua posse.
A posse de Erika Hilton continua gerando discussões. Nesta quarta-feira (17/06), ela recebeu da Justiça de São Paulo o direito de exibir no SBT um vídeo com resposta às afirmações do apresentador Ratinho. Em março, ele afirmou em seu programa que Hilton “não é mulher, é trans”, o que foi entendido como ofensa para além da crítica política na decisão judicial. “O que se reprime (…) não é a divergência, mas o modo como foi externada em plena rede nacional. Ofensa não é opinião, é ato ilícito”, diz o texto.
Deputada Erika Hilton (PSOL)
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados Fonte: Agência Câmara de Notícias
O ato de se identificar como mulher
O conceito de identidade de gênero parte do princípio de que nenhum órgão sexual define alguém como mulher, homem ou outra identidade. O foco está na maneira como cada pessoa se reconhece.
Existem mulheres trans que recorrem a cirurgias e tratamentos hormonais para mudar sua aparência física, se aproximando de um corpo historicamente visto como feminino. Mas há também pessoas trans que, seja por escolha própria ou falta de acesso a recursos médicos, não mudam sua anatomia.
O que faz, então, alguém se identificar como mulher?
Não existe uma resposta universal. É o que explica Letícia Carolina Nascimento, autora de Transfeminismo, pesquisadora sobre gênero e professora da Universidade Federal do Piauí (UFPI).
“Ser mulher passa por uma construção social daquilo que é atribuído ao gênero feminino”, afirma Nascimento, citando normas culturalmente associadas à feminilidade. Exemplo disso é a maquiagem. “Ser mulher não é só passar batom. Mas, para muitas mulheres, a experiência do batom é importante.”
“Não dá para definir todas as experiências de ‘mulheridade’ a partir de um único eixo biológico”, diz ela, que acredita ser importante “deixar em aberto” o questionamento do que é ser mulher.
Estereótipos femininos
Por ser tão amplo, o conceito de identidade de gênero é, muitas vezes, contestado. Críticos dizem que ele reforça estereótipos.
“A ideia é sexista por definição”, afirma a ativista Clarice Saadi, diretora da MATRIA (Associação de Mulheres, Mães e Trabalhadoras do Brasil), coletivo feminino que se opõe ao conceito de identidade de gênero.
“Aceitar que um homem pode se tornar mulher por dizer que ‘se sente’ assim por usar cabelo comprido, vestido ou maquiagem é reduzir mulheres a um conjunto de estereótipos”, continua.
“Quando uma família diz que um menino é trans por gostar de brincar de boneca ou vestir roupa cor de rosa, está reforçando que certos brinquedos, roupas, cores e gostos seriam de menina”, diz Saadi. “É um retrocesso.”
A ideia é rebatida pela ativista Deborah Sabará, que é secretária de direitos humanos da ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e diretora da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos).
“Essa visão é equivocada. A gente busca que as outras mulheres também possam viver sem serem cobradas”, diz ela, em referência a padrões atrelados à feminilidade, como a delicadeza.
A autodeclaração no legislativo
No campo legislativo, parte da discussão gira em torno de possíveis abusos na autodeclaração de gênero.
Internacionalmente, um caso polêmico é o de Marla–Svenja Liebich, integrante de um grupo neonazista alemão. Até 2023, Liebich se identificava como homem e ofendia a população trans. Mas, após ser condenada por injúria e difamação, trocou de documento — com base na lei alemã de autodeterminação de gênero. Com isso, ganhou o direito de cumprir pena em presídio feminino.
“É chocante que muita gente esteja concordando que a definição de mulher pode ser etérea”, afirma Maria Carolina Medeiros, professora da Fundação Getulio Vargas (FGV) e pesquisadora sobre socialização feminina.
“Como seriam as políticas para os idosos se não houvesse a definição de que idoso é alguém com 60 anos ou mais? Claro, você pode discutir essa idade, mas é preciso que isso esteja bem definido.”
Nascimento, a autora de Transfeminismo, diz que cada política pública tem um público específico. Por exemplo, questões relacionadas à gravidez não incluem mulheres trans, mas podem envolver homens trans (pessoas nascidas com vulva que se declaram homens).
Ela também afirma que casos de abuso legislativo são frequentemente explorados de forma a produzir “pânico moral” e generalizações sobre a comunidade trans.
Genitália como demarcador
Um argumento usado pelo transativismo é o de que nem todas as mulheres cis compartilham as mesmas características biológicas, como fertilidade e útero.
Críticos à autodeclaração, por sua vez, falam que exceções desse tipo não interferem na forma como as mulheres são socializadas desde o nascimento.
Na visão de alguns especialistas, restringir o significado de “mulher” a uma genitália seria reduzir a população feminina à função reprodutiva, o que endossaria misoginia e contribuiria com a manutenção de pensamentos patriarcais.
“Quando apostam na biologia como uma experiência universal das mulheres, há um retrocesso em décadas de estudos feministas”, afirma a professora Nascimento.
Já para outros estudiosos, desvincular esses fatores prejudica tanto o reconhecimento quanto o combate à desigualdade de gênero. “A opressão das mulheres está ligada ao sexo biológico”, diz a professora Medeiros, mencionando problemas como violência obstétrica e dignidade menstrual. “Há uma disparidade grande entre nascer homem e nascer mulher. ”
Cultura e biologia
Socióloga e autora da trilogia Imagens da mulher no ocidente moderno, Isabelle Anchieta explica que o embate de definições de mulher tem sido tratado de forma polarizada nos últimos tempos, o que ela considera perigoso para o avanço da própria discussão.
“A gente tem as duas coisas atuando sobre nós: cultura e biologia. Isso não pode ser ignorado”, afirma ela. “Erra quem aposta que mulher é [só] útero, mas ela também não é só cultura.”
Assim como Anchieta, a professora Suzana Veiga analisa a atual polarização do debate com preocupação. “Tenho visto um cenário de guerra entre grupos historicamente oprimidos”, afirma.
Segundo Veiga, o debate vem sendo travado de forma rasa, principalmente nas redes sociais. “Pessoas sem grande profundidade [teórica] discutem temas profundos”, resume.
Mas a tendência é que essa polarização só se intensifique, de acordo com as especialistas. Elas destacam também que as divergências atingem diretamente a elaboração de políticas públicas, produção de estatísticas e a identificação de diferentes formas de violência.

