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‘Cortei meus pulsos porque não tinha opção’: o drama das meninas obrigadas a se casar

Quando Shafa tinha 15 anos, viu sua vida se transformar em um inferno; lei antiga de seu país, o Sri Lanka, permite a realização de casamentos infantis no país.

 

No Sri Lanka, a idade legal mínima para casamento é 18 anos. Mas uma antiga lei local permite que meninas muçulmanas sejam uma exceção a essa regra, apesar de muitas pessoas no país serem contra isso. A jornalista da BBC Saroj Pathirana conversou com uma jovem obrigada a se casar nesse esquema.

Quando Shafa (nome fictício) tinha 15 anos, foi obrigada a se casar.

“Enquanto estudava para uma prova, me apaixonei por um menino”, diz, com lágrimas nos olhos.

“Meus pais não gostaram e me mandaram para a casa do meu tio. Enquanto eu estudava lá, um homem que frequentava a casa disse a eles que queria se casar comigo.”

Shafa, que vem de uma família muçulmana e vive em uma aldeia remota do Sri Lanka, se negou. Ela queria se casar com o jovem que amava depois que terminasse seus estudos.

Mas apesar de sua resistência, seus tios organizaram seu casamento com o amigo da família.

Sempre que se manifestava contra a união, apanhava. Os tios também ameaçavam se matar se ela continuasse se negando.

“Cortei os pulsos porque não tinha outra opção”, conta Shafa, levantando as mangas para mostrar as cicatrizes. “Também tomei algumas pílulas.”

Shafa é muçulmana e vive em uma pequena aldeia no Sri Lanka, onde o casamento infantil é recorrente (Foto: BBC)Shafa é muçulmana e vive em uma pequena aldeia no Sri Lanka, onde o casamento infantil é recorrente (Foto: BBC)

Shafa é muçulmana e vive em uma pequena aldeia no Sri Lanka, onde o casamento infantil é recorrente (Foto: BBC)

“Enquanto eu estava no hospital, subornaram os médicos e me levaram a um hospital privado. Alguns dias depois, me obrigaram a casar com esse homem.”

Vítima de violência

Como não tinha outra saída, Shafa decidiu ficar com seu novo marido, mas ele suspeitava que ela mantivesse a relação com o antigo namorado. “Ele me batia frequentemente.”

“Quando disse a ele que estava grávida, ele me ergueu e me atirou no chão. Em seguida me disse que só me queria por uma noite, que já tinha me usado e não precisava mais de mim”, disse.

No hospital, ela descobriu que havia perdido o bebê como resultado da violência. Mas quando foi à polícia, não levaram a sério sua denúncia.

Um dia, foi chamada para a mesquita do vilarejo. Ali, seu marido disse que queria manter o casamento, mas ela se opôs.

Dias mais tarde, Shafa começou a receber ligações e mensagens de texto de estranhos que perguntavam quanto ela cobrava para dormir com eles.

Ela descobriu que seu marido havia publicado sua foto e seu número de celular nas redes sociais.

A mãe de Shafa tenta manter a família unida e busca ajuda para sua filha (Foto: BBC)A mãe de Shafa tenta manter a família unida e busca ajuda para sua filha (Foto: BBC)

A mãe de Shafa tenta manter a família unida e busca ajuda para sua filha (Foto: BBC)

Nas ligações, os homens a ameaçavam com uma linguagem vulgar e diziam que conseguiram o número “graças a seu marido”.

“Eu gravei todas as chamadas e ainda tenho as mensagens de texto”, conta Shafa, sem deixar de chorar, mas ainda assim determinada a contar sua história.

Ajuda psicológica

O pai de Shafa não quis se envolver no que estava acontecendo. Mas a mãe levou a filha a um centro de bem-estar social para que ela recebesse ajuda psicológica e legal após a experiência traumática do casamento.

As duas vão ao centro em segredo – a busca por ajuda psicológica ainda é um tabu no Sri Lanka.

A mãe de Shafa mantém seus cinco filhos trabalhando todos os dias no vilarejo. Foi expulsa de sua cidade natal pelos rebeldes separatistas Tigres Tamiles em 1990.

“Mandei minha filha para a casa do meu irmão por causa de um incidente, nunca pensei que ela passaria por isso”, diz.

