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Governador em exercício do TO exonera todos os secretários do primeiro escalão


Governador em exercício, Laurez Moreira (PSD), vai afastar todos os atuais secretários
Após assumir como governador em exercício do Tocantins, Laurez Moreira (PSD), exonerou todos os secretários do primeiro escalão da gestão estadual. Os nomes foram publicados no Diário Oficial desta quarta-feira (3), que traz mais de 50 exonerações.
A troca de gestores acontece menos de 24h após Wanderlei Barbosa (Republicanos) ser afastado do cargo pelo prazo de 180 dias. A medida foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no inquérito que apura o desvio de recursos públicos na compra de cestas básicas no Tocantins, na pandemia de Covid-19.
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Em coletiva de imprensa, Laurez disse que as exonerações atendem uma recomendação do ministro Mauro Campbell, do STJ. O governador em exercício afirmou que vai “pensar bem” antes de escolher os novos secretários para a gestão.
O Diário traz a nomeação de Sebastião Pereira Neuzin Neto como secretário executivo interino da Casa Civil, e Luiza Rocha Pinheiro como secretária de estado da comunicação. Gestores das outras pastas ainda não foram divulgados.
Confira a lista de exonerações:
1. ADÃO FRANCISCO DE OLIVEIRA, Secretário de Estado da Igualdade Racial;
2. ANDRÉ LUIZ TORRES GOMES, Secretário Extraordinário de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Palmas;
3. ATOS GOMES DE ARAÚJO, Secretário de Estado dos Esportes e Juventude;
4. BERENICE DE FÁTIMA BARBOSA CASTRO FREITAS, Secretária de Estado da Mulher;
5. BRUNO SOUSA AZEVEDO, Secretário de Estado da Segurança Pública;
6. CARLOS FELINTO JÚNIOR, Secretário de Estado da Saúde;
7. CARLOS HUMBERTO DUARTE DE LIMA E SILVA, Secretário de Estado da Indústria, Comércio e Serviços;
8. CARLOS SANTOS MANZINI JÚNIOR, Secretário Extraordinário de Representação em Brasília;
9. DONIZETH APARECIDO SILVA, Secretário de Estado da Fazenda;
10. EDILCINEY LOPES PEREIRA, Secretário Extraordinário de Ações Estratégicas;
11. FÁBIO PEREIRA VAZ, Secretário de Estado da Educação;
12. HERCY AYRES RODRIGUES FILHO, Secretário de Estado do Turismo;
13. IDERVAL JOÃO DA SILVA, Secretário de Estado de Assuntos Institucionais;
14. IRANA DE SOUSA COÊLHO AGUIAR, Procuradora-Geral do Estado;
15. JAIME CAFÉ DE SÁ, Secretário de Estado da Agricultura e Pecuária;
16. JOSÉ SEBASTIÃO PINHEIRO DE SOUZA, Secretário de Estado da Cultura;
17. KARYNNE SOTERO CAMPOS Secretária Extraordinária de Participações Sociais
18. KATIUSCYA ALVES BARBOSA CHAVES, Secretária de Estado da Governadoria, da Secretaria Executiva da Governadoria;
19. LÁZARO BOTELHO MARTINS, Secretário Extraordinário de Ações Governamentais;
20. MARCELLO DE LIMA LELIS, Secretário de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos;
21. MÁRCIO ANDERSON RAIMUNDO DA ROCHA, Secretário de Estado da Comunicação;
22. MÁRCIO ANTÔNIO BARBOSA DE MENDONÇA, Comandante-Geral da Polícia Militar do Estado do Tocantins – PMTO;
23. MARCOS MARTINS CAMILO, Chefe de Gabinete do Governador;
24. MURILO FRANCISCO CENTENO, Secretário-Chefe da ControladoriaGeral do Estado;
25. NILOMAR DOS SANTOS FARIAS, Secretário de Estado da Cidadania e Justiça;
26. PAULO CÉSAR BENFICA FILHO, Secretário de Estado da Administração;
27. PAULO WAIKARNÃSE XERENTE, Secretário de Estado dos Povos Originários e Tradicionais;
28. PETERSON QUEIROZ DE ORNELAS, Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Tocantins – CBMTO;
29. RODRIGO DE CARVALHO AYRES, Secretário de Estado da Pesca e Aquicultura;
30. ROSILENE FORTUNATO DE SOUZA, Secretária Particular do Governador;
31. SERGISLEI SILVA DE MOURA, Secretário de Estado do Planejamento e Orçamento;
32. THOMAS JEFFERSON GONÇALVES TEIXEIRA, Secretário de Estado de Parcerias e Investimentos;
33. UBIRATAN CARVALHO FONSECA, Secretário de Estado das Cidades, Habitação e Desenvolvimento Regional;
34. VALDEREZ CASTELO BRANCO MARTINS, Secretária de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social;
35. WELLINGTON FERREIRA DE MEDEIROS, Secretário Extraordinário de Políticas de Governo Descentralizadas;
36. BÁRBARA JESUÍNA MENDES GOMES, Presidente do Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins – IGEPREVTOCANTINS;
37. CLEDSON DA ROCHA LIMA, Presidente do Instituto Natureza do Tocantins – NATURATINS;
38. HIRAM MELCHIADES TORRES GOMES SOBRINHO, Presidente da Agência de Tecnologia da Informação – ATI-TO;
39. ISSAM SAADO, Presidente da Junta Comercial do Estado do Tocantins – JUCETINS;
40. MÁRCIO PINHEIRO RODRIGUES, Presidente da Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura – AGETO;
41. MARIA EULESSANDRA SOUSA CASTILHO, Presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Tocantins – FAPT;
42. MATHEUS PEREIRA MARTINS, Presidente da Agência Tocantinense de Regulação, Controle e Fiscalização de Serviços Públicos – ATR;
43. MILTON NERIS DE SANTANA, Presidente da Agência de Mineração do Estado do Tocantins – AMETO;
44. OSIRES RODRIGUES DAMASO, Presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins – RURALTINS;
45. PAULO ANTÔNIO DE LIMA, Presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Tocantins – ADAPEC-TOCANTINS;
46. PEDRO HENRIQUE CARDOSO BECKMAN, Presidente da Agência Tocantinense de Saneamento – ATS;
47. RONAN DORNELES DE SOUSA, Presidente da Agência de Metrologia, Avaliação da Conformidade, Inovação e Tecnologia do Estado do Tocantins – AEM;
48. RUIVALDO AIRES FONTOURA, Presidente do Instituto de Terras do Estado do Tocantins – ITERTINS;
49. WILLIAN GONZAGA DOS SANTOS, Presidente do DepartamentoEstadual de Trânsito – DETRAN/TO.
Durante o mandato de vice-governador, Laurez assumiu o governo pela última vez em 2023. Depois disso, Wanderlei propôs uma emenda à Constituição Estadual para permanecer no cargo mesmo durante viagens. O texto foi aprovado em 2024.
