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Paulo Miklos extrapola o karaokê em ‘Coisas da vida’, álbum de ‘crooner’ com viés existencialista e moldura orquestral


Paulo Miklos nada acrescenta ao hino sertanejo ‘Evidências’, mas canta muito bem músicas de Sérgio Sampaio (1947 – 1994) e do trio Sá, Rodrix & Guarabyra
Jorge Daux / Divulgação
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Coisas da vida
Artista: Paulo Miklos
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♬ Quando Paulo Miklos lançou em 8 de maio single com regravação de “Evidências” (João Augusto e Paulo Sérgio Valle, 1989), com direito a clipe filmado em karaokê, uma pergunta se impôs de imediato: para que mais um registro fonográfico desse hino sertanejo amplificado nas vozes anasaladas de Chitãozinho & Xororó a partir de 1990?
Da fato, o cantor paulistano nada acrescenta a “Evidências”, música que parece sobrar entre as onze faixas do álbum “Coisas da vida”, lançado por Miklos ontem, sexta-feira, 22 de maio.
Contudo, o ex-integrante do grupo Titãs extrapola o karaokê neste primeiro disco de intérprete, inclusive pelo fato de o álbum ser valorizado pelos majestosos arranjos orquestrais criados com profusão de cordas e sopros por Otávio de Moraes, produtor musical – em parceria com Rafael Ramos – do álbum editado pela gravadora Deck.
Há uma ou outra música dispensável, caso de “Xibom bombom” (Rogério Gaspar e Wesley Rangel, 1999), sucesso do fugaz grupo baiano As Meninas na era de ouro da axé music com crítica social que rebobinava verso (“O de cima sobe e o de baixo desce”) escrito por Chico Science (1966 – 1997) cinco anos antes na letra de “A cidade” (1994). Mas cabe ressaltar que “Xibom bombom” está no álbum por ocupar lugar de honra na playlist afetiva da vida de Miklos por ter sido a música cantada pelo artista após acordar na cama de hospital em decorrência de gastroenterite.
Descontadas as escolhas pessoais e/ou mercadológicas, o álbum “Coisas da vida” se impõe pelo viés existencialista que alinhava boa parte do repertório, a começar pela música-título, balada lançada por Rita Lee (1947 – 2023) há 50 anos no terceiro dos quatro álbuns gravados pela artista com a banda Tutti Frutti, “Entradas e bandeiras” (1976).
Miklos abre o álbum com “Mestre Jonas” (Guttemberg Guarabyra, Luiz Carlos Sá e Zé Rodrix, 1973), crítica ao conformismo dos que levam a vida sem risco e sem prazer. O cantor revive esse standard do rock rural com arranjo polifônico e uma pulsação frenética que remete à gravação original do tema pelo trio Sá, Rodrix & Guarabyra no álbum “Terra” (1973), mas sem entrar na seara do cover.
A crítica de “Mestre Jonas” se afina com o inconformismo do samba “Quero voltar pra Bahia” (Paulo Diniz e Odibar Moreira da Silva, 1970), cujo eu-lírico se revela insatisfeito com o Brasil e em fuga da solidão, com o desejo de retornar à Bahia, símbolo de porto seguro na letra desse samba que faz Miklos cair em suingue bissexto no canto do artista.
Entre o humanismo de “O sal da terra” (Beto Guedes e Ronaldo Bastos, 1981) – canção que prega amor e união para gerar mundo mais pacífico e sustentável – e a reconstrução de “Saudosa maloca” (Adoniran Barbosa, 1955) em ambiente de câmara, escolha menos surpreendente para quem já viu Miklos encarnar Adoniran Barbosa (1910 – 1982) no cinema em filmes de 2015 e 2024, o crooner entra na brincadeira lúdica da concretista “Cachorro babucho” (Walter Franco, 1975).
Miklos também reaviva a frieza e a solidão cinzentas que pavimentam o concreto da cidade de São Paulo (SP) ao dar voz a “Não existe amor em SP” (2011), canção de alma soul que há 15 anos elevou o rapper Criolo além do segmento do hip hop. O maestro Otávio de Moraes enquadra “Não existe amor em SP” fora da moldura convencional dos arranjos de cordas, realçando a sensação de desajuste emocional dos versos de Criolo.
E por falar em inadequação, Miklos traz à tona um Sérgio Sampaio (1947 – 1994) menos óbvio, “Ninguém vive por mim”, música lançada pelo autor em single avulso de 1977.
“O pior dos temporais aduba os jardins”, contemporiza Miklos em verso de Sampaio, com facho de esperança que também espoca nos versos desiludidos, mas resilientes, do rock “O tempo não para” (Arnaldo Brandão e Cazuza, 1988), grande fecho do álbum “Coisas da vida” por aliar a pulsação das cordas a uma pegada roqueira que se afina com a história e de Paulo Miklos, crooner que vai bem além do karaokê neste primeiro enérgico disco de intérprete.
Capa do álbum ‘Coisas da vida’, de Paulo Miklos
Jorge Daux / Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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Arnaldo Antunes grava o show ‘Novo mundo’ em São Paulo com feats com Marisa Monte e Ana Frango Elétrico