Fonte: G1 Entretenimento

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Foragido, MC Negão Original lança música que chega ao top 20 do Spotify em duas semanas; entenda


O funkeiro MC Negão Original
Reprodução/Instagram
O funkeiro MC Negão Original, foragido da polícia por uma suposta participação em um esquema de estelionato virtual, vive um dos seus melhores momentos como artista. Sua música mais recente, “Cuida do Pet”, alcançou a 13ª posição no top 20 do Spotify em duas semanas.
🚨A lei não impede que uma pessoa foragida lance ou divulgue seu trabalho – e isso não é considerado um novo crime (leia mais abaixo).
Feita em parceria com Aaron Modesto, Willian, Iguinho CT e DU’L, a canção “nasceu” antes de João Vitor Marcelino Guido, nome verdadeiro do artista, ter sua prisão decretada pela Justiça e seu paradeiro considerado desconhecido pela polícia.
O cantor já tinha feito sua parte na música, cujas prévias viralizaram nas redes sociais entre março e abril. O trecho de Negão Original foi o de maior destaque.
Sua parte fez tanto sucesso que ganhou uma versão própria, chamada de “Por Isso Ela Mente”. As prévias desse trecho somam mais de 2 milhões de visualizações no YouTube e TikTok.
Ao saber que a versão não finalizada estava em alta, MC Negão Original entrou em contato com os outros envolvidos na canção e sugeriu que uma versão oficial fosse lançada. Com direito a videoclipe.
Porém, MC Negão Original gravou sua parte isolado dos outros participantes da música, todos em locações diferentes.
O videoclipe oficial atingiu a marca de 1 milhão de visualizações em uma semana. Já uma versão feita por IA, lançada no fim de maio, acumula 2 milhões de views no YouTube.
As suspeitas sobre MC Negão Original
Polícia investiga MC Negão Original por ligação com esquema de estelionato virtual
Em fevereiro deste ano, a Polícia Civil deflagrou uma operação que investiga uma organização criminosa especializada em golpes virtuais.
Segundo os investigadores, o artista teria ligação com um esquema de estelionato que fez vítimas em diversos estados e movimentou cerca de R$ 100 milhões ao longo de cinco anos.
De acordo com a polícia, criminosos enviavam mensagens de texto ou áudio se passando por funcionários do INSS. Em seguida, solicitavam às vítimas uma suposta “prova de vida” para evitar o bloqueio do benefício.
Durante a abordagem, os golpistas convenciam principalmente idosos a participar de chamadas de vídeo e instalar aplicativos em seus celulares.
Na prática, esses aplicativos permitiam o acesso remoto aos aparelhos e capturavam dados pessoais, senhas bancárias e outras informações sensíveis.
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Polícia investiga MC Negão Original por ligação com esquema de estelionato virtual
Rauls: como funk transformou estelionatários digitais em personagens de músicas e de série
Ainda segundo a polícia de São Paulo, trechos das canções do MC Negão Original chamaram a atenção dos investigadores durante a apuração do caso.
Entre as gírias que aparecem nas músicas está o termo “Raul”, usada para se referir a golpistas — pessoas que enganam vítimas para obter dinheiro.
Outra gíria citada nas letras é “7”, referência ao artigo 171 do Código Penal, que trata do crime de estelionato.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) que afirmou que “diligências para a localização e prisão do MC Negão Original e dos demais envolvidos no caso estão em andamento”.
A reportagem tentou contato com a defesa do funkeiro. O espaço será atualizado caso haja algum retorno.
Um foragido pode lançar e divulgar seu trabalho?
O funkeiro MC Negão Original
Reprodução/Instagram
Sim, uma pessoa que está foragida pode seguir trabalhando normalmente e não está cometendo nenhuma ilegalidade por isso.
Euro Bento Maciel Filho, mestre em Direito Penal, explicou ao g1 que a situação de MC Negão Original não é incomum.
“O dever de encontrar uma pessoa foragida é do Estado. Nesse caso, o artista não tem obrigação de se entregar à polícia, por exemplo. Mesmo foragido, ele tem direito ao trabalho. Eu, por exemplo, já acompanhei casos em que a pessoa fica foragida até o trânsito em julgado [quando não há mais possibilidade de recurso].
Ele afirmou também que as pessoas envolvidas nos lançamentos das músicas não cometeram crime.
“O código penal diz que o crime está em ‘auxiliar um criminoso a fugir ou se esconder’. Quem produz ou trabalha na divulgação com o artista não se encaixa nesse parâmetro. Ajudar, por exemplo, seria emprestar o carro para alguém que sabidamente está foragido e quer fugir.”
Como o funk tem cantado os Rauls?
Como o funk vem documentando a história dos estelionatários digitais, conhecidos como Raul
Principalmente a partir dos anos 2010, o funk paulistano vem cantando sobre a vida dos Rauls. Não necessariamente sobre os golpes aplicados, mas como os criminosos usufruem do dinheiro roubado.
Nomes como MC Kelvinho e MC Kapela ficaram conhecidos por cantarem, quase que exclusivamente, músicas com estelionato como tema. Um dos grandes sucessos de Kelvinho, “O Corre”, tem 22 milhões de visualizações no YouTube e conta com os seguintes versos:
“Os caras que vivem de golpe / Nocaute no Santa [banco Santander] / É nós que é o corre / E os bicos se espanta / A Civil tenta dar o bote / Tá osso ir em cana / Tá pago o acerto / E a vida tá mansa”
A reportagem conversou com três MCs e um produtor musical. Todos pediram para conversar em off com a reportagem, pois temem represálias da polícia e uma possível associação ao crime.
Segundo os ouvidos, falar da vida dos golpistas era um nicho dentro do funk. Antes, poucos MCs colhiam o retorno de cantar as dinâmicas do estelionato.
A partir dos anos 2020, com o crescimento dos crimes cibernéticos, cresceu também a quantidade de funkeiros que decidiram falar sobre o tema.
“A molecada mais nova quer surfar na onda. Se na época do funk ostentação se falava da marca de roupa X ou da moto Y, hoje o negócio é falar dos Rauls, não só pelo crime em si, mas a vida que eles levam por conta dos golpes”, explica um MC.
“Nós estamos na favela e a gente convive, mesmo que indiretamente, com essa realidade. Somos iguais a roteiristas de filme. Nós ouvimos e adaptamos histórias da vida real”.

Fonte: G1 Entretenimento

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5 atrações do Primavera Sound Barcelona que têm que vir ao Brasil (e você não pode perder)