Ela diz que se opôs ao casamento forçado, mas seu irmão não a ouviu.

“Agora eu temo por sua segurança e educação (por causa das mentiras que seu marido espalhou sobre ela). Ela não pode ir ao colégio nem andar de ônibus. Seu futuro é incerto”, diz a mãe.

Shafa tem cicatrizes nos pulsos, lembrança de uma tentativa de suicídio (Foto: BBC)Shafa tem cicatrizes nos pulsos, lembrança de uma tentativa de suicídio (Foto: BBC)

Shafa tem cicatrizes nos pulsos, lembrança de uma tentativa de suicídio (Foto: BBC)

Pressão real

Todo ano, centenas de jovens como Shafa, que pertencem à minoria muçulmana do Sri Lanka, são obrigadas a se casar por pressão de pais ou tutores.

Segundo a advogada de direitos humanos Ermiza Tegal, os casamentos de meninas muçulmanas aumentaram de 14% para 22% em um ano, uma alta atribuída a uma tendência conservadora.

Shafa tinha 15 anos quando foi obrigada a casar, mas grupos de apoio a mulheres muçulmanas acompanharam casos de meninas de 12 anos que sofreram o mesmo.

As leis do Sri Lanka proíbem o casamento de menores de idade. Para se casar é preciso ter ao menos 18 anos.

Mas um regulamento mais antigo chamado Lei de Casamento e Divórcio Muçulmano (MMDA) dá permissão aos líderes da comunidade muçulmana, que são homens em sua maioria, de decidir a idade do casamento.

Não há uma idade mínima, ainda que um casamento com uma menina com menos de 12 anos demande uma permissão especial de uma autoridade islâmica.

As meninas e suas mães têm sofrido em silêncio durante décadas, mas agora ativistas muçulmanas estão exigindo uma reforma da MMDA, apesar das ameaçadas dos líderes da comunidade conservadora.

Questões legais colocam meninas muçulmanas sob a ameaça de casamentos forçados (Foto: BBC)Questões legais colocam meninas muçulmanas sob a ameaça de casamentos forçados (Foto: BBC)

Questões legais colocam meninas muçulmanas sob a ameaça de casamentos forçados (Foto: BBC)

Reforma

Como o Sri Lanka planeja reformar sua Constituição, ativistas acreditam que esta seja a hora de agir.

A ONU e a União Europeia também pediram ao governo que mudasse a MMDA e outras leis discriminatórias.

Mas não há muita esperança, já que um comitê criado pelo governo há quase 10 anos para analisar a reforma da MMDA não conseguiu formular propostas concretas.

Grupos muçulmanos como Jamiyathul Ulama e Thawheed Jamaath resistiram durante muito tempo aos pedidos de mudança.

O tesoureiro da Thawheed Jamaath, BM Arshad, disse que a organização sempre apoia a reforma da MMDA quando as propostas surgem de dentro da comunidade, mas se negou a estabelecer uma idade mínima para os casamentos.

“Nem o Islã nem a Thawheed Jamaath aceitam o casamento infantil”, diz Arshad. “Mas a Thawheed Jamaath jamais aceitará fixar uma idade mínima para o casamento.”

“Algumas meninas não têm que se casar inclusive depois dos 18 anos. É direito da pessoa que se casa decidir quando fazê-lo”, diz.

Arshad negou as acusações de que sua organização ameaça ativistas muçulmanas.

‘Não destruam a infância dessas meninas’

O centro que recebe Shafa e sua mãe já ajudou mais de 3 mil mulheres muçulmanas com diferentes problemas nos últimos três anos, incluindo 250 vítimas de casamento infantil.

“Tenho que ficar longe de casa por causa das ameaças de homens”, diz a assistente social que dirige o centro. “Tenho medo de levar meus filhos à escola.”

A ativista Shreen Abdul Saroor, da Rede de Mulheres em Ação (WAN, na sigla em inglês), é uma das poucas mulheres muçulmanas que ousa revelar seu rosto e sua identidade.

“O casamento infantil é uma violação à lei”, diz.

Ela insiste que 18 anos deve ser a idade legal do casamento para todas as comunidades no Sri Lanka, independentemente de nacionalidade e religião.