Marisa Monte canta as músicas ‘Sou só’, ‘Contato imediato’ e ‘Volte para o seu lar’ com Arnaldo Antunes na gravação do show ‘Novo mundo’
Pridia / Divulgação 30e
♫ NOTÍCIA
♬ Arnaldo Antunes fez o registro audiovisual do show “Novo mundo” na noite de ontem, sexta-feira, 22 de maio, em apresentação no Espaço Unimed, em São Paulo (SP).
Para a gravação, que irá originar álbum ao vivo, o cantor se reuniu com Ana Frango Elétrico, Marisa Monte e Vandal – três dos quatro convidados do álbum “Novo mundo” (2025), produzido por Pupillo e lançado em março do ano passado com sonoridade nervosa que injetou ânimo na discografia de Arnaldo (o quarto convidado do disco é o cantor norte-americano David Byrne).
Com Ana, o anfitrião refez ao vivo o feat na música “Pra não falar mal” (Arnaldo Antunes, 2025) e cantou “Cabelo” (1989), parceria de Arnaldo com Jorge Ben Jor lançada em disco de Jorge.
Com Marisa Monte, os duetos foram nas músicas “Volte para o seu lar” (Arnaldo Antunes, 1991), “Contato imediato” (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown, 2006) e “Sou só” (Marisa Monte e Arnaldo Antunes, 2025), canção de delicadeza tribalista lançada pelo cantor no álbum “Novo mundo” em feat com Marisa.
Já o rapper Vandal entrou em cena na música-título do show estreado por Arnaldo Antunes em 11 de abril de 2025 no Circo Voador, no Rio de Janeiro (RJ).
O cantor faz a turnê do show “Novo mundo” com a banda formada pelos músicos Betão Aguiar (baixo), Curumin (bateria), Kiko Dinucci (guitarra) e Vitor Araújo (piano e sintetizador).
Com Ana Frango Elétrico, Arnaldo Antunes canta ‘Pra não falar mal’ e ‘Cabelo’, parceria do artista com Jorge Ben Jor
Pridia / Divulgação 30e
O rapper Vandal rima com Arnaldo Antunes na gravação do show ‘Novo mundo’ em São Paulo
Pridia / Divulgação 30e

Fonte: G1 Entretenimento

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Paula Lima canta Di Melo, Luedji Luna, Rachel Reis, Seu Jorge e Tássia Reis em álbum programado para 2027


Paula Lima prepara álbum com produção musical de Fejuca e Marcus Preto para ser lançado pelo selo de Seu Jorge
Divulgação
♫ NOTÍCIA
♬ Paula Lima prepara álbum previsto para ser lançado no primeiro semestre de 2027. No disco, formatado com produção musical de Fejuca e Marcus Preto, a cantora dará voz a composições de Di Melo, Luedji Luna, Rachel Reis, Seu Jorge e Tássia Reis, entre outros nomes.
Idealizado por Paula em parceria com Seu Jorge para o selo Black Service, braço fonográfico da produtora de Jorge, o álbum será antecedido por três singles programados para este ano de 2026. O primeiro single será apresentado já na próxima quinta-feira, 28 de maio. Trata-se de “D’ouro brilhante”, música de autoria de Di Melo, lançada pelo autor em álbum de 2018.
Paula Lima aborda “D’ouro brilhante” com arranjo orquestrado por Fejuca com cordas, metais e percussão, além da voz de Di Melo, extraída de áudios enviados pelo compositor para a cantora durante o processo de gravação da faixa. O arranjo vocal foi criado pela própria Paula com Marcelo Gonçalves. “É um single com som fresh e todo o molho brasileiro e latino”, conceitua a artista.
Paula Lima lança o single ‘D’ouro brilhante’ na próxima quinta-feira, 28 de maio
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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De cadela abandonada a estrela de Cannes: cachorrinha chilena Yuri ganha Palma Canina


Cadela resgatada Yuri rouba a cena em Cannes com prêmio Palm Dog
REUTERS/Gonzalo Fuentes
A nova estrela canina das ruas de Cannes já tem nome. A Palma Canina (Dog Palm) do festival coroou, nesta sexta-feira (22), Yuri, a protagonista do filme “La perra”, da diretora chilena Dominga Sotomayor. O longa conta com o brasileiro Selton Mello no elenco.
Criado em 2001 à margem do Festival de Cannes, este prêmio informal coroa as melhores atuações caninas nas telonas, tornando-se uma das tradições mais excêntricas e queridas do evento.
Este ano, a cerimônia foi realizada em uma praia do calçadão de Cannes.
“Não poderia imaginar um prêmio mais especial para ‘La perra'”, disse emocionada Sotomayor ao receber o prêmio: uma coleira vermelha de couro.
Apresentado na Quinzena dos Realizadores, o filme acompanha Silvia, uma coletora de algas que vive em uma ilha selvagem do Chile e adota Yuri, uma filhote abandonada que acaba desenterrando traumas profundos.
Em entrevista à AFP, a diretora explicou que a protagonista adota a cadela “quase por impulso”, sem suspeitar de tudo o que isso despertará nela.
Yuri foi interpretada por duas cadelas diferentes – uma filhote e uma adulta – ambas resgatadas e hoje adotadas por famílias no Chile, contou Sotomayor.
O Grande Prêmio do Júri, segundo reconhecimento mais importante, foi para Lola, uma border terrier do filme “I see buildings fall like lightning”, da britânica Clio Barnard.
O júri também celebrou o caráter “muito feminino” desta edição: os dois filmes premiados foram dirigidos por mulheres e protagonizados por cadelas.
Entre os vencedores históricos da Palma Canina está Brandy, de “Era uma vez em… Hollywood”, cujo prêmio foi recebido pelo próprio Quentin Tarantino. Em 2021, Tilda Swinton aceitou o prêmio em nome de seus próprios cães por suas aparições em “The Souvenir”.
A diretora Dominga Sotomayor Castillo posa com Apocalypse, cachorra que recebeu a Palma Canina, em Cannes, por seu trabalho como Yuri no filme “La Perra”
REUTERS/Gonzalo Fuentes