Em entrevista à TV Anhanguera, Laurez afirmou que recebe a notícia de afastamento do governador com tristeza, mas vai fazer um levantamento da situação do governo para continuar trabalhando.
Laurez Moreira ao lado de Wanderlei Barbosa
Adilvan Nogueira/Governo do Tocantins
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Afastamento de Wanderlei Barbosa
O governador Wanderlei Barbosa foi afastado pelo prazo de 180 dias, durante a segunda fase da “Operação Fames-19”. A primeira-dama, Karynne Sotero Campos, que é secretária extraordinária de Participações Sociais, também foi afastada. As medidas foram determinadas pelo ministro Mauro Campbell.
A operação realizada nesta quarta-feira (3) investiga crimes de frustração ao caráter competitivo de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de capitais e formação de organização criminosa. Mais de 200 policiais cumpriram 51 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares no Tocantins, Paraíba, Maranhão e Distrito Federal.
Conforme a PF, as investigações, que tramitam no Superior Tribunal de Justiça, apontam fortes indícios de um esquema de desvio de recursos públicos entre os anos de 2020 e 2021. Nesse período, os investigados teriam se aproveitado do estado de emergência em saúde pública e assistência social para fraudar contratos de fornecimento de cestas básicas.
A defesa de Mauro Carlesse (Agir), governador na época, lamentou os recentes acontecimentos e afirmou que “inexistiu qualquer ato ou decisão de sua responsabilidade relacionado aos fatos apurados” (veja nota no final da matéria).
Segundo a apuração, foram pagos mais de R$ 97 milhões em contratos para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 73 milhões.
Segundo a investigação, os valores desviados teriam sido ocultados por meio da construção de empreendimentos de luxo, compra de gado e pagamento de despesas pessoais dos envolvidos.
Íntegra da nota de Wanderlei Barbosa
Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa.
Reforço que, por minha determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes.
Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.
Íntegra da nota de Karynne Sotero
Reitero meu respeito à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e às instituições, ressaltando que irei dedicar-me plenamente à minha defesa, convicta de que conseguirei comprovar minha total ausência de participação nos fatos que estão sendo apontados.
Desejo que tudo seja esclarecido e reestabelecido com brevidade e justiça, pelo bem do povo tocantinense, a quem dedico meu trabalho e compromisso.
Íntegra da nota de Mauro Carlesse
A defesa do ex-governador Mauro Carlesse lamenta os recentes acontecimentos envolvendo o Estado do Tocantins e esclarece que, durante todo o período em que Mauro Carlesse exerceu o mandato, inexistiu qualquer ato ou decisão de sua responsabilidade relacionado aos fatos apurados.
Ressalta, ainda, que o ex-governador não figura como investigado, réu ou alvo de quaisquer medidas decorrentes da operação, não havendo, portanto, qualquer imputação contra sua pessoa.
Por fim, a defesa reafirma sua confiança nas instituições e no pleno esclarecimento dos fatos, convicta de que a apuração confirmará a total ausência de envolvimento de Mauro Carlesse com os acontecimentos sob investigação.
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Fonte: G1 Tocantins

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Instituto investigado forjou montagem de cestas básicas e lista de entrega, diz decisão que afastou governador do Tocantins


Foto mostra Wanderlei Barbosa entregando cestas básicas no distrito de Buirtirana, durante período da pandemia
Ruraltins/Governo do Tocantins
A Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Fames-19, que levou ao afastamento do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) e da primeira-dama, Karine Sotero Campos. A polícia apura o desvio de recursos públicos na compra de cestas básicas no Tocantins. Segundo decisão, um dos institutos contratados não entregou os produtos e pegou cestas emprestadas para mostrar à fiscalização e burlar o sistema (veja mais detalhes abaixo).
A operação realizada nesta quarta-feira (3) investiga crimes de frustração ao caráter competitivo de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de capitais e formação de organização criminosa. Mais de 200 policiais cumpriram 51 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares no Tocantins, Paraíba, Maranhão e Distrito Federal.
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O governador afirmou, em nota, que recebe a decisão com respeito às instituições, mas se trata de uma “medida precipitada”. Afirmou que os fatos ocorreram na gestão anterior, quando tinha o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesas. Também afirmou que determinou auditoria nos contratos e acionará os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo (veja nota completa abaixo).
A primeira-dama informou que vai se dedicar à sua defesa e que está convicta de que irá “comprovar total ausência de participação nos fatos” (veja nota completa abaixo).
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Cestas básicas emprestadas
Conforme a decisão, o Instituto para o Desenvolvimento e Gestão Social, Esportiva e Cultural (Idegesesc), um dos contratados para produzir cestas básicas, não entregava esses produtos. A empresa supostamente pegava emprestadas cestas, montadas por outra empresa, para poder ludibriar a fiscalização da Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas).
A Idegesesc posteriormente mudou de nome para Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Social e da Saúde (Idess). Conforme dados da Receita Federal, a empresa permanece ativa e tem como atividade principal “organizações associativas ligadas a cultura e a arte”. O capital social informado é de “zero real”.
O g1 solicitou um posicionamento ao instituto, mas não teve resposta até a publicação da matéria.
Diálogos entre Paulo César Lustosa e seu irmão Wilton Rosa Pires, nos dias 7 e 8 de fevereiro de 2022, mostram que os dois teriam combinado de levar as cestas até o Instituto para receber a visita da fiscalização da Setas, na época.
WILTON: Então, cê já tá indo pra lá, fala pra mim que eu vou pra lá então (…) que eu tô com o carro aqui cheio de cesta eu tô doido pra botar essa cesta lá e esperar amanhã fazer a visita lá na SETAS né, fiscalização, e depois colocar novamente a cesta no carro e entregar lá pro [pessoa que emprestou as cestas] que ela é emprestada né, ele me emprestou só (…)
PC LUSTOSA: agorinha
PC LUSTOSA: passar no chaveiro
WILTON: Chegando aí
PC LUSTOSA: blz
WILTON: Ela vai atrasar um pouco o pessoal da SETAS. Me mandou aqui.
Momento em que fiscais dos contratos fizeram fiscalização no instituto
Reprodução
Além dos empréstimos de cestas, a investigação apurou que também eram forjadas fotos mostrando a suposta entrega das cestas básicas. Em outra conversa, realizada no dia 17 de fevereiro de 2022, Wilton solicita a Paulo uma lista com 1.500 nomes e CPFs, que seriam entregues ao secretário executivo da SETAS, com o intuito de prestar contas do falso recebimento das cestas básicas. Paulo então afirma que queimou “as coisas da campanha”.
WILTON IRMÃO LÍDER: (Encaminha áudio de uma terceira pessoa não identificada). “Wilton, tem como você ver com o PC ou você conhece alguém que tenha uma lista de nomes…. nomes, CPFs, a gente precisa de uns mil e quinhentos nomes ainda pra completar a lista, tá? Pra fazer a prestação de contas lá das cestas que o [Secretário] não tem né, e aí tá precisando desse restante. Fala com ele aí, vê aí se o PC tem alguma coisa ainda da campanha dele. É só nome e CPF”.