BM Arshad, tesoureiro do grupo Thawheed Jamaath, é contra estabelecer uma idade mínima para o casamento (Foto: BBC)BM Arshad, tesoureiro do grupo Thawheed Jamaath, é contra estabelecer uma idade mínima para o casamento (Foto: BBC)

BM Arshad, tesoureiro do grupo Thawheed Jamaath, é contra estabelecer uma idade mínima para o casamento (Foto: BBC)

Uma menina não é fisicamente madura o suficiente para dar à luz outra criança, diz a ativista.

“Quando vemos todas essas meninas casando, isso afeta toda a comunidade. A sociedade retrocede”, acrescenta.

“A minha mensagem à comunidade muçulmana e aos líderes religiosos é: por favor, não destruam a infância dessas meninas.”

Determinação

Apesar do trauma, Shafa sempre foi uma aluna brilhante e está decidida a voltar a estudar.

Sua família espera que a jovem consiga um bom emprego, mas ela ainda enfrenta muitos desafios.

“Os homens se aproximam e fazem piadas grosseiras quando vou a aulas particulares”, diz.

Ativista Shreen Saroor pede à comunidade muçulmana que proteja as meninas (Foto: BBC)Ativista Shreen Saroor pede à comunidade muçulmana que proteja as meninas (Foto: BBC)

Ativista Shreen Saroor pede à comunidade muçulmana que proteja as meninas (Foto: BBC)

“É um assédio grave, eu me sinto desanimada, indefesa, não sei o que fazer.”

Mas ela se nega a deixar os assediadores vencerem. Seu objetivo é se tornar advogada.

“É porque você quer ajudar outras vítimas como você?”, pergunto.

“Sim”, responde ela, enquanto nosso olhar se cruza e sinto sua determinação.

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Explosão de carro-bomba deixa mortos no Paquistão

O Jamaat ur Ahrar, um grupo dissidente do Taliban, reivindicou responsabilidade pelo ataque.

Um carro-bomba deixou ao menos 11 mortos, incluindo quatro policiais, em um ataque perto de uma unidade da polícia na instável cidade de Quetta, no sudoeste do Paquistão, nesta sexta-feira (23), informaram autoridades.

Abdul Razzaq Cheema, diretor-geral da polícia da província do Baluchistão, disse à Reuters que aparentemente o agressor detonou um carro cheio de explosivos.

Ao menos 11 corpos foram levados para um hospital, junto com 19 pessoas feridas, disse Wasim Baig, um porta-voz do Hospital Civil de Quetta.

Entre os mortos estão quatro policiais, e nove agentes de segurança ficaram feridos, disse Fareed Sumalan, um médico do hospital.

O Jamaat ur Ahrar, um grupo dissidente do Taliban, reivindicou responsabilidade pelo ataque em uma mensagem enviada à Reuters pelo porta-voz Asad Mansur.

O porta-voz do governo do Baluchistão, Anwar ul Haq Kakar, disse que a explosão aconteceu perto do escritório do inspetor-geral da polícia quando autoridades pararam o carro para inspecioná-lo.

“É possível que o escritório fosse o alvo, ou que os agressores estivessem tentando entrar na base (militar) que fica nas redondezas”, disse.

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Fúria no trânsito provoca impressionante sequência de acidentes em rodovia nos EUA

Vídeo mostra motociclista chutando carro, que bate contra divisa e volta para pista, provocando capotamento de uma camionete.

 

Motociclista chuta porta de carro nos Estados Unidos (Foto: BBC)Motociclista chuta porta de carro nos Estados Unidos (Foto: BBC)

Motociclista chuta porta de carro nos Estados Unidos (Foto: BBC)

Um vídeo gravado pelo motorista Chris Traber mostra uma briga que desencadeou uma sequência de acidentes em uma rodovia nos Estados Unidos.

As imagens mostram um motociclista chutando a porta de trás de um Nissan Sedan, que tenta atingir a moto, mas em seguida bate contra a divisa de cimento da rodovia e volta para o centro da pista, atingindo uma camionete que capota.

“Eu vi minha vida acabar, para ser sincero. Quando senti o impacto e a camionete virou e eu comecei a girar eu não vi nada além de asfalto e céu”, diz Carlos Benavidez, motorista da camionete que sobreviveu ao acidente.