Fonte: G1 Entretenimento

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Natanzinho Lima admite uso de estimulantes antes de show e relata episódio de arritmia: ‘Achei que ia morrer’


Cantor Natanzinho Lima em entrevista ao podcast ‘Podpah’ na noite na última quinta-feira (21).
Divulgação
O cantor Natanzinho Lima, de 23 anos, revelou fazer uso de psicoestimulantes de tarja preta antes de suas apresentações.
A declaração foi dada em entrevista ao podcast Podpah, transmitida ao vivo na noite da última quinta-feira (21).
Na ocasião, o apresentador Thiago Soares, conhecido como Mítico, comentou que já viu vídeos do artista se apresentando em até três lugares diferentes no mesmo dia e, na sequência, indo direto para um bar.
O artista sergipano minimizou o cansaço e admitiu o uso da dosagem mais forte da medicação:

“É normal, é normal. Dos virote… é normal. É que eu tomo a pílula, tá ligado? Tomo a pílula antes do show. O Venvanse. O primeiro que eu tomei foi o de 70mg. Ave maria. Esse negócio é ‘massa’ demais. Dá uma vontade de viver, uma alegria tão grande.”
Remédio é tarja preta e indicado para tratamento de TDAH
O Venvanse (dimesilato de lisdexanfetamina) é um medicamento de tarja preta com forte ação no sistema nervoso central.
Vendido em cápsulas de 30mg, 50mg e 70mg, ele é estritamente indicado para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção / Hiperatividade (TDAH) e do Transtorno da Compulsão Alimentar (TCA) em adultos, exigindo retenção de receita médica para a compra.
LEIA MAIS: ‘Não consigo cantar mais’, diz Natanzinho Lima após interromper show na Bahia por motivo de saúde.
‘Tomei meu primeiro rebite com 12 anos’
Na mesma entrevista, o cantor justificou a familiaridade com estimulantes citando o histórico de sua família.
Ele revelou ter tomado “rebite”, uma anfetamina sintética utilizada ilegalmente por motoristas para inibir o sono, pela primeira vez aos 12 anos de idade.
Ele ressaltou ter consumido a substância cinco vezes ao longo da vida.

“Minha família é caminhoneira. E a pílula dos caminhoneiro é outra, posso falar? É o rebite. Eu tomei a primeira vez eu tinha 12 anos. Na minha vida toda, eu tomei cinco vezes. Lá é normal. Mas depois foi morrendo os caminhoneiro na minha família. Que Deus os tenha”, disse.
Arritmia após festa com Henrique e Juliano
Durante a conversa, Natanzinho Lima relatou um episódio em que combinou o medicamento de 70mg com bebidas alcoólicas e cigarros em uma festa particular na casa da dupla Henrique e Juliano.
“Fumei uns 15 cigarros e eu nem fumo. Cheguei no outro dia e o coração doendo. O Venvanse de 70mg. A boca seca, o pulmão… e uma arritmia do cão [forte]. Eu disse: eu vou morrer hoje!”
De acordo com diretrizes médicas, o uso inadequado de anfetaminas e derivados pode sobrecarregar o sistema cardiovascular, resultando em episódios agudos de taquicardia, oscilações severas na pressão arterial, colapsos cardíacos e, em casos extremos, morte súbita.
22 shows e seis ‘dobradinhas’ em maio
A declaração do cantor joga luz sobre um debate recorrente no mercado da música brasileira: a rotina exaustiva de shows, que muitas vezes exige que artistas cruzem estados para fazer múltiplas apresentações no mesmo dia.
A agenda do próprio Natanzinho Lima ilustra essa maratona.

Em publicação recente nas redes sociais detalhando seus compromissos mensais para este mês de maio, a equipe do artista confirmou 22 apresentações em oito estados.
Seis datas são “dobradinhas” em cidades distantes em um único dia:
01 de maio: Nova Serrana (MG) e Cajamar (SP).
02 de maio: Severínia (SP) e Ribeirão Preto (SP).
14 de maio: Alta Floresta (MT) e Várzea Grande (MT) — municípios separados por cerca de 800 quilômetros de distância.
16 de maio: Lavras (MG) e Dourados (MS) — exigindo um deslocamento interestadual no mesmo dia.
23 de maio: Gravação do DVD em São Paulo (SP) e show em Vargem Grande Paulista (SP).
31 de maio: Rio Casca (MG) e Caratinga (MG).
Agenda de shows do cantor Natanzinho Lima em maio de 2026.
Redes sociais
Procurado pelo g1 para esclarecer se o artista possui diagnóstico médico para o uso da substância ou se conta com acompanhamento profissional para gerenciar a rotina de saúde, a assessoria de imprensa do cantor não enviou um posicionamento oficial até o fechamento desta matéria.
O espaço segue aberto para manifestações.