PC LUSTOSA: Meu Deus
PC LUSTOSA: Tenho nada, irmão, as coisas da campanha queimei tudo.
No dia seguinte, Wilton diz que conseguiu arrumar 600 nomes, mas que ainda faltam 900.
O g1 tenta conta com Paulo César e Wilson Rosa.
Investigações apontaram também que a contratação das empresas seguia um modus operandi, em que o pagamento era feito antecipadamente e a entrega das cestas era realizada em um momento posterior. Conforme a decisão, consultas no site da Transparência do Tocantins mostraram que houve um pagamento ao Idegesesc em dezembro de 2021, no valor de R$ 256 mil.
“Também chamou atenção o fato de que, o termo de acordo, segundo as publicações, foi firmado em 07/12/2021, poucos meses após a assunção do cargo de governador por WANDERLEI, e o pagamento efetivado no mesmo mês, mas as fotos e a suposta prestação de contas somente ocorreram em fevereiro de 2022″, descreve a decisão.
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Ligação do Idegesesc com a primeira-dama
Primeira dama Karine Sotero e o governador, Wanderlei Barbosa, foram afastados
Reprodução/Instagram Wanderlei Barbosa
Conforme a decisão, a Idegesesc recebeu pagamentos do Estado do Tocantins até julho de 2024, por meio da Secretaria Estadual dos Esportes e Juventude, previamente titularizada por Karynne Sotero. As investigações apontaram que, desde a criação da empresa, havia a intenção de destinar emendas parlamentares para ela.
Segundo a decisão, Karynne esteve como presidente do Idegesesc no período de 17/01/2013 a 16/10/2019. Mesmo depois de deixar o cargo de presidente, ela ainda mantinha as chaves do Instituto em seu poder, o que, segundo a polícia, aponta que a relação da primeira-dama com a instituição foi mantida.
“Ao que tudo indica, a Sra. KARYNNE continua vinculada ao IDEGESESC até os dias atuais, haja vista que em diálogo entre os irmãos PAULO CESAR e WILTON ser afirmado que, nesse ano, em 06/2024, a Deputada Estadual CLAUDIA LELIS os havia procurado para destinar uma emenda parlamentar, preterindo o próprio instituto (vinculado à Deputada Estadual), o que seria explicado pela intenção de se aproximar da Sra. KARYNNE”, diz a decisão.
O g1 solicitou um posicionamento sobre a relação da primeira-dama com o Insituto. A assessoria manteve a nota enviada anteriormente sobre a operação (veja íntegra abaixo).
A reportagem também solicitou um posiciomento à deputada Cláudia Lélis, mas não teve retorno até a última atualização da matéria.
Operação Fames-19
A operação foi chamada de Fames-19 em referência à insegurança alimentar ocasionada pela pandemia de Covid-19. Fames, significa “fome” em latim e “19” faz alusão ao ano em que a doença foi descoberta.
Em agosto de 2024, Wanderlei Barbosa e a esposa Karynne Sotero, secretária extraordinária de Participações Sociais, foram alvos de busca na primeira fase da Operação Fames-19. Nessa fase, políticos e empresários estavam entre os alvos.
Durante o cumprimento das buscas na casa e no gabinete de Wanderlei, os policiais federais encontraram R$ 67,7 mil em espécie, além quantias em dólares e euros.
Íntegra da nota do governador Wanderlei Barbosa
Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa.
Reforço que, por minha determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes.
Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.
Íntegra da nota de Karynne Sotero Campos
Reitero meu respeito à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e às instituições, ressaltando que irei dedicar-me plenamente à minha defesa, convicta de que conseguirei comprovar minha total ausência de participação nos fatos que estão sendo apontados.
Desejo que tudo seja esclarecido e reestabelecido com brevidade e justiça, pelo bem do povo tocantinense, a quem dedico meu trabalho e compromisso.
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Fonte: G1 Tocantins

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Afastamentos, renúncias e pedidos de impeachment: nenhum governador termina mandato no Tocantins há mais de dez anos


Tocantins não tem governador que cumpre mandato integralmente desde 2006
Desde 2006, nenhum governador eleito democraticamente no Tocantins terminou os mandato. Isso se deve a afastamentos, cassações, prisões e até pedidos de impeachment relacionados a investigações policiais que apuraram corrupção e outros crimes. O último que levou o mandato até o fim foi Marcelo Miranda (MDB). O mesmo também deu início à “tradição” de não finalizar o mandato no estado.
Nesta quarta-feira (3) foi a vez de Wanderlei Barbosa (Republicanos) ter que deixar o cargo por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Ele é investigado por suspeita de envolvimento em esquema de compra de cestas básicas de forma ilegal, com recursos públicos durante a pandemia de Covid-19.
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A TV Anhanguera e o g1 fizeram um histórico sobre a situação política e ‘rotatividade’ no comando do Executivo Estadual nos últimos anos. Veja quem são os governadores e como aconteceram os afastamentos, cassações e renúncias.
Marcelo Miranda – 1ª cassação
Eleito para o primeiro mandato como governador do Tocantins em 2002, o político conseguiu concluir os quatro anos no cargo e comandou o estado entre os anos de 2003, quando recebeu a faixa do antecessor José Wilson Siqueira Campos, até 2006.
Marcelo foi reeleito e se manteve no cargo a partir de 2007. Entretanto, o então governador foi cassado em 2009, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identificou irregularidades justamente na campanha política de 2006. Além de deixar o cargo, Marcelo Miranda também ficou inelegível por oito anos.
Siqueira Campos passou a faixa para Marcelo Miranda
Reprodução/TV Anhanguera
Carlos Gaguim
Como o vice de Marcelo, Paulo Sidnei, também foi cassado, quem assumiu a cadeira no Palácio Araguaia foi Carlos Gaguim, que era deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa. Ele venceu uma eleição indireta e ficou no cargo até o fim de 2010, mas não conseguiu se reeleger e foi sucedido por Siqueira Campos.
Siqueira Campos
Após voltar ao comando do Poder Executivo, Siqueira Campos (PSDB) também não seguiu no cargo. Mas diferente dos antecessores, ele e o vice, João Oliveira (DEM), renunciaram. O objetivo era viabilizar uma manobra para garantir a candidatura do filho do governador, Eduardo Siqueira Campos . A renúncia foi publicada no Diário Oficial de 4 de abril de 2014.
Com a renúncia dos políticos, mais uma vez um presidente da Assembleia se tornou governador. Dessa vez, quem assumiu foi o deputado estadual Sandoval Cardoso (SD).
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Sandoval Cardoso
Sandoval ficou no cargo por meio de eleição indireta, eleito pelos deputados no dia 4 de maio de 2014. Teve a passagem mais rápida pelo Palácio e também foi o primeiro dos governadores a ser preso.
Em 2016, ele passou 16 dias detido na Casa de Prisão Provisória de Palmas acusado de fraudes em licitações relacionadas a contratos de terraplanagem e pavimentação asfáltica. Sandoval responde em liberdade ao processo que ainda corre na justiça. Atualmente está afastado da vida pública e sempre negou todas as acusações.