Carro colidiu guard-rail ao tentar revidar  (Foto: BBC)Carro colidiu guard-rail ao tentar revidar  (Foto: BBC)

Carro colidiu guard-rail ao tentar revidar (Foto: BBC)

Ninguém ficou gravemente ferido. A polícia agora procura o motociclista que chutou o carro e não parou.

Chris Traber, um motorista que estava um pouco atrás do carro que rodopiou, ficou em choque. “Eu não sei se o motorista do carro ficou assustado ou pirou do tipo ‘o que eu devo fazer agora’ ou tentou tirar o motociclista da rodovia intencionalmente”.

Segundo dados da Diretoria Nacional de Segurança do Trânsito Rodoviário, as mortes causadas por agressividade na direção aumentaram em 60% nos Estados Unidos desde 2011. Cerca de dois terços das mortes em rodovias são causadas por direção agressiva.

Carro colidiu com outros carros (Foto: BBC)Carro colidiu com outros carros (Foto: BBC)

Carro colidiu com outros carros (Foto: BBC)

No Brasil, segundo balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o número de mortes em rodovias federais caiu 6,8% em 2016 e o número de acidentes graves caiu 3,9% em relação ao ano de 2015.

Em 2016, ocorreram 20.994 acidentes graves em rodovias federais em relação a 21.854 ocorrências em 2015.

Ao todo foram 21.439 feridos graves e 6.405 mortos em decorrência desses acidentes.

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Seca ameaça Etiópia, que sofre com redução de ajuda humanitária Verba de ajuda humanitária pode se esgotar em julho, após crescimento do país estancar e apoio de doadores migrar para outros destinos. Trump propôs encerrar ajuda dos EUA, principal financiador.

Pessoas afetadas pela seca na Etiópia são vistas em campo de deslocados em Werder, em foto de 9 de junho (Foto: Chris Stein/AFP)Pessoas afetadas pela seca na Etiópia são vistas em campo de deslocados em Werder, em foto de 9 de junho (Foto: Chris Stein/AFP)

Pessoas afetadas pela seca na Etiópia são vistas em campo de deslocados em Werder, em foto de 9 de junho (Foto: Chris Stein/AFP)

Os membros da etnia somali, no sudeste da Etiópia, têm uma palavra para descrever a seca que mata o gado, estia os poços e leva milhares de pessoas a fugirem para campos de refugiados: “sima”.

A palavra, que significa “igualado”, é especialmente adequada, explicam eles, porque a seca ataca cegamente e não perdoa nenhum canto da árida região somali da Etiópia.

Esse cenário é bastante perigoso em um país onde 7,8 milhões de habitantes dependem de ajuda humanitária para sobreviver – e para o qual essa ajuda vem minguando a olhos vistos.

“Notamos que o abastecimento de comida está diminuindo, e os alimentos acabarão em cerca de um mês”, aponta John Graham, diretor da ONG Save The Children na Etiópia. “Quando acabarem, não sabemos o que vamos fazer”.

O país africano, símbolo mundial da pobreza depois da carestia de 1984 e 1985, que matou milhares de pessoas, tinha aprendido a superar crises humanitárias com ajuda da comunidade internacional.

Graças a um elevado crescimento econômico na última década, o governo pode investir US$ 766 milhões para lutar contra uma das piores secas dos últimos tempos, entre 2015 e 2016.

Os investimentos em saneamento também ajudaram a reduzir a mortalidade infantil e o número de vítimas da malária.

Mas, neste ano, a situação se agravou muito. O crescimento econômico da Etiópia estancou, freado, entre outros motivos, por uma onda de protestos da oposição em 2016. A atenção de doadores internacionais também migrou para outros países da região. A Somália, por exemplo, enfrenta, além da seca, uma guerra civil; e o Sudão do Sul, onde uma carestia provocada por um conflito se arrastou por quatro meses e ameaça voltar.

Falta de verba

Integrantes de grupos de apoio humanitário temem que o número de mortes provocadas pela seca chegue aos milhões se a Etiópia não receber ajuda rapidamente.

O país desbloqueou US$ 117 milhões para combater a seca em 2017. À cifra, somam-se US$ 302 milhões da comunidade internacional. Mas as Nações Unidas calculam que ainda faltem US$ 481 milhões em verbas. Por isso, a ajuda humanitária poderia se esgotar a partir de julho.