Fonte: G1 Entretenimento

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Maria Rita retoma show ‘Redescobrir 2’ em turnê que vai de julho a dezembro


Maria Rita reestreia o show ‘Redescobrir vol. 2’ em 24 de julho, em Ribeirão Preto (SP), e segue com a turnê pelo Brasil até 19 de dezembro
Reprodução / Facebook Maria Rita
♫ NOTÍCIA
♬ Maria Rita enfim retoma o show em que torna a cantar o repertório da mãe, Elis Regina (1945 – 1982). Dois meses após ter estreado em 13 de março em Porto Alegre (RS) o show “Redescobrir vol. 2”, sequência do espetáculo de 2012 que gerou álbum ao vivo e DVD, a artista enfim anuncia turnê com o show em que canta “Corcovado” (Antonio Carlos Jobim, 1960) – música gravada pela mãe em 1974 no álbum “Elis & Tom” – com o toque do violão do filho, Antonio Baldini, integrante da banda.
O show reestreia em 24 de julho, em Ribeirão Preto (SP), e segue em cena até dezembro, em rota que termina em 19 de dezembro no mesmo Auditório Araújo Vianna de Porto Alegre (RS) – cidade natal de Elis Regina – em que o show veio ao mundo.
No caminho, Maria Rita apresenta “Redescobrir vol. 2” em Campinas (SP) (em 25 de julho no Royal Palm Hall), em São Paulo (SP) (em 15 de agosto no Vibra São Paulo), em Belo Horizonte (MG) (em 18 de setembro no Befly Hall), no Rio de Janeiro (RJ) (em 10 de outubro na casa Vivo Rio).
Novas datas e cidades deverão ser anunciadas em breve, completando o cronograma da turnê “Redescobrir vol. 2”.
♪ Eis as 28 músicas do roteiro seguido em 13 de março de 2026 por Maria Rita na estreia nacional do show “Redescobrir vol. 2” no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre (RS):
1. “Redescobrir” (Gonzaguinha, 1980) – em off
2. “Outro cais” (Marilton Borges e Duca Leal, 1980)
3. “Cais” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos, 1972)
4. “Agora tá” (Tunai e Sérgio Natureza, 1980)
5. “Como nossos pais” (Belchior, 1976)
6. “Essa mulher” (Joyce Moreno e Ana Terra, 1979)
7. “20 anos blue” (Sueli Costa e Vitor Martins, 1972)
8. “As aparências enganam” (Tunai e Sérgio Natureza, 1979)
9. “Basta de clamares inocência” (Cartola, 1979)
10. “Beguine dodói” (João Bosco e Aldir Blanc, 1974)
11. “Corcovado” (Antonio Carlos Jobim, 1960)
12. “Velha roupa colorida” (Belchior, 1976)
13. “Um por todos” (João Bosco e Aldir Blanc, 1975)
14. “Jardins da infância” (João Bosco e Aldir Blanc, 1975)
15. “Querelas do Brasil” (Maurício Tapajós e Aldir Blanc, 1978)
16. “Zambi” (Edu Lobo e Vinicius de Moraes, 1965)
17. “O bêbado e a equilibrista” (João Bosco e Aldir Blanc, 1979)
18. “Carinhoso” (Pixinguinha e João de Barro, 1937)
19. “Tiro ao Álvaro” (Adoniran Barbosa e Osvaldo Molles, 1980)
20. “Iracema” (Adoniran Barbosa, 1956)
21. “Aviso aos navegantes” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1970)
22. “Lapinha” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1968)
23. “O mestre-sala dos mares” (João Bosco e Aldir Blanc, 1974)
24. “Ladeira da Preguiça” (Gilberto Gil, 1973)
25. “Eu hein, Rosa!” (João Nogueira e Paulo César Pinheiro, 1979)
26. “Cai dentro” (Baden Powell e Paulo César Pinheiro, 1979)
27. “Maria Maria” (Milton Nascimento e Fernando Brant, 1976)
28. “Lança perfume” (Rita Lee e Roberto de Carvalho, 1980)

Fonte: G1 Entretenimento

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Spotify permitirá que usuários criem covers e remixes de músicas com IA


Spotify vai permitir remix com IA
sgcdesignco/Unsplash
O Spotify se associou à Universal Music Group para permitir que os usuários criem remixes e versões de músicas de artistas da gravadora por meio de inteligência artificial, mediante uma tarifa adicional à assinatura padrão.
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A nova função, anunciada nesta quinta-feira (21), se aplicará apenas a artistas que tenham dado seu consentimento, e tanto o intérprete original quanto o compositor receberão parte da receita gerada.
“Pela primeira vez, os fãs poderão criar legalmente versões e remixes a partir dos catálogos dos artistas e compositores participantes, de modo que tanto o artista original quanto o compositor compartilhem o valor criado”, disse Charlie Hellman, chefe de música do Spotify, durante o dia do investidor da companhia.
Até agora, o Spotify havia proibido músicas geradas com inteligência artificial a partir da obra de um artista sem sua autorização expressa, embora permita o envio de músicas criadas com IA de forma geral, incluindo conteúdo associado a músicos criados por inteligência artificial.
O acordo coloca o Spotify em concorrência direta com a Suno e a Udio, os dois aplicativos de música com IA dominantes no mercado.
Hellman afirmou que essa função oferecerá a artistas e compositores “uma fonte de receita completamente nova, além do que já ganham no Spotify”.
O diretor-executivo da Universal Music Group, Lucian Grainge, classificou a iniciativa como “firmemente centrada no artista, baseada em uma IA responsável”, e afirmou que ela “impulsionará o crescimento de todo o ecossistema”.
Shows
Durante o evento, o Spotify também anunciou que dará aos assinantes pagos acesso antecipado para comprar ingressos para os shows de seus artistas favoritos.O novo serviço, chamado “Reserved”, será lançado este ano nos Estados Unidos antes de se expandir para outros mercados.
Os assinantes serão selecionados com base nos dados de escuta, incluindo a frequência com que reproduzem determinado artista em streaming, a variedade de faixas que ouvem de seu catálogo e se salvaram músicas em sua biblioteca.
Eles terão cerca de 24 horas para comprar até dois ingressos por meio de uma plataforma de vendas parceira.
O Spotify afirmou que a iniciativa ajudará a direcionar os ingressos para fãs reais em vez de bots de revenda, que há muito tempo frustram tanto o público quanto os artistas.
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Fonte: G1 Entretenimento