Marcelo Miranda – 2ª cassação
Após a saída de Sandoval, Marcelo Miranda conseguiu voltar ao poder, cinco anos após a primeira cassação. Ele foi eleito pela população tocantinense nas eleições de 2014 junto com a vice, Cláudia Lélis.
Mas em 2018, a Polícia Civil apreendeu um avião com R$ 500 mil em dinheiro e santinhos da chapa Miranda-Lélis em Piracanjuba (GO). O caso levou à nova cassação dele, em 2018. Ele é o único governador brasileiro a ser cassado duas vezes no mesmo cargo, até o momento.
Em setembro de 2019, Marcelo foi preso na operação 12º Trabalho, da Polícia Federal, que investigou o suposto desvio de R$ 300 milhões do governo estadual. O governador passou 147 dias na cadeia, e só foi liberado em fevereiro de 2020.
Como a vice-governadora Cláudia Lélis também foi cassada, pela terceira vez um deputado estadual, no cargo de presidente da Assembleia, foi para o Palácio Araguaia.
Mauro Carlesse
Após a segunda cassação de Marcelo Miranda, quem assumiu o mandato interinamente foi Mauro Carlesse (Agir). Ele era um deputado em primeiro mandato que tinha sido eleito presidente da Assembleia. Em 2018, Carlesse venceu duas eleições – uma suplementar, em junho daquele ano, e outra geral, em outubro.
Entretanto, durante seu governo, se envolveu em polêmicas e investigações que também o levaram a não finalizar o mandato eletivo. Na época, ele enfrentou sucessivas operações policiais no âmbito estadual e federal.
Ele foi acusado de corrupção e suspeito de interferir politicamente na Polícia Civil, e acabou afastado do cargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Com o afastamento era temporário, em 2021, sem apoio político e enfrentando um processo de impeachment, Carlesse renunciou em 2022.
Por causa dos processos judiciais, Carlesse foi preso em dezembro de 2024 e só foi solto no mês de fevereiro deste ano. Ele foi acusado de planejar uma fuga para o exterior por causa das investigações de que é alvo.
Wanderlei Barbosa
Primeira dama Karine Sotero e o governador, Wanderlei Barbosa, foram afastados
Reprodução/Instagram Wanderlei Barbosa
Wanderlei assumiu o governo do estado assim que Carlesse saiu do cargo, em 2021. Político de carreira, o governador afastado nesta quarta-feira ganhou as eleições em 2022 e desde estão comandava o Executivo Estadual.
Ele é investigado por suspeita de envolvimento em esquema que usou verba pública de emendas parlamentares para a compra de cesta básicas durante a pandemia de Covid-19.
Além de Wanderlei, a primeira-dama Karynne Sotero, secretária extraordinária de Participações Sociais, também está afastada do cargo.
Vice assume
Com o afastamento por 180 dias, Laurez Moreira se tornou o décimo terceiro governador do Tocantins, assumindo interinamente nesse momento.
Entenda a operação
O governador Wanderlei Barbosa foi afastado pelo prazo de 180 dias, durante a segunda fase da “Operação Fames-19”. A primeira-dama, Karynne Sotero Campos, que é secretária extraordinária de Participações Sociais, também foi afastada. As medidas foram determinadas pelo ministro Mauro Campbell.
Conforme a PF, as investigações, que tramitam no Superior Tribunal de Justiça (STJ), apontam fortes indícios de um esquema de desvio de recursos públicos entre os anos de 2020 e 2021. Nesse período, os investigados teriam se aproveitado do estado de emergência em saúde pública e assistência social para fraudar contratos de fornecimento de cestas básicas.
A defesa de Mauro Carlesse (Agir), governador na época, lamentou os recentes acontecimentos e afirmou que “inexistiu qualquer ato ou decisão de sua responsabilidade relacionado aos fatos apurados” (veja nota no final da matéria).
Segundo a apuração, foram pagos mais de R$ 97 milhões em contratos para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 73 milhões.
A investigação revela que os valores desviados teriam sido ocultados por meio da construção de empreendimentos de luxo, compra de gado e pagamento de despesas pessoais dos envolvidos.
Mais de 200 policiais cumpriram 51 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares em Palmas (TO), Araguaína (TO), Distrito Federal, Paraíba, Maranhão.
Os nomes de dez deputados estaduais aparecem na investigação do desvio de verbas que seriam usadas para a compra de cestas básicas durante a pandemia. Ao todo, foram destinados R$ 38,2 milhões para a contratação das empresas supostamente envolvidas na fraude envolvendo as cestas básicas, segundo a Polícia Federal.
A Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto) informou que prestou colaboração total e irrestrita no cumprimento integral das determinações contidas em dez mandados de busca e apreensão, disponibilizando todos os equipamentos, documentos e informações solicitados. Também informou que não foi intimada de nenhuma decisão judicial relacionada ao caso, que ainda está em curso (veja nota completa abaixo).
Íntegra da nota de Wanderlei Barbosa
Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa.
Reforço que, por minha determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes.
Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.
Íntegra da nota de Karynne Sotero
Reitero meu respeito à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e às instituições, ressaltando que irei dedicar-me plenamente à minha defesa, convicta de que conseguirei comprovar minha total ausência de participação nos fatos que estão sendo apontados.
Desejo que tudo seja esclarecido e reestabelecido com brevidade e justiça, pelo bem do povo tocantinense, a quem dedico meu trabalho e compromisso.
Íntegra da nota da Assembleia Legislativa
A Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins (Aleto) informa que prestou nesta quarta-feira, 3, colaboração total e irrestrita ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e à Polícia Federal (PF), no cumprimento integral das determinações contidas em dez mandados de busca e apreensão, com a devida disponibilização de todos os equipamentos, documentos e informações solicitados.
Informa ainda que a Procuradoria Geral da Casa não teve acesso aos autos, portanto, desconhece-se o que motivou a expedição dos referidos mandados. Além disso, a Aleto não foi intimada de nenhuma decisão judicial relacionada ao caso, que ainda está em curso.
Os mandados de busca e apreensão aos quais a Aleto teve acesso foram direcionados aos gabinetes parlamentares dos deputados Amélio Cayres, Claudia Lelis, Cleiton Cardoso, Ivory de Lira, Jorge Frederico, Léo Barbosa, Nilton Franco, Olyntho Neto, Valdemar Júnior e Vilmar de Oliveira.
Íntegra da nota de Mauro Carlesse
A defesa do ex-governador Mauro Carlesse lamenta os recentes acontecimentos envolvendo o Estado do Tocantins e esclarece que, durante todo o período em que Mauro Carlesse exerceu o mandato, inexistiu qualquer ato ou decisão de sua responsabilidade relacionado aos fatos apurados.
Ressalta, ainda, que o ex-governador não figura como investigado, réu ou alvo de quaisquer medidas decorrentes da operação, não havendo, portanto, qualquer imputação contra sua pessoa.