Primavera Sound Barcelona 2026 teve ótimos shows de Gorillaz, Little Simz, Geese e mais
Christian Bertrand/Divulgação
Com quase 25 anos de existência, o Primavera Sound Barcelona ganhou a fama de ser um festival descolado e alto-astral, um pouco menos mainstream que os enormes Glastonbury e Coachella.
O g1 foi à edição de 2026 do festival espanhol, que contou com show surpresa de Olivia Rodrigo (com participação de Robert Smith!), The Cure, Gorillaz e mais de 150 atrações de grande, médio e pequeno porte.
Não faltou show bom neste line-up — muitos que, inclusive, estão ensaiando uma vinda ao país há um tempo. Veja 5 nomes que, quando vierem ao Brasil, você não pode perder:
Veja o line-up completo do Primavera Sound São Paulo
Gorillaz: como é o show atual da banda que vem ao Primavera
Little Simz
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Expoente do rap britânico, Little Simz deu um show de carisma no festival em Barcelona. Não é uma tarefa simples (para um rapper, especialmente) engajar quem não conhece as letras, mas Simz fez parecer fácil. Ajudou que ela tinha uma banda ao vivo, caprichando na percussão enquanto ela habilidosamente entoava os versos.
Ela dançou, cantou, brincou, se emocionou. Em certo ponto, assumiu a picape de DJ e botou todo mundo para dançar. Com o repertório e a qualidade que ela tem, é uma pena que não tenha planos de vir ao Brasil — mas quando vier, é imperdível.
Geese
Cameron Winter, do Geese, no Primavera Sound Barcelona
Christian Bertrand/Divulgação
A banda do momento pode não ser a preferida de muitos mas, no Primavera Sound Barcelona, foi o assunto da maioria. O grupo se apresentou no primeiro dia do evento e ganhou de brinde um temporal (os shows que viriam mais tarde foram cancelados pelo clima, ou seja, o Geese acabou “promovido” a atração principal).
O resultado foi um showzão, com o drama da chuva torrencial. Teve mosh, gritaria do público e um Cameron Winter (vocalista) blasé, mas tirando de letra o papel de frontman. Já não falta expectativa por uma possível estreia deles no Brasil, mas, com esse show, só aumentou.
Pinkpantheress
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A grande dúvida sobre Pinkpantheress não é se o show vale a pena, mas por que ela não veio ao país até hoje. A produtora e cantora britânica, que só cresce desde a pandemia, se apresentou em um palco menor em Barcelona — mal cabia a plateia que foi vê-la em peso.
O show dela sobra em bom humor e estilo, além do capricho em telões, coreografia e transições. Fica registrado o apelo para alguém trazê-la de uma vez por todas.
Wet Leg
Wet Leg no Primavera Sound Barcelona 2026
Christian Bertrand/Divulgação
Quando veio ao Brasil pela primeira vez (no The Town 2023), o Wet Leg ainda era uma banda iniciante e tímida, com um disco só no repertório.
Agora, é praticamente outro grupo — a vocalista Rhian Teasdale assumiu totalmente o posto de frontwoman, sem timidez e performática como nunca. O show também tem espaço para humor, bons riffs de guitarra e novas músicas ácidas. A banda já acumula um público significativo, mas ainda dá aquela sensação de ver uma estrela despontar.
Sudan Archives
Sudan Archives se apresenta no Primavera Sound Barcelona 2026
Christian Bertrand/Divulgação
A violinista e cantora Sudan Archives é a única nesta lista que (ufa!) tem data para vir ao Brasil: ela estará no Balaclava Fest, no dia 27 de setembro, em São Paulo. E definitivamente vale a pena vê-la.
Em Barcelona, Sudan surgiu sozinha no palco, vestida como uma espécie de ser místico. Ela fez um show hipnótico e vibrante, alternando entre o violino, uma controladora e o microfone. No fim da apresentação, desceu em meio à galera e fez uma grande festa, terminando com a energia lá em cima.

Fonte: G1 Entretenimento

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Rock in Rio Lisboa 2026 estreia neste sábado (20) com Katy Perry, Linkin Park, Cypress Hill e Charlie Puth