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Álbum que reúne Erasmo Carlos com rappers funciona quando há real diálogo entre os dois universos musicais


Erasmo Carlos (1941 – 2022) na ilustração estampada na capa do álbum ‘Mano’
Reprodução da capa do álbum ‘Mano’
♫ CRÍTICA DE ÁLBUM
Título: Mano
Artistas: Erasmo Carlos + Budah, Criolo, Dexter, Emicida, Marcelo D2, Rael, Tasha & Tracie, Tássia Reis e Xamã
Cotação: ★ ★ ★ 1/2
♬ É a pior possível a primeira impressão de “Mano”, álbum lançado hoje, 22 de maio, com oito faixas que conectam Erasmo Carlos (5 de junho de 1941 – 22 de novembro de 2022) com rappers através das recriações de músicas lançadas pelo cantor e compositor carioca entre 1971 e 1973, período de expansão do repertório desse artista até então associado ao rock hedonista da Jovem Guarda.
Na primeira faixa de “Mano”, “É preciso dar um jeito, meu amigo / A vida irrita a arte”, a música gravada pelo cantor no álbum “Carlos, Erasmo” (1971) e amplificada na trilha sonora do filme “Ainda estou aqui” (2024) praticamente desaparece ao longo dos três minutos da faixa. Entre um ou outro fragmento da gravação de 1971, como o riff de guitarra da introdução, ouve-se um discurso potente feito por Emicida sobre base criada pelo duo Tropkillaz.
Nessa faixa inicial não se concretiza a intenção do empresário Léo Esteves – filho de Erasmo e idealizador do projeto fonográfico – de fazer a obra do pai circular em outras galáxias do universo pop, no caso a partir da conexão com nomes relevantes do hip hop brasileiro, mote de “Mano”.
O diálogo do cancioneiro de Erasmo com o rap foi proposto por Marcus Preto, convocado para organizar o projeto por ter sido o diretor artístico dos últimos álbuns de Erasmo, inclusive do aclamado disco de músicas inéditas “… Amor é isso” (2018).
Felizmente, a má impressão inicial deixada pela faixa com Emicida se dissipa ao longo do álbum. “Mano” cresce na medida em que a interação entre gerações e gêneros é de fato efetivada. Sob esse prisma, louve-se Budah pela azeitada intervenção em “Cachaça mecãnica” (1973), samba-rock no qual Erasmo tragou influência de Chico Buarque em single lançado em 1973.
Na faixa “Cachaça mecãnica / Queimando tudo”, formatada por Tibery com produção assentada entre o soul e o rap, ouve-se parte da gravação de Erasmo, mas a rapper capixaba também canta trecho da letra original do samba-rock antes de amplificar, com o discurso do rap, a narrativa da angústia crescente de João, protagonista da letra. A simbiose é perfeita e faz da faixa o ponto mais alto de “Mano” por que Budah expõe no rap todo o peso da cabeça de João.
Sagaz, o rapper Drexter lança mão do refrão-título de música do cantor Silvio Brito – “Tá todo mundo louco”, um dos maiores sucessos do Brasil em 1974 – ao comentar o discurso de “Mundo cão” (1972) – música lançada por Erasmo no álbum “Sonhos e memórias – 1941 / 1972” – no rap “Quem é herói ou vilão?”, em que Dexter rima sobre base de Coyote Beatz. O diálogo se faz sem anular a presença de Erasmo, como na faixa de Emicida.
Do mesmo álbum de 1972, o álbum “Mano” reativa a balada romântica “Sábado morto” (1972) e a canção “Sorriso dela”, ambas reprocessadas com produção musical de Pupillo.
Em “Sábado morto”, ouve-se nos dois minutos iniciais a voz de Erasmo no registro original, sobre a base de Pupillo, até que entra o rap de Xamã (“Eu enquanto pássaro”) com versos que citam a marqueteira fama de mau do Tremendão) antes de a voz de Erasmo ser ouvida novamente, agora sobre riff de guitarra, em ambiência rocker. A faixa evolui bem, com mais liga do que a intervenção de Rael em “Sorriso dela” com o rap “Não tem pra ninguém” e com ecos da música negra norte-americana da década de 1970.
Ao longo do álbum “Mano”, as minas do rap mandam bem. A dupla Tasha & Tracie rima sobre batidas suaves do produtor Pizol no rap “O tempo é amigo e inimigo” em diálogo inteligente com “Grilos” (1972).
Mais óbvias (mas nem por isso menos eficientes) são a presença de Marcelo D2 e a cadência do reggae na atualização do samba-rock “Maria Joana” (1971) em cuja letra Erasmo aludia à maconha consumida pelo artista na época. Com produção de Nave, D2 prega discurso libertador nos versos de “Pra que as trevas destravem”.
No arremate de “Mano”, o álbum se eleva com a reunião de Erasmo com Criolo e Tássia Reis em “Gente aberta / Imensamente visceral”. Criolo dá voz aos versos de “Gente aberta” (1971) em dueto convencional com Erasmo até a entrada do rap de Tássia Reis. A pulsação do toque de Edy Trombone contribui para a atmosfera de sedução dessa faixa que encerra bem “Mano”, álbum cujo saldo é positivo.
A primeira impressão nem sempre é a que fica…
Capa do álbum ‘Mano’, de Erasmo Carlos com Budah, Criolo, Dexter, Emicida, Marcelo D2, Rael, Tasha & Tracie, Tássia Reis e Xamã
Divulgação