Por fim, a defesa reafirma sua confiança nas instituições e no pleno esclarecimento dos fatos, convicta de que a apuração confirmará a total ausência de envolvimento de Mauro Carlesse com os acontecimentos sob investigação.
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VÍDEOS: Jornal Anhanguera 2ª Edição – TO de quarta-feira, 3 de setembro de 2025


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Fames-19: entenda como funcionava o esquema de cestas básicas


Governador Wanderlei Barbosa entregando cesta básica durante a pandemia, em maio de 2021
Ruraltins/Governo do Tocantins
A segunda etapa da Operação Fames-19 afastou o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos) e a primeira-dama, Karynne Sotero Campos, que é secretária extraordinária de Participações Sociais. A Polícia Federal investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos na compra de cestas básicas no Tocantins, durante a pandemia de Covid-19. Esse esquema, segundo a decisão, envolvia um núcleo composto por servidores, políticos do alto escalão e empresários (confira mais detalhes abaixo).
O governador afirmou, em nota, que recebe a decisão com respeito às instituições, mas se trata de uma “medida precipitada”. Afirmou que os fatos ocorreram na gestão anterior, quando tinha o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesas. Também afirmou que determinou auditoria nos contratos e acionará os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo (veja nota completa abaixo).
A primeira-dama informou que vai se dedicar a sua defesa e que está convicta de que irá “comprovar total ausência de participação nos fatos” (veja nota completa abaixo).
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A operação foi realizada nesta quarta-feira (3). Mais de 200 policiais cumpriram 51 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares no Tocantins, Paraíba, Maranhão e Distrito Federal. O governador e primeira-dama ficarão afastado pelo prazo de 180 dias, segundo decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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Contratações
A Polícia Federal recebeu as informações do suposto esquema durante a gestão do ex-governador Mauro Carlesse. Na época, Wanderlei Barbosa era vice-governador e ficou com a atribuição de cuidar da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas), por conta de arranjos políticos, segundo a decisão.
A defesa de Carlesse informou que o ex-governador não é investigado, réu ou alvo da operação e que, durante seu mandato, “inexistiu qualquer ato ou decisão de sua responsabilidade relacionado aos fatos apurados” (veja nota completa abaixo).
Investigações identificaram que a maior parte das verbas, relacionadas ao enfrentamento das consequências da Covid-19, foi direcionada para a Setas entre os anos de 2020 e 2021. Na época, foram contratadas várias empresas. Algumas haviam sido abertas pouco tempo antes das contratações e elas não tinham objetivo social de fornecimento de alimentos.
“O esquema consistiu na contratação de um grupo de empresas previamente selecionadas, muitas delas constituídas há pouquíssimo tempo, ou com objeto social distinto do fornecimento de alimentos, as quais, receberiam a totalidade do valor contratado, sempre em somas de grande vulto, entregando, em contrapartida, apenas parte do quantitativo estipulado, tendo havido a inexecução parcial ou até mesmo integral dos contratos de fornecimento”, diz a decisão.
Conforme a polícia, o esquema passava por várias pessoas que ficavam responsáveis por diferentes tarefas para dar andamento às contratações e desvios.
Veja como iniciou operação que levou ao afastamento do Governador Wanderlei Barbosa
Esquema dividido em núcleos
Segundo a decisão, o esquema era realizado em quatro núcleos: agentes políticos, servidores públicos, empresarial e núcleo financeiro e de lavagen de capitais. Entenda como funcionava cada um deles.
Núcleo de agentes políticos
A investigação apontou a atuação do alto escalão do governo no esquema, iniciando com Wanderlei Barbosa, sua esposa Karynne Sotero e seguia com o ex-secretário da Setas, José Messias Alves de Araújo.
Esse núcleo, segundo a decisão, também incluía agentes do Poder Legislativo Estadual, que destinavam recursos, por meio de emendas parlamentares, para a aquisição de cestas básicas em troca de vantagens indevidas.
O g1 tenta contato com o José Messias Alves.
Núcleo de servidores públicos
O núcleo ficava responsável pelas operações, direcionando licitações e atestando falsamente o recebimento das cestas básicas, com o propósito de “amparar documentalmente o desvio de recursos perpetrado”. Parte dos serviços era realizada por assessores especiais que eram subordinados a Wanderlei Barbosa.
Segundo a investigação, uma pessoa ficava responsável pelas transferências bancárias e saques de valores que eram repassados para o assessor Taciano Darcles Santana Sousa ou Thiago Marcos Barbosa, sobrinho do governador. Esses valores eram entregues em espécie aos outros envolvidos no esquema, incluindo o Wanderlei Barbosa.
Também foi identificado que o chefe de gabinete do governador e uma outra pessoa realizavam depósitos em espécie de forma fracionada em favor do governador, além de pagamentos de boletos de valores elevados o favorecendo.
Na época da primeira fase da Fames-19, servidores citados no esquema foram exonerados. Entre eles, Taciano Darcles e o chefe de gabinete, que foi nomeado novamente para o mesmo cargo no dia 8 de agosto de 2025.
O g1 solicitou posicionamento à defesa de Thiago Barbosa, mas não teve resposta até a publicação da matéria. A reportagem tenta contato com Taciano Darcles.
Núcleo empresarial
Nessa parte do esquema, as empresas que eram previamente selecionadas simulavam uma situação de ampla concorrência. Elas eram usadas no desvio dos recursos públicos, ao fingir as entregas das cestas básicas.
Conforme as investigações, o esquema seguia o modus operandi de transferir a participação social de empresas existentes ou a criação de CNPJs em nome de laranjas, que muitas vezes eram beneficiários do auxílio emergencial durante a pandemia.
Essas empresas eram operadas por meio de procurações condedidas a pessoas legadas aos esquemas.
“Todas estas empresas figuraram como destinatárias de vultosas quantias de recursos públicos, supostamente utilizados para a aquisição de cestas básicas de papel, durante a fase aguda da pandemia de COVID-19, e em contratos de fornecimento de bens e serviços que se seguiram à pandemia, estando ainda em andamento a investigação quanto aos destinatários dos valores desviados, que supostamente se envolveram na lavagem do capital ilicitamente amealhado”, diz a decisão.
Núcleo financeiro e de lavagem de capitais
O núcleo financeiro agia no recebimento de vantagens ilícitas e envio de valores que depois eram sacados e distribuídos entre os membros da organização. A polícia identificou que parte desses recursos desviados era repassada para a Pousada Pedra Canga, um empreendimento de luxo na Serra de Taquaruçu, que pertence ao filho do governador, Rérison Antônio Castro Leite.
Segundo a decisão, uma conversa entre o filho do governador e o chefe de gabinete no dia 21 de maio de 2024 confirma o uso ilícito do dinheiro público.
“Rérison orienta [chefe de gabinete] a deixar todos os apontamentos averbados na JUCETINS, referentes à Pousada Pedra Canga, em seu nome, ratificando o escopo atual e contemporâneo de dissimulação do capital ilicitamente auferido no governo do Estado, para ser empregado em sua edificação”.