Banda Linkin Park
James Minchin III/Divulgação
A 11ª edição do Rock in Rio Lisboa começa neste sábado (20). O evento acontece no Parque Tejo nos dias 20, 21, 27 e 28 de junho. Os ingressos para o primeiro final de semana estão esgotados.
Katy Perry, Linkin Park, Cypress Hill e Charlie Puth são os headliners dos primeiros dias do festival. Já Cyndi Lauper, Rod Stewart, Central Cee e 21 Savage são as principais atrações do segundo final de semana do evento. (Veja abaixo programação completa).
Além da parte musical, o festival entra em clima de Copa do Mundo e conta com a Arena Música e Futebol. No dia 27 de junho, além da programação normal do espaço, o evento vai acompanhar a transmissão do jogo Portugal–Colômbia.
Veja programação completa do Rock in Rio Lisboa 2026:
Katy Perry no 5º dia de The Town
Fabio Tito/g1
Dia 20 de junho
PALCO MUNDO
17h – Calema
19h – Pedro Sampaio
21h15 – Charlie Puth
23h15 – Katy Perry
PALCO MUSIC VALLEY
16h – DJ Diego Gonzalez
18h – Maninho
20h15 – Nena
22h15 – Audrey Nuna
01h – Alok
PALCO SUPER ROCK
16h – Sofia Camara
18h – NAPA
20h15 – Bebe Rexha
22h15 – Bárbara Bandeira
PALCO BACANAPLAY DIGITAL STAGE
13h – Especial Vídeo Jukebox by Mega Hits com Zé Vida
14h15 – Especial Cala-te Boca by Mega Hits com Zé Vida e Matilde Prata
15h – Pears
16h – GAMÏX
17h – ZARKO
18h15 – João Maria
19h – Joyce Alane
20h15 – De Fenómeno Viral ao Sucesso nos Palcos by Tiago David com Aragão, ZARKO e Francisca Borges
21h15 – Carol Biazin
Dia 21 de junho
PALCO MUNDO
17h – Grandson
19h – The Pretty Reckless
21h15 – Cypress Hill
23h15 – Linkin Park
PALCO MUSIC VALLEY
16h – Dealema
18h – Sam The Kid com Orquestra e Orelha Negra
20h15 – P.O.D.
22h15 – Sepultura
PALCO SUPER ROCK
15h – Tara Perdida
18h – Blasted Mechanism
20h15 – Kaiser Chiefs
22h15 – Hoobastank
PALCO BACANAPLAY DIGITAL STAGE
13h – Especial Vídeo Jukebox by Mega Hits com Zé Vida
14h15 – Especial Cala-te Boca by Mega Hits com Zé Vida e Matilde Prata
16h15 – Glitter Podcast de Carina Caldeira com convidada especial Rita Pereira
17h15 – Gameshow by Guilherme Fonseca, com Tiago Pereira e Miguel Vaz
18h15 – Seja Como For com Miguel Caixeiro e João Maia Ferreira
19h – Jimmy P
20h15 – Especial Monstros do Ano by Fernando Alvim com participação de Maria Leal
21h15 – Samuel Úria
22h30 – Rock Revenge-Et-Vous
01h – Diego Miranda
Dia 27 de junho
PALCO MUNDO
16h25 – 4 Non Blondes
18h25 – Shaggy
20h40 – Cyndi Lauper
22h40 – Rod Stewart
PALCO MUSIC VALLEY
15h – Jafumega
17h25 – UHF
29h40 – GNR
21h40 – Xutos & Pontapés
PALCO SUPER ROCK
15h – Syro
17h25 – The Wailers
19h40 – Joss Stone
21h40 – Belo
PALCO BACANAPLAY DIGITAL STAGE
13h – Especial Vídeo Jukebox by Mega Hits com Zé Vida
14h15 – Especial Cala-te Boca by Mega Hits com Zé Vida e Matilde Prata
15h15 – Vamos Viajar na Maionese – Podcast ao Vivo com Hugo van der Ding e Tiago Ribeiro
16h25 – Melly
17h40 – Desafio Rui Unas Canta Se Souberes
18h25 – Bento Gil
19h40 – Vitor Sá, Dário Guerreiro e Rodrigo Correia
20h40 – Bia Caboz
00h – ULAS
01h – Bateu Matou liveshow
Dia 28 de junho
PALCO MUNDO
17h – Matuê
19h – Rema
21h15 – Central Cee
23h15 – 21 Savage
PALCO MUSIC VALLEY
18h – Irina Barros
20h15 – Carlão
22h15 – Filipe Ret
01h – Dennis
PALCO SUPER ROCK
16h – Karetus
18h – Valete
20h15 – Lola Indigo
22h15 – CeeLo Green
PALCO BACANAPLAY DIGITAL STAGE
13h – Especial Vídeo Jukebox by Mega Hits com Zé Vida
14h15 – Especial Cala-te Boca by Mega Hits com Zé Vida e Matilde Prata
15h – Elyas
16h – Mónica Vale do Gato, Joana Miranda e Isabel Viana
17h – DJ Big & BJ Glue
18h15 – Más Influências com Bruna Magalhães e Mia Fernandes
19h00 – King Bigs
20h15 – Carlos Vidal: A Petição com participação de João Moreira, Manuel João Vieira e Pedro Santo
21h15 – Rima.PT (com NTS, DJ Maskarilha, SP Rocha, Guigox, Rickas, Joker, Melro, Meixinha, Flays, Gash)

Fonte: G1 Entretenimento

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Mônica Salmaso lança em agosto um tributo a Elizeth Cardoso – veja a capa e o repertório de ‘Senhora das canções’