Fonte: G1 Entretenimento

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É o fim das gravadoras? Modelo independente cresce no mercado musical, mas traz desafios


Christian Hartmann/Reuters
Uma pesquisa recente do Spotify apontou que, em 2025, mais de um terço dos artistas que geraram US$ 10 mil (cerca de R$ 50,1 mil) ou mais em royalties do Spotify eram independentes ou iniciaram a carreira dessa forma.
O dado da pesquisa vem quase dois anos após um estudo da Midia Research, que apontava que, em 2023, a música independente já representava 46,7% do mercado.
Artistas independentes são aqueles que estão fora de grandes gravadoras, como Sony, Warner e Universal. E lançam suas músicas por conta própria através de distribuidoras independentes.
Na era das plataformas digitais, esse lançamento independente se tornou porta de entrada para artistas no início de carreira. Afinal, para chamar a atenção das gravadoras, hoje, além de talento, “números” são muito importantes. Mas muitos artistas que estão há anos no mercado também estão optando por encerrar seus contratos com as gravadoras e seguir o modelo independente.
“Fiquei durante muitos anos dentro de gravadora. E a partir do momento que eu vi que, para mim, não estava sendo legal, apenas fiz um acordo com eles, saí e resolvi fazer minha carreira independente”, afirmou Diogo Nogueira durante participação no podcast g1 Ouviu.
“Estou há oito anos independente. É mais difícil, a gente tem que trabalhar mais. Mas como temos muitas amizades e tem pessoas que gostam da gente, do nosso trabalho, a gente consegue também trabalhar de uma forma bacana”.
Mas o que significam esses dados do Spotify e a crescente do independente? As gravadoras vão desaparecer? Vale a pena estar fora delas? Quais os prós e contras de ser um artista independente? O g1 conversou com alguns especialistas para entender estes e outros pontos.
Faturando fora do mainstream
Estúdio na sede do Spotify, em Estocolmo
Divulgação/Spotify
Primeiro, é importante entender o tamanho do artista que entra nesta conta do Spotify. Segundo Gustavo Deppe, advogado especializado em direito autoral na música, um artista que recebe ao menos US$ 10 mil em royalties já é um artista midstream (ou seja, um artista “médio”).
Ele não é exatamente grande (como o mainstream), mas “já tem uma base de fãs forte, sólida. Já tem centenas de milhares de plays, às vezes até milhões de plays no Spotify mensal, ou ouvintes mensais”, explica o advogado.
“O mercado hoje está muito nichado, mas, categoricamente, eu consigo dizer que é um artista que, se consegue fazer isso constantemente, tem uma base de fãs sólida.”
Deppe também afirma que apesar de, hoje em dia, haver mais facilidade na produção e distribuição musical, é importante esse artista independente, assim que possível, montar uma equipe para as outras diretrizes do projeto.
“Hoje em dia, a parte da criação musical está muito mais fluida. Você consegue, no seu quarto, fazer uma música bem satisfatória para o Spotify que pode chegar no top 50, top 10. Ou top 1, quem sabe, se viralizar. Mas esse artista que quer ser independente precisa ter alguma estrutura para montar uma equipe, o que é extremamente custoso”.
“É uma atividade empresarial, então tem que ter cabeça de empresário. O que é muito difícil porque você tem que tomar decisões econômicas toda hora. É possível? Perfeitamente. Antigamente era quase impossível você conseguir. Porque tinha uma barreira na distribuição muito grande, porque a distribuição era física.”
Independência total! Será?
Alguns artistas que deixaram grandes gravadoras costumam apontar “liberdade de criação” e “independência” como pontos positivos ao assumirem suas carreiras. Mas essa independência e liberdade vem acompanhada de desafios.
Em 2022, em conversa com o g1, Luedji Luna disse ser “cansativo você ser sua única investidora sempre”. “Às vezes você quer ter um motor ali empurrando seu barquinho, você quer ter alguém ali para que reme com você”, disse a artista, sonhando com um investidor (que não, necessariamente, significa uma gravadora).
“Estou nos festivais, tenho público, tenho seguidores, mas que não chega a um milhão, meus shows dão sold out, minha carreira é respeitada pela crítica. Isso não é o suficiente para eu ter esse motor?”, questionou.
Outro ponto é a necessidade de ir muito além da música quando você não tem esse “motor” citado por Luedji.