Operação Fames-19
Esta é a 2ª fase da Operação Fames-19, que busca reunir novos elementos sobre o uso de emendas parlamentares e o recebimento de vantagens indevidas por agentes públicos e políticos com a compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19.
Segundo a decisão, são apurados os crimes de frustração ao caráter competitivo de licitação, peculato, corrupção passiva, lavagem de capitais e formação de organização criminosa.
Conforme a PF, as investigações apontam fortes indícios de um esquema de desvio de recursos públicos em 2020 e 2021. Nesse período, os investigados teriam se aproveitado do estado de emergência em saúde pública e assistência social para fraudar contratos de fornecimento de cestas básicas.
Em agosto de 2024, Wanderlei Barbosa e a esposa foram alvos de busca na primeira fase da operação. Nessa fase, políticos e empresários estavam entre os alvos.
Durante o cumprimento das buscas na casa e no gabinete de Wanderlei, os policiais federais encontraram R$ 67,7 mil em espécie, além quantias em dólares e euros.
Segundo a apuração, foram pagos mais de R$ 97 milhões em contratos para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 73 milhões.
Segundo a investigação, os valores desviados teriam sido ocultados por meio da construção de empreendimentos de luxo, compra de gado e pagamento de despesas pessoais dos envolvidos.
Íntegras das notas das defesas
Nota da Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas)
A Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) informa que tem colaborado com as investigações e encaminhado informações aos órgãos de controle internos e externos para instruir as tomadas de contas que foram instauradas. A Setas reforça seu compromisso em colaborar com as autoridades competentes.
Nota defesa Rérison Castro
Ele não foi alvo da operação. Não temos acesso ao IPL, à representação e à decisão que determinou as medidas cautelares. Certo que o Rérison não é servidor do Estado e não tem nenhuma vinculação com os crimes investigados.
Nota Mauro Carlesse
A defesa do ex-governador Mauro Carlesse lamenta os recentes acontecimentos envolvendo o Estado do Tocantins e esclarece que, durante todo o período em que Mauro Carlesse exerceu o mandato, inexistiu qualquer ato ou decisão de sua responsabilidade relacionado aos fatos apurados.
Ressalta, ainda, que o ex-governador não figura como investigado, réu ou alvo de quaisquer medidas decorrentes da operação, não havendo, portanto, qualquer imputação contra sua pessoa.
Por fim, a defesa reafirma sua confiança nas instituições e no pleno esclarecimento dos fatos, convicta de que a apuração confirmará a total ausência de envolvimento de Mauro Carlesse com os acontecimentos sob investigação.
Nota de Karynne Sotero
Reitero meu respeito à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e às instituições, ressaltando que irei dedicar-me plenamente à minha defesa, convicta de que conseguirei comprovar minha total ausência de participação nos fatos que estão sendo apontados.
Desejo que tudo seja esclarecido e reestabelecido com brevidade e justiça, pelo bem do povo tocantinense, a quem dedico meu trabalho e compromisso.
Nota de Wanderlei Barbosa
Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa.
Reforço que, por minha determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes.
Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.
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Fonte: G1 Tocantins

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Polícia apreendeu R$ 700 mil com ex-deputada que destinou emendas para compra de cestas básicas


Polícia Federal apreende pelo menos R$ 700 mil em endereço de investigado em operação
Durante o cumprimento de mandados em nova fase da Operação Fames-19, que afastou o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), os policiais federais estiveram em endereços relacionados à atual secretária do Trabalho e Desenvolvimento Social, Valderez Castelo Branco. Foram apreendidos cerca de R$ 700 mil em uma casa da secretária e ex-deputada estadual em Araguaína, norte do estado.
A operação foi deflagrada na manhã desta quarta-feira (3) e, além do governador, foi afastada a primeira-dama, Karine Sotero Campos, que ocupa o cargo de secretária extraordinária de Participações Sociais. Com o afastamento pelo prazo de 180 dias de Wanderlei, quem assume o cargo é o vice, Laurez Moreira (PSD).
Em nota, o governador afirmou que a decisão se trata de uma “medida precipitada”, e ela afirmou que vai comprovar “ausência de participação nos fatos” (veja as notas abaixo). O g1 pediu posicionamento para a assessoria de Valderez sobre o cumprimento de mandados de busca, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.
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No inquérito policial que levou à decisão do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foram identificados indícios de um esquema de desvio de recursos públicos em 2020 e 2021 para compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19. Como era deputada estadual na época, Valderez é apontada como uma das parlamentares que destinou recursos de emendas para esse fim.
Segundo confirmado à TV Anhanguera pela assessoria do Superior Tribunal de Justiça (STJ), os cerca de R$ 700 mil em espécie foram encontrados na casa da secretária durante o cumprimento dos 51 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares em Palmas e Araguaína, além do Distrito Federal, Paraíba e Maranhão.
O nome da ex-deputada estaria em uma planilha de controle para pagamento de propina, conforme a apuração. Os recursos destinados por Valderez aparece em um dos contratos analisados pela polícia, que a incluiu como parte de um grupo de deputados que ‘voluntária e conscientemente, encaminharam emendas parlamentares em troca do recebimento de vantagens indevidas’.
Valderez foi deputada estadual entre os anos de 2014 e 2022. No governo de Wanderlei Barbosa, atuou como secretária extraordinária de Participações Sociais e Políticas de Governo de Tocantins, em 2023.
No ano seguinte, foi nomeada Secretaria Estadual Extraordinária de Ações Governamentais. No dia 11 de agosto deste ano, assumiu a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social.
Dinheiro apreendido pela Polícia Federal dentro da Operação Fames-19
Reprodução/TV Anhanguera
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Governador nomeia Valderez Castelo Branco e Lázaro Botelho para secretarias
Valderez Castelo Branco é secretária do Trabalho e Desenvolvimento Social
Ulisses Holanda/Assembleia Legislativa do Tocantins
Operação
A segunda fase da Operação Fames-19 tem o objetivo de aprofundar as investigações que apuram o suposto esquema de desvio. Conforme a PF, as investigações, que tramitam sob sigilo no Superior Tribunal de Justiça, apontam fortes indícios de um esquema de desvio de recursos públicos em 2020 e 2021.
A defesa de Mauro Carlesse (Agir), governador na época, lamentou os recentes acontecimentos e afirmou que “inexistiu qualquer ato ou decisão de sua responsabilidade relacionado aos fatos apurados” (veja nota no final da matéria).
Nesse período, os investigados teriam se aproveitado do estado de emergência em saúde pública e assistência social para fraudar contratos de fornecimento de cestas básicas.
Segundo a apuração, foram pagos mais de R$ 97 milhões em contratos para fornecimento de cestas básicas e frangos congelados. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em mais de R$ 73 milhões.
Os valores desviados teriam sido ocultados por meio da construção de empreendimentos de luxo, compra de gado e pagamento de despesas pessoais dos envolvidos.
