Justiça autorizou a presença de acompanhantes, desde que seja feito o teste RT-PCR. Familiares reclamam que não conseguem exame pela rede pública e que na rede particular, precisam pagar R$ 350. Gestantes ficam sem acompanhantes por não terem condições de pagar testes da Covid
A Justiça autorizou, no final do mês passado, a presença de acompanhantes durante partos nos hospitais públicos do Tocantins. No entanto, familiares reclamam que para poder ficar junto com a gestante, é necessário apresentar o teste RT-PCR, que detecta a Covid-19. O problema é que o exame precisa ser refeito a cada dois dias, mas muitos não têm condições de pagar por ele na rede particular.
A dona de casa Débora Batista ficou mais aliviada depois que o sobrinho Miguel nasceu, mas não pôde acompanhar o parto da irmã. “Se caso a gente quiser entrar, eu tenho que pagar R$ 350 para fazer um exame para acompanhar ela. Esse exame só vale por 48 horas. Quem tem R$ 350 para fazer um dia sim e o outro também esse exame para ficar internado?”, questionou.
O lavrador Railson Silva precisou viajar de Pedro Afonso a Palmas para acompanhar o parto da esposa, que está com dificuldades na gravidez. A família dela também percorreu quilômetros para participar desse momento, mas ninguém pôde entrar na maternidade Dona Regina. “Ela está toda inchada, está nervosa, com medo de ficar lá dentro sozinha”, disse ele.
O controlador de acesso Danilo Fernandes chegou a pagar R$ 150 em um teste, que foi recusado. Segundo ele, só depois foi informado que o exame deveria ser o RT-PCR. Ele fez novamente o teste, mas agora a esposa não está conseguindo internação.
“A dilatação dela está em 3 ou 4 cm, não é o suficiente para internação, segundo eles. Mas ela está sentindo dores bem intensas”, afirmou ele.
A Secretaria Estadual de Saúde reforçou que a liberação da entrada de acompanhantes no hospital precisa seguir uma série de exigências, uma delas é apresentar o teste RT-PCR negativo, de no máximo 48h. A realização desse exame pela rede pública é somente para pacientes com sintomas da Covid-19. A secretaria disse ainda que as medidas são para evitar a disseminação do vírus, principalmente em Palmas, onde já foi identificada a variante Delta.
A produção da TV Anhanguera questionou se existe a possibilidade de a secretaria oferecer esse exame especificamente para os acompanhantes que não podem custeá-lo, mas o governo não respondeu.
Sobre a gestante mencionada, a secretaria informou que a equipe do hospital segue os protocolos do Ministério da Saúde para internação na unidade. Todas as gestantes que procuram o hospital são examinadas e conforme cada caso são internadas ou liberadas com orientações e segurança.
Familiares precisam fazer teste contra Covid para acompanhar gestante durante parto
Reprodução/TV Anhanguera
Decisão judicial
No dia 26 de agosto, a Justiça atendeu um pedido da Defensoria Pública determinando que a Secretaria de Estado da Saúde apresente um plano para permitir a presença de acompanhantes para gestantes em trabalho de parto, mediante alguns cuidados. Isso é um direito assegurado por lei, mas o estado vinha restringindo este acesso desde 2020 por causa da pandemia de coronavírus. A justificativa era para prevenir o risco de disseminação da Covid-19.
Conforme a sentença, o Estado terá 30 dias para apresentar um Plano de Retomada com planejamento estrutural, indicação das medidas de segurança e critérios para admissão do acompanhante no período de internação nos hospitais e maternidades públicas e conveniadas.
Até a apresentação do plano foram determinadas medidas transitórias para garantir a presença dos acompanhantes durante o trabalho de parto:
Apresente teste RT-PCR ou outro de mesma eficiência, com resultado negativo para Covid-19;
Esteja assintomático;
Não tenha mantido contato com pessoas com sintomas gripais ou detectadas com Covid-19, no intervalo mínimo de 14 dias.
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Fonte: G1 Tocantins