“Você precisa dominar várias disciplinas. Cada vez mais você tem que entender da parte burocrática, ter o especialista ou se tornar especialista de marketing digital, entender de negociação de royalties, de mídia e tráfego, de redes sociais. Você não é só independente. No final, você é uma empresa”, afirma André Izidro, 46 anos, CEO e cofundador da Atabaque e da Rumpi.
Criada com foco no artista independente, a plataforma Rumpi propõe centralizar processos como gestão de royalties, contratos, catálogo, direitos conexos e dados de performance em um único ambiente.
Nando Reis
Felipe Maior
Essa parte burocrática costuma ser absorvida pelas gravadoras. Mas ao se tornar independente, o artista precisa ter domínio destes e outros tópicos para não perder dinheiro e espaço no mercado. E para ser visto.
“Fazendo uma analogia com outras empresas, o dono começa fazendo tudo, botando a mão na massa, criando a padaria, sendo padeiro. É mais ou menos o mesmo lugar ali. O artista precisa entender e contratar gente boa. Mas se ele entender do negócio dele, todas as etapas, é muito mais fácil de trazer as pessoas certas, de conectar, de cobrar, de estar junto”, completa André.
Em 2021, nove anos após se tornar independente por decisão da gravadora (“A Universal não quis renovar meu contrato”), Nando Reis fez um vídeo para contar sua trajetória no novo formato de carreira. Ele falou sobre os desafios da independência e a necessidade de se cercar de “pessoas com habilidades técnicas para” cada setor.
“Quando estava em gravadoras, realimentei um lado meu que era relapso. Um pouco de credulidade, um pouco de preguiça, é chato pra *. Números, reuniões, vigilância, direitos, enfim… eu tive que passar nesse momento, revisar os meus contratos antigos com gravadoras nas novas bases e essa é uma luta onde há interesses distintos”, afirmou o artista, que hoje, tem seu selo independente.
Nando ainda falou sobre o amadurecimento fora das gravadoras.
“Eu vivi durante anos achando que subir ao palco era festa, ser doidão. Uma das coisas que me ajudou a tomar nessa decisão de parar de usar qualquer coisa que altere minha consciência foi ser um artista independente. Não dá, não existe, não tem ninguém tomando conta.”
Então é o fim das gravadoras?
Billie Eilish e Finneas posam com o prêmio de canção do ano e o prêmio de melhor canção escrita para mídia visual no Grammy 2024
David Swanson/Reuters
Há tempos já se fala sobre um possível fim das gravadoras. Ao fazer suas análises, especialistas que conversaram com o g1 não acreditam no fim, mas apontam a mudança no papel delas.
“Por que que começou a falar muito do fim das gravadoras? Porque antes estúdio só existia dentro de gravadoras. Aí vem a Billie Eilish, ‘rapa’ o Grammy, fazendo um disco de dentro do quarto e que o produtor era o irmão com um computadorzinho de mão. Então, será o fim das gravadoras? Acho que isso é mais clickbait do que realidade”, defende Odilon Borges, de 47 anos, sócio e cofundador da Atabaque e do Rumpi.
“Não é o fim das gravadoras, porque ainda as marcas batem muito lá. Acho que tem o espaço de cada um. A gravadora não vai se preocupar tanto com o artista midstream, ela quer focar no Caetano Veloso. Então a máquina já tá azeitada, nada muda de uma hora pra outra. Hoje a gravadora não é o único caminho, mas ainda não dá pra falar do fim delas”, completa ele.
André concorda com o sócio e aponta que, mesmo com todos os números citados sobre música independente, metade da receita global está ligada à gravadora.
“Eles ainda continuam no topo da pirâmide. Eu acho que o que esse modelo de distribuição independente fez foi capilaridade. Quando você facilita esse lugar de entrada de vários títulos de uma vez só, você abre espaço realmente para os independentes estarem ali”, analisa André.
“Eu tenho batido na tecla de que as gravadoras têm virado cada vez mais banco, porque estão ligadas cada vez mais a dados. E o diferencial deles é adiantar dinheiro no tempo, comprar catálogo. Eles estão com menos olhar e menos apetite quando a gente fala para desenvolvimento de carreira”, conclui.
André ainda aponta que, em alguns mercados, fazer parte de produtoras faz mais sentido para os artistas do que estar em gravadoras. “Eles estão menos preocupados sobre onde a música deles está distribuindo, e mais preocupados em fazer show com essas produtoras que são muito fortes.”