Os nomes de dez deputados estaduais aparecem na investigação do desvio de verbas que seriam usadas para a compra de cestas básicas durante a pandemia. Ao todo, foram destinados R$ 38,2 milhões para a contratação das empresas supostamente envolvidas na fraude envolvendo as cestas básicas, segundo a Polícia Federal.
A Assembleia Legislativa do Tocantins (Aleto) informou que prestou colaboração total e irrestrita no cumprimento integral das determinações contidas em dez mandados de busca e apreensão, disponibilizando todos os equipamentos, documentos e informações solicitados. Também informou que não foi intimada de nenhuma decisão judicial relacionada ao caso, que ainda está em curso (veja nota completa abaixo).
Caminhões com cestas básicas entregues durante a pandemia
Setas/Governo do Tocantins
Íntegra da nota de Wanderlei Barbosa
Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa.
Reforço que, por minha determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes.
Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.
Íntegra da nota de Karynne Sotero
Reitero meu respeito à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e às instituições, ressaltando que irei dedicar-me plenamente à minha defesa, convicta de que conseguirei comprovar minha total ausência de participação nos fatos que estão sendo apontados.
Desejo que tudo seja esclarecido e reestabelecido com brevidade e justiça, pelo bem do povo tocantinense, a quem dedico meu trabalho e compromisso.
Íntegra da nota da Assembleia Legislativa
A Assembleia Legislativa do Estado do Tocantins (Aleto) informa que prestou nesta quarta-feira, 3, colaboração total e irrestrita ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e à Polícia Federal (PF), no cumprimento integral das determinações contidas em dez mandados de busca e apreensão, com a devida disponibilização de todos os equipamentos, documentos e informações solicitados.
Informa ainda que a Procuradoria Geral da Casa não teve acesso aos autos, portanto, desconhece-se o que motivou a expedição dos referidos mandados. Além disso, a Aleto não foi intimada de nenhuma decisão judicial relacionada ao caso, que ainda está em curso.
Os mandados de busca e apreensão aos quais a Aleto teve acesso foram direcionados aos gabinetes parlamentares dos deputados Amélio Cayres, Claudia Lelis, Cleiton Cardoso, Ivory de Lira, Jorge Frederico, Léo Barbosa, Nilton Franco, Olyntho Neto, Valdemar Júnior e Vilmar de Oliveira.
Íntegra da nota de Mauro Carlesse
A defesa do ex-governador Mauro Carlesse lamenta os recentes acontecimentos envolvendo o Estado do Tocantins e esclarece que, durante todo o período em que Mauro Carlesse exerceu o mandato, inexistiu qualquer ato ou decisão de sua responsabilidade relacionado aos fatos apurados.
Ressalta, ainda, que o ex-governador não figura como investigado, réu ou alvo de quaisquer medidas decorrentes da operação, não havendo, portanto, qualquer imputação contra sua pessoa.
Por fim, a defesa reafirma sua confiança nas instituições e no pleno esclarecimento dos fatos, convicta de que a apuração confirmará a total ausência de envolvimento de Mauro Carlesse com os acontecimentos sob investigação.
Íntegra da nota da Setas
A Secretaria Estadual do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas) informa que tem colaborado com as investigações e encaminhado informações aos órgãos de controle internos e externos para instruir as tomadas de contas que foram instauradas. A Setas reforça seu compromisso em colaborar com as autoridades competentes.
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Ex-marido de primeira-dama recebeu R$ 1,3 milhão de empresas investigadas por desvio de verba para cestas básicas, aponta decisão


Veja como iniciou operação que levou ao afastamento do Governador Wanderlei Barbosa
Paulo César Lustosa Limeira, ex-marido da primeira-dama Karynne Sotero Campos, teria recebido R$ 1.359.074,12 de uma das empresas contratadas para distribuir cestas básicas no Tocantins, durante a pandemia de Covid-19. Para a Polícia Federal, ele seria responsável pela “negociação de propina em contratos” do governo do Tocantins.
Nesta quarta-feira (3), a PF realizou a segunda fase da Operação Fames-19, que apura desvio de recursos públicos na compra de cestas básicas no estado. O prejuízo estimado é de mais de R$ 73 milhões. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) afastou o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) do cargo pelo prazo de 180 dias em decisão. A primeira-dama, que é secretária extraordinária de Participações Sociais, também foi afastada.
O governador afirmou, em nota, que a decisão se trata de uma “medida precipitada”. A primeira-dama afirmou que vai comprovar “ausência de participação nos fatos” (veja as notas abaixo). O g1 ainda tenta contato com a defesa de Paulo César, que foi alvo de buscas nesta quarta-feira.
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Caminhões com cestas básicas entregues durante a pandemia
Setas/Governo do Tocantins
Informações obtidas pela PF após a apreensão do aparelho celular de Paulo César, durante a primeira fase da operação, revelam que ele supostamente intermediava negociações de propinas em contratos no governo e até em prefeituras. Karynne Sotero é citada pelo investigado em conversas, levantando indícios de que ela tinha participação no esquema criminoso.
Segundo apurado pela PF, Paulo César participava ativamente das atividades de uma das empresas envolvidas no esquema de desvio de verbas das cestas básicas. Ele também esteve presente em galpões dos fornecedores de cestas básicas.
Na decisão do STJ, o ministro Mauro Campbell afirma que a participação de Paulo César no desvio de verbas, era garantido a partir de sua proximidade com a primeira-dama e tinha “amplo acesso” à cúpula do governo.
“O teor dos diálogos evidencia, a um só tempo, não apenas o trânsito e a influência de Paulo César Lustosa no governo do Estado, como também comprova o intenso envolvimento de Karynne Sotero, primeira dama do Estado, e de seu esposo, o governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa Castro, na medida em que todas as contratações dependiam da boa vontade do poder executivo estadual, propiciada não apenas pela intermediação conduzida por Karynne, como também, pela ciência e aquiescência de Wanderlei”, diz o ministro.
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Segundo a PF, os diálogos obtidos comprovam a prática de fraudes em licitações, com indicação prévia de quais empresas deveriam ganhar cada certame. As fraudes, suspostamente, aconteceram entre 2020 e 2024, durante os governos de Mauro Carlesse e Wanderlei Barbosa.
O g1 pediu posicionamento para a defesa de Mauro Carlesse, governador anterior, mas não houve resposta.
As investigações apontam que Paulo César recebeu “vultosas quantias” de outros investigados, e também “valores de grande vulto” de várias empresas ligadas ao esquema das cestas básicas, incluindo uma vinculada ao filho de um assessor especial do governador.
Entre julho de 2020 e julho de 2022, Paulo César recebeu R$ 1.359.074,12 e realizou saques de R$ 665.015,63, “havendo indícios de seu envolvimento em atos de lavagem que se seguiram aos supostos desvios”.
Segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), apenas uma das das empresas direcionou 58 lançamentos para Paulo César, totalizando R$ 521.263,81.