Capa do álbum ‘Senhora das canções – Um tributo a Elizeth’
Arte gráfica de Ruth Freihof
♫ NOTÍCIA
♬ Uma das cantoras de maior rigor estilístico da história da música brasileira, a carioca Elizeth Cardoso (16 de julho de 1920 – 7 de maio de 1990) teve o repertório abordado pela paulistana Mônica Salmaso – cantora de igual estatura vocal e compromisso com a Arte – em show que estreou na cidade do Rio de Janeiro (RJ) em 2020, por ocasião do centenário de nascimento de Elizeth, com arranjos e direção musical do violonista Paulo Aragão.
Cinco anos depois, em maio de 2025, o show “Senhora das canções – Uma homenagem a Elizeth Cardoso” voltou à cidade natal da Divina – epíteto dado à intérprete de músicas como “Canção de amor” (Chocolate e Elano de Paula, 1950) e “Meiga presença” (Paulo Valdez e Otávio de Morais, 1966) – para quatro shows no projeto “Terças no Ipanema”, no Teatro Ipanema.
Aproveitando essa temporada carioca no mês de maio de 2025, Mônica Salmaso entrou no estúdio da gravadora Biscoito Fino com os músicos Aquiles Moraes (trompete e flugelhorn), Luciana Rabello (cavaquinho), Magno Júlio (percussão), Marcus Thadeu (percussão), Mauricio Carrilho (violão de sete cordas), Paulo Aragão (violão) e Teco Cardoso (flauta e saxofone) para registrar o show sem plateia.
“No dia anterior ao último show no Teatro Ipanema, fomos ao estúdio da Biscoito Fino e gravamos o disco inteiro ao vivo com as 16 canções do roteiro. Foi uma sessão de gravação das mais lindas de que eu já participei”, relata Salmaso.
A gravação de estúdio originou o álbum “Senhora das canções – Um tributo a Elizeth”, programado para ser lançado em agosto, em edição da Biscoito Fino, com capa que expõe design gráfico de Ruth Freihof.
♪ Eis, na disposição das faixas no disco, as 16 músicas que compõem o repertório do álbum “Senhora das canções – Um tributo a Elizeth”, com direito a algumas licenças poéticas, caso do samba “Deixa pra lá”, cantado por Mônica Salmaso em tributo à cantora paulistana Isaura Garcia (1923 – 1993):
1. “Lembre-se” (Moacir Santos e Vinicius de Moraes, 1959)
2. “Seresteiro” (Zé Ketti, Raul Moreno e Renato Lima, 1954)
3. “Carta de poeta” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1970)
4. “Noturno em tempo de samba” (Custódio Mesquita e Evaldo Ruy, 1944)
5. “Minhas madrugadas” (Candeia e Paulinho da Viola, 1965)
6. “Deixa pra lá” (Augusto Mesquita e Jayme Florence, o Meira, 1945)
7. “Violão vadio” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1970)
8. “Nossa Senhora do Silêncio” (Maurício Carrilho e Paulo César Pinheiro, 2015)
9. “Valsa sem nome” (Baden Powell e Vinicius de Moraes, 1963)
10. “Sei lá, Mangueira” (Paulinho da Viola e Hermínio Bello de Carvalho, 1968)
11. “De bem com o amor” (Luciana Rabello e Paulo César Pinheiro, 2014)
12. “Se as estrelas falassem” (Elizeth Cardoso, 1973)
13. “Canção do amor demais” (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958)
14. “Janelas abertas” (Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes, 1958)
15 .“A mentira acaba” (Rui de Almeida e Arnô Provenzano, 1950)