Na cidade de Werder, no sudeste da Etiópia, as centenas de famílias que vivem em um campo destruído notam que a distribuição de arroz e açúcar é cada vez menos frequente.

“Não é raro pularmos refeições”, explica à AFP Halimo Halim, uma mulher que vive com seus filhos num abrigo construído com pedaços de madeira e plástico.

A seca atingiu também as cabras, ovelhas e burros, animais essenciais para as famílias criadoras de gado nômades, como a de Halimo, que são importantes para a economia da região somali.

Cerca de 465 mil pessoas que perderam seu gado precisaram se refugiar em um dos 250 campos espalhados na região.

Diante da grave crise, as agências humanitárias começaram a buscar novos doadores, menos tradicionais, como países do Golfo Pérsico. Elas também estão de olho nas negociações de orçamento do seu principal financiador, os Estados Unidos. O presidente americano Donald Trump propôs acabar com a ajuda internacional de seu país.

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Extremistas destroem mesquita onde líder do EI proclamou califado A mesquita da cidade velha de Mossul e seu emblemático minarete inclinado serviram de cenário para a proclamação do Califado por Abu Bakr Al Baghdadi.

Os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) destruíram nesta quarta-feira o “hadba”, o emblemático minarete inclinado da cidade velha de Mossul e a adjacente mesquita Al Nuri, onde seu líder, Abu Bakr Al Baghdadi, proclamou o surgimento do “califado”.

O emblemático minarete inclinado da mesquita da cidade velha de Mossul (Foto: Reuters)O emblemático minarete inclinado da mesquita da cidade velha de Mossul (Foto: Reuters)

O emblemático minarete inclinado da mesquita da cidade velha de Mossul (Foto: Reuters)

“Nossas forças estavam avançando […] na cidade velha quando, após terem chegado a 50 metros da mesquita Al Nuri, o Daesh [acrônimo em árabe do EI] cometeu um novo crime histórico, ao fazer explodir a mesquita de Al Nuri e a ‘hadba'”, o minarete inclinado adjacente, informou o general Abdulamir Yarallah,comandante do exército iraquiano e responsável pela ofensiva em Mossul, em um comunicado.

Em uma mensagem distribuída através da agência “Amaq”, órgão de propaganda vinculado aos jihadistas, o EI acusou à coalizão internacional de destruir a mesquita em um bombardeio.

Entretanto, o porta-voz do comando de Operações Conjuntas, Yahya Rasul, disse à emissora de televisão curdo-iraquiana “Rudaw” que os combatentes do EI puseram explosivos no templo do século XII durante sua fuga.

Foto aérea mostra a destruição da mesquita da cidade velha de Mossul (Foto: Reuters )Foto aérea mostra a destruição da mesquita da cidade velha de Mossul (Foto: Reuters )

Foto aérea mostra a destruição da mesquita da cidade velha de Mossul (Foto: Reuters )

A mesquita de Al Nuri, construída em 1172 pelo governante Noradine, da dinastia zengida, era o maior símbolo da cidade de Mossul.

Era conhecida no Iraque e nos países vizinhos pelo minarete, de 45 metros de altura e forma cilíndrica, com uma inclinação de vários graus, similar à torre de Pisa, construído em tijolo com motivos geométricos.

Os cidadãos de Mossul estavam muito preocupados pelo risco que corria a integridade do monumento quando as forças iraquianas anunciaram a iminência do ataque.

A Unesco assinou em 2012 um acordo com as autoridades iraquianas para restaurar o minarete e evitar o perigo de derrubada, mas o projeto foi abandonado dois anos depois quando o EI conquistou a cidade.

A mesquita foi desmontada e restaurada em 1942, em um projeto de restauração do Ministério de Antiguidades, mas o minarete se manteve intacto, apesar de sua inclinação, da que se tem notícia desde o século XIV, segundo registros citados pela Unesco.

Os extremistas estão encurralados pelas forças iraquianas nas últimas ruas que ocupam naquele que foi o seu principal feudo no Iraque, depois que na segunda-feira passada foi anunciada a fase final da ofensiva de Mossul.