Ligação com instituto da primeira-dama
Primeira dama Karine Sotero e o governador, Wanderlei Barbosa, foram afastados
Reprodução/Instagram Wanderlei Barbosa
Conforme a decisão, o Instituto para o Desenvolvimento e Gestão Social Esportiva e Cultural (Idegeses), uma das empresas contratadas para produzir cestas básicas, não entregava esses produtos. A empresa, supostamente, pegava emprestado cestas montadas por outras empresas, para poder ludibriar a fiscalização da Secretaria de Estado do Trabalho e Desenvolvimento Social (Setas).
O Idegeses recebeu pagamentos do Estado do Tocantins até julho de 2024, por meio da Secretaria Estadual dos Esportes e Juventude, previamente titularizada por Karynne Sotero. O g1 entrou em contato com o instituto, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
As investigações apontaram que, desde a criação do instituto, havia a intenção de destinar emendas parlamentares para as atividades. As verbas destinadas ao Idegeses também eram utilizadas como uma forma de “se aproximar não apenas dela [Karynne] como também do núcleo político do atual governador do Estado”, afirma o documento.
Segundo a decisão, Karynne esteve como presidente do Idegeses no período de 17/01/2013 a 16/10/2019. Mesmo depois de deixar o cargo de presidente, ela ainda mantinha as chaves do Instituto em seu poder, o que, segundo a polícia, aponta que a relação da primeira-dama com a instituição foi mantida.
Íntegra da nota de Karynne Sotero
Reitero meu respeito à decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e às instituições, ressaltando que irei dedicar-me plenamente à minha defesa, convicta de que conseguirei comprovar minha total ausência de participação nos fatos que estão sendo apontados.
Desejo que tudo seja esclarecido e reestabelecido com brevidade e justiça, pelo bem do povo tocantinense, a quem dedico meu trabalho e compromisso.
Íntegra da nota de Wanderlei Barbosa
Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa.
Reforço que, por minha determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes.
Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.
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PF encontrou R$ 32 mil em espécie no gabinete do governador do Tocantins, afastado pelo STJ


Governador do Tocantins é afastado do cargo
A Polícia Federal (PF) encontrou mais de R$ 32 mil em dinheiro vivo no gabinete do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), durante as investigações de um esquema que desviou dinheiro durante a pandemia de covid-19. O governador é suspeito de chefiar uma organização criminosa.
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Os investigadores realizaram a segunda fase da Operação Fames-19 nesta quarta-feira (3) para cumprir 51 mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares em Palmas (TO), Araguaína (TO), Distrito Federal, Paraíba, Maranhão.
Barbosa foi afastado do cargo por determinação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) (leia mais aqui).
Na primeira fase da operação, em agosto de 2024, policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços do governador, entre eles o gabinete no Palácio Araguaia — sede do governo local.
Dinheiro apreendido no gabinete do governador, em agosto de 2024
Reprodução
Os investigadores encontraram R$ 32,2 mil em espécie no gabinete do governador junto dos carimbos de Barbosa e de seu chefe de gabinete, Marcos Martins Camilo.
Segundo a PF, o fato de integrantes do esquema sacarem “grandes quantias em espécie” e os valores apreendidos no gabinete do governador “reforçam a convicção de que atos de corrupção passiva, de fato ocorreram e continuam a ocorrer na sede do Poder Executivo estadual”, diz trecho da investigação.
PF: dinheiro desviado no Tocantins foi usado para construir pousada de luxo em nome do filho do governador
Além do dinheiro encontrado na sede do governo tocantinense, a polícia apreendeu mais R$ 35,5 mil, US$ 1,1 mil e 80 euros no escritório que fica na casa de Wanderlei.
Ao falar do governador, envolvido diz: “Caba tá guloso rs”
A retirada de Wanderlei Barbosa do cargo é resultado da investigação da PF, que apura desvios de recursos durante a pandemia de Covid-19 no estado. O prejuízo estimado seria superior a R$ 73 milhões.
Investigadores citam que diálogos no WhatsApp interceptados mostram a “nítida alusão ao recebimento sistemático de propina por parte do governador”.
Um dos diálogos ocorre com um dos operadores do esquema com o irmão do governador, em que tratam sobre a prorrogação do estado de calamidade pública. Paulo Cesar Lustosa Limeira, ex-marido da primeira-dama do estado, envia a notícia de que Wanderlei irá prorrogar a calamidade, enquanto o irmão do governador ri.
PC Lustosa (ex-marido da primeira-dama): (encaminhada) “Governador Wanderlei Barbosa prorroga estado de calamidade pública no Tocantins”
PC Lustosa: “Caba tá guloso, rsrsrs”
PC Lustosa: “Dinheiro”
Wilton Irmão Líder (Wilton Rosa Pires, irmão do governador): “kkkk”
Governador Wanderlei Barbosa, durante eleição de 2022
Aurora Fernandes/TV Anhanguera
“A análise dos diálogos também evidenciou a prática do crime de fraude à licitação, havendo expressa menção a quem ganharia os certames patrocinados por entes públicos”, diz a PF.
De acordo com a investigação, parte do dinheiro desviado foi usado para construir uma pousada de luxo em nome do filho do governador. Mais de R$ 2,4 milhões foram enviados para o empreendimento em dois anos.
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Gabinetes de deputados do Tocantins são alvo de busca da PF em ação que apura fraude na compra de cestas básicas
Desvio de recursos
A PF apura fraudes em contratos de fornecimento de cestas básicas e frangos congelados financiados por emendas parlamentares em 2020 e 2021.
Nesse período, os investigados teriam se aproveitado do estado de emergência em saúde pública e assistência social para fraudar contratos de fornecimento de cestas básicas.
Os contratos do governo do Tocantins investigados pela PF e STJ envolvem a compra de pelo menos 1,6 milhão de cestas básicas durante a pandemia.
A suspeita da polícia é de que os contratos, que chegavam a quase R$ 5 milhões, foram pagos, mas nem todas as cestas foram entregues à população.
O que diz o governador Wanderlei Barbosa:
“Recebo a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) com respeito às instituições, mas registro que se trata de medida precipitada, adotada quando as apurações da Operação Fames-19 ainda estão em andamento, sem conclusão definitiva sobre qualquer responsabilidade da minha parte. É importante ressaltar que o pagamento das cestas básicas, objeto da investigação, ocorreu entre 2020 e 2021, ainda na gestão anterior, quando eu exercia o cargo de vice-governador e não era ordenador de despesa.
Reforço que, por minha determinação, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e a Controladoria-Geral do Estado (CGE) instauraram auditoria sobre os contratos mencionados e encaminharam integralmente as informações às autoridades competentes.
Além dessa providência já em curso, acionarei os meios jurídicos necessários para reassumir o cargo de Governador do Tocantins, comprovar a legalidade dos meus atos e enfrentar essa injustiça, assegurando a estabilidade do Estado e a continuidade dos serviços à população.”
Governador Wanderlei Barbosa (Republicanos)

Fonte: G1 Tocantins

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