16. “Poema dos olhos da amada” (Paulo Soledade e Vinicius de Moraes, 1954)

Fonte: G1 Entretenimento

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Gorillaz: como é o show atual da banda que vem ao Primavera Sound São Paulo


Gorillaz é uma banda virtual criada pelo vocalista e líder do Blur, Damon Albarn e pelo cartunista Jamie Hewlett.
Divulgação
O Gorillaz é o headliner do Primavera Sound São Paulo, que acontecerá em dezembro de 2026. É o único grupo que passou ou vai passar por todas as franquias do festival espanhol neste ano: se apresentou em Barcelona, Porto, e seguirá para São Paulo e Buenos Aires.
Veja o line-up completo do Primavera Sound São Paulo
O g1 assistiu ao show do grupo no festival Primavera Sound Barcelona, no dia 6 de junho. Foi um dos melhores, se não o melhor da edição, e promete ser igualmente excelente ao desembarcar por aqui. Veja como é o show:
Show de ‘desenho animado’?
Quem nunca viu um show do Gorillaz pode ficar na dúvida de como é o formato — afinal, a banda é representada por personagens fictícios e ilustrados. Na prática, o “desenho animado” aparece mais nos telões, muito bem usados, que dão a impressão de que os personagens estão cantando as músicas.
Mas quem sobe no palco são músicos de verdade, incluindo o carismático Damon Albarn (conhecido também pelo grupo Blur), que está mais soltinho que nunca.
Em Barcelona, usando traje militar, ele se jogou na galera, reclamou dos celulares, brincou com a câmera e cantou boa parte do tempo em uma espécie de walkie-talkie.
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Um Gorillaz ‘indiano’
Desta vez, a banda vem com o repertório atualizado. O grupo lançou “The Mountain”, álbum influenciado por música indiana e com pegada espiritual, em março. Com isso, o show incorpora uma robusta banda com cítaras, flautas e um corpo de cantores.
Em Barcelona, ainda trouxeram vários convidados, incluindo Little Simz, que tinha se apresentado mais cedo no festival, a sul-africana Moonchild Sanelly e o rapper Yasiin Bey (anteriormente conhecido como Mos Def). Fica a curiosidade para saber quem eles convidariam (ou trariam?) por aqui.
Damon Albarn, do Gorillaz, se apresenta no Mita Festival em São Paulo
Alex Woloch/Divulgação
Show mais grandioso e meditativo
Em comparação com a última vinda do Gorillaz ao Brasil (o grupo veio em 2022 para o MITA Festival), o show está mais grandioso, estruturado e… meditativo, psicodélico, para combinar com a fase atual.
O grupo mescla bem as novas e antigas faixas, trazendo um tom oriental — quase de mantra — para tornar o repertório mais coeso. Sucessos como “Feel Good Inc” ganharam um novo arranjo, com o acréscimo de flautas no início.
E no caso das novas, até para quem não amou “The Mountain”, o negócio funciona muito bem ao vivo, já que as músicas ficam ainda mais envolventes.
VÍDEO: Gorillaz contam ao Fantástico o que está por trás do novo álbum
“Queríamos deixar coisas pra trás”: os Gorillaz contam ao Fantástico o que está por trás do novo álbum