A campanha de Mossul começou em outubro do ano passado; em janeiro conseguiu libertar os bairros ao leste do rio Tigre e desde fevereiro as tropas iraquianas estão combatendo os terroristas no oeste da cidade, que antes da ocupação do EI, em 2014, chegou a ter cerca de dois milhões de habitantes.

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Autor de explosão em Bruxelas era um marroquino de 36 anos

Homem foi morto por policiais belgas após explodir artefato em estação de trem. Apesar de não ter deixado feridos, incidente é tratado como terrorismo pelo governo.

O autor da explosão em uma estação de trens de Bruxelas, que não deixou vítimas, era um marroquino de 36 anos, anunciou nesta quarta-feira o porta-voz da Procuradoria Federal da Bélgica, Eric Van der Sypt.

O suspeito, que foi morto por soldados, “foi identificado como O.Z., nascido em 20 de janeiro de 1981 e de nacionalidade marroquina”, afirmou Van der Sypt em uma entrevista coletiva.

De acordo com o porta-voz, a maleta que explodiu continha pregos e cilindros de gás.

O ministro belga do Interior, Jan Jambon, afirmou que a polícia realiza operações de buscas na cidade de Bruxelas.

Ataque

O incidente, quen ão provocou vítimas e não foi reivindicado, é considerado um ato terrorista pela justiça belga.

Nicolas Van Herrewegen, um funcionário da estação, disse à emissora pública RTBF que viu um homem gritando em um piso inferior da estação da década de 1930, que possui linhas correndo sob o centro da cidade. Ele então aparentou ter gritado “Allahu Akbar” em árabe e ter detonado algo em um carrinho de bagagem.

Ele foi morto a tiros por soldados belgas.

Pessoas que estavam a cerca de três metros do carrinho não ficaram feridas, acrescentou Herrewegen.

A polícia rapidamente esvaziou a estação e áreas adjacentes no histórico centro de Bruxelas após o incidente por volta das 20h30, no horário local. As ruas estavam repletas de turistas e moradores aproveitando uma noite quente, mas rapidamente ficaram desertas. O tráfego ferroviário foi amplamente suspenso.

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Hungria julga acusados pela morte de 71 migrantes em caminhão frigorífico

Caminhão foi encontrado na Áustria em agosto de 2015. Vítimas morreram asfixiadas no compartimento hermeticamente fechado do veículo.

Vinte e dois meses depois da terrível morte de 71 imigrantes em um caminhão frigorífico encontrado na Áustria em agosto de 2015, a Hungria iniciou nesta quarta-feira (21) o grande julgamento dos traficantes considerados responsáveis pela tragédia.

Na tragédia morreram 59 homens, oito mulheres e quatro crianças, incluindo um bebê, procedentes da Síria, Iraque e Afeganistão. As vítimas não receberam ajuda dos traficantes e morreram asfixiadas no compartimento hermeticamente fechado do veículo.

O crime provocou uma forte comoção na Europa e reforçou o apoio à abertura momentânea das fronteiras às centenas de milhares de migrantes que desejavam seguir para o oeste do continente.

Cercados por agentes das forças especiais húngaras, 10 dos 11 acusados de origem búlgara, libanesa e afegã, todos em prisão preventiva há vários meses, sentaram no banco dos réus de um tribunal de Kecskemét, a cidade do sul da Hungria onde o caminhão foi alugado.

Todos foram acusados de “tortura” e alguns por homicídio.

Caminhão no qual dezenas de imigrantes foram encontrados mortos na Áustria. O veículo foi achado em uma área de descanso de uma estrada do estado de Burgenland, no leste do país 

O julgamento tem como base um relatório de 59 mil páginas e deve durar vários meses. O tribunal espera anunciar o veredicto ainda em 2017.

A Promotoria anunciou que solicitará para quatro acusados penas de prisão perpétua sem possibilidade de redução da pena por “homicídio com agravantes de especial crueldade”.

Para os outros sete acusados, a Promotoria quer penas de até 20 anos de prisão. Um réu, búlgaro, é julgado à revelia.

Em 27 de agosto de 2015, a polícia austríaca encontrou um caminhão frigorífico abandonado em uma estrada de Parndorf, perto da fronteira com a Hungria, com as vítimas a bordo.