Fonte: G1 Entretenimento

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ENTRETERIMENTO

Almodóvar pensa os limites da criação em ‘Natal Amargo’, filme ‘truncado’ e pouco cativante; g1 já viu


Cena de “Natal Amargo”, novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, que reflete sobre o fazer artístico e os limites da criação.
Divulgação.
Almodóvar vira a câmera para si mesmo, de novo.
Em seu 24º longa-metragem, “Natal Amargo”, o diretor espanhol de 76 anos faz o seu regresso ao castelhano após dois anos do lançamento de “O Quarto ao Lado”, filme falado em inglês com Julianne Moore e Tilda Swinton.
“Natal Amargo” fez a sua estreia internacional na seleção oficial do 79º Festival de Cannes, na última terça-feira (19). O filme chega aos cinemas brasileiros em 28 de maio.
Ao voltar à sua língua nativa e à Espanha — cenário de toda a sua filmografia —, o cineasta coloca suas memórias e a própria carreira no divã, em uma espécie de inflexão autobiográfica.
A promessa e a premissa que cercavam o projeto eram grandes: este seria o filme em que ele seria mais cruel consigo mesmo, segundo entrevistas. Uma obra em que o diretor estava disposto a entrar em um tribunal contra si próprio. A ideia era essa, o resultado…no mucho.
Filme dentro do filme
O longa acompanha a história de dois cineastas obcecados por trabalho: Elsa (vivida por Bárbara Lennie) e Raúl (interpretado por Leonardo Sbaraglia), que pode ser “lido” como um alter ego de Almodóvar.
Elsa é uma diretora que, por não ter alcançado sucesso nas telas, acabou enveredando para o mercado publicitário. Perdeu a mãe há cerca de um ano e tenta elaborar o luto em meio a crises de enxaqueca, de ansiedade, uma briga com uma amiga (Victoria Luengo) e o namoro com um bombeiro-stripper (Bonifácio, interpretado por Patrick Criado).
Raúl, por outro lado, é um realizador de prestígio que se encontra num limbo criativo. Ele tenta dar vida a um novo roteiro “inspirado” nas histórias e nos amores da sua assistente, Mônica (Aitana Sánchez-Gijón), enquanto deixa a vida pessoal completamente de lado.
Essa metalinguagem sobre o fazer artístico não é novidade em sua filmografia. Almodóvar já a explorou antes em obras como “A Lei do Desejo” (1987), “Má Educação” (2004) e “Dor e Glória” (2019), que também traziam cineastas como os grandes protagonistas de suas próprias dores.
A grande brincadeira desta vez é que estamos diante de criador e criatura, tudo de uma vez. A jornada de Elsa é a própria ficção sendo moldada pela mente de Raúl, em uma dinâmica que nos coloca assistindo a um filme dentro de outro.
E é aí onde o negócio aperta: as duas narrativas vão correndo em paralelo, saltando entre 2004 e 2026, transformando um personagem em outro, às vezes até um personagem em dois. Tudo de maneira bastante “truncada”.
O espectador precisa fazer esforço para não se perder e conseguir entender, nesse grande jogo de espelhos, quem é quem. Que ou quais personagens estão inspirando quem. E mais: o quanto do próprio Almodóvar está ali.
“Natal Amargo”, novo filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, chega aos cinemas brasileiros em 28 de maio.
Divulgação
Irônico e bonito de ver
O filme entrega exatamente o que se espera de um “almodrama” (termo usado pelo escritor cubano Guillermo Cabrera Infante para descrever um melodrama de Almodovar) em termos de estética: enquadramentos belíssimos, direção de arte primorosa.
Como espectador, você está sempre numa ânsia de ver o próximo cenário. Hipnotizado pelas garrafas azuis, pelas poltronas amarelas, pelos casacos vermelhos. Tudo está no lugar. Nada sobra.
O diretor também mostrou que não perdeu a mão para dosar o drama com pitadas de humor aqui e ali. Como quando a assistente e fiel escudeira Mônica joga uma provocação a Raúl (ou seria ao próprio Almodóvar?): “Sai de casa um pouco! Você já fez seus melhores filmes, pode viver somente do seu prestígio agora”.
E ainda dá outras piscadelas para o espectador, mais adiante: “Por que não cede e faz filme para streaming? A Netflix é doida por você há anos”. Raúl não dá o braço a torcer e nega.
Corajoso ao tentar ser melhor do que já foi
Ao longo de toda a trama, Almodóvar coloca na boca dos seus personagens reflexões com as quais ele próprio tem se deparado ao longo da sua trajetória: o medo da decadência, a falta de criatividade, a dificuldade de encontrar novas histórias, o desafio de ser melhor do que já se foi um dia.
O filme também levanta uma outra questão, interessantíssima: até que ponto um artista tem o direito de usar a vida alheia para fabricar suas obras?
Na sinopse oficial da trama, o protagonista é descrito como alguém “capaz de vender a alma ao diabo desde que continue a ver a linha vertical, o cursor piscante do computador, vivo, que o levará a escrever uma história que nem ele mesmo conhece e pela qual está disposto a tudo”.
Diante de todos esses embates, a vida real parece sempre desmontar o controle do cineasta.
E há de se reconhecer: Almodóvar é ousado ao propor esse tipo de reflexão sobre o que fez de si mesmo ao longo de sua vida, jogando luz sobre o tipo de arte que produziu e, principalmente, qual foi o custo humano dessa criação.
Pôster em português de “Natal Amargo”, novo filme de Almodóvar.
Divulgação
Honesto, pero no mucho
Ele derrapa, no entanto, ao não ir até as últimas consequências. A sensação que fica é a de que o diretor espanhol, ainda assim, escolheu a dedo os melhores recortes e os questionamentos para os quais ele já teria respostas confortáveis para dar.
Não se trata de cobrar que o cineasta faça uma sessão pública de terapia ou se autoflagele na frente da tela, mas veja: a expectativa foi criada por ele mesmo.
Os cineastas (Raúl, Elsa e o próprio diretor espanhol) admitem, de fato, estar penando para encontrar uma nova história que lhes devolva o tesão e o prazer de filmar.
Mas os três estão colocados na trama como pessoas que estão escrevendo não porque sabem o que querem dizer, mas sim, porque precisam descobrir.
Ao se esquivar do mergulho profundo que ele mesmo propôs, o diretor entrega um exercício de metalinguagem que carece de mais honestidade. Não tem como não notar.
Cartela resenha crítica g1
Arte/g1

Fonte: G1 Entretenimento