Fonte: G1 Entretenimento

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‘GTA 6’ ganha data de pré-venda e capa oficial; veja


Assista ao novo trailer de ‘GTA 6’
Após longa espera, a Rockstar Games divulgou nesta quinta (18) que a pré-venda de “Grand Theft Auto VI” (GTA 6) começará no dia 25 de junho. A produtora também revelou a arte oficial do jogo (veja abaixo).
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Capa e data de lançamento
Originalmente anunciado para o segundo semestre de 2025, o lançamento de “GTA 6” será no dia 19 de novembro de 2026. O jogo será lançado para PlayStation 5 e Xbox Series X e S.
“Jason e Lucia sempre souberam que as probabilidades estavam contra eles. Mas quando um golpe fácil dá errado, eles se veem no lado mais sombrio do lugar mais ensolarado da América, no meio de uma conspiração criminosa que se estende por todo o estado de Leônida — forçados a depender um do outro mais do que nunca se quiserem sair vivos dessa”, diz a sinopse.
Capa oficial de Grand Theft Auto VI
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Maria Bethânia 80 anos: cantora doma os palcos com presença magnética


Maria Bethânia em cena no show ‘Abraçar e agradecer’, de 2015
Rodrigo Goffredo
♫ MARIA BETHÂNIA 80 ANOS
♬ Maria Bethânia construiu discografia praticamente irretocável ao longo de 61 anos de carreira fonográfica. A força da artista também se manifesta em gravações de estúdio. Contudo, há consenso entre os seguidores de Bethânia – cantora que completa 80 anos hoje, 18 de junho, cercada de louvações nas redes sociais e na imprensa cultural – de que é no palco que a intérprete se manifesta em toda a plenitude.
De fato, Bethânia doma os palcos com magnética presença cênica. Tanto que foi em cena que a cantora despertou a atenção do Brasil pela primeira vez, em fevereiro de 1965, ao cantar “Carcará” no teatralizado show “Opinião”. De lá para cá, Maria Bethânia se impôs como a senhora da cena.
No começo, os shows eram em boates. Depois, passaram a ser feitos em teatros – habitat natural para intérprete de veia dramática. Na medida em que Bethânia teve ampliada a popularidade, a partir da segunda metade da década de 1970, a cantora passou a se apresentar em grandes casas de shows.
Recentemente, transitou por arenas e estádios do Brasil ao lado de Caetano Veloso em turnê calcada na magnitude do reencontro dos irmãos no palco. E a força é a mesma no palco de um estádio ou no palco de uma casa pequena de pouco mais de 100 lugares como o clube carioca Manouche, onde Bethânia estreou o show “Claros breus” em julho de 2019.
Com o auxílio do diretor Fauzi Arap (1938 – 2013), Maria Bethânia cristalizou um molde de espetáculo conceitual em que músicas e textos (geralmente poemas) se costuram em roteiros que jamais perdem o fio da meada. O embrião da fórmula foi o show “Comigo me desavim”, estreado em 1967. Entretanto, foi a partir do antológico espetáculo “Rosa dos ventos – O show encantado”, em 1971, que a costura se alinhavou e deu o tom dos shows posteriores da artista.
Dentro do (limitado) raio de visão do colunista e crítico musical do g1, os espetáculos “Nossos momentos” (1982), “Imitação da vida” (1997), “Maricotinha” (2001), “Dentro do mar tem rio” (2006) e “Abraçar e agradecer” (2015) sobressaem na trajetória de Maria Bethânia nos palcos.
É na cena que espoca a aguçada inteligência da intérprete, capaz de editar longo poema de Fernando Pessoa (1888 – 1935) com timing preciso para que os versos surtam o maior efeito possível na plateia. É quando inflexões e pausas feitas no momento certo se revelam tão importantes quanto o canto em si.
Bethânia é bicho de palco. Sabe onde pisa. Por isso, domina a cena, sendo capaz de revitalizar uma música antiga, potencializando o sentido dessa composição ao reapresentá-la em medley sagaz. Basta lembrar a junção do samba “Purificar o Subaé” (Caetano Veloso, 1981) com “Miséria” (Arnaldo Antunes, Paulo Miklos e Sérgio Britto, 1989) – sucesso do grupo Titãs – no show “Brasileirinho” (2003). Tudo fez (amis) sentido.
Bethânia também sempre soube que um show jamais pode ser a mera reprodução de um disco. É preciso que o roteiro ofereça algo mais, nem que seja uma música inédita no canto da artista! E foi assim que “Gitã” (Raul Seixas, 1974) magnetizou os espectadores do show feito por Bethânia com Chico Buarque em 1975.
Foi também assim que “Vida”, canção lançada pelo mesmo Chico Buarque em 1980, reapareceu dois anos depois devidamente intensa e definitiva na intepretação de Bethânia no show “Nossos momentos” (1982). Momentos de luz – “Luz, quero luz!”, bradava ao cantar “Vida” – de voz e de sonho, como poetizou Caetano Veloso na canção feita para o referido espetáculo de 1982. Momentos intensos. Momentos do amor demais que brota do canto magnético de Maria Bethânia a cada vez que essa senhora cantora entra em cena para domar o palco.
♫ Leia outros textos sobre os 80 anos de Maria Bethânia:
♬ Maria Bethânia 80 anos: conheça oito álbuns menos ouvidos (mas nem por isso menos relevantes…) da cantora
♬ Maria Bethânia 80 anos: conheça 80 gravações que atestam a grande força da intérprete em seis décadas de disco
♬ Maria Bethânia chega aos 80 anos com a altivez intacta do canto sobrenatural que educa, comove e, não raro, inebria