Amontoados em 14 metros quadrados, com menos de 30 metros cúbicos de ar para respirar, os 71 migrantes, que haviam embarcado na véspera perto da fronteira com a Sérvia, morreram quando o veículo ainda estava em território húngaro, segundo os legistas.

Escutas telefônicas estabeleceram que os traficantes sabiam, pelos gritos, que as pessoas estavam sofrendo de asfixia. “Deixem morrer. É uma ordem”, teria afirmado o líder do grupo, um afegão identificado como Samsoor L., que proibiu a abertura parcial do compartimento para permitir a passagem de ar.

“Se morrerem, joguem em um bosque na Alemanha”, afirmou seu auxiliar, segundo um resumo da investigação publicado pela imprensa alemã.

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No Parlamento, Rainha Elizabeth fala em manter relação ‘profunda e especial’ com aliados europeus

Na abertura do Parlamento, monarca enfatizou que a prioridade do governo é assegurar o melhor acordo possível para o Brexit.

A rainha Elizabeth disse nesta quarta-feira (21) que a prioridade do governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, é garantir o melhor acordo do Brexit possível para o Reino Unido, e que o governo vai buscar o maior consenso possível sobre os termos de saída do país da União Europeia.

Em sua fala, a monarca enfatizou que a prioridade do governo é assegurar o melhor acordo possível para o Brexit e trabalhar em para converter leis da União Europeia em leis britânicas, além de incorporar novas políticas ligadas à imigração, sanções internacionais, segurança nuclear, agricultura e pesca.

“A prioridade do meu governo é garantir o melhor acordo possível à medida que o país deixa a União Europeia”, disse a rainha aos parlamentares.

“Meus ministros estão comprometidos a trabalhar com o Parlamento, com administrações descentralizadas, empresas e outros para construir o consenso mais amplo possível sobre o futuro do país fora da União Europeia”.

Falando sobre os recentes ataques terroristas que atingiram o país, ela se comprometeu a destinar 2% do Produto Interno Bruto do país na Defesa e a estabelecer uma comissão para combater o extremismo.

Visitas de Estado

A Rainha não mencionou a visita de Estado do presidente americano Donald Trump ao Reino Unido em seu discurso.

A monarca mencionou a visita de Estado dos reis da Espanha, Felipe e Letizia, em junho, o que foi interpretado como um sinal de que a viagem de Trump pode ser adiada.

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As três derrotas de Temer

Como esperado, o presidente Michel Temer sofre as consequências de sua insistência em transformar seu governo numa guerra pela permanência no poder. Em viagem à Rússia, perdeu batalhas em três frentes.

Na primeira, a frente jurídica, Temer foi acusado de corrupção passiva no relatório preliminar da Polícia Federal (PF), parte do inquérito aberto contra ele no Supremo Tribunal Federal (STF), “por ter aceitado promessa de vantagem indevida, em razão da função”.

A PF sustenta tal acusação com base na indicação do ex-deputado Rodrigo Loures como intermediário, feita por Temer ao empresário Joesley Batista. Loures foi depois flagrado recebendo R$ 500 mil em propinas. “Resultam incólumes as evidências que emanam do conjunto informativo formado nestes autos, a indicar, com vigor, a prática de corrupção passiva”, afirma o relatório da PF.

Em depoimento à PF, o doleiro Lúcio Funaro, que também negocia delação premiada, confirmou a narrativa dos executivos da JBS. Afirmou que Temer pediu, em troca da aprovação de financiamentos, duas “comissões”, que somaram R$ 20 milhões, desviados do Fundo de Investimento do FGTS. Elas foram, segundo Funaro, destinadas à campanha à prefeitura paulistana em 2012 e presidencial em 2014.

Na segunda frente, a opinião pública, o juiz Marcus Vinicius Bastos, de Brasília, rejeitou a queixa de Temer por calúnia, injúria e difamação contra Joesley, pelas declarações que deu em entrevista à revista Época no último fim de semana. “Não há como identificar na conduta do querelado (Joesley) a vontade específica de macular a imagem de alguém”, escreveu Bastos em sua decisão.

Finalmente, na frente legislativa, Temer sofreu a primeira derrota na tramitação de seu pacote de reformas. O texto do senador Ricardo Ferraço para a nova legislação trabalhista foi rejeitado por 10 votos a 9 na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado (foto). Das três derrotas, é a mais relevante.

Não se deve exagerá-la: Temer ainda conta com amplo apoio entre os parlamentares. Na Câmara, mesmo que haja dúvida sobre sua capacidade de mobilizar os 308 deputados necessários para aprovar a reforma da Previdência, ele tem hoje, tranquilamente, os 172 votos exigidos para barrar qualquer denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) originada no inquérito policial.

Mesmo que alguns senadores governistas, como Sérgio Petecão (ausente), Hélio José, Otto Alencar e Eduardo Amorim (contrários), tenham contribuído para a derrota da reforma trabalhista na CAS, isso está longe de significar o fim do projeto, cuja aprovação cabe ao plenário do Senado. Mas a derrota põe em questão a outrora inabalável força do governo no Parlamento.

Temer continua a usar a pretensa capacidade de aprovar seu pacote de reformas para fazer pressão por sua permanência no cargo diante de políticos e empresários. Mas é evidente que sua preocupação maior hoje no Parlamento não são os votos para as reformas – e sim os necessários a evitar que se torne réu no STF.

Os partidos aliados resistem a encarar tal fato. Em seu movimento de hesitação eterna e incapacidade crônica para fazer escolhas difíceis, o PSDB adiou ontem mais uma vez a decisão sobre sua permanência no governo. Prefere esperar o que o STF tem a dizer sobre a autorização para a prisão do senador Aécio Neves.

É como se já não houvesse provas suficientes contra Aécio no inquérito policial derivado da delação da JBS, que flagrou a entrega de R$ 2 milhões em propina a pedido dele. Qualquer partido sério já o teria expulsado e rompido com o governo. Ao vendar os olhos para os fatos e proteger Aécio, o PSDB, que pouco tempo atrás protestava tanto contra a corrupção no PT, toma o rumo do próprio patíbulo.

No vácuo de decisões da cúpula, parlamentares começam, individualmente, a abandonar o barco do governo. É por isso que a votação de ontem na CAS tem importância. Por ora, pode ser apenas um Renan aqui, um Petecão lá, um Amorim acolá. À medida que o caso contra Temer ganha corpo nos tribunais e na imprensa, a debandada ganhará volume. Ninguém quer, tão perto de uma eleição, estar associado a um governo tão impopular.

Se o PSDB demonstrar um pingo de coerência com o que dizia no passado e abandonar o governo, Temer estará mais isolado. Para ele, que precisa de apenas 172 votos na Câmara para se safar, isso não necessariamente significará a queda da Presidência. Para o país, que precisa com urgência das reformas e tinha esperança de que este governo as levaria a cabo, a crise política que o engolfou é uma tragédia.

fonte: G1

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Toda a família Trump, finalmente, está na Casa Branca

Melania é a primeira esposa de um presidente na história moderna nos Estados Unidos a adiar sua mudança para Washington após a vitória nas eleições.

Casa Branca tem dois novos moradores desde domingo (12): a primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, e seu filho Barron se mudaram para o número 1600 da Pennsylvania Avenue.

Cinco meses depois da posse do presidente Donald Trump, a ex-modelo nascida na Eslovênia e seu filho de 11 anos se uniram ao chefe de Estado na Casa Branca, informou à AFP um assessor da primeira-dama.

Os dois haviam permanecido em Nova York para que Baron completasse o ano escolar. O filho de Trump deve ser matriculado para o ciclo 2017-2018 na St. Andrews Episcopal School, na região de Washington.

Melania e Barron desembarcaram do avião presidencial ao lado de Trumo na Base Andrews.

Depois de chegar à Casa Branca, Melania publicou uma fotografia no Twitter, na qual observava o South Lawn e o Monumento a Washington.

“Esperando com impaciência as recordações que faremos em nossa nova casa! #Movingday”, escreveu.

Melania é a primeira esposa de um presidente na história moderna nos Estados Unidos a adiar sua mudança para Washington após a vitória nas eleições.

Ao menos durante os dias da semana, Trump morava sozinho na Casa Branca. A primeira-dama manteve a discrição desde que o marido se tornou presidente.

 Sua aparição pública mais notória aconteceu no mês passado, quando visitou com Trump o Oriente Médio e a Europa, em uma viagem que a Casa Branca considerou um “grande êxito”.