Fonte: G1 Entretenimento

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20 hits em 20 anos: ‘Ah lelek lek lek’ fez Beyoncé e Neymar dançarem o ‘passinho do volante’


‘Ah lelek lek lek’ fez Beyoncé e Neymar dançarem o passinho do volante
Em 2012, o funk passava por um momento de puro luxo, com o chamado “funk ostentação” invadindo São Paulo com letras que falavam de roupas de grife, carros importados e muito dinheiro.
“Ah Lelek lek lek”, sucesso de MC Federado e os Lelek que conquistou nomes como Beyoncé e Neymar, porém, foi na contramão do luxo e se destacou pelo simples.
Esta matéria faz parte da série “20 hits em 20 anos”, que está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do “20 hits em 20 anos” para não perder nenhum episódio. Baixe o GloboPop aqui!
Na década anterior a faixa, sucessos como “Dança da Motinha” e “Morto Muito Louco” conquistaram o público pelas letras bobinhas e pela chance de fazer o povo dançar. Até hoje, as duas são presenças garantidas em festas por todo o país.
MC Federado e os Lelekes
Marcos Dias/ Furacão 2000
Esse jeito carioca de fazer música foi perdendo força dentro do funk com a chegada do gênero em São Paulo. O Rio de Janeiro tentou apostar no “proibidão”, vertente que aborda a criminalidade das periferias, mas era algo muito nichado. E competir com o dinheiro e o luxo paulistano não era uma opção.
Foi nesse limbo que nasceu o “Ah Lelek lek lek”, uma música com letra boba e um refrão que ensina o público a fazer uma dança básica, imitando um volante.
O videoclipe mostrando várias pessoas fazendo o passinho deixa tudo ainda mais simplista e cativante.
Mesmo sem TikTok, Instagram e o conceito de “viral”, a música se tornou um fenômeno. Tocou na TV e fez grandes estrelas reproduzirem o “passinho do volante”.
Foi o caso de Beyoncé, que dançou a canção no palco do Rock in Rio em 2013. E teve Neymar, que também reproduziu o passo antes e durante uma partida pelo Santos, em fevereiro do mesmo ano.
Beyoncé se apresenta no Palco Mundo no Rock in Rio 2013
Raul Aragão/I Hate Flash/Divulgação Rock in Rio
O sucesso foi estrondoso, mas logo depois o grupo enfrentou problemas na Justiça, pois o nome artístico foi registrado por um antigo empresário, o que impossibilitou que MC Federado e os Lelek se apresentassem com o nome (e a música) que os consagraram.
Mais de uma década depois, os funkeiros seguem em busca de um novo hit com dancinha viciante, mas ainda não obtiveram sucesso.

Fonte: G1 Entretenimento